Storia della bambina perduta — Elena Ferrante

Título: Storia della bambina perduta (História da menina perdida) 
Autora: Elena Ferrante
Editora: Edizioni E/O
Páginas: 451
Ano: 2014

Sinopse

Em História da menina perdida, Lenu retorna ao principal núcleo da série: sua amizade com Lina e o bairro onde cresceu. Ao contar a história da maturidade e da velhice de Lenu e Lina, Elena Ferrante nos faz revisitar os dramas que envolvem a busca incessante pelo amor, a maternidade, o machismo, o envelhecimento físico e mental e a máfia.

O embate que as duas protagonistas travaram entre si durante todas as fases da vida segue ainda mais realista. A amizade, ora redentora, ora doentia, torna-se força motriz de todos os passos de Lenu e Lina e de tudo o que as cerca. A dor que permeou os três livros anteriores também continua, e a sensação de que as amigas fizeram os personagens orbitarem ao seu redor atinge também o leitor, que se sente parte desse universo.

História da menina perdida é o final que o leitor esperava, com a dureza e a força que aprendemos a identificar nas personagens de Ferrante ― sem rodeios. O relato da amizade tóxica de Lenu e Lina, que nos engole como um buraco negro, encerra do modo como prevíamos desde o primeiro livro: uma verdadeira obra de arte do nosso tempo.

Resenha

Chegamos ao quarto e último volume da tetralogia napolitana e confesso que não queria me despedir dessa história. Depois de tantos meses — às vezes indo bem devagar, às vezes lendo sem querer parar — acompanhando a Lenù e seus relatos, fica difícil acreditar que cheguei ao último ponto final dessa aventura.

Uma vez mais, ressalto que esta resenha pode conter spoilers, sobretudo dos volumes anteriores. Mas se você não liga para isso ou já leu essa série, não deixe de conferir também as demais resenhas:

Aproveito para lembrar que as citações que você encontrará por aqui foram traduzidas por mim, uma vez que li a obra em italiano. Os trechos originais estarão ao final da resenha, na ordem em que forem utilizados neste post.

Os avisos aí de cima foram de praxe em todos os posts desta tetralogia, mas confesso que hoje eles também me serviram como uma forma de adiar o tão temido momento: falar sobre História da menina perdida.

“Minto, sim, mas porque você me obriga a te dar uma explicação linear e as explicações lineares são sempre mentiras”

É muito difícil falar sobre uma história que a cada página traz uma surpresa e tantos acontecimentos que não estão ali simplesmente para encher o livro de linhas e mais linhas sem sentido. São acontecimentos que fazem parte de todo um emaranhado tão bem construído que, ao final, nos vemos sendo lembrados de acontecimentos de lá do começo da história que ainda ecoam nos personagens e nos lugares.

“Em que desordem vivíamos, quantos fragmentos de nós mesmos voavam como se viver fosse um explodir em fragmentos”

História da menina perdida se passa principalmente em Napoli, pois neste volume, por diversos motivos — possíveis de se imaginar com o final do terceiro livro — Lenù retorna às origens.

“Aquele confronto fora do normal com a minha mãe deve ter revelado a ele sobre mim, sobre como cresci, muito mais do que eu mesma já tivesse contado e ele imaginado”

Voltar ao rione significa estar novamente próxima a Lina, e ver a dinâmica da amizade delas na vida adulta é muito interessante: ainda é uma amizade complicada, com seus altos e baixos, mas talvez um pouco menos tóxica que na infância.

“Eu havia atribuído a ela, desde a infância, um peso excessivo, e agora me sentia aliviada. Finalmente sentia que aquilo que eu era, não era ela, e vice versa”

Os anos longe, as vivências fora daquela realidade, permitiram uma nova visão do todo para Lenù.

“Por alguns segundos, o irmão de Carmen se tornou o ponto de contato entre o seu mundo cada vez menor e o meu mundo cada vez maior”

Essa nova visão, aliás, serve não apenas para sua relação com Lina, mas com todos aqueles que fizeram parte de sua infância, inclusive sua própria mãe.

“Cada relação intensa entre seres humanos é cheia de armadilhas e, se quisermos que dure, precisamos aprender a evitá-las”

A vida adulta também traz uma clareza sobre fatos que sempre estiveram lá e que desde o primeiro livro são descritos, mas talvez de maneira um pouco confusa: a violência, as relações, a política, a máfia.

“Existem momentos em que tudo aquilo que entra em nossa vida e que parece que fará parte dela para sempre — um império, um partido político, uma fé, um monumento, mas também simplesmente as pessoas que fazem parte do nosso cotidiano — desmorona de maneira totalmente inesperada e bem quando milhares de outras coisas nos pressionam”

A morte ganha ainda mais espaço neste volume, seja porque os anos passaram e as pessoas envelheceram, seja porque a violência, como dito, fica ainda mais clara (e mais forte). Já era de se esperar que muitos personagens morressem, mas, ainda assim, é chocante acompanhar um a um indo embora.

“Queria que ela durasse, mas queria que fosse eu a fazê-la durar”

Com isso, a memória também ganha um peso ainda maior, o que, consequentemente, deixa ainda mais claro que Lenù não é uma narradora confiável: foram quatro volumes de uma história narrada por ela, por aquilo que a memória dela lembrava e por aquilo que ela interpretou de todos os fatos ocorridos.

“Eu havia percebido há tempos que cada um organiza a sua memória como lhe convém, agora me surpreendo a fazê-lo também”

Isso nos leva a outro ponto de extrema importância: o fazer literário. Lenù é, sobretudo, uma escritora. E são diversos os momentos em que se menciona o papel da literatura em nossas vidas.

“Os livros são escritos para se fazer sentir, não para ficar em silêncio”

Do título também pode ser que fique clara uma coisa: a importância do contraste entre o adulto e a criança ao longo deste último volume. Por meio de suas filhas, Lenù (e também os demais personagens de sua infância que se tornam mães e pais) pode enxergar muito daquilo que passara despercebido quando era criança, mas também têm a oportunidade de aprender muito: há lindos diálogos entre elas, que nos fazem refletir um bocado.

“As crianças não têm a nossa rigidez, são elásticos”

O momento em que o título deste volume faz sentido é doloroso, triste, mas importante para marcar mais um ponto de transformação, de amadurecimento e de encaminhamento para a conclusão desta história.

“O que fazer então? Dar razão a ela mais uma vez? Aceitar que ser adulto é parar de se mostrar, é aprender a se esconder até sumir?”

No meio disso tudo, como provavelmente já ficou bem claro, Lenù segue dando peso às relações humanas, sobretudo àquelas românticas (mas não somente), sempre tão complicadas.

“Quantas palavras restam impronunciáveis mesmo entre um casal que se ama, e como é grande o risco que outros a pronunciem, destruindo-os” 

História da menina perdida consegue amarrar as pontas soltas desta tetralogia, ao mesmo tempo em que continua a nos deixar espaço para preencher algumas lacunas necessárias à magia desta narrativa. 

“Nada de estranho, portanto, e nem mesmo de feio. Nino era aquilo que não queria ser e que, contudo, sempre fora”

Trazendo muitas temáticas importantes — para além das citadas aqui, presentes também nos volumes anteriores, a autora ainda nos faz acompanhar os avanços tecnológicos e a aceitação (ou não) daquilo que é diferente para a sociedade — Elena Ferrante conclui a tetralogia napolitana de uma maneira que não decepciona, ainda que eu ache que mais e mais dessa história nunca seria demais.

“Como eu podia pensar em viver com ele se tinha de passar todo o meu tempo vigiando-o?”

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Trechos originais

“Mento, sì, ma perché mi obblighi a darti una spiegazione lineare, e le spiegazioni lineari sono sempre bugie”

“In quale disordine vivevamo, quanti frammenti di noi stessi schizzavano via come se vivere fosse esplodere in schegge”

“Quello scontro fuori misura con mia madre dovette rivelargli di me, di com’ero cresciuta, più di quanto io stessa gli avessi raccontato e lui si fosse immaginato”

“Le avevo attribuito fin dall’infanzia un peso eccessivo e ora mi sentivo come sgravata. Finalmente sentivo che ciò che ero io non era lei, e viceversa”

“Per qualche secondo il fratello di Carmen diventò il punto di contatto tra il suo mondo sempre più piccolo e il mio mondo sempre più grande”

“Ogni rapporto intenso tra esseri umani è pieno di tagliole e se si vuole che duri bisogna imparare a schivarle”

“Ci sono momenti in cui ciò che si colloca ai lati della nostra vita e che pare le farà da sfondo in eterno — un impero, un partito politico, una fede, un monumento, ma anche semplicemente le persone che fanno parte della nostra quotidianità — viene giù in un modo del tutto inaspettato, e proprio mentre mille altre cose c’incalzano”

“Volevo che lei durasse. Ma volevo essere io a farla durare”

“Mi ero accorta da tempo che ognuno si organizza la memoria come gli conviene, tuttora mi sorprendo a farlo anch’io”

“I libri si scrivono per farsi sentire, non per stare zitti”

“I bambini non hanno le nostre rigidità, sono elastici”

“Che fare dunque? Darle ancora una volta ragione? Accettare che essere adulti è smettere di mostrarsi, è imparare a nascondersi fino a svanire?”

“Quante parole restano impronunciabili anche all’interno di una coppia che si ama, e com’è elevato il rischio che altri le pronuncino distruggendola”

“Niente di alieno, dunque, molto invece di laido. Nino era ciò che non avrebbe voluto essere e che tuttavia era sempre stato”

“Come potevo pensare di vivere insieme a lui se dovevo passare il mio tempo a sovergliarlo?”

Citações #80 — Querido ex,

Querido ex foi um livro que começou muito próximo do que eu imaginava que seria essa história, mas que foi se transformando e cujo final — tristíssimo, aliás — me surpreendeu bastante.

Muitos trechos dessa obra ficaram de fora da resenha. Trechos esses que trazem, por exemplo, muito da dor do rompimento de um relacionamento.

“Por hora, tudo que eu sou capaz de fazer é dizer que eu ainda me importo. Eu ainda estou aqui”

“Lágrimas por saber que a pessoa com quem eu compartilhei minha vida, minha família, meus amigos e meu corpo é hoje um estranho”

“Não tenho capital emocional para arcar com os custos de um outro relacionamento. Não agora”

“Engraçado as coisas as quais nos apegamos em momentos de desespero”

“Eu me neguei a entender e perceber que as coisas mudam. As coisas se quebram e jamais voltam a ser como eram antes”

“Você se foi munido de tantas certezas, e eu fiquei para trás com nada além de lágrimas e dúvidas”

Alguns desses trechos também nos mostram que pontos finais são necessários, porque nem tudo que parece bom, realmente o é.

“Parece até que você esqueceu que desgraçou a minha cabeça e pode continuar livre e leve sua jornada pela rua de tijolos amarelos”

“É incrível a nossa capacidade de nos adaptar a tudo, inclusive ao que nos faz mal, não é?”

“Aos poucos eu fui virando sua sombra”

“Estávamos nos afastando. Nem sequer havíamos comemorado nosso ano de namoro na semana anterior”

“Como eu ia saber o que você esperava de mim se a gente mal conversava?”

“O trágico não é um presságio do belo”

“Enquanto estávamos vivendo o que era o presente, eu não percebi o que viria a ser o futuro”

Mas a história também ressalta os bons momentos. Aqueles que não nos deixam enxergar a dura realidade do que está acontecendo bem debaixo dos nossos olhos.

“Meus dias eram resumidos em ansiar pelo verão que sua presença trazia para dentro de mim”

“Naqueles microssegundos eu me senti em casa. Eu me senti feliz”

“A vida sempre guarda surpresas. Mais do que ninguém você é ciente disso. E o incrível é que são justamente essas que tornam tudo inusitadamente divertido”

O livro é composto por cartas escritas pelo narrador para, claro, seu ex. E cartas, como podemos imaginar, são algo muito pessoal. Uma forma de colocarmos para fora tantos sentimentos, tantas palavras que, até então, estavam se acumulando dentro de nós. 

“Aparentemente começar a escrever cartas é também um caminho sem retorno”

Para além delas, ao longo da narrativa, o personagem também encontra outras formas de contar (e expor) a sua história.

“Há algo de muito poderoso em contar a nossa história para todo mundo, em dizer e reconhecer que o que aconteceu com a gente é digno de ser lido, visto ou ouvido por milhares de pessoas”

Querido ex é uma história sobre transformação e sobre deixar o tempo passar para entender o que aconteceu e, assim, seguir em frente.

“E é com dor no peito que eu te digo que hoje entendo que essa busca pela beleza era uma busca por deixar de ser tão preto”

“Eu entendo como, sem aviso prévio, as coisas podem se transformar”

“Não há nada mais pessoal do que o tempo”

Uma história que merece ser lida. E se você quiser saber mais sobre ela, não deixe de ler a resenha completa.

Desenhos invisíveis — Troche

Título: Desenhos invisíveis
Autor: Gervasio Troche
Editora: Lote 42
Páginas: 160
Ano:2014

Sinopse

O livro Desenhos Invisíveis é uma compilação das ilustrações do uruguaio Gervasio Troche, publicadas na internet entre 2009 e 2012. Com extrema sensibilidade e traços singelos, o artista mostra ao longo do livro um conjunto de desenhos lúdicos em preto e branco sem usar palavras.

A linguagem lúdica de cada desenho fomenta múltiplas leituras e interpretações, fazendo de Desenhos Invisíveis um livro que se ressignifica a cada leitura. Como num passe de mágica, basta o tempo passar para o leitor enxergar outras coisas nas mesmas artes.

“Suas histórias não têm diálogo e muitas vezes se resolvem em uma imagem, como “poemas gráficos” que revelam perspectivas inusitadas e mais gentis do cotidiano”, diz o jornal Folha de S. Paulo. Os quadrinistas Fabio Zimbres e Adão Iturrusgarai escreveram os prólogos da edição brasileira da obra.

Resenha

Pode soar estranha a ideia de pegar um livro e saber que não encontrará palavras nele, mas é justamente isso que (não) encontramos em Desenhos Invisíveis.

Contudo, como a própria obra nos lembra, através de uma tirinha do Adão Iturrusgarai, colocada ali no início, “uma imagem vale mais que mil palavras”. E, neste caso, sou obrigada a concordar.

Mesmo sem escrever uma linha sequer, desde a primeira página Troche me colocou para pensar, expandindo minha visão das coisas para novas formas de enxergá-las. Seja na amarelinha que vira caixa, seja na semente música plantada, seja no cometa pipa — apenas para citar alguns exemplos — cada página é um novo mergulho e uma nova descoberta.

As folhas são, em sua maioria, compostas de alguns poucos traços e de muito espaço para que a nossa mente as complete como bem entendermos. Os desenhos não são literalmente invisíveis, mas possuem uma parte invisível para os que não têm a mente aberta.

O traço em preto e branco reforça alguns dos temas que os desenhos evocam: a solidão, os desafios, o silêncio. Mas se fosse preciso escolher algumas palavras para definir esta obra, escolheria perspectiva, equilíbrio, reinvenção

Outro ponto que eu não poderia deixar de mencionar é que por mais silenciosas que sejam as páginas deste livro, é impressionante como a música se faz presente, trazendo uma dimensão ainda mais interessante para a leitura. Música que se faz presente nas suas mais diversas representações, mas sem que haja som algum do livro.

E sim, usei a palavra “leitura” ali em cima, porque apesar de não encontrarmos palavras ao longo das páginas, os desenhos nos inspiram a uma leitura deles e uma nova leitura do mundo em que vivemos.

Desenhos Invisíveis é uma obra para você que quer deixar a mente vagar sem rumo e se inspirar para dar um novo gás aos seus projetos e criações. Além disso, como professora de idiomas, não vou negar que pensei em várias possibilidades didáticas para este livro, que com certeza vai ficar em algum lugar bem acessível da minha estante.

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Se ti penso, ti amo ancora

(Per leggere ascoltando Incancellabile — Laura Pausini*)


Non so se ho già visto questo titolo da qualche parte, ma comunque sia queste parole spesso mi vengono in mente. Probabilmente perché sono, sfortunatamente, vere.

Ci sono momenti in cui sto vivendo normalmente e per qualche inspiegabile motivo la mia mente forma delle immagini che mi trasportano a te. A noi. A quello che siamo stati. Quello che non siamo stati. E anche quello che potevamo essere stati. E che non lo saremo mai.

Ragionevolmente, doveva essere facile lasciarti alle spalle, sia per il tempo, sia per la forma come tutto è finito, sia perché, pensando adesso, non eravamo fatti uno per l’altro. Non per sempre. E, nei momenti di chiarezza, oggi, riesco a vedere questa realtà. Ma non solo di chiarezza si vive.

Il mio cuore non mi lascia mentire: se ti penso, ti amo ancora. E solo io so quello che sento dentro di me. Non riesco a spiegare a nessuno (tanto è vero che questo testo probabilmente sarà un insieme di parole senza senso, senza nesso).

Amarti ancora mi fa male. Provo un dolore difficile da spiegare. Qualcosa che lascia un gusto amaro nella bocca, che mi fa venire la voglia di piangere. Ma che, alla fine, non piango. Solo seguo. Respiro, provo a mettere un sorriso in faccia e seguo. Lascio queste punti dolenti arrivare fino alla pelle e dopo li lascio andare. O non li lascio. E per questo tornano.

Insomma, sono cose che nessuno vede. Che nessun può sentire al posto mio. E che non so se un giorno spariranno (spero sempre di sì, ma ogni giorno ci credo meno).

Volevo amare di nuovo. Non te, ovviamente (anche perché, come detto, ti amo ancora). Amare completamente ed essere amata. A volte credo di meritare questo, anche se non si tratta di una questione di merito. In altri giorni, però, credo di no. Credo soltanto di non essere stata abbastanza e così, dover seguire da sola questa strada, di aver sprecato la mia opportunità.

Comunque sia, seguo. Un giorno alla volta, come in tanti mi hanno detto di fare. E ci sono giorni in cui è possibile, è quasi facile. Alcuni altri, purtroppo no. Ma seguo. E continuerei a seguire. Forse un giorno tutto questo sarà solo passato. Spero


* Lo so, potevo aver scelto tante altre canzoni italiane per illustrare questo testo (e no, in Brasile non conosciamo soltanto Laura Pausini), ma questa canzone la conosco da bambina e, alla fine, è stata sempre lì. Sempre che ho amato, ch sono stata amata e che sono iniziati e finiti i miei rapporti romantici, la canzone era lì. Una delle prime canzoni italiane che ho imparato a cantare intera, perché l’ho cantata a scuola. Anzi, l’ho cantata nell’epoca più importante della costruzione del mio amore per l’italiano e la cultura italiana. Allora, per oggi no, non poteva essere altra che non questa canzone.

Clones de verão — Pedro Henrique

Título: Clones de verão e outras histórias 
Autor: Pedro Henrique (Coisas do Pedro)
Editora: Publicação independente
Páginas: 138
Ano: 2023 

Sinopse

Clones de Verão e Outras Histórias é uma coleção de histórias fantásticas curtas de ficção científica com uma pitada de humor e crise existencial, feitas para você ler, refletir e seguir com o seu dia.

O que aconteceria se pessoas pudessem clonar a si mesmas para faltar ao emprego? E se nosso universo inteiro fosse um trabalho de escola, ou uma molécula de uma sopa da vó Maria?

Clones de Verão e Outras Histórias é a primeira coletânea de contos curtos publicados no blog Coisas de Pedro dentre os anos de 2017 a 2023.

Resenha

Se uma de suas metas para este ano é voltar a ler ou então ler mais, preste atenção a esta resenha, porque aqui está uma obra que pode te ajudar a começar a concretizar esta meta.

“Como grande parte das ideias da humanidade, a ideia era maravilhosa. A execução, nem tanto”

Clones de verão é uma antologia com contos bem curtos, daqueles que a gente lê em um minuto e fica com vontade de ler “só mais um”.

“Os humanos foram ficando mais complicados, meu caro”

Muitos textos retratam um futuro que talvez não seja tão distante assim e que, mesmo assim, continuamos a ignorar.

“Deu um pouco de trabalho, mas, felizmente, vimos nosso apocalipse chegando mais lentamente, e pudemos nos preparar, sentados em nossas poltronas reclináveis de plástico”

Em alguns momentos ficamos reflexivos; em outros, damos uma boa gargalhada. Por vezes, mesmo nas poucas linhas de uma narrativa, sentimos tudo isso ao mesmo tempo.

“Com cervejas e fogos, ninguém sentiu o apocalipse chegando. Os americanos disseram que a melhor vista do fim do mundo foi a deles. Ingleses definiram o evento como “deslumbrante”. A Coreia do Norte declarou não ter nada a ver com o ocorrido. E os australianos disseram que não conseguiram ver nada de lá. Não há notícias, postagens nem notas do evento registradas pelos brasileiros”

Algumas críticas são sutis, outras nem tanto. E, assim, os textos ganham um equilíbrio muito interessante.

“Uma nova variante de Burrice foi detectada, e pode estar circulando no Brasil há mais tempo do que imaginamos”

O conto que mais me tocou foi, sem dúvidas, Utopia. Uma história que vai direto ao ponto, dando aquele necessário choque de realidade em nós.

“Esse alguém, que projetou e imaginou isso tudo, não foi considerado um gênio. Não foi premiado e ovacionado em lugar nenhum”

Clones de verão conta com uma diagramação simples e muito confortável para a leitura. Além disso, como dito anteriormente, os contos são curtos, o que nos permite uma leitura de vários de uma vez, em pouco tempo, ou então uma leitura homeopática: um pouco por vez, sem pressa.

“Porque é sempre assim. Você dá uma solução rápida para quem está incomodado. E ela fica bem até arranjar qualquer outra coisa para reclamar”

Se você se interessou pela obra, clique abaixo para saber mais. Se ainda está em dúvida, conheça o blog Coisas do Pedro, onde você pode encontrar alguns textos e conhecer mais da escrita do autor. Aproveite também e siga o Coisas do Pedro nas redes sociais: Instagram |  Youtube.

Citações #79 — Storia di chi fugge e di chi resta

A cada volume da tetralogia napolitana que eu leio (e, infelizmente, agora já estou no último) o encantamento por essa história só aumenta. 

Do penúltimo livro — sempre com o lembrete de que este post pode conter spoilers — muitos trechos interessantes ficaram de fora da resenha. Compartilho aqui o que ficou para trás, com tradução minha e os originais ao final do post.

Em Storia di chi fugge e di chi resta, assim como nos demais volumes desta tetralogia, a autora consegue imprimir em sua escrita uma interessante visão da vida e do mundo que retrata, nos fazendo refletir, por exemplo, sobre a dureza do viver e do tornar-se.

“A vida é uma coisa muito dura, Lenù”

“Tornar-se. Era um verbo que sempre me deixara obcecada, mas que só me dei conta pela primeira vez naquela ocasião. Eu queria me tornar, mesmo que soubesse o quê” 

“Eu precisava aprender a me contentar comigo mesma”

“O padre não era uma garantia, nada era uma garantia no feio mundo em que vivíamos”

“Fui muito miserável, muito massacrada pela obrigação de me destacar nos estudos”

Alguns trechos também nos fazem refletir sobre o adoecimento das pessoas, da sociedade, do mundo em que vivemos e, claro, sobre relações igualmente doentias.

“E hoje eu penso assim: não é o bairro que está doente, não é Napoli, é o globo terrestre, é o universo ou os universos”

“Casa comigo para ter uma criada de confiança, todos os homens se casa para isso”

“É uma tristeza a solidão feminina, eu me dizia, é um desperdício esse rompimento uma com a outra, sem protocolos, sem tradição” 

“Você, quanto mais se sente verdadeira e está bem, mais se distancia. Eu, só de cruzar o túnel da avenida, já me amedronto”.

“A nova carne vive repetia a velha por jogo, éramos uma cadeia de sombras que entrava em cena com a mesma carga de amor, de ódio, de vontades e de violência”

“Nunca mais, nunca mais moveria um dedo por ninguém. Parti, fui me casar”

Aliás, como eu sempre acabo destacando, as relações humanas são extremamente centrais nesta narrativa e neste volume não seria diferente. Os relacionamentos, as amizades e a família ganham ainda mais destaque ao longo das páginas.

“Um homem, exceto pelos loucos momentos em que você o ama e ele te penetra, fica sempre fora”

“Nos tornamos, uma para a outra, fragmentos de voz, sem nenhuma confirmação do olhar”

“Eleonora teria entendido que com o amor não se pode fazer nada, que é insensato dizer a uma pessoa que quer ir embora: não, você tem que ficar”

“Pietro, em suma, não era capaz de me passar confiança, me olhava sem me ver”

“Nós duas precisávamos de uma nova dimensão, de corpo e, no entanto, tínhamos nos distanciado e não conseguíamos mais nos entregar”

Por fim, um tópico que gostaria de ressaltar é o da metalinguagem: a escritora que fala sobre escrita e sobre esse universo, numa ótica, mais uma vez, bem interessante.

“Disse que a face repugnante das coisas não era suficiente para escrever um romance: sem fantasia não parecia uma coisa verdadeira, mas uma máscara”

E aí, gostou desses trechos? Se quiser conferir os originais, basta ler este post até o final. E se quiser saber mais sobre o livro como um todo, vem ler a minha resenha:

Trechos originais (na ordem em que aparecem neste post)

“La vita è una cosa molto brutta, Lenù”

“Diventare. Era un verbo che mi aveva sempre ossessionata, ma me ne accorsi per la prima volta solo in quella circostanza. Io volevo diventare, anche se non avevo mai saputo cosa”

“Dovevo imparare ad accontentarmi di me”

“Il prete non era una garanzia, niente era una garanzia nel brutto mondo in cui vivevamo”

“Ero stata troppo miserabile, troppo schiacciata dall’obbligo di eccellere nello studio”

“E oggi la vedo così: non è il rione a essere malato, non è Napoli, è il globo terrestre, è l’universo, o gli universi”

“Mi sposa per avere una serva fidata, tutti gli uomini si sposano per questo”

“È un dispiacere la solitudine femminile delle teste, mi dicevo, è uno sciupo questo tagliarsi via l’una dell’altra, senza protocolli, senza tradizione”

“Tu tanto più ti senti vera e stai bene, quanto più ti allontani. Io, se solo passo il tunnel dello stradone, mi spavento”

“La nuova carne viva ripeteva la vecchia per gioco, eravamo una catena di ombre che andava da sempre in scena con la stessa carica di amore, di odio, di voglie e di violenza”

“Mai più, mai più avrei mosso un dito per nessuno. Partii, andai a sposarmi”

“Un maschio, a parte i momenti pazzi in cui lo ami e ti entra dentro, resta sempre fuori”

“Diventammo l’una per l’altra frammenti di voce, senza nessuna verifica dello sguardo”

“Eleonora avrebbe capito che con l’amore non c’è niente da fare, che è insensato dire a una persona che vuole andare via: no, devi restare”

“Pietro insomma non era capace di darmi fiducia, mi guardava senza vedermi”

“Avevamo entrambe bisogno di nuovo spessore, di corpo, e tuttavia c’eravamo allontanate e non riuscivamo più a darcelo”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

Catarina — Bruna Paquier Cestari

Título: Catarina: bolos, amores e outras delícias. 
Autora: Bruna Paquier Cestari
Editora: Publicação independente
Páginas: 32
Ano: 2021

Sinopse

Catarina era uma garota como todas as outras. Ou pensava ser até o dia em que os sentimentos começaram a crescer em seu peito e ela precisou tomar uma decisão sobre aquela garota. É claro que o melhor jeito de tirar tudo isso à limpo era com morangos, conversas e muitos deslizes. Não tinha como dar errado… tinha?

Resenha

Qualquer pessoa que conviveu minimamente comigo no último ano deve desconfiar porque eu não poderia deixar de me interessar por esse título.

Comecei a leitura, porém, sem saber muito o que esperar. E me surpreendi com uma leitura rápida e leve, ainda que tenha seus momentos de tensão e traga uma temática nem sempre fácil de retratar.

“Não havia dúvidas, Catarina tinha o pior dos males”

Catarina, como qualquer adolescente, só queria ser uma garota normal. Mas nada em sua vida era simples assim. Nem mesmo sua casa era exatamente uma casa: Catarina vivia em um abrigo.

“No fim, Catarina só queria ser normal, tirar notas boas como seus colegas, brincar na quadra antes de voltar para casa e, principalmente, gostar de algum menino”

O seu maior problema (e medo), no entanto, foi perceber que gostava de meninas. Mais do que isso: que sentia algo por Nina, a linda garota que sentava atrás dela na escola.

“Aqueles sentimentos a levaram para a beirada de um poço profundo de mágoas”

Sem saber se era correspondida ou não — e tendo quase certeza de que não — um dia Catarina reuniu toda a sua coragem — e um punhado de morangos — e decidiu falar com Nina.

“Mas ao mesmo tempo era bom, era muito bom. Queria continuar, queria se jogar naqueles sentimentos, mergulhar nas cores, se pintar de todas elas”

Mas claro que as coisas não poderiam ser fáceis e essa conversa foge totalmente do esperado por Catarina, ainda que ela nem sonhasse em esperar o melhor.

“Agora a menina que inspirava todas aquelas cores, trazia o cinza e o preto”

Como eu disse, a história é bem curtinha (na medida certa), mas escrita de maneira que nos aproxima da protagonista e seus (confusos) sentimentos.

“Já tinha doído muito e temia que fosse doer ainda mais”

Com uma narrativa em terceira pessoa e uma diagramação lindinha, a leitura é bem agradável e vai te propiciar uma boa horinha literária.

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“Ricchione”, palavra made in Nápoles [tradução 35]

Introdução

Ler livros em outras línguas é uma prática um tanto quanto interessante: ao mesmo tempo em que nos permite entrar em contato com uma obra em seu original, também nos permite aprender muito, seja sobre uma cultura, seja sobre seu vocabulário.

Foi assim que, lendo Storia di chi fugge e di chi resta, me deparei com o termo “ricchione” e, mesmo tendo entendido seu significado — ainda que nunca tivesse visto essa palavra antes — resolvi pesquisar sobre ele, encontrando o texto que trago para a tradução de hoje.

Você pode ler o artigo original, escrito por Chiara Cepollaro, em janeiro de 2016, aqui, no site Vesuvio Live.


Tradução

Frocio, finocchio, culattone e inúmeras variações que surgem devido às transformações dialetais da palavra. Se trata, como bem sabemos, de gírias, usadas de maneira pejorativa e ignorante para definir pessoas homossexuais. De domínio nacional, hoje em dia existe, porém, a palavra ricchione, de exportação napolitana, mas difundida em muitas cidades do Norte.

Qual é, exatamente, a origem do vocabulário? O termo tem suas raízes em contaminações linguísticas ocorridas ao longo da história, principalmente durante os períodos de dominação estrangeira, quando a língua falada pelo povo mudava e evoluía de acordo com o ambiente ao seu redor, do qual absorvia palavras que facilitavam a comunicação.

Isso, no entanto, implica um certo grau de incerteza, inclusive por parte dos próprios linguistas, sobre a proveniência específica do termo. Existem diversas hipóteses, sendo algumas mais valorizadas que outras. Vejamos:

Os Conquistadores. Depois de passar um período na América do Sul, os Conquistadores espanhóis que chegavam ao porto de Nápoles, imitando os homens poderosos das tribos Incas, usavam grandes brincos nos lóbulos, para dilatá-los, alargando a orelha. Além disso, o fato de que haviam passado muito tempo no mar, longe, portanto, de mulheres, fazia com que as pessoas pensassem em um período no qual eles tivessem “se arranjado” entre si, tendo relações homossexuais. Assim, portanto, “ricchioni”, de “orelhas grossas” (orecchie grosse).

Uma variante desta hipótese, por outro lado, identifica a palavra “ricchione” no cruzamento de duas palavras: recchia (orelha em napolitano) e Maricòn (homossexual em espanhol).

Uma hipótese próxima é que a palavra derive de Orejon (em espanhol, orelha grande): quando os conquistadores chegavam em Nápoles, contavam histórias da cultura Inca e, entre elas, havia o costume, entre os homens nobres, a fim de exercitar seu poder com virilidade e longe das tentações da carne, de ser castrados desde pequenos. Esses últimos, além disso, usavam na orelha grandes brincos que notavelmente dilatavam os lóbulos. Um outro costume típico era o de polvilhar pó de ouro sobre as orelhas desses homens, nascendo daí o modo de dizer “tené ‘a povere ncoppo ‘e rrecchie”, que faz referência ao fato que a pessoa de quem falamos é homossexual.

Longe dessas hipóteses hispânicas se coloca aquela em que o termo deriva de um verbo calabrês: arrichià, que significa literalmente ad-hircare, ou seja, andar em direção ao bode. Desejar o bode. Na natureza, a cabra arricchia, ou seja, deseja o bode, portanto…

Uma última explicação poderia vir de uma crença popular enraizada na qual acredita-se que a caxumba, a doença, pudesse tornar impotente o homem que a contraísse e, consequentemente, “não adequado” à reprodução: “nun è buono”, muitos diriam ainda hoje. Daqui a associação aos homossexuais, esses também “inadequados” à reprodução, mesmo que por outros motivos.

Seja como for, as várias hipóteses se cruzam entre si, com referências parecidas e que se combinam. Contudo, as palavras nascem por evolução natural da cultura, sem conotações negativas. Estas últimas chegam quando os termos são contextualizados, utilizados em uma realidade que constrói, sozinha, a identidade da palavra. Cada palavra é, por assim dizer, neutra. Somos nós que conferimos a ela um significado ou outro, um sentido positivo ou negativo que, na realidade, antes não existia.

Conclusão

E aí, o que achou desse texto? 

Para mim, é de extrema importância o adendo feito ao final: muitas palavras são neutras, nós é que atribuímos sentidos positivos ou negativos a elas.

Foi estranho traduzir esse texto porque, mesmo achando-o muito interessante, deu muito medo de escolher termos ruins para a tradução, colocando justamente palavras negativas aqui.

My way to you — Tayana Alvez

Título: MY WAY TO YOU: As cenas deletadas de Novato e Pimentinha e Golden Boy e Baixinha 
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 26
Ano: 2023

Sinopse

Bem-vindas de volta, Marias Pit Stop!

– Nesse livreto você vai encontrar uma cena deletada de cada um dos seus romances de automobilismo favoritos!

– Novato e Pimentinha aquecem nosso coração uma vez mais, e Baixinha e Bad boy prontos para nos deixar bem na porta da terapeuta.

Aproveitem esse presente e Feliz Natal

Resenha

Não basta a Tayana Alvez ser uma escritora maravilhosa, ela ainda tem que presentear seus leitores!

Em My way to you temos a oportunidade de ler duas cenas deletadas: uma de O caminho que me leva até você e outra de Better than revenge, os dois livros lançados pela autora em 2023, com Fórmula 1 de pano de fundo e muitos, muitos sentimentos envolvidos.

Mas atenção: se você ainda não leu nenhum desses dois livros, está correndo o sério risco de se apaixonar e ir correndo querer ambos (e a Tayana não paga a sua terapia, vale lembrar!).

“A verdade é que as coisas que acontecem com você não definem quem você é”

E se você já leu… Por que não matar um pouco da saudade, né? Nunca é demais!

Se bem que, devo confessar, essas 26 páginas ainda deixam gostinho de quero mais… Quero muito mais!

“Então guardo tudo para mim, mesmo sabendo que ser uma pessoa que agrada todo mundo é, no mínimo, cansativo”

É impressionante com em tão poucas páginas a Tayana consegue entregar tanto. E se você não acredita nas minhas palavras, é só clicar abaixo e conferir com os seus próprio olhos!

* Lembrando que qualquer compra feita na Amazon a partir dos links postados neste Blog, irá gerar uma comissão para este espaço, sem custo algum para você, ou seja, todos saem felizes nesta história (:

Citações #78 — Resilientes

Ano passado li diversas obras com protagonismo LGBTQIA+ e, dentre elas, estava a antologia Resilientes, organizada pela Se Liga Editorial e publicada em 2019.

Ao longo da resenha, comentei que a pluralidade se faz presente nesta obra não apenas nos personagens, mas também nos gêneros e temáticas que ela traz.

A começar, claro, pelos relacionamentos humanos. As histórias falam muito de amor — e seus lados bons e ruins —, mas não só.

“Afíba não distinguia suor de lágrima. Em pé no ônibus, se entortava para apoiar a cabeça no ombro de Tom, que, ignorando a sauna humana que era o amigo, se deixava abraçar, repetindo a frase que vinha recitando durante o percurso até a rodoviária no centro do Rio de Janeiro: — Migo, vai ficar tudo bem. Ele não te merecia”

(A sétima onda — Juan Julian)

“Vidas que se tocam em algum momento, cujas órbitas se afastam naturalmente”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Te amar foi vermelho – um ardente vermelho”

(Colorido — Luke Marcel)

“Aprendi que o amor não precisa machucar para ser recíproco, que não precisa queimar para ser bom e nem sangrar para ser verdadeiro”

(Colorido — Luke Marcel) 

“Mas, sinceramente, acho que só comecei a entender de coração partido quando descobri que a frase ‘eu te amo’ pode ser uma arma usada somente para conseguir algo de alguém”

(Essência — Marta Vasconcelos)

“É engraçado como a linha entre amor e ódio é tênue”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

A dor — em suas diversas formas e intensidades — também marca uma notável presença ao longo das páginas.

“Havia muito, Ana observava o mundo com olhos gelados. Não se importava com ninguém, só vagava solitária, tendo a dor como única companheira”

(Setembro — Maria Freitas)

“Por que tanta dificuldade em entender o outro? Se alguém diz que está sofrendo, dê a mão, faça um café, ofereça ajuda”

(Setembro — Maria Freitas)

“A dor muda criaturas diferentes de formas diferentes, ela dizia quando eu a questionava”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Será que existe um lugar para onde vão as palavras não ditas, ou elas ficam eternamente machucando e se remoendo dentro de nós?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Alguns trechos já apontam outro assunto que não poderia faltar nesta antologia: a solidão.

“Também… Mas o que me mata é a solidão. É falar e ninguém ouvir”

(Setembro — Maria Freitas)

“O pôr do sol que vi sem a sua companhia mostrou-me o quanto uma cor quente pode ser fria e solitária”

(Colorido — Luke Marcel)

E alguns contos fazem um importante questionamento sobre quem realmente está ao nosso lado.

“Você alguma vez já parou para se perguntar se esses seus amigos vão estar ao seu lado no momento mais difícil da sua vida?”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Se minha família não me apoia, como esperar que os outros o façam?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Lembrando, também, que não podemos viver pelos outros (e deixar de viver).

“Depois que você morre, não dá mais para viver”

(Setembro — Maria Freitas)

“Enxerguei através dos seus olhos tudo o que eu não era e tudo aquilo que nunca poderia ser. E acho que isso me atraiu”

(Colorido — Luke Marcel)

“Mandou eu me cuidar, porque não faria isso por mim”

(Colorido — Luke Marcel)

“A única coisa que eu sei é que você nunca vai se perdoar se não escolher a sua felicidade”

(Instituto Santa Bárbara — Thalyta Vasconcelos)

“Não gosto de causar transtorno às pessoas, nem de magoá-las, decepcioná-las, mas não está dando para fugir disso nos últimos meses”

(Matéria de capa — Dane Diaz)

“Feio é você deixar de ser feliz, com medo do que os outros vão pensar”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Você não pode viver sua vida tentando enganar a eles e a si mesmo. Não é justo com eles e não é justo com você”

(Certezas — Rafaela Haygett)

O conto Colorido foi um dos que mais chamou minha atenção, por usar as cores para falar dos sentimentos.

“De todas as cores que conheço, a rosa foi a que mais me aterrorizou”

(Colorido — Luke Marcel)

“O meu desejo foi vermelho em todos aqueles dias que passei sentindo a sua falta”

(Colorido — Luke Marcel)

“Amarelo foi a luz que enxerguei no dia em que resolvi me assumir, finalmente deixando aquele armário escuro e assombrado”

(Colorido — Luke Marcel)

Mas esta não foi a única história na qual a arte se fez presente.

“Tudo ao seu redor era construído, nada era real, nada era palpável”

(Pintura na parede — Luciana Cafasso)

“Tem a sensação de poder conhecer o mundo por trás de cada pincelada, por trás de cada escultura”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Em suma, Resilientes é uma antologia que fala sobre sentimentos, caos, dores, amores, lembranças, momentos, preocupações…

“Tem um monte de coisas que você não sabia. A culpa é minha por não ter conseguido te contar”

(Debaixo da chuva — T. S. Rodriguez)

“Tudo nela era caos e tudo em mim foi atraído para o seu redemoinho”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Tudo o que me restou foram os momentos ruins”

(Colorido — Luke Marcel)

“Não sei se o destino existe, mas, se sim, ele é muito irônico”

(Girassóis — Beatriz Avanci)

“Sabe quando você alimenta um sonho, mas, quando ele se realiza, parece que alguma coisa está fora do lugar?”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

“Realmente odiava como podia me preocupar com as mínimas coisas por nada”

(Certezas — Rafaela Haygett)

“O jovem sente um cansaço de tudo, está enfadado da mesmice dos dias, da vida, dos amigos, dos projetos… Enfim, da existência humana”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Se você se interessou por esses contos, clique abaixo para saber mais.