Better than revenge — Tayana Alvez

Título: Better than revenge 
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 482
Ano: 2023 

Sinopse

Fã e Ídolo – Age Gap – Vingança – Haters to Lovers

Aqui vai uma notícia sobre anéis de papel: eles são frágeis e ingratos — não resistem ao fogo, à água ou a mentiras.

Multicampeã do cenário automobilístico, Alyson Sawyer precisa agora se provar digna das pistas de Fórmula 1. Com uma boa relação com o chefe e uma equipe preparada para o campeonato, não deveria ser tão difícil — se não fosse pela existência de Juan Hernandez, seu companheiro de equipe e uma parte crucial de um passado que ela gostaria de manter morto e enterrado.

Focado em conquistar o seu tricampeonato, Juan não contava que a presença de Alyson – por quem ele jurava de pé junto nutrir apenas ódio e desinteresse – fosse o desestabilizar tanto. Atormentado pelas lembranças do passado e por sentimentos conflitantes, Juan está disposto a fazer o necessário para se vingar da “Mentirosa Desgraçada” que quase acabou com sua carreira seis anos antes — Alyson, no entanto, não está disposta a tornar isso fácil.

Convivendo como fogo e gasolina, e prestes a entrar em combustão em meio a uma temporada eletrizante, a disputa entre os dois deixará as pistas e alcançará espaços que deveriam manter-se esquecidos, reacendendo uma chama que os fará questionar se existe algum sentimento mais forte do que o desejo de vingança.

Resenha

Para fãs de Taylor Swift e/ou de Fórmula 1, este livro é um prato cheio. Mas se você, assim como eu, não liga muito para uma coisa nem outra, não se preocupe: este livro também pode ser para você.

“E bem, na minha história, eu sou a vilã”

O livro se passa no presente e no passado e é narrado de maneira alternada, em primeira pessoa, pelos dois protagonistas: Alyson e Juan.

“Esse é o ponto engraçado sobre as memórias, você nunca se lembra das coisas que aconteceram, só se lembra de como acredita que elas aconteceram”

Já no prólogo, conhecemos a Alyson do presente e descobrimos que desde a adolescência ela sonha em pilotar carros de Fórmula 1. E que aquele é o momento dela realizar o seu quase impossível — e a história nos mostra todos os porquês — sonho.

“Vou ser a primeira mulher a pilotar um carro realmente competitivo de Fórmula 1”

Em seguida, temos a oportunidade de conhecer um pouco do Juan de hoje. E então fica ainda mais evidente um detalhe: ele e Alyson têm algum problema um com o outro e essa história não é de hoje.

“Não existe ‘um passado’ quando se trata de vocês. Nem aqui. Nem lá fora. E, principalmente, não para a mídia”

É claro que queremos muito entender o que aconteceu no tal passado desses dois, mas também é evidente que a autora não nos entregaria essa informação de bandeja.

“Por mais que eu saiba que algo está acontecendo dentro de mim, não vou deixar Alyson me quebrar de novo. Ainda assim, talvez ela mereça saber”

De qualquer forma, a leitura nos enfeitiça não apenas por esse detalhe, mas também por ser — como sempre — maravilhosa. Leve e tensa na medida certa. Cheia de altos e baixos, de sentimentos, de detalhes que surpreendem. 

“Você não pode ter amigos na Fórmula 1 e não pode contar com ninguém de dentro do esporte, nem mesmo com o seu chefe”

As informações que tanto queremos nos vão sendo dadas aos poucos e o quebra-cabeça, pouco a pouco, vai se formando diante de nós. Além disso, é muito interessante como, quando recebemos uma resposta, milhares de outras questões se formam e não nos resta alternativa a não ser seguir lendo.

“Relembrar esse momento, esse pedacinho de vida tão mágico e tão meu, traz à tona aquela ínfima parte de mim que nunca vai se arrepender de ter se apaixonado por ele, e isso dói”

As músicas da Taylor não estão ali meramente para abrir os capítulos: elas fazem parte da narrativa construída e são uma parte importante da Alyson também.

“Minha coisa favorita sobre Alyson Sawyer é como ela me trouxe de volta à vida”

Por falar na Alyson, apesar de ser uma pessoa toda cheia de luz, toda iluminada e toda conquistadora de seus sonhos, ela ainda é um ser humano como qualquer outro e comete erros. Inclusive aquele de seis anos antes.

“Das três pessoas sentadas ali, eu era a última a querer pensar no que aconteceu naquele inverno”

Contrariando muitas expectativas, Juan, apesar de ser o bad boy da história, é a pessoa que, nesta narrativa, erra, mas também sofre imensamente com os erros dos outros. O cara com um coração imenso, com uma família linda, com sonhos fofos.

“Porque bad boys até superam, mas não perdoam”

E assim vamos nos apegando a esses dois que, cada um a seu modo, são encantadores, reais e inesquecíveis.

“Me odeio pelo dia que o deixei entrar na minha cabeça, no meu coração, no meu corpo”

Com eles, viajamos por diversos circuitos de Fórmula 1 e aprendemos um pouco mais sobre o funcionamento desse universo, sobre suas dificuldades e também sobre suas alegrias.

“Estar aqui é um sonho, porque a gente sempre é incentivado a chegar aqui”

Claro que a Alyson também nos faz refletir sobre a presença feminina em esportes automobilísticos, ainda tão dominados pelo machismo.

“Onde homens dominam, caras medíocres valem mais do que mulheres incríveis”

E sobre sonhos e suas realizações.

“O que você diria para um jovem que tem um sonho muito maior do que as perspectivas permitem?”

Por outro lado, Juan tem muito a nos mostrar sobre vulnerabilidade.

“Preciso não estar sozinho agora. Não ser a única pessoa no mundo que sofre ou carrega uma dor”

E sobre as mais diferentes formas de amar.

“Mas ela não faz ideia do quão insuportável é se esforçar para odiar alguém que você já amou”

A diagramação da obra torna a obra ainda melhor: ela é simples, mas pensada em cada detalhe e possibilitando uma legibilidade confortável e agradável.

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TAG Natal literário

O natal já está praticamente à porta e eu não poderia deixar de trazer aqui uma TAG temática. Então se você gosta dessa festividade e de livros, não deixe de ler até o fim.

Achei a TAG no Blog Início de Conversa e você pode ver o post original aqui.

Vamos às minhas respostas?


Natal dos Sonhos: um livro que se passe na cidade ou país onde você gostaria de comemorar o Natal.

A verdade é que o único lugar que eu gostaria de comemorar o natal é onde minha família estiver, mas sendo uma apaixonada pela Itália, não posso deixar de imaginar como seria passar um natal por lá. Então para esta categoria, escolho o livro Andata e Ritorno, da Bianca Polinari.

Árvore de Natal: um livro que tenha iluminado seu ano.

Um livro que iluminou meu ano foi Os olhos claros do pássaro, da Valéria Macedo. Um livro que entrou em minha vida totalmente por acaso e que foi um prazer poder conhecer e apreciar.

Pisca-pisca: um livro com assunto LGBT.

Esse ano foram diversos lidos com essa temática, mas não posso deixar de mencionar aqui que finalmente li Conectadas, da Clara Alves, e que agora entendo porque é um livro tão querido!

Papai Noel: um livro que você gostaria de dar de presente pra todo mundo.

O livro que eu gostaria de dar de presente para todo mundo é um livro que eu também ganhei de presente: Lost in translation, de Ella Frances Sanders.

Presente: um livro que você quer muito ganhar de presente.

Sacanagem essa, hein? Mas qualquer um da minha wishlist, claro!

White Christmas: um livro com a capa branca.

Acho que o livro com a capa mais “branca” que li esse ano foi Dolls, da A. S. Victorian.

Bengalas Doces: um livro com a capa candy color.

Não sei se entra exatamente em “candy color”, mas acho que posso citar Romance Concreto, da Aimee Oliveira aqui, né?

Roberto Carlos: um livro que você gostaria de ler pelo menos uma vez por ano todos os anos.

Não sou muito de ler e reler o mesmo livro, principalmente com a falta de tempo dos dias de hoje. Mas já fiz isso com A princesinha, de Frances Hodgson Burnett e provavelmente faria de novo.

Chocolate Quente: um livro que trouxe um calorzinho no coração.

Qualquer um da Tayana Alves, sem dúvidas, porque eles sempre me trazem um calorzinho no coração. Esse ano li O bebê (quase) inesperado, O caminho que me leva até você e Better than revenge (que em breve será resenhado!).

Voando em Renas: um livro que te fez acreditar no impossível.

Cito aqui Por um triz, da Laís Corrêa. Porque além de me fazer acreditar que as pessoas podem mudar (para melhor), me fez sonhar com o mais impossível ainda: um final feliz para essa história.


Gostou da TAG? Quais seriam as suas respostas?? Me conte nos comentários ou manda o link das suas respostas!

Citações #77 — As luzes em mim

Despretensiosamente, As luzes em mim, de Roberto Azevedo,  foi me conquistando ao longo da leitura. Foram muitos fatores que contribuíram para isso e hoje trarei alguns aqui, para além daquilo já mencionado na resenha

Uma das coisas que mais gostei, por exemplo, foi a presença das cores na narrativa. 

“Utilizar as cores que não pode mais ver para se curar”

“Qual seria a cor do fim?”

E a presença delas é ainda mais interessante quando pensamos que o protagonista perdeu a visão quando era apenas uma criança.

“As luzes dentro de Marcos já não são as mesmas”

E claro que esse acontecimento molda sua vida, mexendo com seus sentimentos e seu crescimento, impondo muita solidão ao protagonista, algumas dores, mas também alegrias e descobertas.

“Nunca na vida, Marcos se sentiu tão só”

“Os sentimentos puros e recíprocos, quando existem, simplesmente transparecem”

“A felicidade, às vezes, constrói falsos escudos, onde o mundo parece perfeito”

“A dor é mais persistente do que qualquer tentativa de ser forte”

“Só quer que esse sentimento dure para sempre, livre de rótulos. Só deseja amar e seguir amando”

A narrativa também fala muito sobre preconceito e sobre como enxergamos aquilo que é diferente.

“Os jovens, às vezes, inventam desculpas estranhas para as coisas que não conseguem entender…”

“Não quer mais ser atingido pelo mundo que o julga”

Para além das cores, a música é outra arte que se faz presente nesta história, tendo um importante papel.

“Assim como Marcos, que desde muito pequeno amava desenhar, Maurício amava a música e achava aquele instrumento o mais lindo de todos”

“A música os envolve, criando um mundo único e especial, onde nada importa ou é proibido”

Se você se interessou por As luzes em mim, leia a resenha completa clicando no post abaixo.

A vingança é verde esmeralda — Renata De Luca

Título: A vingança é verde esmeralda 
Autora: Renata De Luca
Editora: Publicação independente
Páginas: 240
Ano: 2023

Sinopse

“Eu morri! Por isso, vocês estão assistindo a este vídeo. E não tenho dúvida, embora não possa provar, de que fui assassinada pelo meu marido.”

A mulher que acusa o marido de feminicídio é a Princesa Nabilah, jovem esposa do bilionário Sheik Raed. O vídeo viraliza na internet e se transforma num escândalo planetário.

Mas onde está o corpo? E se ela não morreu, como e por que sumiu levando uma esmeralda rara? A busca por Nabilah — viva ou morta — e pela joia valiosíssima é o fio condutor da história que tem como pano de fundo a violência contra a mulher.

Raed, o marido poderoso, nega as acusações, diz que é vítima da mente doentia da esposa. Jamile, tia da Princesa, tenta provar o contrário. Para isso, se une ao detetive Michel Blum (que está de olho na esmeralda) e Simone, influencer com milhões de seguidores.

A trama viaja pelo Oriente Médio, Europa e Brasil num enredo cheio de reviravoltas, em que os personagens usam a imprensa e as redes sociais para criar fatos e desenvolver estratégias.

Resenha

Você já ouviu falar na Estrela do Cerrado?

Trata-se de uma jóia raríssima e extremamente cobiçada, que pertencia a Luli de Almeida Leal, até o seu roubo milionário, contado nesta história aqui, que se passa no Carnaval de 2014.

Em A vingança é verde esmeralda, a tal joia entra em cena novamente, numa narrativa ainda mais eletrizante, que envolve a fuga de uma princesa, a acusação de violências cometidas por um sheik e muita sede por justiça.

“O Sheik não seria eternamente dono da minha vida e, muito menos, senhor da minha morte”

Logo no início desta narrativa ficamos sabendo que a princesa Nabilah fugiu de seu marido, o sheik Raed. E ainda lançou um vídeo bombástico que o acusa de mata-la, após toda a violência já sofrida durante o casamento deles.

“Era melhor arriscar ser pega do que aceitar morrer em vida, um pouquinho a cada dia”

Assim que descobre a fuga, Raed e Khalil — seu primo, chefe de guarda e fiel escudeiro — iniciam as buscas por Nabilah — viva ou morta —, para que toda essa história acabe e o sheik recupere o seu status (e a sua tão preciosa joia). 

Mas os dois jamais poderiam imaginar que Nabilah e sua tia Jamile seriam capazes de uma fuga tão bem arquitetada e que, mais ainda, elas encontrariam pelo caminho pessoas dispostas a salvá-las da garra do sheik.

“A cada dia que passa Raed fica mais perplexo com o nível de sofisticação da esposa vingativa”

É assim que entram em cena, aos poucos, personagens conhecidos a quem já leu A estrela do Cerrado.

“É incrível como a Estrela do Cerrado acaba sempre cruzando o seu caminho num emaranhado de coincidências e mulheres extraordinárias”

Em A vingança é verde esmeralda reencontramos Simone, Michel, Jean-Luis, Danilo e outros tantos personagens, cuja aparição aqui não será muito detalhada para evitar spoilers.

“O fato é que o limite entre informação relevante ou não se estreitou bastante”

As aventuras e desventuras desta narrativa nos levam a alguns países europeus, ao Oriente Médio e, claro, ao Brasil

“— Às vezes as coisas ficam nebulosas, incompreensíveis mesmo. Mas nem por isso devemos abandonar o nosso caminho”

Numa trama repleta de altos e baixos, é difícil não ficar com o coração na mão: a história coloca em evidência assuntos como a violência sofrida por tantas mulheres, a ganância do ser humano e também alguns assustadores momentos do início da pandemia do coronavirus.

“Esse é um dos muitos problemas dessa doença perversa, menina, ela pode matar ou dar uma derrubadinha. Nunca se sabe, é aleatória e apavorante”

O ritmo da história é intenso, uma vez que além de trazer cenas dignas de thrillers cinematográficos, os acontecimentos duram cerca de uma semana. Não há tempo a perder, em nenhum dos lados desta narrativa.

“Percebe a urgência e a apreensão; sente a fragilidade do ser humano diante do inesperado”

Além disso, contando com tantos núcleos e personagens importantes para o desenrolar dos fatos, A vingança é verde esmeralda é narrada em terceira pessoa, nos possibilitando enxergar o todo dos acontecimentos.

A diagramação é bem simples, mas sequer conseguiríamos prestar atenção nela, uma vez que a história nos coloca em uma espiral de acontecimentos que nos suga para muito além das linhas dispostas no papel (ou melhor, na tela do leitor digital). 

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Inizio

Hoje finalmente dou início a um novo espaço aqui no blog.

“Finalmente” porque era algo que eu já tinha tinha vontade de fazer, mas sempre deixava para lá e cujo desejo aumentou com minha participação em um desafio de escrita em italiano que já acabou há mais de um mês (e cujos textos — ao menos alguns — provavelmente aparecerão por aqui).

Textos perdidos será uma coluna em que escreverei textos bem livres, sobre aquilo que povoa minha mente. Mas com um detalhe em especial: os textos serão em italiano. 

A ideia é deixar que algumas palavras que me habitam ganhem vida e, ao mesmo tempo, praticar o meu italiano.

Não haverá tradução. O objetivo aqui não é ser necessariamente compreendida, apenas escrever. Portanto, só este primeiro post será nos dois idiomas. 

Espero que goste e que, quem sabe, este espaço desperte a sua curiosidade para a lingua italiana.


Oggi finalmente apro un nuovo spazio qui nel blog.

“Finalmente” perché questo era qualcosa che avevo la volontà di fare, ma sempre lasciavo per dopo e il cui desiderio è cresciuto con la mia partecipazione in una sfida di scrittura in italiano che è già finita da un mese (e i testi che ho scritto lì — almeno alcuni — probabilmente appariranno qui).

Testi sperduti sarà una rubrica nella quale scriverò dei testi liberi, su quello che c’è nella mia mente. Ma con un dettaglio: i testi saranno in italiano.

L’idea è dare vita alle parole che esistono dentro di me e, allo stesso tempo, praticare il mio italiano.

Non ci sarà la traduzione. L’obbiettivo qui non è essere necessariamente capita, soltanto scrivere. Così, solo questo primo post sarà nelle due lingue. 

Spero che ti piaccia e che, chi lo sa, questo spazio faccia nascere in te una curiosità sulla lingua italiana.

Como se fosse a casa — Ana Martins Marques e Eduardo Jorge

Título: Como se fosse a casa (uma correspondência) 
Autores: Ana Martins Marques e Eduardo Jorge
Editora: Relicário
Páginas: 48
Ano: 2017

Sinopse

Durante um mês, a poeta Ana Martins Marques alugou o apartamento do amigo e também poeta Eduardo Jorge, que viajara para a França. O imóvel fica na região centro-sul de Belo Horizonte, no edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer em 1952. Enquanto viveu ali, a inquilina trocou e-mails com o locador. As mensagens, de início, abordavam questões meramente práticas. Mas, depois, se converteram em uma troca de poemas sobre o permanecer e o partir, o morar e o exilar-se, o familiar e o estranho. Um dos méritos do livro está no fato de que ambos os poetas, apesar de escreverem a partir das provocações e evocações poéticas apresentadas pelo outro, não estabeleceram uma relação simbiótica, de perda da identidade em direção a uma linguagem comum e a uma síntese estilística. Ao contrário, a singularidade de cada um foi plenamente mantida, percepção confirmada pelo poeta Ricardo Aleixo, autor do texto de orelha da obra: “Ana e Eduardo conseguiram a proeza de compor uma obra que não apaga nem relativiza as diferenças estilísticas entre ela (sua rara aptidão para o manejo da camada fônica da palavra, com especial destaque para a composição de frases de diferentes extensões) e ele (a imageria algo desorbitada e o gosto pelas ousadas torções sintáticas)”.

Resenha

Há um ditado popular que diz que os menores frascos guardam os melhores perfumes. O que será que guardam os menores livros?

Difícil fazer generalizações, ainda mais quando falamos de literatura, mas livros pequenos podem conter grandes histórias , reflexões, aprendizados.

“Duas pessoas dançando

a mesma música

em dias diferentes

formam um par?”

Como se fosse a casa nos traz uma troca de correspondências entre dois poetas: Ana Martins Marques e Eduardo Jorge. 

Troca essa que podemos notar não apenas pela própria diagramação da obra, que utiliza cores de página diferentes para cada um, mas também pelo estilo de escrita deles.

“Ensinam algo

as estrelas

sobre a distância

algo sobre o pequeno atraso

a pequena demora

que é a leitura”

Um livro pequeno, fino, extremamente leve e de leitura confortável. Diagramação simples (o que não significa que não tenha sido extremamente pensada) e conteúdo complexo.

“Devem existir palavras apropriadas

para cada lugar”

Sem palavras rebuscadas, os versos contidos nesta obra nos transportam por uma deliciosa viagem entre o mundo palpável e aquele das ideias.

“(Conhecerão também as coisas

o cansaço?)”

Essa é uma daquelas leituras para se fazer quando precisamos desacelerar e, ao mesmo tempo, necessitamos de algo com qualidade, quando buscamos leveza e beleza.

“A cura está no tempo, dizem,

mas, ela pensa, por que não

no espaço?”

Uma obra que em sua breve extensão nos fará transitar entre duas cidades não necessariamente nomeadas e as quais, aos poucos, vão se tornando também nossas.

“moro na cidade explicada

em várias línguas

muitas delas não latinas”

Por fim, gostaria de destacar alguns versos que, infelizmente, ainda são muito atuais e que deixo aqui como uma importante reflexão da necessidade do mundo ainda funcionar assim.

“penso que só sabe da casa

quem precisa atravessar

rapidamente uma fronteira

quem fez sua casa

num país que não o quer”

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Citações #76 — O caminho que me leva até você

Claro que ao longo da leitura de mais uma obra da Tayana Alvez — O caminho que me leva até você, lançado este ano — eu não poderia deixar de destacar inúmeras passagens lindíssimas ou que me fizeram refletir de alguma forma.

Como não foi possível utilizar todos esses trechos ao longo da resenha, aqui vai um pouquinho mais desta história tão especial.

Uma narrativa que nos prende desde o início porque sabemos que há muita coisa no passado dos personagens que queremos descobrir.

“Não queria falar de Daniel para Miyeko. Não queria falar dele para ninguém”

“Lembrar da sensação de ser deixada numa estante pela pessoa que você mais ama na vida é doloroso, e eu engulo em seco”

Um passado coroado por uma linda história de amor…

“Eu e Caroline éramos uma coisa só. Nunca aprendemos a ser metade de algo”

“Estávamos no topo da cidade, mas qualquer lugar ao lado dela era como o topo do mundo”

“Mas é impossível estar perto de Carol Pimenta e não pensar em tudo o que eu gostaria de viver com ela”

Mas também por muita dor.

“Ouvi-la dizendo que me amava, mas não queria mais estar comigo, me destruiu para todas as outras mulheres do mundo e me entregou para a Fórmula 1”

“Só que você não volta para os braços da pessoa que te prometeu um futuro, mas não conseguia nem te oferecer o presente, não é?”

Inclusive, a obra fala muito sobre estar “quebrado” e o quanto isso interfere em nossas relações (principalmente românticas).

“Talvez o amor não compactue com pessoas quebradas tendo seus pedaços ainda mais partidos por quem diz amá-las, afinal”

“— Eu não quero me oferecer a você toda destruída”

A história também fala sobre mudanças (internas e externas).

“Existe um momento muito específico no qual, ainda que quase todas as coisas ao redor continuem iguais, tudo dentro de você muda”

“No entanto, ainda que tudo tenha mudado, nada mudou”

“Algumas coisas nunca mudam”

E sobre amizade.

“Miyeko é minha única companheira nessa estrada, não dá mais para esconder isso”

Talvez já tenha dado para notar como as relações humanas são centrais nesta história. E este é um ponto realmente abordado de várias perspectivas, nos fazendo pensar diversas vezes em como nos relacionamos com o outro.

“Assumir um momento de vulnerabilidade não quer dizer que estou pronta para ser vulnerável o tempo todo”

“A paz que te preenche e diz que, independente do que aconteça, você está segura, simplesmente, não existe”

“Talvez, ser a pessoa que sempre cede no relacionamento não quer dizer que você é resiliente”

“Estar sozinha é ruim. Sempre foi. Mas, aparentemente, sufoca menos”

“É engraçado como algumas pessoas causam sensações e trazem sentimentos mesmo que elas não estejam fisicamente com você”

“Quanta gratidão é necessária para sustentar três anos de relacionamento?”

“Nem sempre um bom diálogo e um abraço resolvem todas as coisas que estão erradas”

“A sensação de impotência não te toma por inteira quando te fazem algo muito ruim. Não, ela te invade no segundo que se percebe que não há nada a ser feito sobre isso. Não porque você não pode, mas porque ninguém se importa o suficiente com a sua dor. Assim, você luta sozinha. Mas, não é uma luta justa”

“— Perdoar o que as pessoas te fazem, Caroline, é mais sobre por que aquilo te afeta do que sobre o que eles estão fazendo”

A tristeza também tem seu espaço ao longo do texto. 

“Era como se ela fosse arte. O tipo mais triste e belo de arte”

“Literalmente, todo mundo é definido pelas experiências que viveu”

Assim como a morte, que está sempre assombrando os personagens.

“Não é o meu trabalho quem define a hora que eu vou morrer ou não, isso é departamento de Deus, do destino…”

E, como não poderia deixar de ser, há boas reflexões sobre o racismo

“Dona Sofia é uma mulher branca e loira, casada com um homem negro e com uma filha negra, se alguém entende o que o racismo pode fazer para quem se ama, esse alguém é ela”

“Não tem nada de bonito vindo do racismo. Não há nada de proveitoso que se origine no preconceito”

Espero que esses trechos tenham despertado seu interesse por esse livro. E se quiser saber mais sobre ele, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo.

Troféu — Leblon Carter

Título: Troféu 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Se Liga Editorial 
Páginas: 208 
Ano: 2023

Sinopse

ELES TERÃO QUE COMPETIR POR UM TROFÉU.

Breno é o gerente de uma pizzaria no shopping; Oswaldo, de uma hamburgueria. Inimigos declarados há muito tempo, eles terão que competir por um troféu durante a semana do consumidor. Enquanto descobrem, em meio a uma guerra de comida, fantasias engraçadas e MUITA tensão sexual, uma paixão reprimida.

Resenha

Que Troféu era um enemies to lovers (ou seja, inimigos que se apaixonam), eu já sabia. Mas não esperava encontrar um protagonista tão reclamão e um “antagonista” tão querido (mesmo o livro sendo narrado em primeira pessoa, o que obviamente significa um olhar enviesado, mas que, por incrível que pareça, não foi tão negativo assim com relação ao coitado).

“Ou o Oswaldo era a pior pessoa que eu conhecia ou era a melhor. Não havia meio termo”

Breno acaba de ser promovido à gerência do Pizza Peels, pizzaria em que trabalha, na praça de alimentação de um shopping, e o momento mais aguardado do ano também chegou: a semana do consumidor.

Nesta semana, as lojas desse centro comercial fazem de tudo para vender muito e, assim, conquistar o troféu oferecido pelo shopping. 

E claro que Breno, querendo mostrar serviço e honrar o seu novo cargo, vai fazer realmente de tudo para se sair vencedor. 

“Eu queria aquele troféu e vencer a semana do consumidor. Só não queria ter que passar por cima dos meus sentimentos por causa disso”

O problema é que, bem ali,  de frente para a pizzaria, está a hamburgueria que Oswaldo gerencia a Queen Burger.

E a rixa da história não é apenas entre Breno e Oswaldo: as chefes deles já possuem uma briga muito mais antiga e esse é um mistério que nós também acabamos querendo entender melhor, o que contribui para não largarmos o livro. 

Ainda que se passe praticamente dentro do shopping, Troféu não deixa de nos lembrar que a cidade de fundo é São Paulo, o que pode arrancar boas identificações para quem conhece bem essa metrópole.

“Morar em São Paulo é entender que, a qualquer horário, de qualquer dia e em qualquer parte da cidade, vai haver dezenas de pessoas desse jeito: se apertando dentro de um ônibus, esperando na fila do banco ou tentando vaga em alguma padaria da Zona Sul”

A história se passa praticamente em uma semana, mas ela é bem intensa. Não só pela competição mencionada, mas também pelos sentimentos que vão aflorando e ganhando vida entre os dois personagens.

“Mas o fato de eu odiar clichês era porque nunca imaginei que fosse acontecer comigo, sabe? O romance fofo, a leveza nos diálogos, as brigas que, geralmente, acabavam em risadas”

Li esta história na edição física, publicada pela Se Liga Editorial e a diagramação dela é simples, mas extremamente confortável de ler e bonita. 

Além disso, o volume conta com o conto Troféu de Natal ao final, o que é uma delícia para quem, assim como eu, ainda não queria se despedir dos personagens. 

No conto, vemos a situação de Breno e Oswaldo já resolvida e temos a oportunidade de passar um natal com eles. Mas será um natal tranquilo? Só lendo para saber!

Aliás, se você se interessou por essa história, já clica no link abaixo para saber mais. Uma leitura que indico para quem está buscando algo mais leve, com a possibilidade de dar boas risadas, mas também surtar um pouco com alguns personagens no caminho.

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Italo Calvino completaria 100 anos em 15 de outubro de 2023 [tradução 34]

Introdução 

Sou apaixonada pela língua Italiana muito antes de saber que a sua literatura é extremamente rica e fascinante.

Quem acompanha este blog tem visto, aos poucos, nascerem as resenhas da tetralogia napolitana, escrita por Elena Ferrante, série pela qual tenho me apaixonado mais a cada dia (e se você ainda não viu, vem aqui ler: volume 1, volume 2, volume 3).

Mas nem só de Elena Ferrante vive a literatura italiana, felizmente. Outro escritor, para citar somente um dentre tantos que merecem atenção é Italo Calvino, que em 2023 completaria 100 anos.

Autor de diversos livros já traduzidos para o português, Calvino tinha um estilo literário plural, tendo escrito de tudo um pouco.

Como este seria o ano de seu centenário, não faltam textos e eventos em sua homenagem e, assim, achei que seria bacana trazer algo para cá.

Em meio às minhas buscas, encontrei este artigo que busca apresentar este autor através de cinco palavras

O post foi escrito por Giusi Chiofalo e publicado em 15 de outubro de 2023 no site Revista Blam. Você pode conferir o texto original clicando aqui.


Tradução

Italo Calvino é um dos escritores mais renomados e importantes da literatura italiana. Suas obras são conhecidas e traduzidas em todo o mundo e incluem romances, ensaios, escritos epistolares, traduções e músicas. Este ano festejamos o seu centenário.

Nascido em Cuba, em 15 de outubro de 1923, de pais italianos¹, passa a infância e a adolescência em Sanremo, durante a época fascista. A Segunda Guerra Mundial abala a sua vida familiar, mas fortifica a índole do escritor, levando-o a um decisivo compromisso político, alimentado pela leitura de Montale, Vittorini e Pisacane.

Italo Calvino: quem era o escritor em 5 palavras

Resistência

Na densa correspondência epistolar realizada ente Calvino e seu amigo de escola, Eugenio Scalfari, o escritor conta a própria experiência na resistência, convidando-o, dentre outras coisas, a votar pela República no referendum de 1946. Partigiano², militante no campo como porta munição, Calvino frequenta a faculdade de Letras de Torino e começa, contemporaneamente, a escrever contos e a colaborar com algumas revistas. A primeira fase da poética de Calvino é ligada ao movimento neorealista, corrente literária pós bélica de caráter antifascista. O primeiro romance A trilha dos ninhos de aranha (1947) tem como protagonista Pin, um menino que vive com a jovem irmã, que é obrigada a se prostituir para ganhar a vida. A história é ambientada exatamente no período da Resistência: “no tempo em que a escrevi, criar uma ‘literatura da Resistência’ era ainda um problema aberto” afirmará mais tarde Calvino.

Fábula 

Na metade da década de 50, Calvino se dedica à reescrita de algumas fábulas italianas populares, corrigindo erros, fazendo algumas modificações, preenchendo lacunas. Segundo o autor, as fábulas são histórias que dizem respeito ao ser humano de maneira universal, uma vez que descrevem a sua passagem pela terra em cada etapa importante e em cada fase dessa passagem: “[as fábulas] são, consideradas em seu conjunto, em suas repetições e no sempre variado leque de acontecimentos humanos, uma explicação geral da vida”. É desse mesmo período a publicação de O visconde partido ao meio (1952), o primeiro volume da trilogia (desconectada) Os nossos antepassados que com O barão nas árvores (1957) e O cavaleiro inexistente (1959), constitui um percurso alegórico dedicado ao homem contemporâneo e inspirado em Orlando Furioso, de Ariosto. Recorrem aqui temas da rebelião juvenil, do sentido da incompletude, da busca pela própria identidade individual e social.

Jogo combinatório

Da pesquisa semiológica e da proximidade com o estruturalismo derivam o conceito calviniano da escrita como jogo combinatório, um tipo de literatura experimental aprendida em Paris, graças à troca intelectual com Queneau e com o grupo literário de OuLiPo (Oficina de Literatura Potencial). As cidades invisíveis (1972) é o romance que mais sofre dessas influências e da prática de uma escrita experimental. Encontramos aqui cinquenta e cinco descrições de cidades imaginárias, divididas em macronúcleos: a cidade e a memória, os sinais, o desejo, os olhos, as trocas, o céu, o nome, os mortos. Calvino se inspira n’As viagens de Marco Polo, e considera o leitor uma espécie de marionete a ser controlado e conduzido a seu bel prazer a lugares extraordinários, que representam cada aspecto da realidade: o livro é “para quem está sempre em outro lugar, para quem quer fugir do congestionamento do passado, do presente e do futuro, que bloqueia as existências calcificadas na ilusão de movimento”.

Literatura 

“Sabe-se que é um autor que muda muito de livro para livro. E justamente por essas mudanças se reconhece que é ele”. Assim escreve Calvino em Se um viajante numa noite de inverno (1979), um dos últimos romances, que amarra em uma única história os incipit de dez narrativas, intercaladas com as reflexões dos personagens, um Leitor e uma Leitura. Trata-se de um livro dedicado, de fato, à leitura, uma espécie de obra-manifesto na qual a experiência estilística e a reflexão hermenêutica encontram uma expressão completa e literária. Mas o volume que condensa o pensamento teórico literário de Calvino é certamente Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas, resultado das aulas preparadas para um curso na universidade de Harvard, em que o autor associa as potencialidades e a plasticidade da palavra a temas só na aparência abstratos: Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade, Multiplicidade e Coerência (somente projetada) são os títulos dos tantos capítulos que compõem o volume, publicado postumamente em 1988.

Fama

Após a sua morte, que aconteceu em 6 de setembro de 1985, alguns amigos de Calvino — entre os quais Natalia Ginzburg, Norberto Bobbio, Lalla Romano, Cesare Segre e Massimo Mila — fundam o prêmio Italo Calvino, que se tornou um dos mais importantes reconhecimentos literários italianos. Em Cuba também foram instituídos prêmios e associações em sua memória. Ainda hoje, ler Calvino é uma experiência iluminadora, não apenas pelo talento no uso da linguagem e a experimentação constante que caracteriza a construção de suas histórias, mas pela capacidade com a qual este autor soube fazer da literatura um instrumento para adestrar o mundo à leveza, “porque leveza não é superficialidade, mas plainar sobre as coisas, não ter pedras no coração”.

Italo Calvino: os primeiros livros para ler e conhecer este autor

  • Il sentiero dei nidi di ragno, Mondadori, 2012
  • Le città invisibili, Mondadori, 2022
  • Se una notte d’inverno un viaggiatore, Mondadori, 2022
  • Lezioni americane. Sei proposte per il prossimo millennio, Mondadori, 2022
  • I nostri antenati, Mondadori, 2023
  • Gli amori difficili, Mondadori, 2023

Notas da tradução

1. A cidadania italiana é de tipo ius sanguinis, ou seja, é considerado cidadão italiano aquele que, independentemente de onde nasceu, tem pais de origem italiana. Por esse motivo, mesmo nascido em Cuba, Calvino é italiano.

2. Os partigiani eram civis que lutaram contra o governo fascista e as posições da Itália na Segunda Guerra Mundial. Uma tradução possível para esta palavra seria “guerrilheiros”.


Conclusão 

Acho que o texto deixa claro a multiplicidade de Calvino, o que contribuiu enormemente para seu sucesso. 

Espero que esta tradução tenha despertado o seu desejo de conhecer o autor (caso ainda não conheça) ou de retomar seu contato com suas obras (caso já tenha lido algo dele).

Aliás, se já leu algo de Calvino, comenta aqui o que foi e o que achou!