Cadeados — Nuccia De Cicco

Título: Cadeados — o amor é a chave
Autora: Nuccia De Cicco
Editora: The Books
Páginas: 361
Ano: 2018

cadeados blog

Cadeados foi um livro que me fez sentir muita coisa. A começar pela aflição, pois a história se inicia com um grave acidente de carro e as consequência deste sobre Pam, a protagonista. Ela fica gravemente ferida, passa por cirurgias, convulsiona… E tudo é descrito no livro, sem nos poupar de detalhes.

“Naquele milésimo de segundo, eu voei”

Depois, veio uma agonia imensa, causada pela dor de ver Pam sofrendo por tudo o que perdera (em primeiro lugar, seus pais e um pouco do movimento das pernas — esses ao menos recuperáveis com a fisioterapia) e também escondendo sintomas importantes, o que nos leva à terceira sensação…

“O tempo passava por cima da gente sem piedade. A saudade não diminuía nunca”

Tristeza. Não porque “ah, coitadinha”, mas porque esse é o reflexo dos próprios sentimentos de Pam. Ela se fecha em si mesma, se isola, perde a vontade de viver. É até irônico ler essa parte, porque ela não quer mais sair de casa, enquanto nós daríamos tudo para podermos estar nas ruas novamente.

“Não havia mais motivos para sair da cama, quem dirá do quarto ou da casa”

Depois vem a esperança. A luz no fim do túnel. A vontade de seguir lendo e lendo para ver que as coisas podem melhorar. A esperança de que existam cadeados que podem ser abertos.

“Para cada cadeado, uma chave especial”

E claro que, por fim, há a alegria. Depois de todas essas sensações, nos deparamos com um final leve, porém verídico. Nada de contos de fadas, mas de realidades palpáveis.

“Ele me entendia; às vezes mais do que eu mesma”

Cadeados é narrado por personagens diversos. Apenas os trechos de Pam são em primeira pessoa, os dos outros personagens são em terceira pessoa. Essa dinâmica torna tudo ainda mais interessante, pois ao mesmo tempo que mergulhamos no universo da protagonista, temos a oportunidade de estar próximos dos demais personagens que, mesmo não sendo protagonistas, têm a sua importância.

“Eu podia ser independente, mas nunca estaria sozinha”

Como eu disse mais acima, no acidente, Pam perde os pais, um pouco dos movimentos da perna (coisa que se recupera depois) e… A audição. E essa é a grande temática desse livro, que nos ensina um pouco mais sobre o universo surdo, sobre as dificuldades encontradas nesse mundo, ainda não preparado para lidar com deficiências, mas que também nos mostra que ser ensurdecido (termo apresentado no livro, que designa ouvintes que, por algum motivo, deixam de ouvir) tem as suas dores particulares.

“Ouvi durante vinte três anos, deixar de depender de um sentido não era como um passe de mágica”

Como se já não fosse suficiente apresentar tudo isso que acabei de mencionar, o livro ainda consegue falar sobre relacionamentos abusivos e depressão. E nenhuma dessas temáticas entra de maneira forçada na história, muito pelo contrário.

“Amar não devia ser engolir todas essas porcarias”

Recomendo imensamente esse livro para quem quer aprender mais sobre surdez, mas também para quem tem estômago forte e nem um pouco de medo de permitir que um livro mexa imensamente com seus sentimentos. Uma leitura daquelas que precisam ser feitas com calma, ainda que a gente queira devorar tudo de uma vez, torcendo pelo “final feliz”, que pode vir das mais diferentes maneiras.

“Quando perdemos um sentido e o conquistamos de volta, percebemos o quanto as pequenas coisas são as mais importantes”

Se você se interessou por Cadeados, não deixe de clicar aqui.

Citações #30 — Os guardiões dos livros

Citações #30

Quem leu minha resenha de Os guardiões dos livros deve ter percebido (espero eu) o quanto eu amei essa história escrita pela autora Ana Farias Ferrari e publicada em 2019 pela Editora Cartola. O que vocês provavelmente não sabem é que tive de deixar vários trechos incríveis de fora da resenha. Mas ao menos tenho a oportunidade de trazê-los aqui!

“ela é capaz de se entregar às histórias por inteiro, e não por partes”

O que tanto me encanta nesse livro é o fato dele falar sobre sentimentos diversos e de maneiras diversas, aos poucos, com sensibilidade.

“Ela não precisou falar mais nada, apesar do escuro eu sabia das suas lágrimas e sabia que não tinha muito o que fazer, às vezes as palavras certas eram aquelas não ditas”

Também é uma história que traz muitas descobertas sobre nós mesmos e por meio de personagens tão jovens.

“Mais uma vez eu estava fazendo apenas o que era esperado de mim, mesmo que significasse não me sentir inteiro, e isso precisava mudar”

E, ainda por cima, o livro consegue ser dolorosamente atual.

“é muito difícil se manter apaixonado quando pessoas começam a morrer”

Durante a leitura acompanhamos um crescimento pessoal dos personagens, que vivem coisas que jamais esperariam viver, de maneira muito bonita também.

“era difícil ficar bravo quando a pessoa que te criou fez isso às custas da própria felicidade e não demonstra mágoa nenhuma”

E claro que, de muitas formas, o maior dos sentimentos se faz presente ao longo dessas páginas.

“Quando você ama alguém, ela nunca se torna un fardo”

Eu realmente me encantei com Os guardiões dos livros e espero que um dia vocês possam dar uma chance a esse livro!

Desmistificando o mestrado [8] — Qualificação

qualificação

Hoje eu quero falar para vocês um pouco mais sobre a qualificação no mestrado. O que é? Como funciona? O que você tem de fazer? Calma, vamos lá que vou tentar explicar um pouquinho disso tudo!

O Exame de Qualificação (ou apenas Qualificação) é obrigatório tanto no mestrado quanto no doutorado (ao menos nos programas de pós-graduação da USP) e ocorre na metade do período que você tem para desenvolver sua pesquisa. Para ficar mais claro: no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, eu tinha dois anos para realizar meu mestrado. Em até um ano, desde a data da primeira matrícula, eu deveria realizar meu exame de qualificação.

A ideia é que você possa mostrar a uma banca examinadora (composta pelo(a) professor(a) que te orienta e mais duas outras pessoas que tenham ao menos o título de doutoras) em que ponto se encontra a sua pesquisa, como você pretende prosseguir e onde quer chegar.

Muitos alunos têm medo dessa etapa, pois ela é quase uma simulação da defesa. Mas acho que podemos enxergá-la de outra forma: se a banca for bem escolhida, haverão enormes contribuições para o desenvolvimento de sua pesquisa e conselhos realmente úteis. É quase como uma troca de ideias e uma chance de você mostrar sua pesquisa a pessoas que não estão mergulhadas nela como você e, possivelmente, seu orientador(a), mas que possuem conhecimento em assuntos tangentes e que podem te dar uma nova perspectiva para tudo o que você já tem, facilitando sua chegada ao ponto final.

Entendo, porém, o medo de alguns alunos: é possível reprovar no exame de qualificação. Mas isso não significa que seu trabalho foi em vão e que você colocou tudo a perder. Significa apenas que você precisa se esforçar um pouco mais, que você ainda não está no caminho certo. E você tem cerca de dois meses para correr atrás do prejuízo e tentar novamente (ou seja, passar por uma nova banca de qualificação).

Para a qualificação você precisa entregar, com ao menos um mês de antecedência, o relatório de qualificação. Trata-se de um documento dividido (ao menos no meu caso foi assim) em três partes:

  1. Histórico na Pós-Graduação: aqui você vai falar um pouco do seu percursos como aluno(a). Você tem de colocar alguns dados pessoais, sua formação acadêmica, seus conhecimentos em línguas estrangeiras, experiência profissional (sim, isso é quase um currículo), atividades relacionadas ao mestrado, participação em cursos e eventos e outras atividades relevantes.
  2. Projeto de pesquisa: apesar dele já ter sido apresentado lá no início, como eu falo aqui, você deve apresentá-lo de novo nesta parte. Lembrando que o projeto pode ter sofrido algumas alteações, por isso também a importância de mostrá-lo novamente.
  3. Capítulos provisórios da dissertação: essa é, finalmente, a parte em que você mostra o que já tem pronto de sua pesquisa, colocando, na íntegra, os capítulos já escritos (recomenda-se ter a introdução e ao menos um ou dois capítulos prontos), além de um resumo do que você pretende apresentar nos demais capítulos, já deixando a sua dissertação estruturada.

O relatório deve ser entregue com pelo menos um mês de antecedência em relação à data do exame de qualificação porque é este documento que sua banca lerá para poder fazer os apontamentos necessários.

Para o dia da qualificação recomendo, antes de mais nada, muita calma. Também é bom ter uma cópia de sua pesquisa à mão (seja em papel, seja em um notebook ou similar) e, se a banca concordar, um gravador, para que você não deixe passar nenhuma dica dada pela banca em relação à sua pesquisa.

E aqui vai um pequeno causo antes dos meus últimos avisos: eu tentei ser o mais cautelosa possível com meu relatório de qualificação. Pedi modelos para meus colegas, escrevi com calma, numerei tudo, revisei mais de uma vez a formatação e o sumário. Imprimi as cópias necessárias e, quando fui ver, a numeração das páginas havia sido cortada na impressão! E eu só percebi isso depois de entregar as cópias aos professores. Que vergonha! Mas tudo bem, acontece, né? O lado bom desse pequeno fato é que eu já sabia que, na hora de imprimir a dissertação, esse era mais um cuidado que eu deveria tomar.

Por fim, como sempre, gostaria de alertar sobre a importância de se prestar atenção aos prazos (sempre!!!) e às normas, sejam elas de formatação ou burocráticas (que documentos você precisa entregar para agendar a qualificação, em que período, para quem). Se tiver dúvidas, pergunte, tanto para seu orientador quanto para colegas ou mesmo na secretaria de seu programa de pós-graduação.

A princesa salva a si mesma neste livro — Amanda Lovelace

Título: A princesa salva a si mesma neste livro
Original: The princess saver herself in this one
Autora: Amanda Lovelace
Editora: Leya
Páginas: 207
Ano: 2017
Tradutora: Izabel Aleixo

a princesa salva

A princesa salva a si mesma neste livro é aquele tipo de obra que eu sempre via em todas as livrarias por onde passava; também é um daqueles títulos que sempre me chamavam a atenção; por fim, já vi muitos elogios ao livro e à autora.

Depois de ler esta obra, consigo entender porque ela é tão aclamada: Amanda Lovelace aborda temáticas muito importantes e sérias, como depressão, estupro, bullying, perdas, amizade, amor e relações familiares. Tudo isso em poucas palavras, mas de maneira precisa.

Não posso, contudo, deixar de dizer que há algo que me incomoda: a autora se apresenta como poeta e, portanto, se propõe a fazer poesia. Ao ler esse livro, porém, o que encontrei foram frases quebradas, na tentativa de se fazer versos. E, muitas vezes, essas quebras mais atrapalham a fluidez da leitura do que ajudam. E se atrapalham a fluidez da leitura, como chamar de poesia?

Claro que também é preciso levar em consideração que este livro é uma tradução e que traduzir poesia não é tarefa para qualquer um. Mas tenho certeza que a tradutora deu o seu melhor e tentou se manter o mais fiel possível ao original que, creio eu, realmente foge um pouco de algo que eu chamaria de poesia.

Ainda assim, não posso negar que há textos realmente tocantes e muitas frases que ficam ressoando em nossas mentes, além de um outro tapa na cara bem dado. E existem duas poesias que faço questão de destacar aqui (com todas as ressalvas já feitas acima, mas que também ficarão de exemplo para que vocês tirem suas próprias conclusões):

Não há
água da chuva
suficiente
no céu
todo
para lavar
o
sangue
inocente
das suas mãos.

— a vida deles importará sempre

(pg. 174)

Bem atual, não?

Nós somos a geração
a quem você deu um
troféu de participante.

nós somos a geração
que você fez usar capacetes,
cotoveleiras e joelheiras.

nós somos a geração
a quem você deu cds censurados
& filmes com classificação indicativa.

nós somos a geração
a quem você passou anos superprotegendo
e depois jogou aos lobos.

agora nós somos a geração
que segue em frente com nada a não ser
café
& três horas de sono.

nós somos a geração
trabalhando por um salário mínimo
com diploma universitário.

nós somos a geração
ganhando só o suficiente
para sobreviver.

nós somos a geração
que você não queria ver fracassando
então se assegurou de que fracassássemos.

— millennials.

(pg. 178)

Essa foi uma das que considerei um tapa bem dado, um soco no estômago ou como você preferir chamar a reação de dor após ler essas palavras.

Se interessou por esse livro? Então clica aqui!

TAG: Lendo mulheres

TAG lendo mulheres

Hoje é feriado e nada melhor que responder uma TAG para passar o tempo, não? E olha, essa aqui é incrível! Vamos enaltecer mulheres que, além de tudo, ainda escrevem?? Vi esta TAG há muito tempo, no blog Submundo Literário e a moça que publicou disse que é do IG A menina do livro.

Primeiro livro escrito por uma mulher que você leu? [essa foi fundo, hein!]

Bom, segundo minhas anotações (iniciadas em 2005) foi Diário da princesa, da Meg Cabot.

Autora que você mais leu?

Chuto que tenha sido a Paula Pimenta, pois li “Fazendo meu filme” e “Minha vida fora de série” completos, além das releituras dela de contos de fadas e o conto presente em “Um ano inesquecível”.

Se você pudesse conhecer uma escritora, qual seria?

Eu adoraria poder conhecer todas as minhas parceiras pessoalmente! A Ingrid, a Cínthia, a Michelle, a Marie e a Juliana Lima (a Maya eu já conheço \o/)

Personagem preferida de um livro escrito por uma mulher?

Que difícil!!! Acho que isso é um pouco como responder “qual o seu livro favorito?”. Podemos pular para a próxima?

Autora que todos deveriam conhecer?

Ana Farias Ferrari e seu livro Os guardiões dos livros.

Livro escrito por uma autora brasileira que você quer ler?

A lista aqui é grande, mas vamos de Conectadas, da Clara Alves.

Clássico dos clássicos?

O sol é para todos — Harper Lee.

Duas autoras brasileiras contemporâneas que você indica?

Só duas? Michelle Pereira e Mel Geve.

Livro escrito por uma mulher que todos deveriam ler?

A arte de ler ou como resistir à adversidade (Michèle Petit).

E aí pessoal, acharam fácil? Quero ver as respostas de vocês também!

Quando você perde também ganha — T. S. Rodriguez

Título: Quando você perde também ganha
Autora: T. S. Rodriguez
Editora: Publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

quando você perde blog

Pedro é aquele garoto que tem tudo na vida e que insiste em passar uma imagem de si apenas para ser ainda mais aceito pelo seu círculo social. Ao mesmo tempo, ele provavelmente nunca refletira muito sobre isso.

“Você é o tipo garoto branquinho, bonitinho e cheio de privilégios, que desperdiça tudo isso agindo feito um babaca”

Um dia, porém, um acidente de carro faz com que Pedro tenha de ficar de cama, com as duas pernas engessadas. E, para não perder o ano escolar, o colégio lhe manda os conteúdos via email e pede que Vinicius, o melhor aluno da sala, vá visitá-lo todos os dias para explicar aquilo que o colega possa ter dificuldades em aprender sozinho.

“Não há nada de mal em parecer fraco às vezes. Todo mundo precisa de ajuda”

Acontece, porém, que Vinicius sempre fora alvo de piadinhas feitas pelos amigos de Pedro, e ainda que este nunca dissesse nada para ofender, era sempre conivente, rindo daquilo que os amigos diziam.

No primeiro dia que Vinicius vai até a casa de Pedro, este descobre que o colega dança ballet. Mas, ao contrário do que aconteceria se estivesse com os amigos, Pedro não faz nenhuma piada sobre o assunto e, pelo contrário, parece até se interessar pelo hobby do amigo, perguntando se ele tem interesse em seguir carreira na área.

Mas não é somente Pedro que se surpreende nesse primeiro encontro: Vinicius percebe que o colega é bem diferente daquela imagem que ele passava. Tinha livros no quarto e era mais inteligente do que demonstrava ser.

E é assim que vamos conhecendo mais desses dois jovens e vemos como um tem muito a ensinar ao outro. Vinicius dá várias lições em Pedro e este passa a se enxergar de formas que nunca imaginara antes.

Quando você perde também ganha é um conto rápido e cheio de lições. Uma história que poderia, inclusive, virar livro, mostrar os desdobramentos de cada acontecimento, ensinar ainda mais.

Brincadeira seria se todos achassem engraçado. Eu não acho. Quando só uma das partes ri e outra fica ofendida ou chateada, deixa de ser brincadeira e vira bullying, sabia?”

Se interessou pelo conto? Clique aqui.

 

Sobre meu conto “A língua do amor”

Sobre meu conto _A língua do amor_

Quem me acompanha para aqui já deve estar cansado de saber que eu ajudei a organizar uma antologia, publicada esse ano, pela Editora Lettre. Além de fazer parte da organização, eu também escrevi um conto para compor a mesma, intitulado “A língua do amor”.

Mesmo tendo outros contos escritos (e mais um publicado), não me considero uma escritora. Não sei, me parece surreal dizer que eu faço parte desse mundo tão mágico e, ao mesmo tempo, tão árduo. Mas tenho recebidos feedbacks incríveis sobre meu conto e, confesso, a cada vez que vejo um elogio ou alguém dizendo que ele foi o preferido dentre todos, meu coração se enche de alegria. Depois de ver uma leitora dizendo que meu conto deveria virar livro (!!!), coisa que nunca pensei, quis vim contar um pouco mais sobre ele para vocês.

“A língua do amor” é narrado por uma menina espoleta e curiosa que adora brincar com seus vizinhos no playground do prédio em que mora. Ela fica intrigada, porém, quando chega um novo vizinho, que nunca desce para brincar com eles, ainda que fique espiando-os pela janela, enquanto eles gritam para que o menino se junte a eles.

Conversando com sua mãe, a narradora faz uma descoberta sobre Daniel — o tal vizinho que nunca desce para brincar com eles — que muda a sua vida e talvez a de muitas outras crianças da escola que ela estuda. Daniel é um garoto surdo e, por meio dele, tentei inserir um pouco desse universo na história, falando brevemente sobre a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Comecei a aprender Libras em 2018. Desde então venho aprendendo muito mais que uma simples língua, mas também toda uma nova forma de enxergar o mundo. E isso certamente é uma tarefa que demanda muito tempo e que ainda me acompanhará por anos e anos.

Quando eu escrevi o conto eu o via assim, do jeitinho que ele foi publicado. Logo mudei de ideia, porém, quando uma amiga me questionou sobre o final. De início, não pensei outra maneira, mas refleti um pouco e existiam modos de fazê-lo diferente. Mas quando eu vi  sugestão de transformar o conto em livro meu primeiro impulso foi rir. Impossível, não há mais nada a contar! Mas há, sempre há. E aí, claro, várias ideias começaram a pipocar na minha mente. Será que um dia “A língua do amor” vira livro?

Os guardiões dos livros — Ana Farias Ferrari

Título: Os guardiões dos livros
Autora: Ana Farias Ferrari
Editora: Cartola
Páginas: 456
Ano: 2019

guardiões dos livros blog

Sabe aquele livro que é como um abraço amigo, para o qual queremos correr nos mais diversos momentos? Pois é assim que vejo Os guardiões dos livros, uma fantasia daquelas que nos faz pensar “Mas… Será que não é verdade?”.

“Eu não tinha percebido quanto sentimento eu tinha guardado dentro de mim e agora eles saíam todos de uma vez”

Essa foi uma leitura que me acompanhou por quase abril inteiro, porque, infelizmente, sinto que tive menos tempo para ler nesse período do que eu gostaria, correndo para dar conta de tudo. Mas esse é um livro que a gente não quer ler um capítulo só por vez, quer ler tudo e, ao mesmo tempo, absorver com calma as descobertas. Em diversos momentos do meu dia eu me via pensando nesta história, morrendo de vontade de voltar logo para ela, como se houvesse ali um imã. E certamente havia.

“Olhei para ele e vi que o pedido era sincero, eu conhecia o sentimento de querer fugir de tudo”

Os capítulos são narrados, alternadamente, por Clarice e Ricardo. Dois jovens, de início, extremamente comuns, vivendo uma rotina igualmente comum, de ir para a escola e viver sua adolescência, cada um a seu modo. Clarice é aquela menina que todos consideram nerd pelo simples fato dela amar livros e viver na biblioteca da escola. Ricardo, por sua vez, é um garoto lindo e que está sempre dormindo antes das aulas começarem, além de ser considerado popular. Clarice perdera o pai, grande incentivador de seu gosto pela leitura, muito cedo. Ricardo crescera sendo criado pelo tio, Dimitri, pois se tornara órfão muito cedo. E Dimitri, além de tio de Ricardo, era o bibliotecário da escola, portanto, amigo de Clarice.

“Momentos difíceis podem afastar pessoas, mas também pode aproximá-las”

Apesar de estudarem na mesma escola desde pequenos, o que faz Clarice e Ricardo começarem a conversar verdadeiramente é o sumiço repentino de Dimitri. Em busca do tio-amigo desaparecido, os jovens acabam por descobrir o Reino das Palavras e muita coisa sobre o passado e a história de ambos.

“Nós éramos dois adolescentes, procurar bibliotecários sumidos não deveria fazer parte dos nossos planos para o fim de semana”

No Reinos das Palavras, Clarice se descobre uma Guardiã dos Livros e Ricardo se descobre Príncipe. Mas, mais que isso, eles descobrem a se enxergar e enxergar um ao outro.

“Ela não ficaria desapontada comigo se eu não fosse o príncipe que todos esperavam que eu fosse”

O que torna Os guardiões dos livros tão especial não é o simples fato dele trazer um Reino com o qual todo leitor voraz já sonhou alguma vez na vida, mas, principalmente, porque este é um livro que transforma uma “rata de biblioteca”, uma garota “qualquer” em uma poderosa Guardiã do Reino das Palavras, além de mostrar que atrás de um “garoto popular” pode haver um enorme coração, um grande escritor e também alguém solitário.

“Mas, em todos os casos, só se torna um verdadeiro Guardião aquele que tem as histórias dentro do próprio coração, independente do sangue em suas veias”

Essa é uma daquelas histórias capazes de te tirar da realidade, sem deixar de fazer com que você pense sobre muita coisa importante. E, sem dúvidas, uma narrativa que nos deixa ainda mais apaixonados pelos livros e por todo o poder que um objeto como esse pode ter.

“As respostas sempre estarão nos livros”

Os guardiões dos livros é um livro indicado para jovens e adultos, principalmente aqueles que ainda acreditam na magia de um bom livro.

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“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

“A literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo”

Sim, meus queridos, hoje me deu vontade de comentar um pouco sobre uma matéria que leva o título acima e que vocês podem ler na íntegra aqui. Um post um pouco diferente e que acho muito válido com relação à temática deste Blog. Vamos nessa?

Em primeiro lugar, acho importante destacar que quem faz a afirmação acima e tantas outras presentes ao longo da matéria mencionada é um professor de literatura italiana da Universidade de São Paulo: Maurício Santana Dias. Porém o Maurício não é “apenas” professor, mas também um grande tradutor (falo mais sobre isso daqui a pouco). E, seja para ser um excelente professor de literatura, seja para ser um grande tradutor, é preciso, antes de mais nada, ser um ótimo leitor.

Quando falo que o Maurício é um grande tradutor, estou me referindo às inúmeras obras traduzidas por ele e também aos prêmios que ele já recebeu por seu trabalho. O mais recente prêmio foi obtido este ano mesmo, na Itália, um pouco antes do país fechar as portas diante da pandemia do coronavírus. Ele foi condecorado com o Prêmio Nacional de Tradução do Ministérios de Bens Culturais e do Turismo da Itália. Chique, né?

Ao longo da matéria em questão, são destacadas algumas falas do professor, sobre a importância da literatura, inclusive como instrumento para pensar o mundo (daí o título) e a importância de todos os tipos de literatura, não apenas a de ficção. Além disso, ainda há muita dica de livros da literatura italiana (já traduzidos para o português) extremamente adequados para o momento que vivemos hoje (e para tantos outros).

“A literatura vai muito além do entretenimento”

Infelizmente, porém, sou obrigada e discordar de uma pequena parte da fala do professor: ele afirma que esse é o momento que mais temos para ler. Não sei se é bem assim. Tenho visto muitas pessoas que estão tendo de trabalhar o dobro do que trabalhavam antes (mesmo estando em casa — ou talvez justamente por causa disso) ou então pessoas tão esgotadas mentalmente que não têm coragem nem mesmo de pegar um livro mais leve para ler. E, no final das contas, tudo isso é extremamente compreensível. Se você está lendo menos que o normal, contrariando expectativas vindas de não sei onde, saiba que isso não te torna menos leitor e menos nada diante dos outros. A literatura vai muito além do entretenimento, mas ler ainda deve ser um momento de prazer, não de pressão. E precisamos, agora, mais do que nunca, viver um dia de cada vez, com calma, e sem pressões desnecessárias.

E vocês, concordam que a literatura é o instrumento mais potente para pensar o mundo?

Tatianices recomenda [12] — Forest

Depois de um tempinho sem postar nada nessa seção, hoje eu resolvi falar sobre um aplicativo que eu sempre acho que todo mundo conhece, mas percebi que não é bem assim. E trata-se de um aplicativo que pode ser muito útil nesses tempos de quarentena e home office. Então, sem mais delongas, apresento a vocês o Forest.

Trata-se de um aplicativo que te “impede” de mexer no celular durante o tempo que você escolher (entre 10 e 120 minutos). E ele faz isso de uma maneira simples, mas lúdica (ok, não sei se esse é o melhor adjetivo a se usar aqui).

A ideia é a seguinte: você tem de plantar uma árvore. Para isso, é preciso ficar longe do celular. Se você precisar usá-lo e, portanto, sair do Forest, sua árvore morre. Pode parecer bobo, mas é muito triste ver aquela arvorezinha morta no seu jardim!

E existem diversos tipos de árvores a se plantar e elas ficam diferentes conforme o tempo que você estipula para que elas cresçam. Quando você completa seu objetivo, recebe moedas por isso e, com essas moedas, pode comprar novos “modelos” de árvores.

O slogan desse aplicativo é stay focused, be present (mantenha-se focado, seja presente), no sentido de que, se você focar para fazer as suas coisas, te sobrará mais tempo para estar com quem ama. Por isso que eu digo que ele pode ser um bom aliado nesses tempos em casa…

Tenho usado muito o Forest para fazer valer o método pomodoro, que consiste em intercalar o trabalho (ou momento produtivo) com um pouco de descanso. Algumas pessoas costumam fazer é 25 X 5, isto é, 25 minutos trabalhando e 5 descansando. No meu caso, preferi adotar o que outras pessoas fazem também: 50 X 10, ou seja, 50 minutos trabalhando e 10 descansando. Isso significa que passo 50 minutos focada e aproveito esses 10 minutos não apenas para me levantar, mas também para responder mensagens no whatsapp, conferir alguma rede social, olhar o email.

É engraçado como faz diferença! Minha mente não para quieta um minuto e muitas vezes estou trabalhando e penso “nossa, preciso conferir meu saldo”, “nossa, será que eu respondi aquela mensagem”, “ah, vou conferir rapidinho essa notificação aqui”, . Sem o Forest eu vou lá e checo tudo isso no momento em que penso, perdendo totalmente a minha concentração. Com ele não, eu penso “bom, depois eu vejo isso”, e sigo trabalhando.

Vocês já conheciam esse aplicativo ou outro semelhante? Ele te ajuda?