A diferença invisível — Mademoiselle Caroline e Julie Dachez

Título: A diferença invisível
Original: La différence invisible
Autoras: Mademoiselle Caroline e Julie Dachez
Editora: Nemo
Páginas: 192
Ano: 2017
Tradutor: Renata Silveira

diferença invisível

Eu não sou muito de ler HQ’s e mangás, não por preconceito, mas por falta de hábito e de conhecer histórias nesses estilos que me pareçam interessantes. Mas esse ano me desafiei a ler ao menos uma obra em algum desses estilos e meu namorado logo se colocou à disposição para encontrar algo que me agradasse. E, como sempre, acertou em cheio!

Até agora, com o perdão de estar sendo injusta com os demais livros, essa foi minha melhor leitura de 2020. Isso porque além de trazer um tema pelo qual eu me interesso, tudo é muito bem feito e retratado nessa HQ.

“Escrita por uma jovem com Asperger e alta capacidade intelectual, e ilustrada por uma talentosa desenhista, esta HQ mostra a protagonista, Marguerite, no trabalho, em casa, com seu namorado e depois com seus amigos aspies”

(p. 5)

A diferença invisível nos apresenta uma mulher que somente aos 27 anos descobre que tem Asperger. Mas, ao longo dos quadrinhos, vamos acompanhando essa sua descoberta. Então primeiro conhecemos a personagem, seu cotidiano, seus incômodos.

“Acho que chegamos ao ponto em que posso dizer com certeza que Marguerite está cansada. Cansada de ser julgada o tempo todo. Cansada de tentar ser como as outras pessoas. Pessoas com as quais ela se parece por fora, nada mais. Cansada de tudo isso”

(p. 47)

Uma coisa que chamou muito a minha atenção nesta HQ foi o uso das cores. Muita coisa é em preto e branco e o vermelho é usado em tudo aquilo que incomoda Marguerite (e tantos outros com Asperger). Também há cores mais leves (azul, amarelo), para momentos agradáveis, ou para quando ela sabe que pode ser plenamente ela.

“Autista sim, mas para Marguerite isso não é pejorativo. Sua identidade está completa. Sua fadiga constante, suas dificuldades em compreender as segundas intenções e o subentendido, em manter laços de amizade; tudo isso era perfeitamente explicável. Que alívio”

(p. 123)

A diferença invisível foi uma leitura extremamente leve e importante para mim. Eu consegui realmente mergulhar na leitura, além de apreciar a parte gráfica. Marguerite é uma personagem capaz de nos cativar e, despretensiosamente, nos ensinar muito. Essa foi uma HQ que li com imenso prazer e que acho que todo mundo deveria ler também.

Se você tem curiosidade de conhecer essa história, clique aqui.

3 passos para voltar a ler [tradução 1]

3 passos para voltar a ler

Antes de começar o post em si, queria explicar uma coisinha… Navegando pelos blogs que sigo, vi um artigo que adorei (mas, confesso, já não me lembro qual foi!) e, ao final,  descobri que ele era, na realidade, a tradução de um post em inglês. Então eu pensei “por que não?”.

Para quem não sabe, eu também trabalho com tradução, do português para o italiano e, por isso, resolvi trazer para cá o inverso: posts italianos traduzidos para o português. Assim, me esforço a ler mais textos em italiano e pratico a tradução. O que acharam da ideia? Mãos à obra!

O primeiro post tem o título que coloquei lá em cima: “3 passos para voltar a ler”.

“Quando meus clientes chegam para mim porque estão com dificuldade de equilibrar trabalho e vida privada, uma das coisa que mais desejam é voltar a ler.

Eles não encontram mais tempo para fazê-lo, se esquecem desse desejo entre um compromisso e outro ou, no melhor dos casos, leem apenas textos relacionados ao trabalho deles, perdendo completamente a dimensão onírica para a qual, anteriormente, a leitura os conduzia.

É por isso que resolvi compartilhar com você três sugestões simples para recuperar o prazer da leitura, uma vez que tenho certeza que até mesmo contigo já aconteceu, ao menos uma vez, de se encontrar nesta situação, e não queremos que isso aconteça de novo, certo?

FAÇA DA LEITURA UMA PRIORIDADE

O que acontece quando você sempre foi uma grande leitora é que, acostumada a considerar a leitura um hábito cotidiano, você nunca a coloca na agenda porque “de qualquer forma, leio todos os dias”.

Mas se você faz isso, mais cedo ou mais tarde a vida toma o controle e puff, você descobre que faz um ano que não le nem mesmo meio romance, porque tinha muito o que fazer.

O único modo de remediar e evitar que essa trágica circunstância se repita é fazer da leitura uma prioridade, colocando-a, sem desculpas, na sua agenda, come se não fosse, de fato, um hábito.

Dê-se um tempo específico (diariamente, semanalmente ou mensalmente, de acordo com o que você deseja) para dedicar-se à leitura e coloque-o de verdade em sua agenda, como você faria com qualquer compromisso.

Separe o tempo da leitura puramente lúdica daquele das leituras relacionadas ao seu trabalho, incluindo estas no tempo dedicado à sua formação, caso contrário, acredite em mim quando falo, você se encontrará novamente na situação de antes!

SE COLOQUE UM OBJETIVO

Agora que você já se deu um tempo, por que não colocar-se, também, um objetivo? Se você coloca na agenda um tempo para a leitura a noite, mas adormece desastrosamente depois de meia página, será um pouco difícil terminar um romance antes de dois anos, então é melhor tentar alguns ajustes.

Coloque-se um tempo para ler o livro que você escolheu e divida o número de páginas dele de acordo com a quantidade de dias que se deu para lê-lo. Se, por exemplo, você quer ler um livro por mês e este mês você escolheu um romance de 300 páginas, para ler em trinta dias serão suficientes 10 páginas por dia: fácil, não?

Pode parecer um pouco obsessivo compulsivo (e obviamente tratando-se de mim e da amiga que, por sua vez, me aconselhou este modo de proceder, realmente é), mas te garanto que se você precisa retomar o hábito da leitura, isso funciona maravilhosamente.

Se você gosta dessa ideia, pode também usar este app¹, que eu amo muito, que te permite estabelecer o seu desafio de leitura para o ano em curso, de atualizá-la constantemente com os seus progressos e suas avaliações, além de descobrir um monte leituras interessantes a se fazer, graças à bela comunidade que o utiliza².

ESCOLHA AS SUAS LEITURAS CERTAS COM ANTECEDÊNCIA

Principalmente se você tende a cair na armadilha de ler apenas leituras relacionadas ao trabalho, é fundamental escolher com antecedências as leituras que deseja fazer por puro prazer.

Para isso, o app que te aconselhei pode ser de grande ajuda; experimente explorar os conselhos de leitura e escolher, com antecedência, os títulos que gostaria de ler esse ano: mas lembre-se, escolhendo romances ou ensaios, a única regra é que devem ser rigorosamente não ligados ao seu trabalho; tudo aquilo que for de trabalho deve ser considerado uma leitura de formação e, por isso, não vale!

Faça uma bela lista dos livros que escolheu para o seu desafio de leitura desse ano e depois comece a ler pelo título que mais te inspira, seguindo o método da divisão cotidiana de páginas ou apenas separando, por dia, o tempo justo na agenda.

Se você está com pouca inspiração, pode baixar gratuitamente aqui³ o ebook do meu Goddess Bookclub, que reúne diversos conselhos de leituras mágicas relacionadas à espiritualidade ou à feminilidade sacra e muitos aprofundamentos escritos por mim sobre os livros propostos. Boa leitura!”

O texto original você encontra aqui: https://giadacarta.com/riprendere-a-leggere/

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Notas:
¹. Aqui a pessoa coloca o link do Goodreads.
². No Brasil, temos uma plataforma similar, que é o Skoob. Já falei sobre ele aqui.
³. Novamente a autora coloca um link, que é esse aqui.

Apesar de você – Chico Buarque

Apesar de você — Chico Buarque

Para dar uma animada por aqui, resolvi falar sobre música, e não uma qualquer: hoje trago uma canção que completa 50 anos em 2020 e que, infelizmente, ainda tem seu pezinho na atualidade (e aproveito para corrigir uma falha: como ainda não tinha Chico Buarque por aqui?).

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu

Apesar de você,  foi composta e lançada por Chico Buarque em 1970. O Brasil já vivia uma ditadura desde 1964 (e ela duraria ainda até 1985). Ainda que a década de 70, no Brasil, tenha sido o período do “milagre econômico” foi, também, um momento de censura aos meios de comunicação e de tortura ou exílio daqueles que discordavam do governo vigente (e justamente por isso as pessoas “falavam de lado e olhavam pro chão”).

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de ter começado em 1964, a situação da ditadura brasileira se agravou em 1968, com o “famoso” AI-5, um decreto cujas determinações ficam acima das leis estabelecidas até então. Graças a esse Ato Institucional o Presidente poderia fechar o Congresso Nacional e assumir por completo as funções legislativas, isto é, tornar-se um verdadeiro ditador, como aconteceu.

Diante desse cenário nada animador, Chico Buarque achava que Apesar de você sequer passaria pela censura. Mas passou, ao menos em um primeiro momento. E por que passou? Porque, como sempre, Chico Buarque soube fazer um uso único das palavras, dizendo o que tinha a dizer, mas construindo um texto que é direto e, ao mesmo tempo, não. Digamos que o Governo demorou um tempinho para entender que o “você” da canção se referia a eles…

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Apesar de você consegue retratar bem o sentimento de muitos naquela época. Tempos sombrios, mas ainda era possível ver uma luz no final do túnel. E quando ela chegasse, a euforia seria tamanha que ninguém poderia impedir.

Se a ameça de um governo ditatorial como o das décadas de 60 e 70 ainda paira sobre nós, hoje o nosso grito também está contido por outras causas, como o vírus que tem assolado o mundo. E nós também vamos cobrar com juros o amor reprimido desse momento em não podemos nem mesmo nos abraçar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Gostando ou não, fica difícil não concordar que Apesar de você é uma obra e tanto (dentre tantas outras igualmente incríveis do cantor, compositor e escritor Chico Buarque). Uma música que sabe jogar muito bem com as palavras (o uso de estado e juros caem como uma luva na composição, enriquecendo seu duplo sentido).

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

A crítica é sutil, mas contundente. Chico usa dos elementos da natureza (o jardim florescendo, o dia raiando) não apenas para enriquecer suas metáforas, para para mostrar que ninguém tem um poder tão grande capaz de controlar absolutamente tudo. E que se nós fazemos parte da natureza, uma hora, podemos nos levantar novamente, agir por nossa própria força.

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

Para completar, o ritmo de Apesar de você é envolvente. Ainda que tenha seu “quê” de tristeza, a música passa uma alegria que se fazia necessária naqueles tempos, e também nos dias de hoje.

 

Meu policial envolvente — Juju Figueiredo

Título: Meu policial envolvente 
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 597
Ano: 2019

policial envolvente

Antes de começar a resenha de mais um livro da Série Envolvente, eu não posso deixar de dizer que estava bem curiosa com essa história desde que li Meu juiz envolvente, porque ali já dava para imaginar que muita coisa deveria ser explicada sobre a Verônica e o Guilherme, protagonistas deste livro.

“Tinha como um coração quebrado voltar a se quebrar?”

E já adianto aqui que não me decepcionei. Aliás, mais do que isso, até me surpreendi comigo mesma e logo mais eu explico isso, mas antes, tenho de contar um pouquinho do enredo e da estrutura do livro.

“Me perdi mas fui capaz de me reencontrar”

Como nos outros volumes da série, em Meu policial envolvente temos capítulos narrados ora por Verônica, ora por Guilherme, fazendo com que possamos enxergar os dois lados de uma mesma história, nos aproximando ainda mais dos personagens.

“Falar era muito fácil, afinal, você não estava ali sentindo a dor, não estava sofrendo”

Verônica e Guilherme se conheceram ainda jovens e nutriram um pelo outro um amor desses raros e lindos de se ver. Ela engravidou quando eles ainda sequer tinham condições de iniciar uma vida em conjunto, mas superaram tudo um ao lado do outro e se tornaram não apenas uma bela família, mas também grandes policiais.

“— Infelizmente, as coisas não são como queremos e às vezes nossas vidas tomam rumos completamente diferentes do esperado”

Claro que nem tudo são flores, porém, e a vida perfeita que levavam juntos uma hora veio abaixo. O problema foi a forma como tudo aconteceu: Guilherme simplesmente deixou um bilhete para Verônica, dizendo que eles haviam se conhecido cedo demais e que ele queria viver novas aventuras (!) e… SUMIU DO MAPA.

“Às vezes as palavras nos machucam mais que uma surra”

Dá vontade de matar um cara desses, né? Não. Mas calma! Claro que dá vontade de matar um cara desses, mas apenas quando não conhecemos a real história por trás desse bilhete. E vocês se lembram que eu disse lá em cima que a narrativa dessa história é alternada entre esses dois personagens, certo? Pois então, Guilherme, na verdade, não quer viver uma aventura. Ele tem uma missão. E, aos poucos, tantos detalhes vão sendo revelados e tudo vai, cada vez mais, se encaixando, que fica difícil não torcer para que, no final das coisas, tudo dê certo, inclusive entre Verônica e Guilherme.

 “Eu consigo reconhecer as lutas que perdi”

Ao mesmo tempo, porém, a gente vai acompanhando os dilemas da Verônica sobre perdoar ou não Guilherme e, mesmo conhecendo o lado dele da história, é muito compreensível essa dúvida dela. Ela sofrera demais e, mesmo ouvindo as explicações dele, não era possível apagar tudo o que ela vivera enquanto ele estava longe. E foi justamente isso que me fez refletir tanto. Tentei me colocar no lugar da Verônica, mas como é difícil imaginar ter de passar por qualquer coisa minimamente semelhante ao que ela passou. Que angustiante (num bom sentido, se é que isso é possível), foi acompanhar as idas e vindas, os altos e baixos desse casal.

“Quando a minha vida começou a dar tão errado?”

E, para melhorar, Meu policial envolvente não é um mero romance, mas também um livro cheio de ação, com crimes a serem resolvidos, histórias do passado intimamente ligadas às aventuras do presente de cada um. E esse livro ainda consegue nos deixar com vontade de conhecer mais a fundo alguns de seus outros personagens.

“A dor de perder alguém nunca passava, mas amenizava com o tempo”

Eu realmente me surpreendi com essa história e, sem dúvidas, é a minha preferida da série Envolvente.

Ficou com vontade de conhecer também? Então clica aqui.

O que eu aprendi organizando uma antologia?

O que eu aprendi organizando uma antologia_

Eu comentei na resenha de Um amor para chamar de meu que fui a organizadora dessa antologia. E, ao menos para mim, não é todo dia que tenho uma oportunidade dessas (aliás, essa foi a minha primeira!), ainda mais em se tratando de romance, que eu adoro!

Mas… O que aprendi com isso?

Em primeiro lugar (e esse provavelmente foi o aprendizado mais difícil): a dizer não. No edital estava previsto que poderia ser selecionada uma quantidade de contos e recebemos mais do que esse número. Acabamos, por conta disso, aceitando alguns a mais, mas, ainda assim, não era possível aceitar todos, então tive de fazer escolhas e, a parte mais difícil, enviar alguns emails dizendo que determinado conto havia sido recusado.

Isso significa que recusei contos que estavam ruins? Absolutamente não! Eu apenas tiver de fazer escolhas (difíceis) e, infelizmente, dizer não a histórias que eram boas, mas que, por exemplo, estavam parecidas com outras também recebidas ou óbvias demais, enquanto as mais surpreendentes foram, sem dúvidas, escolhidas.

Outro ponto, mas esse não sei se posso dizer que “aprendi algo”, mas que ao menos “refleti sobre” foi em relação a ordem dos contos. Depois de ter selecionado as histórias que fariam parte da antologia, me deparei com uma grande dúvida: em que ordem apresentá-las aos leitores?

Tentei buscar alguma luz ou alguma dica no Google, mas nada. Ninguém para me ensinar “como escolher a ordem dos contos em uma antologia”. Então fui no feeling mesmo, tentando mesclar um pouco. Histórias que fossem mais parecidas, tentei separar, para não ficar repetitivo; narrativas mais lentas, intercalei com aquelas mais rápidas; histórias um pouco mais tristes em meio às mais felizes. Agora, se eu alcancei algo com isso, só os leitores podem dizer…

Aprendi, ainda, sobre o trabalho que dá organizar uma antologia. Quem me acompanha por aqui talvez saiba que eu colaboro bem de pertinho com a Editora Lettre, então sei que todo o trajeto editorial não é fácil, são muitos detalhes para nos preocuparmos. E estar à frente de uma antologia me mostrou na pele tudo isso. Decidir (e cumprir) prazos, estar com contato com os autores, ler e reler tudo, escrever sinopse e prefácio, divulgar, resolver imprevistos… UFA!

Mas isso me lembra outra coisa que aprendi: o quão gratificante tudo isso é. A sensação de ver os autores felizes com a publicação de suas histórias; de ver os leitores elogiando a antologia; de ter um trabalho conhecido pelo público. Um amor para chamar de meu me trouxe coisas que eu jamais achei que poderia esperar.

E se engana quem acha que o trabalho de organizar uma antologia termina quando ela é publicada. Seguimos aqui, tentando fazer com que ela chegue a mais e mais pessoas. Semana passada, por exemplo, a Editora Lettre publicou uma entrevista com os autores da antologia! E eu, mais uma vez, estive nos bastidores, ajudando a organizar as respostas que recebemos e a montar o texto final. Quem quiser conferir o resultado, pode clicar aqui.

Desmistificando o Mestrado [7] — PAE

Desmistificando o mestrado [7]

Como prometido no último post sobre o Mestrado, hoje venho falar um pouquinho sobre o Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino (mais conhecido por PAE), porque ele deixa os alunos (principalmente bolsistas) um pouco doidos.

Primeiro é preciso entender o que é o PAE. Trata-se de um programa criado pela CAPES, ao perceber que os alunos de pós-graduação tinha muita experiência com pesquisa e pouca em sala de aula. Isso significa que o objetivo do programa é aprimorar a experiência dos pós-graduandos na atividade didática voltada para o ensino superior (ou seja, mostrar aos alunos como é dar aula na graduação).

Na USP, pode acontecer das normas gerais do PAE variarem de uma Unidade de Ensino para outra (por exemplo, a FFLCH pode ter regras diferentes da Poli e assim por diante). Mas existe uma regra geral, que é a existência de duas etapas que devem ser cumpridas na seguinte ordem:

  1. Preparação pedagógica
  2. Estágio supervisionado

A preparação pedagógica assume diferentes características: pode ser uma disciplina de Pós-Graduação (como agora acontece na FFLCH) — o que permite que o aluno obtenha créditos com ela; pode ser um conjunto de conferências — muitas vezes condensados num tempo menor; pode ser um núcleo de atividades (confesso que sobre esse não tenho o menor conhecimento).

A preparação pedagógica pode ser cumprida em qualquer unidade USP. Isso significa que, por exemplo, se você é da FFLCH, que colocou essa etapa em formato de disciplina, mas prefere cumprir em formato de conferências, basta procurar uma unidade que ofereça nesses moldes e se inscrever.

Para o estágio supervisionado, o aluno precisa escolher uma matéria da graduação e se inscrever para atuar como estagiário na mesma. Essa atuação depende da aprovação tanto do seu orientador quanto do professor que ministrará a disciplina. Depois disso, você irá acompanhar, ao longo do semestre, as atividades realizadas, frequentará as aulas, irá auxiliar o professor e poderá até ministrar uma aula — preferencialmente relacionada à sua pesquisa.

Para os aluno em geral, o PAE é opcional, mas para os bolsistas CAPES, ele é obrigatório. Se o Programa no qual você está inscrito possui Doutorado, você pode, no Mestrado, cumprir apenas a preparação pedagógica e cumprir o estágio supervisionado no Doutorado. Mas, mesmo que você cumpra as duas etapas ainda no Mestrado, e venha a fazer o Doutorado depois, terá de cumprir novamente o estágio supervisionado.

Isso significa, claro, que é possível realizar mais de um estágio supervisionado, mas a preparação pedagógica só precisa ser feita uma vez, isto é, não importa quantas vezes você queira ser estagiário PAE, você só precisa ter feito uma vez a preparação pedagógica.

As duas etapas podem ser realizadas em qualquer semestre — porém nunca ambas no mesmo semestre—, mas é importante prestar atenção aos prazos de inscrição de cada uma delas.

É possível ser estagiário PAE de maneira voluntária ou bolsista (mesmo para aqueles que já são bolsistas CAPES). Na FFLCH, quando você se inscreve na segunda etapa do PAE, automaticamente você passa a concorrer a uma bolsa, mas, como sempre há mais inscritos que bolsas, nem sempre é possível conseguí-la. Ainda assim, em tese, você pode receber esse auxílio por até duas vezes no Mestrado e mais duas vezes no Doutorado ou até quatro vezes no Doutorado (caso você não tenha recebido no Mestrado).

Eu fui estagiária PAE duas vezes: uma vez de maneira voluntária e outra como bolsista. Nas duas formas, é preciso entregar, mensalmente, uma folha de frequência assinada, para que, ao final, você possa receber os créditos formativos relativos à sua participação no programa. Também é preciso entregar um plano de estágio no início do programa e um relatório ao final. Sim, infelizmente é bem burocrático, mesmo quando você é voluntário. A experiência, porém, é bem enriquecedora, e acho que é realmente um programa necessário.

Se você é bolsista CAPES, tenha sempre em vista o PAE, lembre-se sempre de incluí-lo no seu planejamento da pós-graduação para não ficar tudo para a última hora!

Se tiverem alguma dúvida, podem me perguntar!

Música em contos 1 (Antologia)

Título: Música em Contos 1
Autor: Vários autores
Organização: Susana Silva
Editora: Publicação independente
Páginas: 100
Ano: 2019

música em contos

Quem acompanha este Blog ao menos desde o ano passado, talvez se lembre que eu fiz uma sequência de posts com resenhas de alguns contos específicos de “Música em contos 2“, que ainda estava para lançar. Só depois é que eu fui ler Música em contos 1 e agora trago a minha experiência de leitura aqui.

Histórias e músicas são duas coisas que amo. Quando junta os dois, então, dificilmente dá errado. Por isso, a ideia de escrever contos baseados em músicas específicas, de cara, já chama a minha atenção. E outro ponto interessante dessa antologia é que ela traz escritores brasileiros e portugueses, deixando a escrita ainda mais plural.

Nessa antologia, um pouco por coincidência mesmo, todos os contos trazem uma história de amor, seja ela feliz ou triste, clichê ou não. E não digo apenas histórias de amor entre duas pessoas, mas também histórias de amor próprio.

“— Eu posso parecer forte na superfície, mas por dentro tenho tanto medo quanto você”

(Conto: A partida)

E, alguns contos, em especial, chamaram minha atenção. Quando resenho antologias eu costumo falar sobre cada história em particular (quando são poucos contos) ou então falo sobre o livro de maneira mais ampla. Mas, dessa vez, vou comentar sobre esses contos que me chamaram a atenção (ao menos mais que os outros, que são igualmente incríveis).

O primeiro deles é Antes que chegue ao fim, da Alane Brito, baseado na música It ain’t over til it’s over, do Lenny Kravitz. Aqui temos um casal que está em crise, com um casamento que já quase não existe mais. Devido a um erro médico, porém, as coisas começam a se transformar: nosso protagonista muda suas ações e seus corações (e a relação) se reaquecem. O que me chamou a atenção nesse conto foi justamente isso: como é preciso que as duas partes tomem uma atitude para que uma relação não esfrie, não caia numa perturbadora rotina de distanciamento. É bem tocante.

O segundo conto que gostei muito foi Uma pausa no para sempre, da Beatriz Prado, baseado na música I got you, da Leona Lewis. Aqui temos a história de Lucas e Viviane, que se conheceram aos sete anos de idade, cresceram juntos e se apaixonaram. Viveram momentos felizes e tristes lado a lado e acompanharam muitas coisas importantes um do outro. Mas nem tudo são flores e chega um momento que eles precisam decidir se ficam juntos ou não, pensando no bem (e nos sonhos) um do outro. Sério, é emocionante!

“É preciso que a gente se escolha às vezes, mas isso não quer dizer que as marcas da escolha não vão ficar ali, lembrando a todo instante do que deixamos para trás”

(Conto: Uma pausa no para sempre)

O terceiro conto que eu gostaria de destacar é Uma passagem de volta, por favor, da Carolina Mancini, baseado na música Make you feel my love, da Adele. O que me chamou a atenção nessa história é que eu já escrevi algo parecido. Mas calma, são histórias bem diferentes, e a única similaridade é que o casal se conhece no metrô e que a moça é uma passageira, enquanto o moço é um artista que toca nos vagões da cidade. Neste conto, porém, a história é mais desenvolvida, mais longa e tem um final bem surpreendente. Achei essa narrativa apaixonante.

Recomendo essa antologia para você que busca algo leve, que pode ser apreciado aos poucos e que também quer poder ler histórias bem diferentes em um único livro.

Quer conhecer Música em contos 1? Então clica aqui.

Céu sem estrelas — Iris Figueiredo

Título: Céu sem estrelas
Autora: Iris Figueiredo
Editora: Seguinte
Páginas:357
Ano: 2018

céu sem estrelas blog

Sabe aquela brincadeira de descrever de forma tosca um livro? Pois se fosse para falar de Céu sem estrelas nesses termos eu diria que é o livro da menina depressiva que gosta de ler livros depressivos. Claro que, como eu disse essa seria uma descrição tosca. Mas ao mesmo tempo, a tosquice tem um fundo de sentido, porque esse é um livro que nos apresenta uma protagonista… Comum!

“Acho que todo mundo só enxerga no outro aquilo que é conveniente”

(p. 90)

Quando eu digo que Cecília é comum, porém, não estou dizendo que ela é uma pessoa qualquer — afinal, Céu sem estrelas também nos mostra que todos somos especiais, cada um do seu jeito — mas que ela é uma personagem como nós, alguém que facilmente podemos encontrar em um amigo querido, em um parente, em qualquer lugar que frequentemos. E é tão bom poder ler um livro com alguém tão real quanto Cecília (e os demais personagens).

“Por mais que a gente achasse que conhecia uma pessoa, sempre havia mais”

(p. 317)

Esse é um livro que tem a sua dose de romance (coisa que eu amo), mas que vai muito além disso. A narrativa é alternada entre capítulos de Cecília e de Bernardo, que é o irmão mais velho de Iasmin, que, por sua vez, é a melhor amiga de Cecília.

“Cecília era uma caixinha de segredos e mentiras, tentando encobrir as partes feias da vida e pintar uma versão melhor de si mesma para o mundo. Ela não queria que sentissem pena”

(p. 161)

Cecília é uma garota que sofre com seus ataques de pânico e com uma mente que não consegue controlar, além de ter de lidar com olhares e palavras maldosas dos outros (inclusive familiares) por estar acima do peso. Para completar seu infortúnios, ela não se dá muito bem com a mãe a ainda perde o emprego, o que gera uma briga familiar e tanto.

“Nem eu mesma sabia quem eu era. Tinha passado tanto tempo preocupada em fazer as coisas do jeito certo, ser perfeita… Só fazia o que as pessoas queriam que eu fizesse. Porque eu queria ser amada”

(p. 70)

Bernardo, por outro lado, vem de uma família rica e aparentemente bem estruturada. Mas sabemos que isso geralmente é só aparência mesmo. Seus pais vivem brigando e, em seu íntimo, Bernardo sofre com isso. A família dele é quase um belo retrato daquela “família tradicional brasileira” bem estereotipada mesmo.

“Eu ainda me desdobrava em duas — quem as pessoas queriam ver e quem eu realmente era. Tinha me acostumado com a dupla identidade”

(p. 214)

Como esperado, Iasmin também é uma personagem importante ao longo da trama, e por meio dela a autora ainda consegue nos fazer refletir sobre relacionamentos abusivos.

“Eu tinha certeza que princesas não escondiam cicatrizes”

(p. 232)

Para completar o trio de amigas inseparáveis temos, Rachel, que é cadeirante e provavelmente uma das personagens mais sensatas da história.

“Quando nos importamos com alguém que vive uma luta tão profunda contra seus próprios monstros, o medo de que algo esteja fora do lugar sempre bate à porta”

(p. 321)

Por meio dos personagens secundários, Iris ainda consegue retratar muito da vida (e do estilo de vida) dos jovens universitários e também da rotina da faculdade em si.

“Eu estava cansada de pedir desculpas por meus sentimentos. Às vezes tinha a impressão de que fazia isso o tempo inteiro”

(p. 182)

Céu sem estrelas era um desses livros que eu ouvia falar e tinha muita vontade de ler. Graças à Ingrid (obrigada, miga!!) meu desejo se realizou e sinto que a espera valeu a pena. O livro chegou no momento certo e apesar de abordar tantos assuntos delicados, serviu como um abraço quentinho. A leitura flui muito bem, daquele jeitinho que a gente não quer largar o livro até o final, mesmo quando percebe que vai dar tudo errado.

“Era tudo na minha cabeça. A dor era toda na minha cabeça, mas isso não a tornava menos real”

(p. 191)

Não sei se essa história poderia ser gatilho para algumas pessoas, mas acredito que não. Cecília vive na pele um pouco de tudo. Senti que a história conseguiu ser realista e sensível, mostrando inclusive como é difícil pedir ajuda ou mesmo entender o que se está passando.

“Eram muitas perguntas, e eu não queria descobrir as respostas. Era cansativo viver com um cérebro que pensava demais”

(p. 150)
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Drão — Gilberto Gil

Drão

Como sempre, Drão é uma música gosto há tempos — eu acho o máximo o jogo de palavras “Nossa caminhadura / Dura caminhada”, feito em dado momento — mas que somente agora, escrevendo esse post, é que entendi verdadeiramente. E aliás, aprendi muita coisa interessante, que compartilho aqui com vocês.

Confesso que, para começar, descobri que essa música é do Gilberto Gil e não do Djavan, como eu achava (shame on me). Mas é que o fato de eu não entender o título da música (o Djavan tem umas músicas doidas que a gente demora para entender, né?) e o jogo de palavras que eu mencionei acima colaboravam muito para esse fato, além de eu realmente ouvir uma versão cantada por ele.

Minha segunda descoberta foi a que mais clareou as coisas: Drão era o apelido (dado por Maria Bethânia!) de Sandra, terceira esposa do Gil. Descobrir isso me faz compreender que essa é uma canção dirigida a ela, quase como uma carta.

Drão
O amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura

A música foi composta em 1981 e lançada em 1982 e fala sobre a separação de Gil e Drão. E aí está outro elemento incrível dessa música: ela fala sobre o fim de um relacionamento de uma maneira muito bonita e sem rancor, mas, ainda assim, retratando toda a dor que uma separação pode trazer.

Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura

Mas antes de chegar ao tema da separação em si, Gil compara o amor a um grão, que precisa germinar, como é possível ver nos versos que já apresentei aqui. Somente depois de falar sobre a necessidade de que o amor seja plantado é que Gil pede para que Drão não pense na separação, não sofra pelo momento que estão vivendo, porque, apesar de tudo, o que viveram é algo que os acompanhará para sempre. Provavelmente eles tiveram uma boa relação e também geraram três filhos nela. Foram 17 anos juntos.

Drão
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se, infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!
Nossa caminha dura
Cama de tatame
Pela vida afora

Por fim, na canção, Gil ainda busca demonstrar que não há nada errado no fato deles se separarem, mas também pede perdão por seus erros e compaixão. E claro que ele encerra a música falando que o verdadeiro amor nunca morre. Se ele é grão, o que pode acontecer é virar pão. Não há fim, apenas transformação.

Drão
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há
De haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morre nasce, trigo
Vive morre, pão
Se você ainda não conhecia essa canção, não deixe de escutá-la e me dizer o que achou:

Um amor para chamar de meu (Antologia)

Título: Um amor para chamar de meu
Autor: Vários autores
Organização: Tati Iegoroff
Editora: Lettre
Páginas: 124
Ano: 2020

um amor para chamar blog

(Leia essa resenha ao som da nossa playlist)

A resenha de hoje vem recheada de felicidade e, antes de falar sobre a obra em si, eu explico os motivos: Um amor para chamar de meu é a mais nova antologia da Editora Lettre. Além de ser uma antologia de romance — gênero que eu amo — sou a organizadora da mesma, e tem um conto meu nela! Preciso dar mais motivos para essa felicidade??

“O canto dos pássaros estava bonito de escutar, mas na rotina corrida em meio aos prédios nem damos valor. Contudo, eles estão ali para dizer que a vida é linda de se viver”

(Conto: O motoqueiro da noite chuvosa)

A antologia sofreu um pequeno atraso em sua publicação (que estava prevista para a semana passada), mas finalmente está no ar e eu continuo não acreditando! Mais para frente, se vocês quiserem, posso trazer um post para vocês sobre como foi organizar a antologia e o que eu aprendi com essa experiência.

“Não era como esperava, pois na verdade não sabia o que deveria esperar”

(Conto: Clara)

Por enquanto, vamos ao que interessa, não é mesmo? Obviamente não esperem imparcialidade de mim aqui… Mas também não escolherei contos preferidos, porque, para além do fato de realmente ter gostado de todos, não acho que seria justo.

E posso contar uma coisa? Não é “óbvio” que eu tenha gostado de todos os contos , ainda que tenha sido eu a escolher aqueles que entrariam ou não na antologia. Mas uma coisa eu posso garantir a vocês: me surpreendi com a variedade das histórias que encontrei e é por isso que eu digo que todos os contos são bons (cada uma à sua maneira).

“Os assuntos que tocamos beiram a superficialidade, mas sempre arranjam um jeito de mergulhar fundo em algo verdadeiro e complexo, onde nós dois conseguimos nos entender”

(Conto: Amor meu grande amor)

Quando falamos em histórias de amor, dificilmente escapamos de uma visão clichê e de um “felizes para sempre”, mas ao longo das páginas de Um amor para chamar de meu vamos muito além disso.

É verdade que na maioria dos contos encontraremos casais héteros, mas também há contos que retratam outros tipos de relacionamento, seja de mulher com mulher (infelizmente, apenas um contos assim), de humano com anjo (!), de sereia com boto (sim, você leu isso mesmo) e até mesmo não casais (só lendo para entender)!

“Haja café na vida para engolir a ausência de amor que não tinha… Um amor que ela queria. Um amor para chamar de seu”

(Conto: Por muito pouco)

A leitura de Um amor para chamar de meu é bem rápida, pois os contos são curtinhos (exigências do edital) e gostosos de ler, com diversas formas de escrita, o que contribui para que a leitura não seja maçante.

Aliás, talvez isso seja o que mais me encanta em uma antologia como essa, de um gênero que leio livros e mais livros: a diversidade. Romances podem ser clichês, mas não necessariamente o são. Me divirto vendo os destinos que os autores traçam para seus personagens, as formas como se desenrolam os acontecimento.

 “Como eu aguentava aquela menina que só vivia para falar de amor, amor e amor? Isso era invenção do consciente do ser humano. Carência pura do ego do indivíduo”

(Conto: Maria Felícia e a inexistência do amor)

Por fim, também me encanta saber que por meio da antologia Um amor para chamar de meu podemos conhecer novos autores nacionais. Autores com muitas possibilidades de escreverem excelentes livros. Parabéns e muito obrigada, pessoal!

Se interessou por essa antologia? Então não deixe de clicar aqui.