Quem é o mascarado? — Marie Pessoa

Título: Quem é o mascarado
Autora: Marie Pessoa
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 41
Ano: 2021

(Para ler ao som de Tudo que se quer — Emilio Santiago e Verônica Sabino)

Algumas autoras são figurinhas carimbadas por aqui, porque adoro ler e resenhar suas histórias. É o que acontece com a Marie Pessoa, que não deixo passar um lançamento que seja (mesmo que às vezes eu demore um pouco para pegar e ler).

Quem é o mascarado? não é o obra mais incrível da Marie, mas ainda assim é uma narrativa que conquista e, ao mesmo tempo que tem um quê de leveza, também aborda algumas questões fortes e importantes. Uma daquelas histórias para ler em uma sentada só e, ainda assim, guardar consigo e refletir sobre alguns pontos.

“Mulher nenhuma nasceu pra ser saco de pancada”

A jovem protagonista Cris sonha em participar de um grande festival musical de nome Good Music. E apesar do incentivo de sua mãe e de sua melhor amiga, o namorado sempre a desencorajou a isso e ela acaba acreditando que não tem talento e capacidade para tanto.

“Se não quisermos machucar quem amamos, é muito simples: tomamos cuidado com nossas palavras, nossas ações”

Ao enviar, sem querer, um super desabafo em um grupo relacionado ao festival, porém, Cris acaba conhecendo Angel, uma pessoa misteriosa que demora a se revelar, mas que passa a ser um porto seguro para a protagonista.

“Angel conseguiu o que eu achava ser impossível: fez com que eu acreditasse no poder das minhas próprias canções”

No meio desses acontecimentos — que por si só já dariam uma interessante narrativa —, a autora ainda consegue abordar questões como relacionamentos abusivos, maternidade solo, relacionamentos entre mulheres, além de homofobia e transfobia.

Para os apaixonados por O fantasma da ópera, aqui está uma chance de, em poucas páginas, dar um novo significado à história. Mas se você não conhece nadinha do musical, não se preocupe, essa narrativa também é para você. Não deixe de conferir!

Ainda bem que encontrei você — Marie Pessoa

Título: Ainda bem que encontrei você
Autora: Marie Pessoa
Editora: Publicação independente
Páginas: 23
Ano: 2020

(Leia ao som de Ainda bem — Marisa Monte)

Ainda bem que encontrei você é um conto de verdade, isto é, tem poucos personagens, tempo e espaço bem delimitados e um único conflito. Tudo isso, porém, de forma instigante e muito bonita.

“Dame, em poucos minutos, me fizera chorar mais do que anos de luto pela perda de Marina”

Logo de cara conhecemos Kariya, nossa narradora personagem. E vamos, com ela, pela primeira vez ao Museu Submerso. Mas não se trata apenas de uma visita ao museu! Ela está indo lá para a estreia de um documentário no qual trabalhou, ajudando na produção do mesmo.

Se uma visita por longo tempo adiada ao Museu Submerso, além do fato deste ser um documentário extremamente importante para Kari, já são motivos suficientes para dar um gostoso frio na barriga de nossa protagonista, imagine a reação dela ao chegar ao local e se deparar com Lana, sua crush.

“Nada nesse mundo era mais sexy do que o sorriso de uma mulher”

Mas as coisas começam a realmente chegar perto do ápice quando uma assistente vem avisar Kariya que Dame — a diretora do documentário — quer vê-la. No mesmo instante, Lana se aproxima, dizendo que ela e Kary haviam ido juntas ao evento. Claro que esta era apenas uma desculpa de Lana para conhecer a sua tão admirada Dame. Mas bem, ninguém poderia imaginar onde tudo isso daria, não é mesmo?

Talvez possa parecer que este é apenas um conto sobre o início de uma relação entre duas jovens mulheres (e isso até já seria bastante coisa). Mas a verdade é que há muito mais por trás das palavras de Marie. Há críticas sutis e um gostinho de “quero mais”, propositalmente deixado no ar, uma vez que está para ser lançado um livro que tem relação com este conto. Estou bem ansiosa!

“Relacionamentos familiares podem ser os mais tóxicos dentre os tipos de relacionamento”

Além disso, o conto também tem certo ar distópico (que será mais trabalhado no livro), nos apresentando uma realidade que, sem dúvidas, não é a que vivemos hoje.

Ainda bem que encontrei você estava em pré-venda e agora encontra-se disponível na Amazon! Se quiser conhecer essa história, clique aqui.

Miniconto: Banho — Michelle Pereira

banho capa

Depois de Arvoredo e Chifres, essa semana é vez de Banho, um miniconto em que a Michelle narra essa ação tão banal e prazerosa de uma maneira que a torna uma experiência única.

Sinopse:

Para algumas criaturas, o banho é dispensável.

Para essa, ele é especial.

Banho é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam.

Para ler Banho de maneira gratuita e rápida, acesse: bit.ly/contobanho

 

Papo sério: conversando sobre autores nacionais

Espaço reservado para texto (3)

No dia 11 de fevereiro eu participei do evento Folia Literária, que ocorreu na Biblioteca Pública Viriato Corrêa, em São Paulo (aliás, é um dos meus objetivos esse ano: participar de mais eventos literários. Mas esse não é o foco deste post).

No dia do evento eu já acordei com uma grande pulga atrás da orelha: porque nós não valorizamos muito aquilo que é nacional? Afinal, eu conheço coisas nacionais que são tão incríveis quanto as estrangeiras…

Quando eu cheguei no Folia Literária a minha pulga atrás da orelha foi crescendo cada vez mais. Naquele espaço eu fui recebida com muitos abraços, autógrafos e boas conversas. Tudo isso vindo de escritores! De pessoas que gastam horas em frente ao computador, transformando uma simples tela em branco em uma história fascinante. Mas, mais do que isso, de pessoas extremamente acessíveis que estavam dispostas a compartilhar o que sabiam com todos que estivessem dispostos a escutá-los.

Acho que todo mundo que gosta de ler viu, no ano passado, como o nosso mercado editorial não anda lá essas coisas. E quem sofre com isso? Bem, todos que trabalham nesse ramo e, principalmente eles, os escritores! Aqueles serzinhos maravilhosos que estavam ali naquele evento (e em tantos outros) tentando cativar novos leitores (e olha, eles conseguiram, viu!), tentando incentivar a leitura.

Felizmente, me parece que esses tais autores nacionais têm conseguido conquistar os leitores e eu acredito que eles podem ser uma ótima porta de entrada para que possamos ler inclusive autores brasileiros clássicos. E é justamento disso que estou falando aqui, da necessidade de valorizarmos o que é nosso, seja os autores de hoje, seja os de ontem. Mas autores que escreveram sobre nossos costumes, nossa sociedade, tanto de maneira ficcional quanto realista.

Eu saí do Folia Literária com o coração quentinho e dois livros autografados! E depois disso também estive em outros espaços que reuniram tantos outros escritores e leitores e a sensação é sempre a mesma. E é incrível.

Meu blog ainda é pequeno, mas a ambição é grande: incentivar a leitura. Espalhar esse amor pelos livros por esse Basil afora. E eu sei que não estou sozinha nessa. Para além de tantos leitores especiais que acompanham esse cantinho, esse semestre eu ainda tive a oportunidade de, mesmo sendo pequena por aqui, conseguir parceria com quatro escritores nacionais que me apresentaram histórias incríveis. Por isso, aproveito esse post para deixar registrado o meu enorme obrigada ao M. Pattal — que além de me presentear com Adelphos, ainda me deu ótimas dicas para as resenhas — à Cínthia Sampaio — que lançou Quando a neve cair com muito amor e também espalhou esse sentimento para todos os seus leitores, sendo uma autora extremamente aberta e que conversa de verdade com seus leitores; para a Michelle Pereira, que está me deixando maravilhada com suas histórias — O demônio do campanário me prendeu até a última página — e que também me recebeu de braços abertos e com muito carinho; ao Dalton Menezes, que ainda irei apresentar melhor a vocês, mas que já me cativou só pelo jeito de se fazer presente. Também queria deixar um super obrigado à Ingrid, do Encanto Literários, que tem me propiciado uma experiência de leitura única, com muitas trocas e quentinhos no coração.

E, se para além desse autores, vocês tiverem interesse em conhecer outros escritores nacionais, comenta aqui, vamos trocar ideias, vamos divulgar a literatura brasileira. Nesse blog mesmo, já tenho resenhas de muitos outros livros brasileiros, contemporâneos e clássicos.

E vocês, quais livros nacionais vocês já leram? O que acharam?