L’ultimo arrivato — Marco Balzano

Título: L'ultimo arrivato
Autor: Marco Balzano
Editora: Sellerio Editore Palermo
Páginas: 205
Ano: 2018

Provavelmente uma das coisas que mais me faz apaixonada pelos livros é o quanto posso aprender com eles. E L’ultimo arrivato foi uma obra que trouxe muitas novidades para mim.

Infelizmente, a obra ainda não tem tradução para o português, mas para dar um gostinho dela, traduzirei os trechos que selecionei para compor esta resenha, colocando ao final os trechos originais, na sequência que aparecem aqui.

“Para aprender é preciso confiança e eu não confiava nele”

Uma história inventada, mas que ao mesmo tempo é real: fruto de muitas pesquisas e recortes de entrevistas com pessoas de carne e osso, L’ultimo arrivato nos mostra uma Itália de não muitos anos atrás e que, ao mesmo tempo, pouco se sabe ou se estuda.

“Não restaram traços, porque o esforço dos pobres cristãos não deixa vestígios. Não resta testemunho disso nem mesmo nos livros escolares, onde se lê apenas sobre o rei e a rainha”

Logo no início da obra o autor já nos explica sobre o que ela trata e o tema, por si só, nos faz pensar em uma história de terror que nos deixa boquiabertos por ter, de fato, acontecido.

“Nos anos cinquenta, a mudar-se do Sul ao Norte, em busca de trabalho, não eram apenas homens e mulheres prontos para a experiência e para a vida, mas também crianças — às vezes com menos de dez anos — que nunca haviam se afastado de casa. O fenômeno da imigração infantil envolve milhares de garotinhos que diziam adeus os pais, aos irmãos e se mudavam — muitas vezes eternamente — para as metrópoles distantes”

Em L’ultimo arrivato conhecemos Ninetto, um garoto que teve o mesmo destino de tantos de sua época e idade: mudar-se para Milão em busca de uma vida um pouco melhor. Mas a mudança era nos termos acima mencionados: sozinho e para trabalhar.

“Há momentos nos quais você não tem mais nada no que se agarrar a não ser a sua história”

Durante 31 capítulos vamos acompanhando a história desse garoto que, no início, levava uma vida muito simples — e já com algumas dificuldades — mas até que, na medida do possível, feliz.

“Não é verdade que basta boa vontade para virar a página e recomeçar”

Apesar de nem sempre ter comida na mesa — ou comer sempre a mesma coisa — e ver a sua mãe doente — mas não entender o que acontecia com ela — Ninetto ia à escola e, a cada dia, voltava fascinado com o que aprendia ali.

“Depois do Peppino, ainda que eu jamais o tenha dito, a pessoa a quem eu mais queria bem era o professor Vincenzo”

Depois de nos contar sua infância, Ninetto narra a viagem de trem até o norte e tudo o que passa a viver nessa nova e desconhecida cidade. Ali ainda há pobreza, mas também há a chance de se mudar de vida com muito suor e muita vontade.

“De qualquer forma, foi justamente aquele trabalho de mensageiro que me fez entender que Milão é um lugar mágico e horrível ao mesmo tempo”

Um ponto muito interessante da narrativa é que ela é feita de maneira crua, sem máscaras e sem a menor intenção de colorir uma realidade tão cinza. O que não significa, porém, que as palavras empregadas não transmitam com certa magia uma história tão difícil.

“Talvez as lembranças sejam aqueles fatos que não conseguimos esquecer”

Ao longo da narrativa, não sei se pelo fato dela ser narrada em primeira pessoa ou se pelo fato de ser muito bem escrita — ou talvez as duas coisas ao mesmo tempo — nos sentimos imersos, lendo aquelas passagens quase como quem assiste a um filme.

E, para nos deixar ainda mais presos à história, em determinado momento ficamos sabendo que Ninetto viveu um tempo na cadeia e passamos a querer saber o motivo disso, ainda que ele não dê grande importância ao fato. Pelo contrário, aliás, os anos passados na prisão são apenas um borrão na narrativa, mesmo que depois disso, Ninetto jamais possa ser quem fora antes.

“Não há o que dizer, é fora do cárcere que está a verdadeira pena a se cumprir”

Mas o livro não é apenas tristeza. Como eu disse antes, é uma história sem máscaras, mostrando os momentos como eram. Há a celebração das pequenas conquistas, o amor, o casamento, a filha, o reencontro com a família, a poesia.

“Tem quem nasce avenida principal e quem nasce rua sem saída”

Se você lê em italiano, recomendo esta obra — desde que você aceite um soco no estômago — e se você não lê, recomendo ao menos que pesquise sobre esse momento da História italiana. Procure sobre os “trens da felicidade” e sobre os anos cinquenta.

E, como prometido, seguem os trechos originais, na ordem em que apareceram nesta resenha:

“Per imparare bisogna fiducia e io di lui non ne avevo”

“Non ne è rimasta traccia perché la fatica dei poveri cristi non lascia mai traccia. Non ne rimane testimonianza nemmeno nei libri di scuola, dove si legge soltanto del re e la regina”

“Negli anni Cinquanta a spostarsi dal Meridione al Nord in cerca di lavoro non erano solo uomini e donne pronti all’esperienza e alla vita, ma anche bambini a volte più piccoli di dieci anni che mai si erano allontanati da casa. Il fenomeno dell’emigrazione infantile coinvolge migliaia di ragazzini che dicevano addio ai genitori, ai fratelli, e si trasferivano spesso per sempre nelle lontane metropoli”

“Arrivano dei momenti in cui non hai nient’altro che la tua storia a cui aggrapparti”

“Non è vero che basta la buona volontà per girare pagina e ricominciare”

“Dopo Peppino, anche se non gliel’ho mai detto, la persona a cui volevo più bene era il maestro Vincenzo”

“Comunque, è stato proprio quel lavoro di galoppino a farmi capire che Milano è un posto magico e orribile insieme”

“Forse i ricordi sono quei fatti che non riusciamo a dimenticare”

“Non ci sono storie, è fuori dal carcere la vera pena da scontare”

“C’è chi nasce strada principale e chi strada senza uscita”

5 comentários em “L’ultimo arrivato — Marco Balzano

  1. Obrigada pela dica, Tatiana! Dei uma olhada no que eles tinham em inglês, por aqui, porque não leio italiano e encontrei I’m Staying Here (Resto qui) e o resumo já deu vontade de ler. Coloquei na lista e vou ficar de olho em L’ultimo arrivato. Valeu!

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