Desmistificando o mestrado [10] — Enfrentando a página em branco

Já estamos no décimo post da minha série sobre o mestrado, então está mais do que na hora de falar sobre um assunto que dá medo na maioria das pessoas. Dá tanto medo, aliás, que alguns preferem pagar para que outros cumpram essa tarefa (e gente, isso é errado, ok?). É chegado o momento de sentar e escrever a sua pesquisa!

Depois de ler uma infinidade de textos relacionados ao tema escolhido e depois de separar e organizar os dados, tendo sempre a cabeça fervilhando de ideias, escrever não parece uma tarefa difícil. Até que você abre uma página em branco e… Bem, ela fica ali, gritando para ser preenchida, mas nenhuma ideia vem. Ou vem, mas depois você lê de novo, acha que está péssimo e apaga tudo.

PRIMEIRO GRANDE ERRO: APAGAR TUDO.

Você leu o que escreveu e achou tudo uma grande porcaria? Levanta, vai dar uma volta, respira. Mas nunca, em hipótese alguma, apague tudo. Principalmente se você ainda estiver no início do seu trabalho. Tente pensar no que vem depois, escreva frases soltas, reformule.

Ao longo da construção de minha dissertação foram muitas idas e vindas. O capítulo que deveria ser o segundo, acabou virando o quarto e o terceiro virou o segundo. Era como montar um quebra-cabeça, mas que, no final das contas, deu certo. Claro que, nessas mudanças, algumas coisas tiveram de ser reformuladas, tiradas, acrescentadas. Mas se, logo de cara, eu tivesse simplesmente apagado tudo, meu trabalho teria sido dobrado.

SEGUNDO GRANDE ERRO: querer escrever algo perfeito logo de cara.

Se você ficar com a preocupação de escrever parágrafos perfeitos e inalteráveis de primeira, é muito provável que logo encontrará uma barreira que te impedirá de seguir adiante. Nada sai perfeito de primeira. Aliás, se vocês me permitem ser bem sincera, dificilmente seu trabalho ficará realmente perfeito. E a busca pela perfeição só vai te travar.

Além disso, nem sempre escrever “em ordem”, isto é, seguindo a sequência final, é o mais lógico a ser feito. Para algumas pessoas, por exemplo, começar a escrever pela conclusão, para então decidir como chegar a ela é mais fácil do que o contrário. Então entenda que, se uma parte não estiver fluindo, você pode partir para a outra, até encontrar algo que funcione.

Mas se você sequer sabe por onde começar e a página em branco está ali, te atormentando, então a minha dica é: lembra tudo o que você já leu? Lembra todos os trechos que você já havia separado, pensando que poderiam ser úteis? Escolha um, preencha a página em branco com ele e, a partir disso, tente se lembrar o que há de interessante ali, que ideia havia surgido anteriormente e vá construindo o antes e o depois da citação.

Provavelmente te ajudará muito sentar e escrever um pouquinho todos os dias. Isso faz com que você não se canse de passar horas e horas escrevendo, além de te manter sempre em contato com a sua pesquisa e, consequentemente, pensando nela.

Caso você trabalhe oito horas por semana, de segunda a sexta e esteja pensando que nada a ver isso aí de escrever um pouquinho todo dia, afinal chegamos esgotados em casa, e que o melhor é escrever aos finais de semana: ledo engano!

Se você chega esgotado todos os dias, aos finais de semana vai querer descansar. E se não quiser descansar, provavelmente terá algum compromisso com conhecidos ou até consigo mesmo, com sua própria casa. E aí, mais uma vez, sua pesquisa será deixada de lado.

Quando eu falo em escrever um pouco todos os dias, eu realmente estou falando sobre escrever um pouco. Relaxe do seu dia estressante, se desconecte do mundo e separe 30 ou 60 minutos para focar totalmente na pesquisa. E saiba comemorar qualquer avanço que você tenha nesse intervalo de tempo, por menor que ele seja. No final das contas, você precisa ser seu maior motivador.

Mas a dica de ouro é: sente e escreva. Parece bobo? Talvez! Mas só quem já passou horas e horas encarando uma folha em branco sabe que, a melhor maneira de enfrentá-la é escrevendo algo. Uma palavra solta ou uma frase que seja. Assim, a página em branco deixará de ser um monstro e se tornará a sua página. E o melhor é fazer isso em um momento de total concentração, então realmente separe uma hora do seu dia para se dedicar somente a isso.

Para concluir, gostaria apenas de deixar uma dica prática (ao menos para mim foi algo bem útil, principalmente pelo que contei acima, de ter mudado a ordem dos capítulos): procure escrever cada capítulo de sua dissertação em um arquivo diferente e somente quando tudo estiver concluído monte o arquivo final. Isso vai te ajudar a visualizar melhor o que pertence a cada parte do trabalho, assim como facilitará caso você decida que a linearidade escolhida não está funcionando e que é melhor modificar um pouco a ordem das coisas (que foi o que fiz).

E então, vamos colocar a mão na massa?

5 comentários em “Desmistificando o mestrado [10] — Enfrentando a página em branco

  1. Adorei o post, Tati!
    Lembro de sentir isso no meu TCC e sinto diariamente com a escrita. Concordo contigo, o segredo é sentar e escrever. É claro que não sairá perfeito logo de cara, mas é um processo e vamos lapidando o texto aos poucos. Só não dá para editar uma folha em branco, né 👀 então tem que começar! ☺️

    Curtido por 1 pessoa

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