Crônicas e agudas — Antonio Carlos Sarmento

Título: Crônicas e agudas — histórias leves para divertir e fazer pensar 
Autor: Antonio Carlos Sarmento 
Editora: Becalete 
Páginas: 304 
Ano: 2022

Como é gostoso ver um trabalho que admiramos crescer e alcançar novos caminhos, não é mesmo?

Antônio Carlos Sarmento é o autor por trás de um dos blogs que eu mais gosto de acompanhar por aqui (tanto que já indiquei ele mais de uma vez em postagens minhas) e que tem o mesmo nome do livro que hoje venho resenhar: Crônicas e Agudas.

“As ruas, a literatura e a cultura em geral dão dinâmica ao idioma: criam palavras e expressões, tornam outras arcaicas e o transformam constantemente”

Um título que, por si só, já demonstra muito da destreza do autor com a língua portuguesa: ao mesmo tempo em que joga com um jargão quase médico, também brinca com o gênero que traz em sua escrita.

E eu, como uma admiradora de crônicas desde que conheci o gênero, quando ainda estava na escola aprendendo sobre o maravilhoso universo da literatura, não poderia deixar de me encantar com uma obra como essa, recheada de temas e reflexões tão interessantes.

“Passeava então pelas ruas, visitava uma livraria e encontrava prazer em ficar sem falar nem ouvir. É bom descansar um pouco os sentidos” 

É verdade que eu já conhecia a maioria das crônicas deste livro, justamente por ser leitora (quase) assídua do blog de Antonio Carlos. Mas como o próprio autor disse, não há nada como poder lê-las impressas. Pegar um livro em mãos, sentir o papel, escolher o local que for para ler.

“Ler é principalmente uma questão de gosto. E gosto vem com o hábito”

Mesmo (re)lendo esses textos e tendo enorme apreço por tantos deles (todos, talvez), não posso negar que tenho alguns preferidos

“Nossa individualidade nos obriga a desenhar nosso próprio trajeto, singular e único”

Na ponta da língua, por exemplo, além de abordar um assunto que sempre me agrada — as nuances de nossa língua — ainda me fez relembrar a época em que li Mario Prata, outro nome tão importante da crônica brasileira e que também mais de uma vez escreveu sobre as palavras e a riqueza da língua que falamos.

Também muito me agrada o texto Pizza de domingo, na qual o autor apresenta uma solução divertida para um problema que parecia insolúvel (que, claro, não comentarei aqui, deixando para que o leitor descubra qual é).

Corônica, outro jogo de palavras ótimo, é uma crônica linda, com uma lição que pode nos surpreender.

“Tem coisa mais contagiosa que vírus” 

Aniversário de 15 anos e Bate papo também são crônicas que ganharam demais meu coração. Textos que falam sobre a importância de ler, de desconectar um pouco e viver o real, o essencial, a nossa história.

“Tenho receio de que toda esta velocidade possa acabar por nos fazer menos humanos”

Crônicas e agudas, como o próprio subtítulo indica — histórias leves para divertir e fazer pensar — aborda de maneira leve, bem-humorada, clara e sincera os mais diversos temas, nos propiciando horas de uma leitura prazerosa que passa voando.

“Sim, porque maturidade não tem a ver com o simples passar dos anos, mas com a capacidade de absorver o aprendizado que a vida nos oferece e assim crescer em reflexão, bom senso e equilíbrio”

Se este livro despertou o seu interesse, entre em contato com o autor Antonio Carlos Sarmento para adquirir o seu exemplar. O contato pode ser feito por email (antoniocsarmento@gmail.com) ou Whatsapp ((21)99989-7239) e o livro pode ser enviado para todo o Brasil. Aproveite, também, para seguir o autor em suas redes sociais (Blog | Facebook).

Por que avaliar minhas leituras?

Se você tem o hábito de ler assiduamente, principalmente obras nacionais, já deve ter visto escritores — e até mesmo algumas editoras — incentivando a avaliação da leitura — na Amazon, no Skoob, no Goodreads, onde for — após a conclusão da mesma. Vamos tentar entender o que está por trás desta prática?

O que significa avaliar uma leitura?

Muitos produtores de conteúdo (dos grandes aos pequenos) têm o hábito de fazer resenhas dos livros lidos. Isto é excelente, porque permite que outras pessoas tomem conhecimento de uma determinada obra que, talvez, sem aquela resenha, jamais ouvissem falar.

É importante lembrar, contudo, que devemos ser cuidadosos em nossas resenhas. Por mais que tenhamos odiado determinado livro, precisamos lembrar que, por trás dele, há muitos seres humanos que trabalharam para que ele fosse publicado, principalmente o(a) autor(a), que se dedicou intensamente àquelas páginas.

Por isso, tome muito cuidado com as palavras escolhidas ao falar de um livro. Quer criticar? Critique, mas procure pensar no porquê daquilo não ter te desagradado e como poderia ser diferente (alô, críticas construtivas!). E também lembre-se que o que te desagradou, pode ser do agrado de outras pessoas.

Isso posto, gostaria de ressaltar que, em uma resenha, não é obrigatório dar uma nota para o livro lido. Algumas pessoas fazem isso, outras não (eu não faço), fica à escolha de quem está escrevendo a resenha, assim com os critérios para dar determinada quantidade de estrelas ou determinada nota.

Contudo, em outras plataformas, como as que mencionei anteriormente, nós temos de dar uma nota para o livro que queremos avaliar. Nesses casos, é importante ter mais critério na hora de escolher a nota final, principalmente se você não pretende escrever uma resenha mais detalhada (que, geralmente, não é obrigatória nessas plataformas, sendo possível apenas atribuir uma “nota” através das estrelas).

E por que é preciso ter mais critério? Porque se o livro recebe boas avaliações (e quanto mais, melhor!) ele vai ganhando destaque na plataforma (seja ela qual for), alcançando ainda mais leitores. Porém, esses mesmos leitores, ao se depararem com livros que só têm avaliações ruins, dificilmente escolherão aquela obra para ler, certo? A menos, claro, que as pessoas expliquem o porquê daquelas notas baixas e sejam características que não incomodam o novo leitor em potencial (tem gosto para tudo nesse mundo, não se esqueça disso).

Por que, afinal, avaliar minhas leituras?

Explicados os cuidados que são interessantes de se tomar na hora de avaliar uma leitura, chegou o momento de passar ao que interessa realmente: por que avaliar minhas leituras? 

Como mencionei brevemente acima, as avaliações (principalmente com boas notas) ajudam a dar destaque ao livro em questão. Isso porque, assim como acontece nas redes sociais, esses outros mecanismos também funcionam através do famoso (e temido) algoritmo: quanto mais falam de um livro, avaliam ele e, no caso da Amazon, compram ele, mais ele aparecerá para potenciais futuros leitores.

Mas há, ainda, outro motivo para se avaliar uma obra: as avaliações são uma forma dos autores (e das editoras) saberem que aquele livro está sendo lido e qual está sendo a receptividade do público. Isso motiva todos a continuar produzindo conteúdo ou então a reavaliar o que não está  funcionando. Elas acabam sendo um termômetro para o mercado literário.

Ou seja, da próxima vez que você se deparar com um autor pedindo (ou, muitas vezes, incentivando, inclusive com mimos — prática que, infelizmente, pode levar à retirada de sua obra da Amazon, sabia?) por avaliações, entenda que não é para alimentar o ego, mas para poder ganhar alguma visibilidade e, principalmente, para poder aprimorar a própria escrita.

Mas eu preciso avaliar TUDO o que leio?

As avaliações são importantes principalmente para obras nacionais. Pense aqui conosco: uma obra internacional, para chamar a atenção de uma editora que tenha interesse em traduzi-la — processo muito mais complexo que a simples edição de uma obra nacional — precisa já ter um certo reconhecimento em seu país de origem e, muitas vezes, um público interessado por aqui também. Os livros nacionais, por sua vez, estão constantemente tentando ganhar espaço e destaque, muitas vezes tendo de batalhar com essas obras internacionais já reconhecidas. Então, se bater a preguiça, faça um esforcinho para ao menos avaliar os livros nacionais (e independentes, sobretudo!).

Porém, pensando em termos mais amplos — principalmente no incentivo à leitura — claro que o ideal é que você avalie tudo o que lê (ou ao menos o que gostou, vai, já que nem sempre conseguimos elaborar uma crítica que realmente nos leve a algum lugar): quanto mais gente falando de livros (e falando bem, claro), mais gente interessada neles teremos! E, no fim das contas, é isso que importa, não?

Você costuma avaliar suas leituras? De que forma? Não deixe de me contar nos comentários!

Sorte ou destino? — Bruna Oliveira

Título: Sorte ou destino? 
Autora: Bruna Oliveira 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 212 
Ano: 2018

(para ler ao som de Acima do sol — Skank)

Anna é uma protagonista com a qual muitas leitoras podem se identificar: tímida, fora dos padrões (absurdos) de estética, leitora voraz, extremamente tímida e romântica incorrigível.

“Apesar de estar sempre sofrendo com alguma paixonite, nunca conto isso para ninguém. Eu tento me iludir fingindo que não me importo com essas coisas, mas no final das contas eu sempre quis ter alguém que estivesse ao meu lado quando eu precisasse”

Ela sonha em encontrar seu príncipe encantado e, mais que isso, em ser notada por ele, mas não move um dedo sequer para isso.

“Não fica com medo de se machucar. A sensação de medo de arriscar às vezes pode ser bem pior”

Felizmente, Anna divide um apartamento com Manu, sua amiga desde o ensino fundamental. Elas moram e estudam em Fonte Nova e, apesar de terem personalidades quase opostas, se dão muito bem. 

“Minha amiga não tem medo de se jogar de cabeça na vida, ela tem pressa para ser feliz, e eu tenho que aprender muito com ela”

Anna cursa Administração e Manu, Publicidade e Propaganda. Algumas matérias elas fazem juntas e é justamente numa delas que Anna conhece Cadu e não consegue esconder da melhor amiga que está totalmente caída pelo colega.

“Por mais que eu tente me policiar, meus pensamentos insistem em focar em Cadu, o atual alvo da minha paixão platônica e meu colega de classe”

Manu tem certeza que Cadu também tem algum tipo de interesse por Anna, já que olha várias vezes para ela. A protagonista, porém, acha que isso é coisa da cabeça da amiga.

“A Manu tem esse defeito, ela é otimista demais, e muitas vezes acaba por imaginar coisas para tentar animar a gente”

Seja como for, Manu convence Anna a ir — finalmente — a uma das festas da faculdade, logo no início de mais um ano letivo. Porém, é claro que as coisas ali não saem como o planejado…

“Mas o fato é que nós nunca estamos preparados para ver a pessoa que a gente gosta ficando com outra. É cruel demais”

Contudo, um esbarrão, quando está praticamente fugindo da festa, fará com que a vida de Anna mude completamente. E de uma maneira que ela jamais esperaria. 

“A vida às vezes prega cada peça na gente, não é mesmo?!”

João entra na vida de Anna muito por acaso e vai derrubando as barreiras da garota, uma a uma (clichê? Talvez…).

“A questão é que para mim, uma relação de amizade não é fácil de construir, eu tenho que ter muito tempo de convivência com alguém para poder agir como eu mesma, mostrar meu lado descontraído e até mesmo divertido”

E ele ainda se revela um cara e tanto, para surtos e mais surtos da Anna. Um príncipe mil vezes mais encantado do que ela poderia imaginar.

“Ai meu Deus! Além de lindo ainda gosta de ler como eu. Ele é bom demais para ser de verdade”

Mas é claro que quando a história já está dando certo demais e não estamos nem na metade do livro… É porque vem bomba! E por mais que esperemos isso — e saibamos que no fim as coisas se ajeitam — é sempre uma agonia imensa ver tudo desmoronando.

“Como a vida pode dar um giro de cento e oitenta graus em apenas vinte e quatro horas?”

Sorte ou destino? é uma história deliciosa de se ler. Daquelas que vamos avançando sem nem perceber e nos apaixonamos pelos personagens até sem querer. 

“Estou encantado com a Anna, ela parece real, não essas bonecas de porcelana fabricadas, que a gente vê a torto e a direito nas baladas”

Para além do romance, este é um livro que fala sobre as nossas escolhas — principalmente profissionais — e sobre como recomeços são necessários, principalmente quando significam irmos atrás daquilo que realmente nos faz feliz.

“Quando prestei vestibular eu não tinha ideia do que eu queria fazer da vida, e agora não consigo me enxergar exercendo essa profissão no futuro”

E, no final das contas, também podemos perceber que a história nos mostra que não precisamos mudar para nos encaixarmos no mundo. Que, com calma, as coisas se ajeitam para todos, independentemente do nosso jeitinho.

“Eu não tenho experiência com essas coisas de paquera, então não sei o que de fato aconteceu”

Sim, eu gostei muito dessa leitura, mas como já está quase virando hábito por aqui, fui procurá-la de novo na Amazon e… Ela não está mais disponível. No entanto, a autora tem outras publicações por lá (vem aqui conferir) e você também pode segui-la em suas redes sociais para conhecer melhor o trabalho dela (Instagram). E prometo semana trazer uma resenha de livro recém-saído do forno e com possibilidade de garantir exemplares.

Citações #61 — Clichês em rosa, roxo e azul

A maior resenha que escrevi ano passado (e talvez em toda a minha existência) foi, sem dúvidas, a da obra Clichês em Rosa, roxo e azul, da autora Maria Freitas, uma antologia com diversos contos com protagonismo bissexual.

Apesar da imensa resenha, comentando conto a conto, inúmeros quotes ficaram de fora, então hoje talvez tenhamos outro post imenso (e já peço desculpas por isso, mas eu não poderia deixar de compartilhar tantas frases marcantes por aqui).

Inclusive, gostaria de começar ressaltando as frases que falam sobre o tema central: a bissexualidade (e outras tantas formas de amar).

“Pensar nas coisas que nós temos que esconder me destrói”

(Conto: Mas… e se?)

“Como contar para a sua irmã que você está encantado por uma garota… e por um garoto também?”

(As razões de Henrique)

“Sempre achei aquela garota magnética”

(Conto: um corpo de verão)

“Eu já me esforçava para amar as minhas próprias imperfeições. Não seria tão difícil assim amar as dela também”

(Conto: um corpo de verão)

“Olho por cima do peito de Felipe e vejo que ele e Ana estão de mãos dadas. Não sinto ciúme. Sinto que tudo está certo. No lugar. Como o prólogo de um livro bom: apenas começando uma nova história”

(Bregafunk do amor)

Mas os contos não são só sobre isso. Cada história, a seu modo, entrega muito mais. Há, por exemplo, diversas passagens sobre a solidão.

“Como dizer a ele que receber um milhão de mensagens não afasta a solidão?”

(Azeitonas)

“Talvez a melhor coisa que eu faça nessa minha vida seja realmente seguir em frente”

(Azeitonas)

“A solidão era uma constante na minha vida”

(Bregafunk do amor)

“Eu conheço tão bem a solidão nos olhos de uma pessoa. Tenho espelho em casa”

(Bregafunk do amor)

E também sobre o medo.

“Você tem razão, eu estou feliz e tenho medo de perder isso”

(Conto: Mas… e se?)

“Tenho medo de voar e cair”

(Conto: Mas… e se?)

“Mas, agora, deitado ali, percebo que não ter medo é quase impossível quando se está feliz”

(Conto: Mas… e se?)

“Era como se ela quisesse se fechar em uma casca, onde ninguém pudesse atingi-la, onde ninguém pudesse chegar até ela”

(Conto: um corpo de verão)

O livro fala, ainda, sobre a falta e a tristeza que todos os sentimentos mencionados até aqui podem gerar.

“Abraço essa mulher como se nunca mais fosse abraçar alguém na vida”

(Conto: Mas… e se?)

“Nessa nossa vida, a gente precisa se acostumar com a falta”

(Conto: Mas… e se?)

“É difícil hoje, foi difícil ontem, mas espero que não precise ser difícil amanhã.”

(Azeitonas)

“E, nesse jogo de War, não quero que a tristeza conquiste todos os meus territórios”

(Bregafunk do amor)

“Meu nariz coça, minha garganta fecha, meus olhos ardem. Não posso quebrar agora”

(Um papai Noel de outro planeta)

“Preciso estar em movimento, sempre, senão minha tristeza me engole”

(Um papai Noel de outro planeta)

A verdade é que o conjunto da obra nos faz refletir — e muito — sobre a complexidade das relações humanas, seja com o outro, seja com nós mesmos.

“A época que morei com a minha avó foi muito difícil, tipo, muito mesmo. Acho que não me adaptei à cidade grande até hoje. Barulho demais, longe demais, carros demais. Gente demais. Talvez seja por isso que escolhi fazer minha faculdade no interior, perto de onde cresci. Sei lá, eu devo ser uma pessoa de raízes”

(Conto: um corpo de verão)

“Homens héteros (e cis) têm muitíssima dificuldade em demonstrar qualquer tipo de afeto básico por medo de ferir sua pobre masculinidade frágil”

(Conto: um corpo de verão)

“Sinceramente, às vezes eu ficava na dúvida se estava apaixonada ou tendo um ataque cardíaco”

(Conto: um corpo de verão)

“Tentei explicar coisas que eu nem sabia que estava guardando dentro de mim”

(Conto: um corpo de verão)

“Bia, só a gente sabe a nossa dor”

(Conto: um corpo de verão)

“Quando nossos olhos se cruzam, sinto que perdi tudo”

(Estrela e a flor)

“Algumas coisas são facilmente substituíveis, outras não”

(Azeitonas)

“Não fomos capazes de enfrentar nada, não é? Você era a minha pessoa, como foi que a gente se perdeu?”

(Azeitonas)

“Ultimamente, vinha respondendo todo mundo no automático, sem realmente me conectar com ninguém”

(Azeitonas)

“Desde o meu último namoro — que deu completamente errado —, jurei que não seria trouxa. Fui trouxa”

(As razões de Henrique)

“Só sabia sentir e sentia demais”

(As razões de Henrique)

“Mesmo sendo nova na cidade, dá para perceber que, ainda que também haja conflitos e diferenças, as pessoas daqui são mais acolhedoras”

(Bregafunk do amor)

“Sou extremamente grata por tudo que ela fez desde que eu cheguei aqui, aliás de antes. Minha vida andava muito vazia até que ela me acolheu e me trouxe para cá. Me sinto abraçada todo dia”

(Bregafunk do amor)

“De alguma forma, esse olhar me reflete e me completa”

(Bregafunk do amor)

“Ele foi meu fã, quando tudo o que eu queria era um amigo”

(Bregafunk do amor)

E também nos lembra da importância da comunicação, tão subestimada nos dias de hoje.

“As palavras se perdem dentro de mim”

(Conto: Mas… e se?)

“Mas pra uma conversa existir é preciso que as duas partes queiram falar e ouvir”

(Azeitonas)

“Às vezes, acho que essa sensação de que alguém está apertando minha garganta, impedindo o ar e as palavras de saírem, nunca mais vai embora”

(Um papai Noel de outro planeta)

Não posso deixar de trazer, também, algumas reflexões importantes sobre o tempo, o fracasso, a decepção.

“Detestava perder tempo. Sabia que o relógio andava rápido demais”

(As razões de Henrique)

“E a pergunta mais difícil de responder, no fim das contas, é: quem é que vai nos enxergar, se estamos todos com pressa?”

(As razões de Henrique)

“Tecnicamente, o próprio tempo-espaço encontra maneiras de colocar tudo no lugar e de curar a si mesmo”

(Um papai Noel de outro planeta)

“Fracasso é não saber a hora certa de desistir, o momento oportuno para abandonar o barco e começar a nadar”

(As razões de Henrique)

“Não sei o que acontece, mas toda vez que me decepciono com algo uma dor crescente invade meu peito, causando um calafrio horrível. Uma vontade de levantar e ir embora. Fugir”

(Bregafunk do amor)

“Lembro da frase que minha psicóloga sempre usa: ‘Estar vivo é decepcionar e ser decepcionada’”

(Bregafunk do amor)

“Estou ainda mais decepcionada comigo mesma, por querer tanto algo e não ter a capacidade de expressar em palavras meus desejos”

(Bregafunk do amor)

A obra te interessou? Então não deixe de ler a resenha completa e, claro, garantir o seu exemplar.

Arlindo — Ilustralu

Título: Arlindo 
Autora: Ilustralu 
Editora: Seguinte 
Páginas: 200 
Ano: 2022 (1º reimpressão)

(Para ler ao som de Eu acho que pirei — Sandy Júnior)

É difícil trazer algo muito original quando tanto já foi falado sobre esta obra, mas não quero deixar de dar a minha contribuição para a divulgação da mesma. Até porque, convenhamos, ela é bem necessária.

“Eu já tive meu inferno particular. Uma hora você vai conseguir também, do seu jeito”

Acho que todo mundo sabe que Arlindo é um garoto gay, ainda que, no início, possa pairar uma certa dúvida, principalmente porque, bem, ele vive numa sociedade um tanto quanto preconceituosa. E nem mesmo dentro de casa ele está totalmente seguro para se assumir.

“Na vida às vezes a gente tem que bater de frente, Lindo. A gente não tá errado em existir”

Mas é uma delícia descobrir que Arlindo não é o único personagem gay desta história e o que tudo isso representa ao longo das páginas.

“Sempre falaram de mim porque eu gosto de esportes, porque eu nunca fui patricinha, porque eu sou ‘esquisita’… eu não sei até que ponto essas coisas têm a ver, mas eu morria de medo das pessoas estarem certas”

Também acho que todo mundo sabe que essa HQ é cheia de referências que marcaram gerações, como músicas da dupla Sandy e Júnior. Mas quantas pessoas sabem que até o código super secreto (só que não) ZENIT – POLAR aparece nesta narrativa? Ri muito quando vi.

“Todo mundo parece saber coisas sobre a gente, tirando conclusões por uns negócios tão nada a ver. Não faz nem sentido”

Ler Arlindo é como receber um abraço e saber que não se está sozinho neste mundo. E, tendo ganhado o meu exemplar de presente, o abraço acaba sendo ainda mais real.

“Tudo o que a gente tem é a gente, Lindo”

Uma leitura daquelas que a gente quer sair distribuindo para tantas pessoas que sabemos que precisam.

“Tá tudo bem. E quando não tá, é porque ainda vai ficar”

Porque Arlindo é uma história que, mesmo parecendo “só mais um quadrinho”, é profunda e não fala somente sobre homofobia e amor, mas também sobre amizade, relações familiares, amadurecimento e identidade.

“A gente não devia viver com medo de gostar de ninguém, nem de ser a gente mesmo”

E se você, assim como eu, não tem o hábito de ler HQ, leia com calma, para não se perder e, principalmente, para não deixar nenhum detalhe passar desapercebido.

As cores da obra são vivas e vibrantes e a impressão dela é excelente (e o cheiro de livro novo? Diferente daquele que estamos acostumados, mas igualmente maravilhoso!). Minha edição é brochura e achei que isso deixou bem confortável a leitura (capas duras são lindas, mas nem sempre práticas).

Para saber mais (e garantir seu exemplar), basta clicar na imagem abaixo. E, claro, seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter).

Il Festival di Sanremo

Antes de começar esse post, gostaria de explicar que ele talvez seja um pouco diferente do que eu costumo trazer para a rubrica Ensino de Italiano, sem fugir, no entanto, ao propósito do nome. 

A questão é que antes eu escrevia mais para os alunos e esse post talvez venha a servir mais para professores, mas essa é mais uma tentativa de não deixar essa seção às traças novamente. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Como sou uma pessoa que acredita que músicas são excelentes ferramentas para o ensino e o aprendizado de uma língua estrangeira, já estava mais do que na hora de escrever sobre Sanremo, não é mesmo? Ainda mais porque falta bem pouco para a edição deste ano. Mas vamos por partes!

O que é o Festival de Sanremo?

O Festival de Sanremo é o Festival da Música Italiana e é considerado um dos mais importantes e longevos festivais musicais do mundo.

Realizado na cidade italiana de mesmo nome, a primeira edição de Sanremo aconteceu em 1951 e a estatueta do Leão de Sanremo é o reconhecimento mais prestigioso para os músicos e intérpretes de música pop italiana. Desde 1977 o evento acontece no Teatro Ariston.

Para participar da competição, é preciso que a música seja escrita em língua italiana ou em alguma das línguas regionais italianas (os dialetos), por um italiano, e elas precisam ser inéditas. 

Além disso, desde 1956 (com algumas exceções), o vencedor de Sanremo é automaticamente selecionado (podendo, contudo, abdicar desse posto) para representar a Itália no Eurovision, competição musical que abrange toda a Europa e que, por isso, tem ainda mais visibilidade.

Por que ele é importante para o ensino de italiano?

Música e Itália têm tudo a ver. Basta pensar, por exemplo, que grande parte do vocabulário musical teórico utiliza palavras em italiano.

Para além disso, o Festival de Sanremo faz parte da história italiana e é marcado por muitos acontecimentos diretamente ligados a ela (como as mudanças ocorridas durante o período fascista).

Mas o festival não nos ajuda a olhar somente para trás: sendo possível acompanhar as notícias relacionadas a ele e, claro, ter sempre acesso aos vencedores (mas não só), ele se torna um norte para nos ajudar a conhecer novas músicas e artistas italianos.

Como transformá-lo em uma ferramenta didática?

As possibilidades de usar o Festival de Sanremo em sala de aula são inúmeras. Eu mesma, já usei algumas vezes e vou tentar compartilhar aqui duas dessas experiências, procurando trazer, com elas, outras sugestões também. 

A primeira foi o básico do básico: um vídeo contando a história do Festival, com muitos detalhes interessantes e muito pano para manga. 

Depois de assistir ao vídeo, um pouco de conversação sobre ele, e também sobre os conhecimentos prévios do aluno em relação ao assunto, sempre buscando aproximar o assunto à realidade do estudante, perguntando, por exemplo, se ele conhece outros festivais do tipo (lembrando que Sanremo, apesar de ser um Festival, tem um formato diferente do que hoje, no Brasil, chamamos de Festival, e que isso é um ponto bem interessante para se discutir).

Apesar de ser algo bem simples, o bacana dessa atividade é que ela pode ser adaptada a diferentes níveis: o vídeo não é dos mais difíceis, então é possível fazer diferentes atividades a partir dele, desde uma compreensão mais básica, até uma conversação mais avançada.

A segunda atividade que fiz envolve escolher algumas músicas (quando realizei essa atividade, por exemplo, peguei as vencedoras dos três últimos anos, mas o critério de escolha vai de acordo com o que você irá trabalhar em seguida) e fazer com que os alunos escutem a seleção e que, a partir dessa escuta, criem o ranking deles.

Com isso, é possível, também, dar início a diferentes discussões bem interessantes (por que você gostou mais dessa que daquela canção? Por que você acha que tal canção foi vencedora?). Sem contar que os próprios textos das músicas podem dar muito o que trabalhar, né?

A primeira vez que fiz essa atividade, também aproveitei para mostrar como, de um ano para outro, os estilos vencedores foram bem diferentes. O meu intuito, além de tudo, era mostrar que a música italiana não é só e necessariamente aquela música de amor que muitos brasileiros estão acostumados. Os vencedores em questão eram os de 2019 — Soldi (Mahmood), 2020 — Fai rumore (Diodato) e 2021 — Zitti e Buoni (Måneskin).

Certamente existem milhares de outras formas extremamente criativas de se usar o Festival de Sanremo em sala de aula e se você quiser compartilhar alguma aqui nos comentários eu vou adorar saber!

Para concluir, gostaria de destacar que a edição deste ano (a 73º!) acontecerá entre os dias 07 e 11 de fevereiro e trabalhar o tema nesse período pode ser bem interessante, inclusive fazendo os alunos acompanharem ao vivo as transmissões. E, claro, fazendo as apostas deles com quem será campeão!

Proibidos de esquecer — Tayana Alvez

Título: Proibidos de esquecer 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 528 
Ano: 2022

[leia esta resenha ao som de Pensando em você — Paulinho Moska]

Se você já viveu uma história de amor — talvez A história de amor da sua vida — e jurou que aquela seria a última após seu doloroso término, atenção para este livro.

“E é assim que eu percebo, três anos, dois meses e doze dias depois de sair de casa e jurar para mim mesmo que nunca mais me envolveria com ninguém, que estou me apaixonando”

A história de Paulo e Bianca é bem peculiar: Bianca casou-se aos 17 anos, com seu primeiro (e único) namorado; Paulo também logo constituiu família, mas um acontecimento — que vai sendo revelado aos poucos, como todos os detalhes que nos prendem a essa narrativa — nos mostra como ela ruiu de maneira irreparável. Assim como a de Bianca.

“Meu próprio filho me condenou ao inferno na Terra”

Dois corações que, mesmo após anos, ainda estão em frangalhos e que se encontram. Duas histórias bem diferentes, mas também muito parecidas.

“—  Sentir a dor é melhor do que não sentir nada. — Encolhe os ombros. — A dor é uma lembrança de que foi real…”

Aliás, é preciso dizer uma coisa: ao longo dessa história você vai sentir um nó na garganta inúmeras vezes. E vai chorar outras tantas. Provavelmente você vai se identificar em diversos pontos. Mas ao final, talvez você pense que jamais viveu algo tão forte quanto esses protagonistas. E isso é algo que torna esta história ainda mais incrível: mesmo ela estando longe de ser a sua história (ainda bem?), você vai acabar se identificando em alguma medida.

“Aquela que não carrega mais as dores, mas sempre terá as cicatrizes”

E preciso dizer que neste livro talvez esteja o ápice da representatividade que Tayana Alvez tenta sempre trazer em suas histórias, com protagonistas negras, mães solo… Para mim, finalmente uma protagonista que não bebe e que deixa isso bem claro (aliás, só fiquei curiosa com os motivos dela)!

“— Ah, eu não bebo — diz completamente sem graça. — Desculpa, eu devia ter avisado. — Sorri sem jeito”

Brincadeiras à parte, é difícil falar de Proibidos de esquecer. A narrativa já começa intensa, nos deixando claro que tem muito por vir mas, como eu disse, as peças desse quebra-cabeça vão sendo reveladas aos poucos, na medida certa.

“O que a garota me diz é triste, pesado e doloroso, mas seu tom é como o de alguém que pergunta as horas”

A leitura é catártica. Ao final, percebemos que há muita maturidade e, principalmente, muito amadurecimento. As falas e os acontecimentos impactam e é difícil não ficar com esta narrativa impressa na alma.

“Passei tanto tempo tentando encontrar minha voz que esqueci que ouvir também é necessário”

Proibidos de esquecer se passa — majoritariamente — em Búzios e o verão tem um papel muito importante na história: é a estação que permite a reconexão, tanto de Bianca, quanto, no final das contas, de Paulo.

“Vamos sarar feridas nesse verão”

A história é narrada, alternadamente, pelos dois personagens, mas Bianca certamente domina a narrativa. 

“Às vezes dá vontade de perguntar o que mais as pessoas querem de mim”

Ela, que perdeu a mãe quando ainda era jovem; que perdeu o amor da sua vida aos 20 e poucos anos; que está tentando provar — para os outros, mas também para si — que está bem, que está seguindo a vida.

“O problema com o sofrimento é que todo mundo tem um conselho para você”

Ela, que decide viver um verão inesquecível. Mas que não imaginava o quanto ele seria transformador e revelador.

“Querendo ou não, quando você se entrega totalmente a uma pessoa, você entrega sua verdade a ela também, e se tem algo que nós concordamos, mesmo que sem palavras, é que não estamos prontos para falar do passado”

Bianca passa o verão em Búzios porque é ali que sua família tem uma casa. A casa na qual ela passava o verão na infância, mas que, com a morte da mãe, acabou sendo deixada de lado, mesmo que, contraditoriamente, seu pai finalmente a tenha deixado como a mãe sempre sonhara.

“A vida não para quando alguém que a gente ama morre”

Claro que é em Búzios que Bianca conhece Paulo, o dono da sorveteria cujos sabores têm nomes bem… Exóticos (e adoráveis).

Mas quando Paulo oferece protetor solar para Bianca, na praia, ela não imaginava que ele era dono de uma sorveteria. Nem que era tão solitário. Menos ainda que carregava um fardo tão pesado e triste.

“É difícil descrever o quanto os ‘e se’ podem atrapalhar a vida de alguém”

Tentei colocar em palavras a intensidade de Proibidos de esquecer e talvez eu tenha feito parecer que essa é uma história só de tristeza, mas a verdade é que a Tayana sempre sabe equilibrar passagens mais leves e até momentos que nos arrancam no mínimo um sorrisinho de lado e nesta narrativa não seria diferente.

“E, por Deus, que sensação maravilhosa essa de contar o que a gente quer contar para as nossas pessoas favoritas no mundo”

Falei, falei e falei, mas no final das contas, não sei se consegui apresentar esta obra à altura e, infelizmente, a Tay a retirou da Amazon, por estar reestruturando a sua carreira. Ou seja, quem leu, deu sorte. E quem não leu… É torcer para ela relançar em algum momento!

Agora, se você quiser conhecer um pouco da escrita maravilhosa desta autora, já segue ela nas redes sociais (Instagram | Twitter) e vem aqui neste link ver o que ainda é possível ler de obra dela em ebook. E, claro, não deixe de garantir o seu exemplar físico de O Irlandês, em uma nova edição tão ou mais incrível que a primeira.

Citações #60 — Profissão Fangirl

Profissão fangirl foi uma leitura que me tocou de maneiras que eu não imaginava que uma obra com este título poderia me tocar. E por mais que eu tenha escrito uma resenha de todo coração, sei que muita coisa ficou de fora dela. Inclusive alguns trechos, que agora trago aqui.

Como não poderia deixar de ser, começo este post lembrando que a história retrata o término de uma relação que já durava cinco anos, mas que também ainda existia apenas por comodismo (coisa que, claro, os personagens só percebem depois):

“Eu me perguntava o que doía mais, ele ter ido embora agora ou ter que admitir que ele já tinha ido tempos atrás”

“Por algum motivo sombrio eu precisava rever todas as lembranças do nosso relacionamento naquele momento”

“Finalmente eu coloquei o ponto final, falei o que eu queria e me sentia mais leve por isso”

Mas a história, claro, não fala apenas sobre corações partidos. Ela fala — e muito — sobre amizade:

“Essa era a melhor parte de ter melhores amigas, elas nem sempre vão te entender, mas isso não quer dizer que elas não vão estar sempre ao seu lado”

E também sobre força:

“Eu te vi chorar vezes o suficiente para saber que você não está fugindo, Alice. — Eu sorri com a lembrança de sua presença nas duas crises de choro que eu tinha tido. — E também te vi se esforçando para ser feliz de novo, e pra mim isso mostra o quanto você é forte”

E até mesmo sobre amor. Porque, afinal, nosso coração sempre tem a chance de se recuperar de grandes dores:

“Foi isso o que me chamou atenção, a forma como ele conseguia fazer o mundo inteiro parecer girar ao meu redor com um simples olhar”

Se você quer saber mais sobre esse livro, não deixe de ler a minha resenha, garantir logo o seu exemplar (é só clicar aí embaixo) e, claro, seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter)!

Andata e ritorno — B. A. Polinari

Título: Andata e ritorno 
Autora: B. A. Polinari 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 262 
Ano: 2021

[Leia esta resenha ao som de Con te partirò — Andrea Bocelli]

Andata e ritorno (que, em português significa “ida e volta”) é um livro que contém duas histórias paralelas e, ao mesmo tempo, transversais: no presente, conhecemos Stella e suas aventuras, narradas em primeira pessoa; no passado, temos Gildo e sua dura vida, narrados em terceira pessoa.

A verdade é que Stella é uma jovem que decide embarcar rumo à Itália para tentar descobrir mais sobre seu avô — Gildo — e, ao mesmo tempo, reconectar-se consigo. Então, enquanto ela narra sua própria história, ela também conta sobre a infância, a adolescência e a vida adulta de seu avô.

Como tantas famílias ítalo-brasileiras, a de Stella é marcada por imigrações, batalhas e recomeços.

“É incrível como deixamos de prestar atenção em nós mesmos quando vivemos cercados de outras pessoas”

O que a jovem não imaginava era que a sua própria história poderia se assemelhar tanto à de seu avô: ao longo de sua viagem, Stella conhece Guido, que transforma sua vida e faz com que ela precise fazer escolhas que não estavam em seus planos.

“Naquelas cartas talvez encontrasse a resposta para meus questionamentos constantes”

Com a história de Gildo, mergulhamos em uma Verona antiga, que viveu a guerra. Conhecemos uma família grande, cheia de amor e que, unida, passa por diversas provações.

“Por algum motivo, a ideia de que sua família estava sofrendo com sua suposta morte o machucava muito mais do que as dores que sentia ou as feridas que ainda não haviam cicatrizado por completo”

A história de Stella, por sua vez, nos fala sobre a solidão de estar em um país estrangeiro, a saudade, os fantasmas do passado.

As narrativas, como eu disse, não são apenas paralelas, mas transversais, e é gostoso perceber como, apesar do anos e das diferenças, Stella não nega o sangue que tem.

Andata e ritorno é uma publicação independente, baseada em fatos reais, que vai te transportar em inúmeras viagens. 

A diagramação da obra é confortável, com impressão em papel pólen e belos detalhes que minuciosamente adornam as páginas.

Se esta história te interessa, adquira seu ebook abaixo ou veja a possibilidade de também adquirir um exemplar impresso entrando em contato com a autora. Aliás, aproveite e já acompanhe o trabalho dela em suas redes sociais (Site | Instagram).

Música e livros: 10 canções inspiradas na literatura [tradução 28]

Música e literatura são dois tipos de arte que aprecio imensamente e, por isso, resolvi que nada mais justo que a primeira tradução do ano fosse de um texto que unisse esses dois assuntos.

O artigo em questão, escrito por Simon, foi tirado do Blog Thomann, tendo sido publicado originalmente em 16 de maio de 2021.

Vamos à tradução?


Quando literatura e música se fundem, o resultado é, frequentemente, monumental: muitas e muitas vezes os músicos encontram inspiração para os textos deles na literatura. Bob Dylan, por exemplo, destaca a enorme influência que tiveram sobre ele autores como Fyodor Dostoievsky. Inúmeras bandas do metal, do rock, do folk e de muitos outros estilos procuram sua inspiração nos romances de fantasia e de horror, e também na alta literatura. Eis aqui 10 exemplos da engenhosa interação entre literatura e música!

1. Bohemian Rhapsody – Queen | “O estrangeiro” de Albert Camus

O famoso escritor e filósofo francês Albert Camus foi a inspiração para um dos maiores e mais complexos sucessos do Queen: “Bohemian rhapsody”. Freddie Mercury escreveu o texto sozinho, inspirando-se no assunto do romance: um artista que não se preocupa com as convenções e não quer ser subordinado aos padrões sociais. De acordo com o assistente pessoal de longa data de Mercury, Peter Freestone, Freddie fica em paz consigo mesmo sobre a admissão de sua homossexualidade escrevendo essa letra. Que impressionante sinergia entre música e literatura!

2. Sympathy for the devil – The Rolling Stones | “O mestre e Margarida”, de Mikahil Bulgákov

“O mestre e Margarida” é a obra mais conhecida do escritor russo Mikhail Bulgákov, um clássico da literatura russa do século XX. O romance descreve a vida em Moscou, de maneira alegórica, humorística e satírica. Os Stones se inspiraram nesta absurda e verdadeira história quando compuseram a música “Sympathy for the devil”. Um clássico literário que se torna um clássico do rock. Na música, Mick Jagger deixa o diabo falar, inclusive na parte em que diz “quem matou os Kennedys”. A resposta de Satanás: “quando, afinal de contas, foi apenas você e eu”.

3. Rime of the ancient mariner – Iron Maiden | “A balada do velho marinheiro”, de Samuel Taylor Coleridge

“The rime of the ancient mariner” ou “a balada do velho marinheiro”, é um poema narrativo escrito pela figura literária britânica Samuel Taylor Coleridge, em 1798. Ainda nos dias de hoje, essa poesia ressoa como uma balada, com versos tão preciosos que influenciam até hoje a língua inglesa. São, de fato, numerosas as frases que passaram a fazer parte da língua inglesa usada hoje. Não só: o poeta influenciou inclusive o Iron Maiden, que celebram a balada por cerca de 14 minutos.

4. Animals – Pink Floyd | “A revolução dos bichos”, de George Orwell

Pink Floyd está, sem dúvidas, entre os maiores ícones da narrativa e da união entre literatura e música. Com o álbum “Animals“, eles mergulharam no mundo visionário do excepcional escritor George Orwell. O álbum é baseado no romance de Orwell, “Revolução dos Bichos“, a fábula distópica de 1945, na qual os animais se revoltam contra as regras de seus proprietários humanos. “Com a cabeça enfiada no lixo, dizendo ‘continue a cavar'”. O álbum busca descrever o capitalismo e as suas vítimas.

5. Ramble On – Led Zeppelin | “O senhor dos anéis”, de J. R. R. Tolkien

J. R. R. Tolkien, com o seu trabalho “O senhor dos anéis“, forneceu para muitas bandas um modelo preciso de mundo fantástico: a sua estimulante narrativa da Terra Média contém, obviamente, uma quantidade infinita de inspiração, a qual músicos e bandas ficam felizes de explorar. Entre os representantes mais conhecidos está Led Zeppelin, com “Ramble On“. Na música, de 1969, os roqueiros interpretam o romance de fantasia e não se abstêm de citar diretamente em seus textos a obra em questão. E sabe de uma coisa? Diz-se até que rolou disputa pelo copyright!

6. Charlotte Sometimes – The Cure | “Charlotte Sometimes”, de Penelope Farmer

Ok, o maior sucesso do The Cure continua sendo “Friday I’m in love“. O grupo, principalmente o líder, Robert Smith, são um exemplo de ligação entre música e literatura. O camaleão e excêntrico Robert Smith tem um livro preferido, e é um livro infantil chamado “Charlotte Sometimes“, escrito por Penelope Farmer. Smith usou justamente o livro infantil como modelo para a canção homônima de 1981, “Charlotte Sometimes”. Mais relacionado à literatura que isso, impossível!

7. Lucy in the Sky with Diamonds – Beatles | “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll

A vanguarda da música psicodélica, “Lucy in the Sky with Diamonds” não é nada menos que uma derivação da obra literária “Alice no país das maravilhas“, de Lewis Carroll. O livro infantil foi publicado pela primeira vez em 1875 e, cerca de um século depois, os Beatles retomaram o tema e o transformaram em “Lucy in the sky with diamonds”. A música foi escrita durante um dos períodos mais criativos do quarteto fantástico.

8. Moon Over Bourbon Street – Sting | “Entrevista com o Vampiro”, de Anne Rice

Sting não é apenas um icônico cantor e baixista: o artista inglês é conhecido, também, por sua intelectualidade, sem falar em uma leve tendência para tudo aquilo que está fora da curva. A música do The Police Moon over Bourbon Street” é baseada no romance “Entrevista com o Vampiro“, da escritora americana Anne Rice, no qual um bêbado — frustrado com a morte de sua esposa e de seu filho ainda não nascido — caminha pelas ruas de New Orleans, quando é mordido por um vampiro. Sting leu o livro depois de um concerto em New Orleans, em seu hotel, no famoso bairro francês. Olhando a rua deserta, escreveu os seus pensamentos sobre “Moon over the Bourbon Street” e então surgiu a composição homônima.

9. Romeo and Juliet – Mark Knopfler | “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare

Romeu e Julieta“, a tragédia mais famosa que já saiu da pena de William Shakespeare, conta a agridoce história de dois amantes cujas famílias só se reconciliaram com a morte deles. Numerosos artistas de música clássica, pop e rock retomaram o tema. Por exemplo, Mark Knopfler/Dire Straits com a homônima balada “Romeo and Juliet” uma das composições mais conhecidas do Dire Straits. Nos seus versos, descreve a cena na qual Julieta fica famosa, deixa o seu Romeu e se distancia do seu bairro, onde se encontraram pela primeira vez. 

10. All Along the Watchtower – Bob Dylan | “Frankenstein”, de Mary Shelley

All Along the Watchtower” é uma música do Bob Dylan, é importante ressaltar, mesmo que a canção tenha ficado famosa em uma versão significativamente modificada por Jimi Hendrix. Segundo as explicações, o título é baseado no romance de terror “Frankstein“, de Mary Shelley, um dos clássicos de horror por excelência. Considerando que a maior parte dos textos de Bob Dylan são recheados de aforismos, a conexão, neste sentido, é bem fácil de imaginar. 

Existem numerosos outros exemplos da agradável sinergia entre literatura e música. O que ambas as formas de arte têm em comum é estarem constante em busca de inovação e, ao mesmo tempo, de história, passando frequentemente a bola entre si. Críticos, especialistas em literatura e apaixonados por música geralmente amam interpretar e se deixar levar pelas obras nascidas das inspirações que, por sua vez, inspirarão também.


E você, saberia mencionar outros exemplos? Deixe aqui nos comentários, vou adorar conhecer mais músicas e suas referências!