Sobre cacos de vidro — Juju Figueiredo

Título: Sobre cacos de vidro
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 89 páginas 
Ano: 2019

Cacos de vidro

Só pelo título deste livro já podemos ter ideia de que se trata de uma história complicada, provavelmente não muito feliz. Ao mesmo tempo, é difícil adiantar o que realmente encontraremos ao longo das páginas.

“Estava perdida, completamente perdida, e não sabia o que fazer para me reencontrar”

Lily — a personagem que narra boa parte dos capítulos de Sobre cacos de vidro — é uma mulher forte, e que vivenciou uma situação que nenhuma mulher gostaria de vivenciar. É interessante como isso nos é revelado ao longo da história: de maneira gradual, até passar a falar diretamente sobre o assunto.

“Aquela criança jamais me lembraria o monstro que me destruiu, ela só me trazia felicidade, amor, paz e segurança”

Quando se descobriu grávida, Lily pensou em abortar. Quando a criança nasceu, porém, tudo mudou e ela se apegou de tal maneira à criança que dali, apesar de tudo, nasceu uma linda relação de mãe e filho.

Tentando se reerguer, Lily muda de país, trabalha bastante e vive por seu filho. Uma mulher forte, mas totalmente fechada para relacionamentos, com muito medo de se entregar.

“Não sabia dizer em que ponto eu me quebrei ou até mesmo quando desisti de me reconstruir. Apenas sei que minha vida não era nada menos que cacos espelhados pelo chão.”

Tudo muda — mas aos poucos — quando Pedro aparece, decidido a quebrar todas as certezas e medos de Lily. De início, ela tenta negar seus sentimentos, mas Pedro está realmente decidido a conquistá-la. E assim começa uma nova fase na vida de Lily.

“E eu olhei para ela, não gostava de imaginar tudo o que ela tinha passado, seu olhar era triste”

Cacos de vidro é o terceiro volume da Série Recomeços (os anteriores são Simplesmente amor e Entre girassóis), composta por histórias independentes mas com algo em comum: apresentar protagonistas fortes, que passam por dificuldades e que retratam algumas duras realidades vividas por mulheres em nossa sociedade.

Caso queira saber como termina a história de Lily, clique aqui.

Os doze signos de Valentina — Ray Tavares

Título: Os doze signos de Valentina
Autora: Ray Tavares
Editora: Galera
Páginas: 389
Ano: 2017 (1º edição)

os doze signos

(Leia essa resenha ao som de “Dias atrás“)

Eu pergunto a vocês: que droga tem nesse livro que nos deixa viciado nele? A escrita? O enredo? A combinação dos dois? Definitivamente, a combinação dos dois!

Isadora — ou Isa — é uma jovem que após seis anos de namoro descobre que seu namorado a está traindo com uma de suas amigas da faculdade. E esse episódio, durante longos meses, destrói toda a crença no amor que Isadora tem (e nos faz odiar Lucas — o tal ex — o livro inteiro, por mil motivos além desse).

“O negócio é que nenhum filme da Disney te prepara para a dor de uma traição, ou a constatação de que os seis anos que se passaram não significaram absolutamente nada para a pessoa com quem você compartilhou cada alegria e tristeza”

(p.17)

Um belo dia, Marina, prima de Isa, cansada de vê-la neste estado a arrasta para uma balada na Augusta (sim, porque a história se passa em São Paulo e Isa é gente como a gente). Lá Isa perde a linha, mas também descobre o porquê de seu relacionamento não ter dado certo: ela era ariana e Lucas, pisciano. Ok, isso pode parecer absurdo, mas naquele momento, fazia total sentido par Isa.

“Por que é que a gente tem esse estranho fetiche de nos sabotar?”

(p. 27)

Na semana seguinte, Isa descobre que terá de criar um blog investigativo para uma das disciplinas de sua faculdade de jornalismo. E então ela decide unir o útil ao agradável: ela cria um blog para narrar sua experiência beijando um garoto de cada signo do zodíaco. O blog deve ser criado com um pseudônimo — por isso os doze signos de Valentina — e apenas o professor da disciplina sabe quem é o administrador de cada um dos blogs.

A escrita de Isa em seu blog e a escrita do livro em si, se misturam, sendo ambas deliciosas de se ler (queria eu escrever assim!). E mesmo que nós, leitores, tenhamos o privilégio de saber quem administra o blog (lembrando que os personagens do livro não têm essa mesma sorte), a história não se torna menos intensa.

Claro que talvez tenha contribuído para meu vício nesse livro o fato de que sou aquariana com ascendente em peixes e esses terem sido os dois últimos signos a aparecer na história (já que Valentia faz o favor de seguir a ordem dos signos, ao menos em grande parte…). Como eu estava curiosa!! Mas a espera valeu à pena. E não se trata de uma questão de acreditar piamente em signos, mas sim de conseguir detectar pontos de identificação.

Os doze signos de Valentina é um livro e tanto: fala sobre traição e sobre a superação disso, fala sobre o amor e suas frustrações e alegrias, fala sobre perdão, fala sobre sororidade, faz várias críticas (e autocríticas) sociais e ainda fala sobre signos. Sem contar que essa história arrancou muitas gargalhadas de mim, quase me fez perder a estação que deveria descer algumas vezes e não sei como não me deixou numa bela ressaca literária.

“E, apesar da nossa ânsia por histórias que inovem e fujam do clichê, não existe nada mais gostoso do que assistir a um final feliz”

(p.358)

E se você acha que Isadora se apega com todas as suas forças aos signos e faz deles a sua religião, já te adianto que você está se enganando. Esse é um ótimo livro para refletirmos sobre o assunto de maneira leve e ainda abrindo margem para um pouco mais de autoconhecimento.

Os doze signos de Valentina foi meu primeiro contato com a escrita da autora Ray Tavares e já me apaixonei. Estou doida para ler as outras obras dela.

E se você ficou querendo saber mais sobre as peripécias de Isadora — só Isa —, clique aqui e saiba como se dá essa história.

Vertigo — Marie Pessoa

Título: Vertigo
Autor: Marie Pessoa
Editora: Publicação independente
Páginas: 162
Ano: 2019

vertigo

Vertigo não é um livro previsível: você vai lendo página após página e não imagina onde a história vai dar. Isso sem contar que muitos temas importantes são abordados ao longo da narrativa e que diversas coisas nos são ensinadas a cada guinada na história.

“Pequenos elogios como esse faziam total diferença a alguém despedaçado”

Quem narra Vertigo é Mia, uma jovem publicitária que descobre que seu noivo a está traindo com a sua até então melhor amiga. Desempregada e sozinha, Mia entra em depressão.

“Era doloroso demais terminar um relacionamento. Qualquer um deles; até mesmo os que não havia mais sentimentos”

Um belo dia, Mia resolve ir ao Satan’s Bar, localizado perto de sua casa. Até essa primeira visita, ela imaginava que aquele fosse apenas mais um barzinho, cheio de jovens, mas ao chegar lá se depara com algo totalmente diferente do que esperava.

No dia seguinte, Mia é acordada por uma ligação chamando-a para uma entrevista de emprego. E, então, sua vida começa a tomar rumos inesperados. Suas vidas profissional e pessoal vão se misturando de maneira complicada e intensa.

“Posso afirmar com convicção: recomeços não são fáceis”

Na noite em Santan’s bar, Mia conhece Matteo. Em seu novo emprego, Giorgio. Dois personagens em um mesmo corpo. Dois personagens (ou apenas um) que mexem muito com Mia. Ainda que ela carregue mágoas do fim de seu último relacionamento, ela não consegue deixar de se apaixonar por esse homem que está disposto a ensinar tudo o que sabe sobre BSDM, mas que, ao mesmo tempo, não parece disposto a se entregar a um relacionamento monogâmico, que apesar de tudo continua a ser o sonho de Mia.

“Precisava de novas amizades, e principalmente criar novas lembranças. As antigas já não me serviam mais”

Com a relação entre Mia e Giorgio (ou Matteo) — uma relação que não é apenas sexual, mas também de amizade — vamos descobrindo sobre o passado da protagonista e, com ela, vamos percebendo como seu relacionamento anterior era abusivo e tóxico.

“Eu não queria viver numa eterna vertigem. Estava farta de desistir dos meus sonhos por pessoas que não fariam o mesmo por mim”

Neste livro, portanto, vemos uma mulher se livrando de amarras, se descobrindo e aprendendo a se amar. Mia também reflete muito sobre o feminismo — lembrando que, além de tudo, ela foi traída por sua melhor amiga —  e sobre suas ações em relação às suas crenças e ideologias.

“Era o tipo de sorriso que eu gostaria de ver todos os dias ao acordar e antes de dormir. O sorriso de alguém que se importava comigo”

É uma história hot, mas sem cair no lugar comum de tantas outras histórias. Uma narrativa com temáticas que valem a discussão e com um final aberto que — ainda que isso desagrade a muitos —  não poderia ser diferente: Vertigo não é um conto de fadas, mas uma história que se mostra como real e plausível.

“Mas com a vida adulta percebi que nem todos os sonhos são alcançáveis. A gente realiza o que pode”

Se você quiser conhecer Mia e sua trajetória, clique aqui.

Fantásticos — Nuccia De Cicco (org.)

Título: Fantásticos
Autor: vários
Editora: Sinna
Páginas: 100
Ano: 2018

fantásticos blog

Resenhar Fantásticos não é uma tarefa fácil. Se falar sobre um livro de contos já traz suas dificuldades (falo do livro como um todo? Falo de cada conto?), esse é ainda mais complicado devido à sua temática: a antologia Fantásticos nos apresenta histórias em que os protagonistas têm algum tipo de deficiência.

“Não sou inferior a você. Sou diferente, todo mundo é diferente. Sou humana, como você”

Ao longo das páginas vamos nos deparando com protagonistas com deficiência auditiva, visual, motora, ou mesmo intelectual.

“Depois de refletir sobre tudo o que havia acontecido naquele dia, descobri que a vida não era tão fácil quanto parecia”

Muitas das histórias também trazem algo da fantasia: mundos paralelos, poderes inesperados. Claro que, tudo isso pode ser lido em uma chave alegórica, que tenta nos mostrar que uma deficiência não torna ninguém menos que qualquer outro ser humano.  Em outros textos, porém, nos deparamos com a realidade nua e crua do que é ter qualquer tipo de deficiência em uma sociedade como a nossa. Em todos eles há, ainda, o preconceito em suas mais diversas formas e as maneiras que os protagonistas encontram para resolver a situação.

“Se eu não consigo fazer as coisas da maneira tradicional, invento outra maneira de fazer”

Este é, sem dúvidas, um livro para refletirmos e para que busquemos quebrar certos preconceitos. Empatia é uma ótima palavra para definir essa obra. Confesso, porém, que esperava um pouco mais do livro que, no geral, acabou não me prendendo tanto assim, ainda que eu tivesse vontade de saber mais sobre cada personagem. As narrativas, apesar da temática, me pareceram muito superficiais, mas considero esta uma leitura essencial nas escolas. Seria uma tarefa que poderia trazer bons frutos.

“É perfeitamente normal a curiosidade sobre algo novo em nossas vidas, contanto, é claro, que isso não ferisse o próximo”

Sentiu vontade de conhecer as histórias deste livro? Clica aqui.

E as estrelas, quantas são? — Giulia Carcasi

Título: E as estrelas, quantas são?
Original: Ma le stelle quante sono
Autor: Giulia Carcasi
Editora: Planeta
Páginas: 272 
Ano: 2011
Tradutor: Letícia Martins de Andrade

e as estrelas

[Antes de começar a ler esse post faça um favor para mim e leia o título desse livro em italiano. Olha que coisa mais linda!]

Esse livro chegou até mim de forma inesperada: um presente fora de época. Mas mais inesperado ainda foi o que encontrei diante de mim: não um livro, mas dois. De um lado temos a história de Alice Scaricca; de outro, a história de Carlo.

“Alice é bonita justamente por isso, porque tem os olhos cheios de alguma coisa que não é desta terra, alguma coisa que não foi contaminada”

(p. 25 – Carlo)

Dois jovens que estão no último ano da escola, vivendo uma intensa fase de descobertas. Vivendo aquela fase pela qual todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabamos por passar, cada um à sua maneira.

“Me sinto como alguém que procurou manter em equilíbrio muitas coisas que depois acabaram caindo: o amor, a família, a amizade, os exames…”

(p. 141- Alice)

Alice e Carlo não são os populares da escola, muito pelo contrário: são “esquisitos”, estudiosos, têm poucos amigos. E mesmo sendo tão parecidos, eles conseguem ter experiências bem diversas (claro).

“Estou cansada de me colocar na pele dos outros. Agora tenha a minha própria para cuidar”

(p. 85 – Alice)

Cada um deles, a seu modo, está descobrindo o amor. E também a decepção, a traição, o mundo adulto. Eles estão vivendo as suas experiências, enquanto nos mostram muito daquilo que podemos ter vivido também.

“Porque se tornar um homem não significa ter feito sexo; significa ter coragem de enfrentar os próprios medos e de lutar por quem se ama”

(p. 108 – Carlo)

Mesmo depois de ler E as estrelas, quantas são? não sei se há uma maneira certa de encará-lo. Comecei com a parte de Alice e depois fui para a parte de Carlo. Mas também pensei em alternar as partes ou começar por Carlo e depois ir para a Alice. Não sei como esses caminhos poderiam ter mudado minha percepção sobre o livro. De qualquer forma, achei a parte da Alice mais intensa, profunda (e mais longa, isso é inegável). Mas a parte de Carlo tem a sua poesia.

“Tudo aquilo que lhe dá coragem é poesia, tudo aquilo que segura a sua mão e lhe explica o mundo, que faz você se sentir menos só, que ajuda você a se entender e a se perceber”

(p.124- Alice)

As histórias de ambos acabam se cruzando, mas ainda que tenha algo da narrativa de um na narrativa do outro, o livro consegue não ser repetitivo, pois é realmente interessante ver o ponto de vista de cada um e a forma que eles enxergam os mesmos acontecimentos.

“Haveria menos guerras se as pessoas despertassem com uma história”

(p.9 – Alice)

Eu me deliciei lendo esse livro. Uma leitura feita aos poucos, com as pausas necessárias para absorver a transformação desses dois jovens. Transformação essa pela qual tantos de nós já passaram em algum momento.

“Mas o tempo corre rápido e não manda aviso, não diz que está prestes a te alcançar e te deixar para trás”

(p.17 – Alice)
Quer conhecer melhor Alice e Carlo? Então adquira seu livro aqui.

O passado de Raya — Michelle Pereira

Título: O passado de Raya
Autor: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Páginas: 36
Ano: 2018

o passado de raya blog

Quando li Guardião do medo, fiquei intrigada com Raya, que diversas vezes fez menção ao seu passado, mas sem explicar o que houvera. Sabendo que havia um conto chamado O passado de Raya, quis, obviamente lê-lo o mais rápido possível.

Já dava para imaginar que Raya era apaixonada por Alexander — isso era o pouco que podíamos deduzir de suas pistas — mas eu não esperava uma história como a que encontrei.

Rayan (seu verdadeiro nome), quando ainda era humana, fugiu com seu noivo e, por isso, eles viviam de favor no celeiro de uma fazenda, cujos donos — Mina, Theodoro e Daniel — eram muito amáveis.

“Havia um belo sorriso em seu rosto, o que me fez concluir que tudo estava bem. Algo que nem sempre era verdade”

Rayan — assim como Alexander em Guardião do Medo — vê criaturas que não sabe o que são e que a assustam. Além disso, o relacionamento de Raya e seu noivo era um tanto quanto conturbado, coisa que, de início, ela não enxergava, devido ao amor que sentia. Aos poucos, porém, esse tal noivo vai revelando sua verdadeira faceta e Raya tem sorte de estar numa fazenda com donos tão gentis e protetores.

No clímax desta história temos um ciúme que cega e torna ainda mais violento o noivo de Raya. Uma história que deveria ser de fantasia, mas que, ao mesmo tempo, revela muito bem a infeliz realidade de tantos relacionamentos. O passado de Raya é pesado, mas seu presente também. E ainda há muito a ser revelado sobre essa personagem intensa e forte.

Se você está em busca de uma leitura mais curta, mas que ainda é intensa e capaz de te fazer refletir sobre um dos sentimentos mais complexos que há — o amor — essa história é pra você!

Quer saber como termina a história de amor de Raya? Então clica aqui.

Uma casa no fundo de um lago – Josh Malerman

Título: Uma casa no fundo de um lago
Original: A House at the Bottom of a Lake
Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
Ano: 2018
Tradução: Fabiana Colasanti

uma casa no fundo de um lago

Depois de assistir Caixa de Pássaros (ou Birdbox), fiquei com vontade de ler o livro que dera origem ao filme. Mas antes, ouvi falar de Uma casa no fundo de um lago, e, sendo do mesmo autor, resolvi ler, afinal seria uma história totalmente nova para mim. Infelizmente, porém, fiquei decepcionada!

Eu consigo dividir a minha leitura deste livro em três momentos principais: um começo parado, um meio relativamente instigante (o que me fez prosseguir com a leitura) e um final que me deixou com uma enorme cara de interrogação. Fiquei até pensando se eu que não havia entendido a história, mas comecei a ver que muitas pessoas também ficaram insatisfeitas com essa narrativa (o que também não significa que talvez todos nós não a tenhamos entendido).

“Mas porque a casa já parecia exigir uma consideração mais cuidadosa do que qualquer sorriso simples poderia suprir”

(pg.58)

Neste livro conhecemos James e Amélia, dois jovens de 17 anos apaixonados um pelo outro. Tudo começa quando James decide chamar Amélia para sair. E eles resolvem fazer um passeio no lago. E descobrem um lago escondido. E encontram uma casa submersa no lago escondido.

“E não era só a casa. Não. Era o quarto lago no qual também estavam nadando”

(pg. 60)

Essa tal casa exerce um fascínio não apenas nos jovens, que passam a explorá-la constantemente, mas também em nós, leitores (é aquele meio instigante que mencionei no começo). Mas a história acaba ficando muito nisso, na exploração da tal casa submersa, e pouco se aprofunda (irônico, não?). Ao mesmo tempo, eu senti que a exploração gradual dessa casa escura era como percorrer um caminho de autoconhecimento, como mergulhar em si mesmo. No entanto, essa foi uma interpretação que acabei dando à história, talvez na tentativa de dar um sentido a ela.

Num dado momento da história, Amélia encontra um espelho dentro da casa , numa passagem que me lembrou Caixa de pássaros. Fiquei pensando no quanto o autor dá valor à visão, como um dos nossos sentidos mais poderosos.

“Não se olhe nele”

pg. 48

Mesmo não gostando tanto assim deste livro, eu leria outras obras do autor (além de Caixa de pássaros, que logo terá resenha por aqui também), porque o fato dessa história não ter me agradado tanto assim não significa que o escritor seja ruim (e o sucesso de Caixa de pássaros é evidente).

Se você quer tirar suas próprias conclusões sobre Uma casa no fundo de um lago, adquira seu livro aqui.

Entre Girassóis — Juju Figueiredo

Título: Entre girassóis
Autor: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 69 
Ano: 2019

entre girassois blog

Laura ainda era jovem e cheia de sonhos quando seus pais — viciados em jogos — prometeram a mão dela a um velho, como pagamento da dívida que haviam adquirido. Inconformada, Laura não sabia como fugir dessa situação. No dia do noivado, porém, uma salvação: Antônio. Em troca de um favor de Laura ele pagaria todas as dívidas dos pais dela e a libertaria desse casamento forçado. Falando assim, até parece que Entre girassóis se passa no século passado, mas garanto que a ambientação da história é bem atual!

“Mas eles não entendiam, ninguém entendia o que a dor é capaz de fazer com o ser humano, o que o álcool pode fazer com um homem, ele muda a pessoa”

Da amizade entre Laura e Antônio acaba surgindo um amor verdadeiro. E do amor entre eles nasce uma bela menina. Antônio, porém, sofre uma morte precoce, deixando Laura viúva.

“— Vocês não o conheciam, ele tinha seus demônio e tentava lutar contra eles todos os dias”

Depois de perder seu marido, Laura foca em apenas duas coisas: sua filha e sua carreira. O amor, para ela, era algo que ficara para trás, afinal, quem se apaixonaria por uma mãe viúva?

Bem, era isso que Laura se perguntava até que Willian surgisse em sua vida. Um lindo rapaz que não acreditava em amor à primeira vista e nem em almas gêmeas, mas que teve suas certezas abaladas ao conhecer Laura.

A narrativa de Entre girassóis é alternada entre Laura e Willian, com predominância de capítulos escritos pela protagonista. Esse é o segundo livro da Série Recomeços (o primeiro é Simplesmente amor), uma trilogia spin off da Série Envolventes (que logo vai começar a aparecer por aqui!).

Se você quer saber o que acontece entre Laura e Willian, adquira seu ebook aqui.

Leviatã – Boris Akunin

Título: Leviatã
Original: Léviathan
Autor: Boris Akunin
Editora: Objetiva
Páginas: 282
Ano: 2004
Tradução: Adalgisa Campos da Silva

Leviatã blog

Um crime que culminou na morte de dez inocentes — dentre eles o Lorde Littleby — na rua Grenelle, em Paris, no ano de 1878. É assim que começa a história de Leviatã, um livro policial escrito por Boris Akunin.

As investigações de tal crime, contudo, acontecem em um navio — o Leviatã —, mais precisamente na primeira classe do mesmo, devido a uma pista encontrada na cena do crime. Boa parte da narrativa se passa, portanto, no salão Windsor, onde o detetive consegue juntar os suspeitos desse grande crime.

Durante as refeições no salão Windsor vamos conhecendo melhor o detetive Gauche, Charles Reynier (segundo capitão do navio), Milford Stoakes, Gintaro Aono (um samurai japonês), Renata Kléber (uma mulher grávida), Clarice Stamp, Sr. e Sra. Truffo (que são os médicos do navio), Sweetchild (um arqueólogo) e Erast Fandórin (um russo). Pessoas bem peculiares e cheias de mistério.

“Clarice aproximou-se da mesa e, como os outros, contemplou, maravilhada, o pedaço de pano que custara tantas vidas humanas”

(p.269)

O livro é composto por várias formas de texto (narrativo, carta, páginas de um diário) e diversos personagens ganham voz ao longo das páginas. É muito interessante ver como, por vezes, eles mesmos dizem algo que os torna, diante dos nossos olhos leigos, suspeitos desse crime. Além disso, o fio investigativo da história é excelente, nos deixando em dúvida até o último instante sobre o verdadeiro criminoso e também nos surpreendendo com um desfecho incrível.

Eu ganhei esse livro de uma amiga (obrigada, Moni <3) e ficamos curiosas com o título, mas eu não esperava encontrar uma história tão boa. Leviatã faz parte de uma série, e até fiquei com vontade de ler os demais (já providenciei uma parte disso) e foi um livro que todos aqui em casa acabaram lendo!

Por fim, gostaria de comentar que a rua Grenelle realmente existe em Paris (e é extensa) e que, após todos aqui em casa lerem esse livro e estando com uma viagem marcada para a cidade luz, não pudemos deixar de procurar a tal rua por lá… e encontramos:

rua grenelle

Se você ficou com vontade de descobrir o verdadeiro autor deste crime, adquira seu livro aqui.

Miniconto: Protetora — Michelle Pereira

protetora capa

Vocês acreditam que já chegamos ao último miniconto do Arco das Terras Mágicas, escritos pela Michelle? Vai dizer que agosto não passou voando??

Depois de Arvoredo, Chifres e Banho, hoje é a vez de Protetora, um miniconto dolorosamente atual e direto.

Sinopse:

Há um tesouro no interior da floresta e cada uma delas dará sua vida para protegê-lo dos bárbaros.

Protetora é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam.

Saboreie a rápida leitura de Protetora aqui, de forma totalmente gratuita!