Vertigo — Marie Pessoa

Título: Vertigo
Autor: Marie Pessoa
Editora: Publicação independente
Páginas: 162
Ano: 2019

vertigo

Vertigo não é um livro previsível: você vai lendo página após página e não imagina onde a história vai dar. Isso sem contar que muitos temas importantes são abordados ao longo da narrativa e que diversas coisas nos são ensinadas a cada guinada na história.

“Pequenos elogios como esse faziam total diferença a alguém despedaçado”

Quem narra Vertigo é Mia, uma jovem publicitária que descobre que seu noivo a está traindo com a sua até então melhor amiga. Desempregada e sozinha, Mia entra em depressão.

“Era doloroso demais terminar um relacionamento. Qualquer um deles; até mesmo os que não havia mais sentimentos”

Um belo dia, Mia resolve ir ao Satan’s Bar, localizado perto de sua casa. Até essa primeira visita, ela imaginava que aquele fosse apenas mais um barzinho, cheio de jovens, mas ao chegar lá se depara com algo totalmente diferente do que esperava.

No dia seguinte, Mia é acordada por uma ligação chamando-a para uma entrevista de emprego. E, então, sua vida começa a tomar rumos inesperados. Suas vidas profissional e pessoal vão se misturando de maneira complicada e intensa.

“Posso afirmar com convicção: recomeços não são fáceis”

Na noite em Santan’s bar, Mia conhece Matteo. Em seu novo emprego, Giorgio. Dois personagens em um mesmo corpo. Dois personagens (ou apenas um) que mexem muito com Mia. Ainda que ela carregue mágoas do fim de seu último relacionamento, ela não consegue deixar de se apaixonar por esse homem que está disposto a ensinar tudo o que sabe sobre BSDM, mas que, ao mesmo tempo, não parece disposto a se entregar a um relacionamento monogâmico, que apesar de tudo continua a ser o sonho de Mia.

“Precisava de novas amizades, e principalmente criar novas lembranças. As antigas já não me serviam mais”

Com a relação entre Mia e Giorgio (ou Matteo) — uma relação que não é apenas sexual, mas também de amizade — vamos descobrindo sobre o passado da protagonista e, com ela, vamos percebendo como seu relacionamento anterior era abusivo e tóxico.

“Eu não queria viver numa eterna vertigem. Estava farta de desistir dos meus sonhos por pessoas que não fariam o mesmo por mim”

Neste livro, portanto, vemos uma mulher se livrando de amarras, se descobrindo e aprendendo a se amar. Mia também reflete muito sobre o feminismo — lembrando que, além de tudo, ela foi traída por sua melhor amiga —  e sobre suas ações em relação às suas crenças e ideologias.

“Era o tipo de sorriso que eu gostaria de ver todos os dias ao acordar e antes de dormir. O sorriso de alguém que se importava comigo”

É uma história hot, mas sem cair no lugar comum de tantas outras histórias. Uma narrativa com temáticas que valem a discussão e com um final aberto que — ainda que isso desagrade a muitos —  não poderia ser diferente: Vertigo não é um conto de fadas, mas uma história que se mostra como real e plausível.

“Mas com a vida adulta percebi que nem todos os sonhos são alcançáveis. A gente realiza o que pode”

Se você quiser conhecer Mia e sua trajetória, clique aqui.

Fantásticos — Nuccia De Cicco (org.)

Título: Fantásticos
Autor: vários
Editora: Sinna
Páginas: 100
Ano: 2018

fantásticos blog

Resenhar Fantásticos não é uma tarefa fácil. Se falar sobre um livro de contos já traz suas dificuldades (falo do livro como um todo? Falo de cada conto?), esse é ainda mais complicado devido à sua temática: a antologia Fantásticos nos apresenta histórias em que os protagonistas têm algum tipo de deficiência.

“Não sou inferior a você. Sou diferente, todo mundo é diferente. Sou humana, como você”

Ao longo das páginas vamos nos deparando com protagonistas com deficiência auditiva, visual, motora, ou mesmo intelectual.

“Depois de refletir sobre tudo o que havia acontecido naquele dia, descobri que a vida não era tão fácil quanto parecia”

Muitas das histórias também trazem algo da fantasia: mundos paralelos, poderes inesperados. Claro que, tudo isso pode ser lido em uma chave alegórica, que tenta nos mostrar que uma deficiência não torna ninguém menos que qualquer outro ser humano.  Em outros textos, porém, nos deparamos com a realidade nua e crua do que é ter qualquer tipo de deficiência em uma sociedade como a nossa. Em todos eles há, ainda, o preconceito em suas mais diversas formas e as maneiras que os protagonistas encontram para resolver a situação.

“Se eu não consigo fazer as coisas da maneira tradicional, invento outra maneira de fazer”

Este é, sem dúvidas, um livro para refletirmos e para que busquemos quebrar certos preconceitos. Empatia é uma ótima palavra para definir essa obra. Confesso, porém, que esperava um pouco mais do livro que, no geral, acabou não me prendendo tanto assim, ainda que eu tivesse vontade de saber mais sobre cada personagem. As narrativas, apesar da temática, me pareceram muito superficiais, mas considero esta uma leitura essencial nas escolas. Seria uma tarefa que poderia trazer bons frutos.

“É perfeitamente normal a curiosidade sobre algo novo em nossas vidas, contanto, é claro, que isso não ferisse o próximo”

Sentiu vontade de conhecer as histórias deste livro? Clica aqui.

Divagações: falando sobre números

Divagações_ conversando sobre números

Ando pensando em números e quem me conhece sabe o quanto isso pode ser estranho: veja bem, resolvi cursar Letras — dentre outros motivos, claro — para tentar fugir dos temidos números e agora estou aqui, mais presa que nunca a essa assunto.

Sim, números são importantes e eu não poderia viver totalmente sem eles, mas o problema é quando eles se tornam uma obsessão. E às vezes é assim que os vejo, não só de minha parte, mas na sociedade em geral.

O Instagram foi uma rede social que ajudou a fomentar esse debate sobre números, tanto é que, agora, não podemos mais ver quantas curtidas tem nas fotos dos outros. Mas ainda podemos acompanhar de pertinho o número de seguidores de cada um…

Sempre que me inscrevo para parcerias — com escritores ou editoras — também me pego pensando sobre essa importância que damos aos números, uma vez que sempre acabam pedindo algum tipo de estatística, seja número de seguidores, curtidas ou visualizações.

O problema é que isso vai se tornando um (péssimo) hábito. Eu perco as contas (olha os números aí, minha gente!) de quantas vezes clico nas estatísticas do Blog (diariamente) para ver como anda o movimento, e ainda compará-lo com o dia anterior, com a semana anterior e com o mês anterior. Também me pego vendo quantos seguidores tenho no Instagram, quanto livros eu já li e como está minha colocação na meta de leitura do Skoob. E, aos poucos, essa vício nos números vai se tornando doentio.

Isso sem contar o fato de que me preocupo com quantos passos dei no dia (e na semana e no mês) — já que meu celular faz o favor de contar por mim — com quantas horas durmo, com quantas garrafas de água bebi, com cada centavo que tenho em minha conta bancária. E, claro, ainda tinha de estar em um emprego onde quantidade é algo que importa muito.

Nada contra números, mas tudo contra esses hábitos insanos que tenho criado e cultivado. Vale mais fazer as coisas com qualidade do que em grandes quantidades. Mas, ainda que saber disso já seja um bom passo, sei que ainda tenho muito a melhorar (aceito dicas) e que, sem dúvidas, desacelerar é preciso.

E as estrelas, quantas são? — Giulia Carcasi

Título: E as estrelas, quantas são?
Original: Ma le stelle quante sono
Autor: Giulia Carcasi
Editora: Planeta
Páginas: 272 
Ano: 2011
Tradutor: Letícia Martins de Andrade

e as estrelas

[Antes de começar a ler esse post faça um favor para mim e leia o título desse livro em italiano. Olha que coisa mais linda!]

Esse livro chegou até mim de forma inesperada: um presente fora de época. Mas mais inesperado ainda foi o que encontrei diante de mim: não um livro, mas dois. De um lado temos a história de Alice Scaricca; de outro, a história de Carlo.

“Alice é bonita justamente por isso, porque tem os olhos cheios de alguma coisa que não é desta terra, alguma coisa que não foi contaminada”

(p. 25 – Carlo)

Dois jovens que estão no último ano da escola, vivendo uma intensa fase de descobertas. Vivendo aquela fase pela qual todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabamos por passar, cada um à sua maneira.

“Me sinto como alguém que procurou manter em equilíbrio muitas coisas que depois acabaram caindo: o amor, a família, a amizade, os exames…”

(p. 141- Alice)

Alice e Carlo não são os populares da escola, muito pelo contrário: são “esquisitos”, estudiosos, têm poucos amigos. E mesmo sendo tão parecidos, eles conseguem ter experiências bem diversas (claro).

“Estou cansada de me colocar na pele dos outros. Agora tenha a minha própria para cuidar”

(p. 85 – Alice)

Cada um deles, a seu modo, está descobrindo o amor. E também a decepção, a traição, o mundo adulto. Eles estão vivendo as suas experiências, enquanto nos mostram muito daquilo que podemos ter vivido também.

“Porque se tornar um homem não significa ter feito sexo; significa ter coragem de enfrentar os próprios medos e de lutar por quem se ama”

(p. 108 – Carlo)

Mesmo depois de ler E as estrelas, quantas são? não sei se há uma maneira certa de encará-lo. Comecei com a parte de Alice e depois fui para a parte de Carlo. Mas também pensei em alternar as partes ou começar por Carlo e depois ir para a Alice. Não sei como esses caminhos poderiam ter mudado minha percepção sobre o livro. De qualquer forma, achei a parte da Alice mais intensa, profunda (e mais longa, isso é inegável). Mas a parte de Carlo tem a sua poesia.

“Tudo aquilo que lhe dá coragem é poesia, tudo aquilo que segura a sua mão e lhe explica o mundo, que faz você se sentir menos só, que ajuda você a se entender e a se perceber”

(p.124- Alice)

As histórias de ambos acabam se cruzando, mas ainda que tenha algo da narrativa de um na narrativa do outro, o livro consegue não ser repetitivo, pois é realmente interessante ver o ponto de vista de cada um e a forma que eles enxergam os mesmos acontecimentos.

“Haveria menos guerras se as pessoas despertassem com uma história”

(p.9 – Alice)

Eu me deliciei lendo esse livro. Uma leitura feita aos poucos, com as pausas necessárias para absorver a transformação desses dois jovens. Transformação essa pela qual tantos de nós já passaram em algum momento.

“Mas o tempo corre rápido e não manda aviso, não diz que está prestes a te alcançar e te deixar para trás”

(p.17 – Alice)
Quer conhecer melhor Alice e Carlo? Então adquira seu livro aqui.

O passado de Raya — Michelle Pereira

Título: O passado de Raya
Autor: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Páginas: 36
Ano: 2018

o passado de raya blog

Quando li Guardião do medo, fiquei intrigada com Raya, que diversas vezes fez menção ao seu passado, mas sem explicar o que houvera. Sabendo que havia um conto chamado O passado de Raya, quis, obviamente lê-lo o mais rápido possível.

Já dava para imaginar que Raya era apaixonada por Alexander — isso era o pouco que podíamos deduzir de suas pistas — mas eu não esperava uma história como a que encontrei.

Rayan (seu verdadeiro nome), quando ainda era humana, fugiu com seu noivo e, por isso, eles viviam de favor no celeiro de uma fazenda, cujos donos — Mina, Theodoro e Daniel — eram muito amáveis.

“Havia um belo sorriso em seu rosto, o que me fez concluir que tudo estava bem. Algo que nem sempre era verdade”

Rayan — assim como Alexander em Guardião do Medo — vê criaturas que não sabe o que são e que a assustam. Além disso, o relacionamento de Raya e seu noivo era um tanto quanto conturbado, coisa que, de início, ela não enxergava, devido ao amor que sentia. Aos poucos, porém, esse tal noivo vai revelando sua verdadeira faceta e Raya tem sorte de estar numa fazenda com donos tão gentis e protetores.

No clímax desta história temos um ciúme que cega e torna ainda mais violento o noivo de Raya. Uma história que deveria ser de fantasia, mas que, ao mesmo tempo, revela muito bem a infeliz realidade de tantos relacionamentos. O passado de Raya é pesado, mas seu presente também. E ainda há muito a ser revelado sobre essa personagem intensa e forte.

Se você está em busca de uma leitura mais curta, mas que ainda é intensa e capaz de te fazer refletir sobre um dos sentimentos mais complexos que há — o amor — essa história é pra você!

Quer saber como termina a história de amor de Raya? Então clica aqui.

Por que eu gosto da Amazon?

Por que eu gosto da

Hoje eu resolvi trazer um post um pouco diferente, explicando os motivos que me fazem, muitas vezes, comprar livros — e mesmo outros produtos — na Amazon, bem como as mudanças que ocorreram nos meus hábitos de leitura depois que ganhei um Kindle. E, aproveitando o tema, vim apresentar o Amazon Prime também.

Um dos primeiros motivos pelos quais compro na Amazon é a comodidade: quase sempre o que quero comprar são livros e dificilmente não encontro aquele que quero nesse site. Além disso, é possível até mesmo encontrar preços variados, livros seminovos etc. E bem, tudo isso sem que eu precise me deslocar para lugar algum. Isso é ótimo para quando precisamos comprar um livro específico e com certa urgência, mas certamente não troca o prazer de ficar andando a esmo em uma livraria, apenas se deliciando com a infinidade de livros e encontrando títulos incríveis por acaso (e indo à falência por causa disso, mas uma falência deliciosa). De qualquer forma, quando quero presentear alguém com um livro, acabo comprando pela Amazon, porque sempre lembro de comprar em uns momentos muito aleatórios e quando estou em casa.

Outra vantagem da Amazon é que, em alguns casos, acontece do frete ser grátis (para isso é preciso consultar a política deles). Ah, e tem também o fator rapidez: tem produto que acaba chegando em menos de dois dias!! Como eu disse, vale a pena para casos de urgência (obviamente, caso você não tenha como passar numa livraria, o que poderia ser ainda mais rápido, ou então quando o livro que você precisa não está disponível em livraria alguma — coisa que, infelizmente, acontece).

Esse ano ainda ganhei um Kindle (talvez eu tenha pedido ele para o meu irmão, de presente de aniversário…), que é o e-reader da Amazon, pois muitas das parcerias que fechei (e ainda estou fechando) eram (são) para a leitura de ebooks e eu estava fazendo essas leituras pelo celular (sim, porque para quem não tem um kindle, é possível baixar o aplicativo do Kindle no celular, no computador, em um tablet…).

Ter ganhado um Kindle fez com que eu consumisse ainda mais ebooks nacionais, uma vez que, além dos parceiros, muitos autores nacionais acabam deixando, dia ou outro, seus livros totalmente gratuitos para download. E isso é outra coisa muito bacana do Kindle: é possível encontrar milhares de ebooks gratuitos ou por preços muito baixos, e esses itens são renovados quase que diariamente! O único problema é que a fila de “não lidos” só aumenta…

Também tem gente que acaba usando o Kindle Unlimited, uma espécie de Netflix de livros: você paga uma mensalidade e tem acesso a mais inúmeros ebooks de forma “gratuita” (lembre-se que você paga uma mensalidade). Nesse caso, porém, se não estou enganada, é como se você pegasse o livro emprestado, ele não fica baixado para sempre no seu Kindle. Com relação a esse serviço, ainda não experimentei, (apesar de ser possível fazer isso por 30 dias de forma gratuita) pois, como eu disse, minha lista de livros (físicos e digitais) não lidos ainda está imensa.

Outra vantagem do Kindle é a praticidade: ele é leve e não ocupa muito espaço. Eu consigo carregar ele em quase todas as minhas bolsas (até nas menores que tenho) e ele não fica pesando. E o melhor: se eu acabo um livro no meio do caminho, já posso logo iniciar a leitura de outro, porque eles estão ali, ao alcance da mão. E meu kindle é o paperwhite, ou seja, ele tem iluminação embutida, o que me permite ler em QUALQUER lugar, inclusive no escuro! Para quem viaja muito (de ônibus ou avião, por exemplo) e não consegue dormir, é ótimo: você pode ler sem atrapalhar seu vizinho!

Antes do meu kindle eu era daquelas que defendia ferrenhamente livros físicos. Hoje não vou dizer que não os prefira, mas certamente me rendi aos encantos da praticidade dos ebooks. Mas se me perguntarem o que prefiro entre físico e ebook… Físico ganha sem pestanejar!

Por fim, essa semana, a Amazon anunciou uma mega novidade: o Amazon Prime.

Em uma combinação de benefícios de compra e entretenimento, o Amazon Prime chega para tornar a vida das pessoas mais fácil e divertida, em uma única assinatura, por apenas R$9,90/mês. Ao assinar o Amazon Prime o cliente tem acesso a frete GRÁTIS ilimitado em milhões de produtos elegíveis e acesso a filmes, séries, músicas, eBooks, revistas, jogos, ofertas exclusivas e muito mais.

Já ouvi críticas, já vi gente amando… Mas ainda não testei. E você, o que acha?

Uma casa no fundo de um lago – Josh Malerman

Título: Uma casa no fundo de um lago
Original: A House at the Bottom of a Lake
Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
Ano: 2018
Tradução: Fabiana Colasanti

uma casa no fundo de um lago

Depois de assistir Caixa de Pássaros (ou Birdbox), fiquei com vontade de ler o livro que dera origem ao filme. Mas antes, ouvi falar de Uma casa no fundo de um lago, e, sendo do mesmo autor, resolvi ler, afinal seria uma história totalmente nova para mim. Infelizmente, porém, fiquei decepcionada!

Eu consigo dividir a minha leitura deste livro em três momentos principais: um começo parado, um meio relativamente instigante (o que me fez prosseguir com a leitura) e um final que me deixou com uma enorme cara de interrogação. Fiquei até pensando se eu que não havia entendido a história, mas comecei a ver que muitas pessoas também ficaram insatisfeitas com essa narrativa (o que também não significa que talvez todos nós não a tenhamos entendido).

“Mas porque a casa já parecia exigir uma consideração mais cuidadosa do que qualquer sorriso simples poderia suprir”

(pg.58)

Neste livro conhecemos James e Amélia, dois jovens de 17 anos apaixonados um pelo outro. Tudo começa quando James decide chamar Amélia para sair. E eles resolvem fazer um passeio no lago. E descobrem um lago escondido. E encontram uma casa submersa no lago escondido.

“E não era só a casa. Não. Era o quarto lago no qual também estavam nadando”

(pg. 60)

Essa tal casa exerce um fascínio não apenas nos jovens, que passam a explorá-la constantemente, mas também em nós, leitores (é aquele meio instigante que mencionei no começo). Mas a história acaba ficando muito nisso, na exploração da tal casa submersa, e pouco se aprofunda (irônico, não?). Ao mesmo tempo, eu senti que a exploração gradual dessa casa escura era como percorrer um caminho de autoconhecimento, como mergulhar em si mesmo. No entanto, essa foi uma interpretação que acabei dando à história, talvez na tentativa de dar um sentido a ela.

Num dado momento da história, Amélia encontra um espelho dentro da casa , numa passagem que me lembrou Caixa de pássaros. Fiquei pensando no quanto o autor dá valor à visão, como um dos nossos sentidos mais poderosos.

“Não se olhe nele”

pg. 48

Mesmo não gostando tanto assim deste livro, eu leria outras obras do autor (além de Caixa de pássaros, que logo terá resenha por aqui também), porque o fato dessa história não ter me agradado tanto assim não significa que o escritor seja ruim (e o sucesso de Caixa de pássaros é evidente).

Se você quer tirar suas próprias conclusões sobre Uma casa no fundo de um lago, adquira seu livro aqui.

Precisamos conversar sobre a Bienal

Precisamos conversar sobre a Bienal

Resolvi adiar todos os posts do Blog pelo “simples” fato de que precisamos conversar sobre o que aconteceu na 19º Bienal do Livro carioca, na última sexta-feira (acontecimento que teve seus desdobramentos sábado e domingo também, últimos dias do evento).

Caso você, leitor deste Blog, viva numa bolha maior que a minha (porque olha, nunca vi pessoa tão desinformada quanto eu!) e não saiba do que estou falando, explico: na sexta-feira (06/09) foi divulgado que na quinta-feira (05/09) o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, havia determinado que “Vingadores, a cruzada das crianças” fosse recolhido por conter a imagem de um beijo entre dois homens (imagem essa que eu talvez nunca tivesse visto se não fosse essa idea babaca, que teve como resultado a veiculação de tal imagem em diversas mídias). No mesmo dia, “fiscais da prefeitura” também foram à Bienal para identificar e lacrar livros “impróprios” (leia-se: livros LGBTQ+). Obviamente houve muita reação a esses absurdos e vale à pena dar uma pesquisada!

Diante de tudo isso eu não poderia ficar calada. Eu precisava ao menos vir desabafar (depois de baixar milhares de ebooks LGBTQ+). Meu último post aqui foi com  indicações de livros que falam sobre suicídio. E nesse post eu comentei que fiz isso porque sei o quanto livros são importantes, o quanto eles podem nos ajudar.

Ora essa, a mesma lógica serve para os livros LGBTQ+! Quantas pessoas que fogem do padrão imposto por uma sociedade retrógrada já não encontraram nos livros um refúgio, uma força pra seguir em frente, um consolo? E quantas pessoas que se encaixam no padrão imposto por uma sociedade retrógrada não puderam aprender com livros desse tipo, passando a respeitar e a ter empatia com os outros?

Vamos dizer que eu faço parte desse segundo grupo (pessoas que se encaixam no padrão imposto por uma sociedade retrógrada). E vamos dizer que eu confesso que, apesar da vontade, ainda não li muitos livros LGBTQ+. Garanto a vocês que um dos livros que mais me marcou na vida foi Menino de Ouro, que fala sobre intersexualidade, um assunto que até então eu praticamente desconhecia. E, além disso, a forma como a história é construída, nos faz pensar muito sobre questões de gênero e identidade. Outra leitura que mexeu muito comigo foi Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo.  Fico pensando quanto mais não posso aprender com outros livros LGBTQ+ que estão na minha lista de desejados (como Um milhão de finais felizes e Conectadas) e com aqueles que não estavam, mas que já adquiri (como No meu lugar e Querido ex,)?

Todo tipo de leitura/literatura é válida e só resta a nós, leitores, apoiarmos nossos escritores (nacionais e internacionais) e contribuir para que a literatura não sucumba à censura.

Aproveito e peço para que deixem nos comentários desse post indicações de livros LGBTQ+ que não podemos deixar de ler!

Entre Girassóis — Juju Figueiredo

Título: Entre girassóis
Autor: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 69 
Ano: 2019

entre girassois blog

Laura ainda era jovem e cheia de sonhos quando seus pais — viciados em jogos — prometeram a mão dela a um velho, como pagamento da dívida que haviam adquirido. Inconformada, Laura não sabia como fugir dessa situação. No dia do noivado, porém, uma salvação: Antônio. Em troca de um favor de Laura ele pagaria todas as dívidas dos pais dela e a libertaria desse casamento forçado. Falando assim, até parece que Entre girassóis se passa no século passado, mas garanto que a ambientação da história é bem atual!

“Mas eles não entendiam, ninguém entendia o que a dor é capaz de fazer com o ser humano, o que o álcool pode fazer com um homem, ele muda a pessoa”

Da amizade entre Laura e Antônio acaba surgindo um amor verdadeiro. E do amor entre eles nasce uma bela menina. Antônio, porém, sofre uma morte precoce, deixando Laura viúva.

“— Vocês não o conheciam, ele tinha seus demônio e tentava lutar contra eles todos os dias”

Depois de perder seu marido, Laura foca em apenas duas coisas: sua filha e sua carreira. O amor, para ela, era algo que ficara para trás, afinal, quem se apaixonaria por uma mãe viúva?

Bem, era isso que Laura se perguntava até que Willian surgisse em sua vida. Um lindo rapaz que não acreditava em amor à primeira vista e nem em almas gêmeas, mas que teve suas certezas abaladas ao conhecer Laura.

A narrativa de Entre girassóis é alternada entre Laura e Willian, com predominância de capítulos escritos pela protagonista. Esse é o segundo livro da Série Recomeços (o primeiro é Simplesmente amor), uma trilogia spin off da Série Envolventes (que logo vai começar a aparecer por aqui!).

Se você quer saber o que acontece entre Laura e Willian, adquira seu ebook aqui.

Leviatã – Boris Akunin

Título: Leviatã
Original: Léviathan
Autor: Boris Akunin
Editora: Objetiva
Páginas: 282
Ano: 2004
Tradução: Adalgisa Campos da Silva

Leviatã blog

Um crime que culminou na morte de dez inocentes — dentre eles o Lorde Littleby — na rua Grenelle, em Paris, no ano de 1878. É assim que começa a história de Leviatã, um livro policial escrito por Boris Akunin.

As investigações de tal crime, contudo, acontecem em um navio — o Leviatã —, mais precisamente na primeira classe do mesmo, devido a uma pista encontrada na cena do crime. Boa parte da narrativa se passa, portanto, no salão Windsor, onde o detetive consegue juntar os suspeitos desse grande crime.

Durante as refeições no salão Windsor vamos conhecendo melhor o detetive Gauche, Charles Reynier (segundo capitão do navio), Milford Stoakes, Gintaro Aono (um samurai japonês), Renata Kléber (uma mulher grávida), Clarice Stamp, Sr. e Sra. Truffo (que são os médicos do navio), Sweetchild (um arqueólogo) e Erast Fandórin (um russo). Pessoas bem peculiares e cheias de mistério.

“Clarice aproximou-se da mesa e, como os outros, contemplou, maravilhada, o pedaço de pano que custara tantas vidas humanas”

(p.269)

O livro é composto por várias formas de texto (narrativo, carta, páginas de um diário) e diversos personagens ganham voz ao longo das páginas. É muito interessante ver como, por vezes, eles mesmos dizem algo que os torna, diante dos nossos olhos leigos, suspeitos desse crime. Além disso, o fio investigativo da história é excelente, nos deixando em dúvida até o último instante sobre o verdadeiro criminoso e também nos surpreendendo com um desfecho incrível.

Eu ganhei esse livro de uma amiga (obrigada, Moni <3) e ficamos curiosas com o título, mas eu não esperava encontrar uma história tão boa. Leviatã faz parte de uma série, e até fiquei com vontade de ler os demais (já providenciei uma parte disso) e foi um livro que todos aqui em casa acabaram lendo!

Por fim, gostaria de comentar que a rua Grenelle realmente existe em Paris (e é extensa) e que, após todos aqui em casa lerem esse livro e estando com uma viagem marcada para a cidade luz, não pudemos deixar de procurar a tal rua por lá… e encontramos:

rua grenelle

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