Título: No coração de um assassino
Autor: Davi Busquet
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021
A resenha de hoje é para quem gosta de um bom thriller. Mas daqueles de nos deixar de queixo caído mesmo!
Se você já leu a antologia Serial Killer: a verdadeira face do mal, publicada também pela Editora Lettre, talvez se lembre do conto O sangue. Ele já é surpreendente por si só, e é o prólogo desta obra, que irá trabalhar sobre o serial killer ali apresentado.
“Alguns homens não precisam de motivos, perfis de vítimas, traumas de infância ou distúrbios psiquiátricos para fazer o que fazem — alguns simplesmente são cruéis”
Em No coração de um assassino entramos em contato com a vida de Hermanni, um rapaz relativamente jovem, um pouco solitário, e que vai no contando sua vida, fazendo-nos chegar a sentir pena dele.
“A Hermanni, mais uma vez, restava-lhe somente chorar”
O livro é dividido em duas partes, além de ter um prólogo — que já mencionei — e um epílogo.
Na primeira parte, somos apresentados a alguns flashes da vida do protagonista da obra. São alguns momentos específicos — quase que aleatórios — mas que parecem ser importantes para a construção deste personagem.
“Tanto o coração em seu peito, quanto a comida em seu colo esfriaram, com o ar noturno soprando para longe as cinzas, o cheiro de queimado e os planos tão cuidadosamente pensados ao longo de tanto tempo”
Como eu disse, esses momentos no fazem sentir certa pena de Hermanni — ao menos comigo foi assim — e quase nos fazem esquecer o tipo de livro que estamos lendo.
“Era incrível que uma única gaveta tivesse tanto para dizer e o fazia de maneira silenciosa, para um menino mais calado que a cômoda”
Mas então a segunda parte chega sem aviso prévio. Digo, a separação no livro é bem clara, mas não sei se eu estava preparada para o que viria. Não sei se eu imaginava que a divisão em partes representava uma quebra tão grande e, ao mesmo tempo, tão clara para uma pessoa minimamente mais esperta que eu (o que não é difícil, convenhamos).
“Você mesma disse: algumas coisas têm que ser arrancadas do jardim, para que outras cresçam em seu lugar”
Nessa segunda parte, todas as pontas são atadas e muitas revelações são feitas.
Realmente, me surpreendi com a forma como o autor conduziu e construiu essa história. Tendo lindo a antologia que mencionei no início desta resenha, também adorei as inserções nada forçadas que o autor colocou de outros contos em sua obra. Uma homenagem muito bonita e uma criatividade sem igual. Se você gosta de caçar easter eggs recomendo a leitura de Serial Killer: a verdadeira face do mal e, em seguida, a leitura de No coração de um assassino.
Li a obra em formato ebook e gostei bastante da diagramação. Já adquiri a versão física e estou ansiosa por ela, porque sei que tem detalhes ainda mais bonitos e caprichados. E, por falar nisso, a obra está em pré-venda até amanhã, sendo possível adquiri-la por um preço promocional. O frete é gratuito para todo o Brasil e hoje ainda foram anunciados alguns brindes exclusivos para quem adquirir nessas últimas 48 horas.
“Ele compreendeu, a duras penas, que nada é para sempre”
Para conhecer um pouco mais o autor e acompanhar os trabalhos dele, sugiro que você leia a entrevista postada no blog da Editora Lettre e que siga-o no Instagram.
“Apesar de tudo, a dor cedeu e outra maior tomou o seu lugar”
“O que os italianos leem” é uma pergunta que vira e mexe salta em minha cabeça — tanto é que fui conferir se eu realmente nunca havia traduzido um artigo do tipo —, principalmente quando ouço as pessoas dizendo que brasileiro não lê, que nós não valorizamos a nossa literatura. Pergunto-me se é assim apenas aqui ou em todo o mundo (ou ao menos em outros lugares do mundo).
Nas minhas buscas por artigos para traduzir para este espaço do blog, já me deparei mais de uma vez com afirmações de que os italianos leem pouco. Sim, a mesma afirmação que fazemos sobre nós mesmos. Faltava responder apenas o que, afinal, leem os italianos.
Por isso, no post de hoje, trago a tradução deste artigo, escrito por Enzo Scudieri e postado em 21 de novembro de 2020 no site habitante.it. Para ler o original, basta clicar aí em cima, no “deste artigo” que você chegará ao post em italiano. E vamos à tradução?
Ler livros é uma forma de viajar para milhares de mundos diversos, conhecer pessoas e apaixonar-se por histórias. Mas qual é a relação dos italianos com a leitura, o que e quanto leem?
Os italianos amam ler?
A paixão pela leitura te impede de dormir à noite, porque você está tão arrebatado por aquilo que está lendo que não quer parar; amar os livros significa comprar novos exemplares, mesmo já tendo a casa invadida por livros que você ainda precisa ler. Ler ajuda a abrir a mente e desenvolver ideias; a cultura da leitura gera progresso social, econômico e, obviamente, cultural.
Através das últimas estatísticas sobre o que os italianos leem, descobrimos que lê-se mais no norte, entre as mulheres e entre pessoas com mais títulos acadêmicos. As compras de livros são direcionadas prevalentemente aos romances e contos, de faixa econômica médio-baixa.
O relatório publicado pelo Istat* em 2019 sobre Produção e leitura de livros na Itália revela que 40,6% da população lê ao menos um livro por ano, dado estável no último triênio. 78,4% dos leitores leem só livros físicos, 7,9% somente ebook ou livros on line.
Diferentemente daquilo que se pode imaginar, a quantidade mais alta de leitores continua a ser aquela dos jovens: em 2018, os leitores entre 15 e 17 anos eram em 54,5%, quantidade em crescimento em relação aos 47,1% de 2016. Entre homens e mulheres existe uma lacuna relevante: o percentual de leitoras é de 46,2% contra 34,7% de leitores. Em absoluto, porém, o público mais afeiçoado à leitura é representado por garotas entre 11 e 19 anos (mais de 60% leu pelo menos um livro no ano).
O que os italianos leem?
Os rankings falam claramente e, deixem-me dizer, são sempre muito iguais ano a ano. Existem autores que estão sempre no “top ten”: Smith, Camilleri, Tamaro, Grishmam. Depois estão os personagens do momento, aqueles que escrevem livros para desfrutar de uma notoriedade sazonal, autores no estilo Fabio Volo, por exemplo.
Nunca faltam nos rankings, também, escritores como Stefano Benni e Beppe Servagnini. E não nos esqueçamos, depois, de toda a vertente bibliográfica de personagens famosos, muitas vezes ainda vivos, que decidem, justamente, escrever um livro para contar a sua história.
Fecharei esta lista com os agora indispensáveis livros de cozinha: encontramos um pouco de tudo, dos chef famosos para o grande público, graças às participações em realityshows, à vizinha de casa, que conta no seu blog as receitas da avó. E o sucesso do blog é, então, traduzido em livro.
As grandes livrarias
As livrarias de grandes redes geralmente estão cheias de pessoas entre as prateleiras, curiosas ou ocupadas, folheando um livro ou bebendo um café na cafeteria da própria livraria. Nos últimos anos, de fato, assistimos a uma transformação das livrarias em verdadeiros “centros comerciais”.
Feltrinelli, Mondadori, Mel Bookstore, Giunti al punto, apenas para citar algumas, abandonaram as aparências de simples livrarias. Tudo é dividido, separado e exposto em setores específicos, identificados por placas realmente muito similares àquelas das seções dos supermercados: em evidência é possível encontrar imediatamente os livros do ranking nacional e também os inesquecíveis “conselhos” de compras.
E, caminhando pelas seções, pode-se encontrar também toda uma oferta de multimídias como dvd, cd e videogame. A seção de papelaria também tem uma oferta muito rica de canetas, agendas, cadernos e papéis de vários tipos e cores. Essas redes, se por um lado multiplicam a oferta e a enriquecem com outras comodidades, por outro correm o risco de perder sua vocação original e a relação de confiança livreiro-leitor.
As livrarias independentes e lojas online
Do relatório ISTAT surge, porém, um dado contraditório. As modalidades de distribuição consideradas mais estratégicas pelos editores são as livrarias independentes, os canais de distribuição online e os eventos como feiras, festivais e salões de leitura.
As grandes distribuições organizadas (supermercados, grandes lojas) e os pontos de vendas genéricos (bancas, papelarias, autogrill, correios) são considerados canais de distribuição relativamente menos eficazes para aumentar a demanda e ampliar o mercado editorial.
Os editores, além disso, estão investindo sempre mais, também, na oferta de títulos em formato e-book: o percentual de obras publicadas em formato físico, disponíveis também em versão digital, em apenas dois anos, passou de 35,8% a quase 40%. A versão digital é mais comum para:
aventura e suspense (82,1%)
informática (62,9%) e matemática (61,4%)
atualidade político-social e econômica (56,1%)
Os grandes editores publicam mais de 90% dos livros em formato e-book, com uma cobertura de obras publicadas fisicamente de 45,8%.
Lê-se mais no Norte e nas grandes cidades
No Norte, uma pessoa a cada duas, na Sicília, só uma a cada quatro. A leitura está muito mais difundida nas regiões do Norte: 49,9% das pessoas que moram no Noroeste leu pelo menos um livro e 48,4% no Nordeste. No Sul, a cota de leitores cai para 26,7% enquanto nas ilhas observa-se uma realidade muito diferente entre a Sicília (24,9%) e a Sardenha (44,7%).
O hábito da leitura, além disso, é muito difundido nas cidades centrais de áreas metropolitanas, onde declaram-se leitores pouco menos da metade dos habitantes (49,2%) enquanto a cota cai para 36,1% nas cidades de menos de 2 mil habitantes.
O nível de instrução também se confirma como um elemento determinante: leem livros 73,6% dos graduados, 46,7% dos diplomados e só 26,5% dos que possuem acima do nível elementar.
A leitura é mais fortemente influenciada pelo ambiente familiar: as crianças e adolescentes são certamente favorecidos se os pais têm esse hábito. Por exemplo, entre os jovens abaixo de 18 anos, 74,9% entre quem tem mães e pais leitores e só 36,2% entre aqueles que têm ambos os pais não leitores.
Pílulas de curiosidade. Eu não sabia e você?
As bibliotecas mais frequentadas da Itália são aquelas do Trentino Alto-Adige e do Valle d’Aosta.
As motivações que encorajam as pessoas a irem a uma biblioteca são “pegar um livro emprestado” (57,1%) e “ler e estudar” (40,1%).
Na Itália são cerca de 8 milhões e 960 mil pessoas que foram a uma biblioteca pelo menos uma vez por ano.
* O ISTAT é o Instituto Nacional de Pesquisa italiano (o correspondente ao nosso IBGE) e eles sempre têm dados sobre os mais diversos assuntos.
E aí, o que achou deste artigo e dos dados que ele traz? Você imaginava algo assim?
Para começar a semana, resolvi responder uma TAG que vi ano passado no blog Meow Books e que, na época, pensei que um dia poderia responder. Será que eu consigo? (sim, porque eu sempre me empolgo com TAG’s que acho criativas, mas depois nunca sei muito bem o que responder…).
Como o próprio nome já diz, a ideia é pensar em livros relacionados aos dias da semana, de acordo com as categorias elaboradas por quem criou a TAG (e, como eu disse, muito bem pensadas).
Domingo – Um livro que você não quer que termine ou não quis que terminasse
Eu costumo dizer que tem livros que os personagens me acompanham por alguns dias, mesmo depois de concluída a leitura. Isso geralmente significa que a história foi gostosa de ler, imersiva e que eu me senti amiga deles. Isso aconteceu com O demônio no campanário, da Michelle Pereira, livro que eu sempre indico para todo mundo (e se você ainda não tinha me visto indicar, aqui está a sua chance de conhecer esse livro incrível).
Segunda – Um livro que você tem preguiça de começar
Não sei se preguiça ou medo, mas já até cheguei a tentar e ainda não fui adiante, o grande clássico da literatura brasileira: Grande Serão Veredas (Guimarães Rosa). Acredito que existam momentos certos para lermos determinadas obras. Quem sabe um dia, né? Dizem que este é um livro que realmente precisa-se superar as primeiras muitas páginas. Como não ando conseguindo ler nem mesmo coisas mais leves, talvez seja melhor adiar mais um pouco essa leitura.
Terça – Um livro que você empurrou com a barriga ou leu por obrigação
Por falar em clássicos da literatura brasileira… Um livro que eu li por obrigação, empurrando com a barriga e que, por fim, não terminei de ler, foi Iracema (José de Alencar). Tive que ler ele para a escola (e, em tese, para o vestibular), mas não consegui chegar até o final não.
Quarta – Um livro que você deixou pela metade ou está lendo no momento
Quinta – O livro de quinta. Um livro que você não recomenda
Para não ser injusta, vamos de livro internacional, né? Há quem ame e quem odeie, sou desse segundo time: Uma casa no fundo de um lago (Josh Malerman). Ok, sou da opinião que odiar é uma palavra muito forte, mas essa foi uma obra que não me convenceu e que, com certeza, seria uma das últimas que eu indicaria a alguém que me pedisse sugestões de leitura.
Sexta – Um livro que você quer que chegue logo (lançamento ou compra)
Sábado – Um livro que você quis começar novamente assim que ele terminou
Geralmente eu sinto muito isso com livros de suspense/thriller, por perceber que havia coisas lá do início (que nem sempre lembro com clareza) que faziam mais sentido do que poderia parecer em um primeiro momento. Mas, de cabeça, a obra que eu consigo mencionar aqui não é desse gênero: Os doze signos de Valentina, da Ray Tavares. Foi um livro que gostei bastante e que leria de novo logo em seguida só para ter mais e mais dele comigo.
E aí, conhece alguma das obras que eu mencionei? Quais seriam os seus escolhidos?
Recentemente, escrevi uma resenha do conto Poeira Estelar, da Gabriela Araujo, publicado de maneira independente, na Amazon, em 2020.
Como espero ter deixado claro na resenha, esta foi uma história que me conquistou aos poucos, deixando-me totalmente encantada ao final da leitura. Uma narrativa daquelas que aquecem o coração e que realmente surpreendem bastante.
“Em todos os momentos Marta sabia que não tinha controle sobre a velocidade nem sobre o seu destino, mas aquilo não a perturbava”
É fácil notar estes meus sentimentos pela quantidade de trechos da obra que destaquei. E como muitos ficaram de fora da resenha, trago-os aqui para que você também possa sentir esse gostinho e se animar a ler o conto inteiro (indico de verdade a leitura).
“Questionava-se quantas histórias deixou de viver porque foi somente cedendo ao que a vida parecia pedir”
Eu gosto muito — e acabo ficando bem reflexiva — quando leio histórias que falam sobre as nossas escolhas e sobre como deveríamos ser quem queremos ser e não quem os outros querem que sejamos. Tenho o péssimo hábito de tentar a agradar a todos, deixando-me em segundo plano, e histórias assim me fazem pensar sobre isso.
“Nunca pôde ser a mulher que era, pois estava muito ocupada falhando em ser a mulher que queriam que fosse”
Mas Poeira Estelar é encantador porque também mostra, de maneira muito palpável, o processo de amadurecimento de uma garotinha, e como esse crescimento nos faz deixar a criança que há em nós (e, muitas vezes, os sonhos que carregamos) para trás.
“Ela largou de bobagem, como sua amiga diria, e manteve seu foco no futuro que podia traçar. O preço disso foi algumas noites em claro e dias no escuro”
Em mais de um ponto, aliás, a história fala sobre perdas e despedidas, das mais variadas.
“Marta sentia cada vez mais que a vida era uma permanente coleção de despedidas e temia chegar em um ponto em que não teria mais nada”
E a verdade é que esses dois assuntos que acabei de mencionar — o do amadurecimento que nos faz deixar sonhos para trás e o das perdas —, misturam-se de maneira muito bonita na história.
“E evitar mudanças era como tentar segurar a areia entre os dedos. A cada perda, ela foi se despedindo dos próprios sonhos até quase se despedir de si”
Se você ainda não se convenceu a ler Poeira Estelar, mais uma coisa que achei muito bonita na história: o fato da protagonista não apenas crescer (em tantos sentidos), mas também o fato dela ter mudado de cidade, o que a faz viver ainda mais desafios do que ela já vivia. Se você já passou por isso, provavelmente irá se identificar (eu nunca me mudei, sequer de casa ainda, mas as palavras de Poeira Estelar conseguem transmitir muitos dos sentimentos envolvidos).
“Ela se mudou para a cidade e se mudou de si, porque não reconhecia mais a pessoa na qual aos poucos se transformava”
Fazer perguntas em italiano não é nenhum bicho de sete cabeças para nós, falantes de língua portuguesa, porque, neste caso, essas duas línguas comportam-se de maneira muito parecida e sem pegadinhas.
Para fazer uma pergunta em italiano podemos, por exemplo, apenas mudar a entonação de uma frase, como fazemos no português. Dizer “tudo bem” e “tudo bem?” são coisas diferentes que, na língua oral se distinguem pela entonação e, na escrita, pela interrogação. No italiano, podemos fazer a mesma coisa: “tutto bene” e “tutto bene?”.
Às vezes, também podemos acrescentar uma(s) palavrinha(s) ao final da frase, que irá transformá-la em uma pergunta. Por exemplo, em português, posso dizer: “você gosta de sorvete” ou “você gosta de sorvete, não é verdade?”. Em italiano, temos essa mesma possibilidade: “ti piace il gelato” ou “ti piace il gelato, non è vero?”.
Por fim, podemos fazer perguntas usando os pronomes interrogativos, como os do português: “quem?”, “como?”, “quando?”, “por quê?” e assim por diante.
I pronomi interrogativi in italiano
Em italiano, temos os seguintes pronomes interrogativos:
Chi? [quem?]
Dove? [onde?]
Come? [como?]
Che? [o quê?]
Quando? [quando?]
Perché? [por quê?]
Quanto? [quanto?]
Quale? [qual?]
Vejamos esses interrogativos em exemplos:
Con chi vai al mare? [Com quem você vai para a praia?]
Dove l’hai trovato? [Onde você o encontrou?]
Come si dice…? [Como se diz…?]
Che ne dici? [O que você acha?]
Quando torni a casa? [Quando você volta para casa?]
Perché non hai fatto i compiti? [Por que você não fez as tarefas?]
Quanti giorni hai di vacanza? [Quantos dias você tem de férias?]
Quali sono i risultati? [Quais são os resultados?]
É importante lembrar que se você for pedir informações ou perguntar qualquer coisa a uma pessoa desconhecida, na Itália, é sempre importante prezar pelo tratamento formal, que já expliquei neste post.
E agora, mãos à obra! Complete cada frase com o pronome interrogativo correto, dentre aqueles apresentados neste post (é possível haver mais de uma resposta correta):
Di _____ stai parlando?
_____ conosce questo posto?
_____ devo pagare?
_____ frutta preferisci?
_____ il mio portafoglio?
Non vieni con noi in montagna _____ ?
_____ bicicletta mi consigli?
_____ possiamo incontrarci?
Quer saber se acertou o exercício acima e ver a tradução das frases? Então aproveite as respostas no arquivo abaixo. E, se tiver dúvidas, é só comentar o post que será um prazer ajudar!
Este post traz a você que é freelancer ou autônomo, uma dica que pode ser muito útil (ao menos para mim foi e tem sido).
Desde 2020 eu sou MEI, isto é, uma Micro Empreendedora Individual. Trabalho para mim mesma, faço meu horário, invento uma rotina. O que pode parecer um sonho, porém, nem sempre é: ser freelancer exige muita organização, muito jogo de cintura e muito planejamento.
Caí nesse mundo quase que de paraquedas, porque a vida inteira imaginei que trabalharia em algum lugar, com estabilidade, 30 dias de férias por ano, salário fixo caindo mensalmente, décimo terceiro… Acabei, porém, não tendo uma experiência tão agradável assim nesse sentido. Já contei um pouco sobre a minha demissão e sobre o que veio depois lá no Linkedin.
Quase que por acaso, porém, justamente no ano passado, conheci o perfil do Freela School, no instagram. Vi esse nome marcado nos stories de uma pessoa que eu seguia e logo fui fuçá-lo, porque por mais que eu estivesse tentando me organizar aos poucos, ainda sentia que tinha muito a trilhar. A verdade é que, como freelancer, sempre temos ainda muito a trilhar.
Só o conteúdo disponível gratuitamente nesse instagram já me fez pensar muito e providenciar algumas coisas que, em 2021, me permitem ter um pouco mais de tranquilidade do que eu tinha antes. Claro que ainda falo de um lugar extremamente privilegiado, pois moro com meus pais e não tenho de pagar contas todo mês, o que me dá mais tempo disponível e mais condições de organizar um planejamento financeiro adequado.
Para além do que é postado no instagram, o Freela School também tem muito conteúdo gratuito disponível em seu blog e, para quem quiser/puder investir um pouco mais, há opções de mentorias e cursos pagos. Eu ainda não dei esse passo de pagar por um dos cursos, mas eles sempre são bem atraentes.
No começo, eu achava que havia uma super equipe por trás desse projeto, mas aos poucos fui descobrindo que, até pouco tempo, ele era basicamente conduzido pela sua idealizadora, Denise Saito, que atuava, antes do Freela, como designer, área para a qual há bastante conteúdo na página também.
O Freela School, porém, é uma página que pode ajudar freelancers de qualquer área, nos fazendo pensar sobre nossas finanças, planejamento e organização. Foi a Denise que me abriu a cabeça para o fato de que, se eu sou minha chefe, tenho que me tratar como minha funcionária, me pagando um salário mensal, férias, décimo terceiro… Tudo aquilo que eu achava que só seria possível trabalhando em uma empresa e tendo um chefe que não fosse eu mesma.
Dependendo da área na qual atuamos, a vida de um freelancer pode ser um pouco solitária e angustiante, mas com o Freela School vemos que não precisa ser assim. A Denise sempre nos mostra convidados em seus conteúdos, nos mostrando como é possível — e muito importante também — criar uma rede.
Você já conhecia o Freela School? O que achava ou o que achou agora que conheceu?
E quem também tem compartilhado conteúdos bacanas sobre a rotina de freelancer, mais especificamente do universo editorial, é a Camila, do A Bookaholic Girl. Vale a pena conferir!
Para uma pessoa que lê bem mais prosa do que poesia, até que esse ano (e ainda estamos no primeiro semestre) posso dizer que já li muitos bons versos. Depois da antologia poética Girassol, agora é a vez de uma obra solo, escrita por Maitê Rosa Alegretti.
Ler Titubeio não é apenas uma experiência literária, mas também sensorial. Os versos são impressos como quem dança, e as palavras misturam poesia, sentimento, corpo e natureza.
A obra é bem curta, mas feita para se apreciar aos poucos, um poema por vez, saboreando também o trabalho gráfico do livro, que vai muito além da disposição não convencional dos versos, sendo abraçado por uma capa e uma contracapa extremamente lindas e orelhas muito bem preenchidas pelas belas palavras de Gabriela de Azevedo, também poeta.
O livro é dividido em quatro partes, sendo elas:
Titubeio;
Observações astronômicas;
Maré baixa;
Tenho conversado comigo.
Em cada uma das três primeiras partes, na página chapada (aquelas páginas toda pretas que dão um efeito muito bonito) de abertura, além do título há uma epígrafe, de escritores como Chico Alvim, Laura Liuzzi e Fabrício Corsaletti. Na última parte, porém, não há epígrafe alguma e ela é composta por um único poema, que se inicia justamente com “Tenho conversado comigo”.
Eu não teria como escolher uma poesia preferida. Acredito que cada uma carrega a sua beleza, o seu significado e que todas elas juntas é que fazem deste um livro tão singular.
Não conseguindo escolher um poema preferido, portanto, deixo aqui o meu convite para que você conheça a obra inteira e faça o seu mergulho nestas palavras tão bem escolhidas e harmonizadas. O livro pode ser adquirido no site da Editora Urutau. E você pode acompanhar os trabalhos da autora através do Instagram, do Medium ou da Newsletter dela.
Começando de maneira totalmente despretensiosa, Poeira estelar vai nos fisgando até que, ao final, estamos sentido um mix de sentimentos difícil de explicar.
“Não tema as mudanças, minha pequena. Elas virão, mas fazem parte do mundo que conhecemos”
Apesar da brevidade da narrativa — mais um conto para a minha lista de contos que deveriam ser lidos por muitas outras pessoas — Gabriela Araujo consegue traçar um arco temporal um pouco mais complexo, fazendo-nos acompanhar o desenvolvimento da protagonista Marta, que começa a história como uma simples garotinha que viaja de carona nas estrelas.
“Quanto mais crescemos, menos acreditamos no poder das estrelas”
Mas aos poucos essa garotinha vai crescendo e vendo como o mundo não é simples. E muitas vezes, sequer é justo.
“A mãe enxergou o seu próprio passado naquela frase e desejou poder transferir para a filha sua experiência de vida, poupando-a dos anos de sofrimento até entender”
Porém, não se engane: Poeira estelarnão é a simples história de uma garota que cresce e acaba por descobrir o mundo. Brasileira, Marta é uma mulher negra e tem de enfrentar muitos outros desafios que, por vezes, não conseguimos imaginar.
“Queria dizer para a mãe que não era sobre sentir que precisava ser como as outras meninas, ela apenas sentia não ter escolha”
Eu sou mulher e sei dos desafios que encontramos em uma sociedade machista. Mas sou uma mulher branca, que não sofre preconceitos nos lugares que frequenta, que não tem de provar a todo instante que não está fazendo nada de errado e que tem igual direito de estar em qualquer lugar.
“Aos 13 anos, Martinha não tinha uma simples vontade de ter um namorado. Era a vontade de ser vista, de receber carinho, de se sentir ‘normal'”
E é assim, através dos olhos da menina que vira mulher, que Gabriela Araujo consegue abordar de maneira extremamente leve e envolvente assuntos de grande importância, como amadurecimento, preconceito, solidão e até mesmo relacionamentos abusivos (de qualquer tipo, não apenas românticos) e emancipação feminina.
“Marta não sabia daquilo ainda, mas aquele momento selou a completa ruptura entre a pessoa que era e a pessoa que viria a ser”
Não vou dizer que a história me fisgou desde as primeiras páginas, que têm um ar mais onírico, mas logo fui ficando mais e mais presa às palavras desta narrativa e, agora, indico-a a quem busca uma leitura inspiradora, forte, impactante, mas, ao mesmo tempo, que cai como um abraço, um afago, um ombro amigo.
“Não podemos usar o espelho do outro pra enxergar o nosso próprio reflexo, Martinha”
E mesmo sendo uma história de personagens femininas, a leitura é excelente para homens e mulheres, pois com palavras simples, Gabriela Araujo consegue nos ensinar muito.
“A gente cresce e aprende a ignorar o que a gente quer?”
Se você se interessou por Poeira estelar, não deixe de garantir o seu ebook aqui. E conheça as outras obras e trabalhos da autora no site dela.
Tempos atrás, também através da tradução de um artigo, falei sobre os “livros no escuro“, ou seja, o ato de comprar um livro que você não sabe qual é, nem mesmo quem é o autor. No post mencionado eu explico isso um pouco melhor.
Hoje, porém, quero falar sobre outra iniciativa bem interessante (e antiga) relacionada a esse universo: os livros “em suspenso” e as mensagens “secretas”. Do que será que eu estou falando?
Para isso, escolhi este artigo, escrito por Beatrice, há sete anos (portanto, em 2014, mas acredito que ainda existam iniciativas do tipo), no Blog L’angolo dei libri, que, de maneira relativamente esporádica, ainda publica novos conteúdos.
Vamos ao que interessa? A tradução do título do artigo original é o que dá nome ao meu post e aqui embaixo você encontra a tradução do conteúdo.
A Itália, por antonomásia o país dos não leitores (de acordo com as estatísticas), continua produzindo iniciativas para promover a leitura: do #livroemsuspenso às citações escondidas entre as páginas de “quem deixa um bilhete, deixa um tesouro“. Não dê ouvidos aos dados: o marketing literário se faz no boca a boca
Se alguma vez você já foi a Napoli ou tem amigos napolitanos, talvez conheça a tradição do café em suspenso. Vai-se à lanchonete e pagam-se dois cafés: um você toma e o outro fica pago para quem vier depois, seja lá quem for. Uma bela ideia, não? Imagine que agora é possível fazer isso com os livros também. De fato, começou, algumas semanas atrás, a iniciativa #livroemsuspenso: passa-se na livraria e compra-se um volume, deixando-o à disposição de quem passará depois.
Na verdade, tudo começou em 2011, na livraria Modus Vivendi, em Palermo e, de vez em quando, outra pequena realidade independente se inspira nisto, como aconteceu nos últimos meses com a Ex Libris, em Salerno, e em Milão, com a livraria Il mio libro.
Levando em conta a generosidade da iniciativa (e talvez esperando por um pouco de marketing), até as livrarias Feltrinelli entraram nessa: entre os dias 23 de abril a 5 de maio, foi promovida a ideia de deixar um livro em suspenso para um outro leitor apaixonado. Porque a ideia é justamente essa: difundir a leitura e deixar as suas marcas. É mais ou menos como se eu te sugerisse um dos meus livros preferidos, mas ao invés de só te passar o título e o autor, te desse logo um exemplar.
Ainda melhor, porém é deixar uma mensagem entre as páginas, uma citação ou um conselho adicional para quem pegar aquele livro, como acontece com a iniciativa “quem deixa um bilhete, deixa um tesouro”, de Laura Cau. A jovem estudante de Cagliari lançou essa ideia entre os seus seguidores no Facebook e parece que está tendo um ótimo sucesso.
As regras para participar do jogo são muito simples: basta escrever em um pedaço qualquer de papel uma frase ou um pensamento e inserir o bilhete entre as páginas de um livro, em uma livraria ou biblioteca. Mas sem, no entanto, comprá-lo. É fundamental deixar o livro onde está, para fazê-lo ser encontrado por outro leitor. No bilhete também vai o escrito “siga-nos no Facebook, na página Um bom livro um ótimo amigo: aqui você poderá encontrar foto de todos os “papeizinhos” encontrados pelos amantes dos livros.
Sei que no Brasil livros físicos costumam ser caros, mas você teria coragem de comprar um a mais e deixar para outra pessoa que você sequer sabe quem é? E um bilhetinho, você deixaria?
Quando eu envio um livro em trocas no Skoob, costumo sempre enviar um bilhetinho junto, mas é coisa simples, apenas desejando uma boa leitura. Mas também já realizei a leitura de alguns livros pensando numa pessoa específica e grifando alguns trechos ou mesmo deixando recados.
Se conhecer outras iniciativas como essa, me conte nos comentários!
Título: Cigarro e anéis no rabo do gato e outros contos
Autor: Maicon Moura
Editora: publicação independente
Páginas: 57
Ano: 2021
No início do ano eu postei aqui no blog a resenha de Não quero patos elétricos, indicando fortemente a leitura desta obra. Mas se mesmo depois do que escrevi você não se convenceu a ler um livro que talvez te tire da zona de conforto, hoje eu trago uma nova (e talvez mais fácil) opção: a coletânea Cigarro e anéis no rabo do gato e outros contos, publicada pelo mesmo autor.
“As horas passam rápido. Como os dias, os meses e os anos. Coisas irão acontecer e outras não irão”
Considero que esta possa ser uma forma “mais fácil” de te convencer a embarcar em um novo gênero literário porque as histórias aqui são mais curtas (afinal, são contos) e você pode saboreá-las com calma, além de pegar algumas sutis menções à space opera anteriormente resenhada. Porém, um alerta: o fato das histórias serem mais curtas e de você poder lê-las com calma não significa que você irá se deparar com histórias banais ou toscas. Muito pelo contrário!
“Existem pessoas que sabem muitas coisas. Essas pessoas não estão na faculdade, não estão em escritórios, não são Deuses. Estão por aí, esperando o momento certo para mudarem seu modo de ver as coisas”
A coletânea Cigarro e anéis no rabo do gato reúne cinco contos que se passam numa realidade que (ainda) não é nossa, com simulacros, tecnologia e uma consciência ambiental muito acima da que temos hoje (e que ainda tem tanto a melhorar). É muito maluco perceber, porém, como apesar de tudo isso, os personagens são bem parecidos conosco, sendo reais e humanos mesmo quando não o são (achou confuso? Leia e entenderá!).
“O pensar é um grande mistério, as lembranças são confusas e nossa opinião é falha. Somos um amontoado de incertezas não confiáveis”
Outro aspecto excelente desta coletânea é que as narrativas trazem muitos significados e descobertas para nós, leitores, nos fazendo refletir sobre a vida e a morte e tudo o que há entre essas duas pontas.
“Sabemos que vai acabar e o que estamos fazendo?”
Confesso que tive a honra de ler essa obra ao menos duas vezes (porque, além de tudo, eu a revisei!) e não vou negar que a cada leitura eu me surpreendo com um novo detalhe, um novo pensamento.
“Deprimente é pensar que esse não é o mundo real”
E se você ainda está achando o título desse livro muito estranho, saiba que ele é o nome de um dos contos, e que depois da leitura, talvez as coisas passem a fazer mais sentido. Aliás, os títulos dos contos, em ordem, são:
Beijo e chuva de sábado
Cigarro e anéis no rabo do gato
“Papai?” perguntou minha menininha
Ele, a moça e a saída
Mas eu quero morrer (conto bônus, que eu já havia lido de maneira separada e cuja resenha você encontra aqui).
“Corri como se a vida dependesse daquilo. E dependia”
Espero ao menos ter despertado a sua curiosidade com relação à essa coletânea e a tudo o mais que o Maicon escreve. Você pode acompanhar o trabalho do autor através da newsletter, do Instagram e do Linkedin.
“Eu devia ter me esforçado mais”
Com relação a esse trabalho, ele está disponível na Amazon, mas em breve ganhará o formato físico… Com um prefácio meu! Entre em contato com o autor para adquirir o seu exemplar.