Quando eu escrevi a resenha de Dois garotos se beijando, tentei demonstrar o quanto esse livro me tocou. Não sei se consegui, mas vai aqui uma segunda chance, trazendo alguns dos quotes que deixei de fora do primeiro post.
“O silêncio só faz mal quando há coisas que não estão sendo ditas, ou quando há medo de que o poço esteja seco e não haja nada a ser dito”
(pg. 83)
Como eu disse na resenha, esse é um livro que fala de sentimentos. E sentimentos de todo tipo.
“Quanto menos ligações você tem com o mundo, mais fácil é ir embora”
(pg. 187)
Uma das coisas mais tocantes de Dois garotos se beijando, porém, é como ele aborda as questões familiares. Ainda mais por se tratar de um livro sobre/para adolescentes, em uma fase em que tudo na vida parece ganhar novas perspectivas.
“É difícil parar de ver seu filho como seu filho e começar a vê-lo como ser humano. É difícil parar de ver seus pais como pais e começar a vê-los como seres humanos. É uma transição bilateral, e pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la com tranquilidade”
(pg. 96)
E uma vez mais os sentimentos predominam, nos fazendo recuar, ter medo de decepcionar o outro, mas, ao mesmo tempo, querer se tornar aquilo que se é (ou que se virá a ser). Confuso? Bem, nós também temos a nossa dose de confusão nessa vida.
“Não há nada mais doloroso do que ver alguém desistir de você. Principalmente se for sua mãe”
(pg. 35)
O importante é lembrar que tudo passa. Sempre.
“Tudo fica melhor depois de uma noite de sono”
(pg. 26)
Tem interesse em ler Dois garotos se beijando? Então clica aqui.
Título: O outro lado do sobrenatural
Autor: Vários
Organização: Alessandra Ribeiro de Abreu
Editora: Lettre
Páginas: 220
Ano: 2020
Mais uma vez a Editora Lettre surpreende seus leitores com uma antologia recheada de histórias variadas e inesperadas. E se engana quem acha que são histórias de terror, pois o sobrenatural, por definição, é aquilo que está além do humano, do natural ou até mesmo do comprovado cientificamente. E aqui, além de tudo, estamos falando sobre o outro lado do sobrenatural, em treze contos que certamente você não esquecerá.
“Por mais que eu lutasse, ela já estava morta por dentro. Eu não podia matá-la”
Ao longo das páginas desse livro nos deparamos com bruxas, deuses gregos, vampiros, fadas, anjos, demônios, lobisomens e até com lendas brasileiras. E o estilos dos contos é dos mais variados também: algumas histórias são mais sombrias, outras são mais metafóricas. Até um conto hot a gente encontra nessa antologia!
“Meu rosto estava lavado de lágrimas, mas dessa vez elas não me acalmavam”
É muito bacana ver como os autores conseguiram usar elementos sobrenaturais para nos falar sobre coisas tão humanas, sobre dores e sentimentos tão nossos. Um livro que fala sobre nossos medos, nos mais diversos sentidos que ele possa existir.
“A dor de uma decepção é capaz de te consumir tal qual o fogo que incendeia a madeira”
Eu gostei de conhecer O outro lado das bruxas, e personagens como O príncipe do mar, Bianca e Nara. Também gostei do Canto das sereias, e mesmo do som do Monstro. A morte amou a vida e a Magia oculta foi O início do fim (esse conto fala mais sobre a Kyra, de O despertar da profecia!). É, esses contos Vieram para causar, então Preparem o espaço no inferno! Mas Cuidado com que acredita e com o que há Atrás de você!
Se interessou por essa antologia? Então clica aqui!
Talvez você, leitor mais atento deste Blog, tenha se perguntado o porquê da louca aqui ter usado uma música em italiano numa resenha de um livro sobre o Paquistão. Bem, talvez eu não esteja tão louca assim e possa explicar tudo neste post aqui! Bora?
Quando eu estava lendo Livre para voar, acabei escutando, de novo, A modo tuo (do seu jeito, em uma tradução simples). Uma música escrita por uma pai para a sua filha. Assim como o livro é de um pai sobre sua filha (em linhas bem gerais, claro).
A música é uma espécie de diálogo recheado de bons desejos, mas no qual cabe, também, um pedido de desculpas pelo mundo que o filho receberá. E esse talvez seja um dos pontos exatos em que não pude deixar de casar essa canção com a leitura que trouxe a vocês.
Será difícil te pedir desculpa
Por um mundo que é como é
Eu tento fazer alguma coisa
Mas é difícil mudá-lo
Mas essa música também parece cair como uma luva em Livre para voar em muitos outros aspectos como, por exemplo, o fato de ambos os pais sentirem certo medo — misturado a um maravilhamento, claro — diante da criança que os aguarda, uma criança que vem para trazer uma mudança, seja no próprio adulto, seja no mundo que a recebe:
Será difícil crescer Antes que você cresça Você, que fará tantas perguntas E eu que fingerei saber mais
A verdade é que a letra de A modo tuo é tão linda quanto o livro Livre para voar. É uma música que eu ouço e ouço e não deixo de achar incrível. Com uma mensagem sincera, forte. Para além dos trechos que apresentei acima (e que, bem livremente, tentei traduzir), essa música ainda fala sobre ver (e deixar) seus filhos crescerem. Ter de ser um mero espectador a partir do momento que o filho passa a escolher seus próprios caminhos. E até nisso eu consigo encontrar ecos das palavras de Ziauddin.
Será difícil te ver de costas Pelos caminhos que escolherá Todos os semáforos Todas as proibições E as filas que evitará Será difícil Enquanto lentamente você se afasta Procurando sozinha Aquilo que será
Confesso que eu poderia ouvir essa música vezes e vezes seguidas (e depois passar semanas com ela na cabeça) e poder escrever esse post foi mais um presente para mim mesma (hoje é meu aniversário) do que qualquer outra coisa. Se bem que eu tentei traduzir uns trechinhos para que vocês tenham uma idea da beleza dessa música. O texto original segue abaixo e, no final desse post, vocês podem ouvir a versão cantada pelo próprio Ligabue (tem uma versão cantada pela Elisa também, igualmente linda)
Sarà difficile diventar grande
Prima che lo diventi anche tu
Tu che farai tutte quelle domande
Io fingerò di saperne di più
Sarà difficile
Ma sarà come deve essere
Metterò via i giochi
Proverò a crescere
Sarà difficile chiederti scusa
Per un mondo che è quel che è
Io nel mio piccolo tento qualcosa
Ma cambiarlo è difficile
Sarà difficile
Dire tanti auguri a te
A ogni compleanno
Vai un po’ più via da me
A modo tuo
Andrai, a modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo
Sarà difficile vederti da dietro
Sulla strada che imboccherai
Tutti i semafori
Tutti i divieti
E le code che eviterai
Sarà difficile
Mentre piano ti allontanerai
A cercar da sola
Quella che sarai
A modo tuo
Andrai, a modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo
Sarà difficile
Lasciarti al mondo
E tenere un pezzetto per me
E nel bel mezzo del tuo girotondo
Non poterti proteggere
Sarà difficile
Ma sarà fin troppo semplice
Mentre tu ti giri
E continui a ridere
A modo tuo
Andrai, a modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo
Título: Livre para voar: a jornada de um pai e a luta pela igualdade
Original: Let her fly: A father's journey and the fight for equality
Autor: Ziauddin Yousafzai e Louise Carpenter
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 162
Ano: 2019
Tradutor: Denise Bottmann
É muito difícil ler Eu sou Malala e não ficar impactado com essa leitura que nos transforma e muda nossa maneira de ver o mundo. Esse é um dos meus livros preferidos e quando descobri que havia um escrito pelo pai dela, logo quis ler também. Infelizmente, o logo demorou um pouco, mas, como sempre, veio no momento certo.
Livre para voar já nos impacta no título. Não só pela beleza da imagem, mas porque qualquer um que conheça minimamente a realidade de onde vêm Malala e Ziauddin Yousafzai, sabe que “liberdade” não é uma palavra muito comum. Menos ainda se dirigida a uma mulher.
“Realmente acredito que as normas sociais são grilhões que nos escravizam”
(p. 56)
Ao longo desta obra (que é bem curta, na verdade), conhecemos um pouco mais o pai de Malala — Ziauddin Yousafazai — e, por meio de suas histórias, acabamos conhecendo mais a fundo também sua família e sua cultura.
“Comecei a repensar as ideia culturais de meu pai, do pai dele e de todos os pais do Paquistão de outrora”
(p. 46)
Ainda que Ziauddin só tenha vindo a conhecer essa palavra muitos anos depois, não podemos deixar de pensar em feminismo ao ler essa obra. Principalmente porque, quando falamos sobre esse assunto, tendemos a desconsiderar qualquer opinião ou palpite masculino, afinal, essa não é “a causa deles”, o lugar de fala deles.
Com a narrativa de Ziauddin, porém, temos de reconhecer que algumas lutas serão impossíveis sem os homens. Se ele não fosse quem é, se não tivesse conseguido refletir sobre a própria forma como foi criado, a Malala que conhecemos hoje não existiria. Ela seria apenas mais uma menina do Paquistão, dona de casa, que viveria em função de seu marido.
“Meu pai via as qualidade especiais de Malala, via como a respeitávamos e a valorizávamos, e foi assim que descobriu que uma menina vale tanto quanto um menino”
(p. 57)
Já deu para imaginar que esse livro, apesar de curto, é bem denso, certo? Certíssimo! De maneira leve vamos conhecendo mais a fundo o Paquistão e as consequências das ações do Talibã. De maneira não tão leve, vamos acompanhando a jornada de um pai que luta pela igualda feminina e, mais que isso, que incentiva sua filha a erguer a voz em uma sociedade onde mulheres sequer são consideradas parte da família.
“Ser esposa era um papel, e sem uma esposa uma casa não sobrevivia”
(p. 42)
Esse foi um livro que, enquanto lia, queria comentar com todo mundo, mas, ao mesmo tempo, não conseguia comentar com ninguém, pois precisava absorver cada linha dele. Um livro que eu queria abraçar forte, ao mesmo tempo que precisava desse abraço para poder ler as suas páginas.
“Vi meninas incríveis que foram obrigadas a renunciar à sua educação e a seu futuro. Essas meninas nunca tiveram uma chance de ser quem eram”
(p. 12)
Enquanto o Eu sou Malala é uma leitura e tanto para jovens (mas não só), Livre para voar é excelente para pais que querem refletir sobre a maneira como educam seus filhos, ou então para aqueles pais que se sentem sozinhos, travando batalhas grande demais. Ziauddin Yousafzai só sentiu medo do que estava fazendo, da mudança que estava construindo, quando ameaçaram (e atingiram) seu calcanhar de Aquiles: Malala, sua adorada filha.
“Mas há aí uma mensagem: os sonhos dos pais podem ser um fardo”
(p. 65)
Mas, sem dúvidas, ambos os livros são uma inspiração para qualquer um que esteja disposto a tornar-se mais humano e que queira expandir seus horizontes culturais e sociais.
“É assim que acredito que se dá a transformação social. Ela começa por nós”
(p. 62)
Ficou interessado(a) em Livre para voar? Então clica aqui.
Título: Um jeito de recomeçar — Novos sonhos, pesadelos antigos
Autor: Filipe Salomão
Editora: Publicação independente
Páginas: 107
Ano: 2019
Sabe quando você termina um livro e não sabe bem o que fazer, pois o final não era nada do que você esperava (para o bem e para o mal)? Pois então, confesso que fiquei desnorteada com o final de Um jeito de recomeçar.
“Eu não sabia o que queria, e isso é saber mais do que muita gente”
Aliás, desnorteada talvez seja uma boa palavra para definir muito das minhas sensações ao ler esse livro. Uma leitura que te prende, ainda que você tenha medo de saber o que vem pela frente. Uma vontade de descobrir tudo para, no final das contas, não ser nada do que você poderia imaginar.
Carolina — ou Carol, como prefere ser chamada — uma jovem rica, chega em casa um belo dia e vê seu mundo destruído: o pai assassinara a mãe e, em seguida, cometera suicídio. Já da para imaginar, portanto, que neste livro não encontraremos uma história leve.
“Sabe, aprendemos mais com o fundo do poço do que com o topo da montanha, mas de um é fácil sair, do outro não”
E realmente, ao longo das páginas vamos conhecendo uma depressiva Carolina que tenta recomeçar sua vida longe de tudo e todos e que passa boa parte da história em uma pousada localizada em uma praia quase deserta, interagindo com aqueles que vivem ali e trabalham na pousada.
“Às vezes, começar do zero, largar tudo, assusta”
É interessante observar a rotina dos personagens, ver como cada um tem muito a oferecer e ensinar. E também vamos acompanhando algumas pequenas confusões causadas por Carol.
“Podemos nos acostumar com tudo na vida. Menos com o mar”
O problema é que essas “pequenas” confusões se tornam imensas confusões e, aos poucos, tudo vai ruindo novamente. É angustiante! E, como eu disse lá cima, desnorteador.
Carol é uma personagem que engana. Sentimos pena dela (ainda que ela não queira isso) e tentamos compreender sua dor (assim como os personagens que a cercam) e tudo o que ela faz e acabar com a paz que havia. Carol não é nada empática, ainda que a gente queira sentir isso em relação a ela.
“Amor é isso, não? Amor é compartilhar os piores segredos e sentimentos”
Mas aprendemos muito com essa leitura. E refletimos também. Afinal, a vida (e a morte) é uma caixinha de surpresas, não?
Se interessou por Um jeito de recomeçar? Então clica aqui.
Neste Tatianices recomenda venho falar um pouco sobre o Skoob. E esse é um daqueles posts que já deveriam ter sido escritos há tempos, mas que, ao mesmo tempo, eu não achava que fosse necessário escrever.
Para quem não sabe, o Skoob (books, de trás para frente — eu fiquei chocada quando descobri isso, ok?) é uma espécie de rede social para leitores. E foi criada por brasileiros! Eu, mesmo adorando essa plataforma, confesso que não uso nem metade dos recursos que ela disponibiliza, tudo de forma gratuita.
Mas, vamos do princípio. Para criar uma conta no Skoob, basta acessar o site https://www.skoob.com.br/. A rede também tem aplicativo disponível para Android e Ios. Tudo gratuito, tá?
Depois de criada a sua conta, você pode buscar por amigos — para acompanhar o que eles andam lendo — e entrar em grupos. Confesso que essas são coisas que não uso muito e que seriam o lado mais “rede social” do Skoob. Quem quiser me adicionar por lá, meu perfil está aqui.
Outra funcionalidade do Skoob, porém, que é a que mais uso mesmo, é a de “organizador de leituras”. Por meio dessa plataforma você pode marcar todos os livros que já leu, os que quer ler, os que está lendo, os que abandonou, os que gostaria de ter, os que tem e os que emprestou. Você ainda pode criar uma meta de leitura para o seu ano e acompanhar quantas páginas já leu (na vida ou durante o ano), pode escrever resenhas dos livros lidos, anotar o progresso da sua leitura atual e avaliar os livros.
Esse mês eu falei bastante sobre livros encalhados ou livros que preciso ler e o Skoob me ajuda a entender muito isso, porque não são apenas os livros físicos que tenho acumulado e lidar com ebooks pode ser uma bagunça!
Também dá para participar de sorteios de livros (geralmente lançamentos) e, para isso, basta ir na parte de “cortesias” e clicar em “quero participar”. Sério, só isso mesmo! E para quem acha que é balela, já ganhei dois sorteios por lá!
Mas eu confesso que quis escrever esse post para poder falar sobre o Skoob PLUS. Apesar do nome, não se trata de uma funcionalidade paga dessa plataforma. O PLUS é apenas um upgrade gratuito que te permite ser um “trocador” de livros via Skoob.
E como funciona isso? É bem simples: você marca os livros (físicos) que tem e que está querendo se desapegar como “quero trocar”, atribuindo a cada um o valor de um ou dois créditos. Qualquer pessoa que tenha esse livro como “desejado” e que seja um skoober plus verá que seu livro está disponível para troca e poderá solicitá-lo, caso tenha a quantidade de créditos necessários. E como conseguir créditos? Trocando seus livros! Ou seja, primeiro você começa enviando livros seus, para aí poder solicitar os livros que deseja. Assim que um skoober recebe um livro seu, você ganha os créditos correspondentes e ele e está apto a realizar trocas.
Aí você, leitor deste Blog, ainda cheio de dúvidas, me questiona: “tá, e porque eu me cadastraria nesse site e trocaria livros por ele se, para isso, eu vou ter que ir até uma agência do correio, pagar pra enviar um livro para, só então, poder, talvez, pedir um livro que eu queira, e que não será novo? Não é mais fácil eu ir logo numa livraria e comprar o livro novinho? Ou talvez passar num sebo? Comprar pela Amazon?”
Bom, vamos lá: em primeiro lugar, como eu disse lá em cima, é uma forma de você passar adiante livros que não quer mais, e abrir espaço para novos livros em sua estante. Além disso, ainda que você tenha de pagar para enviar seu livro, é possível enviá-lo como registro módico pelos correios, e costuma ficar super barato (acho que o mais caro que paguei não chegou a R$15,00). Por fim, você realmente não receberá um livro 100% novo, mas as pessoas costumam ser sensatas e não colocar para troca livros caindo aos pedaços (ao menos eu nunca recebi um assim). Ano passado fiz nove trocas nesse esquema e gostei bastante!
O que me motivou a escrever tudo isso foi o fato de que, ainda que muitas pessoas usem Skoob, essa é uma plataforma que ainda poderia se expandir muito — sendo extremamente útil para leitores e escritores — e também porque acho que muitas pessoas mais poderiam usar o PLUS e se beneficiar do prazer de trocar um livro (ou vários).
Claro que existem outros sites/plataformas/aplicativos com funcionalidades semelhantes, mas trouxe aqui aquele que conheço e que adoro. Quem mais usa Skoob aqui? E semelhantes?
O post de hoje talvez seja um dos mais difíceis dessa categoria e digo isso porque pretendo falar sobre algo que, ao mesmo tempo que é essencial para uma pesquisa, é algo sobre o qual temos poucas orientações.
Eu poderia dizer que o projeto de pesquisa é o início de tudo. Um documento que mostrará suas ideias e que, se bem feito, servirá de guia para toda a sua pesquisa. Em outros termos, ele é um esboço do que virá.
No Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas (PPGLLCI) — e creio que na maioria dos Programas de Pós —, a entrega do projeto de pesquisa faz parte do processo seletivo. É através desse documento que os professores avaliam a sua ideia, se ela tem sentido, se é relevante e, claro, viável.
Um bom projeto de pesquisa deve ter, essencialmente, as seguintes partes:
Introdução: para que você conte um pouco de onde surgiu sua ideia, da sua relação com o tema proposto. Tema, aliás, é a palavra chave aqui: o que você vai pesquisar?Eu acabei usando essa parte, também, para citar algumas pesquisas sobre o mesmo tema que a minha e qual era o “buraco” que eu queria “cobrir”, o que relacionou muito essa parte com outra que aparecerá logo mais.
Objetivo: se você está se propondo a se debruçar sobre um tema, você provavelmente tem um objetivo, quer chegar a algo. E aqui você vai tentar mostrar onde pretende chegar. No caso de pesquisas de Doutorado, é necessário colocar também uma hipótese que será ou não comprovada ao final da pesquisa. Para o Mestrado, você pode elencar uma ou duas perguntas para responder ao final da pesquisa.
Justificativa: depois de apresentar sua ideia, dizer onde quer chegar, alcançamos um ponto crucial: por que você quer fazer isso? Qual é a relevância da sua pesquisa? (e essa era a parte que estava muito ligada à minha introdução).
Metodologia: com todas as informações acima tendo sido apresentadas, você precisará esclarecer como pretende realizar a sua façanha. Aqui você poderá descrever os passos necessários, as ferramentas que utilizará e o que mais achar necessário esclarecer.
Fundamentação teórica: essa é uma parte complicadinha do projeto, pois você precisará mostrar quais autores/pensadores te ajudarão em sua caminhada. Afinal, mesmo a mais original das ideias precisa de forças para se concretizar, e é nesta parte que você mostrará quem te inspirou e como as ideias dessas pessoas podem te ajudar. Acho que essa foi a parte mais extensa do meu projeto, porque a ideia é você realmente falar um pouco sobre cada obra que pode vir a te servir na pesquisa (isso acaba mudando muito depois, você descobre novos textos, elimina alguns anteriores, não tem problema nenhum!)
Cronograma: para terminar, é hora de mostrar em quanto tempo você pretende realizar a pesquisa proposta. Mas não se engane: você não tem o tempo que quiser para isso. No PPGLLCI, por exemplo, temos no máximo dois anos (Mestrado) ou três anos (Doutorado) para concluir a pesquisa. Então, nessa parte, tudo o que você precisa mostrar é que é viável fazer o que você quer fazer no tempo que tem à disposição.
Referências bibliográficas: como todo trabalho acadêmico, você fechará o seu projeto de pesquisa com as referências dos textos utilizados para construí-lo. O ponto positivo dessa parte é que ela será muito útil no resto de sua pesquisa, afinal, boa parte dos textos usados no projeto serão utilizados no restante do trabalho (a menos que ele sofra uma mudança radical — o que pode vir a ocorrer também).
Como eu disse, essas são as partes essenciais de um projeto, mas a sequência e a estrutura dele pode variar de um Programa para outro, por isso é sempre importante tentar conseguir essas informações com outros alunos ou mesmo com professores.
Se você se sente extremamente perdido(a) com relação ao projeto de pesquisa, dá uma procurada no livro Como elaborar projetos de pesquisa, ele pode ser bem útil! O mais importante, porém, é não ter medo. Faça um rascunho, converse com que já passou por essa etapa, pergunte, pesquise. O projeto de pesquisa é uma parte importante da pesquisa, mas não é a pesquisa em si. Muita água ainda vai rolar depois disso.
Título: Dois garotos se beijando
Original: Two boys kissing
Autor: David Levithan
Editora: Galera
Páginas: 222
Ano: 2015
Tradutora: Regiane Winarski
Daquele doce prazer de pegar um livro sem grandes pretensões, me deparo com Dois garotos se beijando. Me entreguei, então, a uma leitura que se mostrou difícil a princípio, mas que logo me envolveu de tal maneira que talvez seja difícil falar desse livro.
“Uma coisa é mostrar a alguém a sua melhor e mais limpa versão. É bem diferente deixar que ele conheça seu eu profundo e irregular”
(pg. 64)
Com uma linguagem coloquial e quase poética, Dois garotos se beijando nos apresenta, na verdade, a história de vários adolescentes, contada por narradores externos, que aos poucos vamos entendendo quem são e porque narram essas histórias. E mais que isso, esse livro, na verdade, pode contar a história de praticamente qualquer adolescente, o que o torna ainda mais incrível.
“Você gasta tanto tempo e tanto esforço tentando se manter firme. E então tudo desmorona de qualquer jeito”
(pg. 36)
O que liga os personagens desse livro, claro, é o fato deles serem gays. E jovens. E viverem momentos delicados de sua vida, em que precisam mostrar às mentes preconceituosas que eles são tão humanos quanto qualquer ser humano. Ou até mais humanos que certos seres humanos.
“Há tantos momentos aos quais você acha que não vai sobreviver. Mas você sobrevive”
(pg. 97)
Este livro não tem capítulos, mas sim quebras a cada vez que mudam os personagens em foco. Assim, ora acompanhamos Neil e Peter, ora acompanhamos Cooper. Também podemos acompanhar Avery e Rayan, ou então Craig e Harry.
Um casal que está junto há certo tempo, um casal se formando, amigos que já foram um casal e um jovem solitário que não compreende o mundo, que o vê como um grande vazio e uma rede de mentiras. Há muito em comum entre eles, mas também há muito de único em cada um.
“Sempre há alguma coisa nova para aprender sobre a pessoa que você ama”
(pg. 46)
E entre uma história e outra vamos refletindo como, ainda hoje, há muito preconceito com pessoas LGBTQ+ e o quanto pode ser difícil, por causa disso, para elas se assumirem. Vamos refletindo, ainda, como, por outro lado, há muitas feridas que também dizem respeito a nós, nos mostrando ainda mais como somos todos iguais e podemos ter dores tão semelhantes.
“O amor é tão doloroso; como podemos desejar para alguém? E o amor é tão essencial; como podemos atrapalhar o progresso dele?”
(pg. 15)
Esse é um daqueles livros para você que gosta de falar sobre sentimentos, gosta de poder refletir sobre a vida e que, ao mesmo tempo, busca um livro com uma leitura fluída e que te prende, porque você quer saber se as coisas terminarão ou não “bem” (na medida do possível. E não que elas terminem efetivamente).
Dois garotos se beijando é um evento, e só lendo o livro você vai poder realmente entender o significado dessa frase. Ainda que ler esse livro, por si só, possa ser um grande evento em nossas vidas.
Se tem uma coisa que não faço há muito tempo por aqui é responder uma TAG! E ano passado eu vi uma no Blog Café e Bons Livros que achei bem legal e guardei para responder algum dia. Pois eis aqui a TAG e minhas respostas!
Mas antes… Por que eu guardei justo essa TAG para responder? Bem, segundo meu Skoob, tenho cerca de 115 livros (entre físicos e ebooks) que ainda não foram lidos… E o pior de tudo é que não dá para dizer que essa lista vai diminuir, porque sempre entra mais um…
1 – Um livro que está parado na estante há mais de um ano
Confesso que são muitos (mas comecei o processo de desencalhar já! ou não…), mas vou citar aqui As mil e uma noites
2 – Um lançamento muito aguardado que acabou ficando para trás
Eu ouvi muito falar do livro Cadeados: o amor é a chave, estou mega curiosa para ler, mas até agora, só enrolei!
3 – Uma conclusão ou continuação de série que ficou para depois
4 – Um autor que você ama, mas está com um livro encalhado
Bom, dos livros que tenho encalhados aqui, acho que não tem nenhum que se encaixa nessa categoria, mas eu provavelmente ainda vou me apaixonar por muitos autores nessa trajetória.
Título: O despertar da profecia
Autora: Ingrid Sousa
Editora: Publicação Independente
Páginas: 227
Ano: 2019
Já pensou que loucura seria se, de uma hora para outra, você descobrisse que não é o ser humano (quase) normal que sempre pensara ser? Apesar de alguns episódios um pouco estranhos em sua vida, Amália — a protagonista de O despertar da profecia — nunca desconfiara de tudo aquilo que havia dentro de si.
“Eu era uma garota normal, vivia em uma cidade normal e tinha uma vida normal. Mas vi tudo mudar e desmoronar sobre meus pés em questão de segundos”
As coisas começam a mudar e tomar rumos inesperados quando Heron aparece em Mystery Hollow. Um rapaz encantador e cheio de mistérios que vem para revolucionar a vida de Amália.
“Tenho consciência de que sozinha jamais conseguiria enfrentar essa barra”
E não, não se engane, pois não estou falando de um relacionamento! O despertar da profecia não é um romance, mas um livro de fantasia cheio de ação, segredos e um pouquinho de sangue também (sim, é melhor não se apegar aos personagens…). Uma história que também nos apresenta elementos da mitologia grega e que transpõe, de maneira muito interessante e natural, a barreira entre o real e o fantástico.
“Mas a verdade é que sou apenas uma garota com medo de não conseguir cumprir o seu propósito, insegura de que os resultados não sejam bons”
O fato de ter ação e suspense na medida certa nos prende a esse livro, além dele ter capítulos alternados entre presente e passado que, aos poucos, vão se ligando e nos fazendo encaixar as peças desse quebra-cabeça fantástico (sim, nos dois sentidos). Ao longo das páginas, portanto, vamos compreendendo como tudo começou (meses antes), ao mesmo tempo que acompanhamos (nos dias atuais) a busca de Amália e Heron por alguém que possa ajudá-los.
“Estamos sobrevivendo há muito tempo, talvez mais até do que consiga me lembrar. Me sinto impotente por não ter controle do que sou e tenho dentro de mim”
Narrado em primeira pessoa, O despertar da profecia também consegue nos mostrar o amadurecimento de seus personagens, principalmente da narradora protagonista, a que mais sofre com tudo o que acontece. E, ao final, muitas respostas nos chegam por meio da narrativa de outro personagem. Mas fiquem espertos: como esse é só o primeiro volume de uma série, ainda há muito por vir!
“Heron passou a ser meu ponto de apoio entre a sanidade e a loucura. Me entendendo, me aceitando e sabendo que não sou louca”
Se interessou pelo que O despertar da profecia tem a te oferecer? Então clica aqui!