Petrus — Jéssica Miguel

Título: Petrus (Irmãos Timberg - Livro 1)
Autora: Jéssica Miguel
Editora: Publicação independente
Páginas: 122
Ano: 2018

petrus blog

Petrus é aquele livro que a gente lê rapidinho, com calma, saboreando o doce prazer de ler um romance leve e, ao mesmo tempo, quente. Por outro lado, esse também é um daqueles livros que dá o doce para a criança e depois tira, ou seja, nos dá algumas informações, mas sem contar muito, nos deixando ávidos pelos demais livros sobre os Irmãos Timberg.

O livro é narrador em terceira pessoa e, mesmo com uma história bem fechada e profunda, com diálogos que mergulham em seus personagens, muito da vida de ambos fica de fora e nos deixa com a sensação de que poderíamos conhecê-los ainda mais, para além da profundidade que o sentimento deles nos demonstram.

“Existia uma linha tênue entre a amizade e o amor, e Petrus sabia que a atravessaria no momento em que seus lábios provassem o sabor dos de Ana”

Ana e Petrus são amigos há cinco anos. Os conhecemos em uma noite, num hotel nas montanhas, onde foram parar depois de uma aposta de Petrus com seu irmão, Apolo.

“Seria mais digno confessar os seus sentimentos e inseguranças para ela, afinal, cinco anos era tempo demais para guardar tanto dentro de si mesmo”

E nessa única noite, após cinco anos, muitas coisas mudam na vida de Petrus e Ana. E tudo começa com uma simples conversa, com barulhos vindo do quarto ao lado e com muito vinho, claro.

“Tudo entre eles aconteceu no tempo certo e estar nos braços de quem se ama, sabendo que o sentimento é recíproco, era algo surreal”

Mas, para além do romance com todas as qualidade que já mencionei, Petrus é uma história que trabalha com inseguranças — de ambos os personagens — além de nos lembrar da importância (e da necessidade) de nos abrirmos com o outro, de colocarmos, sem medo, nossos sentimentos às claras.

“Foi como se Petrus a visse nua, despida de qualquer barreira”

Petrus e Ana eram bons amigos há anos, e ainda assim tinham uma visão muito errada um sobre o outro diante de um assunto tão importante. Acreditavam que não eram o suficiente um para o outro sem jamais terem se questionado sobre essa verdade que colocaram para si mesmos. E o amor que nutriam um pelo outro era algo que não passava desapercebido pelas pessoas que os cercavam (e que deram um empurrãozinho para essa noite nas montanhas que mudou a vida deles).

“— É muito doloroso querer alguém e saber que essa pessoa nunca será sua”

Se você tem curiosidade de conhecer esse casal, clique aqui.

 

Desmistificando o mestrado [6] — Créditos e disciplinas

Destimistificando o mestrado [6]

Depois da aprovação no Mestrado chega o momento de se preocupar com as obrigações que ela traz. Eu já falei um pouco sobre isso aqui, e agora venho me aprofundar em um dos tópicos: os créditos e as disciplinas.

No Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas eu precisava cumprir 8 créditos para poder fazer a qualificação e 24 créditos (com o 8 anteriores incluídos neste número) para poder defender a minha pesquisa.

Na Letras, os cursos de Pós costumam ter uma duração de 120 horas, o que corresponde a uma disciplina de 8 créditos, com 4 horas semanais de aula, durante um semestre (um pouco menos, na verdade). Isso significa que, em tese, você precisa cursar 3 disciplinas ao longo do seu mestrado, sendo obrigatória ao menos uma antes da qualificação. As aulas costumam ocorrer no período da tarde (sim, um grande empecilho para quem trabalha), uma vez na semana (ou seja, 4 horas de aula em um único dia).

Também existem matérias mais curtas (e que, consequentemente dão menos créditos) que são oferecidas vez ou outra. Elas podem durar um mês, ou ser “intensivas”, isto é, ministradas ao longo de uma ou duas semanas. Você pode, ainda, fazer matérias em outros institutos e a quantidade de créditos acaba variando. Eu, por exemplo, cursei uma matéria na ECA que valia 7 créditos.

Isso me lembra outro ponto importante a ser destacado: a única coisa obrigatória na Pós é a quantidade de créditos. Não existe nenhuma matéria básica que deva ser feita, nem o requisito de se cursar ao menos uma matéria no seu Instituto de origem (que, no meu caso, seria a FFLCH).

Claro que você deve buscar matérias minimamente relacionadas à sua pesquisa, pois o intuito é que as leituras e os trabalhos derivados dela possam ser úteis no desenvolvimento de sua dissertação, ou que te ajudem a escrever artigos científicos, por exemplo. Portanto, a matéria que fiz na ECA não foi por mera liberdade de escolha: minha pesquisa estava relacionada à música e, por isso, optei por olhar se havia algo lá que me pudesse ser útil.

Mas aqui vai outra dica (que eu adoraria que tivessem me dado): leia atentamente a ementa da disciplina. Veja a bibliografia, a forma de avaliação e a descrição do curso em si. Eu não fiz isso com a matéria da ECA, e a maioria dos textos que precisávamos ler para a disciplina eram em inglês. Tudo bem, eu leio em inglês, mas foi um pouco mais penoso do que o esperado. Depois disso, aprendi a lição. E na Letras é preciso tomar ainda mais cuidado, pois às vezes pode acontecer de a própria disciplina ser ministrada em outra língua.

Se você for bolsista CAPES (ou melhor, se você conseguir ser abençoado com uma bolsa CAPES, porque hoje em dia, só rezando muito, né?) você terá de, obrigatoriamente, fazer o PAE (Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino). Farei um post só sobre ele, porque é algo que gera muita dúvida entre os alunos, mas o que adianto aqui é que, no meu caso, consegui 6 créditos apenas com isso.

Outra forma de conseguir créditos, mas de maneira limitada, é através de participação em eventos científicos (com apresentação de trabalho) ou publicação de artigos. A quantidade de créditos que você pode obter com essas coisas, porém, varia de Programa para Programa, então é preciso ler com atenção o regimento do seu Programa de Pós.

E onde saber quais disciplinas serão ministradas? Sempre no nosso fiel escudeiro Janus. Também vale a pena ficar de olho em outros meios de comunicação do Programa de seu interesse.

Para concluir, gostaria de falar mais uma vez sobre a importância de se tentar cursar uma matéria como aluno especial, isto é, antes do seu ingresso efetivo na pós-graduação. Ainda que eu tenha dito que você precisa cursar basicamente três matérias ao longo do mestrado para atingir a quantidade de créditos necessários, lembre-se que existem muitas outras obrigações que tomarão boa parte do seu tempo e que você tem apenas dois anos para concluir tudo (ao menos no caso do Programa de Pós-Graduação em Línuga, Literatura e Cultura Italianas).

Três livros que marcaram a minha vida

Três livros que marcaram a minha vida

Esses dias, nas redes sociais da vida, me deparei duas vezes com o seguinte desafio (porque sim, eu considero isso um desafio): cite três livros que marcaram a sua vida. Em um desses posts eu resolvi comentar, porque existem ao menos dois livros que são uma resposta na ponta da língua para mim. Mas confesso que o terceiro lugar estava bem disputado…

É aquela velha história né: meu livro preferido é o livro que estou lendo no momento. Bem, não exatamente assim. Nem todos os livros que leio conquistam meu coração tão fortemente (e acho que a cada dia tenho me tornado mais e mais crítica em minhas leituras), mas se você me perguntar, hoje, qual é o meu livro preferido e mês que vem me fizer a mesma pergunta, é bem provável que minha resposta tenha mudado.

Como eu estava dizendo, porém, acabei citando os seguintes livros em um desses posts:

Para escolher cada um desses livros eu pensei que era necessário um motivo. Por isso, a escolha dos dois primeiros foi muito fácil, enquanto o terceiro me deixou um pouco em dúvida.

O diário de Anne Frank me abriu as portas para livros sobre o Holocausto, uma temática pela qual passei a me interessar. Todo ano busco ler ao menos um livro sobre o assunto e já me deparei com obras incríveis (leia-se, por exemplo, É isto um homem?)

Já Menino de Ouro é um livro que fala sobre um jovem hermafrodita. Quantas livros vocês já leram sobre esse assunto? E mais: quantas vezes vocês pararam para pensar sobre esse assunto? Sim, esse livro me fez refletir muito.

Por fim, optei por mencionar O que me faz pular, porque foi o primeiro livro sobre autismo que li. Um tema pelo qual passei a me interessar também e que sempre procuro livros. Mas essa “paixão” pelo tema me parece ter perdido um pouco de força dentro de mim ao longo dos anos. Não sei. Sinto que eu poderia ler bem mais e me dedicar bem mais ao assunto.

Fora que depois fiquei pensando: porque não citar As boas mulheres da China (Xinram), que é um livro profundo, triste, real e que me ensinou demais também? Ou então Eu sou Malala (Malala Youssafzai), que me permitiu conhecer essa jovem tão especial?

A verdade é que existem tantos livros que marcaram (e ainda marcarão) minha vida, que fica difícil citar somente três. Mas e você, conseguiria dizer quais são os três livros que marcaram a sua vida (até o momento)?

Extraordinárias — Duda Porto e Aryane Cararo

Título: Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil
Autoras: Duda Porto de Souza e Aryane Cararo
Editora: Seguinte
Páginas: 207
Ano: 2018 (2º edição)

extraordinárias blog

Acho que a resenha desse livro — que, como veremos, é um tanto quanto diferente — não poderia vir em momento mais propício: domingo é dia 8 de março, dia internacional da mulher, e essa é uma leitura que todos nós deveríamos fazer não apenas nessa data, mas em todos os dias do ano.

Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil é como uma enciclopédia, feita para que possamos conhecer um pouco melhor (ou simplesmente conhecer!) algumas mulheres que contribuíram — e muito — com o nosso país.

“Para Jarid, o racismo e o machismo da sociedade fazem com que  heroínas como Dandara sejam quase completamente apagadas da história brasileira”

(pg. 18)

Logo de cara as autoras desse livro nos fazem refletir: quem é a sua heroína? Sim, uma mulher, de carne e osso, em quem você se inspira. Uma boa pergunta, não?

“É fácil citar estrangeiras, mas onde ficam as brasileiras nessa lista? Sua inspiração é uma de nós?”

(pg. 9)

Quando eu digo que esse é um livro para que simplesmente possamos conhecer algumas mulheres, estou querendo dizer que muitas das que são apresentadas ao longo dessas páginas eu sequer tinha ouvido falar antes! Até mesmo Maria Firmina dos Reis, primeira mulher a escrever um romance no país. Talvez em algum momento de minha vida eu tenha ouvido falar de “Úrsula”, seu livro, mas o nome da autora passou bem desapercebido ao longo desses anos… E esse é apenas um dos exemplos que tenho para citar.

Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil também é um livro muito visual: tem uma capa meio holográfica e as páginas são ilustradas com imagens de cada uma das mulheres apresentadas. E o melhor: todas as ilustrações também são feitas por mulheres!

Além de apresentar brasileiras, ao final, o livro também apresenta algumas “abrasileiradas”, isto é, mulheres que não nasceram aqui, mas que praticamente consideramos brasileiras (inclusive Carmem Miranda!).

Como esse não é um livro de uma história única — aliás, é um livro de muitas histórias, inclusive a nossa própria! — eu li ele aos poucos. Foram meses e meses lendo em doses homeopáticas os perfis dessas brasileiras e abrasileiradas incríveis. E, sem dúvidas, aprendi e refleti muito.

Pelo formato e pelo conteúdo dessa obra, penso que seria ótimo que cada escola pudesse ter ao menos um exemplar em sua biblioteca. Seria um livro de consulta e, ao mesmo tempo, de inspiração. Um livro que todos nós precisamos ler ao menos uma vez na vida, para nunca esquecê-lo.

Se interessou por Extraordinárias? Clica aqui.

 

TAG: Direitos do Leitor

TAG_ DIREITOS DO LEITOR

Deu saudades de responder uma TAG por aqui, e resolvi fazer essa, que me remete ao livro do Daniel Pennac, Como um romance, um livro que eu recomendo muito e que fala justamente sobre o ato de ler (e como incutir esse hábito em seus alunos) e sobre os “direitos” do leitor! Antes das respostas, porém, queria dizer que eu vi essa TAG lá no Fantástica Ficção, da Jessica Rabelo.

  • O direito de não ler: um livro que você não quer ler nem que te paguem

Acredito que “50 tons de cinza“. Responder essa pergunta certamente requer certa dose de preconceito, mas eu acredito que se eu sempre tivesse a escolha entre esse livro e outro, escolheria o outro.

  • O direito de pular páginas: um livro que você leu… só o que interessava

Momento confissão: no livro “O mundo de Sofia” eu pulei algumas das páginas sobre filosofia para ir logo para as páginas com a história da menina… Mas foram só algumas paginas!

  • O direito de não terminar um livro: um livro que você começou algumas vezes antes de ler inteiro

Acreditem ou não, “Harry Potter“. Tentei começar a ler quando era nova demais e as palavras eram extramente difíceis para mim.

  • O direito de reler: um livro que você salvaria no fim do mundo, para reler pela eternidade

Considerando a quantidade de vezes que já reli esse livro, acredito que “A Princesinha“.

  • O direito de ler qualquer coisa: o livro mais improvável que você já leu e gostou, e que algumas pessoas talvez duvidem que você leu

Não sei… Talvez o livro “Piadas nerds“??

  • O direito ao bovarismo: um livro que parecia ótimo! Mas que o tempo passou… e você pensou a respeito.

Vou citar aqui “O jardim secreto“, mas a verdade é: eu tinha altas expectativas sobre esse livro. Eu havia visto o filme em minha infância e me lembro de ter adorado, porém… Fiquei bem decepcionada com o livro, foi uma leitura muito arrastada.

  • O direito de ler em qualquer lugar: o lugar mais estranho/improvável em que você já leu um livro

Acho que na “cadeira do castigo”, na cozinha. Não era verdadeiramente uma cadeira do castigo, mas, na época, meu quarto estava em reforma e eu passava mais tempo em outros cômodos da casa. Quando estavam vendo televisão na sala, eu sentava em uma cadeira na cozinha para ler e aí parecia que eu estava de castigo ali.

  • O direito de ler uma frase aqui e outra ali: um livro que te alimenta com pequenas doses diárias

Confesso que não sei responder essa… Mas quando pego livros de contos ou de poesia para ler, acabo lendo em “doses homeopáticas”.

  • O direito de ler em voz alta: um livro que você precisou ler em voz alta

Não foi um livro, mas um conto: “Desenredo“, de Guimarães Rosa.

  • O direito de calar: um livro que te deixou sem palavras, porque era muito bom… ou muito ruim

Eu poderia citar tantos aqui que prefiro não citar nenhum…  E estou falando de livros bons mesmo!

 

Cartas a um jovem poeta —Rilke

Título: Cartas a um jovem poeta
Original: Briefe an einem jungen Dichter
Autor: Rainer Maria Rilke
Editora: L&PM
Páginas: 96
Ano: 2006
Tradutor: Pedro Süssekind

cartas a um jovem

Cartas a um jovem poeta foi uma leitura que me tirou de minha zona de conforto. Em primeiro lugar pelo tipo de livro: um livro epistolar, isto é, no formato de cartas, como aponta o próprio título da obra. Ao todo, são 10 cartas, escritas por Rainer Maria Rilke em resposta a Franz Xaver Kappus. Não tenho o hábito de ler livros desse gênero, mas não por não gostar, apenas porque acabo encontrando-os em menor número por aí.

Mas, para além do formato do livro, esta é uma obra mais densa, ainda que seja extremamente pequena (são apenas 96 páginas, o livro é bem fininho mesmo). A linguagem não é difícil, mas nos faz pensar.

“Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade”

(p. 26)

Rainer Maria Rilke foi um grande poeta alemão do século XX. Neste livro, vemos suas respostas ao jovem Franz Xaver Kappus, aspirante a poeta, que escreve a Rainer em busca de conselhos. Mas, o que vemos ao longo das páginas deste livro vão muito além de sugestões de escrita. Vemos inúmeros parágrafos sobre sobre a existência humana, o amor e a solidão.

“No fundo essa é a única coragem que se exige de nós: sermos corajosos diante do que é mais estranho, mais maravilhoso e mais inexplicável entre tudo o que nos deparamos”

(p. 77)

Através dessas cartas unilaterais (pois não temos as cartas de Franz, somente as respostas de Rilke), vamos percebendo como a relação deles vai se estreitando e como, toda vez, Rilke pede desculpas pela demora em responder, seja por uma doença ou por alguma viagem que teve de fazer.

“Não acredite que quem procura consolá-lo vive sem esforço, em meio às palavras simples e tranquilas que às vezes lhe fazem bem”

(p. 82)

O que tornou essa leitura ainda melhor foi o fato de que este é um livro que meu namorado gosta muito, tanto que ele me presenteou com o volume que ele mesmo havia lido. Ao longo das páginas eu ia percebendo muitas coisas que sei que meu namorado concorda e que até já repetiu em algum momento de nosso relacionamento. Fora isso, algumas palavras do autor pareciam cair como uma luva em relação a coisas que eu ou meu namorado estávamos vivendo ou sentindo no momento que eu lia o livro (coisas essas que certamente serviriam em tantas outras ocasiões, o que torna esse um daqueles livros que precisamos reler de tempos em tempos).

“Pois mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível”

(p. 42)
Se você se interessou por essa obra, clica aqui.

 

Amuleto — Tiê

Amuleto — Tiê

Se você nunca ouviu Amuleto, deixo aqui meu alerta: essa é uma daquelas músicas que gruda na cabeça. A canção ficou conhecida na voz de Tiê e foi lançada em 2017, mas seu compositor é Bruno Caliman, que também já compôs para muitos outros cantores conhecidos. É uma música leve, melodiosa, gostosa de ouvir.

Não deixe eu me arrepender
De um dia eu ter te amado João
Não deixe eu escapar assim
Me prende nos seus braços João

Com os versos acima começa essa canção, que fala sobre relacionamento. Sobre uma história, que poderia ser tantas. Um romance entre um eu lírico (não nomeado) e João, um nome, por sua vez, um tanto quanto genérico. Mas eu confesso que toda vez que ouvia essa música, ficava incomodada. Alguns versos específicos me causavam essa estranheza e eu sentia que precisava pesquisar sobre ela, para ver se eu estava enganada ou não.

Cola do meu lado
Tranca um cadeado
Ponha alarme em mim
Não deixa eu chorar no quarto
Pensando em você João
Não deixe o tempo apagar
Eu posso te esquecer João
Me liga toda hora
Vigia a minha porta
Cuida do meu coração
Resolve os meus problemas
Me leva pro cinema
Depois até a lua
Me traz uma estrela
Me faz a gentileza
Comete uma loucura

Eu ouvia isso e pensava “que abusivo”. Talvez sim, talvez não. Trata-se de uma música em que o eu lírico realmente tenta, a todo custo, salvar uma relação, mostrar para o outro que eles ainda podem (e talvez precisem) estar juntos. Mas a que custo?

Me leva no seu bolso
Me faz de travesseiro
Me pendura em seu pescoço feito um amuleto
Você me tem nas mãos
Mas não aperta João
Que eu escapo entre os seus dedos

Ao mesmo tempo, é uma letra que mostra uma relação desgastada, em que os amuletos são também as marcas que carregamos conosco. Sim, uma letra metafórica, no final das contas. E triste. Mas talvez não tão assustadora quanto me pareceu em um primeiro momento.

É bom quando uma música, por mais despretensiosa que pareça ser, nos faz parar para pensar. Valeu a pena ter parado para analisar essa letra com mais calma. Talvez agora eu consiga realmente apreciar essa canção sem me assustar a cada vez que a escuto (ainda que agora ela toque bem menos nas rádios).

 

Desmistificando o mestrado [5] Passei no processo seletivo, e agora?

Desmistificando o mestrado [5]

Depois de meses escrevendo um projeto de pesquisa decente, depois de passar por uma prova de proficiência, pela prova de conhecimentos específicos e pela entrevista, é chegada a hora de ver seu nome na tão sonhada lista: os aprovados no processo seletivo para o Mestrado. Mas, passada a euforia inicial, vem a pergunta de sempre: e agora, estou realmente preparado(a) para iniciar essa fase?

É aquilo que sempre dizem: se der medo, vai com medo mesmo. A verdade é que nunca saberemos se estamos prontos ou não para algo até realmente tentarmos. E se chegamos até aqui, alguma condição de seguir devemos ter. E se não tivermos, desistir está liberado.

O que vou dizer agora provavelmente é bem clichê (sim, tanto quanto a frase ali em cima), mas se você passou no Mestrado, sua nova palavra amiga é a organização. Os prazos são curtos, as obrigações são muitas então… Organize-se! E se informe, sempre.

Eu diria até que, se você passou no Mestrado, seu primeiro passo é reunir o maior número de informações possíveis sobre todo o processo. Sobre o que você tem de fazer, quais são os prazos, tudo. E isso com certeza não é uma tarefa nem um pouco fácil, principalmente se você não tem o hábito de realmente perguntar as coisas para os outros.

Na Universidade de São Paulo (e, creio eu, na maioria das Universidades) nenhuma informação cai do céu. Então busque estudar o terreno no qual você está pisando. Mas existe algo que nos ajuda demais: a ficha do aluno, disponibilizada no sistema Janus, que é onde você também verá seus dados e notas relativas à Pós-Graduação. Nessa ficha, seus prazos também estarão registrados e é muito importante que, desde o início, você se atente a eles.

Não me lembro bem se já disse isso por aqui ou não, mas no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas temos apenas dois anos para concluir o Mestrado. Esse prazo pode ser um pouco maior ou até mesmo um pouco menor, variando de Programa para Programa. Pense que, nesses dois anos, você precisa:

  • Cursar as disciplinas (para o Mestrado, são necessários 24 créditos);
  • Passar pela Qualificação (que é a avaliação feita na metade da sua pesquisa);
  • Coletar os dados da pesquisa;
  • Organizar os dados e as leituras realizadas;
  • Escrever.

E isso sem contar que, muito provavelmente, vão pedir que você participe de eventos acadêmicos. E que escreva artigos científicos. É, não é pouca coisa.

Já pensou conciliar isso com uma rotina de trabalho? Se você trabalha 8 horas por dia, fica realmente bem puxado. Se você tem horários mais flexíveis, isso ajuda muito. Em qualquer um dos casos, como eu disse, a organização será essencial.

No próximo post eu pretendo falar um pouco sobre os créditos e sobre as disciplinas, mas uma coisa que eu gostaria de adiantar: levando em consideração esse prazo de dois anos para fazer tudo o que listei acima, o ideal é que você ingresse no Mestrado tendo cursado ao menos uma disciplina como aluno especial (e que essa disciplina possa ser validada após o seu ingresso). Pode parecer pouco, mas já será de grande ajuda! E também é bom para te dar uma dimensão de como é a Pós-Graduação, o ritmo das aulas, as avaliações.

Meu médico envolvente — Juju Figueiredo

Título: Meu médico envolvente
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 391
Ano: 2019

medico envolvente

Se você já leu Meu envolvente professor e Meu juiz envolvente (leituras recomendadas antes desse, mas não obrigatórias), talvez Meu médico envolvente não te surpreenda tanto. Isso porque, ao contrário dos dois primeiros, o passado de Jefferson e de Débora já não são mais tão desconhecidos para nós, uma vez que as principais causas das dores deles já haviam sido reveladas nos volumes anteriores.

“A dor não passa, ela fica ali, te lembrando do que você perdeu, do que você não pode mais ter”

Ainda assim, esse é um livro capaz de te prender, de te fazer querer saber o que vem depois e como irá se desenrolar a história desse casal que parece muito improvável. Um livro que vai te fazer torcer para que as coisas acabem bem, da forma que for, e que vai te fazer sentir emoções diversas.

“Como eu poderia trazer alguém de volta à vida, se a vida já havia saído de mim há muito tempo?”

Assim como nos demais livros dessa série, em Meu médico envolvente temos uma narrativa alternada entre Débora e Jefferson, os protagonistas deste volume. Débora é uma mulher forte, que sofreu muito na vida: perdeu a irmã e teve de se virar para sustentar seu sobrinhos, largando a faculdade e… tornando-se prostituta. É muito interessante ver como o livro aborda essa questão, como não se trata exatamente de uma escolha, mas chegar em uma via sem saída. Literalmente, porque depois que Débora entrou nesse mundo, era cada dia mais difícil sair dele.

“Um erro de julgamento faz a percepção das pessoas mudarem quando descobrem a verdade sobre você”

Jefferson, por outro lado, não tinha um passado tão complicado. Sua vida era estável, tranquila: formado em medicina, ele é o herdeiro de um renomado hospital. Mas ele havia perdido o amor de sua vida e, com isso, o sentido para a sua própria existência. Ao menos por um tempo…

Ao longo das páginas vamos conhecendo melhor cada um desses dois personagens. Seus sentimentos, medos, pequenas vitórias. Vamos sendo envolvidos. Vemos as barreiras que eles construíram para si serem, aos poucos, desfeitas. E, para completar, a seleção musical que acompanha os capítulos está sensacional!

Se interessou por essa história? Então clica aqui.

Como começar a ler?

Como começar a ler_

Já ouvi muita gente afirmando categoricamente que não gosta de ler. Também já escutei coisa do tipo “eu queria ler mais, mas não consigo. O que eu posso fazer?”. Confesso que uma frase como essa segunda mexe muito comigo (não que a primeira não mexa também, mas vocês entenderam).

O objetivo desse cantinho é incentivar a leitura e, veja só, nem sempre apenas falar sobre um livro, sobra sua história e sobre o que me chamou a atenção naquelas páginas é suficiente para que uma pessoa quebre a barreira entre o não ler e o ler.

Andei refletindo muito sobre o assunto. É claro que dicas de “como começar a ler” ou “como ler mais” é o que não falta por aí. E, ainda assim, as pessoas não leem? Por que? Confesso que também não sei, mas quis arriscar trazer algumas sugestões aqui.

Para começar, eu gostaria de dizer que, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que não seja um leitor. Sim! Porque aposto que você não lê livros, mas lê notícias em jornais e revistas, posts de blogs e até mesmo os famosos “textões” das redes sociais. Pois bem, ainda que não sejam livros, são leituras. E um primeiro passo para ler (e ler mais) talvez seja a substituição: troque a leitura de uma notícia que vai te deixar mal, por algumas páginas de um livro gostoso. Troque textões, que talvez não te acrescentem muito, por alguns parágrafos daquele livro que está parado na sua estante há alguns meses.

Às vezes também pode acontecer, porém, de você ter dado início a vários livros e nunca ter conseguido acabar um. Mas te pergunto: qual era o gênero desses livros? E eu sei que essa é uma pergunta bem ampla e que requer ao menos uma dupla análise: talvez você prefira ler poesias a romances, mas acabou sempre iniciando a leitura destes e nunca mergulhou na leitura daqueles. Ou então você prefere crônicas a contos, mas, desconhecendo a diferença entre eles. Por outro lado, talvez você tenha só começado a ler livros de romance, mas goste mesmo de um bom thriller ou mesmo uma biografia, por exemplo. Eu pretendo começar a escrever mais sobre essas coisas por aqui também. Sobre gêneros, seja formato, seja tipo de histórias, e, quem sabe, vocês poderão dar uma nova chance aos gostos de vocês.

Nesse mesmo quesito, existe outro ponto muito importante a ser levado em consideração. Eu, confesso, não me importo com isso, mas descobri que muita gente sim: o tipo de narrador do livro! A maioria das histórias são narradas em primeira ou em terceira pessoa. Há leitores que só gostam de livros escritos em primeira pessoa, assim como o contrário também acontece. Você já havia parado para pensar nisso?

Um ponto elementar mas não muito: se você não tem o hábito de ler, preste atenção ao tamanho. E aqui eu não estou falando somente do tamanho do livro em si, mas também dos capítulos e até mesmo dos parágrafos. E por que? Porque se você não tem o hábito de ler, você talvez se canse mais facilmente ou perca a paciência mais facilmente. Se você interrompe a leitura no meio de uma ideia (ou seja, no meio de um capítulo e, pior ainda, no meio de um parágrafo) é ainda mais difícil você querer retornar a ela. Bom, pelo menos é o que eu acho!

E, ainda nessa linha, não crie metas irreais. Ler é um hábito, ou seja, algo que você vai adquirindo aos poucos e com persistência. Não ache que você só será considerado um leitor se ler um livro de pelo menos 200 páginas e se ler pelo menos três livros por mês. Não! Esse números não dizem nada. É melhor ler pouco, mas ler com qualidade. E claro, gostar do que se está lendo. Fora que, algumas leituras exigem mais tempo que outras. Algumas exigem que a gente faça uma pausa, respire, reflita. E claro: não se cobre a terminar um livro que você está odiando. Começou a ler algo e não gostou? Parte para a próxima! Talvez não seja o momento de ler aquilo, talvez você realmente não goste daquela narrativa. E está tudo bem.

Aliás, vocês sabiam que pessoas que estão acostumadas a ler podem sofrer de “ressaca literária”? Pois é. E quando esse mal nos acomete, parece que não existe livro no mundo que dos dê vontade de voltar a ler. Mas a gente volta. Com muita paciência e perseverança a gente volta.

Agora vamos ser sinceros: você leu tudo o que escrevi até aqui (e, só por isso, eu já te considero um leitor), mas está pensando “ok, mas eu não tenho tempo para ler!”. Sinto te informar, mas você está enganado(a)! Experimente carregar sempre um livro, um e-reader ou então baixar um app de leitura no celular (o kindle, por exemplo, não é apenas um aparelho, mas um aplicativo para celular também!). Sabe aquele momento que você está entediado(a), já revirou todas as redes sociais possíveis e não tem mais o que fazer? Leia! E quando você usa transporte público, mas o pacote de internet já acabou, o celular está descarregado e “perrengues” afins? Leia! Aos poucos isso vai viciando e você pode até acabar preferindo ler cada vez mais e mais!

Você também pode separar alguns minutos do seu dia para se dedicar à leitura. Sim, você pode separar minutos, não horas! 20 minutos por dia já são suficientes para colaborar com seu novo hábito.

Por fim, você deve estar pensando: “mas livros são caros“. Errou de novo! Quer dizer, livros podem ser caros, mas isso depende de muita coisa. Por exemplo, você pode pegar um livro emprestado gratuitamente em qualquer biblioteca (sua cidade certamente tem ao menos uma) ou mesmo com um amigo bondoso. Ou então você pode procurar dentre os inúmeros ebooks que a Amazon disponibiliza gratuitamente a cada dia um que possa te agradar. Você também pode ir a um sebo, comprar livros por preços menores, ou procurar na internet por promoções, cupons de desconto, trocas! As possibilidades são inúmeras!

E aí, vamos começar a ler ou ler mais ainda?