The Outstanding Blogger Award 2021

O post de hoje é uma espécie de TAG, mas muito especial, porque ela foi criada para que também possamos indicar alguns dos blogs que seguimos e admiramos. E quem me indicou foi a Thais, do Felicisses, um blog que, se você ainda não conhece, deveria conhecer!

Regras da TAG:

  • Forneça o link para a postagem do prêmio original do criador Colton Beckwith RCP (esse aqui)
  • Responda às perguntas exclusivas
  • Indique 10 blogueiros. Certifique-se de que eles estão cientes de suas nomeações.
  • Nem o criador do prêmio do blog, nem o blogueiro podem ser indicados.
  • No final de 2021 todos os blogs que enviarem um ping-back da postagem original do criador serão inscritos para ganhar o prêmio 2021 Outstanding Blogger.

Perguntas da Thais e as minhas respostas:

1-Você costuma acompanhar séries? Se sim indique uma e explique o motivo da indicação.

Não costumo acompanhar séries. Mas antes da pandemia eu estava assistindo Merlí quando ia à casa do meu namorado e gostaria de terminar essa. Uma série que se passa numa escola e fala sobre educação e jovens (falando bem superficialmente, mas considere que não vejo faz mais de um ano!).

2-Qual assunto você prefere expor em seu blog? Existe alguma motivação específica?

Gosto de falar sobre livros, literatura e línguas, porque além dessas serem as minhas paixões, é também a minha formação e profissão.

3-Qual o seu streaming preferido? Pode ser de filme, séries ou até mesmo de músicas/rádios/podcasts.

Como eu disse antes, não costumo acompanhar séries. Também não sou muito de ver filmes. Logo, sobrariam streamings de música… Bom, eu uso, às vezes, o Spotify, ainda assim, na versão gratuita…

4-O que costuma fazer em seu tempo livre?

Saudades tempo livre… Mas me dedico ao blog e às leituras.

5-Você consome frequentemente o YouTube? Pode indicar um canal?

Uso muito principalmente para minhas aulas, pois sempre passo algum vídeo para os alunos. Um canal que costuma fazer sucesso entre eles é o Cucina Botanica, um canal de receitas veganas em italiano.

6-Qual o seu gênero preferido de filme? Se quiser explicar o motivo e indicar um filme a gente aceita rs.

Acho que para filmes acaba sendo a mesma coisa dos livros, ou seja, gosto muito de romances (dos bobinhos mesmo), mas vejo/leio de tudo. A indicação vou ficar devendo…

7-Como produtor(a) de conteúdo o que costuma fazer para ter ideias diversificadas e não deixar a criatividade de lado?

Muito do que trago aqui tem a ver com minhas vivências e experiências, além, claro das leituras, que estão sempre se renovando. Mas, vez ou outra, também me inspiro em outros blogs e produtores de conteúdo.

Os meus indicados são:

  1. Literatura e Ciência Brasileira
  2. Escritopias
  3. Dayane Guimarães
  4. Infinitas Vidas
  5. Vox Leone
  6. Sei de nada sobre tudo
  7. Cachorro Magro
  8. Comenta livros
  9. Conexão Educação
  10. Livros e Saltos

Minhas perguntas para vocês:

  1. Como nasceu o seu blog?
  2. Existe uma rotina de posts ou você posta quando dá/tem inspiração?
  3. O que você mais gosta de fazer na vida?
  4. Uma pessoa que te inspira
  5. Um livro que você adoraria indicar para as pessoas
  6. Que país você gostaria de conhecer?
  7. Se pudesse ter um super poder, qual gostaria de ter?

Gostaria de agradecer a indicação da Thais e espero que vocês tenham gostado da TAG. Se alguém que não foi indicado quiser participar, vou adorar ver as respostas! Inclusive, eu adoraria indicar mais pessoas, deixei muitos Blogs que admiro de fora, mas principalmente porque são blogs nos quais este tipo de conteúdo (uma TAG) não costuma aparecer/caber.

Girassol (Antologia)

Título: Girassol
Autor: vários autores
Organização: Chris Calixto
Editora: Lettre
Páginas: 74
Ano: 2021

Já diria a famosa frase do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain: “são tempos difíceis para os sonhadores”. Sim, as coisas não têm sido fáceis e parece até repetitivo dizer isso (eu, pelo menos, já não aguento mais repetir essa frase, mas é a mais pura verdade). Porém, hoje eu estou aqui para falar de coisa boa, então fique até o final do post!

“Tenho sido confusão.
Tenho tido caos interno
e lágrimas retidas”

(João Barreto)

A antologia Girassol nasceu com o intuito de ser um respiro, uma alegria em meio ao momento que estamos vivendo. E tudo nela foi pensado para deixar isso bem claro, desde a capa clean até a seleção dos poemas, que, por sua vez, não precisavam falar sobre essa flor em questão, mas que deveriam carregar o que ela significa: felicidade, calor, lealdade, vitalidade e entusiasmo. Tudo aquilo que estamos precisando em grandes doses, não?

“Que neste enorme jardim que é a vida,
possamos florescer, dia após dia,
transbordando alegria”

(Chris Calixto)

Em suas poucas páginas, a obra reúne 22 autores dos mais diferentes entre si, vindos de várias regiões do país, tendo idades diversas e com sua experiências e bagagens únicas.

Ando com saudades
Do tempo em que o tempo corria
Sem nenhuma pressa.

(LMC Oliveira)

Há muitos versos que falam sobre a própria poesia; outros que brincam com a imagem do girassol. Mas também há poemas sobre o dia, a noite, a natureza, a lua, o caminhar… Poesias que falam sobre amores, anjos, amigos e ciclos.

Mergulho em teu sorriso
Sem pressa para voltar
Encontro então o paraíso
Que fi ca dentro desse mar.

(Rachel Reis)

A diagramação da Editora, uma vez mais, nos surpreende: delicada e detalhista, como em todas as suas obras.

Se você está em busca de algo que te traga calma, acalento e que seja tranquilo de ler, acredito que tenha acabado de encontrar: a antologia Girassol certamente irá te surpreender e te encantar. A obra está disponível em formato físico e está em pré-venda até o final desta semana no site da Editora Lettre. Creio que, passado este período, será difícil comprar a obra neste formato, então aproveite para garantir o seu (e uma motivação a mais para isso: o livro está com desconto e o frete é gratuito!). Também há o ebook, na Amazon (gratuita pelo Kindle Unlimited).

Adorei a oportunidade de conhecer novos poetas contemporâneos, coisa que, se não fosse essa obra, talvez nunca viesse a ocorrer. Não sou a maior consumidora de poesia, mas é difícil não se encantar com essa antologia! Desejo muito sucesso a cada um de vocês que dela participou!

Citações #37 — Novecento

Como eu comentei na resenha, Novecento (Alessandro Baricco) foi um livro que me surpreendeu muito (positivamente). E alguns trechos que eu adorei, não consegui usar naquele momento, deixando-os para um post que, finalmente trago a você. Uma vez mais, por se tratar de uma obra em italiano, colocarei primeiro a minha tradução e, ao final, os trechos originais, na ordem em que aparecerem aqui.

Como ressaltado na resenha, a história se passa em um navio, local onde nasceu o protagonista da história. Sua vida era muito diferente da vida de qualquer outra criança, desde o início:

“Assim, de repente, Novecento torna-se órfão pela segunda vez. Ele tinha oito anos e já tinha ido e voltado da Europa à América umas cinquenta vezes. O oceano era a sua casa”

Para além desse peculiar fato e tudo o que ele gera, Novecento logo torna-se um grande músico. E esta é uma arte que se faz presente ao longo da história, inclusive sendo usada em paralelo com a própria vida do personagem:

“Se você toca trompete, no mar você é um estrangeiro e sempre será”

A obra ainda nos traz algumas reflexões peculiares, mas que, ao mesmo tempo, fazem muito sentido. No trecho em questão, fazia-se uma reflexão sobre como as coisas mudam e porque mudam, usando, para isso a imagem de um quadro que cai da parede:

“O que acontece a um prego para fazê-lo decidir que não aguenta mais?”

E ao mesmo tempo que a história nos coloca essas perguntas e pensamentos, também nos alerta para o fato de que há coisas nas quais não devemos pensar muito, pois talvez jamais encontremos uma resposta para elas:

“É uma daquelas coisas que é melhor você não pensar, se não fica maluco”

Esse é, sem dúvidas, um livro que vale a pena ser lido e espero ter deixado um bom gostinho da obra com esse post e com a resenha. E, como prometido, abaixo estão os trechos originais, na ordem que aparecem neste post:

“Così, d’improvviso, Novecento divenne orfano per la seconda volta. Aveva otto anni e si era già fatto avanti e indietro dall’Europa all’America una cinquantina di volte. L’Oceano era casa sua”

“Se suoni la tromba, sul mare sei uno straniero, e lo sarai sempre”

“Quando non sai cos’è, allora è jazz.”

“Cos’è che succede a un chiodo per farlo decidere che non ne può più?”

“È una di quelle cose che è meglio che non ci pensi, se no ci esci matto”

Qual foi o trecho que você mais gostou ou aquele que mais chamou sua atenção?

TAG literária musical — Parceiros da autora Maya Brito

Já faz um tempinho que sou parceira literária da autora Maya Brito e outro dia ela propôs à todas as parceiras que montássemos uma TAG e assim nasceu esta que agora apresento a vocês.

Mas antes, os perfis que colaboraram com esta brincadeira são: @mayabrito.escritora, @exposta_em_um_livro, @carlaisantoro, @fernandajesusrevisora, @mari_stories_and_advice, @realidadesdeleitor, @estrela_leitura, @capitulo_20, @lendoentreamigas, @leia.bon.livros e eu, @tatianices_blog. Aproveite para conhecê-los!


A TAG que elaboramos mistura dois elementos que eu adoro: músicas e livros. Cada uma de nós escolheu uma canção e atribuiu a ela um tipo de livro para mencionarmos em nossas respostas. O resultado disso é o que você encontra aqui embaixo!

1. As long as you love me (Backstreet Boys): um personagem com um passado misterioso e sombrio que você ama

Impossível não pensar no Guto, de Irresistível Doutor (Ingrid Sousa).

2. Llévame Despacio (Paulina Goto): um livro com o romance dos sonhos

Como “romance dos sonhos” não significa um romance perfeito — já que isso não existe — escolho O irlandês (Tayana Alvez).

3. Várias queixas (Gilsons): um personagem que por mais que seja chato, você não consegue deixar de amar

A Lara, de Sandália Virada (H. L. Amaral) não é exatamente chata, mas talvez um pouco mimada e exagerada. Ainda assim, um amor de garotinha, que a gente só quer proteger!

4. Just a kiss (Lady Antebellum): um personagem que você gostaria de dar um beijo ao luar

Que personagem que nada, gostaria de dar um beijo ao luar no meu namorado mesmo! Hahahahaha (mas sério, não consigo pensar em nenhum personagem).

5. A Thousand Years (Christina Perri): um livro que você leria por mil anos

O livro Comédias para se ler na escola (Luis Fernando Veríssimo), que sempre me faz rir e pensar.

6. Me espera (Tiago Iorc e Sandy): aquele livro que você espera ansiosamente a continuação

Tô aqui só no aguardo da continuação de O despertar da profecia, viu, dona Ingrid Sousa??

7. Era uma vez (Kell Smith): um livro que te marcou na infância

sempre cito esse: A princesinha (Frances Hodgson Burnett).

8. My heart will go on (Céline Dion): um livro que está eternamente no seu coração

Um livro que li para a escola e que adoro até hoje: Cuidado, garoto apaixonado (Toni Brandão).

9. Home (Gabrielle Aplin): um livro que faz você se sentir em casa

Os livros da Pipi Meialonga (Astrid Lindgren), apesar de fazer anos que não os leio.

10. Scarborough Fair (Aurora): um livro que te fez ir a outro mundo

Os livros do Ciclo da Herança (Christopher Paolini).

11. Aquarela do Brasil (Ary Barroso): aquele livro nacional inesquecível

Maldade citar apenas um aqui (detalhe que fui eu quem sugeriu essa)! Mas vou de O demônio no campanário (Michelle Pereira).


E as suas respostas, quais seriam? Sinta-se livre para participar também!

Ah, e os títulos mencionados nesta TAG e que se encontram em vermelho são livros já resenhados aqui no Blog.

Alzehan: Magos e Alquimistas — Rikelmy Ribeiro

Título: Alzehan: Magos e Alquimistas
Autor: Rikelmy Rodrigues Ribeiro
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

Antes de iniciar essa resenha, preciso confessar que sou um pouco cética quanto aos comentários de outras pessoas sobre os livros. Gosto de ler resenhas — principalmente de obras que nunca ouvi falar na vida — mas nunca tomo as palavras do resenhista como verdades universais e, assim, não importa se a pessoa amou ou odiou o livro, se pego aquele livro para ler, inicio a leitura sem nenhuma expectativa.

Dito isso, gostaria de acrescentar que o que eu ouvia falar de Alzehan é que este é um livro de fantasia — coisa que já dá para esperar pela capa e pelo título — mas com algumas questões filosóficas inseridas na história. Eu pensava se não era um pouco exagerada essa definição, mas resolvi conferir com meus próprios olhos.

No início da história conhecemos Alzehan, a cidade dourada. Mais que isso, uma cidade poderosa e cheia de mistérios, que abriga dentro de seus muros grandes magos. E dentre eles temos os personagens centrais desta história: Évelon Kovalev, pai de Isaac e Eivil Kovalev, irmãos gêmeos completamente diferentes entre si em todos os sentidos possíveis.

“Eivil não era mal, mas curioso e disposto. O mundo não gosta de pessoas assim, então ele tenta derrubá-las e foi exatamente o que aconteceu com Eivil Kovalev”

Nesta história, porém, não é apenas Alzehan que tem seus mistérios. Todos os personagens parecem carregar mais do que falam e mostram ao longo da narrativa. E, claro, existem outros reinos para além de Alzehan. Reinos não tão ricos e não tão protegidos, mas que têm algo em comum: a vontade de destruir a Cidade Dourada.

“Desde que a vida caminhou sobre a Terra, ela permaneceu em guerra. A paz tornou-se uma utopia, visto que os instintos primitivos se sobressaem até mesmo nas mentes mais intensas”

Nós conhecemos um pouco mais sobre o que há para além dos muros Alzehanianos através de Eivil que, na infância, é expulso da cidade ao desrespeitar uma regra importante. E também é graças a esse acontecimento que conhecemos Érica Asténs, uma figura feminina de muita força, coragem e tristes lembranças, além de outros personagens que compõem a narrativa.

Évelon é um mago muito poderoso e esse poder não só é passado aos filhos, como é aprimorado por eles. Por isso, querendo ou não, todos temiam o que poderia acontecer após a expulsão de Eivil de Alzehan, ainda que, na época, ele fosse apenas um garoto. Isaac também já previa as consequências e, por isso, dedicava-se dia e noite a se tornar um mago ainda mais poderoso que seu pai. É como se todos soubessem que Eivil se vingaria da expulsão, ainda que em momento algum ele seja descrito como vingativo.

“Nós lutamos de maneira imperfeita para que Alzehan continue perfeita, entende?”

É muito fácil mergulhar nessa história — e olha que fantasia não é sequer o meu gênero preferido — e ficar com aquela vontade de saber o que vem a seguir, como os fatos irão se desenrolar. A guerra está sempre pairando, é verdade, mas ela vai muito além de um “bem” contra um “mal” e isso nos deixa sem conseguir prever o que pode acontecer ou mesmo o que gostaríamos que acontecesse.

“— No mundo real não existem vilões, apenas convicções diferentes”

E é justamente por brincar com questões como essa — de não haver exatamente um lado certo e um errado numa guerra — ou então com a questão de que, se não mudarmos, sempre haverá guerras no mundo, porque queremos apenas que nossos desejos sejam atendidos, é que Alzehan: magos e alquimistas é uma obra de fantasia que consegue ir muito além daquilo que esperamos.

“Uma vez, travei uma batalha contra um mago de Zafira. Ele me disse que ‘o mundo trabalha contra os bons’ e, de certa forma, fazia sentido”

Esse é o livro de estreia do autor e a história não acaba aqui (espero!). Se você é um amante de fantasia e quer conhecer esses personagens tão cheios de segredos e reflexões, adquira o ebook aqui ou o livro físico aqui e boa leitura!

A jornada — Davi Busquet

Título: A jornada
Autor: Davi Busquet
Editora: Publicação independente
Páginas: 11 
Ano: 2020

Em uma história rápida — o conto pode ser lido em questão de minutos — e certeira, Davi Busquet nos faz refletir sobre a vida (e a morte) e sobre as pessoas que nos cercam.

Com personagens sem nome — chamados apenas de o Velho, o Garoto e a Esposa do Velho — a história torna-se ainda mais universal. Uma narrativa cujo título já explica muito e, ao mesmo tempo, não tem como explicar nada.

No conto, somos jogados em um úmido fim de tarde, chegando com o Velho a um lugar que não sabemos qual… Ou que apenas não queremos saber qual é. Ali, diante de um muro, muitas lembranças se passam em sua mente, mesmo que sejam muito poucas perto da vida que ele provavelmente viveu.

“Assim se defendia a mente de um velho”

Também vamos acompanhando algumas reflexões desse tal Velho, enquanto os demais personagens estão ali para compor a sua história.

Com uma linguagem metafórica, o conto exige uma leitura atenta, para que sejamos realmente transportados nessa viagem existencial.

Para ler o conto, clique aqui. Além disso, o autor está lançando um novo livro pela Editora Lettre. Trata-se da obra No coração de um assassino que, de maneira diferente da apresentada neste conto, também nos faz refletir sobre nossa existência e o que fazemos com o nosso lugar no mundo.

Verbos “essere” e “avere”

Todo mês tenho tentado trazer um pouco da língua italiana para cá e agora em abril isso quase passou em branco. Mas, como se diz: meglio tarde che mai (ou, em bom português: “antes tarde do que nunca”). E ainda vim aqui para falar deles, os verbos que considero os mais importante do italiano: essere e avere.

E por que esses verbos são tão importantes? Porque além de os usarmos em muitas das informações básicas que damos sobre nós (e você já vai entender melhor isso), eles também costumam ser o verbo auxiliar em tempos compostos (por exemplo, para nos referirmos a uma ação passada, existe um tempo verbal chamado passato prossimo que é formado pelo presente do verbo essere ou avere + particípio passado do verbo principal. Mas isso é coisa para outro momento, ok?).

Abaixo, te apresentarei cada um desses verbos, com alguns exemplos e a conjugação deles no tempo presente. Vem comigo?

Il verbo essere

O verbo essere corresponde aos nossos verbos ser e estar. Vejamos alguns exemplos:

  • Sono Tatiana = Sou a Tatiana.
  • Siamo a casa = Estamos em casa.
  • Siete felici? = Vocês são felizes?
  • Dov’è? = Onde está? / Onde ela/ele está?
  • Sono marito e moglie = Eles são marido e mulher.
  • Quanto sei fortunata! = Como você é sortuda!

Depois de ler as frases acima, talvez fique mais fácil entender que a conjugação do verbo essere, no presente do modo indicativo, é:

PersonaVerbo essere
Iosono
Tusei
lei / lui / Leiè
Noisiamo
Voisiete
Lorosono

Il verbo avere

O verbo avere, por sua vez, significa, ter. Mas atenção: é o ter que usamos no sentido de posse. Vejamos os exemplos:

  • Hanno molti soldi = Eles têm muito dinheiro.
  • Avete pazienza = Tenham paciência.
  • Ho paura! = Tenho medo!.
  • Abbiamo una bella casa = Temos uma linda casa.
  • Hai un minuto? = Você tem um minuto?
  • Ha 30 anni = Ele/ela tem 30 anos.

Assim sendo, a conjugação do verbo avere, no presente do modo indicativo, é:

PersonaVerbo avere
ioho
tuhai
lei/lui/Leiha
noiabbiamo
voiavete
lorohanno

Esses dois verbos, além de importante, são irregulares. Isso porque, quando conhecemos a conjugação de verbos regulares, vemos que há uma regrinha bem simples de seguir, mas que não é possível aplicar em verbos como esses. O jeito é praticar bastante!

E aí, você conseguiria formar frases usando esses verbos? Deixe as suas nos comentários, vou adorar lê-las! E se tiver dúvidas, sinta-se livre para perguntar.

Raimundo — Lucas Oller

Título: Raimundo
Autor: Lucas Oller
Editora: Chiado Books
Páginas: 109
Ano: 2021

Sei que ainda estamos em abril (quase maio), mas posso dizer que 2021 tem sido um ano de aventuras no universo literário. Depois de Desesterro, chegou a vez de comentar sobre Raiumundo, um poema épico moderno. Você já leu algo assim?

Ao segurarmos o livro em mãos, ele pode parecer pequeno, fino. Mas desde a capa podemos ver todo um trabalho feito sobre ele. Também há ilustrações ao longo da obra, além de um prefácio muito bem escrito e que pode te ajudar a mergulhar de cabeça (e com fôlego) no principal: a poesia. Ao final, Raimundo já não parece mais tão pequeno assim…

“Eu serei tudo, a complexidade inalcançável de ser vivo. Chamo-me Raimundo, e é deste ponto que parto para conquistar o mundo”

Dividido em 3 atos, este livro nos transporta para longe e, ao mesmo tempo, para tão perto: para o nosso lado mais natural e animalesco, primitivo. Com o protagonista, partimos para a conquista do mundo. Mas que mundo?

“Sua sina divina sempre dizia: um dia dará à luz a esse mundo”

Como qualquer herói — e somos todos um pouco heróis — Raimundo passa por percalços em seu caminho e, ao longo destas páginas, nós o acompanhamos, sendo guiados — tanto nós quanto ele mesmo — por um narrador que se faz presente, mas que também joga Raimundo em seu devido lugar.

“— Eu já nasci sem escolhas”

É inevitável pensar, desde o título da obra, mas também em alguns de seus trechos, no Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade. Ambos poéticos, mas muito diferentes entre si. E, ao mesmo tempo, com algo que vai muito além da poesia unindo-os.

“Vai menino, vai ser Deus desse mundo”

Essa porém, não é a única referência que podemos captar ao longo das páginas desta obra, que me parece ser fruto de muito estudo, elaboração e conhecimento.

Raimundo é, muito provavelmente, diferente de qualquer coisa que você poderia imaginar, com passagens muito diretas, mas também com versos e interpretações entremeadas, que devem ser degustadas com calma, mas que podem ser concluídas em uma sentada só, a depender do seu fôlego.

Indico a obra para quem quer fazer um mergulho literário e, mais que isso, um mergulho dentro de si e da natureza, seja ela humana ou não. É possível adquiri-la em diversos sites como Amazon (ebook), Livraria da Travessa ou no site da própria Editora Chiado.

Bela Amizade — Jacqueline Gulmini

Título: Bela Amizade
Autora: Jacqueline Gulmini
Editora: Publicação independente
Páginas: 18
Ano: 2021

Ressurgi das cinzas — depois de pouco mais de uma semana afastada daqui do Blog, uma pausa necessária às vezes, né? — para trazer a resenha de um conto super leve e com uma bela mensagem (já voltei fazendo trocadilhos ruins, perdoe-me). Em poucas páginas, Jacqueline consegue transmitir aos seus leitores muito mais do que o que está escrito ali.

Luna é uma jovem que acabou de conquistar sua independência plena, isto é, saiu da casa dos pais para morar sozinha. Mas imagina dar esse grande passo e… Bum! Uma pandemia para te deixar totalmente isolada. Imagina como dever ter sido para quem tem boas relações familiares, mas decidiu se mudar e foi surpreendido por uma pandemia. Esse isolamento forçado deve ter sido um baque e tanto e esse conto nos faz pensar nisso. Mas não só!

O título do conto, claro, não é à toa e, mesmo em meio ao isolamento, nasce uma bela amizade: Luna, inspirada por outros jovens, coloca-se à disposição para ajudar quem ela puder ajudar e, assim, conhece a Dona Dulce, uma senhora que mora no mesmo prédio que ela e que não pode ficar saindo para ir ao mercado.

Luna, portanto, se compromete a ajudá-la com as compras e, além disso, elas também passam a fazer companhia uma para a outra, através de vídeo chamadas e até de jogos online. E é assim que elas vão tentando driblar a saudade da família e da rotina pré-pandemia.

As duas personagens desta história são bem diferentes entre si, principalmente pela distância entre uma faixa etária e outra. Mas ambas têm algo a ensinar e é muito bonito ver isso, além, claro, da relação que elas vão construindo.

“Ela sempre me dizia que, quando somos jovens, tudo parece ser o fim, sem solução, que não vamos aguentar”

Nós, assim como a própria Luna, passamos a história na expectativa de um encontro presencial entre ambas. Como seria? Qual seria a sensação de conversar cara a cara?

“Ainda que não pudéssemos nos abraçar, eu sabia que um dia teríamos o nosso abraço”

Indico Bela Amizade para quem já não tem esperanças de (ou mesmo que já não consegue) ver coisas boas no meio dessa pandemia. Às vezes, algo pode acontecer quando menos esperamos e vir de onde menos esperamos. Aliás, de acordo com os acontecimentos deste conto, tanto algo bom quanto algo um pouquinho assustador pode acontecer a qualquer momento… Mas logo tudo (de ruim) passa!

E aí, ficou com vontade de fazer essa leitura rapidinha? Então clica aqui.

Desesterro — Sheyla Smanioto

Título: Desesterro
Autora: Sheyla Smanioto
Editora: Record
Páginas: 303
Ano: 2018 (3º edição)

Ler Desesterro é, sem dúvidas, uma experiência literária. Acho que o próprio título já nos mostra que algo diferente está por vir e a capa ajuda a dar um toque final à complexidade da obra. Não à toa, a obra foi vencedora do Prêmio Sesc de Literatura, na categoria romance — ainda que sua linguagem seja muito mais poética que prosaica —, do Prêmio Machado de Assis (da Biblioteca Nacional), além de ter sido premiado no Jabuti e finalista do Prêmio São Paulo.

“Ler é: devorar a fome dos outros”

Logo na primeira página, não pude deixar de pensar em Vidas Secas (Graciliano Ramos), porque a autora começa a obra com a descrição de uma cidade pequena — Vilaboinha —, humilde e seca. Mas, ainda que ao longo da leitura essa semelhança ainda ecoasse em mim, também há muita coisa única neste livro.

“Até a fome da gente a terra devora, mas a terra não guarda tudo, não senhora”

O livro é dividido em partes, mas que se misturam, assim como as muitas vozes que compõem a narrativa, mas que, por vezes, parecem uma só. Nem tudo tem nome, nem mesmo os sentimentos.

“Desesterro: a única palavra que Scarlett conhecia”

Desesterro é um livro que diz e não diz. Se em alguns trechos eu pensava “será que a autora está falando disso?”, em outros, eu tinha certeza. E por disso entende-se muita coisa: miséria, violência, estupro, abandono paternal.

“Tonho tantas vezes batendo em Fátima ela nem se importa, mulher nenhuma morreu de apanhar de marido, exceto as que estão mortas”

Ainda que sejam temáticas sérias e pesadas, a leitura flui, porque as palavras escorrem em seu tom poético. E o “disse não disse” também nos ajuda a engolir duras verdades.

“Nasceu da morte dela, vê se isso é coisa de gente”

Mas há também outras temáticas na obra, como o passado que nos assombra e o ato de migrar (interna ou externamente).

“Transformação é: migração de dentro.

Sem uma linha temporal clara e com construções gramaticais bem diferentes do comum, Deseterro pode assustar alguns leitores. Mas é uma leitura que merece um esforço, talvez uma leitura em voz alta de alguns trechos (inclusive, se vocês procurarem por esse título no Google, encontrarão diversos vídeos da autora declamando alguns trechos).

“Mas filha é assim mesmo, a Fátima sabe, meu Deus, a Fátima não sabe a Fátima só imagina como é ser mãe. Mas, diacho, quem é que sabe?”

Desesterro é uma leitura para quem quer fugir do óbvio, mas também para quem consegue levar alguns socos no estômago ao virar das páginas. Por fim, uma leitura que irá surpreender a quem decidir realizá-la.

“Ele foi embora com o sol, assustado com a descoberta imprevista”

Se você se interessou, não deixe de clicar aqui (livro físico) ou aqui (ebook).