TAG: Lendo mulheres

TAG lendo mulheres

Hoje é feriado e nada melhor que responder uma TAG para passar o tempo, não? E olha, essa aqui é incrível! Vamos enaltecer mulheres que, além de tudo, ainda escrevem?? Vi esta TAG há muito tempo, no blog Submundo Literário e a moça que publicou disse que é do IG A menina do livro.

Primeiro livro escrito por uma mulher que você leu? [essa foi fundo, hein!]

Bom, segundo minhas anotações (iniciadas em 2005) foi Diário da princesa, da Meg Cabot.

Autora que você mais leu?

Chuto que tenha sido a Paula Pimenta, pois li “Fazendo meu filme” e “Minha vida fora de série” completos, além das releituras dela de contos de fadas e o conto presente em “Um ano inesquecível”.

Se você pudesse conhecer uma escritora, qual seria?

Eu adoraria poder conhecer todas as minhas parceiras pessoalmente! A Ingrid, a Cínthia, a Michelle, a Marie e a Juliana Lima (a Maya eu já conheço \o/)

Personagem preferida de um livro escrito por uma mulher?

Que difícil!!! Acho que isso é um pouco como responder “qual o seu livro favorito?”. Podemos pular para a próxima?

Autora que todos deveriam conhecer?

Ana Farias Ferrari e seu livro Os guardiões dos livros.

Livro escrito por uma autora brasileira que você quer ler?

A lista aqui é grande, mas vamos de Conectadas, da Clara Alves.

Clássico dos clássicos?

O sol é para todos — Harper Lee.

Duas autoras brasileiras contemporâneas que você indica?

Só duas? Michelle Pereira e Mel Geve.

Livro escrito por uma mulher que todos deveriam ler?

A arte de ler ou como resistir à adversidade (Michèle Petit).

E aí pessoal, acharam fácil? Quero ver as respostas de vocês também!

Quando você perde também ganha — T. S. Rodriguez

Título: Quando você perde também ganha
Autora: T. S. Rodriguez
Editora: Publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

quando você perde blog

Pedro é aquele garoto que tem tudo na vida e que insiste em passar uma imagem de si apenas para ser ainda mais aceito pelo seu círculo social. Ao mesmo tempo, ele provavelmente nunca refletira muito sobre isso.

“Você é o tipo garoto branquinho, bonitinho e cheio de privilégios, que desperdiça tudo isso agindo feito um babaca”

Um dia, porém, um acidente de carro faz com que Pedro tenha de ficar de cama, com as duas pernas engessadas. E, para não perder o ano escolar, o colégio lhe manda os conteúdos via email e pede que Vinicius, o melhor aluno da sala, vá visitá-lo todos os dias para explicar aquilo que o colega possa ter dificuldades em aprender sozinho.

“Não há nada de mal em parecer fraco às vezes. Todo mundo precisa de ajuda”

Acontece, porém, que Vinicius sempre fora alvo de piadinhas feitas pelos amigos de Pedro, e ainda que este nunca dissesse nada para ofender, era sempre conivente, rindo daquilo que os amigos diziam.

No primeiro dia que Vinicius vai até a casa de Pedro, este descobre que o colega dança ballet. Mas, ao contrário do que aconteceria se estivesse com os amigos, Pedro não faz nenhuma piada sobre o assunto e, pelo contrário, parece até se interessar pelo hobby do amigo, perguntando se ele tem interesse em seguir carreira na área.

Mas não é somente Pedro que se surpreende nesse primeiro encontro: Vinicius percebe que o colega é bem diferente daquela imagem que ele passava. Tinha livros no quarto e era mais inteligente do que demonstrava ser.

E é assim que vamos conhecendo mais desses dois jovens e vemos como um tem muito a ensinar ao outro. Vinicius dá várias lições em Pedro e este passa a se enxergar de formas que nunca imaginara antes.

Quando você perde também ganha é um conto rápido e cheio de lições. Uma história que poderia, inclusive, virar livro, mostrar os desdobramentos de cada acontecimento, ensinar ainda mais.

Brincadeira seria se todos achassem engraçado. Eu não acho. Quando só uma das partes ri e outra fica ofendida ou chateada, deixa de ser brincadeira e vira bullying, sabia?”

Se interessou pelo conto? Clique aqui.

 

Sobre meu conto “A língua do amor”

Sobre meu conto _A língua do amor_

Quem me acompanha para aqui já deve estar cansado de saber que eu ajudei a organizar uma antologia, publicada esse ano, pela Editora Lettre. Além de fazer parte da organização, eu também escrevi um conto para compor a mesma, intitulado “A língua do amor”.

Mesmo tendo outros contos escritos (e mais um publicado), não me considero uma escritora. Não sei, me parece surreal dizer que eu faço parte desse mundo tão mágico e, ao mesmo tempo, tão árduo. Mas tenho recebidos feedbacks incríveis sobre meu conto e, confesso, a cada vez que vejo um elogio ou alguém dizendo que ele foi o preferido dentre todos, meu coração se enche de alegria. Depois de ver uma leitora dizendo que meu conto deveria virar livro (!!!), coisa que nunca pensei, quis vim contar um pouco mais sobre ele para vocês.

“A língua do amor” é narrado por uma menina espoleta e curiosa que adora brincar com seus vizinhos no playground do prédio em que mora. Ela fica intrigada, porém, quando chega um novo vizinho, que nunca desce para brincar com eles, ainda que fique espiando-os pela janela, enquanto eles gritam para que o menino se junte a eles.

Conversando com sua mãe, a narradora faz uma descoberta sobre Daniel — o tal vizinho que nunca desce para brincar com eles — que muda a sua vida e talvez a de muitas outras crianças da escola que ela estuda. Daniel é um garoto surdo e, por meio dele, tentei inserir um pouco desse universo na história, falando brevemente sobre a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Comecei a aprender Libras em 2018. Desde então venho aprendendo muito mais que uma simples língua, mas também toda uma nova forma de enxergar o mundo. E isso certamente é uma tarefa que demanda muito tempo e que ainda me acompanhará por anos e anos.

Quando eu escrevi o conto eu o via assim, do jeitinho que ele foi publicado. Logo mudei de ideia, porém, quando uma amiga me questionou sobre o final. De início, não pensei outra maneira, mas refleti um pouco e existiam modos de fazê-lo diferente. Mas quando eu vi  sugestão de transformar o conto em livro meu primeiro impulso foi rir. Impossível, não há mais nada a contar! Mas há, sempre há. E aí, claro, várias ideias começaram a pipocar na minha mente. Será que um dia “A língua do amor” vira livro?

Os guardiões dos livros — Ana Farias Ferrari

Título: Os guardiões dos livros
Autora: Ana Farias Ferrari
Editora: Cartola
Páginas: 456
Ano: 2019

guardiões dos livros blog

Sabe aquele livro que é como um abraço amigo, para o qual queremos correr nos mais diversos momentos? Pois é assim que vejo Os guardiões dos livros, uma fantasia daquelas que nos faz pensar “Mas… Será que não é verdade?”.

“Eu não tinha percebido quanto sentimento eu tinha guardado dentro de mim e agora eles saíam todos de uma vez”

Essa foi uma leitura que me acompanhou por quase abril inteiro, porque, infelizmente, sinto que tive menos tempo para ler nesse período do que eu gostaria, correndo para dar conta de tudo. Mas esse é um livro que a gente não quer ler um capítulo só por vez, quer ler tudo e, ao mesmo tempo, absorver com calma as descobertas. Em diversos momentos do meu dia eu me via pensando nesta história, morrendo de vontade de voltar logo para ela, como se houvesse ali um imã. E certamente havia.

“Olhei para ele e vi que o pedido era sincero, eu conhecia o sentimento de querer fugir de tudo”

Os capítulos são narrados, alternadamente, por Clarice e Ricardo. Dois jovens, de início, extremamente comuns, vivendo uma rotina igualmente comum, de ir para a escola e viver sua adolescência, cada um a seu modo. Clarice é aquela menina que todos consideram nerd pelo simples fato dela amar livros e viver na biblioteca da escola. Ricardo, por sua vez, é um garoto lindo e que está sempre dormindo antes das aulas começarem, além de ser considerado popular. Clarice perdera o pai, grande incentivador de seu gosto pela leitura, muito cedo. Ricardo crescera sendo criado pelo tio, Dimitri, pois se tornara órfão muito cedo. E Dimitri, além de tio de Ricardo, era o bibliotecário da escola, portanto, amigo de Clarice.

“Momentos difíceis podem afastar pessoas, mas também pode aproximá-las”

Apesar de estudarem na mesma escola desde pequenos, o que faz Clarice e Ricardo começarem a conversar verdadeiramente é o sumiço repentino de Dimitri. Em busca do tio-amigo desaparecido, os jovens acabam por descobrir o Reino das Palavras e muita coisa sobre o passado e a história de ambos.

“Nós éramos dois adolescentes, procurar bibliotecários sumidos não deveria fazer parte dos nossos planos para o fim de semana”

No Reinos das Palavras, Clarice se descobre uma Guardiã dos Livros e Ricardo se descobre Príncipe. Mas, mais que isso, eles descobrem a se enxergar e enxergar um ao outro.

“Ela não ficaria desapontada comigo se eu não fosse o príncipe que todos esperavam que eu fosse”

O que torna Os guardiões dos livros tão especial não é o simples fato dele trazer um Reino com o qual todo leitor voraz já sonhou alguma vez na vida, mas, principalmente, porque este é um livro que transforma uma “rata de biblioteca”, uma garota “qualquer” em uma poderosa Guardiã do Reino das Palavras, além de mostrar que atrás de um “garoto popular” pode haver um enorme coração, um grande escritor e também alguém solitário.

“Mas, em todos os casos, só se torna um verdadeiro Guardião aquele que tem as histórias dentro do próprio coração, independente do sangue em suas veias”

Essa é uma daquelas histórias capazes de te tirar da realidade, sem deixar de fazer com que você pense sobre muita coisa importante. E, sem dúvidas, uma narrativa que nos deixa ainda mais apaixonados pelos livros e por todo o poder que um objeto como esse pode ter.

“As respostas sempre estarão nos livros”

Os guardiões dos livros é um livro indicado para jovens e adultos, principalmente aqueles que ainda acreditam na magia de um bom livro.

Se você se interessou por Guardiões dos Livros, clique aqui.

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

Sim, meus queridos, hoje me deu vontade de comentar um pouco sobre uma matéria que leva o título acima e que vocês podem ler na íntegra aqui. Um post um pouco diferente e que acho muito válido com relação à temática deste Blog. Vamos nessa?

Em primeiro lugar, acho importante destacar que quem faz a afirmação acima e tantas outras presentes ao longo da matéria mencionada é um professor de literatura italiana da Universidade de São Paulo: Maurício Santana Dias. Porém o Maurício não é “apenas” professor, mas também um grande tradutor (falo mais sobre isso daqui a pouco). E, seja para ser um excelente professor de literatura, seja para ser um grande tradutor, é preciso, antes de mais nada, ser um ótimo leitor.

Quando falo que o Maurício é um grande tradutor, estou me referindo às inúmeras obras traduzidas por ele e também aos prêmios que ele já recebeu por seu trabalho. O mais recente prêmio foi obtido este ano mesmo, na Itália, um pouco antes do país fechar as portas diante da pandemia do coronavírus. Ele foi condecorado com o Prêmio Nacional de Tradução do Ministérios de Bens Culturais e do Turismo da Itália. Chique, né?

Ao longo da matéria em questão, são destacadas algumas falas do professor, sobre a importância da literatura, inclusive como instrumento para pensar o mundo (daí o título) e a importância de todos os tipos de literatura, não apenas a de ficção. Além disso, ainda há muita dica de livros da literatura italiana (já traduzidos para o português) extremamente adequados para o momento que vivemos hoje (e para tantos outros).

“A literatura vai muito além do entretenimento”

Infelizmente, porém, sou obrigada e discordar de uma pequena parte da fala do professor: ele afirma que esse é o momento que mais temos para ler. Não sei se é bem assim. Tenho visto muitas pessoas que estão tendo de trabalhar o dobro do que trabalhavam antes (mesmo estando em casa — ou talvez justamente por causa disso) ou então pessoas tão esgotadas mentalmente que não têm coragem nem mesmo de pegar um livro mais leve para ler. E, no final das contas, tudo isso é extremamente compreensível. Se você está lendo menos que o normal, contrariando expectativas vindas de não sei onde, saiba que isso não te torna menos leitor e menos nada diante dos outros. A literatura vai muito além do entretenimento, mas ler ainda deve ser um momento de prazer, não de pressão. E precisamos, agora, mais do que nunca, viver um dia de cada vez, com calma, e sem pressões desnecessárias.

E vocês, concordam que a literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo?

Tatianices recomenda [12] — Forest

Depois de um tempinho sem postar nada nessa seção, hoje eu resolvi falar sobre um aplicativo que eu sempre acho que todo mundo conhece, mas percebi que não é bem assim. E trata-se de um aplicativo que pode ser muito útil nesses tempos de quarentena e home office. Então, sem mais delongas, apresento a vocês o Forest.

Trata-se de um aplicativo que te “impede” de mexer no celular durante o tempo que você escolher (entre 10 e 120 minutos). E ele faz isso de uma maneira simples, mas lúdica (ok, não sei se esse é o melhor adjetivo a se usar aqui).

A ideia é a seguinte: você tem de plantar uma árvore. Para isso, é preciso ficar longe do celular. Se você precisar usá-lo e, portanto, sair do Forest, sua árvore morre. Pode parecer bobo, mas é muito triste ver aquela arvorezinha morta no seu jardim!

E existem diversos tipos de árvores a se plantar e elas ficam diferentes conforme o tempo que você estipula para que elas cresçam. Quando você completa seu objetivo, recebe moedas por isso e, com essas moedas, pode comprar novos “modelos” de árvores.

O slogan desse aplicativo é stay focused, be present (mantenha-se focado, seja presente), no sentido de que, se você focar para fazer as suas coisas, te sobrará mais tempo para estar com quem ama. Por isso que eu digo que ele pode ser um bom aliado nesses tempos em casa…

Tenho usado muito o Forest para fazer valer o método pomodoro, que consiste em intercalar o trabalho (ou momento produtivo) com um pouco de descanso. Algumas pessoas costumam fazer é 25 X 5, isto é, 25 minutos trabalhando e 5 descansando. No meu caso, preferi adotar o que outras pessoas fazem também: 50 X 10, ou seja, 50 minutos trabalhando e 10 descansando. Isso significa que passo 50 minutos focada e aproveito esses 10 minutos não apenas para me levantar, mas também para responder mensagens no whatsapp, conferir alguma rede social, olhar o email.

É engraçado como faz diferença! Minha mente não para quieta um minuto e muitas vezes estou trabalhando e penso “nossa, preciso conferir meu saldo”, “nossa, será que eu respondi aquela mensagem”, “ah, vou conferir rapidinho essa notificação aqui”, . Sem o Forest eu vou lá e checo tudo isso no momento em que penso, perdendo totalmente a minha concentração. Com ele não, eu penso “bom, depois eu vejo isso”, e sigo trabalhando.

Vocês já conheciam esse aplicativo ou outro semelhante? Ele te ajuda?

A diferença invisível — Mademoiselle Caroline e Julie Dachez

Título: A diferença invisível
Original: La différence invisible
Autoras: Mademoiselle Caroline e Julie Dachez
Editora: Nemo
Páginas: 192
Ano: 2017
Tradutor: Renata Silveira

diferença invisível

Eu não sou muito de ler HQ’s e mangás, não por preconceito, mas por falta de hábito e de conhecer histórias nesses estilos que me pareçam interessantes. Mas esse ano me desafiei a ler ao menos uma obra em algum desses estilos e meu namorado logo se colocou à disposição para encontrar algo que me agradasse. E, como sempre, acertou em cheio!

Até agora, com o perdão de estar sendo injusta com os demais livros, essa foi minha melhor leitura de 2020. Isso porque além de trazer um tema pelo qual eu me interesso, tudo é muito bem feito e retratado nessa HQ.

“Escrita por uma jovem com Asperger e alta capacidade intelectual, e ilustrada por uma talentosa desenhista, esta HQ mostra a protagonista, Marguerite, no trabalho, em casa, com seu namorado e depois com seus amigos aspies”

(p. 5)

A diferença invisível nos apresenta uma mulher que somente aos 27 anos descobre que tem Asperger. Mas, ao longo dos quadrinhos, vamos acompanhando essa sua descoberta. Então primeiro conhecemos a personagem, seu cotidiano, seus incômodos.

“Acho que chegamos ao ponto em que posso dizer com certeza que Marguerite está cansada. Cansada de ser julgada o tempo todo. Cansada de tentar ser como as outras pessoas. Pessoas com as quais ela se parece por fora, nada mais. Cansada de tudo isso”

(p. 47)

Uma coisa que chamou muito a minha atenção nesta HQ foi o uso das cores. Muita coisa é em preto e branco e o vermelho é usado em tudo aquilo que incomoda Marguerite (e tantos outros com Asperger). Também há cores mais leves (azul, amarelo), para momentos agradáveis, ou para quando ela sabe que pode ser plenamente ela.

“Autista sim, mas para Marguerite isso não é pejorativo. Sua identidade está completa. Sua fadiga constante, suas dificuldades em compreender as segundas intenções e o subentendido, em manter laços de amizade; tudo isso era perfeitamente explicável. Que alívio”

(p. 123)

A diferença invisível foi uma leitura extremamente leve e importante para mim. Eu consegui realmente mergulhar na leitura, além de apreciar a parte gráfica. Marguerite é uma personagem capaz de nos cativar e, despretensiosamente, nos ensinar muito. Essa foi uma HQ que li com imenso prazer e que acho que todo mundo deveria ler também.

Se você tem curiosidade de conhecer essa história, clique aqui.

3 passos para voltar a ler [tradução 1]

3 passos para voltar a ler

Antes de começar o post em si, queria explicar uma coisinha… Navegando pelos blogs que sigo, vi um artigo que adorei (mas, confesso, já não me lembro qual foi!) e, ao final,  descobri que ele era, na realidade, a tradução de um post em inglês. Então eu pensei “por que não?”.

Para quem não sabe, eu também trabalho com tradução, do português para o italiano e, por isso, resolvi trazer para cá o inverso: posts italianos traduzidos para o português. Assim, me esforço a ler mais textos em italiano e pratico a tradução. O que acharam da ideia? Mãos à obra!

O primeiro post tem o título que coloquei lá em cima: “3 passos para voltar a ler”.

“Quando meus clientes chegam para mim porque estão com dificuldade de equilibrar trabalho e vida privada, uma das coisa que mais desejam é voltar a ler.

Eles não encontram mais tempo para fazê-lo, se esquecem desse desejo entre um compromisso e outro ou, no melhor dos casos, leem apenas textos relacionados ao trabalho deles, perdendo completamente a dimensão onírica para a qual, anteriormente, a leitura os conduzia.

É por isso que resolvi compartilhar com você três sugestões simples para recuperar o prazer da leitura, uma vez que tenho certeza que até mesmo contigo já aconteceu, ao menos uma vez, de se encontrar nesta situação, e não queremos que isso aconteça de novo, certo?

FAÇA DA LEITURA UMA PRIORIDADE

O que acontece quando você sempre foi uma grande leitora é que, acostumada a considerar a leitura um hábito cotidiano, você nunca a coloca na agenda porque “de qualquer forma, leio todos os dias”.

Mas se você faz isso, mais cedo ou mais tarde a vida toma o controle e puff, você descobre que faz um ano que não le nem mesmo meio romance, porque tinha muito o que fazer.

O único modo de remediar e evitar que essa trágica circunstância se repita é fazer da leitura uma prioridade, colocando-a, sem desculpas, na sua agenda, come se não fosse, de fato, um hábito.

Dê-se um tempo específico (diariamente, semanalmente ou mensalmente, de acordo com o que você deseja) para dedicar-se à leitura e coloque-o de verdade em sua agenda, como você faria com qualquer compromisso.

Separe o tempo da leitura puramente lúdica daquele das leituras relacionadas ao seu trabalho, incluindo estas no tempo dedicado à sua formação, caso contrário, acredite em mim quando falo, você se encontrará novamente na situação de antes!

SE COLOQUE UM OBJETIVO

Agora que você já se deu um tempo, por que não colocar-se, também, um objetivo? Se você coloca na agenda um tempo para a leitura a noite, mas adormece desastrosamente depois de meia página, será um pouco difícil terminar um romance antes de dois anos, então é melhor tentar alguns ajustes.

Coloque-se um tempo para ler o livro que você escolheu e divida o número de páginas dele de acordo com a quantidade de dias que se deu para lê-lo. Se, por exemplo, você quer ler um livro por mês e este mês você escolheu um romance de 300 páginas, para ler em trinta dias serão suficientes 10 páginas por dia: fácil, não?

Pode parecer um pouco obsessivo compulsivo (e obviamente tratando-se de mim e da amiga que, por sua vez, me aconselhou este modo de proceder, realmente é), mas te garanto que se você precisa retomar o hábito da leitura, isso funciona maravilhosamente.

Se você gosta dessa ideia, pode também usar este app¹, que eu amo muito, que te permite estabelecer o seu desafio de leitura para o ano em curso, de atualizá-la constantemente com os seus progressos e suas avaliações, além de descobrir um monte leituras interessantes a se fazer, graças à bela comunidade que o utiliza².

ESCOLHA AS SUAS LEITURAS CERTAS COM ANTECEDÊNCIA

Principalmente se você tende a cair na armadilha de ler apenas leituras relacionadas ao trabalho, é fundamental escolher com antecedências as leituras que deseja fazer por puro prazer.

Para isso, o app que te aconselhei pode ser de grande ajuda; experimente explorar os conselhos de leitura e escolher, com antecedência, os títulos que gostaria de ler esse ano: mas lembre-se, escolhendo romances ou ensaios, a única regra é que devem ser rigorosamente não ligados ao seu trabalho; tudo aquilo que for de trabalho deve ser considerado uma leitura de formação e, por isso, não vale!

Faça uma bela lista dos livros que escolheu para o seu desafio de leitura desse ano e depois comece a ler pelo título que mais te inspira, seguindo o método da divisão cotidiana de páginas ou apenas separando, por dia, o tempo justo na agenda.

Se você está com pouca inspiração, pode baixar gratuitamente aqui³ o ebook do meu Goddess Bookclub, que reúne diversos conselhos de leituras mágicas relacionadas à espiritualidade ou à feminilidade sacra e muitos aprofundamentos escritos por mim sobre os livros propostos. Boa leitura!”

O texto original você encontra aqui: https://giadacarta.com/riprendere-a-leggere/

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Notas:
¹. Aqui a pessoa coloca o link do Goodreads.
². No Brasil, temos uma plataforma similar, que é o Skoob. Já falei sobre ele aqui.
³. Novamente a autora coloca um link, que é esse aqui.

Apesar de você – Chico Buarque

Apesar de você — Chico Buarque

Para dar uma animada por aqui, resolvi falar sobre música, e não uma qualquer: hoje trago uma canção que completa 50 anos em 2020 e que, infelizmente, ainda tem seu pezinho na atualidade (e aproveito para corrigir uma falha: como ainda não tinha Chico Buarque por aqui?).

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu

Apesar de você,  foi composta e lançada por Chico Buarque em 1970. O Brasil já vivia uma ditadura desde 1964 (e ela duraria ainda até 1985). Ainda que a década de 70, no Brasil, tenha sido o período do “milagre econômico” foi, também, um momento de censura aos meios de comunicação e de tortura ou exílio daqueles que discordavam do governo vigente (e justamente por isso as pessoas “falavam de lado e olhavam pro chão”).

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de ter começado em 1964, a situação da ditadura brasileira se agravou em 1968, com o “famoso” AI-5, um decreto cujas determinações ficam acima das leis estabelecidas até então. Graças a esse Ato Institucional o Presidente poderia fechar o Congresso Nacional e assumir por completo as funções legislativas, isto é, tornar-se um verdadeiro ditador, como aconteceu.

Diante desse cenário nada animador, Chico Buarque achava que Apesar de você sequer passaria pela censura. Mas passou, ao menos em um primeiro momento. E por que passou? Porque, como sempre, Chico Buarque soube fazer um uso único das palavras, dizendo o que tinha a dizer, mas construindo um texto que é direto e, ao mesmo tempo, não. Digamos que o Governo demorou um tempinho para entender que o “você” da canção se referia a eles…

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Apesar de você consegue retratar bem o sentimento de muitos naquela época. Tempos sombrios, mas ainda era possível ver uma luz no final do túnel. E quando ela chegasse, a euforia seria tamanha que ninguém poderia impedir.

Se a ameça de um governo ditatorial como o das décadas de 60 e 70 ainda paira sobre nós, hoje o nosso grito também está contido por outras causas, como o vírus que tem assolado o mundo. E nós também vamos cobrar com juros o amor reprimido desse momento em não podemos nem mesmo nos abraçar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Gostando ou não, fica difícil não concordar que Apesar de você é uma obra e tanto (dentre tantas outras igualmente incríveis do cantor, compositor e escritor Chico Buarque). Uma música que sabe jogar muito bem com as palavras (o uso de estado e juros caem como uma luva na composição, enriquecendo seu duplo sentido).

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

A crítica é sutil, mas contundente. Chico usa dos elementos da natureza (o jardim florescendo, o dia raiando) não apenas para enriquecer suas metáforas, para para mostrar que ninguém tem um poder tão grande capaz de controlar absolutamente tudo. E que se nós fazemos parte da natureza, uma hora, podemos nos levantar novamente, agir por nossa própria força.

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

Para completar, o ritmo de Apesar de você é envolvente. Ainda que tenha seu “quê” de tristeza, a música passa uma alegria que se fazia necessária naqueles tempos, e também nos dias de hoje.

 

Meu policial envolvente — Juju Figueiredo

Título: Meu policial envolvente 
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 597
Ano: 2019

policial envolvente

Antes de começar a resenha de mais um livro da Série Envolvente, eu não posso deixar de dizer que estava bem curiosa com essa história desde que li Meu juiz envolvente, porque ali já dava para imaginar que muita coisa deveria ser explicada sobre a Verônica e o Guilherme, protagonistas deste livro.

“Tinha como um coração quebrado voltar a se quebrar?”

E já adianto aqui que não me decepcionei. Aliás, mais do que isso, até me surpreendi comigo mesma e logo mais eu explico isso, mas antes, tenho de contar um pouquinho do enredo e da estrutura do livro.

“Me perdi mas fui capaz de me reencontrar”

Como nos outros volumes da série, em Meu policial envolvente temos capítulos narrados ora por Verônica, ora por Guilherme, fazendo com que possamos enxergar os dois lados de uma mesma história, nos aproximando ainda mais dos personagens.

“Falar era muito fácil, afinal, você não estava ali sentindo a dor, não estava sofrendo”

Verônica e Guilherme se conheceram ainda jovens e nutriram um pelo outro um amor desses raros e lindos de se ver. Ela engravidou quando eles ainda sequer tinham condições de iniciar uma vida em conjunto, mas superaram tudo um ao lado do outro e se tornaram não apenas uma bela família, mas também grandes policiais.

“— Infelizmente, as coisas não são como queremos e às vezes nossas vidas tomam rumos completamente diferentes do esperado”

Claro que nem tudo são flores, porém, e a vida perfeita que levavam juntos uma hora veio abaixo. O problema foi a forma como tudo aconteceu: Guilherme simplesmente deixou um bilhete para Verônica, dizendo que eles haviam se conhecido cedo demais e que ele queria viver novas aventuras (!) e… SUMIU DO MAPA.

“Às vezes as palavras nos machucam mais que uma surra”

Dá vontade de matar um cara desses, né? Não. Mas calma! Claro que dá vontade de matar um cara desses, mas apenas quando não conhecemos a real história por trás desse bilhete. E vocês se lembram que eu disse lá em cima que a narrativa dessa história é alternada entre esses dois personagens, certo? Pois então, Guilherme, na verdade, não quer viver uma aventura. Ele tem uma missão. E, aos poucos, tantos detalhes vão sendo revelados e tudo vai, cada vez mais, se encaixando, que fica difícil não torcer para que, no final das coisas, tudo dê certo, inclusive entre Verônica e Guilherme.

 “Eu consigo reconhecer as lutas que perdi”

Ao mesmo tempo, porém, a gente vai acompanhando os dilemas da Verônica sobre perdoar ou não Guilherme e, mesmo conhecendo o lado dele da história, é muito compreensível essa dúvida dela. Ela sofrera demais e, mesmo ouvindo as explicações dele, não era possível apagar tudo o que ela vivera enquanto ele estava longe. E foi justamente isso que me fez refletir tanto. Tentei me colocar no lugar da Verônica, mas como é difícil imaginar ter de passar por qualquer coisa minimamente semelhante ao que ela passou. Que angustiante (num bom sentido, se é que isso é possível), foi acompanhar as idas e vindas, os altos e baixos desse casal.

“Quando a minha vida começou a dar tão errado?”

E, para melhorar, Meu policial envolvente não é um mero romance, mas também um livro cheio de ação, com crimes a serem resolvidos, histórias do passado intimamente ligadas às aventuras do presente de cada um. E esse livro ainda consegue nos deixar com vontade de conhecer mais a fundo alguns de seus outros personagens.

“A dor de perder alguém nunca passava, mas amenizava com o tempo”

Eu realmente me surpreendi com essa história e, sem dúvidas, é a minha preferida da série Envolvente.

Ficou com vontade de conhecer também? Então clica aqui.