Existem inúmeras formas de amar e de demonstrar esse amor e é exatamente isso o que encontramos nesta breve obra: um amor para cada letra do alfabeto, como sutilmente sugere o título.
“Já pensou que existem tantos tipos de amor quanto pessoas esperando ser amadas?”
Através de 22 contos curtinhos, a autora faz um lindo passeio pelo alfabeto, nos propiciando as mais diversas leituras e os mais variados sentimentos.
“Enfim, eu leio. Às vezes mais, às vezes menos; mas estou permanentemente em busca de histórias para colecionar em uma biblioteca mental que me ajuda a enxergar o mundo com novos olhos”
Ao longo das páginas deste livro, também somos lembrados que nem toda história de amor é necessariamente alegre, com um “felizes para sempre”.
“Engraçado como amar alguém não é garantia que você vai estar com essa pessoa para sempre”
E assim como várias são as formas de amor, diversas são as maneiras de apreciar este livro: de uma sentada só ou, como acho mais interessante, aos poucos, uma dose de amor diária e necessária.
“Eu leio. Desde que aprendi, nunca mais parei. Em quase tudo que faço, levo um livro comigo”
Claro que, para mim, foi fácil eleger um texto preferido dentre todos os lidos: não resisto a histórias que falam sobre livros e leituras e, assim, o meu escolhido é o Biblioteca.
“Ler para mim é uma droga, eu não posso parar. Não depois de tudo que vivi”
Mas, como se pode imaginar, tem história para todos os gostos neste livro e também acho que ele pode ser uma boa pedida para quem quer sair de uma ressaca literária ou simplesmente começar a ler, já que ele é leve e, de novo, super rapidinho.
“Guardo o momento da leitura com carinho em um compartimento do meu dia. Porém, às vezes, por causa da correria do demandante mundo real, deixo de ler”
Ah, este também é um livro para quem precisa recuperar um pouco dos tantos sentidos do amar.
“Existem coisas que têm mais força que “eu te amo”. Uma frase é só uma frase. Os pedaços de vida que duas pessoas decidem conectar significam muito mais que três palavras entoadas juntas”
AmoreZ reúne, portanto, breves histórias despretensiosas, mas que, ao mesmo tempo, nos fazem pensar. E se você acha que é deste livro que está precisando, não deixe de clicar abaixo para saber mais. Aproveite para seguir a autora no Instagram e conhecer mais do seu trabalho.
“Não é para qualquer um que mostramos o carrinho de compras cheio de quem somos”
Título: Depois da caixa preta
Autor: Rafael Weschenfelder
Editora: Publicação independente
Páginas: 99
Ano: 2022
Será que os fofoqueiros de plantão já pensaram em unir a paixão por reality shows e literatura? Se sim ou se não, a dica de leitura de hoje é um prato cheio para isso e, sem dúvidas, vai agradar não apenas os fãs desse tipo de programa, mas também aqueles que acreditam numa boa teoria da conspiração.
Em Depois da caixa preta conhecemos Lorenzo, um ator de novelas adolescentes que quer entrar na famosa Casa de Vidro não para ganhar dinheiro ou fama, mas para descobrir o que há de verdade na tal caixa preta, único cômodo da casa que não tem câmeras e paredes transparentes.
Acho que só com a breve descrição acima já dá para ter ideia das referências que permeiam esta história, certo?
“A Casa de Vidro muda a gente — diz, por fim. — Você não entenderia”
Uma vez mais, porém, Rafael Weschenfelder surpreende seus leitores. Por trás de uma história que parece a simples busca de um jovem apaixonado pela verdade que mudou por completo o comportamento de sua (ex)namorada, Lisbela, que três anos antes participara desse mesmo programa, o autor esconde muito mais.
Chips, manipulação, insegurança e depressão são alguns dos assuntos que encontramos nas poucas páginas que compõem esta narrativa cujo vilão não tem uma cara precisa, mas faz-se claramente presente.
“Ninguém é livre para fazer suas próprias escolhas dentro da Casa de Vidro. Somos fantoches, marionetes”
Se esta história despertou sua curiosidade, saiba mais sobre ela clicando abaixo. Uma leitura rápida e que, como sempre acontece com os textos do Rafael, vai te prender e, no final, te deixar de boca aberta, pensando em milhares de possibilidades.
No último domingo (10/07) terminou a 26° Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu entre os dias 2 e 10 de julho, no Expo Center Norte, espaço para eventos deste porte, localizado na Zona Norte da cidade.
Apesar desta não ter sido minha primeira vez em uma Bienal, foi uma experiência totalmente nova e gostaria de compartilhar um pouco disso com você.
Para começar, vale dizer que fui em mais de um dia, mas somente porque eu consegui fazer minha credencial como profissional do setor (o que inclui aqueles que trabalham na produção de livros, como autores, revisores, tradutores, diagramadores, editores, mas também professores), tendo, assim, acesso gratuito ao evento.
O valor do ingresso para quem não tinha credencial (que também é possível conseguir como blogueiro) era de R$15 (meia) ou R$30 (inteira). Um valor que vale à pena, para quem pode pagar, visitar ao menos uma vez o evento, mas que torna inviável mais de uma ida, ainda mais em dias que eu sabia que não conseguiria ficar muito tempo por lá.
Além disso, depois de muitos anos, nesta edição eu tive companhia para aproveitar o evento. E também aconteceu a coisa mais diferente que me poderia acontecer: estive ao lado de um amigo que é best-seller na Amazon, ajudando-o a tirar fotos com os fãs e distribuindo seus brindes. Foi uma energia muito gostosa e eu, tendo encontrado também outros autores independentes que admiro, entendo bem a emoção da cada um que encontrava o autor para tirar uma foto e trocar algumas palavras.
Estive presente no primeiro final de semana da Bienal e não posso deixar de dizer que, apesar do cansaço (porque cansa ficar andando para lá e para cá e pegando fila para tudo), olhar para trás e pensar que havia um mundaréu de gente (sem brincadeira) em um evento literário é algo grandioso demais para deixarmos passar em branco. As filas no sábado estavam espantosas. Domingo, para entrar, foi um pouco mais tranquilo, mas era difícil andar sem tropeçar (em alguém ou em uma fila).
Durante a semana as coisas estavam um pouco mais tranquilas, principalmente na segunda e na terça (dias que acompanhei somente pelas redes sociais). Mas eu retornei quinta-feira para a Bienal e devo dizer que estava mais cheio do que eu esperava, com bastante escola fazendo visitação (o que é incrível de se ver também).
Na quinta-feira, meu último dia de Bienal, aliás, fui especialmente para ver o bate-papo com autores KDP, no stand da Amazon. Fizeram parte do bate-papo, mediado por Cassia Carrenho, as autoras T. M. Kechichian, Agatha Santos e o autor Rafael Weschenfelder. Dentre os três dias em que estive presente na Bienal, este foi o único em que assisti uma das tantas mesas e palestras, me fazendo refletir sobre o quanto ainda há por trás de um evento como esse.
Mas vale lembrar que a Bienal é uma vitrine para que as editoras possam expor seu trabalho. Não a toa, todos os vendedores, apesar do caos e da lotação, foram sempre muito simpáticos e, não nego, eu mesma caí facilmente na conversa deles e me encantei ainda mais pelos trabalhos ali expostos.
Faço esse adendo, porém, porque sei que nem todos têm condições de participar de uma Bienal. Seja porque elas não acontecem em todas as cidades, seja porque elas realmente não são super acessíveis. E apesar de eu achar que é uma experiência que vale a pena ser vivida ao menos uma vez na vida, acho importante lembrar que não participar não te torna menos leitor, menos autor e menos nada perante os outros.
Confesso, também, que fiquei com vontade de compartilhar essa experiência não só pelas boas lembranças, mas também porque fiquei com uma imensa vontade de falar diretamente aos autores independentes. Para isso, aqui vai uma singela carta aberta:
Aos que escrevem e publicam de maneira independente no Brasil,
Sou apenas uma leitora, mas uma leitora que admira o seu trabalho. Aos meus olhos, não passam desaparecidas as suas históriase o seu investimento — seja ele físico, emocional ou financeiro — para que elas cheguem até mim.
Por isso, com estas breves palavras, gostaria de agradecer a você que dedica o seu tempo (muitas vezes escasso), para dar vida às histórias que publica. Gostaria de te agradecer por acreditar no seu sonho e por compartilhá-lo conosco.
Sei que são mais dias de luta que dias de glória, mas se isso te faz bem, te dá asas, não desista! Tenho certeza que existem milhares de outros leitores como eu, que são eternamente gratos pelas vidas que vocês criam — e por aquelas que vocês salvam — em suas páginas.
Que você possa sempre se lembrar dessas palavras nos dias difíceis e que os livros te tragam muitas lembranças maravilhosas, que te encham de quentinho no coração mesmo nos dias mais cinzas. Porque escrever é ter, ser e fazer muitas vidas.
Conte sempre comigo. Sou apenas uma, mas é um imenso prazer ajudar no que posso para que a nossa literatura cresça cada e melhore vez mais.
Por fim, gostaria de deixar um agradecimento especial ao Rafael Weschenfelder, ao Leblon Carter, à Grazi Ruzzante e à Renata de Luca autores independentes que pude abraçar nesta Bienal e que tanto me inspiraram a compartilhar tudo isso. E também às minhas amigas, que tornaram cada momento ali ainda mais especial: obrigada Nati, Clari e Fer!
E se você não pode estar presente nesta Bienal, fique de olho no Instagram do Blog que quinta-feira vai sair uma coisinha por lá que pode te deixar mais feliz (assim espero)!
A longa noite de Bê, obra do autor Fernando Ferrone, foi uma leitura que fiz em janeiro e que, felizmente, se faz presente até hoje em meio a reflexões e lembranças.
Na resenha, alguns trechos que gostei ficaram de fora e agora você pode conferi-los aqui. É o caso, por exemplo, das passagens que falam sobre as energias que gastamos (ou não) com os outros.
“O nosso corpo não é feito pra suportar o ódio. Odiar alguém requer muita energia”
“Eu precisava não me preocupar tanto se quisesse ter energia para me preocupar sempre”
A história também aborda, de diversas formas, a presença, a ausência, o pertencimento,temas que, por si só, já têm muito a despertar em nós.
“Ele nunca te fez falta porque nunca se fez presente. Não tem como sentir saudades do que nunca se conheceu”
“Naquele momento, tive uma sensação que não experimentava há anos: senti um despertencimento”
A longa noite de Bê fala, ainda, sobre o tornar-se mãe (principalmente sem planejamento e sem realmente desejar isso).
“Naquele instante, Lila era uma forma vazia dentro de um espaço vazio”
“Sendo então duas pessoas, Lila sentiu-se nenhuma”
Uma coisa que gostei muito ao longo da leitura foi a forma como o autor trabalhou lugares comuns (não apenas da literatura), nos dando novas perspectivas em relação a eles.
“Esse prazer de rever pela última vez os momentos marcantes da nossa vida antes de não ter mais vida não existe”
Uma obra múltipla, que vale muito a leitura, assim como o primeiro livro do Fernando, À deriva. E se você quiser saber mais sobre eles e conhecer um pouco do autor, não deixe de assistir esse bate-papo que tive a oportunidade de participar (e mediar) lá na Livraria Ponta de Lança.
Título: Cidade das Mandalas
Autora: Nayara Van Dike
Editora: Publicação independente
Páginas: 204
ano: 2022
Paris, a cidade luz, geralmente associada a histórias românticas, ganha novas características em Cidade das Mandalas, da autora Nayara Van Dike.
“Por que ir para Paris significa abandonar?”
Nesta história não é (somente) o amor que está no ar, mas também a poluição em níveis exorbitantes, o que confere à narrativa um quê apocalíptico.
“As pessoas estavam em suas casas, respirando seus ares menos poluídos, debatendo-se contra os seus demônios”
Aliás, é difícil não traçar paralelos entre o que acontece ao longo das páginas deste livro e o que vivemos em 2020 e 2021, ainda que os motivos que levem à quarentena forçada (e indesejada) sejam diferentes (mas não por completo).
Kundalini, a jovem de nome diferente, perde seu emprego justamente quando a situação em Paris começa a tornar-se insustentável e a cidade precisa ser esvaziada.
Mas é também nesse momento que ela reencontra seu amigo de infância, com quem inicia um relacionamento, principalmente por toda a ligação deste com seu falecido pai, cuja morte Kundalini ainda tem muito a digerir dentro de si.
Perdida em pensamentos e sentimentos, porém, Kundalini encontra outra pessoa que irá transformar sua vida: Michel.
“Tinha bons amigos, mas nenhum deles me ajudou, apenas Michel”
Assim, entre tentar entender os sinais de que ela precisa superar seu passado, do que ela deseja para um relacionamento, de quem é ela, Kundalini se perde e se encontra pelas ruas de Paris, tanto as que ela já conhece quanto pelas que ela ainda vai conhecer.
A narrativa mistura realidade e fantasia de maneira muito natural e nos faz mergulhar num universo entre o palpável e o onirico, nos ensinando um pouco sobre outras culturas e, principalmente, sobre como o exterior é um reflexo do nosso interior.
São muitas metáforas que nos fazem pensar e buscar dentro de nós respostas que não sabíamos que estávamos precisando.
Um livro para ser lido com calma, porque ele tem uma força difícil de explicar. É uma daquelas obras que, cedo ou tarde, cairá nas suas mãos no momento certo. Ou então que você pode fazer chegar a quem mais precisa.
A obra está disponível na Amazon (clique abaixo) e indico fortemente que você conheça mais do trabalho da autora, não apenas através de suas histórias, mas também visitando o seu site recheado de materiais úteis para autores e interessantes para leitores.
Não sei se você chegou a ler a resenha de Uma noite inesquecível, escrito por Adrielli Almeida e publicado em 2021, de forma independente. Caso o tenha feito, deve ter percebido que me encantei com essa história e, por isso, agora trago aqui mais alguns trechinhos dela, para você saborear e ficar com ainda mais vontade de ler também.
Como dito na resenha, o dia da formatura de Darin Moon sai totalmente daquilo que ele planejara e imaginara. E tudo isso começa com um belo pé na bunda.
“Agora, segurando as flores no batente da porta de um lugar no qual não iria entrar, vendo uma namorada que não era mais a dele, Darin se sentia… um completo idiota”
“Por quase nove meses, ela foi Dora para ele. Agora era a causa do coração partido dele”
Mas outra coisa que fica clara é que o pé na bunda é apenas o começo. Porque Darin não poderia imaginar que havia muito mais por vir naquela noite.
“Foi como se aquele garoto tivesse acabado de roubar uma batida do coração dele”
E, para tais acontecimentos, não podemos deixar de mencionar Camilo, o exato oposto de Darin.
“Ao contrário de Camilo, Darin desfilou debaixo de holofotes o tempo todo”
“Camilo percebeu que realmente gostava de coisas bonitas”
“Camilo abriu um sorriso que poderia iluminar toda aquela maldita cidade”
Uma noite inesquecível é uma breve história de amor, mas é também uma narrativa carregada de outros sentimentos.
“Ele detestava chorar. Detestava que prestassem atenção nele em momentos tão… frágeis. Era como estar nu. Era como estar nu usando tênis”
“Volte quando se apaixonar, Darin. Dói na mesma medida que alivia”
Um assunto que não é central, mas que também chamou minha atenção na leitura, são as relações familiares ali construídas e descritas.
“Cadu e Camilo, por mais que não parecessem, eram família”
“Eu não tenho irmãos — Camilo disse, dando de ombros. — Mas Cadu… Cadu é isso para mim. Eu acho”
Se quiser saber o que mais essa história guarda (e são muitos os seus mistérios), não deixe de clicar aí embaixo.
Título: Urdiduras
Autor: João Bastos de Mattos
Editora: Patuá
Páginas: 144
Ano: 2022
Aos que acham marmelada eu resenhar o livro escrito pelo meu tio, sinto muito, mas eu não poderia deixar de falar sobre essa deliciosa obra que reúne diversos contos do autor.
O prefácio, escrito por Humberto Werneck, recebe o título de “Valeu a espera” e é exatamente essa a sensação que temos aos concluir a leitura. Como ficamos tanto tempo sem poder apreciar contos tão bons?
No entanto, não é só o prefácio que já nos deixa extremamente dispostos a mergulhar nesta leitura. Se analisarmos o título e a capa, percebemos muito da intelectualidade do autor. “Urdidura” é o ato ou efeito de “urdir”, isto é, “tramar, maquinar o desenvolvimento de algo” e ainda “compor o conteúdo, o enredo de uma obra de ficção” ou “pensar ou inventar algo na imaginação”.
Vale lembrar que a palavra “texto” também vem do “entrelaçamento, tecido”. Escrever nada mais é que tecer. Emendar e remendar palavras. E, assim como na imagem da capa, composta por um lindo e colorido patchwork — ou uma colcha de retalhos — Urdiduras nos oferece um tecido cheio de nuances e belas histórias.
Contribui muito para a leitura, também, a diagramação da obra: limpa e confortável de ler, com o livro impresso em papel de boa qualidade.
Mas vamos ao que interessa, certo? Os contos de Urdiduras estão divididos em cinco partes, que não necessariamente precisam ser lidas em ordem. Os textos são totalmente independentes um do outro, mas a verdade é que é difícil pegar o livro e ler apenas um.
As cinco partes, separadas sempre por uma folha preta — daquelas que facilmente identificamos, mesmo com o livro fechado, o que facilita muito —, recebem os seguintes títulos:
Que amor, que sonhos, que flores…
As traças da paixão
Ainda além da Taprobana
Allegro ma non troppo
Minhas memórias dos outros
Por esses títulos, umas vez mais, temos mostras da intelectualidade do autor. Vale ressaltar, contudo, que em momento algum a leitura fica enfadonha ou difícil de entender. Muito pelo contrário, aliás: com criatividade de sobra e uma linguagem instigante, cada conto torna-se único e saboroso.
Dentre as partes já mencionadas, acredito que a minha favorita seja a última, na qual o autor brinca com personagens e pessoas famosas, construindo histórias que nos fazem pensar que poderiam ser reais (será que não foram realmente?).
E, entre os contos dessa seção em específico, um dos que mais gostei foi aquele sobre Tarsila do Amaral — História de Tarsila, nascida e nascida —, que não poderia faltar numa obra de um autor capivariano como João Mattos.
“Não sei se algum dia tirei a limpo essa história. Pra mim, uma mulher como Tarsila podia muito bem ter nascido duas vezes”
Outros contos que destaco aqui são A linguagem dos sinais — cujo título me deu um leve susto, pois, vale lembrar, quando estamos falando de Libras (o que não é o caso aqui) devemos dizer Língua (e não linguagem) de Sinais — e Assassinato em Logan Manor, que nos faz lembrar do famoso jogo de tabuleiro “Detetive”.
“Os sinais. Eu não soube ler”
Também me surpreendi muito com Dicionário analógico, conto que o autor dedica a Chico Buarque e que, não sei se por influência da dedicatória ou não, realmente me fez sentir uma certa sonoridade e notar um jogo de palavras bem típico do cantor e compositor.
Acho que com os contos que mencionei, também deu para perceber que a obra está recheada de referências (e olha que tantas outras eu não cheguei nem perto de pincelar aqui), levando a leitura deste livro para muito além de suas páginas.
Se eu tiver despertado a sua curiosidade, não deixe de conhecer este livro, seja adquirindo seu exemplar no site da Editora Patuá ou, se este privilégio ainda for possível, diretamente com o autor, que sempre oferece muitas boas palavras para além daquelas já impressas em Urdiduras.
Acho que não é segredo para ninguém (ao menos não deveria ser) que eu adoro romances, daqueles bem “água com açúcar” mesmo. O que talvez nem todo mundo concorde é que mesmo esses livros podem nos trazer algumas reflexões interessantes, ainda que esse não seja o objetivo deles.
“Como algo pode ser a razão da sua vida e, ainda assim, te destruir?”
Foi o que aconteceu enquanto eu lia Uma mentira imperfeita, da Beatriz Cortes, publicado pela Bendita Editora. Li o livro no começo deste ano e adorei! Muitos dos trechos que destaquei durante a leitura ficaram de fora da resenha (que você pode ler aqui) e agora os trago neste post.
Acho que umas das coisas mais interessantes sobre essa história é que ela fala muito sobre autoconhecimento.
“Estou totalmente aliviada por ter, enfim, chegado a alguma conclusão sobre mim mesma”
“Eu sou uma fraude, não consigo terminar nada do que me propus a fazer na vida, nem mesmo uma maldita terapia”
“Uma das coisas que percebi nesses longos anos de redescoberta de mim mesma foi que, enquanto eu dizia sim para todo mundo, deixei que o não tomasse conta de quem eu sou”
E, ao mesmo tempo, também fala sobre conhecer o outro.
“Não adianta ficar procurando fundamento nas escolhas do outro se você ainda não consegue entender as suas próprias”
“Tento pensar se em algum momento houve indícios de que essa transformação aconteceria com ele, mas no fundo eu sei que essas coisas acontecem de uma hora ou outra”
Como já era de se esperar, a história fala, ainda, sobre o amor, mas percorre caminhos interessantes para isso, muito ligados, também, ao que já mencionei sobre a obra.
“Todas as minhas tentativas de relacionamento foram exatamente assim, como saltar de paraquedas e descobrir no meio do caminho que ele está com defeito: você sabe que, quando chegar ao chão, vai ser uma droga, mas a sensação de poder voar é indescritível”
“Quando perdemos alguém que amamos muito, a gente também corre o risco de nos perder de quem somos”
“É incrível como ele consegue tornar até um furacão muito mais leve”
Um assunto que fica pairando ao longo da narrativa e que desperta a nossa curiosidade é a culpa que a protagonista carrega e que queremos entender melhor.
“Hoje faz oito anos, e, sempre que essa fatídica data chega, tenho a sensação de que estou revivendo aquele pesadelo”
“Só queria que soubesse que te amo, e que não tem um dia da minha vida que eu não me arrependa do que aconteceu”
“Absorvi toda a culpa, todo o sofrimento, e achei que isso fosse o necessário para permanecer firme, para me tornar forte”
“A chama da culpa sempre esteve aqui, crepitando ao meu redor, e ele nunca percebeu. Ninguém nunca notou”
Outro sentimento forte é a melancolia, que gera pensamentos que nos fazem querer abraçar a protagonista.
“Descobri, com o passar do tempo, que existem muitas formas de morrer, e não sou capaz de perdê-lo em mais uma”
“Sinto o peso de suas palavras destroçarem meu coração em mil pedaços”
“É a minha vida despencando aos poucos, afundando em uma areia movediça, desmanchando feito papel”
Mas o mais interessante mesmo é ver como somos múltiplos e como uma única pessoa pode se transformar tanto em tão pouco tempo.
“Não dá para simplesmente ser outra pessoa depois de tanto tempo sendo… eu”
“É uma pena que não haja espaço para a Nina no Rio de Janeiro, no mundo real. Talvez um dia eu possa me dar o luxo de viver algo parecido outra vez”
Se esta obra despertou o seu interesse, não deixe de clicar no livro aí embaixo para conhecê-lo melhor!
Título: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
Autor: Marçal Aquino
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 232
Ano: 2005
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios sempre foi um título que me intrigou e do qual muitas vezes ouvi falar bem, sendo um dos livros preferidos de muitas pessoas que admiro. Devo confessar, porém, que mesmo após a leitura, essa obra ainda me intriga.
“Sustentar aquele olhar escuro foi uma experiência difícil. Fez com que eu me sentisse desamparado. Fiquei com a impressão de estar sendo visto de verdade pela primeira vez na vida. E também de estar vendo algo que o mundo não tinha me mostrado até então”
Com uma narrativa que nos enreda, esta é uma história que fala sobre o amor. Mas que vai muito além daquilo que podemos imaginar, ao mesmo tempo em que é simplesmente real. E, justamente pela soma desses fatores, ainda há muito que, com uma única leitura, tenho certeza que não compreendo nessa obra e que, provavelmente, tanto fascina aqueles que a adoram.
“O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta”
O livro é narrado em primeira pessoa por Cauby, um fotógrafo de 44 anos que trabalha numa região de garimpo no Pará. Por isso, somos tragados pelos fortes sentimentos do narrador (nada confiável, vale ressaltar), ao mesmo tempo em que nos deparamos com uma realidade complicada e perigosa.
“Criada num ambiente rarefeito de afetos, tinha dificuldade na hora de identificar e nomear suas emoções com precisão”
O perigo, aliás, está sempre à espreita, mas é somente mais para o fim da obra que vamos realmente nos dando conta da sua força. E o que mais dói é saber que realmente existe essa violência desmedida causada, sobretudo, pelo poder.
Com despedidas escondidas a cada esquina, percorremos as páginas deste livro com medo da ruptura que está por vir, tendo a certeza, contudo, que ela sempre chega, pois esta é inevitável e se tem uma coisa que este livro não faz é maquiar a verdade (muito pelo contrários, aliás, ele consegue ser bem visceral e direto ao ponto, ainda que carregue certa delicadeza e maciez em seu tom).
“Eu queria vê-la uma última vez, queria ouvir da sua boca que tinha acabado”
Indo e vindo entre passado e presente, a narrativa entra, por vezes, em um turbilhão e, por vezes, é calmaria. Exatamente como acontece com Lavínia, a grande paixão de Cauby e esposa do pastor Ernani. Vamos conhecendo esta personagem aos poucos, pelas lentes (com o perdão do trocadilho) do nosso protagonista.
“Ninguém viu brotar a flor esplêndida. Metade branca, metade sombria”
Mas nem mesmo esse vórtex de sentimentos e sensações é capaz de nos preparar para um fim tão complicado para esses personagens, que não são os únicos que compõem a narrativa.
“Sou apenas mais uma aberração num lugar onde elas brotam a cada esquina”
A narrativa do grande amor da juventude (e da vida) de Careca, que mora na mesma pensão que Cauby, também permeia as páginas deste livro, nos presenteando com a certeza de que existem inúmeras formas de amar nesta vida (e como cada uma, a seu modo, pode nos machucar).
O amor também está presente nas passagens do fictício filósofo Schianberg, cujas reflexões e ensinamentos enriquecem a narrativa e as passagens desta obra.
Sendo Eu receberia as piores notícias do seus lindos lábios um livro tão denso, mesmo que escrito com uma linguagem relativamente simples (e quase poética), só posso deixar o meu convite para que você conheça esta obra e tire as suas conclusões sobre a mesma.
Depois da resenha de Laços Divergentes, da autora Michele Meneses, trago aqui alguns trechos que separei durante a leitura, mas que acabei não inserindo no meu post anterior.
Vale lembrar que a obra nos apresenta a Amtullah, uma jovem iraquiana que vem fazer um intercâmbio no Brasil.
“Uma coisa é certa: esse intercâmbio me fará voltar pra casa uma quantidade incontável de vezes mais sentimental que já fui em toda a minha vida”
Para além deste grande tema, contudo, a obra também fala sobre outros assuntos importantes, como os caminhos que decidimos percorrer em nossas vidas e o quanto as escolhas que temos de fazer nos afetam.
“Quando pensava no futuro, nada parecia ser o que desejava”
Ou então sobre a necessidade de valorizamos melhor aquilo que temos de mais importante em nossas vidas: o tempo.
“A vida nem sempre é perfeita com as pessoas que convivemos, mas, com o tempo tão escasso que teremos ao seu lado, não podemos nos dar ao luxo de prolongar dias ruins”
Como não poderia deixar de ser — e isso provavelmente já até ficou claro —, esta é uma história recheada dos mais variados sentimentos.
“Eu nunca o tinha visto chorar, mas, naquele instante, uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto e me fez desmontar por dentro. Ele também sofria”
E ainda conta com uma pitada necessária e gostosa de romance.
“Talvez, muita gente nem saiba que, vez ou outra, um grande amor pode ser vivido sem nem ser revelado”
Por fim, dando um toque especial à narrativa, temos o fato da protagonista ser uma garota como nós, real, cheia de sonhos, desejos, angústias e necessidades.
“Eu não sou alguém vaidosa, mas há momentos em que uma garota precisa de certas palavras para se sentir bem consigo mesma”
Se quiser ler esta obra, clique abaixo. Além de garantir o seu exemplar, você ainda contribui para o Blog das Tatianices (sem pagar nada a mais por isso).