Entre estantes — Olívia Pilar

Título: Entre estantes
Autora: Olívia Pilar
Editora: Publicação independente
Páginas: 14
Ano: 2017

Logo de cara, o que me chamou a atenção para esta história foi o título. E então a capa. Por fim, a sinopse. Tudo me remeti a livros, a paixão, a conhecimento.

“Entre estantes” é um conto e, como tal, é de rápida leitura. Poucos acontecimentos, poucos personagens. Uma narrativa de fácil compreensão, mas, nem de perto, rasa.

Trata-se da história de uma jovem, Isabel, que está em seu primeiro ano de faculdade. É ela mesma quem nos conta o seu percurso, começando lá em fevereiro, com o início das aulas. O lugar central da história, porém, não é simplesmente a faculdade como um todo, mas um ponto específico: a biblioteca. Agora ficou mais claro o título, não?

Mais do que encontrar os livros de que precisa, porém, Isabel encontra algo mais entre as estantes da biblioteca: autoconhecimento. E não falo apenas sobre o início da vida adulta, as inseguranças com nossas escolhas. Neste conto, Isabel repensa muito mais que isso. E tudo isso ao se deparar com uma figura que rapidamente lhe chama a atenção. Uma figura que ela tenta esquecer, mas não consegue.

Essa é uma leitura que eu recomendo entre um livro e outro, uma pausa gostosa, rápida e incrível. Uma leitura de minutos, mas que vai te acompanhar por dias. E Olívia Pilar tem vários outros contos publicados, que agora estou bem curiosa para conhecer!

Se interessou? Então clica aqui.

Das reviravoltas — Diário de leitura (10)

Como eu disse em meu diário anterior, chegando ao final do primeiro volume de As mil e uma noites, iniciei a leitura de mais uma história de amor. Trata-se de uma narrativa longa, que durou da noite 211 até a 236.

Compõem esse arco as seguintes narrativas:

  • A história dos amores de Camaralzaman, príncipe da ilha dos filhos de Kaledan, e de Badura, princesa da China;
  • A história de Marzavan, com o prosseguimento da história de Camaralzaman;
  • Separação do príncipe e da princesa de Badura;
  • A história da princesa Badura após a separação do príncipe Camaralzaman;
  • Continuação da história do príncipe Camaralzaman desde a sua separação da princesa Badura;
  • A história dos príncipes Amdjad e Assad;
  • A prisão do príncipe Assad ao entrar na Cidade dos Magos;
  • A história do príncipe Amdjad e de uma dama da Cidade dos Magos;
  • Continuação da história do príncipe Assad.

São muitos encontros e desencontros aqui, bem como muitos momentos tensos. Eu diria até angustiantes. Foi uma história que me prendeu bastante e que dava vontade de saber o que viria a seguir. E o final é daqueles que você fica “aaaah, não acredito, que final incrível!”.

Começamos conhecendo dois jovens que, cada um em seu reino, precisam se tornar rei e rainha, e que, portanto, precisam se casar. Seus pais, porém, querem lhes dar a liberdade de escolher o par perfeito, mas esses jovens são bem exigentes…

Em tese, eles nunca viriam a se conhecer, mas alguns seres mágicos, para satisfazer seus próprios desejos, acabam por aproximá-los… E igualmente separá-los. E é neste ponto que as coisas começam a ganhar mais emoção.

Mas não para por aí não. Toda vez que achamos que as coisas estão se resolvendo, uma nova reviravolta ocorre. O próprio título “Separação do príncipe e da princesa de Badura” já nos dá uma ideia disso. Lembro-me que quando vi tal nome fiquei chocada. Como assim, depois de tanto trabalho para ficarem juntos, eles se separaram? Mas claro, as coisas não são tão simples assim… Até princesa se travestindo de príncipe tem nessa história toda (o que me fez pensar em Mulan também).

Mas… Se lá no primeiro diário eu super elogiei a minha edição desta obra, agora venho trazer uma pequena decepção: a editora provavelmente quis fazer dois volumes de tamanho praticamente iguais e, para isso, teve de colocar uma parte dessas narrativas que acabei de apresentar no primeiro volume, e uma parte no segundo. A divisão, assim, ficou um pouco abrupta. Achei que seria melhor ter deixado todo um arco no mesmo volume. Mas isso pode ter sido uma estratégia também, para nos fazer continuar, da mesma maneira que a Sherazade faz…

Como vocês devem ter percebido, portanto, terminei o primeiro volume de As mil e uma noites! E dando uma fuçadinha aqui, já vi que terei algo para comentar (talvez reclamar, de novo) no próximo diário, sobre esse segundo volume…

Como ler mais gastando menos?

Confesso que eu estava cheia de ideias de posts para o Blog, mas ver, todo santo dia, pessoas normalizando o pirateamento de livros, me dá uma agonia e uma tristeza sem tamanho, então resolvi mostrar como é possível ler mais gastando menos. Vocês me acompanham nessa?

A dica mais óbvia que eu poderia dar é: frequente a(s) biblioteca(s) de sua cidade. Mas Tati, estamos no meio de uma pandemia! Sim, por isso que eu disse que essa é a dica mais óbvia que eu poderia dar.

Outra opção são os sebos, e aqui já conseguimos entrar em um meio termo: muitos sebos, hoje em dia, possuem site ou algum espaço virtual similar. Aliás, existe o Estante Virtual também, que te ajuda inclusive a encontrar o melhor preço! E não ache que sebo vende só livro velho, viu? Já vi muita gente com edições lindíssimas e super bem conservadas compradas em sebo, e por preços ótimos.

Uma coisa que comecei a fazer ano passado e que, até agora, só tive boas experiências, foram as trocas no Skoob. Já comentei um pouco mais como funciona neste post. Com a pandemia, deixei minha estante “pausada”, isto é, ninguém pode solicitar meus livros, para que eu não tenha de ir aos correios. Consequentemente, não tenho créditos para solicitar um livro que eu queira.

Agora a dica para quem realmente não quer nem levantar da cadeira para ler mais gastando menos: Amazon. Eu sei, algumas pessoas são totalmente contra esse site, mas se você é contra a Amazon e piratei livros, fica meio difícil dialogar, não?

Geralmente, o “pirateamento” de livros é o compartilhamento de pdfs (e afins) do mesmo, correto? Isso significa que a pessoa está disposta a ler através de uma tela, seja ela do computador, do celular ou mesmo de um e-reader. Se a pessoa está disposta a fazer isso, o que custa acessar o site da Amazon e ver os ebooks gratuitos que estão lá? Sério, a cada dia diversos são disponibilizados ali! E você não precisa de um kindle para lê-los, você só precisa ter uma conta na Amazon e usar o aplicativo do kindle em seu celular ou computador, isto é, a mesma tela que você usaria para ler o arquivo pirata.

Também tem muita coisa boa que surge em plataformas como Wattpad e Sweek, então por que o preconceito de ler por elas? Muitos livros publicados por grande editoras, aqui no Brasil, foram publicados, primeiro, em uma dessas plataformas.

Ah, mas eu quero ler o livro modinha, o bestseller do momento, livros tops em inglês. Bom, então você talvez tenha um pouco mais de trabalho, mas para tudo tem solução. E neste caso é a comparação de preços. Pesquise em sites, acompanhe a variação do preço, veja o valor do frete. Eu, por exemplo, passei a minha lista de livros desejados do Skoob para a Amazon e agora eu entro lá todo dia e vejo o valor dos livros.

Bom, essas são as dicas que eu sempre dou para quem vem tentar normalizar pirateamento de livros para cima de mim. Não há nada que justifique essa escolha, a não ser o fato de que a pessoa realmente não está nem aí para toda a gente que trabalha neles até que eles efetivamente cheguem ao leitor. Sem contar que, piratear livros só faz com que menos e menos escritores tenham disposição e tempo para se dedicar a isso e nos presentear com novas histórias.

E olha que nesse post eu nem mencionei iniciativas incríveis como a Winnieteca ou a Bienal da Quebrada, que também contribuem para que mais livros cheguem a quem não pode pagar por eles.

E vocês, pessoal, o que fazem para ler mais gastando menos? E conhecem outras iniciativas como essas duas últimas que acabei de citar?

Entranhas do amor — Nicc Mello

Título: Entranhas do amor
Autor: Nicc Mello
Editora: Lettre
Páginas: 102
Ano: 2020

Como é que se resenha um livro tão intenso, tão íntimo, tão sincero? Eu, definitivamente, não sei, mas prometo que tentarei dizer algo sobre “Entranhas do amor”, do autor Nicc Mello.

“O amor de menina há de florescer nos sonhos de mulher”

Talvez eu deva começar pelo próprio título da obra: “entranhas” significa, figurativamente falando, a nossa parte mais interior, mais profunda. “Entranhas do amor”, portanto, é uma obra que deveria mergulhar no mais profundo desse sentimento tão infinito e tão complexo.

“Amor é amar”

É isso! “Entranhas do amor” realmente fala com profundidade — e propriedade — não apenas sobre o amor, mas sobre a vida, sobre o que é óbvio e o não tão óbvio assim. Sobre banalidades, mas também sobre questões existenciais.

“Viver era mais importante”

Em alguns poemas os versos são diretos, cortantes. Em outros, são mais amenos. Todos têm um quê de pessoalidade difícil de ignorar. E de sentir. Nicc Mello é um poeta LGBT e também demonstra isso em algumas de suas poesias.

“Amar nunca foi crime”

Queria destacar ao menos uma poesia aqui, mas foi tarefa difícil escolher. No entanto, optei por trazer a vocês “Eu”:

Eu

Sigo só,

na minha companhia.

Estranho é viver

no meio da multidão

Esta obra é o mais novo lançamento da Editora Lettre e, outra vez, fico feliz em ver um resultado desses. A edição física — que está em pré-venda no site da Editora, com frete grátis — está muito bonita, com uma diagramação diferente do ebook, disponível aqui.

E se você ainda não se convenceu entre comprar ou não um exemplar, conheça um pouco mais do autor através desta entrevista.

Histórias de amor — Diário de leitura (9)

Em meu último diário de leitura de As mil e uma noites, comentei que havia começado a leitura de uma história que parecia prometer. Isso porque, desde o início, notei que era uma narrativa de amor como até então eu não havia visto nesta obra. Algo diferente do que vinha aparecendo, mais forte e profundo.

Com efeito, a História de Abul-Hassan Ali Ebn Becar e de Chemselnihar, favorita do Califa Harun al-Rashid — que dura das noites 185 até a 210 — é bem intensa, nos apresentando um amor proibido, quase num estilo Romeu e Julieta (olha eu comparando ocidente e oriente de novo).

E, no meio dessa narrativa, é inserido um novo tipo textual: a carta, meio de comunicação entre os protagonistas. É importante destacar isso porque As mil e uma noites, além de ser uma obra coletiva (sim, ela não foi construída por narrativas de um único autor) é uma obra com diversos gêneros que, ao longos das traduções e adaptações, foram se perdendo. Hoje, temos acesso, a uma grande parte narrativa, mas As mil e uma noites é composta por poesias, cartas, bilhetes…

Estou chegando perto do final do primeiro volume da edição que tenho. A história que ainda está se desenrolando também é de amor, mas com a intervenção de criaturas mágicas, algo já um pouco mais próximo do que havia aparecido anteriormente.

Será que conseguirei falar sobre a conclusão desse primeiro volume justamente no 10º diário de leitura? Espero que sim! E veremos o que me aguarda no segundo (e último) volume. Vocês estão gostando dessa série de posts?

O canto das sereias — Ingrid Sousa

Título: O canto das sereias — um conto do universo de "O despertar da profecia"
Autora: Ingrid Sousa
Editora: Lettre
Páginas: 13
Ano: 2020

Serena e Sooará são gêmeas, nascidas durante uma lua de sangue. Devido ao momento em que nasceram, porém, foram logo abandonadas à própria sorte, que, no entanto, sorriu para elas e lhes deu uma nova família, onde viveram felizes por certo período de suas vidas.

“Serena era meiga, corajosa e sempre disposta a proteger sua irmã. Já Sooará era astuta, tinha sempre uma resposta na ponta da língua, e vivia em busca de novas aventuras”

Realmente havia algo de diferente naquelas meninas. Quando Sooará ficava irritada, os objetos que estavam perto dela começavam a se mexer e se chocavam contra a parede. E a única coisa capaz de acalmá-la e restituir a ordem ao lugar era sua irmã, Serena.

Enquanto aquilo só ocorria dentro de casa, os pais iam levando. Mas um dia uma dessas cenas se deu no meio do vilarejo e, então, todos passaram a temer aquela família, dizendo que aquelas crianças eram amaldiçoadas.

Mas também não era como se dentro de casa tudo ocorresse às mil maravilhas. Serena e Sooará tinham dois irmãos mais velhos, filhos de sangue dos pais adotivos das meninas. E um desses irmãos adorava provocar Sooará… Até o dia que fúria dela foi imensa.

“Ela olhou para as duas meninas e pensou que, até aquele momento, nunca se arrependera de ter salvo aquelas pobres crianças indefesas. Mas tudo mudara naquele exato instante, quando percebeu que não havia mais chances”

“O canto das sereias” é um conto e, como tal, é de rápida leitura. A história que ele nos traz, porém, é forte e, se quisermos ir além, carrega algumas mensagens importantes. Trata-se de uma narrativa que nos mostra como, apesar de tudo, devemos agir com o coração e ouvir aquilo que ele acha certo a ser feito, ainda que estejamos assumindo um risco; também é uma história que, de certo modo, nos mostra o perigo de fazermos piada com aquilo que é diferente de nós.

E então, ficou com vontade de ler “O canto das sereias”? Então clica aqui.

Citações #33 — Não inclui manual de instruções

Quando escrevi a resenha de Não inclui manual de instruções, ela já foi recheada de trechos do livro, mas muitos outros ainda ficaram de fora, afinal, trata-se de um livro que aborda algumas temáticas que considero muito importante.

A começar pelo fato que o protagonista tem síndrome de asperger e que, portanto, são apresentadas algumas perspectivas com relação a isso.

“Estava começando a perceber que Conor era do tipo de pessoa que não costumava permitir que alguém entrasse em sua redoma”

Pouco a pouco vamos conhecendo alguns dos hábitos e manias de Conor e entendendo um pouco melhor como funciona a mente de um aspie.

“Ao contrário da maioria das pessoas que leem livros para fugir da realidade, Conor os usa para dar sentido a ela”

E, a partir do momento que vamos compreendo isso, vamos aprendendo que eles são tão humanos quanto nós.

“Algo que sempre me assustou foi ser visto como uma aberração”

Uma das maiores dificuldades para um aspie é, provavelmente, a comunicação, principalmente porque eles costumam ser muito literais!

“Seria muito melhor que as pessoas pudessem aprender a ficar confortáveis com o silêncio, pelo menos de vez em quando”

E é por isso que a autora pode, também, explorar a importância da comunicação para o viver em sociedade.

“Você sabia que a comunicação é muito subestimada?”

Outro ponto de dificuldade para quem tem asperger é com relação a demonstrar sentimentos.

“Sei que não é culpa sua, que não percebe, mas não é fácil dar carinho a alguém e sentir que não está recebendo esse carinho de volta”

Mas isso, claro, não significa que eles não sentem nada. Muito pelo contrário, aliás, afinal, são humanos, certo?

“Às vezes, quando gostamos de verdade de alguém, nos parece tão óbvio que não há como essa pessoa não notar”

Esses eram os trechos que não couberam na resenha, mas que eu destaquei durante a minha leitura, porque me fizeram pensar sobre esses pontos que acabo de trazer. O que acharam? Ficar com vontade de ler Não inclui manual de instruções?

Fechando histórias abertas — Diário de leitura (8)

Finalmente li a história dos seis irmãos do barbeiro e, consequentemente, cheguei ao final de dois arcos narrativos que estavam pendentes em minhas leituras de As mil e uma noites. Mas vamos por partes, certo?

Em meu último diário de leitura, eu parei por volta da 167º noite, que é quando começa A história do primeiro irmão do barbeiro. E essa narrativa seguem:

  • A história do segundo irmão do barbeiro
  • A história do terceiro irmão do barbeiro
  • A história do quarto irmão do barbeiro
  • A história do quinto irmão do barbeiro
  • A história do sexto irmão do barbeiro

Nenhuma dessas narrativas é fácil de ler, pois todos esses irmãos sofreram com algo. E, para piorar, as histórias são contadas para divertir o Sultão que as escutava. Porém, não bastassem ser histórias tristes, a do quinto irmão do barbeiro me incomodou profundamente de início, pois ele sonhava em se casar com uma mulher que deveria ser extremamente submissa e que, ainda assim, ele pretendia ignorar e fazer sofrer.

Eu estava indignada lendo esse trecho, ainda que ele fosse apenas um sonho distante para tal homem, e fiquei muito aliviada quando um acontecimento o tirou desses pensamentos horríveis e, mais ainda, fiquei feliz, confesso, por ver outro homem rindo do infortúnio, considerando-o “bem feito” diante dos pensamentos do irmão do barbeiro.

Ao terminar de ouvir essas histórias, o Sultão de Casgar, que as escutava para decidir se eram tão boas quanto as histórias do seu falecido corcunda, fica satisfeito e decide não mais condenar à morte aqueles que se haviam apresentado como culpados pelo falecimento do tal. Neste ponto, já estamos na 183º noite e ainda há mais um episódio interessantíssimo deste arco narrativo, contado no dia seguinte, quando finalmente chegamos ao final destas narrativas.

“A sultana Sherazade terminou assim essa longa série de aventuras às quais a suposta morte do corcunda dera origem” (p. 416)

Eu estou aqui falando de fim e parece que eu cheguei ao final do livro, mas não! Falta muito ainda. Provavelmente até dezembro vocês ainda vão me ouvir falar de As mil e uma noites. O que será que vem por aí? Já engatei em mais uma história que promete…

O que há dentro de um livro?

Quem lê a pergunta do título deve logo pensar: a história, ora essa! Mas será que é só isso que encontramos dentro de um livro? Por mais que a história seja incrível, a melhor de todas, é só ela que está ali?

Já te adianto que, em minha opinião, não! Pense, para começar, em um livro físico. Logo de cara podemos citar as orelhas dele. Em algumas, as editoras (ou o próprio autor) optam por colocar a sinopse na frente e uma biografia do autor atrás; outras escolhem colocar um trecho da história ali; há, ainda, os que preferem colocar comentários de leitores que já leram o livro.

Seja qual for a escolha feita, porém, uma coisa é certa: nas orelhas podemos encontrar algo a mais. Me lembro que, quando eu era mais nova, não costumava ler as orelhas antes da história em si. Mas depois, se o livro me agradasse demais, eu ia até elas, na esperança de ter alguns momentos extras com aquele universo.

Outra coisa que passa batido para muitos leitores, seja de ebooks ou de livros físicos, são as primeiras páginas do livro e, principalmente, a ficha catalográfica (aquele quadrado com algumas informações como o nome do autor, a Editora, número da edição…). Você já pensou que são nesses espaços que podemos ter um mínima ideia das pessoas envolvidas na produção daquela obra?

Um livro, para chegar até nós, não passa somente pelas mãos do escritor. Tem os tradutores (no caso de livros estrangeiros, claro), revisores, diagramadores, capista. Isso sem contar as equipes que tornam a concretização da obra possível, como o pessoal da gráfica e do marketing. Algumas obras também passam pelas mãos de agentes literários, leitores beta….

Claro que, livros publicados de forma independente, não envolvem grandes equipes, porque o autor acaba tendo de desembolsar tudo e, muitas vezes, por não dispor de tanto dinheiro, opta por desempenhar mais de uma das funções que mencionei acima.

Não vou mentir e dizer que, desde sempre, eu me interessei por essas informações. O fato de, aos poucos, ter entrado nesse universo, não mais como uma mera leitora, mas como alguém que também trabalha com livros e que busca participar de eventos da área, é que me fez valorizar ainda mais esses aspectos, querer conhecer os nomes — não só do autor — que estão por trás dos livros que leio.

Mas há coisas, para além da história, que sempre gostei de absorver com calma: as dedicatórias e os agradecimentos. Não a toa, sempre sonhei em ver meu nome ali, coisa que, recentemente, se concretizou, graças às parcerias firmadas através deste Blog.

Alguns livros podem trazer, ainda, uma apresentação da obra ou do autor, uma nota ou observação feita pelo próprio escritor, por um estudioso ou crítico da área… Elementos que, geralmente, vêm para acrescentar algo à nossa leitura, mas que nem sempre queremos realmente ler ou ao menos nem sempre lemos antes da história em si, que é o que nos interessa.

Recentemente, porém, uma coisa me deixou espantada: passei rapidamente os olhos por uma polêmica, no Twitter e, pelo que entendi, algumas pessoas estavam indignadas que alguns leitores não leem prefácio, prólogo e notas de rodapé. Logo me juntei ao time dos indignados! Prefácio e prólogo fazem parte da história, não? As notas é até compreensível, porque, às vezes, elas podem atrapalhar a fluidez da leitura e, se acreditamos que entendemos o significado do que será explicado, tal ação é até perdoável.

E então, como vocês enxergam os livros? Apenas como a história nele contada, ou a história por trás do “objeto” em si?

Make Blackout Poetry, a poesia que nasce do escuro [tradução 4]

O procedimento é aparentemente simples: pegue uma página de um livro, de um jornal ou de uma revista e risque todo o texto, deixando apenas algumas poucas palavras que irão compor uma poesia. Funciona assim, de maneira bem resumida, Make Blackout Poetry, a poesia que nasce do escuro.

Make Blackout Poetry é uma espécie de grupo espontâneo, nascido quatro anos atrás, com a iniciativa de John Carroll, um escritor que, naquele período, estava passando por um momento de dificuldade. Ele começou, assim, a publicar em seu site e redes sociais as suas criações, dando vida a uma “comunidade de esperança”.

Atualmente*, no Instagram o perfil de Make Blackout Poetry é seguido por mais de 45.000 pessoas e, a cada semana, faz uma espécie de concurso, no qual todos podem participar, apresentando a sua poesia “fora do escuro”.

Criatividade, espírito de observação e capacidade de criar novas conexões entre as palavras de um texto são as chaves para decodificar as “mensagens de esperança escondidas” com as quais Make Blackout Poetry busca iluminar a escuridão.

Por que não experimentamos também?


*O texto acima é uma tradução e o original foi publicado em 2015, portanto o termo “atualmente” não refere-se, exatamente, à atualidade. Para ler o original, clique aqui. O site do Make Blackout Poetry não existe mais, mas a conta do Instagram sim, ainda que esteja parada desde 2019.


Vocês já ouviram falar de Blackout Poetry? Descobri um pouco mais sobre essa arte quando estava preparando uma aula de italiano e, por isso, resolvi trazer o tema em um dos posts de tradução. Há, porém, muito material disponível em português também, e é algo que vale a pena conferir, principalmente para quem está precisando de um pouco de inspiração para escrever!