Contos Russos – Tomo I e II (parte 1)

Título: Contos Russos - Tomo I e Tomo II
Original: (não sei, está escrito no alfabeto russo, sos)
Autor: vários
Editora: Martin Claret
Páginas: 203 (Tomo I) e 201 (Tomo II)
Ano: 2014 (Tomo I) e 2015 (Tomo II)
Tradução: Oleg Almeida

A Copa na Rússia já acabou, mas a cultura desse país nunca para de marcar gol! Por isso, aproveitei o clima para ler esses dois volumes de contos russos, publicados pela editora Martin Claret. Aprendi tanta coisa que resolvi dividir essa resenha em 5 posts, para poder falar um pouco melhor sobre cada conto e seus autores. Na publicação de hoje apresentarei cada um dos livros e o primeiro conto que li. Vamos nessa?

Em Contos Russos – Tomo I somos apresentados a contos que remontam à época do Sentimentalismo e do Romantismo russo. São cinco histórias que compõem esse volume, de três autores diferentes: A pobre Lisa (Nikolai Karamzin); O tiro e A nevasca (Alexandr Púchkin), Vyi e O capote (Nikolai Gógol).

Já em Contos Russos – Tomo II temos apenas dois contos (bem mais extensos) de dois autores diversos, representando as vertentes Realista e Naturalista, predominantes na Rússia durante o século XIX: O primeiro amor (Ivan Turguênev) e Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (Nikolai Leskov).

Descobri que há ainda um Contos Russos – Tomo III. Quem será que está se segurando para não comprar imediatamente??

Eu gostei da edição desses livros (mas descobri que também há ótimas edições da editora 34). As capas têm cores lindas, as notas foram feitas na medida certa e são traduções diretas do russo. Não poderia ter entrado nesse universo literário de forma melhor (sim, nunca havia lido nada de literatura russa…). Ao final de cada edição há, ainda, uma parte sobre os autores dos contos, mas é super breve, então o ideal é pesquisar mais sobre eles.

O primeiro conto que li foi A pobre Lisa, escrito por Nikolai Karamzin, o maior expoente do Sentimentalismo russo. E ele foi, também, um dos historiadores oficiais do Império Russo!

O conto começa com uma extensa descrição da paisagem local. Isso porque o narrador está contextualizando sua história, nos contando algo que ocorrera anos antes.

“Todavia, o que mais me atrai às muralhas do mosteiro de S*** é a recordação do lamentável destino de Lisa, da pobre Lisa. Ah, eu gosto daqueles temas que me enternecem o coração e fazem verter as lágrimas de uma meiga tristeza”

Contos Russos – Tomo I (p.22)

É a partir desse trecho que nossa protagonista aparece, já na quarta página do conto. Vamos, aos poucos conhecendo sua história e seu triste destino. E a natureza, ao longo de toda a narrativa, está intimamente ligada aos sentimentos dos personagens.

Em se tratando de um símbolo do Sentimentalismo russo, essa história não poderia deixar de apresentar uma figura masculina, que chega para abalar a pacata vida de Lisa. Estamos falando de Erast, um jovem que não podemos categorizar exatamente como vilão, ainda que o trágico fim de Lisa seja, de certa forma, culpa dele.

“Parecia-lhe ter achado em Lisa aquilo que seu coração procurava havia tempos”

Contos Russos – Tomo I (p.28)

As descrições ao longo do conto não são cansativas para o leitor. Ao contrário, elas nos ajudam a adentrar ainda mais a história. Há uma passagem, também, em que o narrador consegue fazer com que o leitor entenda que os personagens tiveram uma relação sexual, mas sem ser tão explícito ou direto.

A Rússia pode nos parecer um país muito distante, bem como este conto, publicado, originalmente, em 1792. Mas falar de sentimentos é sempre algo universal e atemporal. Anos e anos depois, ao ler um conto como esse, ainda somos capazes de nos compadecer da protagonista e sentir, na pele, os dilemas que os personagens vivem.

Citações #9 — Diário de escola

O livro da vez é Diário de Escola, escrito por Daniel Pennac. Li a edição em italiano (Diario di scuola) publicada em 2017 (10º edição) pela editora Universale Economica Feltrinelli. Tentarei colocar as citações em português, torcendo para que a minha tradução consiga abarcar o significado de cada trecho que destaquei.

Esse é o primeiro livro que aparece aqui no Citações e que tem, também, a resenha completa no blog. Em minhas resenhas costumo colocar algumas passagens do livro, mas são diferentes das que trarei aqui.

Como eu comentei na resenha, neste livro, Pennac fala sobre os alunos que são considerados maus alunos, falando com propriedade, por ter sido um deles. É por isso que ele consegue nos transmitir o quão difícil e solitário é para uma criança que é considerada burra ou um fracasso escolar.

“Experimentei cedo o desejo de fugir. Para onde? Não sei bem. Digamos que fugir de mim mesmo e, ao mesmo tempo, dentro de mim” (p.25)

“Quando uma pessoa sente que não pertence a nada, tende a fazer juramentos a si mesma” (p.30)

O autor nos mostra o quanto há de incompreensão por parte dos que ensinam ou não são maus alunos.

“Falar a eles do que está por vir significa pedir que meçam o infinito com uma régua” (p.74)

Por outro lado, ele é a prova viva de que tudo passa e que as coisas tomam seus devidos rumos com o passar dos anos.

“As coisas nunca acontecem como prevemos, mas uma coisa é certa: nós nos tornamos” (p.84)

Daniel Pennac foi de mau aluno a um grande professor e escritor. Destaco ainda  passagens que trazem esse lado dele, o lado adulto que superou as dificuldades da infância:

“Uma boa classe não é regimento que marcha cadentemente, é uma orquestra que experimenta a mesma sinfonia” (p.107)

[Claro que eu não deixaria de lado esse trecho em que o autor faz uma comparação da sala de aula com uma orquestra. É um dos trechos mais lindos do livro (ou talvez eu seja suspeita para falar por adorar colocar música em tudo)].

Mas voltando ao lado professor, Pennac, por ter tido suas dificuldades como estudante, consegue aplicar métodos interessantes em sala de aula. Um deles é saber jogar com a matéria, transformando o aprendizado em diversão, como podemos perceber com esta última passagem que trago a vocês:

“E além do mais, brincar com a matéria é uma maneira, como tantas outras, de se acostumar a dominá-la” (p.131)

Gostou desses trechos? Então não deixe de conhecer a versão brasileira na íntegra!

Citações #8 — Sonhos em Amarelo

Dia de trazer citações do livro Sonhos em Amarelo, escrito por Luiz Antonio Aguiar e publicado pela editora Melhoramentos. Nesta obra, o autor nos apresenta Camille Roulin, um garoto que esteve perto de Vincent van Gogh no período em que este pintou seus quadros mais famosos. E quem já se interessou minimamente por van Gogh sabe que a vida dele não foi nem um pouco fácil. É por isso que esse livro, por menor que seja, tem tanto a nos ensinar. A começar pelo fato de que…

“Tudo na natureza tem seu tempo” (p.14)

Sim, TUDO tem seu tempo. A gente se estressa, se descabela, chora, quer fugir, mas a realidade é que cada coisa tem seu tempo e o que deu errado hoje pode dar certo amanhã. Por isso, precisamos sempre respirar fundo, levantar a cabeça e seguir.

E sobre dificuldades, aliás, quem não as tem? Mas pior que as ter é guardá-las somente para si e nunca pedir ajuda a ninguém quando, tenha certeza, ao menos uma pessoa ao seu redor seria capaz de te estender a mão.

“Não atino como alguém suportaria ficar olhando para dentro de uma dor dessas, sem tentar escapar” (p.112)

E algo que eu sempre acho bom lembrar é que devemos tomar cuidado com nossas palavras e ações. Nós nunca sabemos exatamente pelo que o outro está passando e o quanto podemos afetar (positivamente ou negativamente) uma pessoa. Palavras e ações matam.

“Talvez alguns de nós é que o tenhamos expulsado de vez desse mundo” (p.124)

O chamado do Cuco – Robert Galbraith

Título: O chamado do cuco
Original: The cuckoo's calling
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Páginas: 447
Ano: 2013 (1º edição)
Tradução: Ryta Vinagre

Antes de falar sobre O chamado do cuco, gostaria de contar a vocês que li primeiro O bicho da seda, que, em tese, deveria ser lido depois desse. Não se trata, porém, de uma continuação, mas certamente muitas coisas ficarão mais claras se você ler O chamado do cuco primeiro.

E, um super detalhe, para quem não sabe: Robert Galbraith é pseudônimo de ninguém menos que J. K. Rowling!

O livro conta com um prólogo – que nos fala sobre a morte que será investigada ao longo da obra – cinco partes – que nos contam a história propriamente dita – e um epílogo – com o título de “dez dias depois”.

Na primeira parte vamos, aos poucos, conhecendo os personagens dessa trama policial. No primeiro capítulo, por exemplo, somos apresentados a Robin, uma jovem de 25 anos que, no dia seguinte à noite em que ficou noiva, começa a trabalhar como secretária temporária de Cormoran Strike, um detetive particular. O desejo de Robin, aliás, era ser detetive! Aqueles dias pareciam um sonho para ela.

Já a vida de Cormoran Strike ia de mal a pior. Ele rompera definitivamente com Charlotte, não tinha onde morar e os negócios não estavam em um bom momento… Ao menos não até que John Bristow aparecesse para contratar o detetive para reinvestigar a morte de sua irmã, Lula Landry, uma modelo muito famosa. Para a polícia, Lula Landry havia cometido suicídio, jogando-se da sacada de seu apartamento. John Bristow, porém, tinha certeza de que alguém a havia matado.

“Os mortos só podiam falar pela boca dos que ficaram e pelos sinais que deixavam”

O chamado do cuco (p.282)

Contribuía para o veredicto da polícia o fato de Lula Landry ter alguns problemas psicológicos e já ter se envolvido com drogas. No mais, ela era uma negra adotada por uma família branca extremamente rica e… Problemática.

O “caso Lula Landry” é mencionado por diversas vezes em O bicho da seda, por ter sido importante para a retomada dos negócios de Cormoran Strike (e esse é um dos motivos pelos quais é melhor ler primeiro O chamado do Cuco).

O título do livro, que pode parecer aleatório, passa a fazer sentido para nós somente na terceira parte, quando nos é revelado que “Cuco” era um dos apelidos da modelo Lula Landry.

Tudo é muito descrito no livro, mas não de uma maneira maçante. Podemos ter uma boa ideia de como eram os personagens e cada lugar que aparece ao longo da história. As descrições só são um pouco desesperadoras no final da história, quando queremos saber logo o que aconteceu, mas temos de nos deter nos detalhes de cada cena.

E por falar em final da história, como um bom romance policial, duvido que você acerte quem matou Lula Landry, por mais que sua leitura seja muito atenta. Claro que, para alcançar o efeito desejado, o autor tem de ocultar alguns elementos da história, que serão apresentados ou explicados com maior clareza nas páginas finais. E isso é feito de maneira excepcional!

A lista de suspeitos pela morte de Lula parece nunca acabar. Através dos olhos de Strike e Robin passamos a desconfiar de todos os amigos da modelo, como Guy Somé, Ciara Porter, Rochelle Onifade; de seus vizinhos, o casal Bestigui; de seu namorado, Evan Duffield; do rapper Deeby Mac; e até de seus familiares, como seu tio Tony Landry ou então sua mãe biológica.

J. K. Rowling conseguiu me surpreender também como escritora de histórias de detetive. Eu já havia gostado de O bicho da seda e agora posso acrescentar que gostei de O chamado do Cuco. E se você quiser conferir essa história, é só clicar aqui:

Citações #7 — Minha vida fora de série 4

 

E hoje as citações são do meu queridinho Minha vida fora de série 4, escrito pela brasileira Paula Pimenta e publicado pela editora Gutenberg, em 2017. Ao contrário dos 3 livros anteriores, este aqui é narrado por Rodrigo, após o término do namoro dele com a Priscila.

Eles formavam um casal incrível e talvez esse seja um dos motivos pelos quais Minha vida fora de série 4 tem tanto a ensinar. Comecemos pelo fato desse livro nos mostrar que a vida, de alguma forma, segue e nos propicia boas lembranças. Mesmo os acontecimentos mais difíceis nos ensinam algo e, se em um primeiro momento não conseguimos enxergar isso, talvez enxerguemos depois.

“Mas talvez seja verdade que cada pessoa tenha um destino, porque a vida foi me mostrando o que eu deveria fazer” (p.38)

“Ao mesmo tempo que meu mundo desabou, ele se reergueu, de uma forma surpreendente e muito, muito melhor” (p.169)

“Como eu disse, certas pessoas aparecem em nossas vidas por alguma razão” (p.419)

Fica evidente, por esses trechos, como os rumos que a vida toma podem ser inesperados e, ao mesmo tempo, autoexplicativos. E como cada pessoa tem a sua importância em nossas vidas. Essas passagens, aliás, podem dialogar muito com reflexões feitas após a leitura de As cinco pessoas que você encontra no céu, mas em uma história completamente diferente.

Minha vida fora de série (como um todo) também fala muito sobre amor e amizade:

“Eu daria tudo para você ter estado comigo naquele momento, pois no seu abraço os meus problemas sempre pareceram menores” (p.106)

“Como sabíamos que entre nós só havia espaço para a amizade, podíamos agir naturalmente, não precisávamos ocultar nossos defeitos visando uma conquista, nem fazer algo só para agradar” (p.115)

(eu acho essa passagem a mais significativa e impactante de todas. Deveríamos sempre ser nós mesmos. Só podemos conquistar alguém verdadeiramente quando, em princípio, somos verdadeiros também).

“Gostar da companhia da pessoa é bem diferente de se apaixonar” (p.146)

Quando estamos apaixonados por alguém não gostamos apenas da companhia, mas da pessoa como ela é, como ela age conosco. Gostamos de compartilhar momentos, bons ou ruins; palavras e silêncios; planos e medos. Gostamos, acima de tudo, de um ser humano que tem muito a nos ensinar.

As cinco pessoas que você encontra no céu – Mitch Albom

Título: As cinco pessoas que você encontra no céu
Original: The five people you meet in heaven
Autor: Mitch Albom
Editora: Sextante
Páginas: 188
Ano: 2018

Eis a resenha do primeiro livro que ganhei em um sorteio de cortesia do Skoob! As cinco pessoas que você encontra no céu é um livro que nos faz refletir sobre nossas vidas e nossas ações.

Trata-se da história de Eddie, que após ferir a perna na guerra é enviado de volta para seu país, onde passa a trabalhar como mecânico de manutenção em um parque de diversões. O livro começa pelo fim, mas não à maneira Machadiana; apenas começa com a morte de Eddie, para que a narrativa, em si, possa ocorrer.

“Mas todos os fins são também começos. Embora, quando acontecem, não saibamos disso”

As cinco pessoas que você encontra no céu (p.9)

Eddie morre exatamente no dia de seu aniversário de 83 anos, em um acidente no parque em que trabalhava. A partir disso o livro vai intercalando capítulos que ocorrem no céu e capítulos que se passam quando ele ainda era vivo, sendo estes, em sua maioria, intitulados “Hoje é aniversário de Eddie”.

A primeira pessoa que Eddie encontra no céu é o Homem Azul, uma pessoa de quem Eddie não se lembrava de conhecer antes de sua morte. Ele está lá para mostrar ao protagonista como todos nós estamos conectados de alguma forma.

“Nenhuma história existe isoladamente”

As cinco pessoas que você encontra no céu (p.18)

A segunda pessoa que Eddie encontra no céu é seu ex-comandante na guerra. Ele esclarece algumas coisas ao protagonista com relação àquele período, mas, acima de tudo, lhe ensina que alguns sacrifícios são necessários e que a morte de uma pessoa pode significar a vida de tantas outras.

“O céu é isto. A gente vem entender nossos dias de ontem”

As cinco pessoas que você encontra no céu (p.91)

A terceira pessoa é, novamente, alguém que Eddie não se lembra de ter conhecido em vida: trata-se de Ruby. Ela também esclarece alguns acontecimentos da vida do protagonista e o ensina a perdoar. Aprendemos muito sobre questões familiares ao longo dessas páginas.

“A juventude, como o vidro novo, absorve as marcas de quem a manipula”

As cinco pessoas que você encontra no céu (p. 101)

O quarto encontro é o mais bonito de todos e nos fala sobre o amor. Eddie encontra Marguerite. Um encontro capaz de arrancar algumas lágrimas dos leitores apaixonados.

Por fim, a quinta pessoa que Eddie encontra no céu também lhe parece apenas uma desconhecida, mas que, mais uma vez, mostra-lhe como todas as vidas, de alguma forma se cruzam. E como tudo o que aconteceu na vida de nosso protagonista precisava acontecer daquela forma. Trata-se da pessoa que concede o perdão final à Eddie. Que permite que ele aceite sua história e possa viver em paz a sua morte.

As cinco pessoas que você encontra no céu nos faz refletir, portanto, sobre o encadeamento de acontecimentos que nos cercam e que vivemos diariamente, além de nos fazer enxergar que talvez certas coisas, por mais dolorosas que sejam, são necessárias em nossa história.

Se você se interessou, não deixe de clicar aqui:

TAG: The Sunshine Blogger Award

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Hoje venho responder uma indicação que recebi no dia 29 do mês passado. Trata-se do prêmio Sunshine Blogger Award e a indicação veio da Elizangela Martins, do blog Sonhos após Dezoito. Muito obrigada pela indicação!!

A premiação envolve uma demonstração de seu reconhecimento para com o trabalho de outros blogueiros assim como a promoção de interações com esses blogs. Cada envolvido precisa seguir quatro regras básicas:

  • Agradecer a quem te indicou;
  • Colocar as regras e incluir o logo do prêmio no post;
  • Responder 11 perguntas feitas pelo nomeador;
  • Nomear 11 blogs e fazer-lhes 11 perguntas.

Agradeço novamente à Elizangela!! De coração. E para quem não conhece o Sonhos após Dezoito, recomendo. Tem assuntos variados por lá!

E as perguntas que ela fez foram…

1. Como surgiu o desejo de criar o blog? Quem ou o que te motivou?

Criei um blog em 2014, após terminar a leitura de mais um livro que eu havia amado e que me deu a ideia de ter um blog. Quase três anos depois, porém, acabei excluindo esse tal blog, até que, no começo de 2018, incentivada por meu namorado, resolvi voltar… E aqui estou eu!

2. Quais assuntos são encontrados em seu blog?

Aqui vocês encontram principalmente resenhas de livros, alguns trechos que eu gosto e, vez ou outra uma TAG. Por hora, ao menos, é isso.

3. Conte um pouco sobre quem o escreve.

Bem, eu escrevo sozinha aqui… Sou formada em Letras e hoje em dia estou no mestrado. Gosto de ler desde pequena e cada vez mais tenho vontade de escrever também. E sou uma pessoa que não sabe falar muito de si mesma, então é isso aí!

4. Aonde deseja chegar com seu blog?

Acho que não tenho um objetivo. Quero somente continuar escrevendo aqui e se esse espacinho crescer, ficarei muito feliz!

5. Você tem algum sonho que o blog pode te proporcionar, como ser embaixadora de uma marca que sempre usou, por exemplo?

Adoraria ser parceira de alguma editora, mas não tenho nenhuma específica em mente. O contato com outros blogueiros também é algo muito bacana!

6. Conte uma coisa boa e uma coisa ruim sobre a vida de blogueira(o).

Acho que uma coisa boa é o tanto que a gente aprende conversando com outras pessoas e lendo conteúdos diversos. O lado “ruim” é querer ter sempre conteúdo de qualidade, o que às vezes é complicado em uma rotina tão corrida. Mas isso não é exatamente algo ruim, né? (O fato de querer conteúdo de qualidade, não a rotina corrida, só pra deixar claro!).

7. Você se considera uma pessoa com boa presença digital? Quais são suas redes sociais? (Queremos te conhecer 😊)

Não sei… Tenho twitter, instagram, facebook, skoob, só que não sou de postar tanto ou ficar de olho no que postam. Mas sempre curto tudo.

8. Como é o processo desde a ideia de um post até a sua publicação e divulgação? Segue um calendário editorial ou algo do tipo?

Bem, como meus conteúdos são basicamente relacionados a livros, eu primeiro tenho de ler (really?) e muitas vezes já vou destacando passagens, pensando no que vou escrever, etc. Terminada a leitura do livro, já começo a escrever a resenha! Elas são postadas aqui às terças-feiras. As citações eu anoto em um caderninho, para depois fazer o post delas, que saem às quintas-feiras por aqui. Sempre que um post sai ele é automaticamente divulgado no meu Twitter. E só!

9. Além do blog, você estuda e/ou trabalha? Se sim, como consegue conciliar tudo isso?

Como eu disse lá em cima, hoje em dia faço mestrado (sou bolsista), então eu basicamente estudo muito e tenho o blog. Para conciliar tudo, eu tenho uma lista de tarefas semanais que tenho de cumprir, e entre as atividades está incluído escrever para o blog, ler os textos da pesquisa, escrever a pesquisa, etc.

10. Como deseja estar, em relação ao seu blog, daqui há 5 anos? Ainda pretende continuar escrevendo e/ou expandir para outro(s) veículos, como o YouTube?

Cinco anos é bastante tempo… Mas espero ainda estar escrevendo aqui sim. Acho muito difícil que eu vá expandir para o youtube, por exemplo, mas talvez crie algumas redes sociais, para ajudar na divulgação, como uma página no face ou no instagram.

11. Qual sua motivação para continuar escrevendo?

A vontade de escrever por si só e, claro, as pessoas que sempre acompanham esse cantinho!

Indicações

E vamos às pessoas que eu indico para o prêmio Sunshine Blog Award!

❤ Thais Felícia, do Felicisses
❤ Adail rodrigues, do Ideias em Blog
❤ Jusley, do Louca por Viver (que saudades!)
❤ Alan Martins, do Anatomia das Palavras
❤ Isabella Marques, do Loucuras Intrépidas
❤ Bia Ribeiro, do Bipolar e Afins
❤ Elaine Rodrigues, do E-Redigindo
❤ Gean, do Gean Zanelato
❤ Graziele Pereira, do Flechas ao Vento
❤ As meninas do Nem tudo é ficção
❤ A Priih, do Infinitas Vidas

E as perguntas são:

  1. Qual é a inspiração/história do nome do seu blog?
  2. Sobre o que você gosta de escrever no seu blog?
  3. Qual é o seu post preferido?
  4. Você tem uma música preferida? Qual?
  5. Qual é o seu blog preferido? Por que?
  6. Cite uma frase inspiradora
  7. Por que você criou um blog?
  8. Você tem um sonho? Qual?
  9. O que te motiva a escrever em seu blog?
  10. Onde você espera estar, na vida, daqui a três anos?
  11. Qual é o seu livro preferido?

Agora é com vocês! <3

 

As cabeças trocadas – Thomas Mann

Título: As cabeças trocadas: uma lenda indiana
Original: Die vertauschten Köpfe
Autor: Thomas Mann
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 118
Ano: 2017 (1º edição)
Tradução: Herbert Caro

Comecei a ler As cabeças trocadas e pensei: será que chego ao fim? Não sei quase nada sobre a cultura indiana, a linguagem não é das mais fáceis e nem os nomes dos personagens facilitam as coisas… Mas terminei! E gostei bastante da história e da forma como ela é contada. O narrador vai conversando conosco e nos explicando os pormenores, como alguém que realmente nos conta uma história.

“Oxalá os que ouvem esta história, talvez iludidos por seu desenrolar até agora ameno, não caiam na armadilha de uma interpretação errônea de seu verdadeiro caráter”

As cabeças trocadas (p.37)

Além de conversar conosco o narrador é bem realista. Depois da frase aí de cima a história toma uns rumos bem malucos!

O livro começa contando a história de Shridaman e Nanda, dois grandes amigos, apesar de suas diferenças: Shridaman é quase um intelectual e seu corpo é frágil, enquanto Nanda é forte, sendo um trabalhador braçal. A vida desses dois amigos começa a mudar quando eles veem Sita, a das belas cadeiras (que tipo de alcunha é essa, gente?), banhando-se no rio.

Shridaman apaixona-se perdidamente por Sita e, para sua sorte, Nanda a conhece, pedindo a mão dela em casamento para o amigo. Tudo incrível, não fosse o fato de Nanda ter um corpo maravilhoso, desejado por Sita.

As coisas complicam-se ainda mais quando os três, durante uma viagem, perdem-se e encontram um templo. Shridaman entra para rezar e ali acaba se matando, utilizando uma espada. Por conta da demora, Nanda vai atrás do amigo, para ver o que está acontecendo e ao deparar-se com a cena do amigo sem a cabeça, acaba por igualmente matar-se. É a vez de Sita averiguar o que está acontecendo. Ao constatar o horror, decide esta também se matar. Sabendo, porém, que não terá forçar para erguer a espada, decide sair do templo para se enforcar com um cipó. E então uma nova reviravolta acontece na história, sendo determinante para os momentos finais da narrativa.

Como eu disse, tive, em um primeiro momento, dificuldades para ler As cabeças trocadas, mas aos poucos a gente vai entrando na história e compreendendo as ironias da narrativa. O livro está dividido em doze capítulos relativamente curtos e nessa edição da Companhia das Letras há, ainda, um posfácio que ajuda a compreender alguns elementos da obra.

Outra coisa interessante na linguagem é que, mesmo difícil, ela é bem irreverente: algumas figuras importantes que aparecem ao longo da história nos fazem rir, chamando os protagonistas de bobos, dizendo que eles fazem tolices. Ao mesmo tempo, esses personagens fazem longos discursos, essenciais para a narrativa.

Se você quiser conferir com seus próprios olhos essa loucura toda, clique aqui:

Citações #6 — Fahrenheit 451

Para as citações de hoje vamos de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. As páginas são da edição publicada em 2012, pela Biblioteca Azul. Para quem não conhece, Fahrenheit 451 é uma daquelas distopias que a gente não pode deixar de ler. Trata-se de uma história em que as pessoas não possuem livros, pois estes seriam um item ruim para o ser humano. Já pensou que mundo horrível?

“Os livros servem para nos lembrar o quanto somos estúpidos e tolos” (p.111)

Como eu disse, Fahrenheit 451 é um livro muito bom, então, como é de se esperar, ele vai abordando vários assuntos que sempre são válidos em uma roda de conversa (ou ao menos assuntos sobre os quais deveríamos pensar um pouco mais):

“Sempre se teme o que não é familiar” (p.81)

Digamos que essa é uma forma mais bonita de dizer que a gente tem medo do desconhecido. E, convenhamos, temos mesmo. Quantas pessoas vocês conhecem que se arriscam a fazer as coisas sem medo? Que topam mudar seu jeitinho de agir ou, o mais difícil, sua visão sobre a vida e tudo o mais?

“Numa noite está tudo bem e na seguinte estou me afogando” (p.162)

Isso chama-se vida, meus caros. Nem todos os dias serão bons e fáceis, mas se soubermos passar por eles, teremos dias bons. E passar pelos dias ruins é mais fácil se temos com quem contar… Em Fahrenheit 451 uma coisa não muito comum é aquela tal de empatia que tanto ouvimos falar nos dias de hoje…

“Você já notou como as pessoas se machucam entre si hoje em dia?” (p.50)

Justamente quando não há empatia há isso aí: egoísmo, brigas desnecessárias, excesso de opinião e falta de diálogo. A gente machuca os outros não somente fisicamente, mas por meio de nossas palavras e ações (ou falta de ações). E para quê? Para nada!

Com isso, entramos na última citação, que é justamente sobre enxergar o outro e compreendê-lo. Mas dito de maneira bem mais bonita:

“Pois quantas pessoas seriam capazes de refletir a luz de uma outra?” (p.29)

Citações #5 — O sol é para todos

As citações de hoje são do livro O sol é para todos, escrito por Harper Lee. As páginas são da edição publicada em 2016, no Brasil, pela editora José Olympio. Trata-se de um clássico da literatura mundial, sendo narrado por uma criança e falando sobre racismo e injustiça. Temas que ainda precisamos discutir bastante, não? Mas o livro fala sobre muito mais também…

Fala sobre coragem:

“Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo e vai até o fim, apesar de tudo” (p.129)

Sobre força:

“Mas as coisas sempre parecem melhores de manhã” (p.241)

(entendam força como, ao mesmo tempo, saber parar e avaliar uma situação longe do turbilhão que ela lhe provoca e saber que é sempre possível recomeçar).

E sobre carinho:

“Cedo procurei refúgio em seu colo, e seus braços envolveram-me” (p.121)

“Com ele a vida era rotina, sem ele era insuportável” (p.134)

Para terminar, como de costume, uma das passagens mais impactantes para mim e que reflete bem a questão do preconceito e até da injustiça:

“Não, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente” (p.256)