Os quase completos – Felippe Barbosa

Título: Os quase completos
Autor: Felippe Barbosa
Editora: Arqueiro
Páginas: 384
Ano: 2018

(Para ler ao som de: Por você – Frejat)

Estava eu na internet dia desses quando me deparo com esse livro. Autor que eu não conhecia, livro nunca visto. Mas a capa chamou a minha atenção. Decidi ler a sinopse do livro e acabei comprando-o. Foi uma ótima escolha! Devorei o livro todo, destaquei várias passagens. Mas, sem mais delongas, vamos à resenha!

Em os quase completos temos três histórias que, de alguma forma, se cruzam e se completam. É difícil, por isso, falar muito sobre esse livro sem dar spoilers. E, para dificultar ainda mais, Felippe Barbosa escreve de um jeito muito interessante, dando as informações aos poucos. Há mistérios por toda a parte e o tempo todo ficamos com aquela sensação de “o que vai acontecer agora?”.

“- Ora, nossa vida é feita de mudanças repentinas”

Os quase completos (p.187)

O livro vai se alternando entre as histórias do “Quase doutor”, do “Quase repórter” e da “Quase viúva”. O “quase doutor” e a “quase viúva” narram suas partes, enquanto o “quase repórter” tem sua história narrada. Não sei se compreendi muito bem porque foi feito assim, mas talvez seja porque a história do “quase doutor” e da “quase viúva” sejam centrais. E bem, tem o plot twist do final também…

“Falar de nós mesmos, afinal, é como contar uma história”

Os quase completos (p.361)

O “quase repórter” chama-se Victor. Por mais que ele não apareça tanto ao longo do livro, suas aparições são bem importantes (e gostosas de ler, apesar da melancolia).

“É interessante indagar se a rotina pertence a um indivíduo ou se é o indivíduo que pertence à sua rotina”

Os quase completos (p.12)

A “quase viúva”, por outro lado, chama-se Verônica. Seu marido está internado e, como se isso já não fosse drama suficiente na vida de alguém, ela começa a ter algumas crises existenciais, agravadas pelas falas do paciente que está dividindo o quarto com seu marido.

“É nos momentos mais frágeis que nos mostramos mais corajosos”

Os quase completos (p.99)

Por fim, o “quase doutor” passa boa parte do livro, digamos… Em outro plano.

“Jamais saímos de um ônibus do mesmo modo que entramos”

Os quase completos (p.336)

Há ainda outros personagens importantes nessa história, como Mira, o dr. Carlos, Celina e a família do “quase doutor”, mas se eu começar a falar de cada um deles, talvez você só termine de ler essa resenha amanhã…

O que os três personagens têm em comum é o fato de estarem insatisfeitos com suas vidas. O “quase doutor”, por exemplo, vai aos poucos descobrindo que vive a vida que sonharam para ele, e não a vida que ele sempre sonhou para si. Verônica, por sua vez, passa por descobertas bem parecidas, enquanto Victor tem consciência de que seu emprego não lhe agrada, mas não parece fazer muito para mudar de vida.

“- A gente nunca para para pensar sobre a gente, não é?”

Os quase completos (p.215)

Os quase completos é um livro que fala sobre buscarmos nossos sonhos e nossa felicidade. Acreditar que aquilo que nos faz feliz é possível. E a maneira como tudo isso é mostrado na história é bem interessante.

“Quando somos amados, é de esperar que a pessoa também ame os nossos sonhos”

Os quase completos (p.182)

E por mais que não seja exatamente uma história de amor, esse sentimento aparece em abundância no livro, sem soar clichê. Muito pelo contrário, aliás: aparecem muitas dúvidas, medos, brigas, perdas, escolhas…

“Isso não é bobo. Todo mundo quer ser amado. Isso é humano”

Os quase completos (p.350)

A linguagem de Os quase completos não é de difícil compreensão e por mais que a história narrada possa ser a história de qualquer um de nós (e, realmente, há muitos elementos com os quais podemos nos identificar, muitas situações que já vivemos ou poderemos viver) é preciso ler com a mente aberta e enxergar para além das metáforas que estão ali presentes. E se assim for, é possível aprender e compreender muito sobre a vida e sobre nós mesmos.

Que tal conferir com seus próprios olhos?

TAG: To all the boys I’ve loved before

Fui indicada pela Lids, do Caçadoras de Spoilers, para responder à essa TAG, criada pela Melina Souza. Vamos conferir minhas respostas?

1. Lara Jean: um livro com protagonista “não padrão”

Extraordinário – R. J. Palacio (como não poderia deixar de ser).

2. Margot: um livro em que acontece uma viagem

Minha vida fora de série 4 – Paula Pimenta (porque não dá pra deixar essa autora maravilhosa de fora).

3. Katherine (Kitty): um livro infantil ou juvenil que te ensinou algo que você leva para a vida

Todos, mas pra citar um:

Pipi Meialonga – Astrid Lindgren (quem conhece?? QUE SAUDADES!!).

4. Josh: um livro que está sempre por perto para você reler

A princesinha – Frances Hodgson (não sei quantas vezes já reli esse livro…).

5. Peter: um livro que você pegou para ler porque achou a capa bonita/atraente e que acabou se apaixonando

Feita de letra e música – Adrielli Almeida (história incrível, escritora maravilhosa, tudo de bom!).

6. Lucas: seu livro LBGTQ+ favorito

Menino de ouro – Abigail Tartellin (não sei se entra nessa categoria, mas esse livro sempre tem que aparecer nas minhas respostas).

7. John: um livro único ou final de uma série que você adoraria que tivesse uma continuação para saber como os personagens estão

Trago seu amor em 3 dias – Mel Geve (até comentei isso na resenha).

8. Kenny: o seu primeiro amor literário

Não faço ideia, mas deixo como sendo o Rodrigo, de Minha vida fora de série/ Fazendo meu Filme – Paula Pimenta.

9. Chris: uma personagem que você gostaria de ser amiga na vida real

O Sally, de A lógica inexplicável da minha vida – Benjamin Alire Saénz.

E vocês, quais seriam as suas respostas para essa TAG?

I pesci non chiudono gli occhi – Erri de Luca

Título: I pesci non chiudono gli occhi
Autor: Erri de Luca
Editora: Feltrinelli
Páginas: 115 
Ano: 2015 (5º edição)

Voltando no tempo e na memória, Erri de Luca nos conta, em I pesci non chiudono gli occhi, sobre um verão vivido aos 10 anos de idade. No livro não há capítulos, apenas um espaçamento maior entre um trecho e outro, nos dando ainda mais a sensação de uma história contínua, de uma recordação. O narrador é um garoto de 10 anos, que possui um linguajar um tanto quanto adulto, mas totalmente aceitável para aqueles que entram em contato com essa história, pois trata-se de um jovem que adora ler, fazer palavras-cruzadas e que desenvolve um pensamento crítico e filosófico desde cedo.

A narrativa se passa em uma ilha, onde o garoto está passando as férias com a mãe. Seu pai, justamente naquele ano, fora para a América (Estados Unidos) em busca de trabalho e melhores condições de vida. Sua irmã, por outro lado, estava passando as férias com os amigos.

O narrador é um menino tímido, quieto e muito inteligente, e além de passar seus dias na praia, fazendo palavras-cruzadas ou lendo, também aproveitava o mar ou ia ao encontro dos pescadores que ele tanto admirava.

“Eu era um menino viciado no isolamento”

I pesci non chiudono gli occhi (p.87)

O verão apresentado neste livro foi um verão importante para o narrador, que estava crescendo e tomando ainda mais consciência de si e do mundo ao seu redor.

“Crescer comporta uma infinidade de efeitos desconhecidos”

I pesci non chiudono gli occhi (p.90)

Por meio dos livros o jovem aprendia muito. Mas, para além das páginas lidas, é nesse mesmo verão que Erri de Luca conhece o amor verdadeiro, em carne e osso, através de uma menina que não recebe nome algum ao longo da história, pois a lembrança desse sentimento apagara qualquer outra informação da memória do autor.

“Através dos livros de meu pai, aprendi a conhecer os adultos por dentro”

I pesci non chiudono gli occhi (p.14)

A tal jovem, no entanto, era dona de uma beleza que chamava a atenção, o que começou a gerar certa inveja em três garotos um pouco maiores que o narrador. Isso leva a uma perseguição e, para o autor, ao momento marcante de seu crescimento: quando ele apanha desses três garotos.

“A descoberta da inferioridade serve para decidirmos sobre nós mesmos”

I pesci non chiudono gli occhi (p.21)

Não se trata, porém, de uma história de amor, sentimento que o autor não conhecia tão bem e tinha certa dificuldade de acreditar. Como eu disse, é um livro de memórias e a principal temática é a descoberta de si. Mas garota em questão não deixa de roubar um beijo desse menino quieto e isolado. E é então que o título do livro passa a fazer total sentido.

“Fiquei observando-a. ‘Mas você não fecha os olhos quando beija? Os peixes não fecham os olhos'”

I pesci non chiudono gli occhi (p.98)

I pesci non chiudono gli occhi é, portanto, uma belíssima narrativa sobre o autoconhecimento e, principalmente, sobre crescimento. Aos 10 anos de idade, nosso jovem narrador consegue descrever suas dúvidas e seus sentimentos de uma maneira que chega a ser poética. O livro é curto, mas cheio de vida e de lições. Vale a pena conferir com os seus próprios olhos.

“O papel quer retornar vazio, como acontecerá com a terra depois de nós”

I pesci non chiudono gli occhi (p.93)

Citações #13 — Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo

 

Quem quer ler mais algumas citações incríveis de Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, de Benjamin Alire Saénz? Trata-se de um livro publicado no Brasil pela editora Seguinte, em 2014. A história aborda os mais variados temas, como alguns dos mistérios da vida (algo que já fica um pouco claro pelo título do livro, não?):

“O riso era outro mistério da vida” (p.27)

“Aposto que às vezes é possível desvendar todos os mistérios do Universo na mão de uma pessoa” (p.156)

Esse trecho aí de cima é lindo, não?

Para além dos segredos da vida, esse livro fala, como pudemos perceber, sobre o amor, o maior sentimento que podemos ter. Mas também fala sobre outro sentimentos que pode ser comum a muitos de nós: a solidão:

“A solidão dos homens é maior que a das crianças” (p.95)

Sobre isso, podemos pensar muitas coisas, afinal, por que a solidão dos adultos é maior? Provavelmente porque as crianças não têm tanto medo de viver, de se machucar, de se decepcionar. E, com isso, aceitam todos aqueles que queiram estabelecer alguma relação com elas. Definitivamente, temos muito a aprender com as crianças!

Segundo este livro, poderíamos aprender também com os pássaros, algo que não posso deixar de concordar:

“Se estudássemos os pássaros, poderíamos aprender a ser livres” (p.67)

Para quem nunca leu Aristóteles e Dante, vale dizer que é uma obra que também fala sobre amizade, carinho, medos e bondade:

“Mas o Sr. Quintana era valente. Não lhe importava que o mundo inteiro soubesse de sua bondade” (p.116)

E, como não poderia deixar de ser, mais uma vez Benjamin Alire Sáenz destaca muito o poder da palavra, algo que realmente é importante ressaltar. Uma arma e tanto que temos à nossa disposição 24 horas por dia:

“As palavras ficam diferentes quando passam a morar dentro de você” (p.42)

I racconti di Nené – Andrea Camilleri

Título: I racconti di Nené
Autor: Andrea Camilleri
Editora: Universale Economica Feltrinelli
Páginas: 133
Ano: 2018 (1º edição)

Andrea Camilleri é um nome bem conhecido, não somente na Itália, mas fora dela também: seus livros, principalmente seus romances policiais, fazem muito sucesso. Mas se você, assim como eu, nunca leu nada do autor, recomendo que comece por I racconti di Nené.

Este livro, na realidade, é uma espécie de transcrição de uma longa entrevista concedida por Camilleri a Francesco Anzalone, o que nos permite, portanto, conhecer melhor Andrea Camilleri, de uma maneira leve e instigante.

“Não se esqueçam que esta “entrevista” era originalmente destinada à televisão. Aqui vocês têm somente o áudio e não o vídeo”

I racconti di Nené (p.9)

Os capítulos são curtíssimos e nos trazem alguns causos da vida de Camilleri. É super gostoso e rápido de ler, porque a escrita é realmente leve e, por vezes, carregada de uma ironia bem humorada.

“Quanto eu aprendi naqueles anos de escola elementar. Em primeiro lugar, um repertório de palavrões que carreguei comigo e que frequentemente aparecem nos meus romances e, depois, um modo de conceber a vida totalmente diferente daquele que haviam me ensinado em casa até o momento”

I racconti di Nené (p.20)

Ao longo das páginas deste livro somos surpreendidos pelos mais diversos assuntos: a infância do autor, suas amizades, fatos históricos, sua formação e sua carreira… Sem contar os inúmeros nomes famosos que o autor teve a oportunidade de conhecer de alguma forma, como Gadda, Sciascia, Becket e até Jorge Amado (este, apenas por meio de um de seus livros)!

Como bom Siciliano (Camilleri é de Porto Empedocle), o autor não poderia deixar de falar, também, sobre máfia, tanto nessa sua entrevista, quanto em suas histórias.

“Com os americanos a máfia retornou ao poder”

I racconti di Nené (p.28)

Camilleri já trabalhou como roteirista, diretor de teatro e de televisão e como professor. Também já trabalhou em rádio e hoje dedica-se mais à literatura.

“Dentre todas as coisas que fiz e que, em certo momento, parei de fazer e que me fazem falta, seguramente o ensino é aquela que me faz mais falta”

I racconti di Nené (p.94)

Com este livro tive também outra agradável surpresa: lendo o capítulo L’Ammiraglio Pirandello tive a sensação de já conhecer aquela história. E eu realmente conhecia: ouvi em aula, ano passado, esse pedaço da entrevista de Camilleri que é transcrita neste livro. E é possível encontrar outros trechos no Youtube, de outros capítulos deste livro!

(disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=v2noC6Zx0ys).

Mas, sem dúvidas, o capítulo que mais gostei foi aquele em que Camilleri fala sobre o amor, afinal de contas, quem vive sem amor/amar?

“Eu sinceramente me espanto com a capacidade de amar que cada um de nós tem, que cada um de nós possui”

I racconti di Nené (p.79)

E, para encerrar esta resenha, deixo algumas palavras que não nos deixam negar o lado escritor de Camilleri:

“Até que o personagem não consiga levantar-se da página e comece a caminhar pela sala, tal personagem, para mim, não está totalmente pronto”

I racconti di Nené (p.53)

Extraordinário – R. J. Palacio

Título: Extraordinário
Original: Wonder
Autor: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2013
Tradução: Rachel Agavino

Finalmente, graças à uma pessoa super querida (que ainda escreveu uma dedicatória mega fofa), ganhei e li Extraordinário, de R. J. Palacio. Essa foi uma das poucas vezes que vi o filme antes de ler o livro e, ainda assim, queria ler essa história que tem muitas mensagens para nós e sobre a qual muitas pessoas já teceram seus comentários ou escreveram suas impressões.

Fiquei um pouco em dúvida em como estruturar esta resenha e acabei optando por seguir cada uma das partes que compõem o livro. Para quem não sabe, Extraordinário está dividido em 8 partes e cada uma delas é narrada, em primeira pessoa, por um personagem (mas não são 8 personagens diferentes, como veremos). Como as narrações são em primeira pessoa, parece sempre que estamos lendo o diário de cada um. Além disso, no início de cada uma dessas partes, vem escrito o nome do personagem que está escrevendo e uma citação, que pode ser o trecho de uma música, um poema ou um livro. Todas as citações estão traduzidas e, principalmente no caso das músicas, fica engraçado, porque às vezes demoramos para nos tocar de que a conhecemos. Mas… Chega de enrolação, não é mesmo?

A primeira parte do livro, como não poderia deixar de ser, é narrada por August Pullman, também conhecido por Auggie. Aos 10 anos de idade, Auggie já passou por 27 cirurgias, uma vez que nasceu com a Síndrome de Treacher, que é uma condição genética muito rara e que atinge principalmente os ossos do rosto. Essas cirurgias salvaram a vida dele, mas não tornaram seu rosto menos “incomum”, cheio de cicatrizes.

“Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu”

Extraordinário (p.11)

Até os 10 anos de idade, Auggie estudou em casa. O livro se passa justamente no momento em que ele começa a frequentar a escola. Por isso que essa é uma história muito conhecida por falar sobre bullying, empatia e amizade. Mas acho que é uma história que vai além e que, por isso, os outros personagens também têm sua voz. E mais: o livro reforça bastante a ideia de que ir para a escola pode ser difícil para qualquer criança. Que todos nós temos os nossos fantasmas interiores e problemas e como tudo isso vai muito além do físico.

A segunda parte de Extraordinário é narrada por Olivia (Via), irmã mais velha de Auggie. Como eu queria que essa parte recebesse a atenção que merece! A gente foca tanto na questão do bullying e acaba deixando de lado uma coisa: é muito perceptível o quão difícil a situação é para a Via também.

“Então me acostumei a não reclamar e a não incomodar meus pais com coisas sem importância”

Extraordinário (p.89)

Vocês enxergam o quão problemática é essa situação? O quanto isso pode dar início a problemas psicológicos como a depressão?

É evidente, ao longo da história, o quanto Via ama seu irmão. E o quanto ela quer acreditar que os problemas dele sempre serão maiores que tudo. Acontece que, ao mesmo tempo em que ele está entrando na escola, ela está começando o Ensino Médio em uma escola nova. Nessa mesma época, ela se vê sem amigos. Sua querida avó morrera há pouco. Ela é uma adolescente cheia de sentimentos e emoções… Questões que ninguém enxerga porque a própria Via não quer que as pessoas vejam isso. E mesmo quando ela começa a ter acessos de raiva e crises de choro, seus pais não conseguem compreender o que se passa. Porque nesses momentos, também, sempre acontece algo com Auggie. É angustiante!

Todos nós temos problemas e por mais que sempre vá existir alguém no mundo passando por situações muito piores, nós não podemos comparar. Problemas são problemas e cada um sabe a dor que está passando. Queria que as pessoas lembrassem disso quando estivessem lendo a parte de Via.

As partes 3 e 4 são narradas, respectivamente, por Summer e Jack, colegas de Auggie. Summer é uma menina muito inteligente e a primeira a se aproximar de Auggie por livre e espontânea vontade, sentando com ele todos os dias na hora do almoço. Jack, por outro lado, não é tão “corajoso” desde o começo, mas logo se mostra um grande amigo.

“-Jack, às vezes magoamos as pessoas sem querer. Entende?”

Extraordinário (p.146)

Jack é aquele tipo de criança que agrada a todos: é engraçadinho, educado, dedicado, bonito. Todas essas qualidades, porém, não impedem que ele sofra bullying quando decide que ser amigo de Auggie é melhor que ser amigo de Julian, o riquinho popular da escola. E acredito que essa seja outra lição muito válida nesse livro: não é apenas o fato de Auggie ser totalmente (fisicamente falando) diferente das outras crianças que faz com que exista bullying na escola. Trata-se de uma violência presente em todas as instituições e que pode ter diversas causas.

A quinta parte do livro é narrada por Justin, um rapaz que Via conhece em sua nova escola e com quem começa a namorar. Inclusive, ele diz algo sobre ela que, acredito eu, resume muita coisa:

“a olivia é uma garota que vê tudo”

Extraordinário (p.196)

O que achei engraçado é que o Justin escreve sem letras maiúsculas (pois é, não digitei errado ali em cima). Isso reforça a sensação de que, ao longo do livro, estamos lendo diversos diários, mas não compreendi porque a autora lançou mão dessa tática com um dos poucos narradores que já está no Ensino Médio, enquanto as crianças escrevem com vocabulário super trabalhado.

Na sexta parte voltamos a August, porém a um August muito mais maduro. Sem contar que, tendo lido a história pela visão de outros personagens, podemos entender melhor o cenário em que a narrativa se passa.

“É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante”

Extraordinário (p.222)

Quem narra a parte 7 é Miranda, que era a melhor amiga de infância de Via, até que elas entraram no Ensino Médio e tudo mudar. Bem, quase tudo, porque, no fundo, Miranda continuava gostando muito de Via e de Auggie, que era quase um irmão mais novo para ela.

Não posso deixar de ressaltar, porém, que acho problemática a seguinte passagem:

“Uma das coisas que mais sinto falta com relação à amizade de Via é a família dela”

Extraordinário (p.247)

Solta, essa frase não parece dizer nada demais, visto que, como dito ali em cima, Miranda se dava muito bem com Via e seu irmão. No entanto, é possível sentir, com os rumos da narrativa, que há também certa inveja por parte de Miranda. Outro aspecto, portanto, que o livro trabalha, mas que passa desapercebido.

E por que inveja? Porque apesar de tudo, de todos os problemas de Via (que, lembrando, ela busca esconder) e da situação de August, os Pullman são uma família extremamente amorosa e bem humorada. E uma família que tem amor, tem tudo!

A oitava e última parte também é narrada por August, que sobreviveu bravamente ao seu primeiro ano de escola e ainda fez muitas amizades. As últimas páginas falam muito sobre gentileza e são maravilhosas. Ou eu deveria dizer extraordinárias?

Se você ainda não leu Extraordinário, não deixe de fazer esse favor a si!

Citações #12 — a playlist da minha vida

 

As citações de hoje são do livro A playlist da minha vida, escrito por Leila Sales e publicado no Brasil, em 2014, pela editora Globo Alt. Trago somente três passagens, mas há muitas outras na resenha que escrevi.

“Tem dias que, sabe como é, desde a hora em que acordamos até a que vamos dormir, tudo em que a gente toca se parte em mil pedacinhos” (p.85)

Quem nunca sentiu que em alguns dias tudo pareceu dar errado? São dias difíceis, tristes, solitários. Mesmo quando há alguém ao nosso lado. Alguém que está realmente fazendo de tudo para que possamos ver que não é bem assim. E mesmo nesses casos, sentimos que só estamos partindo também a pessoa em mil pedacinhos.

Às vezes o remédio é respirar fundo, ouvir uma música, dormir. É se desligar e tomar distância do problemas. É saber que tudo passa!

A próxima passagem eu destaquei simplesmente porque achei muito bonita:

“As palavras se agitavam no meu cérebro como beija-flores, renovando o ar dentro de mim” (p.173)

Gostei dessa imagem das palavras como beija-flores e como algo que renova o ar, que traz vida.

Por fim, uma passagem que também é muito bonita:

“Algumas pessoas te tratam bem só porque gostam de você” (p.196)

Não é gostoso saber quem existem pessoas que nos tratam bem sem segundas intenções, pelos simples fato de que gostam realmente de nós? Para Elise, a protagonista do livro de onde saíram essas citações, isso parecia impensável, afinal, ela era uma jovem que a vida inteira sofrera bullying e que finalmente estava descobrindo que poderia ter amigos também.

Tatianices recomenda [1] — Quero na escola

quero-na-escola

Hoje resolvi trazer para vocês um projeto que há anos acho lindo e que procuro um espacinho nessa rotina maluca para poder fazer parte, mas acabo nunca conseguindo. Sem mais delongas, estou falando do projeto Quero na Escola!

Quando, por acaso, descobri esse projeto, ele estava bem no comecinho e era só para as escolas de São Paulo. Mas ele logo cresceu e hoje existe em muitas cidades, inclusive de outros Estados. E se continuar assim, logo estará no Brasil inteiro!

A missão deles, segundo consta no site é aproximar a escola pública e a sociedade. E como eles buscam cumprir essa missão? De maneira muito simples: as escolas cadastram no site os pedidos de seus alunos, para que qualquer pessoa possa ver. Se por acaso você for uma pessoa qualificada para atender a algum desses pedidos, você faz um cadastro rapidinho no site (caso você ainda não tenha feito, claro) e se “candidata” à atividade. Tem pedidos bem variados por lá, desde palestras e oficinas até aulas. Coisas relacionadas às artes, meio ambiente, esportes, vestibular, saúde mental… Tem de tudo!

Como eu disse, nunca consegui uma brecha para me voluntariar a algo, então não sei como funciona tudo certinho, mas pelo que entendi, você entrará em contato com a escola responsável pelo pedido. O site é uma forma de facilitar que pessoas dispostas a ajudar encontrem algo em que elas possam ser úteis. E lembrando que trata-se de um trabalho voluntário, então, espere em troca apenas muita gratidão e conhecimento.

Outra forma de ajudar, também, é doando dinheiro para que o projeto possa continuar existindo e crescendo. No site está tudo muito bem explicadinho!

E para o dia dos professores desse ano eles fizeram uma edição especial: o Quero na Escola – Professores com, isso mesmo, pedidos feitos pelos professores. Vale a pena dar uma olhadinha, tem coisas bem bacanas também.

Citações #11 — A lógica inexplicável da minha vida

Chegou a vez de trazer mais algumas passagens de A lógica inexplicável da minha vida, de Benjamin Alire Sáenz. O livro foi publicado em 2017, no Brasil, pela Editora Seguinte. Trata-se de um livro que simplesmente conquistou meu coração, pois, como eu disse em minha resenha, ele aborda uma infinidade de temas e sentimentos tão nossos. Sobre esse assunto, porém, acabei deixando de lado uma passagem que achei muito bonita:

“O interessante das lágrimas é que elas podem ser silenciosas como uma nuvem flutuando por um céu deserto” (p.21)

Eu quase sempre trago uma passagem sobre lágrimas ou choro aqui, né? É que eu ainda acho que subestimamos muito essa nossa maneira de transbordar alguns sentimentos que carregamos dentro de nós…

Outra citação que acabei deixando de fora da minha resenha foi:

“Palavras só existem na teoria. E então, um dia qualquer, você encontra uma palavra que só existe na teoria e fica cara a cara com ela. E aí essa palavra se torna alguém que você conhece” (p.25)

Pode não parecer para quem não leu o livro e está vendo essa passagem solta assim, mas ela fala, principalmente (e novamente), sobre a descoberta de sentimentos; sobre sentir na pele o preconceito, o medo de algo, o amor, a amizade; sobre entender certos mecanismos da vida e passar a conviver com eles.

Aliás, o fato do autor destacar tanto o poder das palavras foi algo que realmente me encantou ao longo de A lógica inexplicável da minha vida. Eu já disse isso aqui algumas vezes, mas sempre gosto de repetir: palavras possuem força. Elas são capazes de machucar, de curar, de transformar. Por isso temos sempre de tomar cuidado com o que falamos por aí!

Gostou dessas passagens? Então não deixe de conhecer esse livro maravilhoso:

Tag: Skoob – minha estante virtual

Hoje resolvi trazer uma TAG que achei legal e que que vi há um tempo no blog A Bookaholic Girl, administrado pela Camila.

Criei minha conta no Skoob somente no final do ano passado, então ela está atualizada com minhas leituras mais recentes. Vamos nessa?

1. Quantos livros você tem na sua aba LIDOS?

353 livros.

2. Qual livro você está lendo agora?

I pesci non chiudono gli occhi – Erri de Luca

3. Quantos livros tem na sua aba QUERO LER?

Apenas 9. Mas poderiam ser todos que ainda não li em minha vida…

4. Você está relendo algum livro? Se sim, qual?

Nesse momento não.

5. Quantos livros você abandonou? Quais?

Apenas um: Iracema (pois é).

6. Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?

19 resenhas. Todas elas postadas aqui também.

7. Quantos livros avaliados?

141 livros

8. Quantos livros tem na sua aba FAVORITOS? Cite alguns.

46 livros, dentre eles a Princesinha (eu deveria fazer resenha desse livro que já li umas 4 vezes), o livro das Tatianices, Anarquistas graças a Deus (quando descobri que biografias são legais), O diário de Anne Frank (quando comecei a me interessar por histórias sobre o Holocausto), Menino de Ouro (um dos favoritos dos favoritos)…

9. Quantos livros tem na sua aba TENHO?

143… rs

10. E na aba DESEJADOS?

Apenas 24… (e para quem ficou curioso são: O caçador de pipas; o tatuador de Auschwitz; Ensinando a transgredir; Tulipas azuis; O livro dos dias; Como viver eternamente; Meu menino vadio; O prisioneiro do céu; Nick e Norah, uma noite de amor e música; Malas, memórias e marshmallows; Contos Russos – Tomo III; O mago e o guerreiro; Céu sem estrelas; Redoma de Vidro; Os 13 porquês; Allegro em Hip-Hop; Três é demais; Correndo descalça; 13 segundos; Heroínas; Vocação para o Mal; Sonata em Auschwitz; A garota que bebeu a lua; A bibliotecária de Auschwitz).

11. Tem algum livro emprestado?

Somente “A arte de ler“.

12. Você quer trocar algum livro? Se sim, qual?

Ah, eu trocaria alguns, mas pelo skoob dá preguiça rs.

13. Você tem uma meta no Skoob? Já cumpriu?

Não é uma meta muito específica. No momento tenho 30 livros ali e já li 28 deles.

14. Qual o número no seu paginômetro atualmente?

83.295 páginas e contando…

15. Qual o link do seu perfil no Skoob?

https://www.skoob.com.br/usuario/4258309