Hoje é dia de mergulharmos um pouco mais na obra Carrie Soto está de volta, da Taylor Jenkins Reid. Um livro que demorou um pouco para me pegar, mas que depois eu não conseguia mais largar, e que me deixou pensando em muitos assuntos.
A começar pelo fato de que este livro trata da força feminina, tantas vezes deixada em segundo plano ou subestimada pela sociedade machista em que vivemos.
“Vivemos em um mundo onde mulher excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres”
Uma história que também fala sobre perdas, não apenas de uma partida, mas também de pessoas queridas.
“E eu me pergunto por que passei a vida inteira com tanto medo de perder, sendo que já tenho tanta coisa”
“O luto é um buraco escuro e profundo”
Outra temática presente neste livro é a da busca pelo perfeccionismo. Carrie Soto é uma protagonista insuportável, dentre tantos motivos também pela sua incessável busca por ser A melhor.
“O lado ruim do perfeccionismo é que a pessoa está tão acostumada a fazer tudo dar certo que entra em colapso quando dá tudo errado”
Mas a narrativa nos conquista porque, apesar de tudo, Carrie é humana e muitas de suas características são, na verdade, fruto do meio em que cresceu e da maneira como foi educada.
“Pela primeira vez na vida, posso ser… outra coisa”
Por fim, gostaria de destacar um trecho em que a personagem fala do papel de treinador, mas que também pode ser muito bem aplicado à educação (tema que, como visto aqui, muito me agrada).
“É um privilégio poder orientar uma pessoa até determinado ponto e depois deixá-la terminar tudo sozinha. Transmitir a alguém todo o conhecimento que tem e torcer para que seja bem utilizado”
Se você ainda não leu minha resenha deste livro, não deixe de clicar abaixo para ler!
O post de hoje não é exatamente uma resenha, apesar de trazer alguns aspectos sobre uma série de livros. Um pouco confuso, eu sei, mas o ponto é: este é um post relativamente diferente do que costuma aparecer por aqui, mas que acabei me animando a fazer e que trata de livros e ensino de línguas.
Há algum tempo, meu irmão me deu de presente diversos livros da coleção Portfolio SBS. Para quem não sabe, a SBSé uma Livraria Internacional que existe no Brasil desde 1985 e que é líder em distribuição de livros e materiais para o ensino de idiomas, materiais didáticos e afins.
Os volumes desta coleção são livrinhos pequenos e fininhos, mas que trazem muito conteúdo.
O trarei aqui não é uma resenha de cada um dos volumes que ganhei, mas uma apresentação desta coleção, além de compartilhar um pouquinho a maneira que tenho realizado a leitura desses exemplares.
Os livros possuem uma estrutura similar, variando apenas seu conteúdo. A estrutura é a seguinte: um prefácio dos editores da série, seguido por uma introdução do autor, com uma apresentação da temática do livro e um resumo do que será abordado em cada capítulo, que costumam ser entre quatro e seis em cada volume. Ao fim, encontramos as referências bibliográficas e indicações de leituras suplementares e, por fim, os apêndices, que geralmente são atividades ou dados apresentados e mencionados ao longo dos textos.
Como ensinar é uma coisa que eu adoro e quem ensina está em constante aprendizado, resolvi que a melhor forma de encarar estas leituras seria de maneira ativa, isto é, grifando e fazendo anotações. Por isso, sempre que eu pegava um dos volumes desta coleção, já pegava também um lápis e lia as partes teóricas e práticas buscando refletir sobre o que estava sendo dito.
Para quem já tem certo contato com as teorias de ensino de línguas, nem tudo ali é novidade, claro. Inclusive sinto que algumas coisas já estão um pouco ultrapassadas. Mas o ensino também tem dessas: precisa acompanhar o desenvolvimento humano e de suas tecnologias e livros sobre o assunto tendem a logo perderem a sua atualidade.
Mas o bacana de ler sobre ensino é que sempre haverá algo do qual podemos extrair alguma lição. Ou algo que nos dará uma luz. Por isso um lápis foi meu fiel escudeiro ao longo desta leitura. Algumas páginas ganharam, além de grifos, anotações de ideias que me sugiram e que eu não poderia perder.
Atualmente estou lendo O ensino comunicativo de línguas estrangeiras (Jack C. Richards) — Portfolio SBS 13. Este talvez seja um dos mais relacionados à minha pesquisa de mestrado e é interessante ver como apesar de conhecer sobre o tema, há muitos estudiosos diferentes daqueles que pesquisei.
Aliás, se você quiser saber um pouco mais sobre a minha pesquisa e sobre o que eu conheço e uso nessa área de estudos, indico a leitura dos posts Que método você usa? e Que material você usa?, além do post que coloquei aí em cima, no qual apresento a minha pesquisa de mestrado.
Mas, voltando à coleção da SBS, ainda vou ler também os seguintes livros:
Estou bem curiosa com eles e não vejo a hora de poder dizer que concluí a leitura desses livros, mesmo sabendo que isso não acabará por aqui e que ainda voltarei inúmeras vezes a eles.
Também fazem parte do portfolio SBS os seguintes volumes:
Se você quiser conhecer de perto esta coleção, basta clicar aqui ou nos livros listados acima.
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O texto de hoje é a tradução de um artigo originalmente publicado no The nerd writer, em 27 de fevereiro de 2020. O texto em questão foi escrito por Sara Elisa Riva e você pode lê-lo (e escutá-lo!) aqui.
Resolvi trazê-lo para cá pois, como o próprio texto diz, “o que é a literatura?” é uma pergunta que, mais cedo ou mais tarde, os amantes (e estudiosos) desta arte acabam se fazendo.
Além disso, as palavras aqui trazidas também abordam outra questão, que esteve em pauta na minha última resenha: a do cânone literário.
Vamos, então, atrás de algumas respostas?
Tradução
Depois de finalmente compreender qual era o meu papel na difusão da cultura literária, me vi diante de um primeiro obstáculo a ser superado: de onde partir para envolver as pessoas no extraordinário mundo da literatura e da escrita? Do início, obviamente, alguém poderia dizer, mas qual é exatamente o início?
Todos nós começamos a ler sem nos fazermos grandes questionamentos, simplesmente pegamos em mãos o nosso primeiro livro e, uma sílaba depois da outra, uma palavra depois da outra, uma frase depois da outra, chegamos ao final do texto. Lemos a nossa primeira história.
Entretanto — e isso inclui tudo o que lemos a seguir — dificilmente paramos para pensar porque lemos aquele livro específico. E, para compreender isso, temos de dar um passo para trás.
O que é a literatura?
Cedo ou tarde, pelo menos uma vez na vida, um estudioso de literatura se fará a uma pergunta que não temos como escapar: o que é a literatura? Questão aparentemente banal, afinal o que é a literatura se não um amontoado de textos literários?
Começo dividindo a literatura em duas grandes categorias: os grandes clássicos da literatura mundial de um lado (e esses serão os textos aos quais irei me referir ao longo desse texto) e as narrativas contemporâneas de outro. É claro que alguns livros publicados hoje, amanhã podem se tornar clássicos. Vejamos como.
Partindo de “a literatura é um conjunto de textos literários que atravessam os séculos”. Se assumirmos como verdadeira essa afirmação, será natural nos colocarmos outra pergunta: quais são os textos literários que foram transmitidos até nós? E por que justo eles?
O cânone literário
Os textos que nós lemos, que usamos como referência, fazem parte daquilo que é definido como cânone literário, ou seja, um conjunto de autores e obras tidos como modelos estéticos de uma determinada tradição e com os quais abre-se continuamente um diálogo.
Isso vale como uma definição de máxima, mas o cânone também compreende modelos que transcendem a estética. Como, por exemplo, os valores identitários de uma comunidade, os valores éticos e a sensação de pertencimento são fundamentais, uma vez que representam o primeiro sinal de identidade.
Tudo aquilo trazido até este momento clarifica, apenas em linhas gerais, um modelo de representação da realidade externa a nós. O cânone, contudo, fornece também um exemplo do universo íntimo do eu, da interioridade, do pensamento e da memória.
Para que serve, concretamente, o cânone literário?
O cânone literário nos permite, portanto, através da imitação, definir os diversos modos de representação. Em outras palavras: quando lemos os textos que pertencem ao cânone vigente, passamos a conhecer uma série de valores que se tornam nossos através da imitação (a mimese, portanto). Assim sendo, a literatura nos apresenta modelos de comportamento aceitáveis e compreendidos pela sociedade na qual vivemos, nos fazendo viver uma série de experiências capazes de formar a nossa identidade.
Isso nos faz entender que com a variação dos valores sociais no decorrer dos séculos, existe a possibilidade de uma mudança no cânone que, realmente, não é fixo e nem imutável.
Então o que é a literatura?
Depois de esclarecer, em linhas gerais, o que é um cânone literário e de nos colocarmos algumas perguntas, podemos dizer com razoável certeza que a literatura é um conjunto de textos que contém os valores e os modelos da sociedade na qual estamos inseridos, com a qual mantemos um constante diálogo aberto, mas que, no entanto, justamente pelas variáveis típicas da natureza humana, podem ser modificadas com o passar dos anos. Não é um mistério, portanto, que alguns autores ou suas obras tenham caído no esquecimento por longos períodos para depois serem redescobertos e trazidos à luz em um momento mais adequado a receber a mensagem que o autor trazia consigo.
Resta ainda uma dúvida, a mais complexa, mas talvez a mais interessante: para o que serve a literatura?
Disso, porém, falaremos no próximo artigo!
Por enquanto, aconselhamos uma leitura fundamental: o cânone ocidental, de Harold Bloom.
Considerações finais
Ao concluir a leitura (e a tradução) de O que é a literatura não sei se as coisas ficaram mais claras ou mais confusas para mim.
A verdade é que definir literatura em poucas linhas é uma tarefa ingrata e praticamente impossível.
No entanto, o texto traz uma explicação interessante sobre o que é um cânone e como ele é estabelecido, além de trazer à luz algumas reflexões interessantes sobre a literatura.
Se você quiser a tradução do artigo sobre para que serve a literatura, me fale nos comentários (:
Título: Poemas antológicos
Autor: Solano Trindade
Organização: Zenir Campos Reis
Editora: Nova Alexandria
Páginas: 168
Ano: 2007
Sinopse
Antologia de poemas de Solano Trindade, uma das mais importantes vozes da poesia brasileira da segunda metade do século XX.
Resenha
Inicio esta resenha confessando que raras vezes busco me aprofundar na vida dos autores que leio. Geralmente, as biografias que os livros trazem satisfazem a minha curiosidade quanto à pessoa que escreveu e logo saio em busca da próxima leitura.
“Luta foi o que não faltou na vida de Solano Trindade, nascido pobre e negro no Recife, em 1918”
Por algum motivo, porém, desde que peguei Poemas antológicos para ler, sentia que queria saber mais e mais sobre Solano Trindade.
“Só é jovem quem ama
E o meu amor à vida
É cada vez maior”
(Vida)
Felizmente, o próprio livro é bem rico, trazendo em seu início os capítulos Algumas palavras antes do textoe Solano Trindade, passado e presente, que nos dão um bom panorama sobre a vida e a obra deste poeta.
“O título de ‘poeta negro’ ganha força, já que nos versos é verificada a principal fonte de inspiração: o desejo de igualdade”
E, claro, esta reunião de poesias despertou aquela pulga do: como nunca ouvi falar sobre Solano Trindade antes? Mas a resposta está ali mesmo: Solano ficou conhecido como o “poeta negro”. Isto, somado às suas poesias carregadas de denúncias e críticas, certamente contribuiu para que ele não entrasse no cânone literário (principalmente escolar).
“Liberdade é um tema recorrente na obra de Solano Trindade — principalmente nos poemas que abordam a escravidão e a vida do negro fora da África”
E apesar de igualdade e liberdade ecoarem em muitas das poesias aqui reunidas, o livro nos leva muito além, mostrando que o “poeta negro” sabia brincar com as palavras e usá-las para falar de tudo um pouco, de maneira inteligente e, muitas vezes, surpreendente.
“Outros temas, mais cotidianos, também estão presentes nesta antologia”
Assim, Poemas antológicos está dividido em quatro grandes temas:
Vida, nossa vida
Deuses e raízes
Amor à flor da pele
Resistência e luta
Por mais que as temáticas se conversem e se cruzem em alguns pontos, é muito fácil perceber o assunto de cada poema e qual grande tema estamos percorrendo naquele momento.
“Todo amor é de agora…
Não existe amor futuro”
(Amor, amor, sempre amor)
A poesia de Solano me cativou não apenas por sua variedade de temas, mas também por sua forma e sua força. Senti que estava lendo poesia de verdade e fiquei ainda mais encantada ao saber que alguns dos poemas chegaram a ser musicados, inclusive por João Ricardo, dos Secos e Molhados, na canção que pode ser ouvida abaixo.
Também chamou a minha atenção a criatividade do autor, o uso de figuras de linguagem, a ironia bem empregada.
Dentre os poemas que não posso deixar de destacar, menciono F. da P, Toque de reunir, Batucada, Civilização branca.
Se você quiser conhecer estes e outros versos de Solano Trindade, indico a obra Poemas antológicos, que você pode obter em formato físico ou digital clicando abaixo.
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Feriados são ótimos para descansar, mas também são um excelente momento para se divertir, não é mesmo? Pensando nisso, hoje trouxe uma TAG literária inspirada no jogo Uno (sim, aquele famoso destruidor de amizades…).
Vi a TAG numa postagem de setembro de 2022 (um ano atrás!), lá no Leitor dos Sonhos. Clicando abaixo você pode conferir a postagem original (:
+4 – Quatro livros que de alguma forma marcaram sua vida.
Já começamos no nível hard, mas vamos a (somente) quatro livros que me marcaram de alguma forma. Nenhum deles, infelizmente, resenhado por aqui, porque foram lidos antes da existência deste espaço.
+2 – Duologia que você já leu ou tem vontade de ler.
Fiquei um tempo pensando em alguma duologia que eu já tivesse lido para, no fim, ficar indignada comigo mesmo por não ter lembrado logo de cara da mais incrível: O irlandês, da Tayana Alvez.
BLOQUEIO – Um livro que você não tem vontade de ler.
Confesso que nunca li, mas também não tenho muita vontade de ler, O senhor dos anéis. Imagino que seja uma leitura ótima, mas densa, e eu dificilmente a encararia hoje em dia.
CORINGA – Aquele livro que todo mundo deveria ler.
Outra categoria bem difícil, hein? E com o risco de cair na mesmice das minhas últimas indicações, recomendo muito Os olhos claros do pássaro, da Valéria Macedo.
INVERTER – Um livro que, se você pudesse, mudaria o final da história.
Eu com certeza adoraria que o final de Por um triz fosse diferente, mesmo sabendo que isso é praticamente impossível (mas eu não mudaria o final por achá-lo ruim, apenas triste mesmo).
JOGADOR – Aquele livro que você leria com amigos.
Acho que uma leitura legal para se fazer com os amigos seria a de alguma antologia, como Clichês em Rosa, Roxo e Azul, da Maria Freitas, porque seria legal ir trocando ideias a cada conto lido.
UNO – Aquele livro que teve um final perfeito.
Tantos, hein? Porém para indicar um, menciono O mistério da casa incendiada, do Rafael Weschenfelder, que me deixou sem fôlego.
Exceto os quatro primeiros livros e, claro, a trilogia de O senhor dos anéis, todos os outros livros possuem resenha aqui no Blog! Não deixe de conhecer um pouco mais de cada um desses livros.
Conseguiu pensar em quais seriam as suas respostas para esta TAG? Compartilha comigo nos comentários!
Título: Resilientes: um manifesto contra a LGBTfobia
Autor: vários autores
Organizadoras: Vanessa Nunes e Thati Machado
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 219
Ano: 2019
Sinopse
Dezessete de maio é o dia internacional do combate à homofobia e transfobia. E nós só conhecemos uma maneira de contribuir com a causa: através da escrita. “Resilientes” reúne contos sobre ser LGBT+, viver, resistir e amar livremente em um mundo ainda cheio de amarras.
Resenha
Resilientes é uma antologia que reúne 23 contos que têm como ponto de partida narrar histórias com protagonismo LGBTQIA+.
“O Brasil é um país violento, que fere, mata e destrói seus LGBTQ+ apenas por ódio às diferenças”
Prefácio
A pluralidade se faz presente não apenas no tema, mas também nos gêneros literários que engloba, contando com histórias mais fantasiosas e outras mais realistas; textos mais dramáticos, outros mais cônicos.
“Ela, no entanto, ao se tornar protagonista, descobriu que literatura não é sutil, não é delicada”
Pintura na parede (Luciana Gafasso)
Também é muito rica a variedade de autores: de nomes mais a menos conhecidos, cada conto nos traz uma história única, propiciando uma leitura ao mesmo tempo rápida e cativante.
“O tédio que a monotonia causa é sufocante. Precisa de algo novo”
A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)
Sendo os contos de extensão curta, também é possível aproveitar a obra de diferentes maneiras: lendo um conto após o outro, de uma vez; lendo aos poucos; lendo na ordem que quiser.
“Podemos nos apaixonar ainda mais ou podemos nos odiar no final das contas”
Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
O mais interessante desta antologia, para além do que já foi mencionado, é também a variedade de temas que a ampla proposta permitiu ao escritores selecionados.
“Comigo acontece frequentemente de me meter em situações nas quais nem sequer tenho real interesse, e das quais depois não tenho ideia de como sair. Já supus ser culpa da minha dificuldade em dizer “não”, mas hoje acho que a razão é mesmo minha incorrigível curiosidade”
Encantamentos (Danielle Vicentino)
Ao longo das páginas refletimos sobre escolhas, relações humanas, empatia e, claro, sobretudo sobre amor e preconceito.
“Estamos em 2019 e as coisas não deveriam ser assim, mas infelizmente são. Você não pode se sabotar e negar a felicidade só porque vive num mundo cercado de pessoas preconceituosas e ignorantes”
Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
Os contos (e autores) que compõem esta antologia são, em ordem:
A sétima onda (Juan Jullian)
Setembro (Maria Freitas)
Debaixo da chuva (T. S. Rodriguez)
Sob(re) o som das árvores (Laís Lacet)
Colorido (Luke Marcel)
O último dia (Beatriz Montenegro)
Matéria de capa (Dane Diaz)
Essência (Marta Vasconcelos)
Encantamentos (Danielle Vicentino)
Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
Glim (Vanessa Nunes)
Pintura na parede (Luciana Cafasso)
Destino irônico (Felipe Ricardo)
Notas de liberdade (Jean Carlos Machado)
Primeiras vezes (André Brusi Pino)
A penumbra do luto (Débora Costa)
Tarsila além do bem e do mal (Beto Oliveira)
Desconstruindo tabus (Maleno Maia)
Coração colorido (Margarete Prado)
Girassóis (Beatriz Avanci)
Doce vingança (Marcela Cardoso)
Certezas (Rafaela Haygett)
A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)
A diagramação é simples, mas bonita. A única coisa que eu mudaria é a sequência inicial dos capítulos. Na obra, temos título -> biografia do autor -> história. Em quase todos os contos eu lia o título, passava para a biografia do autor, iniciava a história e tinha de voltar para o título, que eu já tinha esquecido qual era.
“A vida nunca é como nos sonhos”
Encantamentos (Danielle Vicentino)
No geral, a leitura foi muito agradável e rápida, então já deixo aqui a dica para você que gosta de histórias com protagonismo LGBTQIA+. Basta clicar abaixo para saber mais sobre a obra e garantir seu exemplar.
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Os olhos claros do pássaro, obra escrita por Valéria Macedo e publicada em 2023, é aquele tipo de leitura que realizamos e que permanece em nós por muito tempo.
“A vida foi acontecendo e, sem perceber, um ruído silencioso se fez presente”
A escrita da autora é leve e fluida e, nesta obra, ela consegue abordar com leveza temas muito importantes.
“Imagino que feridas mais profundas estavam abertas e pulsavam a céu aberto sem serem notadas”
Não consegui me aprofundar em muitos desses assuntos ao longo da resenha, então hoje trarei aqui um bom número de trechos que gostaria de ter compartilhado antes.
“A observação do modo de viver do outro trazia reflexões sobre nossa própria vida e nossas escolhas”
“Tantas coisas viajam na gente e nem notamos”
“A gente guarda muito mais do que precisa”
Uma das temáticas que se faz muito presente na obra é o fechamento de ciclos, afinal, a vida é cheia deles, que tanto nos transformam, renovam, ensinam.
“Mal sabia eu que aquela fechadura simbolizaria a abertura de uma nova fase de minha vida”
“Sempre fui fã de recomeços”
“Algumas decisões não são nada fáceis. A conhecida escolha é sinônimo de renúncia”
“Tudo tem início, meio e fim. Tudo é temporário”
“As despedidas mais difíceis seriam as últimas”
“Às vezes nossos desejos e emoções podem apontar para uma direção diferente do que é o certo a fazer em relação ao que vivemos”
Os ciclos fechados na vida de Valéria, propiciaram à autora muitas (re)descobertas, principalmente de si mesma.
“Mudei de carreira aos vinte e seis anos: de analista de sistemas fui me dedicar à odontologia. O casamento, a nossa nova casa, a vida a dois e a nova carreira foram grandes oportunidades de me reinventar e respirar novos ares”
“O não pertencer me fazia sentir livre como jamais havia sido. Liberava-me para ser eu mesma. Não precisava me adequar a quase nada”
“Minha menina do passado estava presente. Eu estava inteira”
“Em pouco tempo, me dei conta que não tinha mais sentido me agarrar ao que já não era mais”
“Não se valorizar leva a perda de energia, a se tornar disfuncional e adoecer mentalmente e fisicamente”
“Quando reconheci minha ignorância passei a aceitar a do outro também”
“Não eram situações novas, mas eram situações ressignificadas”
“As nossas histórias são pedacinhos de uma história muito maior”
“Dentro da caixinha de ganhos residem perdas e dentro da caixinha das perdas se escondem ganhos”
Muitos desses trechos inclusive nos conduzem às suas reflexões sobre o pertencimento.
“Não via a possibilidade de ser aceita se expusesse a verdade que vivia intimamente”
“Os lugares fazem as pessoas ou as pessoas fazem os lugares?”
“Nunca foi o lugar, sempre foi a gente”
“Já me senti perdida no mundo. Não pertencente por inteira a nenhum lugar”
E sobre o estarmos (ou não) sozinhos nesse mundo.
“Estar em lugares lotados de pessoas circulando e estar só”
Um tema sem dúvidas importante para este livro é o da migração, como mencionei na resenha.
“Imigrar pedia coragem. Pessoas que deixaram seu país, sua família, às vezes seus filhos para possibilitarem uma vida melhor a um outro alguém”
“O julgamento das escolhas e motivações, que trouxeram estas pessoas a viverem longe de sua pátria, cabia só a elas mesmas”
“Viver em Paris em condições tão privilegiadas era algo que jamais havia imaginado”
“Os países onde vivemos e suas culturas não foram as grandes mudanças que aconteceram. A grande migração foi interna”
A autora sempre nos lembra, contudo, que nem tudo é fácil e bonito como pode parecer para quem apenas acompanha de longe ou sonha com a vida em outro país.
“Tudo era novidade, os sons, cheiros, sabores e todos os rostos que via”
“Recebi demais do mundo e nem tudo foi bom”
“Era preciso diminuir a velocidade da viagem da vida e passar a apreciar mais as paisagens”
“Não podia combater a realidade, então aceitava e me adaptava”
“Aprendi a escutar silêncios por trás de palavras e palavras por trás de silêncios”
“As possibilidades eram infinitas, mas o tempo não”
“Confesso que, com o passar do tempo, passei a notar que sempre havia uma certa tensão no ar. Éramos revistados em todos os lugares que fôssemos”
“Em situação fragilizada, as relações entre as pessoas transitavam da superficialidade às profundezas rapidamente”
“Os encontros que nos incomodam são caminhos de reflexão”
“Londres carinhosamente esfregava na cara as minhas ilimitadas limitações”
É muito interessante como a natureza tem papel importante na construção desta narrativa, enriquecendo sentimentos e descrições.
“Sempre é verão em Miami”
“Outono é sinônimo de transição e mudança. Estação da impermanência. Não é verão extrovertido, nem inverno reservado. É caminho do meio. É equinócio, equilíbrio de luz e escuridão”
“Sábia é a árvore que aprendeu a desapegar de suas folhas para seu próprio bem”
“O frio contrai, encolhe, fecha, faz movimento para dentro”
E conhecer alguns lugares através dos olhos da autora se torna uma experiência muito interessante.
“Londres e sua pontualidade pontuam ideias contrastantes constantemente”
“Londres é coerentemente paradoxal. Cidade onde cabe o mundo”
“Londres era silêncio e velava tantas perdas. O mundo em luto”
Também é difícil não se encantar com o modo dela falar das pessoas que a cercam, principalmente seus filhos. E é muito bom ver que a autora enxerga a força contida em cada um de nós.
“Havia envelhecido, mas era um menino assustado, vulnerável e perdido”
“As mulheres podem ser verdadeiros portais de cura para outras mulheres”
“Nunca duvide do poder de quem nos quer verdadeiramente bem”
“Maitê era um espírito livre demais para tantas regras”
“Cada um de nós enfrentava seus próprios obstáculos”
E como há poesia mesmo nas coisas mais difíceis: em cada adeus, cada perda, cada dúvida.
“Mas era doença que se disfarça, com um tudo bem e um sorriso. Ninguém notava”
“Acho que a passagem de um ano faz possível se vivenciar a ausência de quem amamos em todas as datas comemorativas nele contidas”
“Meu irmão havia tentado lançar voo para além do horizonte. Onde tememos ir, mesmo sabendo lá ser o nosso destino final”
“Quero enxergar o que não se vê através dos olhos. Desejo olhos sem o peso da memória”
“Fingimos que vivemos para sempre, mas estamos indo embora”
Um dos valores mais ressaltados é, sem dúvida, o da liberdade. Liberdade de escolher, de opinar, de sermos quem somos, de viver.
“Não há luxo maior do que o de ser livre”
“Onde não há discordâncias ou diferenças não há crescimento”
“Certos pensamentos podem custar o preço da liberdade de viver. Limitam o voo”
No fim das contas, tudo que mencionei até aqui e tudo aquilo que aprendemos aos longo das páginas desta obra culminam em duas reflexões bem importantes: o valor do aprendizado e dos sonhos que nos movem.
“Acredito que os sonhos são os grandes catalisadores de travessias”
“Aprender é essencial. Força motriz da vida”
Os olhos claros do pássaro é, como eu já disse, um livro para ser lido e relido. Se você ainda não se convenceu disso, passe lá na resenha para conhecer um pouco mais a fundo a obra e sua autora.
Título: Quem rabiscou aqui
Autora: Cínthia Zagatto
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 97
Ano: 2019
Sinopse
Se suas novas apostilas forem a amostra de como será o ensino médio, Cadu está perdido. Acaba de ganhar o pior material de segunda mão de toda a história. O pai jura juradinho que ter o gabarito dos exercícios vai ajudá-lo, mas é difícil acreditar nisso até se ver contra a parede durante uma aula. Como é possível estar com os livros da aluna mais inteligente e interessante da escola sem nunca a ter visto por lá? Sua melhor amiga diz que é porque o antigo dono deles não é uma garota, mas Cadu sabe que sim. E está apaixonado por ela. Agora, com a ajuda de Tata Batata e do Homem-Cabrito, ele está disposto a bolar os planos mais malucos para descobrir quem foi que roubou seu coração com trechos de música e caricaturas de artistas famosos.
Resenha
Quem rabiscou aqui é uma daquelas leituras leves e divertidas, ótimas para passar um pouco do tempo com algumas risadas e uma boa dose de drama adolescente.
“Estava com os papéis esparramados sobre o peito e o coração amarrotado no chão”
Tudo começa com Cadu revoltado porque seu pai comprou apostilas de segunda mão para o seu novo ano escolar.
O protagonista inclusive demonstra certo asco com o estados de tal material: todo rabiscado e sujo nas pontas.
Sua melhor amiga — e quase irmã — Tabata — ou Tata Batata — não perde a oportunidade de rir do exagero do amigo.
“Como poderia escolher uma namorada se a garota mais bonita e inteligente do mundo era sua própria irmã?”
Mas logo nos primeiros dias de aula, Cadu muda totalmente de opinião com relação às apostilas: ele percebe que aqueles rabiscos têm muito a lhe dizer e ensinar.
“Havia algo especial naquelas músicas; um sentimento tranquilo que o levava para um estado de espírito muito leve”
Os desenhos, as caricaturas e as músicas ajudam nosso protagonista a entender um pouco da matéria que ele sempre teve muita dificuldade de acompanhar. E, com isso, ele acaba se apaixonando por quem fizera tudo aquilo um ano antes.
Assim, o foco da narrativa aqui apresentada é a busca de Cadu para descobrir quem é a pessoa por quem ele se apaixonou.
“Você pode não querer gostar dele e fingir que nada aconteceu. Talvez só se sinta miserável”
E, em meio a essa busca, conhecemos um pouco mais do protagonista e suas dificuldades com novos conhecimentos.
“Não soube se era erva-doce ou camomila, porque tudo sempre havia sido apenas chá para ele, mas era bom, ainda assim”
Também nos aprofundamos em sua relação com seus familiares, com sua melhor amiga e com seus colegas de escola.
“Era como se todos soubessem que estava desajeitado dentro de si mesmo, e não do modo como estavam acostumados a ver”
E, principalmente, mergulhamos nas descobertas que ele só poderia fazer por si mesmo.
“— Você tava certo, eu não tava te procurando. Mas o que é que eu faço agora que te achei?”
A leitura de Quem rabiscou aqui é rápida e tranquila. Os personagens são cativantes e é difícil não mergulhar na narrativa.
“O troféu de seu campeonato particular daquele mês de fevereiro”
Também achei muito interessante como a autora apresentou a relação entre Cadu e Tabata: eles cresceram juntos, mas nem todo jovem é capaz de entender a relação entre uma garota e um garoto e, por isso, eles escondem a amizade diante dos colegas. Um tema poucas vezes abordado desta forma, mas tão real entre jovens.
Se você quiser ler esta obra, clique abaixo. E, para conhecer mais do trabalho da autora, siga suas redes sociais (Instagram | Twitter).
Para corrigir esta minha falha — afinal, este espaço existe por causa da literatura e da vontade de incentivar o hábito da leitura nas pessoas — hoje eu finalmente vou falar um pouco dos talvez já tão conhecidos benefícios deste hobby.
Melhora o funcionamento do cérebro
Assim como o nosso corpo precisa de atividade física para se manter saudável, o nosso cérebro também precisa de exercícios para ficar cada dia mais forte e se manter saudável, processando, armazenando e interpretando corretamente as informações que recebemos através de cada um dos nossos sentidos.
Existem muitos tipos de exercícios para o cérebro e a leitura é, sem dúvidas, um deles (talvez o mais divertido, para quem gosta!).
Estimula a criatividade
Ao ler uma descrição (de um personagem, de um local, de uma cena), nosso cérebro cria imagens para aquilo que está apenas em palavras. E tenha a certeza: por mais que a descrição seja a mesma, aquilo que você imagina nunca será exatamente como outra pessoa imagina e essa é só mais uma das tantas magias que a leitura tem a oferecer.
O processo de criar imagens a partir daquilo que lemos é uma das tantas formas de exercitar nosso cérebro, o que torna este benefício intimamente relacionado ao primeiro.
Desenvolve o senso crítico
Ler livros diversos nos apresenta inúmeras realidades, sem que estejamos imersas nela (por mais incrível que o livro seja, jamais estamos vivendo aquelas situações literalmente na pele). Esse distanciamento nos ajuda a analisar com maior discernimento os acontecimentos e, assim, podemos avaliar situações diversas com um olhar crítico mais apurado.
Além disso, também passamos a refletir mais sobre escolhas e consequências, pois toda história — real ou inventada — é fruto do caminho que optamos seguir em determinados momentos.
Desperta empatia
Assim como a leitura desenvolve nosso senso crítico por nos apresentar diversas realidades, ela também desperta a nossa empatia, uma vez que, por meio dela, podemos conhecer pessoas e dores que jamais conheceríamos de outra forma (ainda bem?) e, assim, compreendemos que o mundo (e seus problemas) é muito maior do que poderíamos imaginar.
Reduz o estresse
Apesar de poder trabalhar com coisas reais, como já apontado em outros itens, a leitura o faz de maneira menos compromissada e mais leve. Além disso, o ato de ler diminui a nossa frequência cardíaca e relaxa os músculos, segundo apontam alguns estudos. Tem coisa melhor que ler um pouquinho antes de dormir? (confesso até que durmo melhor se consigo tirar uns minutinhos para ler antes de realmente me deitar).
Expande o vocabulário
Ao pegarmos um livro para ler, podemos nos deparar com palavras desconhecidas ou novas formas de construir frases. Assim, mesmo sem grandes esforços, podemos ampliar o nosso conhecimento e até mesmo melhorar a nossa escrita. Quanto mais lemos, mais nos acostumamos com as opções à nossa disposição e mais nos sentimos confortáveis para brincar com as palavras.
Aumenta a concentração e a memorização
Ler um texto significa compreendê-lo e, para isso, precisamos nos concentrar na informação contida naquelas palavras, para processá-las adequadamente. Além disso, precisamos ir memorizando as informações que vamos obtendo, a fim de uni-las ao final. Quanto maior o texto, mais informações teremos para processar e memorizar.
E quem lê mais de um livro ao mesmo tempo então? Exercita ainda mais todas essas capacidades, separando os acontecimentos de uma obra da outra.
Amplia horizontes
Dizem que ler é viajar sem sair do lugar e eu não poderia concordar mais com uma afirmação. Um simples livro é capaz de te levar para o outro lado do mundo, para uma cultura totalmente diversa e até mesmo para tempos distantes do nosso hoje. E o melhor: custa mais barato que qualquer passagem!
E aí, vamos começar a ler? Aproveite e comente aqui outros benefícios que você conseguiu pensar enquanto lia este post.
Título: O mistério da casa incendiada
Autor: Rafael Weschenfelder
Editora: Naci
Páginas: 336
Ano: 2023
Sinopse
Foi com um hobby incomum que Gael se tornou um youtuber famoso: visitar casas mal-assombradas. Mas os tempos de glória do Assombrasil parecem ter ficado para trás, e com a queda de visualizações do canal, os patrocinadores ameaçam abandonar o barco. Então quando Sabrina, sua sócia e camerawoman, descola uma semana de estadia na mansão onde os corpos do ex-candidato a prefeito Marcos Gonçalves, esposa e filha foram encontrados carbonizados sem explicação, Gael vislumbra a oportunidade perfeita de reerguer o canal. Mas o que era para ser só mais uma gravação ganha ares sombrios quando ursinhos de pelúcia pegam fogo sozinhos e Gael encontra, no antigo quarto da filha de Marcos, um colar idêntico ao que sua irmã começou a usar antes de morrer. Acreditando que a mesma entidade que a possuiu foi responsável pela chacina da família Gonçalves, Gael fará de tudo para juntar as peças desse intrincado quebra-cabeças envolvendo campanhas eleitorais, igrejas evangélicas e homofobia, e descobrirá que os fantasmas mais assustadores não estão fora, mas dentro de nós.
Resenha
Comecei a leitura de O mistério da casa incendiada com as expectativas lá em cima (um erro, sabemos) e (provavelmente por isso) senti o ritmo um pouco lento.
“Expectativas baixas, eis o segredo da vida”
Para quem leu a sinopse e acompanhou de perto tudo o que rolou antes e durante a pré-venda deste livro, parecia que não havia nada de novo naquelas primeiras páginas, apenas o detalhamento de algo tão aguardado e, por isso mesmo, quase conhecido.
“Mas as questões mais cabeludas demoram a dar as caras. Ficam emboladas no peito e não saem de jeito nenhum”
Aos poucos, porém, a narrativa foi me ganhando e cheguei às últimas páginas abdicando até mesmo de alguns minutos do meu sono (coisa que só faço quando realmente não tenho alternativa ou, neste caso, quando o livro é tão bom que eu PRECISO saber o final).
“Saber que o médium mais poderoso de São Paulo está preocupado com os fantasmas que te assombram definitivamente não é um bom sinal”
Gael, o protagonista e narrador desta história, consegue conduzir a narrativa de maneira que nos sentimos praticamente mergulhando em sua mente, nos tornando uma pessoa muito próxima a ele.
“Tudo o que eu quero é sumir”
Ao longo dos primeiros capítulos temos a oportunidade de nos ambientar à história: conhecemos Gael e Sabrina — sua melhor amiga e camerawoman —, passeamos um pouco por São Paulo e, claro, descobrimos o Assombrasil, o canal para o qual Gael e Sabrina filmam em casas mal assombradas.
“Ultimamente, o gráfico de visualizações do Assombrasil mais parece uma descida de montanha-russa. Mas nem sempre foi assim…”
Numa tentativa de salvar o canal, que fica claro o quão importante é para eles, Sabrina consegue algumas diárias na casa dos Gonçalves, abandonada há 10 anos, após a morte de seus donos: Marcos — candidato à prefeitura de São Paulo que estava subindo nas pesquisas —; Damares, sua esposa; e Jéssica, a filha perfeita. Mas será que perfeição realmente existe quando falamos de seres humanos?
“Não era para ter crianças enterradas em cemitérios”
Ao lado de Gael e Sabrina, a cada página, vamos buscando entender o que levou àquelas mortes, enquanto visitamos cada cômodo dessa casa aterrorizante.
“A casa dos Gonçalves pode ser assustadora, mas ainda é fichinha perto da que estou prestes a visitar”
Aos poucos, também vamos conhecendo um pouco mais de Gael e logo estamos embarcando na busca dele para entender a relação entre Eloá, sua irmã mais velha que morrera no mesmo dia que Jéssica, os colares idênticos que ambas tinham e alguns mistérios que rondam a sua vida.
“— Às vezes nós vemos o que queremos ver, filho”
Tentando fazer as pazes com sua infância, Gael narra um pouco de seu passado, sempre de forma muito intimamente relacionada à irmã.
“Sabe, maninho, o demônio assume várias formas, algumas tão inesperadas que nem dá para desconfiar. A gente pode acabar procurando por ele nos lugares errados, achando o que quer, e não o que é”
E é por meio de tanto mistérios, alguns belos sustos e um bom número de piadinhas infames que Rafael Weschenfelder nos conduz por este livro, que consegue unir ficção e realidade de maneira surpreendente e natural.
“Sem chance, penso, sabendo que pior do que 2018 só mesmo um apocalipse zumbi”
A história também nos faz refletir sobre algumas questões importantes, enquanto nos faz elaborar mil e uma teorias de como tudo isso irá terminar (e olha que somos capazes de imaginar de um tudo, viu).
“— Nem toda doença pode ser tratada por um médico, filho”
Quando menos esperamos, mais uma lição bate à nossa porta. Além de atualidades e reflexões, Rafael consegue inserir algumas críticas interessantes, como a exploração de riquezas em terras que não deveriam ser destruídas pelo capitalismo.
“A gente sabia que não tinha a menor chance contra os fazendeiros, então fechamos um acordo que permitia a exploração de metade da jazida. Funcionou durante algum tempo, mas eles queriam mais. Ele sempre querem mais”
O que nos deixa de queixo caído, no entanto, é o desfecho da história. Que, claro, você só vai descobrir após garantir o seu exemplar (físico ou digital). Mas já deixo um alerta: se comprar o livro físico e não quiser spoilers, não folheie as últimas páginas!
Por falar nisso, a diagramação dele é ótima: leitura confortável do livro físico e detalhes que não escapam aos olhos mesmo quando estamos imersos no texto.
E te garanto: a dedicatória faz cada vez mais sentido depois de concluída esta leitura.
“Para todos aqueles que acreditam em fantasmas, mas acham as pessoas mais assustadoras”
O mistério da casa incendiada vai agradar gregos e troianos (ou místicos e céticos) e vai te garantir bons momentos de leitura.