Título: Pra não fazer desfeita
Autora: Andrea Romão
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 48
Ano: 2021
Seguindo em nossa viagem pelo Brasil, com o ônibus da Duplo Sentido Editorial, ainda na região Sudeste, começo com uma pergunta: é possível falar mal de Minas Gerais? Ao menos como turista, acho difícil.
Já tive a sorte de conhecer algumas cidades — Tiradentes, São João del Rei, Belo Horizonte, além daquelas que sempre me deixam em dúvida se fazem parte de São Paulo ou Minas, como Monte Verde e Poços de Caldas — e até mesmo a capital carrega um clima muito gostoso (no sentido da atmosfera do lugar e das pessoas, não necessariamente o tempo climático — este, aliás, bem desfavorável da última vez que estive em terras mineiras…), além de muita cultura (sério, BH tem muito museu incrível!).
“Viver em meu estado e morar numa rua plana é um verdadeiro luxo que ainda não faz parte das nossas vidas”
Através da protagonista Cecília, neste conto vamos conhecendo diversos traços mineiros muito interessantes que, confesso, eu não imaginava.
“Quando se é mineiro, chegar na hora significa chegar meia hora antes”
Toda a história, aliás, gira muito ao redor dessas características tão peculiares e que, colocadas da forma que foram colocadas, conseguem conferir um ar de tensão e, ao mesmo tempo, diversão — para nós leitores — à narrativa.
“Não é possível ter nascido em Minas Gerais e não estar constantemente pensando, considerando e sofrendo pelo sentimento alheio”
O drama de Cecília é que ela tem um namorado ultratímido e gostaria de apresentá-lo à família (pai e mãe apenas) em seu aniversário de 16 anos, mas não fazer uma festa de aniversário para toda a (enorme) família e vizinhança é uma afronta para eles.
“Um bom mineiro fingiria um desmaio para não ter que confrontar alguém”
E é a partir desse “drama” que vamos nos apaixonando cada vez mais pelo “jetim” mineiro, ao mesmo tempo em que torcemos para que Cecília encontre uma solução para a enrascada na qual se meteu.
“A frase ‘vou passar um cafezinho’ é a sentença final para decretar que ninguém irá embora tão cedo”
Aliás — sem spoilers, claro —, o final é muito bom! Então, como não poderia deixar de ser, convido você a ler este conto também. E se você ainda não assinava o projeto quando ele foi enviado, é só clicar aí embaixo para garantir o seu Pra não fazer desfeita.
Para ficar por dentro do projeto e conhecer os contos anteriores, não deixe de conferir as minhas resenhas também:
Se tem um assunto que vira e mexe ressurge é a presença e o uso de termos em inglês nas demais línguas. Eu mesma já traduzi por aqui um artigo sobre isso, como você pode conferir aqui. O artigo em questão é bem interessante e pode ser uma boa introdução à discussão de hoje (ou seja: se você ainda não leu, vai lá ler!).
Recentemente, porém, uma aluna perguntou sobre isso e a minha curiosidade sobre o assunto retornou. Parece que nunca é satisfatório o nosso conhecimento sobre determinados temas e há sempre algo novo a se encontrar. Então resolvi trazer novamente o assunto à tona por aqui.
Desta vez, porém, com um artigo cujo título completo é Usar ou não palavras em inglês na língua italiana: o parecer da Accademia della Crusca. Para quem não sabe, a Crusca é a maior entidade linguística da língua italiana. Para nós, reles mortais (principalmente não falantes nativos), se “a Crusca” falou, tá falado.
O artigo em questão é bem recente, tendo sido publicado em 02 de abril de 2021. Foi escrito por Michele Razzetti e você pode conferir o original aqui. Traz, ainda, o seguinte cabeçalho: “Os ‘empréstimos linguísticos’ acendem sempre intensos debates. O último se intensifica há algumas semanas, tendo parte nisso Mario Draghi. Pedimos a Claudio Giovanardi, da Crusca, para nos esclarecer. Inclusive sobre um termo que há mais de um ano ouvimos com frequência, que é ‘lockdown'”.
Como você poderá conferir abaixo, porém, o artigo está longe de nos trazer uma resposta, mas carrega uma reflexão importante sobre o contexto no qual usamos palavras emprestadas de outras línguas. Então vamos para a tradução?
Em intervalos regulares, se reacende o debate sobre o uso de palavras inglesas, tecnicamente anglismo ou anglicismo (Tullio de Mauro, em 2016, apontava que este último termo também o é), na nossa língua. Aconteceu inclusive recentemente, depois da consideração improvisada de Mario Draghi, ao final da visita ao centro de vacinação anti-Covid do Aeroporto de Fiumicino, sobre a inglesização do vocabulário comum italiano.
Os tons do debate são geralmente exasperados e veem em oposição estrangeiristas declarados, prontos a aceitar sem críticas tudo o que chega de um país estrangeiro, e aqueles que gostariam de um italiano feito só de palavras não estrangeiras, como se isso sem dúvidas fosse realmente possível. Polarizar o confronto não faz bem a ninguém. Mas para superá-lo pedimos ajuda a Claudio Giovanardi, membro da Academia della Crusca, docente de Linguística italiana na Universidade Roma Tre e autor de Inglês-italiano 1 a 1. Traduzir ou não traduzir as palavras inglesas? (Manni), que se ocupou do assunto também no decorrer de 6per6, o festival que pela primeira vez colocou as ciências da linguagem ao vivo no Instagram.
A linguística histórica ajuda a colocar o debate em perspectiva e nos faz entender de imediato uma coisa: as línguas se confundem e se emprestam termos continuamente. Claro, aquelas que gozam de um prestígio sócio-cultural maior — o que, atenção, muda com o tempo — tendem a disseminá-los no mundo com força maior. “O inglês teve uma entrada explosiva no italiano a partir do final dos anos 70 até se tornar praticamente a única língua estrangeira estudada nas escolas em que se prevê apenas uma. Sobretudo aquele estadunidense, naquele tempo carregava consigo o poder político, econômico, cultural e científico.Mas não nos esqueçamos que pouco antes, o mais estudado foi o francês”.
O sucesso dos anglicismos é registrado também pelos vocabulários e pelas coleções de neologismos, instrumentos que medem a temperatura lexical de uma língua. “As pessoas nos dizem que existe um aumento significativo de palavras estrangeiras em italiano, sobretudo nos últimos 30 anos. O mundo empresarial faz um grandíssimo uso delas, assim como o meio acadêmico. As instituições culturais geralmente são as que mais se valem das palavras em inglês, fazendo um uso inútil destas.
De um ponto de vista teórico é interessante se perguntar se seria possível dispensar esses empréstimos. Para Giovannardi, sem dúvidas, sim: “Em seu próprio repertório uma língua de cultura rica como o italiano pode encontrar os recursos certos para evitar o uso do inglês; é compreensível que os objetos do âmbito tecnológico, por exemplo, nos cheguem com o nome em inglês, mas isso não significa que o italiano não possa ter os recursos internos para substituí-los“. Como, de um ponto de vista prático? Com uma tradução, um sinônimo ou uma adaptação. “Certo, é preciso entender se essa operação é econômica, porque muitos desses termos têm uma circulação europeia, ou até mesmo global”.
É preciso perguntar-se também se o inglês deve ser em todos os casos, evitado, demonizado como gostariam alguns. A resposta é negativa, porque o verdadeiro discriminativo para um uso sensato dos anglicismos é o contexto comunicativo, como muitas vezes acontece quando se fala uma língua. “Pessoalmente não tenho uma particular intolerância nos confrontos de um uso privado dos anglicismos. O grande problema diz respeito às palavras estrangeiras usadas nos contextos de comunicação pública. Contra este fenômeno é um dever cívico lutar“.
E é isso que faz o grupo Incipit da Accademia della Crusca, ao qual o próprio Giovanardi pertence: eles não pretendem traduzir todo e qualquer termo inglês, mas assinalar a entrada das palavras que impactam na vida pública (em detrimento daquelas sedimentadas e mais complexas de intervir). “Se uma lei é proposta a um cidadão, deve ser colocada em condições que se possam entender; depois, no bar, em casa ou debaixo do guarda-sol cada um pode falar como preferir”.
Mas nos discursos públicos, aqueles produzidos pelas instituições políticas, por exemplo, o inglês parece desempenhar um objetivo comunicativo de honestidade duvidosa. “Parece que usando um termo inglês para uma medida ou um evento potencialmente indesejado à opinião pública, possa-se amenizá-lo: penso na famosa spending review*, que nada mais é do que um corte nas despesas públicas. Sendo maliciosos, temos de pensar que o inglês consiga fazer passar essas medidas sem levantar grandes rebuliços”*.
Uma escolha precisa que não encontra respaldo em outras grandes democracias europeias. Não na Espanha e na França,** com as quais um confronto linguístico imediato é possível graças também à pandemia na qual nos vemos envolvidos. “Na Itália, logo enchemos a boca com lockdown, mas na França falou-se em confinement e na Espanha em confinamiento*. Talvez, nos contextos informais, espanhóis e franceses usem o anglicismos lockdown, mas nas comunicações públicas isso não acontece. Nós não poderíamos usar também confinamento? Talvez assim tivéssemos feito algo por todos aqueles que não têm familiaridade com a língua inglesa”*.
Em suma, talvez em uma situação de emergência como essa que estamos vivendo há meses, se pudesse esperar um mínimo de consciência linguística da parte de quem, quando fala, possui um importante papel de porta-voz.
E então, qual a sua opinião sobre o assunto? Eu gostei muito da ênfase dada na questão da situação em que acontece a comunicação e, ao mesmo tempo, para o fato de que, realmente, quando pensamos em um âmbito político-social é necessário pensar bem na escolha dos termos usados, afinal, se cada país tem a sua língua oficial, isso não é por acaso, certo?
Título: O tatuador de Auschwitz
Original: The tattooist of Auschwitz
Autora: Heather Morris
Editora: Planeta do Brasil
Páginas: 240
Ano: 2019 (2º edição)
Tradução: Carolina Caires Coelho e Petê Rissatti
Quando eu estava concluindo a leitura de O tatuador de Auschwitz, vi pessoas indignadas (e com razão) com algumas resenhas/comentários feitos à obra O diário de Anne Frank. A indignação deve-se ao fato de que alguns leitores parecem se esquecer que esta não é uma obra ficcional e que ela não foi escrita com o intuito de agradar ninguém. Preciso confessar, porém, que durante muitas páginas da obra O tatuador de Auschwitz eu tive dúvidas se a história era verídica — retratando a história de vida de um verdadeiro prisioneiro — ou apenas baseada em fatos históricos. Detalhe: está escrito na capa do livro que é baseado em uma história real…
“A política nos ajuda a entender o mundo até não o entendermos mais, e, depois, faz com que você acabe em um campo de prisioneiros. A política e também a religião”
Talvez o meu estranhamento tenha se dado pelo fato do protagonista ter uma “faceta heróica” que me pareceu um pouco romantizada, ao menos perto de outras obras que já li sobre o tema, além do fato da narrativa retratar, também, uma história de amor, coisa que certamente não estou habituada a ver neste tipo de livro.
“Lale olha para aquelas meninas e percebe que não há mais nada a dizer. Elas foram levadas ao campo como meninas, e agora — ainda que nenhuma tenha chegado aos vinte e um — estão afetadas, prejudicadas. Ele sabe que elas nunca se tornarão as mulheres que deveriam ser”
Não estou querendo dizer que não tenham existido pessoas como o Tätowierer nos campos de concentração ou que, apesar de tudo, não pudesse existir amor ali. A verdade é que eu espero, de coração, que tenham havido muitos outros prisioneiros como Lale — o protagonista desta obra —, que fez o que pôde para tentar salvar alguns além de salvar a si mesmo. E também acredito que o amor — e a força que ele nos dá — foi uma das coisas que fez com que muita gente lutasse ainda mais para sobreviver.
“Escolher viver é um ato de rebeldia, uma forma de heroísmo”
Sim, O tatuador de Auschwitz é, também, sobre isso: sobre como, mesmo em meio à escuridão, pessoas de bom coração se mantém firmes àquilo que acreditam e que isso não necessariamente é a fé delas – como talvez possa-se imaginar, visto que estamos falando de uma perseguição, sobretudo, a judeus. Lale era uma pessoa de bom coração em sua essência e nem mesmo a escuridão de um campo de concentração o fez perder isso, por mais difícil que tenha sido aguentar tudo o que aguentou.
“Os dois resistiram, por mais de dois anos e meio, ao pior da humanidade. Mas é a primeira vez que ela vê Lale mergulhar tão fundo na depressão”
O que está obra trouxe de diferente para mim foi a perspectiva de uma pessoa com um trabalho que, ao mesmo tempo que era “privilegiado”, não deixava de ser extremamente ingrato: tatuar o número na pele dos prisioneiros que chegavam aos campos de concentração. Este era um cargo privilegiado porque era necessário proteger o Tätowierer da possível fúria dos demais prisioneiros, além da necessidade que ele tivesse forças para realizar o seu serviço. Por isso, esta pessoa possuía aposentos mais reservados e porções extras de comida. Eu realmente nunca pensara em quem seria a pessoa a tatuar os números nos prisioneiros e, menos ainda, no que esse “cargo” representa.
“— Vi um homem meio morto de fome arriscar a sua vida para te salvar. Imagino que você deva ser alguém que valha a pena ser salvo”
Mas Lale, como já mencionei, buscava fazer mais e conseguiu ajudar inúmeros outros prisioneiros, não só pelo cargo que ocupava, mas por estar sempre atento e também por não ter medo de se colocar em risco para ajudar. Ainda assim, todos esses fatores não impediram que ele também sofresse muito. Os campos de concentração foram capazes de sugar a vida até daqueles que saíram vivos de lá.
“— Digamos que dei outro passo para dentro do abismo, mas consegui dar um passo para trás”
Se você tem estômago para encarar uma leitura sobre holocausto, mesmo esta não sendo uma das mais pesadas, mas ainda assim, retratando uma realidade difícil de digerir, clique abaixo, assim você também contribuiu com este espaço.
Título: O Rio de Janeiro continua lindo
Autora: Amanda Condasi
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 50
Ano: 2021
Seguindo em nossa viagem pelo Brasil, com o ônibus da Duplo Sentido Editorial, chegamos ao Rio de Janeiro e, claro, o título deste conto não poderia ser outro. Contudo, a história começa, literalmente, do outro lado do mundo, mais exatamente em Seul.
“Mesmo amando minha família, não consigo mais sentir felicidade vivendo em Seul”
Dara é uma jovem brasileira que acabou crescendo em Seul, mas mesmo tendo se adaptado à vida nesse novo país, podemos sentir, pelas próprias palavras dela, que seu lugar sempre fora o Brasil e, mais especificamente, o Rio de Janeiro.
“Rio, quero te reencontrar e não vejo a hora disso acontecer”
No início do conto, portanto, somos apresentados a este contexto e acompanhamos a despedida de Dara e sua longa viagem de volta para a sua terra natal. E claro que é aí que tudo começa.
Em terras brasileiras, Dara irá (re)descobrir muito mais que a sua própria cultura, mas também um pouco mais de si mesma e de seus desejos.
“— Você não tem que provar nada pra ninguém e sua carteirinha bissexual não será confiscada por não ter ficado com meninas ainda”
Por meio de uma história leve, divertida e que emana o típico calor (humano e solar) carioca, temos a oportunidade de conhecer um poucos mais das belezas do Rio, com destaque para o pôr do sol no Arpoador.
“Sinto uma paz inexplicável estando aqui e agora”
A autora, por meio desta história, nos conduz para um Rio de Janeiro longe de estereótipos, principalmente aqueles relacionados à violência. Um Rio de Janeiro que, felizmente, pude conhecer quando visitei a cidade, graças aos conhecimentos que provavelmente só quem mora lá consegue ter.
“Se for pra ser, vai ser perfeito e, se não for também, vou ter outras oportunidades”
Um trecho que me chamou a atenção foi a descrição de Dara sobre os trens cariocas, porque notei imensa similaridade com os trens paulistanos, o que me fez refletir que, no final das contas, para que tamanha rixa entre essas duas cidades que, no fundo, no fundo, têm tanto em comum e tanto a complementar uma à outra? O Brasil é grande, tem espaço para todo mundo e todos os gostos!
“E o que é ser alguém na vida? Para mim é ser feliz independente das escolhas de futuro, pois temos que estar felizes naquilo que o coração mais deseja”
Como sempre, basta encarar a tela em branco e todas as palavras parecem fugir de meus dedos. Mas este é um dia que não posso deixar passar, como em tantos outros anos não deixei. Afinal, hoje é dia deles, mas pela primeira vez eu me sinto realmente pronta para dizer que hoje é o meu dia também: dia dos professores.
Depois de passar por todos os anos de escola, faculdade e pós-graduação, sem contar as inúmeras atividades e cursos extras que já fiz, posso dizer sem sombra de dúvidas que tive muitos professores. E posso dizer mais: sempre os admirei. Cada um, a seu modo, me ensinou algo que levo para a vida. Ainda assim, durante muito tempo achei que essa profissão não fosse para mim. Pelo menos não até pisar em uma sala de aula pela primeira vez. Porém, durante algum tempo, tentei traçar outros caminhos, mas no fim eu sempre terminava na sala de aula (e feliz!).
Entrei na faculdade de Letras dizendo que trabalharia com tradução, mas meu primeiro emprego foi como professora de inglês. E foi por conta disso que resolvi fazer a licenciatura e me encantei ainda mais pela sala de aula. Porém, depois eu trabalhei alguns anos como estagiária da faculdade, nada relacionado diretamente à sala de aula (eu ajudava em coisas mais burocráticas, mas ao menos estava muito próxima de professoras incríveis), fui para a pesquisa e, por fim, entrei em uma empresa para trabalhar com… Tradução! Era meu sonho, não? Bem, não mais.
Desde que comecei a dar aulas (de inglês), lá em 2014, eu nunca efetivamente parei: do inglês fui para o italiano (que é realmente a minha área), depois tive alunos particulares, curso livre obrigatório da disciplina da faculdade, outros cursos que ministrei por fora, mais alunos particulares… Até no período em que estive na empresa, trabalhando com tradução, eu tive uma aluna particular. E devo dizer que ela é uma grande responsável por eu estar onde estou hoje! Graças a essa aluna, que já fazia aulas online desde o início comigo, eu fui encontrando meu caminho durante a pandemia e é por isso que somente agora, em 2021, eu finalmente consigo dizer com todas as letras (e muita alegria) que sou professora. Uma professora de italiano muito apaixonada pelo que faz, aliás!
Foram praticamente sete anos (ou mais, até), para aceitar que um “Feliz dia dos professores” é realmente para mim. Que é isso que eu amo e não posso negar. Mas como dia o velho ditado, “antes tarde do que nunca”. E tudo é um processo: a cada dia eu sei que posso melhorar e quero melhorar. Sou muito grata por encontrar alunos que me fazem crescer com eles, que me ensinam diariamente e que acreditam no meu trabalho e compartilham as alegrias da sala de aula comigo.
No dia de hoje, portanto, eu não poderia deixar de agradecer, mais uma vez, a cada professor que passou pela minha vida. Sempre os admirei e sempre vou admirar e ser grata, porque o aprendizado é sim uma ferramenta muito poderosa. Mas eu também gostaria de agradecer aos alunos que já tive, tenho e também aos que terei, porque, como eu disse, ser professor é aprender todos os dias e cada dia mais.
Desejo, ainda, que a cada 15 de outubro possamos lembrar que para chegar onde for, precisamos que alguém nos mostre o caminho. Certamente algum professor já fez isso por você. Então que tenhamos mais respeito por essa profissão e que saibamos valorizar a educação, porque ela sempre fará parte de qualquer futuro que possamos imaginar.
E que em especial este 15 de outubro seja feliz para todos os professores que passaram por minha vida, para meus colegas e amigos professores e para todos aqueles que ainda terão o prazer de se encontrar nesta profissão. Talvez (com certeza) não estejamos vivendo o melhor cenário para se acreditar na educação, mas se nem os professores acreditarem, quem acreditará, não é mesmo? Que possamos, então, seguir firmes e seguros daquilo que estamos fazendo.
De verdade, obrigada a você que decidiu ser professor e faz isso com dedicação, atenção e responsabilidade. Felzi dia!
Título: Apenas ouça: deixe o que dizem de você definir o seu futuro
Autora: Sandra Mello
Editora: Publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2021
Apenas ouça é uma obra diferente do que estou acostumada a ler e resenhar por aqui, mas eu não poderia deixar de falar sobre este livro que tive a honra de revisar, certo?
Para ser justa, este é um livro diferente por si só, uma vez que ele é bem interativo, daqueles que precisamos ler com um lápis na mão e papel também, caso você não tenha coragem de escrever no próprio livro. O importante, porém, é realizar as atividades propostas, caso realmente queira chegar ao final da leitura diferente de quando a começou.
Mas esta não é apenas uma obra que busca nos mostrar um caminho, pois a autora escolheu construir a narrativa de uma forma interessante. Apenas ouça começa com uma história real: a história de vida da própria Sandra. Mas calma, não é nada muito detalhado e você vai ver também que não é nada maçante. Aliás, o livro todo é bem curtinho e rápido de ler, sem enrolações, mas esse panorama da história da autora é importante para entendermos o percurso que ela traça e que ela nos convida a percorrer.
Depois de contar algumas passagens de sua infância, adolescência e início da fase adulta, Sandra Mello começa a nos apresentar, então, o seu método QC4, elaborado por ela, com o intuito de nos fazer tirar nossos planos do papel e concretizá-los. As histórias de vida não cessam neste ponto, continuam a nos servir de pano de fundo para entendermos o que fazer.
“São necessárias duas coisas para se encontrar o que se procura: a primeira delas é saber exatamente o que se busca e a segunda é estar pronto para receber”
O método recebe esse nome por ser dividido da seguinte forma:
Quando
Como começar
Como elaborar
Como administrar
Como concretizar
Outro ponto interessante deste livro é que além de apresentar a própria história, a autora também traz referências culturais que agregam ao que ela quer nos transmitir, mencionando, por exemplo, os clássicos “… e o vento levou” e “O mágico de Oz”.
Este é um livro, portanto, para quem precisa parar urgentemente de procrastinar e tomar as rédeas da própria vida, mesmo não acreditando que isso seja possível. Praticamente pegando na sua mão, a Sandra nos mostra como, apesar de tudo o que já ouvimos e mesmo fizemos, sempre é tempo de tomar novos rumos.
Se você está precisando dessa ajudinha, garanta aqui o seu exemplar físico (que permite uma experiência bem imersiva) ou o ebook abaixo:
Lembra daquela viagem pelo Brasil, com a Duplo Sentido Editorial? Se não sabe do que estou falando, clique aqui. Nós finalmente chegamos ao Sudeste e começamos por ninguém menos que ela, a minha cidade do coração: São Paulo.
“Aqui, parece que você pode ser qualquer coisa. Você pode fazer o que quiser e nunca vai ser a pessoa mais esquisita da rua”
Eu estava ansiosa por esse conto, porque uma coisa é ler sobre lugares que não conheço ou então que visitei em algum momento da vida, mas outra coisa totalmente diferente é ler sobre o lugar que nasci e cresci. Queria muito saber como São Paulo seria retratada e já adianto: amei! Mas leia até o final para entender porque.
“Essepê é uma cidade que engole tudo. Sotaques, rios, culinária, receitas de pizza”
Mesmo tendo nascido e crescido aqui, consigo entender o medo e o deslumbre experimentados por Gabriel, o protagonista que vem de uma pequena cidade do interior, pronto (ou não) para desbravar essa grande selva urbana.
“Bem, era a primeira noite de sua viagem. Possivelmente a primeira noite do resto de sua vida”
Foi impossível não sorrir lendo Alguma coisa acontece. São diversos trechos que retratam tão bem São Paulo e que talvez deixem quem não a conhece pensando “mas isso é possível?”. Spoiler: provavelmente sim, pois não vi nada absurdo na narrativa! *emoji de risos nervosos*.
“— Vocês enterraram um rio? — Eu pessoalmente, não. Mas, sim, enterramos, tipo, um monte”
Apesar dos sorrisos, esse conto também me deixou nostálgica, fazendo-me revisitar lugares que já foram tão cotidianos e que hoje parecem pertencer a outra vida. Senti saudade da São Paulo que não vejo há quase dois anos, mesmo ainda morando aqui. Mas vamos olhar para o lado bom, né? Isso só vem reforçar o quanto o conto é bem escrito e como a narrativa é gostosa de ler (e é mesmo).
“E, ali, aprendeu a terceira coisa: a estação da Consolação não dava na Rua Consolação”
Claro que a história não gira somente em torno da cidade, mas também da relação que está sendo construída entre Gabriel e Elliot, filho de uma amiga da mãe de Gabriel e que deveria recebê-lo, mesmo que os dois ainda não se conhecessem (e parecessem não fazer questão de se conhecer).
“Tinha energia ali, estalando nos ouvidos, fazendo a pele do garoto se arrepiar”
Aliás, Elliot deveria ter ido buscar Gabriel na rodoviária e não o faz. Mas, aos poucos, vamos entendendo o que aconteceu e percebendo mais uma característica de São Paulo: a cidade que pode ser assustadora até mesmo para quem sempre viveu nela.
“Ele pediu informação numa banca de jornal que parecia mais uma lojinha de doces, brinquedos e suvenires para turistas”
Por último, gostaria de destacar um trecho que ri muito lendo, porque eu juro que sempre imaginei isso (o que reforça meu senso de identificação com essa texto):
“Principalmente se você estivesse na estação da Luz, imensa, labiríntica e tão organizada que o garoto não se surpreenderia se alguma pessoa sinalizasse com seta e buzina quando quisesse sair do fluxo”
Se você não é de São Paulo, indico este conto para que você tenha um gostinho da cidade. E se você é de São Paulo, indico este conto para que você revisite lugares e reflita sobre o local em que vivemos, além de aprender um pouco mais. Ou seja: indico esse conto para qualquer pessoa que tenha uma mínima curiosidade sobre São Paulo.
“O lugar podia ser antigo e podia ter uma história interessante, mas por enquanto o caminho consistia basicamente em prédios feios alternados com prédios menos feios”
Título: Se essa coroa fosse minha
Autora: várias autoras
Editora: Publicação independente
Páginas: 250
Ano: 2021
Estando em contato com o trabalho de diversas editoras — principalmente pequenas — é comum que eu leia muitas antologias, pois esta é uma forma de publicação que tem suas vantagens para as duas partes (autores e editoras), coisa sobre a qual posso falar melhor em outro momento. Mas o ponto aqui é: eu nunca havia lido algo como Se essa coroa fosse minha e fico muito feliz de ter entrado em contato com esta obra (obrigada, Tayana Alvez, por ter participado dela).
“O povo precisa de alegria. De uma história para se apegar. De uma festa para se divertir. Eu não sou diferente”
(Se não a coroa cai — Maria Freitas)
O título talvez possa nos fazer pensar em algo que, muito provavelmente, está distante do que essa antologia retrata. Contudo, pode ser que uma boa olhada para a capa desta obra já nos faça notar algo de diferente.
“Nunca havia me passado pela cabeça que pessoas da realeza também possam sofrer com esse tipo de problema”
(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)
Se essa coroa fosse minha é uma antologia que reúne 6 contos, e se eu tivesse de escolher uma palavra para defini-la seria representatividade, uma vez que em todos os contos há protagonismo negro e sexualidades diversas.
“De onde eu venho, as pessoas são mortas por terem a minha cor e pensar em um homem negro matando toda a família por causa de uma coroa me assusta mais do que eu conseguiria descrever — desabafo”
O livro começa com o conto Se não a coroa cai, da Maria Freitas. Uma história que se passa num futuro (talvez) não tão distante.
“Jeremias me disse que esse objeto se chama “lápis” e que servia para escrever e desenhar nos tempos antigos. E o mais importante: as palavras escritas podem ser apagadas”
(Se não a coroa cai — Maria Freitas)
Ao lê-lo, já podemos compreender a que vem essa antologia: ao mesmo tempo em que ela nos mostra a realeza de uma perspectiva rara de se encontrar em livros, mesmo que eles sejam de ficção, Se essa coroa fosse minha também traz críticas e reflexões pertinentes às pessoas comuns como nós.
“Não sei de onde tiraram a ideia de que uma pessoa sozinha, sem um casamento, família, herdeiros e sei lá mais o que não pode comandar um reino”
(Se não a coroa cai — Maria Freitas)
O que eu mais gostei neste primeiro conto (e olha que é difícil escolher uma coisa só) foi o uso da metáfora da montanha-russa, que me deixou de queixo caído com o final da história também.
“E, meia hora depois, aqui seguimos nós dois, como as duas crianças que cresceram, mas nunca tiveram coragem de enfrentar os altos e baixos da montanha-russa”
(Se não a coroa cai — Maria Freitas)
O segundo conto é o da Tay Alvez, responsável por me fazer conhecer essa antologia. Chamado Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis, já dá para imaginar a força dessa história, não? E claro que este conto também já deixa claro outro ponto forte desta antologia: mostrar que a realeza nem sempre é um sonho e que não tem nada de perfeita.
“Eu não era uma princesa e um príncipe nunca iria me salvar. O que era bom, porque eu não precisava mesmo ser salva”
Ao mesmo tempo que tem um romance gostoso de ler, esse é um conto com passagens angustiantes e recheado de trechos que nos fazem refletir, inclusive sobre o racismo que é ainda tão forte no Brasil.
Depois nos deparamos com o conto Não pedi para ser princesa, da Letícia Rosa. O próprio título já reforça o que destaquei acima, sobre a realeza nem sempre ser um sonho, mas aqui um novo ponto fica evidenciado: a questão de que, até pouco tempo, não tínhamos acesso a histórias de príncipes e princesas negros, algo que essa antologia tenta, portanto, mudar.
“Mas já faz tempo que eu não acredito em contos de fadas. É o que acontece com pessoas negras à medida que crescem”
(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)
Para além disso, este conto também fala sobre relações familiares de uma forma bem interessante e, claro, forte.
“A verdade é que somos duas completas desconhecidas. Não somos avó e neta e não seremos do dia para a noite”
(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)
Este é um conto que também tem uma metáfora que eu adorei. Aqui, a autora usa o sorvete para transmitir a sua mensagem e eu quase gritei com o final, porque ele é aberto e eu só queria mais.
“Pode me trazer outro, por favor? De baunilha, morango e… — Penso um pouco, eu ainda poderia mudar e continuar a ser eu mesma. — Limão”
(Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa)
O quarto conto chama-se A paixão de Orie foi escrito pela Camila Cerdeira, uma autora que, até então, eu não conhecia, mas que já adorei poder ler. Ela conseguiu mesclar elementos muito interessantes e a história se passa nos tempos atuais, o que torna tudo ainda mais bacana de se ver.
“A quarentena me roubou muitas coisas. O pingado na padaria antes do trabalho, as cervejas na sexta depois da faculdade, os domingos de praia, nossa barraca favorita para fofocar sobre os fracassos amorosos com as poc. E mesmo assim, correndo o risco de parecer um hetero crossfiteiro, o que mais sinto falta são os treinos de Muay Thai”
(Paixão de Ori — Camila Cerdeira)
Além de também retratar questões familiares complicadas (e extremamente palpáveis), este conto traz uma paixão muito forte e que surge de uma maneira que é difícil não se identificar.
“Merda, eu estava me importando com ela. Quando eu começava a me importar com alguém assim, só podia significar uma coisa. Eu estava lascada”
(Paixão de Ori — Camila Cerdeira)
E talvez já tenha dado para perceber, mas com essa história, apesar do nó na garganta em alguns momentos, a risada também está garantida.
“Desgraça? Isso é praticamente o começo de uma fanfic, Bah. Uma princesa de verdade bateu na tua porta enquanto tu lava a louça”
(Paixão de Ori — Camila Cerdeira)
Em O peso da coroa, quinto conto desta antologia, escrito por Laura Machado, temos uma história mais introspectiva, de uma princesa um pouco mais solitária, mas que está a vida toda em busca de uma única pessoa.
“Enquanto ela se afastava de mim, eu tinha me apaixonado por ela”
(O peso da coroa — Laura Machado)
Nesta história é impossível não sentir, como o próprio título já nos indica, o peso de uma coroa real. E olha que esse tema já vinha sendo trabalhado em todos os outros contos, sempre desmistificando a nossa visão “Disney” da realeza, mas quando chegamos neste conto, tudo parece ficar ainda mais denso.
“A Coroa era mais importante do que minha vontade de ir brincar com as outras garotas no pátio, de querer dormir no mesmo andar que elas, ter as mesmas aulas”
(O peso da coroa — Laura Machado)
Por fim, em Adoro um amor inventado, escrito por Lyli Lua, temos duas protagonistas que são praticamente a personificação de “os opostos se atraem”. A narrativa fica muito bem equilibrada entre a irreverência de uma e a seriedade da outra, ainda que, aos poucos, a gente vá compreendendo as máscaras que cada uma precisa vestir nessa história.
“Pela primeira vez decidia me abrir com alguém, e tudo parecia que ia dar muito errado”
(Adoro um amor inventado — Lyli Lua)
A gente passa a leitura desse conto todo na expectativa de onde vai dar essa história de casamento fake que elas inventaram…
E é isso: vou terminar minha resenha por aqui porque quero sim te deixar com vontade de ler esta obra. E, mais do que isso, indico fortemente a leitura da mesma! Ótima para nos fazer pensar em diversas formas de amor, em racismo, em visões romantizadas que talvez tenhamos sobre princesas e príncipes. Para saber mais, clique aqui.
Você chegou a ler minha resenha de O que restou de mim, do autor Abraão Nóbrega? Se não leu ainda, não deixe de passar lá! Mas se você ainda está em dúvida se vale a pena saber mais sobre esse livro, trarei aqui os trechos que não couberam na resenha. Depois disso tudo, duvido você não querer mais.
“Tudo ficou perdido num espaço entre o passado e o presente”
Apesar de retratar muito bem as dores e os sentimentos do fim de um relacionamento, O que restou de mim não se resume a isso.
“Espero que tuas estradas te guiem para a felicidade, pois, embora tenha partido o meu coração, nunca quis que partissem o teu”
“Você me abraçou como ninguém nunca o fez e, por um momento, fomos a fortaleza um do outro”
Este é, também, um livro sobre força.
“Em algum momento deixará de doer como agora”
“Os machucados ainda estão todos aqui. Uns mais recuperados que outros, porém nunca me abandonaram de fato”
Mesmo carregando, em suas palavras, uma profunda tristeza.
“Faz muito tempo que estou no escuro. E ele é assustador”
“Não sabia como lidar com aquela tempestade e com a dor que não era sua, mas que você tinha deixado para mim”
A verdade é que esse um livro palpável, sincero.
“Eu te amei achando que seria para sempre, e talvez realmente venha a ser. Mas um amor solitário, partido. Como uma chave quebrada que não abre caminho”
“Se você não tivesse desistido de mim, quem sabe o que eu poderia ter feito?”
Retrata sentimentos que qualquer pessoa que ama, em algum momento e medida, está sujeita a sentir e viver.
“Eu já não amo você. Amo a dor que me deixou”
“Pois, se há uma coisa certa, é que / só morrendo para se despedir de um grande amor”
Eu gosto do impacto que a poesia do Abraão tem, tornando impossível não querer destacar todo o livro.
“Tudo o que eu conheço é a dor, a minha dor, e já não tenho memórias do mundo sem ela”
“Como ficaria bem se uma parte de mim quebrou inteiramente?”
E gosto ainda mais pelo fato desse ser um livro extremamente contemporâneo e por falar das saudades que sentimos hoje.
“Eu sinto saudades, ah, como eu sinto. De quando eu não temia o dia de amanhã, de quando eu não temia uma dor de cabeça qualquer, ou de quando eu não temia sair de casa”
“Eu sinto saudades, em todos os dias dessa nova vida. De quem eu era e podia ser. De quem eu amava e podia amar. E de como eu vivia e podia viver”
Enfim, O que restou de mim é um livro realmente lindo, com um projeto gráfico maravilhoso, pensado nos mínimos detalhes. Você pode adquirí-lo na versão física, diretamente com o autor, ou então aqui (ebook).
Se existe uma resposta correta para a pergunta acima é: depende. Mas, antes que você vá embora, deixe-me tentar explicar!
Dedicar-se ao aprendizado de um novo idioma é algo muito importante, principalmente neste mundo cada vez mais globalizado em que vivemos. Mas precisamos levar em consideração alguns pontos, para tornar esse momento ainda mais prazeroso e eficaz e foi por isso que resolvi escrever este post que, espero eu, pode ser útil para você que está querendo começar esta jornada.
Como eu disse, não existe uma resposta certa para a pergunta “o que é melhor: fazer aula em grupo ou aula particular?”, mas existem alguns aspectos — que tratarei abaixo — que você pode levar em consideração no momento da escolha, e que determinarão o que é melhor para você.
Objetivos
Em primeiro lugar você precisa ter em mente porque quer aprender uma determinada língua.
Muitas pessoas dão início ao aprendizado de uma nova língua com um objetivo bem específico: uma prova, trabalho, intercâmbio. Dependendo do quão específico for o seu objetivo, o ideal é buscar aulas particulares, porque o professor terá maior liberdade para trabalhar aquilo que você precisa e, assim, você chegará mais rapidamente e com mais sucesso naquilo que deseja.
Por outro lado, se você quer aprender uma nova língua por curiosidade ou para poder, em algum momento, se comunicar (em sentido bem amplo mesmo) com ela, um curso em grupo pode ser a melhor opção, já que você terá mais momentos de trocas enriquecedoras.
Tempo
Outro fator muito importante na hora de escolher entre aulas particulares ou em grupo é a questão do tempo, que aqui pode ser dividido em dois tipos: o tempo que você quer levar para aprender de verdade a língua (isto é, chegar a um nível avançado no aprendizado) e o tempo que você tem, rotineiramente, para se dedicar aos estudos. Mas vamos com calma!
Acho que, em primeiro lugar, é preciso lembrar que você não vai sair do zero e chegar ao avançado em apenas seis meses. Principalmente se você não se dedicar muito a isso. Mas, com aulas particulares, você tem chances de aprender mais rapidamente do que nas aulas em grupo, porque toda a atenção do professor estará voltado para as suas dificuldades (e também facilidades). Por outro lado, também existem alguns cursos nos quais você pode aprender com relativa rapidez muita coisa, só realmente tome cuidado para não se enganar com propagandas que prometem “milagres”.
E aqui entramos no segundo ponto relativo ao tempo: quanto mais você se dedicar, mais rápido será o seu aprendizado, claro! E não apenas isso: quem realmente se dedica para além da sala de aula, obtém resultados melhores.
A diferença crucial entre aulas em grupo e particulares, porém, creio que esteja na flexibilidade: uma aula em grupo terá sempre um horário fixo e se você não puder cumpri-lo em algum momento, terá de arcar com o prejuízo. Já em aulas particulares há uma possibilidade maior de remanejamento. Claro que tudo dependerá não somente da sua agenda, mas também da agenda do professor e de qual é o acordo que vocês estabeleceram desde o início. Ainda assim, a chance do aluno “ficar no prejuízo” é menor, pois nenhum conteúdo ficará para trás.
Se o seu cotidiano é um pouco mais caótico, sem uma rotina muito organizada, sugiro que você opte por aulas particulares, para não pagar por aulas em grupo que dificilmente frequentará. Por outro lado, se você sabe bem como são seus horários, basta escolher um curso que se encaixe neles e provavelmente você não terá grandes problemas.
Metodologia
Este é um aspecto que depende um pouco mais de seu autoconhecimento, bem como demanda que você saiba compreender as propostas que te forem apresentadas.
Algumas pessoas aprendem melhor lendo; outras, escrevendo. Há quem precise ouvir muito para aprender e há quem precise falar ou repetir oralmente algo. A verdade é que cada ser humano é único e as formas de aprender são muito variadas. E se você já tem consciência de como estuda e aprende melhor, certamente terá mais facilidade para encontrar um curso ou um professor que atenda às suas exepctativas.
A boa notícia é que os diversos professores (e cursos) também têm se atentado a isso e buscado formas de facilitar o aprendizado, seja de seus alunos individuais, seja de seus grupos. O único ponto que requer atenção aqui, portanto, é quando você busca um curso (individual ou em grupo) em escolas, porque elas costumam ter uma metodologia que o professor precisa seguir e que nem sempre é a melhor para você.
Por isso, informe-se bastante! Pergunte como funcionam as aulas, que materiais você terá à disposição (há metodologias nas quais, por exemplo, o aluno não pode escrever nada durante a aula, então se você é uma pessoa que sente necessidade de escrever, esta não é a melhor opção!), o quanto você e o professor têm de liberdade para construir esse caminho.
Investimento
Um fator que pode ser decisivo na sua escolha é o quanto você pode investir nos seus estudos. Ainda assim, com a variedade que encontramos hoje em dia, é possível apenas unir esse fator aos demais e realizar-se na sua escolha.
Em geral — mas não sempre — aulas em grupo tendem a ser mais baratas que aulas individuais. A lógica é simples: em um grupo temos mais pessoas para pagar por aquilo que, numa aula particular, você teria de pagar sozinho.
Mas, como eu disse, pode acontecer de você encontrar um professor particular que cobre pouco, ou então um curso que seja caríssimo. E é por isso que esse fator deve ser analisado com os outros e não individualmente. Até porque, existe o famoso barato que sai caro…
Conforto
Fiquei em dúvida se deveria colocar este item logo no início ou trazê-lo aqui por último porque, no final das contas, ele pode ser determinante. Ao escolher entre aulas particulares ou em grupo, é crucial que você pense no seu conforto: há pessoas que não se sentem tão ao vontade estando sozinhas com o professor, enquanto há outras que acabam ficando muito mais “travadas” quando há outras pessoas na turma.
Talvez, para saber o que é melhor para você com relação a este aspecto, o ideal seja experimentar. Provavelmente você já tem mais intimidade com aulas em grupo (afinal, nossa formação toda é basicamente em grupo, convenhamos), então busque experimentar também aulas particulares. Muitos professores oferecem uma aula experimental gratuita ou por um preço menor e esta é uma boa forma de te ajudar a escolher antes de iniciar esta jornada.
Acho que eu consegui explicar porque a pergunta título deste post não tem uma resposta certa, né? E se você ainda tem alguma dúvida, deixe de nos comentários, quem sabe eu ainda possa te ajudar (é bem provável que eu tenha esquecido de algo enquanto escrevia esse post).
Aproveito para lembrar que eu dou aulas de italiano! Se você tem interesse em aprender esse idioma maravilhoso e, depois desse post, percebeu que prefere aulas particulares, é só entrar em contato comigo. Mas se você percebeu que prefere aulas em grupo… Trago boas notícias!
Ainda em 2021 você pode iniciar seus estudos de italiano, em grupo, online (ou seja, você pode fazer aula de onde quiser!). As aulas acontecem no períodos noturno (das 18:20 às 19:50 ou das 20:00 às 21:30), duas vezes por semana (segundas e quartas ou terças e quintas) e contam com muita interação, diversão e, claro, aprendizado. Você consegue fazer um módulo inteiro em apenas dois meses, ou seja, se você não sabe nada de italiano, até o final do ano você já vai conseguir se comunicar um pouquinho na língua!
Se você se interessou, preste atenção: as inscrições vão até o final desta semana e as aulas já começam semana que vem (dias 4 e 5 de outubro). O valor do curso é de R$360 para os dois meses de aula, com material incluído. Há vagas para todos os níveis da língua (não somente para iniciantes), conforme os horários disponíveis nos formulários de inscrição que deixo abaixo:
E se você chegou aqui depois do dia 05 de outubro de 2021, não tem problema: dá uma passadinha na página Aprenda Italiano aqui do Blog. Ou, novamente, entre em contato comigo que será um prazer te ajudar a começar ou retomar os estudos dessa língua!