Citações #79 — Storia di chi fugge e di chi resta

A cada volume da tetralogia napolitana que eu leio (e, infelizmente, agora já estou no último) o encantamento por essa história só aumenta. 

Do penúltimo livro — sempre com o lembrete de que este post pode conter spoilers — muitos trechos interessantes ficaram de fora da resenha. Compartilho aqui o que ficou para trás, com tradução minha e os originais ao final do post.

Em Storia di chi fugge e di chi resta, assim como nos demais volumes desta tetralogia, a autora consegue imprimir em sua escrita uma interessante visão da vida e do mundo que retrata, nos fazendo refletir, por exemplo, sobre a dureza do viver e do tornar-se.

“A vida é uma coisa muito dura, Lenù”

“Tornar-se. Era um verbo que sempre me deixara obcecada, mas que só me dei conta pela primeira vez naquela ocasião. Eu queria me tornar, mesmo que soubesse o quê” 

“Eu precisava aprender a me contentar comigo mesma”

“O padre não era uma garantia, nada era uma garantia no feio mundo em que vivíamos”

“Fui muito miserável, muito massacrada pela obrigação de me destacar nos estudos”

Alguns trechos também nos fazem refletir sobre o adoecimento das pessoas, da sociedade, do mundo em que vivemos e, claro, sobre relações igualmente doentias.

“E hoje eu penso assim: não é o bairro que está doente, não é Napoli, é o globo terrestre, é o universo ou os universos”

“Casa comigo para ter uma criada de confiança, todos os homens se casa para isso”

“É uma tristeza a solidão feminina, eu me dizia, é um desperdício esse rompimento uma com a outra, sem protocolos, sem tradição” 

“Você, quanto mais se sente verdadeira e está bem, mais se distancia. Eu, só de cruzar o túnel da avenida, já me amedronto”.

“A nova carne vive repetia a velha por jogo, éramos uma cadeia de sombras que entrava em cena com a mesma carga de amor, de ódio, de vontades e de violência”

“Nunca mais, nunca mais moveria um dedo por ninguém. Parti, fui me casar”

Aliás, como eu sempre acabo destacando, as relações humanas são extremamente centrais nesta narrativa e neste volume não seria diferente. Os relacionamentos, as amizades e a família ganham ainda mais destaque ao longo das páginas.

“Um homem, exceto pelos loucos momentos em que você o ama e ele te penetra, fica sempre fora”

“Nos tornamos, uma para a outra, fragmentos de voz, sem nenhuma confirmação do olhar”

“Eleonora teria entendido que com o amor não se pode fazer nada, que é insensato dizer a uma pessoa que quer ir embora: não, você tem que ficar”

“Pietro, em suma, não era capaz de me passar confiança, me olhava sem me ver”

“Nós duas precisávamos de uma nova dimensão, de corpo e, no entanto, tínhamos nos distanciado e não conseguíamos mais nos entregar”

Por fim, um tópico que gostaria de ressaltar é o da metalinguagem: a escritora que fala sobre escrita e sobre esse universo, numa ótica, mais uma vez, bem interessante.

“Disse que a face repugnante das coisas não era suficiente para escrever um romance: sem fantasia não parecia uma coisa verdadeira, mas uma máscara”

E aí, gostou desses trechos? Se quiser conferir os originais, basta ler este post até o final. E se quiser saber mais sobre o livro como um todo, vem ler a minha resenha:

Trechos originais (na ordem em que aparecem neste post)

“La vita è una cosa molto brutta, Lenù”

“Diventare. Era un verbo che mi aveva sempre ossessionata, ma me ne accorsi per la prima volta solo in quella circostanza. Io volevo diventare, anche se non avevo mai saputo cosa”

“Dovevo imparare ad accontentarmi di me”

“Il prete non era una garanzia, niente era una garanzia nel brutto mondo in cui vivevamo”

“Ero stata troppo miserabile, troppo schiacciata dall’obbligo di eccellere nello studio”

“E oggi la vedo così: non è il rione a essere malato, non è Napoli, è il globo terrestre, è l’universo, o gli universi”

“Mi sposa per avere una serva fidata, tutti gli uomini si sposano per questo”

“È un dispiacere la solitudine femminile delle teste, mi dicevo, è uno sciupo questo tagliarsi via l’una dell’altra, senza protocolli, senza tradizione”

“Tu tanto più ti senti vera e stai bene, quanto più ti allontani. Io, se solo passo il tunnel dello stradone, mi spavento”

“La nuova carne viva ripeteva la vecchia per gioco, eravamo una catena di ombre che andava da sempre in scena con la stessa carica di amore, di odio, di voglie e di violenza”

“Mai più, mai più avrei mosso un dito per nessuno. Partii, andai a sposarmi”

“Un maschio, a parte i momenti pazzi in cui lo ami e ti entra dentro, resta sempre fuori”

“Diventammo l’una per l’altra frammenti di voce, senza nessuna verifica dello sguardo”

“Eleonora avrebbe capito che con l’amore non c’è niente da fare, che è insensato dire a una persona che vuole andare via: no, devi restare”

“Pietro insomma non era capace di darmi fiducia, mi guardava senza vedermi”

“Avevamo entrambe bisogno di nuovo spessore, di corpo, e tuttavia c’eravamo allontanate e non riuscivamo più a darcelo”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

“Disse che la faccia schifosa delle cose non bastava a scrivere un romanzo: senza fantasia non pareva una faccia vera, ma una maschera”

Catarina — Bruna Paquier Cestari

Título: Catarina: bolos, amores e outras delícias. 
Autora: Bruna Paquier Cestari
Editora: Publicação independente
Páginas: 32
Ano: 2021

Sinopse

Catarina era uma garota como todas as outras. Ou pensava ser até o dia em que os sentimentos começaram a crescer em seu peito e ela precisou tomar uma decisão sobre aquela garota. É claro que o melhor jeito de tirar tudo isso à limpo era com morangos, conversas e muitos deslizes. Não tinha como dar errado… tinha?

Resenha

Qualquer pessoa que conviveu minimamente comigo no último ano deve desconfiar porque eu não poderia deixar de me interessar por esse título.

Comecei a leitura, porém, sem saber muito o que esperar. E me surpreendi com uma leitura rápida e leve, ainda que tenha seus momentos de tensão e traga uma temática nem sempre fácil de retratar.

“Não havia dúvidas, Catarina tinha o pior dos males”

Catarina, como qualquer adolescente, só queria ser uma garota normal. Mas nada em sua vida era simples assim. Nem mesmo sua casa era exatamente uma casa: Catarina vivia em um abrigo.

“No fim, Catarina só queria ser normal, tirar notas boas como seus colegas, brincar na quadra antes de voltar para casa e, principalmente, gostar de algum menino”

O seu maior problema (e medo), no entanto, foi perceber que gostava de meninas. Mais do que isso: que sentia algo por Nina, a linda garota que sentava atrás dela na escola.

“Aqueles sentimentos a levaram para a beirada de um poço profundo de mágoas”

Sem saber se era correspondida ou não — e tendo quase certeza de que não — um dia Catarina reuniu toda a sua coragem — e um punhado de morangos — e decidiu falar com Nina.

“Mas ao mesmo tempo era bom, era muito bom. Queria continuar, queria se jogar naqueles sentimentos, mergulhar nas cores, se pintar de todas elas”

Mas claro que as coisas não poderiam ser fáceis e essa conversa foge totalmente do esperado por Catarina, ainda que ela nem sonhasse em esperar o melhor.

“Agora a menina que inspirava todas aquelas cores, trazia o cinza e o preto”

Como eu disse, a história é bem curtinha (na medida certa), mas escrita de maneira que nos aproxima da protagonista e seus (confusos) sentimentos.

“Já tinha doído muito e temia que fosse doer ainda mais”

Com uma narrativa em terceira pessoa e uma diagramação lindinha, a leitura é bem agradável e vai te propiciar uma boa horinha literária.

Se interessou? Então já clica abaixo para saber mais! 

“Ricchione”, palavra made in Nápoles [tradução 35]

Introdução

Ler livros em outras línguas é uma prática um tanto quanto interessante: ao mesmo tempo em que nos permite entrar em contato com uma obra em seu original, também nos permite aprender muito, seja sobre uma cultura, seja sobre seu vocabulário.

Foi assim que, lendo Storia di chi fugge e di chi resta, me deparei com o termo “ricchione” e, mesmo tendo entendido seu significado — ainda que nunca tivesse visto essa palavra antes — resolvi pesquisar sobre ele, encontrando o texto que trago para a tradução de hoje.

Você pode ler o artigo original, escrito por Chiara Cepollaro, em janeiro de 2016, aqui, no site Vesuvio Live.


Tradução

Frocio, finocchio, culattone e inúmeras variações que surgem devido às transformações dialetais da palavra. Se trata, como bem sabemos, de gírias, usadas de maneira pejorativa e ignorante para definir pessoas homossexuais. De domínio nacional, hoje em dia existe, porém, a palavra ricchione, de exportação napolitana, mas difundida em muitas cidades do Norte.

Qual é, exatamente, a origem do vocabulário? O termo tem suas raízes em contaminações linguísticas ocorridas ao longo da história, principalmente durante os períodos de dominação estrangeira, quando a língua falada pelo povo mudava e evoluía de acordo com o ambiente ao seu redor, do qual absorvia palavras que facilitavam a comunicação.

Isso, no entanto, implica um certo grau de incerteza, inclusive por parte dos próprios linguistas, sobre a proveniência específica do termo. Existem diversas hipóteses, sendo algumas mais valorizadas que outras. Vejamos:

Os Conquistadores. Depois de passar um período na América do Sul, os Conquistadores espanhóis que chegavam ao porto de Nápoles, imitando os homens poderosos das tribos Incas, usavam grandes brincos nos lóbulos, para dilatá-los, alargando a orelha. Além disso, o fato de que haviam passado muito tempo no mar, longe, portanto, de mulheres, fazia com que as pessoas pensassem em um período no qual eles tivessem “se arranjado” entre si, tendo relações homossexuais. Assim, portanto, “ricchioni”, de “orelhas grossas” (orecchie grosse).

Uma variante desta hipótese, por outro lado, identifica a palavra “ricchione” no cruzamento de duas palavras: recchia (orelha em napolitano) e Maricòn (homossexual em espanhol).

Uma hipótese próxima é que a palavra derive de Orejon (em espanhol, orelha grande): quando os conquistadores chegavam em Nápoles, contavam histórias da cultura Inca e, entre elas, havia o costume, entre os homens nobres, a fim de exercitar seu poder com virilidade e longe das tentações da carne, de ser castrados desde pequenos. Esses últimos, além disso, usavam na orelha grandes brincos que notavelmente dilatavam os lóbulos. Um outro costume típico era o de polvilhar pó de ouro sobre as orelhas desses homens, nascendo daí o modo de dizer “tené ‘a povere ncoppo ‘e rrecchie”, que faz referência ao fato que a pessoa de quem falamos é homossexual.

Longe dessas hipóteses hispânicas se coloca aquela em que o termo deriva de um verbo calabrês: arrichià, que significa literalmente ad-hircare, ou seja, andar em direção ao bode. Desejar o bode. Na natureza, a cabra arricchia, ou seja, deseja o bode, portanto…

Uma última explicação poderia vir de uma crença popular enraizada na qual acredita-se que a caxumba, a doença, pudesse tornar impotente o homem que a contraísse e, consequentemente, “não adequado” à reprodução: “nun è buono”, muitos diriam ainda hoje. Daqui a associação aos homossexuais, esses também “inadequados” à reprodução, mesmo que por outros motivos.

Seja como for, as várias hipóteses se cruzam entre si, com referências parecidas e que se combinam. Contudo, as palavras nascem por evolução natural da cultura, sem conotações negativas. Estas últimas chegam quando os termos são contextualizados, utilizados em uma realidade que constrói, sozinha, a identidade da palavra. Cada palavra é, por assim dizer, neutra. Somos nós que conferimos a ela um significado ou outro, um sentido positivo ou negativo que, na realidade, antes não existia.

Conclusão

E aí, o que achou desse texto? 

Para mim, é de extrema importância o adendo feito ao final: muitas palavras são neutras, nós é que atribuímos sentidos positivos ou negativos a elas.

Foi estranho traduzir esse texto porque, mesmo achando-o muito interessante, deu muito medo de escolher termos ruins para a tradução, colocando justamente palavras negativas aqui.

My way to you — Tayana Alvez

Título: MY WAY TO YOU: As cenas deletadas de Novato e Pimentinha e Golden Boy e Baixinha 
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 26
Ano: 2023

Sinopse

Bem-vindas de volta, Marias Pit Stop!

– Nesse livreto você vai encontrar uma cena deletada de cada um dos seus romances de automobilismo favoritos!

– Novato e Pimentinha aquecem nosso coração uma vez mais, e Baixinha e Bad boy prontos para nos deixar bem na porta da terapeuta.

Aproveitem esse presente e Feliz Natal

Resenha

Não basta a Tayana Alvez ser uma escritora maravilhosa, ela ainda tem que presentear seus leitores!

Em My way to you temos a oportunidade de ler duas cenas deletadas: uma de O caminho que me leva até você e outra de Better than revenge, os dois livros lançados pela autora em 2023, com Fórmula 1 de pano de fundo e muitos, muitos sentimentos envolvidos.

Mas atenção: se você ainda não leu nenhum desses dois livros, está correndo o sério risco de se apaixonar e ir correndo querer ambos (e a Tayana não paga a sua terapia, vale lembrar!).

“A verdade é que as coisas que acontecem com você não definem quem você é”

E se você já leu… Por que não matar um pouco da saudade, né? Nunca é demais!

Se bem que, devo confessar, essas 26 páginas ainda deixam gostinho de quero mais… Quero muito mais!

“Então guardo tudo para mim, mesmo sabendo que ser uma pessoa que agrada todo mundo é, no mínimo, cansativo”

É impressionante com em tão poucas páginas a Tayana consegue entregar tanto. E se você não acredita nas minhas palavras, é só clicar abaixo e conferir com os seus próprio olhos!

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Citações #78 — Resilientes

Ano passado li diversas obras com protagonismo LGBTQIA+ e, dentre elas, estava a antologia Resilientes, organizada pela Se Liga Editorial e publicada em 2019.

Ao longo da resenha, comentei que a pluralidade se faz presente nesta obra não apenas nos personagens, mas também nos gêneros e temáticas que ela traz.

A começar, claro, pelos relacionamentos humanos. As histórias falam muito de amor — e seus lados bons e ruins —, mas não só.

“Afíba não distinguia suor de lágrima. Em pé no ônibus, se entortava para apoiar a cabeça no ombro de Tom, que, ignorando a sauna humana que era o amigo, se deixava abraçar, repetindo a frase que vinha recitando durante o percurso até a rodoviária no centro do Rio de Janeiro: — Migo, vai ficar tudo bem. Ele não te merecia”

(A sétima onda — Juan Julian)

“Vidas que se tocam em algum momento, cujas órbitas se afastam naturalmente”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Te amar foi vermelho – um ardente vermelho”

(Colorido — Luke Marcel)

“Aprendi que o amor não precisa machucar para ser recíproco, que não precisa queimar para ser bom e nem sangrar para ser verdadeiro”

(Colorido — Luke Marcel) 

“Mas, sinceramente, acho que só comecei a entender de coração partido quando descobri que a frase ‘eu te amo’ pode ser uma arma usada somente para conseguir algo de alguém”

(Essência — Marta Vasconcelos)

“É engraçado como a linha entre amor e ódio é tênue”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

A dor — em suas diversas formas e intensidades — também marca uma notável presença ao longo das páginas.

“Havia muito, Ana observava o mundo com olhos gelados. Não se importava com ninguém, só vagava solitária, tendo a dor como única companheira”

(Setembro — Maria Freitas)

“Por que tanta dificuldade em entender o outro? Se alguém diz que está sofrendo, dê a mão, faça um café, ofereça ajuda”

(Setembro — Maria Freitas)

“A dor muda criaturas diferentes de formas diferentes, ela dizia quando eu a questionava”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Será que existe um lugar para onde vão as palavras não ditas, ou elas ficam eternamente machucando e se remoendo dentro de nós?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Alguns trechos já apontam outro assunto que não poderia faltar nesta antologia: a solidão.

“Também… Mas o que me mata é a solidão. É falar e ninguém ouvir”

(Setembro — Maria Freitas)

“O pôr do sol que vi sem a sua companhia mostrou-me o quanto uma cor quente pode ser fria e solitária”

(Colorido — Luke Marcel)

E alguns contos fazem um importante questionamento sobre quem realmente está ao nosso lado.

“Você alguma vez já parou para se perguntar se esses seus amigos vão estar ao seu lado no momento mais difícil da sua vida?”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Se minha família não me apoia, como esperar que os outros o façam?”

(Notas de liberdade — Jean Carlos Machado)

Lembrando, também, que não podemos viver pelos outros (e deixar de viver).

“Depois que você morre, não dá mais para viver”

(Setembro — Maria Freitas)

“Enxerguei através dos seus olhos tudo o que eu não era e tudo aquilo que nunca poderia ser. E acho que isso me atraiu”

(Colorido — Luke Marcel)

“Mandou eu me cuidar, porque não faria isso por mim”

(Colorido — Luke Marcel)

“A única coisa que eu sei é que você nunca vai se perdoar se não escolher a sua felicidade”

(Instituto Santa Bárbara — Thalyta Vasconcelos)

“Não gosto de causar transtorno às pessoas, nem de magoá-las, decepcioná-las, mas não está dando para fugir disso nos últimos meses”

(Matéria de capa — Dane Diaz)

“Feio é você deixar de ser feliz, com medo do que os outros vão pensar”

(Destino irônico — Felipe Ricardo)

“Você não pode viver sua vida tentando enganar a eles e a si mesmo. Não é justo com eles e não é justo com você”

(Certezas — Rafaela Haygett)

O conto Colorido foi um dos que mais chamou minha atenção, por usar as cores para falar dos sentimentos.

“De todas as cores que conheço, a rosa foi a que mais me aterrorizou”

(Colorido — Luke Marcel)

“O meu desejo foi vermelho em todos aqueles dias que passei sentindo a sua falta”

(Colorido — Luke Marcel)

“Amarelo foi a luz que enxerguei no dia em que resolvi me assumir, finalmente deixando aquele armário escuro e assombrado”

(Colorido — Luke Marcel)

Mas esta não foi a única história na qual a arte se fez presente.

“Tudo ao seu redor era construído, nada era real, nada era palpável”

(Pintura na parede — Luciana Cafasso)

“Tem a sensação de poder conhecer o mundo por trás de cada pincelada, por trás de cada escultura”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Em suma, Resilientes é uma antologia que fala sobre sentimentos, caos, dores, amores, lembranças, momentos, preocupações…

“Tem um monte de coisas que você não sabia. A culpa é minha por não ter conseguido te contar”

(Debaixo da chuva — T. S. Rodriguez)

“Tudo nela era caos e tudo em mim foi atraído para o seu redemoinho”

(Sob(re) o som das árvores — Laís Lacet)

“Tudo o que me restou foram os momentos ruins”

(Colorido — Luke Marcel)

“Não sei se o destino existe, mas, se sim, ele é muito irônico”

(Girassóis — Beatriz Avanci)

“Sabe quando você alimenta um sonho, mas, quando ele se realiza, parece que alguma coisa está fora do lugar?”

(Doce vingança — Marcela Cardoso)

“Realmente odiava como podia me preocupar com as mínimas coisas por nada”

(Certezas — Rafaela Haygett)

“O jovem sente um cansaço de tudo, está enfadado da mesmice dos dias, da vida, dos amigos, dos projetos… Enfim, da existência humana”

(A palavra de ordem: resistir — Tauã Lima Verdan Rangel)

Se você se interessou por esses contos, clique abaixo para saber mais.

Better than revenge — Tayana Alvez

Título: Better than revenge 
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 482
Ano: 2023 

Sinopse

Fã e Ídolo – Age Gap – Vingança – Haters to Lovers

Aqui vai uma notícia sobre anéis de papel: eles são frágeis e ingratos — não resistem ao fogo, à água ou a mentiras.

Multicampeã do cenário automobilístico, Alyson Sawyer precisa agora se provar digna das pistas de Fórmula 1. Com uma boa relação com o chefe e uma equipe preparada para o campeonato, não deveria ser tão difícil — se não fosse pela existência de Juan Hernandez, seu companheiro de equipe e uma parte crucial de um passado que ela gostaria de manter morto e enterrado.

Focado em conquistar o seu tricampeonato, Juan não contava que a presença de Alyson – por quem ele jurava de pé junto nutrir apenas ódio e desinteresse – fosse o desestabilizar tanto. Atormentado pelas lembranças do passado e por sentimentos conflitantes, Juan está disposto a fazer o necessário para se vingar da “Mentirosa Desgraçada” que quase acabou com sua carreira seis anos antes — Alyson, no entanto, não está disposta a tornar isso fácil.

Convivendo como fogo e gasolina, e prestes a entrar em combustão em meio a uma temporada eletrizante, a disputa entre os dois deixará as pistas e alcançará espaços que deveriam manter-se esquecidos, reacendendo uma chama que os fará questionar se existe algum sentimento mais forte do que o desejo de vingança.

Resenha

Para fãs de Taylor Swift e/ou de Fórmula 1, este livro é um prato cheio. Mas se você, assim como eu, não liga muito para uma coisa nem outra, não se preocupe: este livro também pode ser para você.

“E bem, na minha história, eu sou a vilã”

O livro se passa no presente e no passado e é narrado de maneira alternada, em primeira pessoa, pelos dois protagonistas: Alyson e Juan.

“Esse é o ponto engraçado sobre as memórias, você nunca se lembra das coisas que aconteceram, só se lembra de como acredita que elas aconteceram”

Já no prólogo, conhecemos a Alyson do presente e descobrimos que desde a adolescência ela sonha em pilotar carros de Fórmula 1. E que aquele é o momento dela realizar o seu quase impossível — e a história nos mostra todos os porquês — sonho.

“Vou ser a primeira mulher a pilotar um carro realmente competitivo de Fórmula 1”

Em seguida, temos a oportunidade de conhecer um pouco do Juan de hoje. E então fica ainda mais evidente um detalhe: ele e Alyson têm algum problema um com o outro e essa história não é de hoje.

“Não existe ‘um passado’ quando se trata de vocês. Nem aqui. Nem lá fora. E, principalmente, não para a mídia”

É claro que queremos muito entender o que aconteceu no tal passado desses dois, mas também é evidente que a autora não nos entregaria essa informação de bandeja.

“Por mais que eu saiba que algo está acontecendo dentro de mim, não vou deixar Alyson me quebrar de novo. Ainda assim, talvez ela mereça saber”

De qualquer forma, a leitura nos enfeitiça não apenas por esse detalhe, mas também por ser — como sempre — maravilhosa. Leve e tensa na medida certa. Cheia de altos e baixos, de sentimentos, de detalhes que surpreendem. 

“Você não pode ter amigos na Fórmula 1 e não pode contar com ninguém de dentro do esporte, nem mesmo com o seu chefe”

As informações que tanto queremos nos vão sendo dadas aos poucos e o quebra-cabeça, pouco a pouco, vai se formando diante de nós. Além disso, é muito interessante como, quando recebemos uma resposta, milhares de outras questões se formam e não nos resta alternativa a não ser seguir lendo.

“Relembrar esse momento, esse pedacinho de vida tão mágico e tão meu, traz à tona aquela ínfima parte de mim que nunca vai se arrepender de ter se apaixonado por ele, e isso dói”

As músicas da Taylor não estão ali meramente para abrir os capítulos: elas fazem parte da narrativa construída e são uma parte importante da Alyson também.

“Minha coisa favorita sobre Alyson Sawyer é como ela me trouxe de volta à vida”

Por falar na Alyson, apesar de ser uma pessoa toda cheia de luz, toda iluminada e toda conquistadora de seus sonhos, ela ainda é um ser humano como qualquer outro e comete erros. Inclusive aquele de seis anos antes.

“Das três pessoas sentadas ali, eu era a última a querer pensar no que aconteceu naquele inverno”

Contrariando muitas expectativas, Juan, apesar de ser o bad boy da história, é a pessoa que, nesta narrativa, erra, mas também sofre imensamente com os erros dos outros. O cara com um coração imenso, com uma família linda, com sonhos fofos.

“Porque bad boys até superam, mas não perdoam”

E assim vamos nos apegando a esses dois que, cada um a seu modo, são encantadores, reais e inesquecíveis.

“Me odeio pelo dia que o deixei entrar na minha cabeça, no meu coração, no meu corpo”

Com eles, viajamos por diversos circuitos de Fórmula 1 e aprendemos um pouco mais sobre o funcionamento desse universo, sobre suas dificuldades e também sobre suas alegrias.

“Estar aqui é um sonho, porque a gente sempre é incentivado a chegar aqui”

Claro que a Alyson também nos faz refletir sobre a presença feminina em esportes automobilísticos, ainda tão dominados pelo machismo.

“Onde homens dominam, caras medíocres valem mais do que mulheres incríveis”

E sobre sonhos e suas realizações.

“O que você diria para um jovem que tem um sonho muito maior do que as perspectivas permitem?”

Por outro lado, Juan tem muito a nos mostrar sobre vulnerabilidade.

“Preciso não estar sozinho agora. Não ser a única pessoa no mundo que sofre ou carrega uma dor”

E sobre as mais diferentes formas de amar.

“Mas ela não faz ideia do quão insuportável é se esforçar para odiar alguém que você já amou”

A diagramação da obra torna a obra ainda melhor: ela é simples, mas pensada em cada detalhe e possibilitando uma legibilidade confortável e agradável.

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TAG Natal literário

O natal já está praticamente à porta e eu não poderia deixar de trazer aqui uma TAG temática. Então se você gosta dessa festividade e de livros, não deixe de ler até o fim.

Achei a TAG no Blog Início de Conversa e você pode ver o post original aqui.

Vamos às minhas respostas?


Natal dos Sonhos: um livro que se passe na cidade ou país onde você gostaria de comemorar o Natal.

A verdade é que o único lugar que eu gostaria de comemorar o natal é onde minha família estiver, mas sendo uma apaixonada pela Itália, não posso deixar de imaginar como seria passar um natal por lá. Então para esta categoria, escolho o livro Andata e Ritorno, da Bianca Polinari.

Árvore de Natal: um livro que tenha iluminado seu ano.

Um livro que iluminou meu ano foi Os olhos claros do pássaro, da Valéria Macedo. Um livro que entrou em minha vida totalmente por acaso e que foi um prazer poder conhecer e apreciar.

Pisca-pisca: um livro com assunto LGBT.

Esse ano foram diversos lidos com essa temática, mas não posso deixar de mencionar aqui que finalmente li Conectadas, da Clara Alves, e que agora entendo porque é um livro tão querido!

Papai Noel: um livro que você gostaria de dar de presente pra todo mundo.

O livro que eu gostaria de dar de presente para todo mundo é um livro que eu também ganhei de presente: Lost in translation, de Ella Frances Sanders.

Presente: um livro que você quer muito ganhar de presente.

Sacanagem essa, hein? Mas qualquer um da minha wishlist, claro!

White Christmas: um livro com a capa branca.

Acho que o livro com a capa mais “branca” que li esse ano foi Dolls, da A. S. Victorian.

Bengalas Doces: um livro com a capa candy color.

Não sei se entra exatamente em “candy color”, mas acho que posso citar Romance Concreto, da Aimee Oliveira aqui, né?

Roberto Carlos: um livro que você gostaria de ler pelo menos uma vez por ano todos os anos.

Não sou muito de ler e reler o mesmo livro, principalmente com a falta de tempo dos dias de hoje. Mas já fiz isso com A princesinha, de Frances Hodgson Burnett e provavelmente faria de novo.

Chocolate Quente: um livro que trouxe um calorzinho no coração.

Qualquer um da Tayana Alves, sem dúvidas, porque eles sempre me trazem um calorzinho no coração. Esse ano li O bebê (quase) inesperado, O caminho que me leva até você e Better than revenge (que em breve será resenhado!).

Voando em Renas: um livro que te fez acreditar no impossível.

Cito aqui Por um triz, da Laís Corrêa. Porque além de me fazer acreditar que as pessoas podem mudar (para melhor), me fez sonhar com o mais impossível ainda: um final feliz para essa história.


Gostou da TAG? Quais seriam as suas respostas?? Me conte nos comentários ou manda o link das suas respostas!

Citações #77 — As luzes em mim

Despretensiosamente, As luzes em mim, de Roberto Azevedo,  foi me conquistando ao longo da leitura. Foram muitos fatores que contribuíram para isso e hoje trarei alguns aqui, para além daquilo já mencionado na resenha

Uma das coisas que mais gostei, por exemplo, foi a presença das cores na narrativa. 

“Utilizar as cores que não pode mais ver para se curar”

“Qual seria a cor do fim?”

E a presença delas é ainda mais interessante quando pensamos que o protagonista perdeu a visão quando era apenas uma criança.

“As luzes dentro de Marcos já não são as mesmas”

E claro que esse acontecimento molda sua vida, mexendo com seus sentimentos e seu crescimento, impondo muita solidão ao protagonista, algumas dores, mas também alegrias e descobertas.

“Nunca na vida, Marcos se sentiu tão só”

“Os sentimentos puros e recíprocos, quando existem, simplesmente transparecem”

“A felicidade, às vezes, constrói falsos escudos, onde o mundo parece perfeito”

“A dor é mais persistente do que qualquer tentativa de ser forte”

“Só quer que esse sentimento dure para sempre, livre de rótulos. Só deseja amar e seguir amando”

A narrativa também fala muito sobre preconceito e sobre como enxergamos aquilo que é diferente.

“Os jovens, às vezes, inventam desculpas estranhas para as coisas que não conseguem entender…”

“Não quer mais ser atingido pelo mundo que o julga”

Para além das cores, a música é outra arte que se faz presente nesta história, tendo um importante papel.

“Assim como Marcos, que desde muito pequeno amava desenhar, Maurício amava a música e achava aquele instrumento o mais lindo de todos”

“A música os envolve, criando um mundo único e especial, onde nada importa ou é proibido”

Se você se interessou por As luzes em mim, leia a resenha completa clicando no post abaixo.

A vingança é verde esmeralda — Renata De Luca

Título: A vingança é verde esmeralda 
Autora: Renata De Luca
Editora: Publicação independente
Páginas: 240
Ano: 2023

Sinopse

“Eu morri! Por isso, vocês estão assistindo a este vídeo. E não tenho dúvida, embora não possa provar, de que fui assassinada pelo meu marido.”

A mulher que acusa o marido de feminicídio é a Princesa Nabilah, jovem esposa do bilionário Sheik Raed. O vídeo viraliza na internet e se transforma num escândalo planetário.

Mas onde está o corpo? E se ela não morreu, como e por que sumiu levando uma esmeralda rara? A busca por Nabilah — viva ou morta — e pela joia valiosíssima é o fio condutor da história que tem como pano de fundo a violência contra a mulher.

Raed, o marido poderoso, nega as acusações, diz que é vítima da mente doentia da esposa. Jamile, tia da Princesa, tenta provar o contrário. Para isso, se une ao detetive Michel Blum (que está de olho na esmeralda) e Simone, influencer com milhões de seguidores.

A trama viaja pelo Oriente Médio, Europa e Brasil num enredo cheio de reviravoltas, em que os personagens usam a imprensa e as redes sociais para criar fatos e desenvolver estratégias.

Resenha

Você já ouviu falar na Estrela do Cerrado?

Trata-se de uma jóia raríssima e extremamente cobiçada, que pertencia a Luli de Almeida Leal, até o seu roubo milionário, contado nesta história aqui, que se passa no Carnaval de 2014.

Em A vingança é verde esmeralda, a tal joia entra em cena novamente, numa narrativa ainda mais eletrizante, que envolve a fuga de uma princesa, a acusação de violências cometidas por um sheik e muita sede por justiça.

“O Sheik não seria eternamente dono da minha vida e, muito menos, senhor da minha morte”

Logo no início desta narrativa ficamos sabendo que a princesa Nabilah fugiu de seu marido, o sheik Raed. E ainda lançou um vídeo bombástico que o acusa de mata-la, após toda a violência já sofrida durante o casamento deles.

“Era melhor arriscar ser pega do que aceitar morrer em vida, um pouquinho a cada dia”

Assim que descobre a fuga, Raed e Khalil — seu primo, chefe de guarda e fiel escudeiro — iniciam as buscas por Nabilah — viva ou morta —, para que toda essa história acabe e o sheik recupere o seu status (e a sua tão preciosa joia). 

Mas os dois jamais poderiam imaginar que Nabilah e sua tia Jamile seriam capazes de uma fuga tão bem arquitetada e que, mais ainda, elas encontrariam pelo caminho pessoas dispostas a salvá-las da garra do sheik.

“A cada dia que passa Raed fica mais perplexo com o nível de sofisticação da esposa vingativa”

É assim que entram em cena, aos poucos, personagens conhecidos a quem já leu A estrela do Cerrado.

“É incrível como a Estrela do Cerrado acaba sempre cruzando o seu caminho num emaranhado de coincidências e mulheres extraordinárias”

Em A vingança é verde esmeralda reencontramos Simone, Michel, Jean-Luis, Danilo e outros tantos personagens, cuja aparição aqui não será muito detalhada para evitar spoilers.

“O fato é que o limite entre informação relevante ou não se estreitou bastante”

As aventuras e desventuras desta narrativa nos levam a alguns países europeus, ao Oriente Médio e, claro, ao Brasil

“— Às vezes as coisas ficam nebulosas, incompreensíveis mesmo. Mas nem por isso devemos abandonar o nosso caminho”

Numa trama repleta de altos e baixos, é difícil não ficar com o coração na mão: a história coloca em evidência assuntos como a violência sofrida por tantas mulheres, a ganância do ser humano e também alguns assustadores momentos do início da pandemia do coronavirus.

“Esse é um dos muitos problemas dessa doença perversa, menina, ela pode matar ou dar uma derrubadinha. Nunca se sabe, é aleatória e apavorante”

O ritmo da história é intenso, uma vez que além de trazer cenas dignas de thrillers cinematográficos, os acontecimentos duram cerca de uma semana. Não há tempo a perder, em nenhum dos lados desta narrativa.

“Percebe a urgência e a apreensão; sente a fragilidade do ser humano diante do inesperado”

Além disso, contando com tantos núcleos e personagens importantes para o desenrolar dos fatos, A vingança é verde esmeralda é narrada em terceira pessoa, nos possibilitando enxergar o todo dos acontecimentos.

A diagramação é bem simples, mas sequer conseguiríamos prestar atenção nela, uma vez que a história nos coloca em uma espiral de acontecimentos que nos suga para muito além das linhas dispostas no papel (ou melhor, na tela do leitor digital). 

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