Citações #79 — Storia di chi fugge e di chi resta

A cada volume da tetralogia napolitana que eu leio (e, infelizmente, agora já estou no último) o encantamento por essa história só aumenta. 

Do penúltimo livro — sempre com o lembrete de que este post pode conter spoilers — muitos trechos interessantes ficaram de fora da resenha. Compartilho aqui o que ficou para trás, com tradução minha e os originais ao final do post.

Em Storia di chi fugge e di chi resta, assim como nos demais volumes desta tetralogia, a autora consegue imprimir em sua escrita uma interessante visão da vida e do mundo que retrata, nos fazendo refletir, por exemplo, sobre a dureza do viver e do tornar-se.

“A vida é uma coisa muito dura, Lenù”

“Tornar-se. Era um verbo que sempre me deixara obcecada, mas que só me dei conta pela primeira vez naquela ocasião. Eu queria me tornar, mesmo que soubesse o quê” 

“Eu precisava aprender a me contentar comigo mesma”

“O padre não era uma garantia, nada era uma garantia no feio mundo em que vivíamos”

“Fui muito miserável, muito massacrada pela obrigação de me destacar nos estudos”

Alguns trechos também nos fazem refletir sobre o adoecimento das pessoas, da sociedade, do mundo em que vivemos e, claro, sobre relações igualmente doentias.

“E hoje eu penso assim: não é o bairro que está doente, não é Napoli, é o globo terrestre, é o universo ou os universos”

“Casa comigo para ter uma criada de confiança, todos os homens se casa para isso”

“É uma tristeza a solidão feminina, eu me dizia, é um desperdício esse rompimento uma com a outra, sem protocolos, sem tradição” 

“Você, quanto mais se sente verdadeira e está bem, mais se distancia. Eu, só de cruzar o túnel da avenida, já me amedronto”.

“A nova carne vive repetia a velha por jogo, éramos uma cadeia de sombras que entrava em cena com a mesma carga de amor, de ódio, de vontades e de violência”

“Nunca mais, nunca mais moveria um dedo por ninguém. Parti, fui me casar”

Aliás, como eu sempre acabo destacando, as relações humanas são extremamente centrais nesta narrativa e neste volume não seria diferente. Os relacionamentos, as amizades e a família ganham ainda mais destaque ao longo das páginas.

“Um homem, exceto pelos loucos momentos em que você o ama e ele te penetra, fica sempre fora”

“Nos tornamos, uma para a outra, fragmentos de voz, sem nenhuma confirmação do olhar”

“Eleonora teria entendido que com o amor não se pode fazer nada, que é insensato dizer a uma pessoa que quer ir embora: não, você tem que ficar”

“Pietro, em suma, não era capaz de me passar confiança, me olhava sem me ver”

“Nós duas precisávamos de uma nova dimensão, de corpo e, no entanto, tínhamos nos distanciado e não conseguíamos mais nos entregar”

Por fim, um tópico que gostaria de ressaltar é o da metalinguagem: a escritora que fala sobre escrita e sobre esse universo, numa ótica, mais uma vez, bem interessante.

“Disse que a face repugnante das coisas não era suficiente para escrever um romance: sem fantasia não parecia uma coisa verdadeira, mas uma máscara”

E aí, gostou desses trechos? Se quiser conferir os originais, basta ler este post até o final. E se quiser saber mais sobre o livro como um todo, vem ler a minha resenha:

Trechos originais (na ordem em que aparecem neste post)

“La vita è una cosa molto brutta, Lenù”

“Diventare. Era un verbo che mi aveva sempre ossessionata, ma me ne accorsi per la prima volta solo in quella circostanza. Io volevo diventare, anche se non avevo mai saputo cosa”

“Dovevo imparare ad accontentarmi di me”

“Il prete non era una garanzia, niente era una garanzia nel brutto mondo in cui vivevamo”

“Ero stata troppo miserabile, troppo schiacciata dall’obbligo di eccellere nello studio”

“E oggi la vedo così: non è il rione a essere malato, non è Napoli, è il globo terrestre, è l’universo, o gli universi”

“Mi sposa per avere una serva fidata, tutti gli uomini si sposano per questo”

“È un dispiacere la solitudine femminile delle teste, mi dicevo, è uno sciupo questo tagliarsi via l’una dell’altra, senza protocolli, senza tradizione”

“Tu tanto più ti senti vera e stai bene, quanto più ti allontani. Io, se solo passo il tunnel dello stradone, mi spavento”

“La nuova carne viva ripeteva la vecchia per gioco, eravamo una catena di ombre che andava da sempre in scena con la stessa carica di amore, di odio, di voglie e di violenza”

“Mai più, mai più avrei mosso un dito per nessuno. Partii, andai a sposarmi”

“Un maschio, a parte i momenti pazzi in cui lo ami e ti entra dentro, resta sempre fuori”

“Diventammo l’una per l’altra frammenti di voce, senza nessuna verifica dello sguardo”

“Eleonora avrebbe capito che con l’amore non c’è niente da fare, che è insensato dire a una persona che vuole andare via: no, devi restare”

“Pietro insomma non era capace di darmi fiducia, mi guardava senza vedermi”

“Avevamo entrambe bisogno di nuovo spessore, di corpo, e tuttavia c’eravamo allontanate e non riuscivamo più a darcelo”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

Citações #78 — Resilientes

Ano passado li diversas obras com protagonismo LGBTQIA+ e, dentre elas, estava a antologia Resilientes, organizada pela Se Liga Editorial e publicada em 2019.

Ao longo da resenha, comentei que a pluralidade se faz presente nesta obra não apenas nos personagens, mas também nos gêneros e temáticas que ela traz.

A começar, claro, pelos relacionamentos humanos. As histórias falam muito de amor — e seus lados bons e ruins —, mas não só.

“Afíba não distinguia suor de lágrima. Em pé no ônibus, se entortava para apoiar a cabeça no ombro de Tom, que, ignorando a sauna humana que era o amigo, se deixava abraçar, repetindo a frase que vinha recitando durante o percurso até a rodoviária no centro do Rio de Janeiro: — Migo, vai ficar tudo bem. Ele não te merecia”

(A sétima onda — Juan Julian)

“Vidas que se tocam em algum momento, cujas órbitas se afastam naturalmente”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Te amar foi vermelho – um ardente vermelho”

(Colorido — Luke Marcel)

“Aprendi que o amor não precisa machucar para ser recíproco, que não precisa queimar para ser bom e nem sangrar para ser verdadeiro”

(Colorido — Luke Marcel) 

“Mas, sinceramente, acho que só comecei a entender de coração partido quando descobri que a frase ‘eu te amo’ pode ser uma arma usada somente para conseguir algo de alguém”

(Essência — Marta Vasconcelos)

“É engraçado como a linha entre amor e ódio é tênue”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

A dor — em suas diversas formas e intensidades — também marca uma notável presença ao longo das páginas.

“Havia muito, Ana observava o mundo com olhos gelados. Não se importava com ninguém, só vagava solitária, tendo a dor como única companheira”

(Setembro — Maria Freitas)

“Por que tanta dificuldade em entender o outro? Se alguém diz que está sofrendo, dê a mão, faça um café, ofereça ajuda”

(Setembro — Maria Freitas)

“A dor muda criaturas diferentes de formas diferentes, ela dizia quando eu a questionava”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Será que existe um lugar para onde vão as palavras não ditas, ou elas ficam eternamente machucando e se remoendo dentro de nós?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Alguns trechos já apontam outro assunto que não poderia faltar nesta antologia: a solidão.

“Também… Mas o que me mata é a solidão. É falar e ninguém ouvir”

(Setembro — Maria Freitas)

“O pôr do sol que vi sem a sua companhia mostrou-me o quanto uma cor quente pode ser fria e solitária”

(Colorido — Luke Marcel)

E alguns contos fazem um importante questionamento sobre quem realmente está ao nosso lado.

“Você alguma vez já parou para se perguntar se esses seus amigos vão estar ao seu lado no momento mais difícil da sua vida?”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Se minha família não me apoia, como esperar que os outros o façam?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Lembrando, também, que não podemos viver pelos outros (e deixar de viver).

“Depois que você morre, não dá mais para viver”

(Setembro — Maria Freitas)

“Enxerguei através dos seus olhos tudo o que eu não era e tudo aquilo que nunca poderia ser. E acho que isso me atraiu”

(Colorido — Luke Marcel)

“Mandou eu me cuidar, porque não faria isso por mim”

(Colorido — Luke Marcel)

“A única coisa que eu sei é que você nunca vai se perdoar se não escolher a sua felicidade”

(Instituto Santa Bárbara — Thalyta Vasconcelos)

“Não gosto de causar transtorno às pessoas, nem de magoá-las, decepcioná-las, mas não está dando para fugir disso nos últimos meses”

(Matéria de capa — Dane Diaz)

“Feio é você deixar de ser feliz, com medo do que os outros vão pensar”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Você não pode viver sua vida tentando enganar a eles e a si mesmo. Não é justo com eles e não é justo com você”

(Certezas — Rafaela Haygett)

O conto Colorido foi um dos que mais chamou minha atenção, por usar as cores para falar dos sentimentos.

“De todas as cores que conheço, a rosa foi a que mais me aterrorizou”

(Colorido — Luke Marcel)

“O meu desejo foi vermelho em todos aqueles dias que passei sentindo a sua falta”

(Colorido — Luke Marcel)

“Amarelo foi a luz que enxerguei no dia em que resolvi me assumir, finalmente deixando aquele armário escuro e assombrado”

(Colorido — Luke Marcel)

Mas esta não foi a única história na qual a arte se fez presente.

“Tudo ao seu redor era construído, nada era real, nada era palpável”

(Pintura na parede — Luciana Cafasso)

“Tem a sensação de poder conhecer o mundo por trás de cada pincelada, por trás de cada escultura”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Em suma, Resilientes é uma antologia que fala sobre sentimentos, caos, dores, amores, lembranças, momentos, preocupações…

“Tem um monte de coisas que você não sabia. A culpa é minha por não ter conseguido te contar”

(Debaixo da chuva — T. S. Rodriguez)

“Tudo nela era caos e tudo em mim foi atraído para o seu redemoinho”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Tudo o que me restou foram os momentos ruins”

(Colorido — Luke Marcel)

“Não sei se o destino existe, mas, se sim, ele é muito irônico”

(Girassóis — Beatriz Avanci)

“Sabe quando você alimenta um sonho, mas, quando ele se realiza, parece que alguma coisa está fora do lugar?”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

“Realmente odiava como podia me preocupar com as mínimas coisas por nada”

(Certezas — Rafaela Haygett)

“O jovem sente um cansaço de tudo, está enfadado da mesmice dos dias, da vida, dos amigos, dos projetos… Enfim, da existência humana”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Se você se interessou por esses contos, clique abaixo para saber mais.

Citações #77 — As luzes em mim

Despretensiosamente, As luzes em mim, de Roberto Azevedo,  foi me conquistando ao longo da leitura. Foram muitos fatores que contribuíram para isso e hoje trarei alguns aqui, para além daquilo já mencionado na resenha

Uma das coisas que mais gostei, por exemplo, foi a presença das cores na narrativa. 

“Utilizar as cores que não pode mais ver para se curar”

“Qual seria a cor do fim?”

E a presença delas é ainda mais interessante quando pensamos que o protagonista perdeu a visão quando era apenas uma criança.

“As luzes dentro de Marcos já não são as mesmas”

E claro que esse acontecimento molda sua vida, mexendo com seus sentimentos e seu crescimento, impondo muita solidão ao protagonista, algumas dores, mas também alegrias e descobertas.

“Nunca na vida, Marcos se sentiu tão só”

“Os sentimentos puros e recíprocos, quando existem, simplesmente transparecem”

“A felicidade, às vezes, constrói falsos escudos, onde o mundo parece perfeito”

“A dor é mais persistente do que qualquer tentativa de ser forte”

“Só quer que esse sentimento dure para sempre, livre de rótulos. Só deseja amar e seguir amando”

A narrativa também fala muito sobre preconceito e sobre como enxergamos aquilo que é diferente.

“Os jovens, às vezes, inventam desculpas estranhas para as coisas que não conseguem entender…”

“Não quer mais ser atingido pelo mundo que o julga”

Para além das cores, a música é outra arte que se faz presente nesta história, tendo um importante papel.

“Assim como Marcos, que desde muito pequeno amava desenhar, Maurício amava a música e achava aquele instrumento o mais lindo de todos”

“A música os envolve, criando um mundo único e especial, onde nada importa ou é proibido”

Se você se interessou por As luzes em mim, leia a resenha completa clicando no post abaixo.

Citações #76 — O caminho que me leva até você

Claro que ao longo da leitura de mais uma obra da Tayana Alvez — O caminho que me leva até você, lançado este ano — eu não poderia deixar de destacar inúmeras passagens lindíssimas ou que me fizeram refletir de alguma forma.

Como não foi possível utilizar todos esses trechos ao longo da resenha, aqui vai um pouquinho mais desta história tão especial.

Uma narrativa que nos prende desde o início porque sabemos que há muita coisa no passado dos personagens que queremos descobrir.

“Não queria falar de Daniel para Miyeko. Não queria falar dele para ninguém”

“Lembrar da sensação de ser deixada numa estante pela pessoa que você mais ama na vida é doloroso, e eu engulo em seco”

Um passado coroado por uma linda história de amor…

“Eu e Caroline éramos uma coisa só. Nunca aprendemos a ser metade de algo”

“Estávamos no topo da cidade, mas qualquer lugar ao lado dela era como o topo do mundo”

“Mas é impossível estar perto de Carol Pimenta e não pensar em tudo o que eu gostaria de viver com ela”

Mas também por muita dor.

“Ouvi-la dizendo que me amava, mas não queria mais estar comigo, me destruiu para todas as outras mulheres do mundo e me entregou para a Fórmula 1”

“Só que você não volta para os braços da pessoa que te prometeu um futuro, mas não conseguia nem te oferecer o presente, não é?”

Inclusive, a obra fala muito sobre estar “quebrado” e o quanto isso interfere em nossas relações (principalmente românticas).

“Talvez o amor não compactue com pessoas quebradas tendo seus pedaços ainda mais partidos por quem diz amá-las, afinal”

“— Eu não quero me oferecer a você toda destruída”

A história também fala sobre mudanças (internas e externas).

“Existe um momento muito específico no qual, ainda que quase todas as coisas ao redor continuem iguais, tudo dentro de você muda”

“No entanto, ainda que tudo tenha mudado, nada mudou”

“Algumas coisas nunca mudam”

E sobre amizade.

“Miyeko é minha única companheira nessa estrada, não dá mais para esconder isso”

Talvez já tenha dado para notar como as relações humanas são centrais nesta história. E este é um ponto realmente abordado de várias perspectivas, nos fazendo pensar diversas vezes em como nos relacionamos com o outro.

“Assumir um momento de vulnerabilidade não quer dizer que estou pronta para ser vulnerável o tempo todo”

“A paz que te preenche e diz que, independente do que aconteça, você está segura, simplesmente, não existe”

“Talvez, ser a pessoa que sempre cede no relacionamento não quer dizer que você é resiliente”

“Estar sozinha é ruim. Sempre foi. Mas, aparentemente, sufoca menos”

“É engraçado como algumas pessoas causam sensações e trazem sentimentos mesmo que elas não estejam fisicamente com você”

“Quanta gratidão é necessária para sustentar três anos de relacionamento?”

“Nem sempre um bom diálogo e um abraço resolvem todas as coisas que estão erradas”

“A sensação de impotência não te toma por inteira quando te fazem algo muito ruim. Não, ela te invade no segundo que se percebe que não há nada a ser feito sobre isso. Não porque você não pode, mas porque ninguém se importa o suficiente com a sua dor. Assim, você luta sozinha. Mas, não é uma luta justa”

“— Perdoar o que as pessoas te fazem, Caroline, é mais sobre por que aquilo te afeta do que sobre o que eles estão fazendo”

A tristeza também tem seu espaço ao longo do texto. 

“Era como se ela fosse arte. O tipo mais triste e belo de arte”

“Literalmente, todo mundo é definido pelas experiências que viveu”

Assim como a morte, que está sempre assombrando os personagens.

“Não é o meu trabalho quem define a hora que eu vou morrer ou não, isso é departamento de Deus, do destino…”

E, como não poderia deixar de ser, há boas reflexões sobre o racismo

“Dona Sofia é uma mulher branca e loira, casada com um homem negro e com uma filha negra, se alguém entende o que o racismo pode fazer para quem se ama, esse alguém é ela”

“Não tem nada de bonito vindo do racismo. Não há nada de proveitoso que se origine no preconceito”

Espero que esses trechos tenham despertado seu interesse por esse livro. E se quiser saber mais sobre ele, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo.

Citações #75 — Romance concreto

Quer conhecer um pouco melhor a obra Romance concreto, da Aimee Oliveira? Então acompanhe esses trechos que ficaram de fora da resenha!

O livro fala muito sobre o uso doentio de redes sociais, tanto é que um dos sentidos de “concreto” é justamente o daquilo que está para além das telas: o mundo real.

“O mundo é tão maior do que uma tela…”

“A maioria das coisas é assim. A vida é mais bonita quando a gente joga uns efeitos”

“Não era sempre que uma coisa que não envolvesse notificações captava minha atenção por completo”

“Passei tempo demais encarando a tela do computador, cuidando dos meus perfis sem me lembrar que existia um mundo inteiro em volta”

Claro que esse vício e essa alienação interferem — e muito — em nossas relações sociais, e isso é muito trabalhado ao longo da narrativa.

“Era fácil deixar os problemas de lado em meio à rotina”

“Às vezes as pessoas simplesmente precisavam de um lembrete de que você ainda estava viva”

“Não foi fácil tomar a decisão de ir até ela. Eu podia ter ignorado o seu sofrimento, assim como ela fez com o meu”

“— Acho que tudo é consequência do que a gente faz, sabe?”

Olivia Liveretti é uma protagonista quase insuportável: mimada e extremamente preocupada com sua imagem e seus seguidores. 

“Ora essa, eu era Olivia Liveretti, eu não fazia ameaças vazias.  Tinha uma reputação a zelar”

“Além do mais, eu gostava de pensar que eu era melhor que isso. Mas não tinha certeza se era”

“Não era um saco quando algo que você fazia por prazer virava uma obrigação?”

“Uma estranha satisfação tomou conta de mim por saber que eu não era a única a pensar as coisas horríveis que eu pensava”

“Minha vida estava se transformando em algo que eu nunca achei que se transformaria”

“Assim como todo ser humano no mundo, eu detestava ser julgada”

“— É um saco quando o seu máximo não é suficiente pra realizar seu sonho”

“Entendia como podia ser chato quando alguém, vindo absolutamente do nada, tentava ocupar seu espaço”

“Tentei melhorar minha postura, mas era muito difícil me concentrar na minha aparência quando tudo dentro de mim estava despedaçando igual uma geleira no aquecimento global”

Aos poucos, porém, vamos percebendo que Olivia é apenas uma garota que, com seus erros e acertos, está apenas tentando viver sua vida como uma pessoa normal.

“Aquele mundo não me pertencia mais. A cada esquisitice aquilo ficava mais claro para mim”

“É que não foi no Twitter, foi na rua mesmo, na vida real. Esse lugar esquisito em que não dá para desfazer as ações”

“A melhor maneira de se sentir normal, era fazer coisas normais”

“Eles eram tão legais… Mereciam ter tudo o que quisessem, por mais difícil que fosse”

“Todo mundo diz coisas que não deveria de vez em quando”

“Nada como uma boa dose de paranoia para dar um gostinho a mais ao café da manhã”

“Até porque, não tinha como negar que andava tão satisfeita com a vida que até deixei as insatisfações de lado”

“Não era nada fácil bancar a superior. Principalmente porque eu também estava me sentindo pra baixo”

“Era sempre bom ter algum tipo de proteção contra o mundo quando ele ameaça te esmagar”

Justamente por ser tão humana quanto qualquer outra pessoa, Olivia merece também ser amada. O amor, portanto, não poderia ficar de fora deste livro, que além de tudo se chama Romance concreto também por fazer um jogo com o trabalho do par romântico de Olivia. 

“O que uma voz rouca sussurrada no ouvido de uma pessoa não faz”

“Houve dias que cheguei a pensar que esse tipo de gente só existisse na ficção”

“Era uma pena que ainda não existisse uma unidade de medida para aferir intensidade de um sorriso”

“Era muito difícil ficar congelada enquanto se está queimando por dentro, mas foi o que aconteceu comigo” 

“A gente precisava correr o risco, porque existia uma mínima possibilidade de dar certo”

“Felicidade não era algo que conseguia ser pausado, não era um vídeo no YouTube”

“Quando foi que você começou a ficar com medo de finais felizes?”

Por falar nisso, dá para não se apaixonar por Jonas?

“Nem todo mundo tinha a sorte de ser tão querido quanto ele”

“O cheiro de xampu do cabelo dele funcionava como uma barreira antiestresse ao meu redor”

“Mas acho que o meu preferido era o jeito em que ele se desdobrava em mil para ser um bom trabalhador, um bom estudante e um bom filho, sem perder nenhum tempo reclamando do esforço enorme que aquilo deveria ser”

Romance concreto, claro, traz altas doses de confusão, com boas pitadas de drama.

“Aquele era um ótimo momento para ficar invisível. Momentos de confusão geralmente eram”

“Eu só conseguia olhar pro rosto decepcionado dele e me sentir pequena”

“Não pensei que desse para se sentir pior do que eu já estava, mas pelo visto dava, sim. As palavras de Jonas me machucaram igual uma navalha, cortando meus sentimentos”

“Não adiantava parar o furacão quando ele já tinha destruído tudo o que eu mais prezava”

Outra temática muito importante é, sem dúvidas, o poder da influência, mas também da união das pessoas.

“Era muito mais fácil testar o poder da palavra falada com as pessoas quando sabíamos exatamente onde encontrá-las”

“Quando as pessoas falavam que juntas elas eram mais fortes, elas não estavam de brincadeira”

Se você acha que essa história pode te interessar, vem ler a resenha completa!

Citações #72 — Dolls

Dolls, da A. S. Victorian, é um livro que carrega muito mais do que pode parecer em um primeiro momento e, por isso, não consegui colocar na resenha tudo o que eu gostaria.

Assim sendo, hoje trago aqui mais alguns trechos deste livro surpreendente. A começar pelo fato de que esta é uma história que trata muito da solidão.

“Por que as pessoas sempre se afastavam dela, mesmo quando ela se empenhava em ser uma boa amiga?”

“Ede se sentia só, tão só que nem ao menos conseguia afastar as dúvidas de sua cabeça”

E que nos mostra como esta solidão gera outros sentimentos tão complicados quanto ela.

“Não sei se escrever irá me fazer ignorar o fato que sou fraca e incapaz de lidar com os meus problemas”

“Pare de guardar o seu sofrimento só para você”

A ansiedade também marca presença ao longo das páginas deste livro.

“A ansiedade fazia questão de lembrá-la que estava sempre ali ao seu lado”

A necessidade de se mostrar forte também aparece em diversas linhas desta narrativa.

“Nunca pensou que um dia não conseguiria mais fingir que estava tudo bem”

Para além disso, Dolls é uma história sobre o poder da amizade.

“Eu não dou presente para as pessoas pedindo algo em troca. Estava muito feliz por poder presenteá-la, na verdade”

“Como ele poderia desistir de ouvi-la e obrigá-la a guardar tudo novamente?”

E do amor, mesmo quando é preciso ir contra tudo e todos.

“Por que tinham que esconder de todo mundo e fingir que nada daquilo existia?”

“— Porque dói gostar de alguém que não sente o mesmo por nós”

“O que ele tem a ver com quem você gosta ou deixa de gostar?”

Uma narrativa que fala sobre a arte e a sua força.

“A arte nos ajuda a quebrar nossas barreiras e mostrar quem somos”

E também sobre tristezas e felicidades geradas pela vida e suas coisas boas e ruins.

“Sentiu o desespero tomá-la, pensou em voltar, mas não iria desistir de sua desistência”

“Eu só não consigo entender por que as pessoas se preocupam tanto com a vida dos outros a ponto de se acharem no direito de decidir ou não o que é felicidade”

Por fim, uma temática de extrema importância na obra são as relações familiares e suas complexidades.

“Existem segredos de família que não falamos para ninguém, e esse é um deles”

Dolls é um livro forte e bonito. Em alguns momentos é preciso estômago para encará-lo, mas a leitura certamente vale a pena.

Leia minha resenha para saber mais e, se te interessar, já garanta o seu exemplar.

Citações #71 — De repente esclerosei

Uma personagem que adorei ter conhecido este ano foi a Mitali, de De repente esclerosei, da Marina Mafra. Acompanhar o seu coração sendo derretido por Dimitri e ver todas as mudanças que o seu diagnóstico trazem para sua vida tornam a narrativa muito especial.

“Sentia como se o tivesse a vida inteira e não fazia ideia de como havia sobrevivido sem ele até aqui”

Na resenha, acabei deixando, como sempre, alguns trechos bem interessantes de fora, então chegou o momento de compartilhá-los por aqui.

Mitali é uma personagem que, num primeiro momento, parece estabanada.

“O quanto de vergonha alguém pode passar e ainda continuar vivendo?”

Mas suas trapalhadas logo ganham um novo sentido: seu diagnóstico de esclerose múltipla.

“Mas o que me consumia ainda mais era como eu iria conviver comigo de agora em diante?”

Descoberta essa que vem precedida de um belo susto, ainda que, na verdade, o problema também tenha sido a aversão da protagonista a médicos..

“Eu sentia como se tivesse nascido de novo e queria aproveitar tudo”

“Caminhar ganhou um novo significado, era como viver um milagre”

Mas o livro não fala somente sobre a esclerose múltipla. Ele é também uma obra sobre o medo (não apenas de médicos, claro).

“O medo é individual”

Sobre as durezas da vida.

“Nem todos os dias são bons”

E, principalmente, sobre como outras pessoas são capazes de transformar nossa vida com tão pouco

“Algumas pessoas têm o dom de tornar o mundo melhor, não por conseguir mudar o que está ruim, mas apenas por existirem”

“Melissa não parecia ter limites para piadas e eu estava começando a amar isso”

Recomendo que você leia a resenha completa para saber melhor sobre estes e outros temas abordados na obra e, claro, que já vá garantir seu exemplar de De repente esclerosei.

Citações #69 — Por um triz

Se você precisa de mais alguns trechos da obra Por um triz, da Laís Corrêa, para se convencer a dar uma chance para a história, este post é para você.

O livro, que tem como protagonista uma mulher incrível e um cara um pouco difícil de engolir, pode te proporcionar muitas surpresas (boas e ruins) ao longo da leitura.

“Convencido é o nome do meio de Thales Fernandes”

Uma narrativa que vai te fazer pensar sobre a vida e o tempo que temos para fazermos o que queremos e vivermos o que temos para viver.

“Para ela, a vida é curta demais e nós temos que fazer tudo o que tivermos vontade antes que não dê mais tempo”

“Mas quanto tempo é todo o tempo do mundo?”

Uma história sobre o amor e o que ele tem a nos ensinar.

“No fim, quase nenhuma palavra precisa ser dita, pois nossos olhares conversam entre si”

Amor, só agora consigo definir toda a turbulência de sentimentos que vieram como uma avalanche para cima de mim de uma hora para a outra”

Mas, principalmente, um livro que serve para nos lembrar de valorizar o que temos, no presente, sem perder tempo fugindo de nossos sentimentos e sonhos. Só que, claro que, para deixar a mensagem bem viva dentro de nós, isso precisa ser contado de uma maneira que vai partir nosso coração.

“Eu só quero chorar e acho que nem todas as lágrimas existentes no mundo farão com que eu me sinta recuperado dessa dor”

Por um triz é um livro forte, bonito e que mesmo trazendo alguns clichês, consegue contar a sua história de maneira surpreendente.

Se você ainda não conhece o Thales e a Marina, já clica aí na resenha para saber mais. Também já deixo um alerta especial: o ebook está gratuito até amanhã (30/06). E se você pretende ir à Bienal do Livro no Rio de Janeiro, não deixe de garantir seu exemplar para pegar autógrafo com a autora por lá.

Citações #68 — Luzes

Hoje é dia de reviver o aclamado Luzes, do Leblon Carter, com alguns dos quotes que ficaram de fora da resenha.

“Não é fácil escrever”

Esta foi uma obra que, conhecendo um pouco do autor, me fez identificar alguns de seus traços no personagem principal.

“Ser um escritor claramente me torna um viciado em desculpas para escrever”

“Mas é que, às vezes, ainda dói, sabe? Fazer tudo sozinho e o tempo todo”

Além disso, a história, em diversos momentos, nos faz pensar sobre a importância de não nos deixarmos em segundo plano, coisa que não é tão simples assim para muitos de nós.

“Como se importar mais com as outras pessoas pode ser uma coisa legal? Eu não deveria me preocupar mais comigo?”

“Mas, como se controla isso? Como você aprende a ouvir mais os seus sentimentos do que os das outras pessoas?”

Isto também nos leva a outras passagens que tratam dos nossos sentimentos mais íntimos e da nossa forma de nos colocarmos no mundo.

“Nem tudo é culpa sua. O mundo não gira ao seu redor, mesmo que pareça, às vezes”

“O problema é quando você sente tanto que acaba sentindo sozinho, por dois”

“Existem pessoas que são como rochas. Não adiantava tentar senti-las, entendê-las ou analisá-las. Era como se houvesse uma forte camada blindada e impenetrável revestindo sua pele e seus pensamentos”

“E era assim que pessoas amargas se moldavam: quando estavam ocupadas demais, prestando atenção nos outros, enquanto sua própria vida virava uma bagunça”

A dualidade do ser humano (e todas as nuances dentro dela) também se faz presente ao longo dessas páginas.

“É engraçado como o conceito de bem ou mal parece tão simples quando somos mais jovens”

E apesar de toda a carga emocional, a narrativa consegue transmitir uma leveza que nos lembra que, apesar de tudo, o que queremos é apenas uma felicidade tranquila e genuína.

“Por que o mundo sempre parece ficar em câmera lenta quando observamos algo que nos fascina?” 

“Mas eles pareciam felizes, juntos. Assim como eu queria estar”

Se você ainda não leu a resenha de Luzes, não deixe de ler. Depois disso, garanto que você vai querer correr para garantir o seu exemplar digital desta história.

Citações #67 — Mocassins e all stars

Para uma história que poderia ser só mais uma adolescente, Mocassins e all stars, da Clara Savelli, tem muito para nos fazer pensar. Por isso, hoje trago aqui alguns dos trechos que deixei de fora da resenha e que podem nos ajudar a conhecer um pouco melhor a obra. 

Ao retratar uma época complicada — os anos finais da escola — este livro acaba nos fazendo pensar sobre momentos difíceis.

“Sei lá, às vezes eu acho que você não quer ser feliz de novo. Parece que você precisa de um pouco de drama na sua vida para conseguir seguir em frente”

“Você tinha as marcas de alguém que foi pisoteada pela vida, mas que deu um belo de um dedo do meio na cara dela e saiu por cima de tudo”

“Acho que é verdade quando dizem que no fundo do poço tem uma mola, que mal ou bem vai te impulsionar para cima de volta”

A narrativa também nos faz enxergar a importância de termos boas pessoas ao nosso lado nesses momentos.

“Apesar de todos os esforços de meus amigos para me alegrar, meu mundo estava totalmente cinza”

“Os caquinhos de seu coração são unidos novamente, por aqueles que te apoiaram nos momentos difíceis, e você aprende”

Mas ela nos lembra, ainda, que algumas dores não diminuem tão facilmente, principalmente quando se trata da perda de alguém que amamos.

“Meu Dia de Ação de Graças foi um prenúncio daquilo que eu achei que ia ser o meu Natal. Vazio e incompleto”

“Eu estava me sentindo tão vazia, tão sozinha e com tantas saudades do meu pai, que precisava ocupar minha mente de alguma forma”

“O tempo não levou nada embora”

Logo no começo da história, sabemos que a protagonista Julie não apenas perde o pai, como também acaba mudando de cidade, o que contribui ainda mais para o seu sentimento de perda e de saudade.

“Acho que a saudade que eu estava fez as coisas ficarem ainda mais bonitas”

“Eu amava Nova York. Amava cada pequeno detalhe de Nova York. Acho que tendemos a sentir isso em relação à nossa cidade natal de qualquer forma”

Essa saudade é um sentimento que nos impulsiona a refletir sobre o que tínhamos.

“Não é como se reparássemos em todos os detalhes dos lugares que você costuma passar. Só vira rotina”

E também sobre quem somos.

“Minhas paredes protetoras tinham caído muito rápido e eu me sentia totalmente vulnerável”

“Crianças. Sempre com uma maneira diferente de ver a vida. Mais simples, mais colorida, mais alegre”

A dor também pode nos tornar mais empáticos.

“— Desculpa se eu estou sendo grosseira ou algo assim, mas eu só quero mostrar que tudo tem dois lados e que é muito fácil julgar quando você não está passando pela situação”

Ou simplesmente nos deixar com medo de viver e de amar.

“Parecia extremamente errado. Então, por que parecia extremamente certo também?”

“Primeiros amores são sempre os mais fortes”

Por fim, gostaria de destacar a forma como o mar é retratado na narrativa. Por mais que ele apareça poucas vezes, é nítida a sua importância para a construção da obra.

“O mar me encantava e me assustava na mesma intensidade”

“Aquele era o mar, que apesar de todas as suas belezas, tinha todos os seus segredos. E tinha levado ele de mim”

Se você se interessou por essa obra, não deixe de ler também a resenha que escrevi.