Entranhas do amor — Nicc Mello

Título: Entranhas do amor
Autor: Nicc Mello
Editora: Lettre
Páginas: 102
Ano: 2020

Como é que se resenha um livro tão intenso, tão íntimo, tão sincero? Eu, definitivamente, não sei, mas prometo que tentarei dizer algo sobre “Entranhas do amor”, do autor Nicc Mello.

“O amor de menina há de florescer nos sonhos de mulher”

Talvez eu deva começar pelo próprio título da obra: “entranhas” significa, figurativamente falando, a nossa parte mais interior, mais profunda. “Entranhas do amor”, portanto, é uma obra que deveria mergulhar no mais profundo desse sentimento tão infinito e tão complexo.

“Amor é amar”

É isso! “Entranhas do amor” realmente fala com profundidade — e propriedade — não apenas sobre o amor, mas sobre a vida, sobre o que é óbvio e o não tão óbvio assim. Sobre banalidades, mas também sobre questões existenciais.

“Viver era mais importante”

Em alguns poemas os versos são diretos, cortantes. Em outros, são mais amenos. Todos têm um quê de pessoalidade difícil de ignorar. E de sentir. Nicc Mello é um poeta LGBT e também demonstra isso em algumas de suas poesias.

“Amar nunca foi crime”

Queria destacar ao menos uma poesia aqui, mas foi tarefa difícil escolher. No entanto, optei por trazer a vocês “Eu”:

Eu

Sigo só,

na minha companhia.

Estranho é viver

no meio da multidão

Esta obra é o mais novo lançamento da Editora Lettre e, outra vez, fico feliz em ver um resultado desses. A edição física — que está em pré-venda no site da Editora, com frete grátis — está muito bonita, com uma diagramação diferente do ebook, disponível aqui.

E se você ainda não se convenceu entre comprar ou não um exemplar, conheça um pouco mais do autor através desta entrevista.

Make Blackout Poetry, a poesia que nasce do escuro [tradução 4]

O procedimento é aparentemente simples: pegue uma página de um livro, de um jornal ou de uma revista e risque todo o texto, deixando apenas algumas poucas palavras que irão compor uma poesia. Funciona assim, de maneira bem resumida, Make Blackout Poetry, a poesia que nasce do escuro.

Make Blackout Poetry é uma espécie de grupo espontâneo, nascido quatro anos atrás, com a iniciativa de John Carroll, um escritor que, naquele período, estava passando por um momento de dificuldade. Ele começou, assim, a publicar em seu site e redes sociais as suas criações, dando vida a uma “comunidade de esperança”.

Atualmente*, no Instagram o perfil de Make Blackout Poetry é seguido por mais de 45.000 pessoas e, a cada semana, faz uma espécie de concurso, no qual todos podem participar, apresentando a sua poesia “fora do escuro”.

Criatividade, espírito de observação e capacidade de criar novas conexões entre as palavras de um texto são as chaves para decodificar as “mensagens de esperança escondidas” com as quais Make Blackout Poetry busca iluminar a escuridão.

Por que não experimentamos também?


*O texto acima é uma tradução e o original foi publicado em 2015, portanto o termo “atualmente” não refere-se, exatamente, à atualidade. Para ler o original, clique aqui. O site do Make Blackout Poetry não existe mais, mas a conta do Instagram sim, ainda que esteja parada desde 2019.


Vocês já ouviram falar de Blackout Poetry? Descobri um pouco mais sobre essa arte quando estava preparando uma aula de italiano e, por isso, resolvi trazer o tema em um dos posts de tradução. Há, porém, muito material disponível em português também, e é algo que vale a pena conferir, principalmente para quem está precisando de um pouco de inspiração para escrever!

12 livros para 2020

Doze livros para 2020

Como eu disse na minha retrospectiva, não costumo estabelecer metas, ainda mais de leitura. Mas, esse ano, resolvi me desafiar um pouco, separando 12 tipos de livros que eu gostaria de ler ao longo do ano, um para cada mês (e não necessariamente na ordem que colocarei aqui):

  1. Um livro escrito por uma mulher
  2. Uma HQ ou um mangá
  3. Um livro em inglês
  4. Um livro em italiano
  5. Um livro de fantasia
  6. Um livro clássico
  7. Uma biografia/livro de não ficção
  8. Um livro sobre o ou que se passe no período do Holocausto
  9. Um livro de um(a) escritor(a) negro
  10. Um livro de poesia
  11. Um livro sobre algum transtorno/doença psicológica
  12. Um livro com protagonistas LGBTQ+

Aceito sugestões para cada uma das categorias acima, ainda que algumas delas tenham sido pensadas de acordo com alguns livros que estão parados na minha estante (e esse é o verdadeiro desafio: desencalhar livros!).

Conforme eu for cumprindo as leituras, trarei a resenha para vocês e a qual categoria o livro pertence. Lembrando (a mim mesma) que cada livro só poderá eliminar uma categoria!

Alguém que me acompanhar nessa? Ou vocês também já estabeleceram seus desafios?

Artigo: O Sagrado e o Profano na Urbanidade

Título: O Sagrado e o Profano na Urbanidade: Borges — Análise do Poema "Carnicería"
Autor: Victor de Lima Torquato de Andrade 
Revista La Junta, v.2, nº 1
Páginas: 6
Ano: 2018
Disponível aqui

Victor

Jorge Luis Borges é, muito provavelmente, um nome que você já ouviu falar em algum momento de sua vida. Sendo sua obra vasta, no entanto, é de se esperar que ainda haja muito a ser explorado. E é justamente isso que encontramos no artigo O Sagrado e o Profano na Urbanidade: Borges — Análise do Poema “Carnicerías” que analisa um poema de Borges pouco conhecido e estudado.

O título do artigo, por si só, já é algo capaz de despertar a atenção do mais variado tipo de leitor, destacando que o artigo trata de temas interessantes como “sagrado”, “profano” e “urbanidade”. E, para além disso, a atenção desse leitor é capturada logo nas primeiras linhas, pois podemos perceber que não se trata de um simples artigo científico, mas de um artigo dotado de certo lirismo, além do fato do autor manter um diálogo com o leitor.

Em O Sagrado e o Profano na Urbanidade: Borges — Análise do Poema “Carnicerías”, Victor analisa — ou, para usar as palavras dele “disseca” — verso a verso o poema de Borges, de maneira nem um pouco monótona. O interessante é que podemos entrar em contato com uma poesia pouco explorada de Borges de maneira profunda, ainda que em poucas páginas. Claro que o fato do poema ser breve nos permite a chegar a uma análise tão detalhada e interessante, mas sem dúvidas a forma com que Victor nos conduz a essa análise é essencial para que possamos obter um bom conhecimento do poema em questão. É interessante que, ao ler o artigo, nos damos conta inclusive da precisão na escolha vocabular de Borges.

Carnicerías  faz parte do primeiro livro de poesias de Borges: Fervor em Buenos Aires. Uma obra realmente esquecida por seus leitores e que foi publicada em 1923. No artigo que aqui apresento, Victor menciona também a relação da intensidade que há no poema e no título do livro ao qual ele pertence.

Este artigo é realmente interessante e — coisa rara no mundo acadêmico — pouco maçante. Chegar a um resultado desses não é tarefa para qualquer um: Victor tem intimidade com a poesia, sendo ele mesmo escritor de belíssimas poesias e, por isso, foi capaz de ir direto ao ponto do poema, de maneira clara e linda. Publicar esse artigo foi outra tarefa árdua, motivo pelo qual faço questão de trazê-lo à tona! Não deixem de conferir e comentar aqui o que acharam!

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