Citações #95 — Novelion: a ascensão de uma estrela

Novelion, do Lucas Luyu, foi uma inesperada e grata leitura realizada no último ano.

“— Se são más línguas, por que escuta?

— Por que ainda são línguas?”

O livro, publicado em 2019, foi capaz de me envolver e me deixar com vontade de seguir adiante na série.

“A fagulha foi solta. O caos está presente; só não vê quem não quer”

A premissa é bem interessante: mergulhamos em uma sociedade dividida em signos e na qual é preciso conquistar o direito de viver. Para isso, portanto, os jovens precisam passar pela Seleção

“Eu sempre acreditei estar preparado para a seleção, mas agora que ela está tão próxima não sei dizer ao certo se algum dia estive”

“Novelion é o motivo da nossa existência. Eles mandam em tudo”

“Na cabeça dele, devo ter sido esfaqueado umas trinta vezes. Na minha, ele é quem está sendo esfaqueado. Isso é a Seleção Ultra-humana”

“Incrível como eles gostam de tornar nossas vidas um reality show amaldiçoado”

“No fundo, a seleção tem a ver com isso. Ou você manipula e se torna um dominante, ou é manipulado e vira o dominado”

“Parece que a garota mascarada estava certa; a Seleção Ultra-humana não é um conto de fadas. É um conto de horror”

Uma história bem ao estilo Jogos Vorazes, mas que acrescenta algumas camadas interessantes, como usar as características dos signos do zodíaco para construir os personagens

“Ele sabe que eu estou viajando além da mesa e resolve não me incomodar. Um pisciano entende um pisciano. E como entende”

“O maior inimigo de um pisciano é a própria mente dele”

“— Para onde é que os piscianos vão quando ficam olhando para o nada?”

“Eu sinto um pressentimento ruim. E quando nós, piscianos sentimos isso, significa que algo vai dar ruim. Bem ruim”

“É claro que não refletimos inteiramente as qualidades e defeitos do nosso signo de origem, entretanto, vê-lo da forma como é, me faz repensar na organização da sociedade”

“Escavei um poço gigantesco e enterrei meu lado sensível há quase dez anos. Em uma única noite, a mascarada conseguiu desenterrá-lo. Eu odeio tanto o fato de amar ser pisciano”

Neste tipo de narrativa, não poderia faltar, também, o conflito político.

“Parece que estou envolvido no meio de um jogo político pelo controle de Novelion. Um jogo, cuja principal arma é o assassinato”

“Tentar entender Novelion é o mesmo que entrar num labirinto”

“Por quê? Por que ela está fazendo isso? Será que a Cúpula a mandou propositalmente pra me matar?”

Algumas doses de ironia tornam a leitura ainda melhor.

“Eu não fazia ideia que cobras sorriam, até vê-lo”

“O negócio é que os humanos sempre acharam que exploravam o espaço quando, na verdade, nunca haviam ido mais longe que a lua”

Há, ainda, espaço para introspecção.

“É da dificuldade que nasce a necessidade”

“Que tipo de pessoa eu seria se acabasse com o sorriso dela?”

“Eu preciso meditar. Eu preciso me deitar. Eu preciso de um tempo sozinho. Eu preciso voltar para a minha bolha”

“Eu estou vivo e ao mesmo tempo morto. Não tenho ânimo. Quero chorar por um motivo desconhecido. Quero ser fraco e não forte. Quero desistir e dizer que não devia estar aqui. Mas tem algo dentro de mim, logo atrás da camada de dor que envelopa meu coração e diz que estou onde deveria estar”

E, claro, para a dor.

“É doloroso demais pensar em algo que você não sabe se existe”

“— A dor é passageira, não se preocupe. Tudo na vida é passageiro, mas aquela dor perdura por um longo tempo”

“Viver é doloroso”

Se você se interessou por essa história, leia a resenha completa clicando abaixo.

Citações #92 — O caçador de pipas

Acredito que ler O caçador de pipas ao menos uma vez na vida é essencial. O livro, escrito por Khaled Hosseini e publicado em 2005 tem muito a nos oferecer.

A história nos faz aprender muito sobre uma Cabul que provavelmente poucos de nós conhece (eu, ao menos, não sabia praticamente nada e talvez jamais soubesse sem uma leitura dessas).

“Em Cabul, empinar pipas era um pouco como ir para a guerra”

“Estar de volta a Cabul era como ir ao encontro de um velho amigo que tínhamos esquecido, e ver que a vida não tinha sido boa para com ele; que tinha se tornado um indigente, um sem-teto”

Muito além disso, porém, a escrita nos permite refletir, por exemplo, sobre honestidade.

“— Quando você mata um homem, está roubando uma vida — disse baba. — Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça. Entende?”

“Tinha tanta coisa boa acontecendo na minha vida… Tanta felicidade… E fiquei me perguntando se eu merecia isso”

“Perspectivas são um luxo quando se tem um enxame de demônio zumbindo constantemente na cabeça”

Sobre tomar decisões.

“Era minha última chance de tomar uma decisão”

Sobre reputação.

“Mas eu era homem e o único risco que corria era o orgulho ferido. E feridas como essas têm cura. Já as reputações, não. Será que ela ia aceitar o meu desafio?”

Sobre coragem

“Comecei a achar que, em muitos aspectos, Soraya Taheri era uma pessoa melhor que eu. Coragem era apenas um deles”

E também sobre a passagem do tempo.

“Mas o tempo pode ser uma coisa bem voraz — às vezes se apodera de todos os detalhes só para si mesmo”

Por fim, uma temática central é aquela da necessidade humana de contar histórias.

“Bem, as pessoas precisam de histórias para se divertir em tempos tão difíceis como esses”

Se você se interessou por este livro e quer saber mais sobre ele, não deixe de ler a resenha completa. 

Citações #91 — As grandes navegações

As grandes navegações, obra escrita por Gael Rodrigues e publicada em 2023, foi uma grata surpresa para mim no último ano.

Ganhei o ebook da presente da Geovana, do Capítulo 20 e não tinha grandes expectativas sobre a obra, apesar da sinopse ter chamado minha atenção com uma simples palavra: amizade.

“Algo passa a existir para gente depois que o nomeamos. Um desconhecido pega o mesmo vagão do metrô que o seu, todas as manhãs, mas começa a existir apenas depois de ser apresentado numa festa qualquer por um amigo qualquer”

“Recomenda-se compartilhar os sonhos numa mesa de café da manhã, com cheiro de café quente atingindo as narinas, aquecendo os sorrisos”

A história, contudo, vai muito além do tema da amizade, nos fazendo mergulhar num universo novo e encantador, uma vez que se inicia em Moçambique, para, em seguida, trabalhar certo contraste com o Brasil.

“A mulher-insular, agora, era também oca. Sem rumo e sem peso. Nada sentia, lágrima nenhuma corria pelo seu rosto. Oca, oca”

“São Paulo era uma cidade grande, feita para caber mentiras e vidas escondidas”

Outro tema que aparece em diversos momentos da narrativa é a questão da diferença e do diferente.

“Protegia-te e mesmo que não soubesses, eu estava em segurança contigo. Dois diferentes juntos são menos diferentes”

“‘O diferente tem vocação para partir. Seja da casa em que ele nunca teve cômodo próprio. Do grupo de amigos em que, apesar das tentativas, o diferente falhou em se conectar profundamente. Ou de uma torre’”

“Mas é o sonho a casa dos diferentes, e é preciso que eles saibam. Feito abraço quente que nunca houve”

“O homem acordado tem asco à diferença. O homem acordado quer a segurança dos iguais, para não ser surpreendido com a aterrorizante ideia de tomar decisões. De trilhar caminhos novos. De ter à sua frente um alienígena a revelar tanto do que ele tenta esconder”

E destaco aqui outro ponto crucial nesta narrativa: a língua.

“A língua separa, mas também une, ela também dizia”

O que me leva, ainda, a outras temáticas importantes: o contar histórias e o lembrar

“Memória de branco é boa porque eles vivem remoendo o passado”

“A brincadeira de encaixe ensinou Leonildo a ser paciente. Não havia lugar para onde ir, nem a pressa dos que vão. Aprendeu a humildade de desistir de uma conclusão, não se ater ao encaixe mais rápido e fácil. Desconfiar. Foco, mais foco. Voltar à estaca zero e recomeçar”

“Deveria ser algo novo dentro dele a transmutar as coisas todas do mundo em uma determinada pessoa”

“Eu tinha cinco anos e algo se quebrou num lugar tão profundo, impossível de achar”

“Leonildo contava sorridente, como se o passado não tivesse sido difícil, como se o presente também não o fosse”

“A máscara foi embora e Guilherme se deparou com um rosto diferente do que ele imaginava. Ele, como outros, completaram os rostos das pessoas incompletas, dando-se conta depois que haviam errado”

“Às vezes, a gente precisa fingir que está contando outra história para contar o que a gente realmente quer contar”

“Às vezes, ter acontecido é o motivo de não se falar mais da coisa, porque ela ficou completa e enterrada”

Também me chamou a atenção o fato da história, em certo momento, se passar durante a pandemia e nos transportar a algumas dificuldades que este período trouxe.

“Perderam o emprego e não queriam perder a vida, estavam prestes a perder o juízo”

Com tantas temáticas abordadas de maneira quase poética, há uma que não poderia deixar de aparecer: o amor

“Se soubesse, se pudesse, construiria um mundo onde o sol sempre estaria na iminência de se pôr”

“O sorriso dele cedeu a um certo constrangimento, ciente de que o amor é incapaz de tornar um chiqueiro num palácio”

“Eles sorriam, estavam felizes. Eram novos demais, por isso felizes”

“Ainda faltava uma estação e uma eternidade”

Uma história que fala de presente, passado e futuro

“Era como se ela soubesse que o futuro seria brilhante, que precisava aprender desde já como se é feliz”

E que nos lembra que, mesmo diante de toda e qualquer maldade, o que vale é o que temos dentro de nós, principalmente a bondade

“‘Não deixe o medo impedir você de compartilhar o que você tem de bom aí dentro, eles sempre aparecem e fazem a gente desacreditar, perder a confiança, mas nem todos são como eles, confie na sua intuição, e compartilhe o que você tem aí dentro’”

Se você acha que este livro pode te interessar, leia a resenha completa para saber mais e garantir seu exemplar.

Citações #83 — Enemies with benefits

A leitura de Enemies with benefits, da Roxie Noir, foi longa, como comentei em minha resenha, mas foram várias as passagens que chamaram a minha atenção e que acabaram ficando de fora do post anterior.

A começar, claro, pelo fato da história abordar de diferentes formas os relacionamentos humanos, principalmente amorosos (mas não só).

“Quando feito corretamente, até parece que ter alguém é uma coisa boa”

“When done properly, it seems like having one is nice”

“Casar parece bom, mas também parece que é somente para os outros”

“Marriage seems nice, but it also seems like it’s for other people”

“Eu havia esquecido o quanto eu sentia falta dos meus irmãos por estar longe”

“I’d forgotten how much I missed my brothers by being away”

“Eu não tirei da cabeça o nosso beijo atrás da cervejaria. Eu nunca tiraria”

“I haven’t gotten our kiss behind the brewery out of my mind yet. I might never”

“Quem se importa com como chamamos isso?”

“Who cares what we call it?”

“Isso machuca e eu tenho de fazer algo para tentar e consertar isso, não importa o quê”

“It hurts and I have to do something to try and fix it, no matter what”

“Ela nunca parou de me surpreender. Não acho que em algum momento ela irá parar”

“She hasn’t stopped surprising me. I don’t think she ever will”

A protagonista tem alguns pensamentos e comportamentos com os quais concordo bastante.

“Eu não gosto que as pessoas paguem por mim. Eu não gosto de sentir que estou devendo algo para alguém”

“I don’t like being paid for. I don’t like feeling as if I owe someone something”

Ao mesmo tempo, ela é bem cabeça dura e quer ser sempre a dona da razão.

“Ela está correta sobre os detalhes, mesmo que eu ache que ela está errada sobre o todo”

“She’s right about the details even if I think she’s wrong about the big picture”

O protagonista, por sua vez, é um cara cheio de experiências e viagens, mas que decidiu voltar para sua cidadezinha natal.

“Eu não sabia disso naquele tempo. Eu não voltei por ela, mas ela me deixa feliz por ter voltado”

“I didn’t know it then. I didn’t come back for her, but she makes me glad I came”

“Todos os lugares têm os mesmo problemas depois de um tempo”

“Everywhere has the same problems after a while.”

E é claro que esses dois seres tão opostos, também teriam tanto em comum, ainda que na infância fossem basicamente inimigos.

“Egos de crianças de seis anos de idade podem ser delicados”

“Six-year-old egos can be delicate”

Para além disso tudo, uma passagem que me conquistou muito foi, como muitas vezes acaba sendo, a que fala sobre o poder da palavra.

“Palavras têm poder. Etiquetas têm poder e exatamente agora, tudo está nas minhas mãos. Eu posso nomear o que eu quero e criar a realidade”

“Words have power. Labels have power, and right now, it all lies with me. I can name what I want and form reality”

Se você quiser saber mais sobre essa história, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo.

Citações #82 — Clones de verão

Difícil saber como será o nosso futuro, quando tantas mudanças nos cercam em um intervalo de tempo tão curto.

“Quando simplesmente nada acontece, ninguém sabe exatamente o que fazer…”

Mas poder brincar com as possibilidades que essas incertezas nos trazem é algo que pode render boas histórias, como as que compõem a antologia Clones de Verão, do Pedro Henrique, que soube explorar isso de diferentes maneiras.

Das histórias mais possíveis às mais impossíveis, o autor nos faz ir e voltar no tempo com uma facilidade incrível, ao mesmo tempo que nos faz rir e nos  coloca para pensar em assuntos que nos são tão cotidianos, mas sob uma nova perspectiva.

“E aqui estamos nós, vivendo num trabalho de quinto ano”

Por isso, eu não poderia deixar de trazer esses quotes que ficaram de fora da resenha e, assim, compartilhar um pouco mais dessa obra.

“Em comparação com o restante do universo agora conhecido, nada é realmente ‘grande’”

Para fechar, deixo duas das melhores passagens do livro, que dialogam de maneira intensa com a nossa realidade e que são como dois socos no estômago.

“A felicidade é complicada, porque não pode ser medida em níveis ou formas”

“Como eu disse, o ambiente de trabalho põe à prova o limite da civilidade e ética”

E aí, acha que este livro pode te interessar? Então dá uma lida na resenha completa e já garanta o seu exemplar!

Citações #81 — Better than revenge

Hoje é dia de compartilhar mais alguns trechos de Better than revenge, de uma autora que quem me acompanha aqui sabe que eu amo: Tayana Alvez.

Esta obra (e todas as da autora) é daquelas que nos prendem do início ao fim, com um delicioso haters to lovers.

“Você enganou quem estava acostumado a enganar todo mundo”

Claro que, sendo esse um dos principais tropes, o amor se faz presente ao longo da narrativa de diversas maneiras. A começar pela vontade de não amar determinada pessoa (afinal, a história começa com protagonistas que são inimigos).

“Eu achava que já tinha superado. Gostaria de já ter superado”

“Existe um milhão de coisas sobre mim que ninguém mais sabe, mas a única que vem à mente é a que não consigo pronunciar”

O que nos leva, também, a pensar sobre a complexidade das relações humanas.

“Amenizar a dor do outro é um combustível muito bom para alimentar a alma dos que sofrem”

“É impossível saber o momento exato que nos apaixonamos por alguém”

“E Alyson estava certa, quando você ama alguém, a pior coisa do mundo é se esconder e se esgueirar”

E sobre como quando amamos de verdade, amamos nos bons e nos maus momentos.

“Porque quando se ama alguém, não dá para escolher ficar só com as partes boas, se agarrar apenas às coisas bonitas ou só lembrar dos acertos”

A história também fala muito sobre erros e culpa, porque há uma questão importantíssima relacionada a isso ao longo do trama.

“É muito mais fácil abstrair a culpa do que lidar com ela”

“— As pessoas erram, criança. Mas isso não é quem elas são. E nós também erramos, então não somos melhores do que elas”

E como os protagonistas são colegas de trabalho, Better than revenge não poderia deixar de falar sobre carreira.

“Em algum ponto da vida normalizamos viver pelo trabalho. Como se ele fosse tudo o que importa e resumisse o que somos”

Agora que você conheceu um pouco mais dessa história, que tal conferir a resenha, se apaixonar de vez e garantir o seu exemplar?

Citações #70 — Storia del nuovo cognome

Uma das minhas maiores alegrias recentes com relação à literatura tem sido poder finalmente ler em italiano a tetralogia napolitana, da Elena Ferrante.

Foram anos esperando para ter esses exemplares em mãos e a mesma quantidade de anos fugindo de informações sobre a história, para não perder a magia da leitura. A única coisa que eu sabia era que este era um grande sucesso literário e que provavelmente havia um motivo para isso.

Storia del nuovo cognome é o segundo volume da série e a cada página lida eu tinha mais certeza de que o sucesso era merecido. Em poucos parágrafos muita coisa acontecia e a leitura transcorria entre prender a respiração, ficar chocada e querer falar sobre tudo com qualquer pessoa que aparecesse na minha frente.

A história traz inúmeras temáticas fortes e por mais que eu tenha escrito uma longa resenha sobre esta obra, várias coisas ainda ficaram de fora. Por isso, hoje trago alguns dos trechos que destaquei ao longo da leitura e que gostaria de compartilhar com você.

Como geralmente faço com livros que leio em outras línguas, colocarei os trechos com a minha tradução e, ao final, as passagens originais, na ordem em que aparecerem por aqui.

Uma temática que me parece muito importante na obra da Elena são as relações humanas. Ou melhor, o quão difícil elas são. E digo uma coisa: elas são de uma complexidade assustadora ao longo da história.

“Eu disse a ela: é só nos movermos que erramos, quem entende os homens, ah, quantos aborrecimentos eles nos causam, a abracei com força e parti”

“Nunca me ocorreu, como havia acontecido em outras ocasiões, que ela sentia a necessidade de me humilhar para poder suportar melhor sua própria humilhação”

Storia del nuovo cognome fala, ainda, sobre como as pessoas mudam, se transformam ou simplesmente mostram a sua verdadeira essência, seja ela qual for (o que nos faz amar e odiar os personagens a cada instante).

“Como ela poderia desaparecer assim, sem deixar um vazio?”

“O cinema, os romances, a arte? Como as pessoas mudavam rapidamente, seus interesses, seus sentimentos”

Mais que isso, esta é uma obra sobre a complexidade do amor, principalmente numa sociedade patriarcal e machista, cabendo algumas críticas bem interessantes e bem colocadas ao longo das páginas.

“Pensei que eu era mais sortuda do que Lila, Antonio não era como Stefano. Ele nunca me faria mal, ele só era capaz de fazer mal a si mesmo”

“Imagine se pudéssemos fazer essas coisas, eu e você. Viajar. Trabalhar como garçonetes para nos sustentar. Aprender a falar inglês melhor do que os ingleses. Porque ele pode se dar ao luxo e nós não?”

“Diria que ele derramava sobre todos nós, inclusive sobre mim, a confusão que sentia dentro de si”

“Pensei: o fato de Lila estar casada não é um obstáculo nem para ele nem para ela, e essa constatação me pareceu tão odiosamente verdadeira que meu estômago se revirou, levei a mão à boca”

“‘Você estava destinada a grandes coisas’ ‘Eu as fiz: me casei e tive um filho’ ‘Qualquer um é capaz disso'”

Neste segundo volume também temos a chance de conhecer mais a fundo os personagens do primeiro volume, principalmente as protagonistas, além de conhecer outros personagens, mergulhando cada vez mais em suas características e complexidades.

“Lina, quanto mais cercada de afeto e estima, mais cruel ela pode se tornar”

“Mudei, não na aparência, mas em profundidade”

“Percebi rapidamente que Pietro Airota tinha um futuro e eu não”

Como esta é uma narrativa que nos mostra jovens vivendo como adultos antes do tempo, a história também fala muito sobre juventude.

“Em resumo ele disse que o problema da juventude é a falta de olhos para se ver e sentimentos para se sentir com objetividade”

E, muito relacionado a isso, sobre como nos enxergarmos, tanto no mundo quanto dentro de nós mesmos e o quanto aquilo que nos cerca influencia esta visão.

“Eu odiava a mim mesma, me desprezava”

“Eu não era capaz de confiar em verdadeiros sentimentos. Eu não sabia me deixar levar além dos limites”

“Eu não disse nada sobre mim, ela não disse nada sobre si mesma. Mas as razões dessa lacuna eram muito diferentes”

Por fim, não poderia deixar de mencionar que esta é uma história que a todo momentos ressalta a importância dos estudos, mostrando como o conhecimento pode nos levar adiante e nos fazer conquistar aquilo que sequer imaginamos.

“Eu, Elena Greco, filha de um mero funcionário estatal, aos dezenove anos estava prestes a sair do bairro, prestes a deixar Nápoles. Sozinha”

“Agora tudo o que eu era, eu queria construir por mim mesma”

Espero que estes trechos tenham despertado a sua curiosidade para esta obra, caso ainda não a conheça, ou que tenha te ajudado a matar um pouco da saudade dela.

Para concluir, como prometido, deixo aqui os trechos originais, conforme utilizados ao longo deste post.

“Le dissi: appena ci muoviamo sbagliamo, chi li capisce i maschi, ah, quante noie ci danno, l’abbracciai forte, filai via”

“Non mi venne mai in mente, come invece era accaduto in altre occasioni, che avesse sentito la necessità di umiliarmi per poter sopportare meglio la sua umiliazione”

“Come si poteva svanire così, senza lasciare un vuoto?”

“Il cinema, i romanzi, l’arte? Come cambiavano in fretta le persone, i loro interessi, i loro sentimenti”

“Pensai che ero più fortunata di Lila, Antonio non era come Stefano. Non mi avrebbe fatto mai del male, era capace di farne solo a se stesso”

“Pensa se queste cose le potessimo fare anche io e te. Viaggiare. Fare le cameriere pe mantenerci. Imparare a parlare l’inglese meglio degli inglesi. Perché lui se le può permettere e noi no?”

“Diciamo che rovesciava su tutti noi, anche su di me, la confusione che sentiva dentro”

“Pensai: che Lila sia sposata non è un ostacolo né per lui né per lei, e quella constatazione mi sembrò così odiosamente vera che mi si rivoltò lo stomaco, portai una mano alla bocca”

“‘Eri destinata a cose grandi’ ‘Le ho fatte: mi sono sposata e ho avuto un figlio’ ‘Di questo sono capaci tutti’”

“Lina, tanto più è circondata dall’affetto e dalla stima, tanto più può diventare crudele”

“Sono cambiata non all’apparenza, ma in profondità”

“Capii presto che Pietro Airota aveva un futuro e io no”

“Disse nella sostanza che il problema della gioventù era la mancanza di occhi per vedersi e di sentimenti per sentirsi con oggettività”

“Odiavo piuttosto me stessa, mi disprezzavo”

“Non ero capace di affidarmi a sentimenti veri. Non sapevo farmi trascinare oltre i limiti”

“Io non dissi niente di me, lei niente di sé. Ma le ragioni di quella laconicità erano molto diverse”

“Io, Elena Greco, la figlia dell’usciere, a diciannove anni stavo per tirarmi fuori dal rione, stavo per lasciare Napoli. Da sola”

“Ora tutto ciò che ero volevo ricavarlo da me”

Se quiser saber mais sobre esta obra, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo!

Citações #60 — Profissão Fangirl

Profissão fangirl foi uma leitura que me tocou de maneiras que eu não imaginava que uma obra com este título poderia me tocar. E por mais que eu tenha escrito uma resenha de todo coração, sei que muita coisa ficou de fora dela. Inclusive alguns trechos, que agora trago aqui.

Como não poderia deixar de ser, começo este post lembrando que a história retrata o término de uma relação que já durava cinco anos, mas que também ainda existia apenas por comodismo (coisa que, claro, os personagens só percebem depois):

“Eu me perguntava o que doía mais, ele ter ido embora agora ou ter que admitir que ele já tinha ido tempos atrás”

“Por algum motivo sombrio eu precisava rever todas as lembranças do nosso relacionamento naquele momento”

“Finalmente eu coloquei o ponto final, falei o que eu queria e me sentia mais leve por isso”

Mas a história, claro, não fala apenas sobre corações partidos. Ela fala — e muito — sobre amizade:

“Essa era a melhor parte de ter melhores amigas, elas nem sempre vão te entender, mas isso não quer dizer que elas não vão estar sempre ao seu lado”

E também sobre força:

“Eu te vi chorar vezes o suficiente para saber que você não está fugindo, Alice. — Eu sorri com a lembrança de sua presença nas duas crises de choro que eu tinha tido. — E também te vi se esforçando para ser feliz de novo, e pra mim isso mostra o quanto você é forte”

E até mesmo sobre amor. Porque, afinal, nosso coração sempre tem a chance de se recuperar de grandes dores:

“Foi isso o que me chamou atenção, a forma como ele conseguia fazer o mundo inteiro parecer girar ao meu redor com um simples olhar”

Se você quer saber mais sobre esse livro, não deixe de ler a minha resenha, garantir logo o seu exemplar (é só clicar aí embaixo) e, claro, seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter)!

Citações #55 — O segredo de Susan

Espero que não seja segredo para ninguém, mas caso ainda seja, aqui vai uma revelação: sou apaixonada pela escrita do Maicon Moura.

E por falar em segredos, hoje trago mais alguns quotes de O segredo de Susan, uma obra que nos envolve e nos faz pensar sobre os diversos temas (difíceis) que ela aborda.

“Marcas quase esquecidas de uma violência sem razão”

Dentre eles, podemos mencionar a questão da confiança e da verdade.

“Confiança só existe uma vez. Ter a confiança de alguém é muito importante. Bom, apenas se essa pessoa não tiver te sequestrado por tanto tempo”

“O mundo quer enganar você. E que você engane de volta. Ele quer que você entenda que está tudo bem, ele quer que você sorria enquanto a televisão te mostra um corpo de uma mulher num beco”

As marcas de um doloroso e obscuro passado (vivido pela protagonista e ignorado por todos).

“Os hematomas em seu braço mostram que o escuro ainda caminha com ela”

“Linhas brancas, acima dos meus joelhos, mostram que em algum momento eu não fui feliz”

“Nesse escuro eu me sentia salva”

Um livro que fala, em suma, sobre as complexidades da vida de uma maneira diferente daquela que podemos estar acostumados.

“Foi nesse momento que eu entendi que existem dois mundos”

“Com onze anos, eu não quero me preocupar com o futuro”

E sobre a passagem do tempo, por mais intrincada que ela possa ser na própria narrativa apresentada.

“Temos todo o tempo do mundo para corrigir nossos erros.

“Só que o tempo, ele pode ajudar de alguma maneira e muitas vezes melhorar isso”

O segredo de Susan é uma leitura que nos deixa de boca aberta e cabeça fervilhando. Se quiser conferir a resenha, clique aqui. Para acessar o ebook (disponível também no Kindle Unlimited), basta clicar abaixo. E não deixe de acompanhar o trabalho do Maicon em suas redes sociais (Instagram | Linkedin).

Citações #54 — A filha primitiva

Um dos motivos pelos quais gosto de marcar e anotar trechos que me chamam a atenção nos livros que leio é que, através deles, posso relembrar a história, além de, em alguns casos, ter novos insights sobre a mesma.

Mas se tem uma coisa que não precisaria de trechos para lembrar, é da força que a narrativa de A filha primitiva, da autora Vanessa Passos, tem.

“A fome ensinava a ser criativa”

Uma histórias que vai direto e reto ao ponto e que toca em muitas feridas.

“Gente é assim, gosta mesmo é de rir das desgraças dos outros”

Uma narrativa sobre partos, não somente físicos, mas também mentais.

“Fico pensando que escrever é um parto infinito”

E, ainda, um texto que fala sobre paternidade e abandono, mas também sobre a história que nos é negada.

“A busca pelo meu pai e pela escrita caminhavam juntas”

A filha primitiva é também sobre vícios.

“Tinha esquecido que a bebida dá coragem pras pessoas”

Sobre humanidade e desumanidade (não sei se essa palavra existe, mas acho que dá para entender a ideia, né?).

“É fácil esquecer o erro de homem”

“Incrível como o ser humano gosta de se enganar”

Não se trata de uma leitura fácil, como os conteúdos já podem indicar, mas ela é necessária. Para saber mais, você pode ler minha resenha aqui e garantir o seu ebook clicando abaixo.