A melodia da alma — Maya Brito

Título: A melodia da alma
Autora: Maya Brito
Editora: Publicação independente
Páginas: 44
Ano: 2019

melodia da alma

A melodia da alma foi aquele livro que, antes de mais nada, me conquistou pela capa. Eu não posso ver uma história relacionada à música que eu já quero ler. E esse foi meu ponto fraco com relação à história, mas vamos à resenha para explicar melhor isso.

Quem nos conta sua própria história é Eliza, uma mineira que, de uma hora para outra abandona sua vida e sua música em Minas e se muda para São Paulo, onde dá início a uma nova vida, trabalhando com consultoria.

A narrativa começa doze anos depois desse episódio e os detalhes desse passado são revelados bem aos poucos, o que nos prende à leitura, porque estamos sempre querendo compreender o que há por trás dessa mulher que viveu uma mágoa tão grande que foi capaz de fazê-la mudar de rumo e se fechar a tudo e a todos.

“E ali estava ele pintando meu apartamento para trazer vida a ele, para tirar dele o que o fazia tão meu… O vazio”

Um dia, porém, o passado bate à porta de Eliza (quase que literalmente, digamos) e a vida de nossa protagonista vira de cabeça para baixo. Para nós, leitores, as peças do quebra-cabeça vão se encaixando e é praticamente impossível não ficar com um nó na garganta e lágrimas nos olhos.

“Perder pessoas importantes e, ao mesmo tempo, perder a música que preenchia nosso ser era uma dor absoluta. E eu a conhecia muito bem”

Em tão poucas páginas, Maya consegue nos falar tanto! Em A melodia da alma somos presenteados com uma história que fala sobre amor, amizade, traição, erros, recomeços e perdão. E não estou exagerando ao listar tudo isso (ainda correndo o risco de ter deixado importantes lições de fora).

Logo depois de terminar a leitura dessa obra, tive a sorte de poder conversar pessoalmente com a Maya e comentei como fui abalada por essa linda história e ela me respondeu que não esperava isso, que não imaginava que faria seus leitores chorarem. Mas, como disse meu namorado, um escritor não tem como saber o quanto irá mexer com seus leitores: ver Eliza abandonar seus sonhos, sua paixão, foi doloroso. E, depois, descobrir os motivos que a fizeram tomar tal decisão, é ainda mais triste. Mas a história é linda e nos enche de esperança. E terminamos (ao menos eu terminei) com um sorriso no rosto.

Você também quer conhecer a história da Eliza? Então corre aqui!

 

 

#Acredite — Eliane Quintella

Título: #Acredite
Autora: Eliane Quintella
Editora: Publicação independente
Páginas: 144
Ano: 2019
Acredite

“O amor é a força mais poderosa que existe”

(pg. 09)

É com a frase acima que começa #Acredite, um livro que, no entanto, vai muito além do amor. E mais que isso, é um livro que permite uma leitura mais rasa, ao mesmo tempo que pode nos propiciar uma leitura cheia de nuances.

Em um primeiro momento, #Acredite é a história de amor impossível (à la Romeu e Julieta) entre Pamela (uma jovem Braite) e Raul (um jovem Laluli). Braites e Lalulis vivem em um mesmo mundo, mas possuem forças e formas de vida diferentes: enquanto os Braites são mágicos poderosos e cheios de positividade (porque eles precisam ser felizes para que a magia aconteça), Lalulis são seres mais fracos, principalmente pelo fato de se deixarem dominar por sentimentos pesados e pessimistas.

“Cada vida tem seu valor”

(pg.129)

O coração, no entanto, não nos deixa escolher por quem iremos nos apaixonar e como Braites e Lalulis convivem no mesmo ambiente, ainda que não possam se relacionar — uma vez que isso enfraqueceria o Braite da relação — Pamela acaba se apaixonando (e sendo correspondida) por Raul.

“Eu via minha vida degringolando ralo abaixo e não conseguia fazer nada”

(pg.52)

E é aqui que começa a entrar uma leitura mais profunda dessa história…

Em primeiro lugar, Pamela é jovem e realmente ama Raul. Isso faz com que ela comece a questionar as leis impostas há anos pela sociedade em que vive. Ela deixa de acreditar que seja possível que Lalulis somente enfraqueçam Braites e começa a buscar uma forma de provar que o amor é a maior de todas as forças existentes.

“— Nós podemos mudar o mundo”

(pg. 69)

A forma como Pamela passa a questionar as regras nos faz pensar sobre a importância desse ato. Se ela simplesmente tivesse aceitado aquilo que era aceito há tanto tempo, seu destino certamente teria sido bem triste. E o que ela mais quer é mostrar para as pessoas que há outras formas de enxergar o mundo e de se viver.

É claro que o relacionamento de Pamela e Raul gera muito impacto em diversos níveis, a começar pelos relacionamentos pessoais de cada um: família e amigos não aceitam que eles estejam juntos e todos se afastam. E então, Pamela passa a sentir coisas que nunca havia sentido antes…

E aqui chegamos no segundo ponto importante dessa história: ela nos mostra como é importante sentir. Mais que isso: como é importante sentir e viver qualquer tipo de sentimento. Ser positivo e viver em harmonia é ótimo, mas sofrer, se decepcionar ou ter medo são sentimentos que nos ensinam muito.

“Tinha aprendido que eu precisava viver não só minhas alegrias, mas também minhas dores”

(pg. 106)

Por fim, a última lição que fica desse livro, e que já estava anunciada no título, é a necessidade de acreditarmos. Somente quando acreditamos que somos capazes de algo, mesmo quando nos dizem o contrário, é que efetivamente chegamos a algum resultado. E acho bem difícil chegar ao final desse livro sem se sentir um pouquinho mais forte, um pouquinho mais capaz de realizar qualquer coisa.

“A resposta sempre está dentro da gente”

(pg.82)

#Acredite é um livro super curto, gostoso de ler e que eu indico para quem está precisando de uma forcinha para lutar por seus sonhos. Uma leitura que pode te fazer pensar e te tirar da zona de conforto sem que você perceba.

E se você ficou curioso(a) para saber como termina a história entre Pamela e Raul, adquira seu livro (físico ou ebook) aqui.

 

Miniconto: Arvoredo — Michelle Pereira

Arvoredo capa

Nesse mês de agosto a parceira Michelle Pereira resolveu divulgar alguns minicontos seus, que estão disponíveis para leitura gratuita lá no Sweek! É uma ótima chance de conhecer um pouquinho do trabalho maravilhoso que ela desenvolve.

A cada semana, portanto, vou trazer para vocês a sinopse do conto da semana e o link, para que vocês possam conferir com seus próprios olhos. O conto dessa semana chama “Arvoredo” e eu achei ele super misterioso!

Sinopse:

“Cas sempre disse a ela para atravessar o arvoredo ao ir para a escola. Mas nunca disse o porquê.

Aquele era o dia de descobrir.

Arvoredo é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam”.

Para ler Arvoredo basta acessar: bit.ly/contoarvoredo

 

 

Um CEO em busca do amor — Juju Figueiredo

Título: Um CEO em busca do amor
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 153
Ano: 2019

um ceo em busca

Depois do final de Apenas mais um CEO, como eu comentei na resenha, é praticamente impossível não querer iniciar imediatamente a leitura de Um CEO em busca do amor. Isso porque o final do primeiro livro da duologia é surpreendente e nos deixa querendo saber como tudo se resolverá (se é que algo se resolverá).

“Não é qualquer homem que aceitaria o meu passado, carrego uma bagagem muito pesada, Emmett, prefiro carregar sozinha”

Conhecendo os personagens que fazem parte de todos os caminhos cruzados dessa história, neste segundo volume temos a oportunidade de compreender o passado de cada um e o que os fez chegar ao lugar em que chegaram.

“— Minha filha, o amor nunca é fácil, os obstáculos sempre estão na nossa frente querendo impedir nossa passagem, mas cabe a você decidir se eles irão ou não atrapalhar sua vida”

E se você acha que neste livro só temos um monte de resolução de problemas e uma história parada você está MUITO enganado, porque ainda há inúmeras revelações e momentos de tensão.

“— É natural sentir medo, não seríamos humanos se não sentíssemos”

Um CEO em busca do amor é um livro que nos prende tanto quanto Apenas mais um CEO e que eu indico fortemente para quem gosta de um belo romance cheio de acontecimentos inesperados e impactantes.

“Ela era minha perdição e salvação ao mesmo tempo, como era possível?”

Neste volume, aliás, há mais capítulos narrados por outros personagens, ainda que predomine a narrativa de Mathew Thompson e Megan Tanner. Essa alternância nos ajuda a adentrar de maneira mais profunda a história, vendo-a pelos olhos daqueles que a estão vivenciando.

“Você não precisa ser forte o tempo inteiro, Megan, é tão difícil admitir quando não está bem?”

Se você ficou curioso(a) com o desfecho da história de Mathew Thompson e Megan Tanner, adquira seu ebook aqui.

 

Apenas mais um CEO – Juju Figueiredo

Título: Apenas mais um CEO
Autor: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 170
Ano: 2019

mais um ceo

O livro Apenas mais um CEO é o primeiro livro de uma duologia que acabei devorando nessas férias. Quando comecei a leitura, achei que a história ficaria em um eterno vai e vem entre Mathew Thompson e Megan Tanner, que, alternadamente, narram boa parte do livro. Mas me enganei (e  muito), o que contribuiu para que eu devorasse o livro e já emendasse a leitura do segundo volume.

“— Se apaixonar é inevitável”

O fato de Mathew Thompson ser um CEO super rico e não passar mais de uma noite com a mesma mulher poderia fazer com que eu o odiasse (e, em alguns momentos, confesso, não gostei muito dele), mas o fato de saber que ele tem um passado doloroso, mas romântico, ameniza todo o desgosto.

“— Eu já sofri demais nessa vida, Megan”

Por outro lado, Megan Tanner é uma mulher daquelas de se admirar: não se rebaixa por homens, é independente, linda, forte e, ao mesmo tempo, tem um coração enorme.

“A Megan tem alma de criança, um coração puro”

Evidentemente, o caminho desses dois personagens se cruzam, mas não de uma maneira tão banal quanto poderíamos esperar. Aos poucos, percebemos que há muitos outros caminhos se cruzando nesta história, que vai ficando cada vez mais intrigante.

“O destino pode ser traiçoeiro com as pessoas, mas comigo ele pegou pesado”

Outro detalhe que nos prende à história e que nos faz querer bater nos personagens é o fato de que, às vezes, eles só precisam conversar!! Uma boa conversa resolveria metade dos problemas deles (mas, ok, também tiraria metade da graça da história). Mas é muito doido pensar que, na vida real nós também somos assim e nos deixamos levar pelas situações, mesmo sem ter uma visão plena sobre elas, mesmo sem escutar o outro lado.

“Queria ajudar meu amigo com seus demônio, mas algo me dizia que a história dele era mais complexa do que se podia imaginar”

Apenas mais um CEO não é um livro de mocinhos e vilões, nós não ficamos  torcendo pelo bem e também não necessariamente torcemos para que o casal fique junto. E pensar em tudo isso é interessante, porque o que nos prende ao livro, portanto, são os mistérios que vão surgindo e as histórias de cada personagem.

Os personagens, aliás, são apresentados aos poucos ao longo da narrativa e isso é ótimo. Evita aquela confusão de nomes e nos dá uma visão mais clara do pano de fundo da história. Temos tempo de conhecer e assimilar cada peça dessa narrativa.

“— Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece. A prova está aí, eu nunca o esqueci e acho que nunca vou esquecer”

Apenas mais um CEO, portanto, é um livro de romance que vai muito além de um simples casal lutando para ficar junto: é um livro que nos traz um enredo complexo e misterioso, com uma boa pitada de cenas quentes também.

“Me apaixonei por uma mulher, uma mulher que dominou meu coração, meu corpo e minha alma”

Se você ficou com vontade de saber mais sobre o passado de Mathew ou então conhecer Megan Tanner, adquira seu ebook aqui.

Contos de fadas de cabeceira — Juliana Lima

Título: Contos de fadas de cabeceira
Autor: Juliana Lima
Editora: The books
Páginas: 
Ano: ainda não lançado

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O que trago hoje a vocês não é exatamente uma resenha, mas minhas primeiras impressões sobre o livro Contos de fadas de cabeceira. E eu só não trago uma resenha completa desse livro porque ele ainda será lançado e a autora parceira Juliana Lima disponibilizou para seus parceiros apenas três capítulos, o que é uma maldade imensa, porque se eu pudesse eu já teria devorado esse livro (e vocês já vão entender os meus motivos)!

Em primeiro lugar a autora nos dá um alerta:

Contos de Fadas de Cabeceira é um livro cujo intuito é fazer uma releitura dos tradicionais contos de fadas, criar outros e relacioná-los com os temas e polêmicas da nossa sociedade atual”

Pg. 2

Pelos três primeiros contos disponibilizados, percebo que a autora se manteve em seu propósito e acredito que com o restante do livro não seja diferente (e eu não vejo a hora de ler o resto!). Outro ponto a ser destacado, e que fica claro nesses primeiros contos é o fato de que:

“Porém, este não é um livro de príncipes, princesas, castelos e finais felizes”

Pg. 2

No primeiro conto, por exemplo, chamado Felícia no estado de realidade, nos deparamos com o tempo tentando mostrar à protagonista que a vida não é tão bela quanto ela imagina.

“— A face do tempo pode vir de formas variadas, conforme sua visão sobre mim”

Pg. 7

A cada vez que ele aparece, traz consigo um amigo, que são nossos sentimentos. Mas sentimentos como medo, decepção, inveja. É um conto, portanto, que fala sobre a veloz passagem do tempo e, ao mesmo tempo, sobre amadurecimento. Um conto triste, mas também verdadeiro.

“Ainda acredito na bondade e no amor e não é porque algumas pessoas são ruins que o mundo inteiro será”

Pg. 10

O segundo conto, por sua vez, nos fala de forma mais específica sobre a inveja. Chamado A Branca sem Neve, o conto retrata o ensaio de um grupo teatral e culmina com a chocante estréia da peça, que é uma releitura de “A Branca de Neve”. Fiquei de queixo caído com o final desse conto, como sempre fico de queixo caído com as loucuras que a inveja faz o ser humano cometer.

Por fim, em O Grande Truck temos um certo debate sobre a verdade que me parece  muito necessário nos dias de hoje. O protagonista é um escritor mágico: aquilo que ele escreve torna-se real. Até que sua última frase, talvez verdadeira demais, encerra a sua carreira.

“Os mágicos, detetives e escritores tem algo em comum: o poder de iludir, confundir e ludibriar mentes, o quanto lhes for conveniente”

Pg.31

Esse é um conto para se ler as entrelinhas também e, dos três, foi o que mais me fez refletir.

Além dos contos, também encontrei, ao longo dessas primeiras páginas disponibilizadas pela autora, dois poemas e um microconto. Esse livro promete! E, por falar nisso, ele será lançado no dia 07 de setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, então se você estiver por lá, não deixe de passar no stand da The Books Editora!

Antologia do humor russo – Arlete Cavaliere (organizadora)

Título: Antologia do humor russo
Autor: Arlete Cavaliere (organizadora)
Editora: 34
Páginas: 563
Ano: 2018 (1º edição)
Tradução: vários

humor russo banner

Finalmente trago a vocês a resenha desse livro. Quem me acompanha por aqui deve ter percebido que durante vários meses ele apareceu como “leitura em andamento” nos meus resumões. Isso porque esse livro reúne inúmeros contos e optei por ir lendo aos poucos, sem cobrança, alternando com outras leituras.

Ao pegar esse livro para ler eu fiquei pensando em como faria a apresentação dele a vocês. Pensei se valeria a pena fazer algo nos moldes do que fiz com os Contos Russos no ano passado, mas optei por trazer uma resenha mais geral, devido ao tamanho deste livro. Sim, porque a Antologia do humor russo reúne 57 textos, de 37 autores diversos! E, segundo a organizadora do livro:

“A recolha dos textos, em sua maioria inéditos em língua portuguesa e traduzidos diretamente do original, se pautou, portanto, mais pela captação de percepções originais e variadas do humor russo do que pelo enquadramento dos escritores a grupos ou tendências literárias unificadas por uma filiação historiográfica, estética ou ideológica”

(p.12)

Essa explicação da organizadora já nos dá muito o que falar sobre o livro. Em primeiro lugar, entramos em contato com textos que anteriormente não tínhamos contato aqui no Brasil. E estamos falando de textos até mesmo de escritores russos conhecidos, como Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov. E Antologia do humor russo é um trabalho coletivo e tanto: diversos estudiosos e tradutores se reuniram para nos trazer esses textos traduzidos diretamente do original.

Por outro lado, a organizadora deste volume diz que os textos foram selecionados “pela captação de percepções originais e variadas do humor russo”. Bem, ao ler esse livro precisamos ter em mente, de maneira bem clara, um detalhe importante: o humor russo pode ser bem diferente do nosso humor! Não espere dar altas gargalhadas, com um humor debochado. Você irá se deparar, na verdade, com textos irônicos, satíricos, paródicos e até absurdos. Textos que te farão pensar e que, talvez, cheguem a arrancar um leve sorriso de ti.

“O ser humano adora duvidar”

(pg. 149)

Os textos que encontramos ao longo dessa obra, apesar do título da coletânea, vão muito além do gênero conto: temos cartas, peças de teatro, crônicas, anedotas e até trechos de romances. E além de nos depararmos com essa pluralidade de formas, encontramos tanto escritores quanto escritoras, das mais variadas épocas, em um período que vai de 1832 a 2014. Se você quer conhecer um pouco mais da rica literatura russa, portanto, esse livro é, sem sombra de dúvida, um prato cheio.

 

Citações #26 — Guardião do medo

Citações #26

Hoje é dia de trazer algumas citações que ficaram de fora da resenha de um livro maravilhoso: Guardião do Medo, da Michelle Pereira. Lembrando que, nessa obra, o protagonista, Alexander, não tem uma vida fácil e que, por isso, é um personagem extremamente amargurado.

“— Ninguém tem a vida que deseja ter, Alexander”

Mas, na resenha eu defendi o comportamento grosseiro de Alexander, e reitero minha defesa aqui: ele tem seus motivos para ser assim, e não são poucos.

“Eu vi o pior do ser humano, não posso voltar atrás”

Por outro lado, ao longo da história vamos nos deparando com personagens que são o oposto — em muitos sentidos — de Alexander.

“Eu sei que parece bobagem, mas algumas pessoas têm esse coração perseverante, esse coração que ainda acredita…”

E somente pessoas assim poderiam ser capazes de provocar alguma mudança no protagonista.

“Como eu poderia dormir depois daquela velha senhora quebrar alguma coisa dentro de mim? Porque ela quebrou algo, com certeza, e ainda não sei o que é”

E não bastasse toda a dor vivida, quando Alexander está entendendo que há certas belezas na vida, ele tem de lidar, também, com a morte.

“— Cada pessoa que amamos leva um pouco de nós quando parte”

E então…

O corpo nunca se acostuma com a dor”

Alexander também é uma pessoa amargurada porque, dentre outros motivos, sempre foi muito sozinho. Ou sempre acreditou ser muito sozinho.

“— Sempre que você vir uma estrela ou uma luz brilhar mais forte, saiba que eu estarei lá”

E tudo o que ele precisava era de alguém que lhe desse amor.

“Por todos esse anos, isso foi tudo o que precisei. Alguém para me dizer que as coisas iriam ficar bem”

Uma coisa que acabei não explicando na resenha — porque acabei não encontrando espaço para essa passagem — é o motivo pelo qual um Vórtice do Medo é tão importante, tanto para o bem quanto para o mal:

“— O medo é um sentimento poderoso, talvez mais poderoso que o amor. Porque o medo enfraquece, paralisa, mas o medo também move as pessoas”

Termino essas citações, portanto, com uma passagem muito importante, que devemos sempre ter em mente e refletir sobre:

“— Ninguém é tão bom quanto acha que é”

E se você ficou (ainda mais) interessado(a) em Guardião do Medo, adquira o seu aqui.

 

 

 

Elo entre mundos – B. A. Polinari

Título: Elo entre mundos: A batalha de Terökum
Autor: B. A. Polinari
Editora: Publicação independente
Páginas: 290
Ano: 2019

Elo entre mundos blog

Comecei a leitura de Elo entre mundos: a batalha de Terökum sabendo bem pouco sobre o livro e menos ainda sobre a autora, que gentilmente me cedeu o ebook para a realização desta leitura. Devo confessar, portanto, que fui totalmente surpreendida (de maneira positiva) por essa obra, que agora apresento a vocês.

O título Elo entre mundos já nos revela algo de importante sobre a história: trata-se de um cenário que envolve mundos diversos que tiveram de se unir, formando o famoso Elo. Esses mundos são povoados por raças diversas e fortes e que, apesar das diferenças, mantêm-se unidas.

A leitura desta obra começa no prelúdio, que me deixou um pouco assustada, devido às palavras difíceis e à quantidade de informações. Mas esse prelúdio nos apresenta muito bem (e por isso a quantidade de informações) o plano de fundo da história. Por isso, preciso falar um pouco sobre ele, para que o restante fique mais fácil de entender.

Tudo começa com as Prithmanares, entidades que cuidam da vida dos planetas. Com o passar dos anos, elas começaram a perceber que alguns indivíduos estavam evoluindo rapidamente e que eles poderiam ser úteis para elas, pois poderiam ajudar a manter a qualidade desses mundos. Por isso, elas ajudaram esses seres a aprimorar suas técnicas e também criaram portais fixos, para que as raças pudessem transitar mais facilmente de um planeta a outro.

“— Interessante! Às vezes a passividade cobra um preço alto!”

(p.70)

O poder que o conhecimento traz, no entanto, às vezes tem consequências catastróficas, porque nem todos estão prontos para usá-los pelo bem de todos. Por outro lado, há pessoas que nascem para ser líderes natos — e aqui eu uso a palavra líder pensando naqueles que sabem governar o seu povo de modo a ajudá-lo, buscando justamente sempre fazer o bem — e foi graças a pessoas assim que nem tudo se perdeu. Em reconhecimento, as Prithmanares se ligaram de maneira mais profunda à essas pessoas, que se tornaram protetores. Os protetores moram em uma Eirídomu — uma habitação especial e protegida — e têm acesso a conhecimentos milenares.

Ufa, isso tudo foi só para introduzir a história, que começa anos depois do surgimento dos primeiros protetores. Acontece que a harmonia dificilmente dura para sempre e em meio à paz dos mundos, surge um rapaz talentoso que consegue reunir um bom número de traidores para abalar a ordem estabelecida. Os protagonistas de Elo entre mundos: a batalha de Terökum são quatro jovens protetores: Fira, Reyk, Kerina e Keyrian. Esses quatro nasceram acostumados com seus poderes e conhecimentos, mas viram-se em apuros quando foram mandando para um mundo onde perderam tudo aquilo que possuíam, inclusive seus corpos anteriores, que eram mais fortes.

“Às vezes é preciso perder algo para se reencontrar!”

(p.98)

Os planos do traidor, contudo, falharam em alguns aspectos e Fira e Reyk — dois grandes amigos — foram enviados juntos para um mesmo lugar, enquanto as gêmeas Kerina e Keyrian foram enviadas para outro canto do mesmo mundo. Por terem ido parar no mesmo mundo, os quatro jovens conseguem se reencontrar e passam a ser treinados pela Prithmanare do planeta em que eles estão. Boa parte do livro nos mostra o caminho percorrido por esses quatro jovens, que tentam recuperar seus poderes para poder salvar suas famílias, amigos e, claro, seus planetas.

“— Às vezes as piores feridas são aquelas que não podem ser curadas com bandagens e algumas ervas medicinais!”

(p.68)

Claro que o caminho trilhado pelos jovens não é nada simples: além de toda a preocupação e medo que eles têm de enfrentar em seu interior, eles precisam treinar incansavelmente e, acima de tudo, precisam se conhecer melhor. Elo entre mundos, portanto, é um livro que nos mostra a importância da união e da amizade, mas também de nos conhecermos e sabermos nossos limites. Recomendo para quem curte uma fantasia bem pensada, que nos surpreende a cada página e que não é nem um pouco previsível (sério, tem reviravolta atrás de reviravolta nessa história!).

Ficou com vontade de conhecer melhor esses jovens protetores e as peripécias vividas por eles? Adquira seu ebook aqui.

Rosa de Hiroshima — Vinícius de Moraes

Rosa de Hiroshima

Em minha última resenha falei de um livro que conta um pouco sobre o acidente nuclear de Chernobyl. Isso me fez pensar, também, em Rosa de Hiroshima, uma vez que, novamente, estamos falando de questões nucleares, com a infeliz diferença de que aqui não se trata de um simples acidente. Mas vamos por partes.

Rosa de Hiroshima é um poema de Vinícius de Moraes que, posteriormente, foi musicado por Gerson Conrad e ganhou vida com a banda Secos e Molhados. Trata-se de uma obra metafórica que nos faz refletir sobre as consequências de um bombardeio nuclear.

No dia 6 de agosto de 1945 — ano em que a II Guerra Mundial chegava ao fim — para demonstrar sua força nuclear, os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima uma bomba de urânio, que recebeu o nome de Little Boy e que matou ao menos 140 mil pessoas. Três dias depois, ainda houve o ataque a Nagasaki, com uma bomba de plutônio, apelidada de Fat Man. Mais de 40 mil pessoas morreram, sem contar as milhares de pessoas que morreram posteriormente, em decorrência dos efeitos da radiação dessas bombas.

Para as pessoas, a radiação pode causar queimaduras, cegueira, surdez e, claro, câncer. Mas, além disso, a radiação em excesso também é prejudicial para o meio ambiente, devastando a vegetação,  causando chuva ácida e contaminando tudo.

É difícil não sentir um aperto no peito lendo o poema ou, mais ainda, ouvindo a canção Rosa de Hiroshima, que ainda nos lembra que ninguém é poupado em um ataque como esse: crianças, mulheres, idosos… É ainda mais tocante ver o horror sendo descrito, metaforicamente, com o auxilio de uma imagem tão frágil e bela, mas também tão forte (uma vez que se protege com seus espinhos): a rosa. Isso sem falar que a rosa pertence à natureza, que também não é poupada em uma tragédia dessas.

E também é bonito ver como Rosa de Hiroshima consegue trazer a união entre música e poesia de maneira tão bonita, trabalhando ainda mais a fundo diversas figuras de linguagem, para além da metáfora: anáfora (com a repetição de pensem), aliteração (da rosa, da rosa de Hiroshima — a sonoridade causada por esses s) e também a sinestesia (a mistura de sensações como as rosas cálidas).

Pensem nas crianças
Mudas, Telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas, inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas, Alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh! Não se esqueçam
Da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa, sem nada