Os pais da língua italiana [tradução 29]

Sendo este um blog sobre livros e também um espaço em que compartilho um pouco do meu conhecimento de italiano, já estava mais do que na hora de falar sobre o assunto que escolhi para hoje, não é mesmo?

O artigo que venho traduzir desta vez consegue unir esses dois assuntos: como você poderá ver, os “pais” da língua italiana são, justamente, três grandes autores que, por meio de suas obras, ajudaram a construir a língua que hoje é falada na Itália.

O texto original foi retirado do site Scuola Mondo Italia & Home stay e foi publicado em 22 de junho de 2014, pelos autores do próprio site, como você pode conferir aqui.


É útil e bonito aprender uma nova língua, principalmente o italiano, mas alguma vez você já se perguntou quando e como nasceu o italiano moderno?

Dando uma volta no museu Uffizi, em Firenze, podemos admirar as três estátuas dos “Grandes do século XIV” mais conhecidos como “os pais da língua italiana”, ou seja, Dante, Petrarca e Boccaccio.

Com Italiahomestay buscamos descobrir o porquê e, para honrar as nobres origens desta língua, Italiahomestay apresenta este artigo inteiramente em italiano!

Com relação ao clima histórico-político do período, é possível considerar fundamental o intelectual Dante, porque ele viveu bem a fundo a situação crítica de Firenze. As suas obras principais são: De Vulgari eloquentia, na qual tentou estabelecer uma língua vulgar italiana de norte a sul; La Vita Nuova, antologia poética, De Monarchia e Il Convivio. A sua cultura foi enciclopédica e aberta aos impulsos tecnológicos e de Averroè. Ele viveu nos anos finais da Idade Média, quando a cultura romana estava se apagando, sobrecarregada por uma Itália dividida em cidades.

Petrarca, assim como Dante, dedicou suas obras a uma mulher. Se Dante personificou a teologia, o conhecimento e a fé, em Beatriz; Petrarca escreveu Il Canzoniere para Laura. Uma obra fascinante de Petrarca, e il Secretum, no qual ele dialoga com Santo Agostinho, falando sobre suas angústias. É um livro muito íntimo, sofisticado. Não faltam outras obras, menos conhecidas que il Canzoniere, mas não por isso menos importantes, e são obras em latim, em verso e em prosa, como o De bucolicum Carmen ou l’Africa. Ele viveu na época das senhorias, em um período de transição entre a Idade média e o Humanismo e a crise da Igreja e do Império: as duas instituições que haviam sido um ponto de referência para o ser humano.

Além disso, Petrarca, diferentemente de Dante, identifica no latim a língua da comunicação, a língua oficial da cultura. Utiliza o vulgar no Canzioniere, mas privilegia nas obras de conteúdo mais elevado o latim, e tem consciência da ruptura ocorrida entre o mundo antigo e o mundo contemporâneo.

Giovanni Boccaccio aparece mais aberto à comunicação com um público burguês e se diferencia dos dois primeiros por uma questão muito simples: foi, antes de mais nada, um narrador, mais que um poeta. E, de fato, o seu Decameron é uma antologia de novelas. No Decameron ele expressa uma narrativa de grande fascínio comunicativo que é um modelo e um cânone para as histórias em prosa, assim como Dante e Petrarca são para as obras poéticas.

Fundamental na produção escrita dos três é a figura feminina que se concretiza respectivamente em Beatrice, Laura e nas damas de honra que circundam Fiammetta. Dante encarrega a figura feminina de um forte significado simbólico: a beleza de Beatrice se reflete no mundo que a circunda e dela emergem os versos que a elogiam, que a tornam uma figura salvadora mesmo mantendo as características de uma criatura mortal.

Ao amor por Laura, por outro lado, são dedicados quase todas as composições do Canzioniere de Petrarca, cuja experiência é completamente marcada por este amor. Toda concretude física, porém, é eliminada, e tudo se torna abstrato e simbólico. O amor confere ao poeta um valor excepcional, mas diferentemente de Dante, é algo inerente à alma sem antecedentes filosóficos, não é uma força salvadora, mas um desejo que se torna razão de vida, um amor sexual, terreno.

Diversas são, por outro lado, as figuras femininas no Decameron: sedutoras e misteriosas, mas também doces e apaixonadas figuras maternas. E é o sentimento que constituiu a síntese dos motivos amorosos de Boccaccio. A grande novidade é que o autor atribui a palavra diretamente a uma voz feminina: a mulher não é mais “objeto de amor” contado por uma voz masculina, mas um objeto falante, amante, às vezes abandonada e desesperada, que busca a cumplicidade feminina.

A mulher, para Boccaccio, é a protagonista de muitas novelas; não se limita a ser sombra e reflexo das paixões do homem, mas se torna a verdadeira atriz, que afronta e sofre a questão amorosa dentro de si, como sincera criação do próprio coração.


Agora me conte: você já conhecia esses autores? E sabia desses detalhes sobre suas obras?

A chance de encontrar o amor no metrô — Rafael Dourado

Título: A chance de encontrar o amor no metrô 
Autor: Rafael Dourado 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 68 
Ano: 2016

Sinopse

Existem dias que simplesmente nada dá certo e o simples fato de levantar da cama nos leva a uma série de acontecimentos desagradáveis.

Tess sabia disso, ela tinha perdido o horário no único dia que não poderia se atrasar. Para piorar, seu carro não pegava de forma alguma e completando o pacote de azar, não tinha dinheiro suficiente para um táxi; o metrô era sua única opção.

O que ela não sabia é que as vezes, nossas melhores chances vêm embrulhadas em um grande pacote de problemas.

Resenha

Quem tem o costume de andar de transporte público sabe bem como é difícil — ao menos vez ou outra — não se pegar observando as pessoas ao redor e até mesmo — por que não? — acabar se apaixonando momentaneamente por alguém.

“Um amor de metrô é uma constante quase tão real quanto usar o transporte”

Tess, a protagonista desta história, porém, não é uma pessoa que pega metrô todos os dias: ela tem carro e costuma ir dirigindo para a faculdade.

Acontece que a vida nem sempre quer colaborar conosco e no dia em que ela acorda atrasada — e é um dia muito importante para ela, como aos poucos vamos descobrindo — seu carro resolve não ligar.

“— Saiba, pequeno gafanhoto, que os dias que parecem ruins podem ser os melhores da sua vida”

Sem alternativa, ela resolve correr para o metrô, mas nem mesmo ele consegue salvar a pele da pobre protagonista, porque, claro, é um daqueles dias em que o metrô está com problemas.

Está certo que esse drama todo era necessário para que a história acontecesse. Uma narrativa curta, mas cheia de emoções. E o melhor: num simples vagão de metrô.

Totalmente atordoada com os percalços do dia, Tess acaba conhecendo Adam, ainda no metrô, e o que poderia ser só o pior dia da vida dela, torna-se um dia inesquecível (de maneira positiva, que fique claro!).

“Acho que nunca fui pega de surpresa tantas vezes em um curto espaço de tempo”

A chance de encontrar o amor no metrô é um conto que consegue, em suas poucas páginas, tratar não somente da imprevisibilidade da vida, mas também dá importância de olharmos para o lado e de sermos empáticos com os outros, em tudo, inclusive seus traumas.

“Faço essa viagem todo dia, e é sempre muito solitária. Ninguém olha para ninguém, são todos muito reservados”

Uma leitura leve, rápida e capaz de ser tão surpreendente quanto a manhã de Tess.

“Seu sorriso fez tudo que estava ruim no meu dia melhorar um pouco”

Se você ficou com vontade de conhecer está história, não deixe de clicar abaixo. Aproveite, também, para seguir o autor em suas redes sociais (Twitter | Instagram | Facebook).

Citações #62 — Teto para dois

Daquelas leituras que entregam muito mais do que se espera, ano passado tive a oportunidade de ler Teto para dois (Beth O’Leary) e me surpreender com uma história cheia de nuances, que me deixou bem reflexiva.

Por isso, apesar de ter deixado apenas algumas poucas passagens de fora da resenha, não poderia deixar de trazê-las aqui.

Teto para dois é uma narrativa que vai, aos poucos, nos fazendo enxergar um relacionamento abusivo.

“Sem ele, eu me sinto… perdida”

“Você é linda e eu nunca vou machucar você como ele fez”

Também é uma história que nos faz refletir sobre a síndrome do impostor (que atinge principalmente as mulheres).

“Eu me sinto uma fraude. Quer dizer, trabalhei quase em tempo integral no livro dela nos últimos meses, mas também reclamei demais e não paguei a ela um bom adiantamento, na verdade”

Abordando tais temas, o livro não poderia deixar de retratar, também, como a terapia pode ser (e realmente é) de grande ajuda.

“Achei que ela fosse me dizer o que tem de errado comigo. Em vez disso, meio que descobri algumas coisas sozinha… o que eu não teria feito sem ela sentada ali. Muito estranho”

Teto para dois tem uma protagonista contagiante, dona de uma força que ela mesma não reconhece, e encantadora. 

“Tiffy é tão impulsiva que é contagioso”

Se você não conhece muito desta história, te convido a ler minha resenha aqui e, claro, já garantir o seu exemplar (físico ou digital).

Calma, não vai embora ainda não! Semana passada escrevi um post sobre os cinco anos do Blog das Tatianices e gostaria de avisar que ele já está atualizado com a vencedora do sorteio de cinco livros nacionais que preparei. Corre lá para conferir.

Fiquei muito feliz com as respostas recebidas no formulário e espero poder continuar trazendo bons conteúdos por aqui. Saiba que vou sempre levar em conta os comentários feitos, bem como vou prestar mais atenção às categorias preferidas por vocês!

Aproveito para lembrar que este espaço está sempre abertos a comentários, seja por aqui, seja por email!

E aos que não conhecem ou não assinam (gratuitamente) a newsletter do Blog, fica aqui o meu convite: clicando no link abaixo você pode ler os textos anteriores e se inscrever para receber os próximos. É só um textinho por mês, diretamente no seu email.

Mocassins e All Stars — Clara Savelli

Título: Mocassins e All stars 
Autora: Clara Savelli 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 519 
Ano: 2019

[para ler ao som de all star — Cassia Eller

Sinopse

Julie está em um momento complicado da vida. Depois da morte do seu pai, ela e sua mãe se mudam para o outro lado do país – lar de sua avó materna, que ela nunca conheceu. Julie se vê obrigada a deixar seus melhores amigos para trás, a enfrentar colegas nem um pouco receptivos no novo colégio, e a conviver com Arthur, esse garoto implicante que parece amar tirar sarro de seus sapatos e que a coloca em furadas desde seu primeiro dia de aula. Entre mistérios, brigas e romance, Julie descobre algo sobre sua avó que muda o rumo de tudo. Ela só queria terminar o Ensino Médio e decidir o que fazer na faculdade, mas a vida não poderia facilitar tudo para ela, poderia? 

Resenha

Não importa de onde você é, se existe uma verdade universal é a de que o último ano da escola nunca é fácil.

“Para piorar tudo, não estava certa quanto ao que fazer na porcaria da faculdade. Por que a gente tem que escolher tão cedo, afinal de contas?”

É um marco muito importante, uma mudança muito abrupta e muitas escolhas para fazermos. E em Mocassins e all stars é justamente esta a fase retratada.

Julie está para iniciar seu último ano do Ensino Médio. Com alguns adendos: poucos meses antes ela perdera o pai, figura extremamente importante em sua vida, e, com isso, sua mãe decide sair de Nova Iorque e ir para Monterey, do outro lado do Estado, onde mora a vó materna de Julie, com quem ela nunca teve muito contato.

“O dia seguinte marcava o início de uma nova fase na minha vida. Uma escola nova, em um estado novo”

Para dificultar ainda mais as coisas, claro, Julie tem de encarar colegas não muito receptivos.

“Como se ir para uma escola nova, num estado novo não fosse ruim o bastante, a escola era, além de tudo, a melhor do estado”

A começar por Arthur, que logo implica com o all star de Julie. Quer dizer, ela encara o comentário dele como uma implicância, mas, aos poucos, vamos vendo que não é bem assim.

“Quando eu me dei conta da situação, você já tinha roubado um pedaço enorme de mim. E eu não quero que você devolva, não importa o que o mundo pense”

Também há Bárbara, a garota super popular. Ela sim implica de verdade com Julie. Principalmente ao notar o interesse de Arthur na novata…

“E não é nisso que consiste ser jovem? Querer tudo e, mesmo assim, ter tanto medo das coisas darem errado?”

Apesar de todos os pesares, Julie consegue fazer novas amizades, além de conquistar a admiração de muitos outros estudantes da nova escola. Ela acaba se juntando à Leah e aos meninos do basquete, David, Roger, Peter e Jack, criando laços que, num primeiro momento, pareciam impossíveis.

“Vocês perdem a oportunidade de fazer amigos muito legais, porque são preconceituosos, porque são fúteis”

É ao lado de seus novos amigos — mas também dos antigos, que ficaram em Nova Iorque — que Julie vai viver um turbilhão de sentimentos e acontecimentos que um ano pode comportar.

“— Você não sabe o que ter um amigo aqui significa pra mim”

Até poderia parecer surreal o que acontece nos 12 meses no qual a história majoritariamente se passa, mas sabemos que a vida é uma caixinha de surpresas e que algumas pessoas são mais predestinadas a viver milhares de altos e baixos seguidos.

“Estiquei meus braços na direção dele, esperando que pudesse ajudar a completar o vazio que ele carregava dentro do coração da mesma forma que ele ajudava a completar o que eu carregava”

E, como não poderia deixar de ser, há um fator essencial para tornar tudo ainda mais intenso e complicado nesta narrativa: o amor.

“O amor não é cor de rosa. O amor é vermelho, cor de sangue, cor de luta, cor de coragem”

Inclusive, os plots relacionados a isso são bem interessantes! Confesso que fui pega de surpresa e só conseguia pensar “não, não é possível”.

“Às vezes, a gente se questiona por que a vida nos prega peças”

Contudo, como acredito que já ficou claro, Mocassins e all stars não é somente um romance, abordando diversos outros assuntos importantes, como a perda (e o luto), a amizade, a necessidade de seguirmos em frente e, claro, o encerramento do ensino médio e a montanha-russa que isso gera dentro de nós.

“De certa maneira, o Ensino Médio nunca acabava mesmo. As lembranças que a gente construía por lá ficavam para sempre com a gente, assim como as mágoas e as tristezas também”

Mocassins e all stars é uma das primeiras obras de Clara Savelli e, apesar de trazer uma escrita ainda um pouco crua, é capaz de nos envolver, encantar e surpreender. Fiquei com muita vontade de ler outros livros da autora, e tenho certeza que a escrita dela amadureceu muito nos últimos anos, o que só torna tudo ainda melhor.

E se você ficou com vontade de ler Mocassins e all stars, clique abaixo para garantir a sua versão digital ou física. Aproveite também para já seguir a autora em suas redes sociais (Site | Instagram | Twitter | Facebook) e ficar por dentro dos próximos lançamentos dela.

5 anos de Blog das Tatianices

No último domingo (12/02), o Blog das Tatianices (da forma que vocês conhecem hoje) completou 5 anos de existência!

O parênteses no parágrafo anterior é de extrema importância, pois ele faz parte da nossa (minha e do Blog) história. 

Foi em 2014, após ler Fazendo meu filme — A estreia de Fani, e com quase nada de conhecimento sobre o universo dos blogs, que iniciei minha jornada na blogosfera. Para se ter uma ideia do meu despreparo, o blog chamava-se simplesmente Queridos livros (zero criatividade e personalidade, eu sei).

Um tempo depois, já com o espaço um pouco mais amadurecido e com mais conhecimento adquirido, alterei o nome para Queridos livros & Tatianices. Para quem não sabe, a inspiração do Tatianices vem do Livro das Tatianices, escrito por Tatiana Belinky. Ou seja, algo com um pouco mais de personalidade, mas ainda dentro do universo literário.

Quando essa história aí começou, eu estava no segundo ano da faculdade. Em 2017, cheguei ao último ano do curso e, dentre as tantas coisas que fazia (e que hoje me pergunto como eu dava conta na época), o blog acabou sendo deixado de lado.

Ainda muito crua na época, achei que apenas abandonar o blog não seria uma boa ideia (eu tenho dificuldade em abandonar as coisas, confesso). Logo, cheguei à conclusão de que o melhor era excluí-lo (ah, se arrependimento matasse). E foi assim que, com dor no coração, cliquei em exlcuir tudo e o blog simplesmente deixou de existir.

Nem seis meses depois, contudo, resolvi voltar. Com um pouco mais de conhecimento e preparo, porém. E foi então que, em 12 de fevereiro de 2018 eu publiquei o primeiro post do Blog das Tatianices.

5 anos depois, a data quase passou em branco. Se você segue o twitter do Blog, talvez tenha visto que domingo foi um dia corrido por aqui (porque além do Blog, eu também faço aniversário em fevereiro e escolhi justamente o domingo para celebrar), mas que eu não me esqueci deste marco que, aliás, me deixou bem reflexiva.

Tenho pensado muito em como gosto deste espaço. Como, com o passar do tempo e com as mudanças da vida, fui encontrando meu ritmo por aqui e a liberdade de ser quem eu sou e de fazer as coisas do jeito que eu gostaria de fazer, sem cobranças (internas. E olha que elas podem ser bem cruéis) e sem pressão.

Atualmente escrevo sobre o que quero escrever, e quando consigo. Claro que busco nunca perder a essência deste espaço — divulgar e incentivar a leitura e a literatura, mas também a cultura e a educação em geral — em consonância com a minha essência. Além de tentar, também, manter certa constância, apesar de tudo.

Gosto de ver como esse espaço consegue crescer, mesmo em um mundo tão acelerado e que, cada vez mais, privilegia vídeos. Adoro receber respostas ao que escrevo, na forma que for (às vezes um comentário, às vezes uma menção ao que falei, às vezes na leitura de um livro recomendado).

Assim sendo, eu não poderia deixar de celebrar (mesmo que um pouco atrasada) os cinco anos deste espaço. Sim, ele ainda é uma criança, mas uma criança que está aprendendo a ganhar asas e a me mostrar muitas coisas boas.

E é claro que eu não poderia deixar de comemorar recompensando você que acompanha este espaço! Para isso, resolvi unir o útil ao agradável: escolhi 5 autores nacionais que admiro e que sempre me lembraram o quanto vale a pena continuar com este trabalho, para a realização de um sorteio (vencedor único).

Foi difícil escolher apenas 5 autores, confesso, mas o número, claro, não foi aleatório: 1 para cada ano do Blog. Porém, gostaria de dizer que existem tantos outros que deixei de fora e que admiro de maneira imensa, cujas obras vocês podem conhecer através de resenhas já feitas por aqui.

Para além da quantidade, o critério de escolha também foi a representatividade: livros com personagens que fogem do padrão heteronormativo, branco, magro, “perfeito” e inexistente. 

Portanto, o sorteio de 5 anos do Blog das Tatianices contará com:

Para concorrer a estes prêmios, peço apenas que você participe desta breve pesquisa sobre o Blog, criada com o intuito de conhecer melhor meus leitores e pensar em maneiras de melhorar este espaço. 

No dia 23 de fevereiro irei realizar o sorteio. Para tanto, usarei a numeração gerada pelas respostas dadas no formulário. O resultado será divulgado aqui (atualizarei este post com o nome do(a) vencedor(a) e também irei lembrá-los disso no post do dia) e eu entrarei em contato com o(a) vencedor(a) (lembrando que será apenas uma pessoa) para pegar as informações necessárias para o envio dos prêmios. 

Espero ter conseguido explicar, de maneira clara, o objetivo deste sorteio, bem como seu funcionamento. Mas se houver qualquer dúvida, não hesite em perguntar aqui nos comentários!

E, por fim, gostaria de, uma vez mais, agradecer a sua presença aqui. Agradeço a cada pessoa que me lê e que, de alguma forma, me lembra que este espaço não é em vão. Na correria do dia a dia, não é fácil dedicar um tempinho à escrita e à manutenção deste espaço, mas faço esse “esforço” com muito amor e muita vontade de trazer algo bom para meus leitores.

Então eu só posso realmente agradecer e esperar que tenhamos ainda muitas boas trocas!


Atualização em 23/02/2023 (11:40)

A vencedora do sorteio de aniversários de 5 anos do Blog das Tatianices é a Agnes!

Gostaria de agradecer a todos que participaram. As respostas de vocês vão me ajudar muito a melhorar cada vez mais este espaço. Foram 10 participantes e fico muito feliz com isso!

Crônicas e agudas — Antonio Carlos Sarmento

Título: Crônicas e agudas — histórias leves para divertir e fazer pensar 
Autor: Antonio Carlos Sarmento 
Editora: Becalete 
Páginas: 304 
Ano: 2022

Como é gostoso ver um trabalho que admiramos crescer e alcançar novos caminhos, não é mesmo?

Antônio Carlos Sarmento é o autor por trás de um dos blogs que eu mais gosto de acompanhar por aqui (tanto que já indiquei ele mais de uma vez em postagens minhas) e que tem o mesmo nome do livro que hoje venho resenhar: Crônicas e Agudas.

“As ruas, a literatura e a cultura em geral dão dinâmica ao idioma: criam palavras e expressões, tornam outras arcaicas e o transformam constantemente”

Um título que, por si só, já demonstra muito da destreza do autor com a língua portuguesa: ao mesmo tempo em que joga com um jargão quase médico, também brinca com o gênero que traz em sua escrita.

E eu, como uma admiradora de crônicas desde que conheci o gênero, quando ainda estava na escola aprendendo sobre o maravilhoso universo da literatura, não poderia deixar de me encantar com uma obra como essa, recheada de temas e reflexões tão interessantes.

“Passeava então pelas ruas, visitava uma livraria e encontrava prazer em ficar sem falar nem ouvir. É bom descansar um pouco os sentidos” 

É verdade que eu já conhecia a maioria das crônicas deste livro, justamente por ser leitora (quase) assídua do blog de Antonio Carlos. Mas como o próprio autor disse, não há nada como poder lê-las impressas. Pegar um livro em mãos, sentir o papel, escolher o local que for para ler.

“Ler é principalmente uma questão de gosto. E gosto vem com o hábito”

Mesmo (re)lendo esses textos e tendo enorme apreço por tantos deles (todos, talvez), não posso negar que tenho alguns preferidos

“Nossa individualidade nos obriga a desenhar nosso próprio trajeto, singular e único”

Na ponta da língua, por exemplo, além de abordar um assunto que sempre me agrada — as nuances de nossa língua — ainda me fez relembrar a época em que li Mario Prata, outro nome tão importante da crônica brasileira e que também mais de uma vez escreveu sobre as palavras e a riqueza da língua que falamos.

Também muito me agrada o texto Pizza de domingo, na qual o autor apresenta uma solução divertida para um problema que parecia insolúvel (que, claro, não comentarei aqui, deixando para que o leitor descubra qual é).

Corônica, outro jogo de palavras ótimo, é uma crônica linda, com uma lição que pode nos surpreender.

“Tem coisa mais contagiosa que vírus” 

Aniversário de 15 anos e Bate papo também são crônicas que ganharam demais meu coração. Textos que falam sobre a importância de ler, de desconectar um pouco e viver o real, o essencial, a nossa história.

“Tenho receio de que toda esta velocidade possa acabar por nos fazer menos humanos”

Crônicas e agudas, como o próprio subtítulo indica — histórias leves para divertir e fazer pensar — aborda de maneira leve, bem-humorada, clara e sincera os mais diversos temas, nos propiciando horas de uma leitura prazerosa que passa voando.

“Sim, porque maturidade não tem a ver com o simples passar dos anos, mas com a capacidade de absorver o aprendizado que a vida nos oferece e assim crescer em reflexão, bom senso e equilíbrio”

Se este livro despertou o seu interesse, entre em contato com o autor Antonio Carlos Sarmento para adquirir o seu exemplar. O contato pode ser feito por email (antoniocsarmento@gmail.com) ou Whatsapp ((21)99989-7239) e o livro pode ser enviado para todo o Brasil. Aproveite, também, para seguir o autor em suas redes sociais (Blog | Facebook).

Por que avaliar minhas leituras?

Se você tem o hábito de ler assiduamente, principalmente obras nacionais, já deve ter visto escritores — e até mesmo algumas editoras — incentivando a avaliação da leitura — na Amazon, no Skoob, no Goodreads, onde for — após a conclusão da mesma. Vamos tentar entender o que está por trás desta prática?

O que significa avaliar uma leitura?

Muitos produtores de conteúdo (dos grandes aos pequenos) têm o hábito de fazer resenhas dos livros lidos. Isto é excelente, porque permite que outras pessoas tomem conhecimento de uma determinada obra que, talvez, sem aquela resenha, jamais ouvissem falar.

É importante lembrar, contudo, que devemos ser cuidadosos em nossas resenhas. Por mais que tenhamos odiado determinado livro, precisamos lembrar que, por trás dele, há muitos seres humanos que trabalharam para que ele fosse publicado, principalmente o(a) autor(a), que se dedicou intensamente àquelas páginas.

Por isso, tome muito cuidado com as palavras escolhidas ao falar de um livro. Quer criticar? Critique, mas procure pensar no porquê daquilo não ter te desagradado e como poderia ser diferente (alô, críticas construtivas!). E também lembre-se que o que te desagradou, pode ser do agrado de outras pessoas.

Isso posto, gostaria de ressaltar que, em uma resenha, não é obrigatório dar uma nota para o livro lido. Algumas pessoas fazem isso, outras não (eu não faço), fica à escolha de quem está escrevendo a resenha, assim com os critérios para dar determinada quantidade de estrelas ou determinada nota.

Contudo, em outras plataformas, como as que mencionei anteriormente, nós temos de dar uma nota para o livro que queremos avaliar. Nesses casos, é importante ter mais critério na hora de escolher a nota final, principalmente se você não pretende escrever uma resenha mais detalhada (que, geralmente, não é obrigatória nessas plataformas, sendo possível apenas atribuir uma “nota” através das estrelas).

E por que é preciso ter mais critério? Porque se o livro recebe boas avaliações (e quanto mais, melhor!) ele vai ganhando destaque na plataforma (seja ela qual for), alcançando ainda mais leitores. Porém, esses mesmos leitores, ao se depararem com livros que só têm avaliações ruins, dificilmente escolherão aquela obra para ler, certo? A menos, claro, que as pessoas expliquem o porquê daquelas notas baixas e sejam características que não incomodam o novo leitor em potencial (tem gosto para tudo nesse mundo, não se esqueça disso).

Por que, afinal, avaliar minhas leituras?

Explicados os cuidados que são interessantes de se tomar na hora de avaliar uma leitura, chegou o momento de passar ao que interessa realmente: por que avaliar minhas leituras? 

Como mencionei brevemente acima, as avaliações (principalmente com boas notas) ajudam a dar destaque ao livro em questão. Isso porque, assim como acontece nas redes sociais, esses outros mecanismos também funcionam através do famoso (e temido) algoritmo: quanto mais falam de um livro, avaliam ele e, no caso da Amazon, compram ele, mais ele aparecerá para potenciais futuros leitores.

Mas há, ainda, outro motivo para se avaliar uma obra: as avaliações são uma forma dos autores (e das editoras) saberem que aquele livro está sendo lido e qual está sendo a receptividade do público. Isso motiva todos a continuar produzindo conteúdo ou então a reavaliar o que não está  funcionando. Elas acabam sendo um termômetro para o mercado literário.

Ou seja, da próxima vez que você se deparar com um autor pedindo (ou, muitas vezes, incentivando, inclusive com mimos — prática que, infelizmente, pode levar à retirada de sua obra da Amazon, sabia?) por avaliações, entenda que não é para alimentar o ego, mas para poder ganhar alguma visibilidade e, principalmente, para poder aprimorar a própria escrita.

Mas eu preciso avaliar TUDO o que leio?

As avaliações são importantes principalmente para obras nacionais. Pense aqui conosco: uma obra internacional, para chamar a atenção de uma editora que tenha interesse em traduzi-la — processo muito mais complexo que a simples edição de uma obra nacional — precisa já ter um certo reconhecimento em seu país de origem e, muitas vezes, um público interessado por aqui também. Os livros nacionais, por sua vez, estão constantemente tentando ganhar espaço e destaque, muitas vezes tendo de batalhar com essas obras internacionais já reconhecidas. Então, se bater a preguiça, faça um esforcinho para ao menos avaliar os livros nacionais (e independentes, sobretudo!).

Porém, pensando em termos mais amplos — principalmente no incentivo à leitura — claro que o ideal é que você avalie tudo o que lê (ou ao menos o que gostou, vai, já que nem sempre conseguimos elaborar uma crítica que realmente nos leve a algum lugar): quanto mais gente falando de livros (e falando bem, claro), mais gente interessada neles teremos! E, no fim das contas, é isso que importa, não?

Você costuma avaliar suas leituras? De que forma? Não deixe de me contar nos comentários!

Sorte ou destino? — Bruna Oliveira

Título: Sorte ou destino? 
Autora: Bruna Oliveira 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 212 
Ano: 2018

(para ler ao som de Acima do sol — Skank)

Anna é uma protagonista com a qual muitas leitoras podem se identificar: tímida, fora dos padrões (absurdos) de estética, leitora voraz, extremamente tímida e romântica incorrigível.

“Apesar de estar sempre sofrendo com alguma paixonite, nunca conto isso para ninguém. Eu tento me iludir fingindo que não me importo com essas coisas, mas no final das contas eu sempre quis ter alguém que estivesse ao meu lado quando eu precisasse”

Ela sonha em encontrar seu príncipe encantado e, mais que isso, em ser notada por ele, mas não move um dedo sequer para isso.

“Não fica com medo de se machucar. A sensação de medo de arriscar às vezes pode ser bem pior”

Felizmente, Anna divide um apartamento com Manu, sua amiga desde o ensino fundamental. Elas moram e estudam em Fonte Nova e, apesar de terem personalidades quase opostas, se dão muito bem. 

“Minha amiga não tem medo de se jogar de cabeça na vida, ela tem pressa para ser feliz, e eu tenho que aprender muito com ela”

Anna cursa Administração e Manu, Publicidade e Propaganda. Algumas matérias elas fazem juntas e é justamente numa delas que Anna conhece Cadu e não consegue esconder da melhor amiga que está totalmente caída pelo colega.

“Por mais que eu tente me policiar, meus pensamentos insistem em focar em Cadu, o atual alvo da minha paixão platônica e meu colega de classe”

Manu tem certeza que Cadu também tem algum tipo de interesse por Anna, já que olha várias vezes para ela. A protagonista, porém, acha que isso é coisa da cabeça da amiga.

“A Manu tem esse defeito, ela é otimista demais, e muitas vezes acaba por imaginar coisas para tentar animar a gente”

Seja como for, Manu convence Anna a ir — finalmente — a uma das festas da faculdade, logo no início de mais um ano letivo. Porém, é claro que as coisas ali não saem como o planejado…

“Mas o fato é que nós nunca estamos preparados para ver a pessoa que a gente gosta ficando com outra. É cruel demais”

Contudo, um esbarrão, quando está praticamente fugindo da festa, fará com que a vida de Anna mude completamente. E de uma maneira que ela jamais esperaria. 

“A vida às vezes prega cada peça na gente, não é mesmo?!”

João entra na vida de Anna muito por acaso e vai derrubando as barreiras da garota, uma a uma (clichê? Talvez…).

“A questão é que para mim, uma relação de amizade não é fácil de construir, eu tenho que ter muito tempo de convivência com alguém para poder agir como eu mesma, mostrar meu lado descontraído e até mesmo divertido”

E ele ainda se revela um cara e tanto, para surtos e mais surtos da Anna. Um príncipe mil vezes mais encantado do que ela poderia imaginar.

“Ai meu Deus! Além de lindo ainda gosta de ler como eu. Ele é bom demais para ser de verdade”

Mas é claro que quando a história já está dando certo demais e não estamos nem na metade do livro… É porque vem bomba! E por mais que esperemos isso — e saibamos que no fim as coisas se ajeitam — é sempre uma agonia imensa ver tudo desmoronando.

“Como a vida pode dar um giro de cento e oitenta graus em apenas vinte e quatro horas?”

Sorte ou destino? é uma história deliciosa de se ler. Daquelas que vamos avançando sem nem perceber e nos apaixonamos pelos personagens até sem querer. 

“Estou encantado com a Anna, ela parece real, não essas bonecas de porcelana fabricadas, que a gente vê a torto e a direito nas baladas”

Para além do romance, este é um livro que fala sobre as nossas escolhas — principalmente profissionais — e sobre como recomeços são necessários, principalmente quando significam irmos atrás daquilo que realmente nos faz feliz.

“Quando prestei vestibular eu não tinha ideia do que eu queria fazer da vida, e agora não consigo me enxergar exercendo essa profissão no futuro”

E, no final das contas, também podemos perceber que a história nos mostra que não precisamos mudar para nos encaixarmos no mundo. Que, com calma, as coisas se ajeitam para todos, independentemente do nosso jeitinho.

“Eu não tenho experiência com essas coisas de paquera, então não sei o que de fato aconteceu”

Sim, eu gostei muito dessa leitura, mas como já está quase virando hábito por aqui, fui procurá-la de novo na Amazon e… Ela não está mais disponível. No entanto, a autora tem outras publicações por lá (vem aqui conferir) e você também pode segui-la em suas redes sociais para conhecer melhor o trabalho dela (Instagram). E prometo semana trazer uma resenha de livro recém-saído do forno e com possibilidade de garantir exemplares.

Citações #61 — Clichês em rosa, roxo e azul

A maior resenha que escrevi ano passado (e talvez em toda a minha existência) foi, sem dúvidas, a da obra Clichês em Rosa, roxo e azul, da autora Maria Freitas, uma antologia com diversos contos com protagonismo bissexual.

Apesar da imensa resenha, comentando conto a conto, inúmeros quotes ficaram de fora, então hoje talvez tenhamos outro post imenso (e já peço desculpas por isso, mas eu não poderia deixar de compartilhar tantas frases marcantes por aqui).

Inclusive, gostaria de começar ressaltando as frases que falam sobre o tema central: a bissexualidade (e outras tantas formas de amar).

“Pensar nas coisas que nós temos que esconder me destrói”

(Conto: Mas… e se?)

“Como contar para a sua irmã que você está encantado por uma garota… e por um garoto também?”

(As razões de Henrique)

“Sempre achei aquela garota magnética”

(Conto: um corpo de verão)

“Eu já me esforçava para amar as minhas próprias imperfeições. Não seria tão difícil assim amar as dela também”

(Conto: um corpo de verão)

“Olho por cima do peito de Felipe e vejo que ele e Ana estão de mãos dadas. Não sinto ciúme. Sinto que tudo está certo. No lugar. Como o prólogo de um livro bom: apenas começando uma nova história”

(Bregafunk do amor)

Mas os contos não são só sobre isso. Cada história, a seu modo, entrega muito mais. Há, por exemplo, diversas passagens sobre a solidão.

“Como dizer a ele que receber um milhão de mensagens não afasta a solidão?”

(Azeitonas)

“Talvez a melhor coisa que eu faça nessa minha vida seja realmente seguir em frente”

(Azeitonas)

“A solidão era uma constante na minha vida”

(Bregafunk do amor)

“Eu conheço tão bem a solidão nos olhos de uma pessoa. Tenho espelho em casa”

(Bregafunk do amor)

E também sobre o medo.

“Você tem razão, eu estou feliz e tenho medo de perder isso”

(Conto: Mas… e se?)

“Tenho medo de voar e cair”

(Conto: Mas… e se?)

“Mas, agora, deitado ali, percebo que não ter medo é quase impossível quando se está feliz”

(Conto: Mas… e se?)

“Era como se ela quisesse se fechar em uma casca, onde ninguém pudesse atingi-la, onde ninguém pudesse chegar até ela”

(Conto: um corpo de verão)

O livro fala, ainda, sobre a falta e a tristeza que todos os sentimentos mencionados até aqui podem gerar.

“Abraço essa mulher como se nunca mais fosse abraçar alguém na vida”

(Conto: Mas… e se?)

“Nessa nossa vida, a gente precisa se acostumar com a falta”

(Conto: Mas… e se?)

“É difícil hoje, foi difícil ontem, mas espero que não precise ser difícil amanhã.”

(Azeitonas)

“E, nesse jogo de War, não quero que a tristeza conquiste todos os meus territórios”

(Bregafunk do amor)

“Meu nariz coça, minha garganta fecha, meus olhos ardem. Não posso quebrar agora”

(Um papai Noel de outro planeta)

“Preciso estar em movimento, sempre, senão minha tristeza me engole”

(Um papai Noel de outro planeta)

A verdade é que o conjunto da obra nos faz refletir — e muito — sobre a complexidade das relações humanas, seja com o outro, seja com nós mesmos.

“A época que morei com a minha avó foi muito difícil, tipo, muito mesmo. Acho que não me adaptei à cidade grande até hoje. Barulho demais, longe demais, carros demais. Gente demais. Talvez seja por isso que escolhi fazer minha faculdade no interior, perto de onde cresci. Sei lá, eu devo ser uma pessoa de raízes”

(Conto: um corpo de verão)

“Homens héteros (e cis) têm muitíssima dificuldade em demonstrar qualquer tipo de afeto básico por medo de ferir sua pobre masculinidade frágil”

(Conto: um corpo de verão)

“Sinceramente, às vezes eu ficava na dúvida se estava apaixonada ou tendo um ataque cardíaco”

(Conto: um corpo de verão)

“Tentei explicar coisas que eu nem sabia que estava guardando dentro de mim”

(Conto: um corpo de verão)

“Bia, só a gente sabe a nossa dor”

(Conto: um corpo de verão)

“Quando nossos olhos se cruzam, sinto que perdi tudo”

(Estrela e a flor)

“Algumas coisas são facilmente substituíveis, outras não”

(Azeitonas)

“Não fomos capazes de enfrentar nada, não é? Você era a minha pessoa, como foi que a gente se perdeu?”

(Azeitonas)

“Ultimamente, vinha respondendo todo mundo no automático, sem realmente me conectar com ninguém”

(Azeitonas)

“Desde o meu último namoro — que deu completamente errado —, jurei que não seria trouxa. Fui trouxa”

(As razões de Henrique)

“Só sabia sentir e sentia demais”

(As razões de Henrique)

“Mesmo sendo nova na cidade, dá para perceber que, ainda que também haja conflitos e diferenças, as pessoas daqui são mais acolhedoras”

(Bregafunk do amor)

“Sou extremamente grata por tudo que ela fez desde que eu cheguei aqui, aliás de antes. Minha vida andava muito vazia até que ela me acolheu e me trouxe para cá. Me sinto abraçada todo dia”

(Bregafunk do amor)

“De alguma forma, esse olhar me reflete e me completa”

(Bregafunk do amor)

“Ele foi meu fã, quando tudo o que eu queria era um amigo”

(Bregafunk do amor)

E também nos lembra da importância da comunicação, tão subestimada nos dias de hoje.

“As palavras se perdem dentro de mim”

(Conto: Mas… e se?)

“Mas pra uma conversa existir é preciso que as duas partes queiram falar e ouvir”

(Azeitonas)

“Às vezes, acho que essa sensação de que alguém está apertando minha garganta, impedindo o ar e as palavras de saírem, nunca mais vai embora”

(Um papai Noel de outro planeta)

Não posso deixar de trazer, também, algumas reflexões importantes sobre o tempo, o fracasso, a decepção.

“Detestava perder tempo. Sabia que o relógio andava rápido demais”

(As razões de Henrique)

“E a pergunta mais difícil de responder, no fim das contas, é: quem é que vai nos enxergar, se estamos todos com pressa?”

(As razões de Henrique)

“Tecnicamente, o próprio tempo-espaço encontra maneiras de colocar tudo no lugar e de curar a si mesmo”

(Um papai Noel de outro planeta)

“Fracasso é não saber a hora certa de desistir, o momento oportuno para abandonar o barco e começar a nadar”

(As razões de Henrique)

“Não sei o que acontece, mas toda vez que me decepciono com algo uma dor crescente invade meu peito, causando um calafrio horrível. Uma vontade de levantar e ir embora. Fugir”

(Bregafunk do amor)

“Lembro da frase que minha psicóloga sempre usa: ‘Estar vivo é decepcionar e ser decepcionada’”

(Bregafunk do amor)

“Estou ainda mais decepcionada comigo mesma, por querer tanto algo e não ter a capacidade de expressar em palavras meus desejos”

(Bregafunk do amor)

A obra te interessou? Então não deixe de ler a resenha completa e, claro, garantir o seu exemplar.

Arlindo — Ilustralu

Título: Arlindo 
Autora: Ilustralu 
Editora: Seguinte 
Páginas: 200 
Ano: 2022 (1º reimpressão)

(Para ler ao som de Eu acho que pirei — Sandy Júnior)

É difícil trazer algo muito original quando tanto já foi falado sobre esta obra, mas não quero deixar de dar a minha contribuição para a divulgação da mesma. Até porque, convenhamos, ela é bem necessária.

“Eu já tive meu inferno particular. Uma hora você vai conseguir também, do seu jeito”

Acho que todo mundo sabe que Arlindo é um garoto gay, ainda que, no início, possa pairar uma certa dúvida, principalmente porque, bem, ele vive numa sociedade um tanto quanto preconceituosa. E nem mesmo dentro de casa ele está totalmente seguro para se assumir.

“Na vida às vezes a gente tem que bater de frente, Lindo. A gente não tá errado em existir”

Mas é uma delícia descobrir que Arlindo não é o único personagem gay desta história e o que tudo isso representa ao longo das páginas.

“Sempre falaram de mim porque eu gosto de esportes, porque eu nunca fui patricinha, porque eu sou ‘esquisita’… eu não sei até que ponto essas coisas têm a ver, mas eu morria de medo das pessoas estarem certas”

Também acho que todo mundo sabe que essa HQ é cheia de referências que marcaram gerações, como músicas da dupla Sandy e Júnior. Mas quantas pessoas sabem que até o código super secreto (só que não) ZENIT – POLAR aparece nesta narrativa? Ri muito quando vi.

“Todo mundo parece saber coisas sobre a gente, tirando conclusões por uns negócios tão nada a ver. Não faz nem sentido”

Ler Arlindo é como receber um abraço e saber que não se está sozinho neste mundo. E, tendo ganhado o meu exemplar de presente, o abraço acaba sendo ainda mais real.

“Tudo o que a gente tem é a gente, Lindo”

Uma leitura daquelas que a gente quer sair distribuindo para tantas pessoas que sabemos que precisam.

“Tá tudo bem. E quando não tá, é porque ainda vai ficar”

Porque Arlindo é uma história que, mesmo parecendo “só mais um quadrinho”, é profunda e não fala somente sobre homofobia e amor, mas também sobre amizade, relações familiares, amadurecimento e identidade.

“A gente não devia viver com medo de gostar de ninguém, nem de ser a gente mesmo”

E se você, assim como eu, não tem o hábito de ler HQ, leia com calma, para não se perder e, principalmente, para não deixar nenhum detalhe passar desapercebido.

As cores da obra são vivas e vibrantes e a impressão dela é excelente (e o cheiro de livro novo? Diferente daquele que estamos acostumados, mas igualmente maravilhoso!). Minha edição é brochura e achei que isso deixou bem confortável a leitura (capas duras são lindas, mas nem sempre práticas).

Para saber mais (e garantir seu exemplar), basta clicar na imagem abaixo. E, claro, seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter).