Alzehan: Magos e Alquimistas — Rikelmy Ribeiro

Título: Alzehan: Magos e Alquimistas
Autor: Rikelmy Rodrigues Ribeiro
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

Antes de iniciar essa resenha, preciso confessar que sou um pouco cética quanto aos comentários de outras pessoas sobre os livros. Gosto de ler resenhas — principalmente de obras que nunca ouvi falar na vida — mas nunca tomo as palavras do resenhista como verdades universais e, assim, não importa se a pessoa amou ou odiou o livro, se pego aquele livro para ler, inicio a leitura sem nenhuma expectativa.

Dito isso, gostaria de acrescentar que o que eu ouvia falar de Alzehan é que este é um livro de fantasia — coisa que já dá para esperar pela capa e pelo título — mas com algumas questões filosóficas inseridas na história. Eu pensava se não era um pouco exagerada essa definição, mas resolvi conferir com meus próprios olhos.

No início da história conhecemos Alzehan, a cidade dourada. Mais que isso, uma cidade poderosa e cheia de mistérios, que abriga dentro de seus muros grandes magos. E dentre eles temos os personagens centrais desta história: Évelon Kovalev, pai de Isaac e Eivil Kovalev, irmãos gêmeos completamente diferentes entre si em todos os sentidos possíveis.

“Eivil não era mal, mas curioso e disposto. O mundo não gosta de pessoas assim, então ele tenta derrubá-las e foi exatamente o que aconteceu com Eivil Kovalev”

Nesta história, porém, não é apenas Alzehan que tem seus mistérios. Todos os personagens parecem carregar mais do que falam e mostram ao longo da narrativa. E, claro, existem outros reinos para além de Alzehan. Reinos não tão ricos e não tão protegidos, mas que têm algo em comum: a vontade de destruir a Cidade Dourada.

“Desde que a vida caminhou sobre a Terra, ela permaneceu em guerra. A paz tornou-se uma utopia, visto que os instintos primitivos se sobressaem até mesmo nas mentes mais intensas”

Nós conhecemos um pouco mais sobre o que há para além dos muros Alzehanianos através de Eivil que, na infância, é expulso da cidade ao desrespeitar uma regra importante. E também é graças a esse acontecimento que conhecemos Érica Asténs, uma figura feminina de muita força, coragem e tristes lembranças, além de outros personagens que compõem a narrativa.

Évelon é um mago muito poderoso e esse poder não só é passado aos filhos, como é aprimorado por eles. Por isso, querendo ou não, todos temiam o que poderia acontecer após a expulsão de Eivil de Alzehan, ainda que, na época, ele fosse apenas um garoto. Isaac também já previa as consequências e, por isso, dedicava-se dia e noite a se tornar um mago ainda mais poderoso que seu pai. É como se todos soubessem que Eivil se vingaria da expulsão, ainda que em momento algum ele seja descrito como vingativo.

“Nós lutamos de maneira imperfeita para que Alzehan continue perfeita, entende?”

É muito fácil mergulhar nessa história — e olha que fantasia não é sequer o meu gênero preferido — e ficar com aquela vontade de saber o que vem a seguir, como os fatos irão se desenrolar. A guerra está sempre pairando, é verdade, mas ela vai muito além de um “bem” contra um “mal” e isso nos deixa sem conseguir prever o que pode acontecer ou mesmo o que gostaríamos que acontecesse.

“— No mundo real não existem vilões, apenas convicções diferentes”

E é justamente por brincar com questões como essa — de não haver exatamente um lado certo e um errado numa guerra — ou então com a questão de que, se não mudarmos, sempre haverá guerras no mundo, porque queremos apenas que nossos desejos sejam atendidos, é que Alzehan: magos e alquimistas é uma obra de fantasia que consegue ir muito além daquilo que esperamos.

“Uma vez, travei uma batalha contra um mago de Zafira. Ele me disse que ‘o mundo trabalha contra os bons’ e, de certa forma, fazia sentido”

Esse é o livro de estreia do autor e a história não acaba aqui (espero!). Se você é um amante de fantasia e quer conhecer esses personagens tão cheios de segredos e reflexões, adquira o ebook aqui ou o livro físico aqui e boa leitura!

Loucuras de Verão (antologia)

Título: Loucuras de Verão
Autor: vários autores
Organização: Tati Iegoroff
Editora: Lettre
Páginas: 174
Ano: 2021

Logo logo chegam as águas de março, fechando o verão, mas, antes disso, por que não ler esta antologia quentinha? Claro que eu sou suspeita para falar qualquer coisa, pois sou a organizadora dela, mas estou muito feliz em ver tantos autores incríveis reunidos em um só lugar (e isso eu posso falar, já que só organizei a antologia, não contribuí com nenhum texto meu!). E sabe da melhor? Essa antologia é gratuita! Isso mesmo, você pode ler todos esses textos incríveis sem pagar nada por isso (já já explico melhor).

“Naquele pequeno fragmento de realidade eu era infinito como o oceano”

(Amor à primeira vista — Abraão Nóbrega)

Há quem ame e quem odeie o verão que, assim como qualquer outra estação do ano, tem o seu lado bom e o seu lado ruim. Se bem que também há quem diga que no Brasil só temos essa estação! Em que time você está?

Eu, confesso, não gosto de extremos: nem muito calor, nem muito frio. Mas o sol com certeza me dá uma alegria que aqueles dias cinzas logo espantam. Foi por isso que pensei que uma antologia leve, deveria ser sobre o verão, sobre férias, sobre aventuras e, por que não, sobre amor.

“Se a vista já valia a pena por si só, ambos sabiam que, para eles, aquela vista sempre seria descrita mil vezes mais bela do que, de fato, era”

(Uma semana de gelato e amor — Carolina Mantovani)

A proposta de “Loucuras de verão” era, portanto, reunir textos leves e, claro, relacionados ao verão. E isso os autores souberam fazer com maestria. Tem até história que se passa na neve, mas que soube muito bem captar o espírito da antologia!

“Naquele instante, o verão ficou frio”

(2000 verões — Alvaro Tallarico)

Algo que achei incrível foi a variedade de temas que surgiram para a composição da antologia. Sim, o fio condutor é a estação mais quente do ano, mas há textos mais reflexivos, inclusivos, aventureiros, românticos, de fantasia… Tirando quem curte terror, tem para todos os gostos!

“Muitos outros verões estavam por vir”

(Amor no Araguaia — Rubem Gleison)

Ao todo, Loucuras de verão conta com 22 textos. Sendo uma antologia, é possível apreciá-la aos poucos, como quem toma um sorvete. E ela também não foi feita para ler apenas no verão, porque há contos que são capazes de aquecer seu coração mesmo nos dias mais frios do ano.

“— Tu sofre estando sozinha, eu sofro estando com a minha mãe preocupada comigo todos os dias. Eu tenho dores que correm da ponta dos meus dedos da mão até os dos pés, tu tem dores nos olhos cansados de tanto ler palavras sem sentido. Eu sei que parece diferente, mas é que dor não tem medida”

(Não importa a forma que a gente exista — Grazi Ruzzante)

Como eu disse lá no início, esta é uma antologia gratuita. Então, se você tem interesse em conhecer esse trabalho (e se me permite um conselho: conheça!) basta clicar aqui e garantir o seu arquivo.

Irresistível Doutor — Ingrid Sousa

Título: Irresistível Doutor
Autora: Ingrid Sousa
Editora: Lettre
Páginas: 240
Ano: 2020

Muitas pessoas torcem o nariz para romances hot e, geralmente, a capa já deixa bem claro o estilo do livro. Mas é aquela velha história: não podemos julgar um livro pela capa, não é mesmo?

“Nunca haverá um nós enquanto eu for dona de mim”

Irresistível Doutor é o primeiro romance hot da autora Ingrid Sousa e, ainda que ela tenha usado um ou outro elemento comum a esse tipo de história, percebemos que, em diversos momentos, há inovações muito interessantes e que tornam a leitura extremamente prazerosa. E engraçada! Mas também há cenas de partir o coração.

“Sou ótima cuidando do coração das pessoas, mas uma negação para cuidar do meu”

A história já começa com um soco no estômago: Mark termina seu noivado com April, nossa protagonista, por mensagem de texto! E se isso não fosse o suficiente para odiar um homem desses, a cada página, só piora (mas vou deixar que você tire suas próprias conclusões…)

“O que realmente me quebrava era o fato de não poder confiar, de ter sido feita de boba”

Mas se engana quem pensa que passaremos o resto do livro vendo uma mulher despedaçada ou então que se entrega ao primeiro que aparece. April sofre, é claro, mas Melissa, sua irmã gêmea, dá uma ajudinha para que ela dê a volta por cima.

“Nunca poderia ficar com raiva da Mel por me amar tanto quanto eu a amava”

April é norte-americana, mas é no Brasil que a história se passa, pois é aqui que ela recomeça sua vida. E, logo de cara, nos deparamos com a cena do “vizinho peladão”, que nos arranca boas risadas.

“Eu a deixei dentro do táxi e parti com destino ao Brasil”

April tem as suas feridas recentes, mas ela logo conhece Guto, um rapaz lindo e gentil que derrete o coração dela. Contudo, ele não parece querer se entregar ao que também sente por April. E é aí que percebemos que ela não é a única personagem a carregar feridas.

“Era horrível vê-lo daquela forma, seu coração estava partido, assim como o meu, mas as feridas pareciam ainda mais profundas e dolorosas. Era como se ele já tivesse vivido tudo aquilo antes”

Irresistível Doutor é aquele tipo de leitura que te prende, porque sempre acontece algo novo e que te faz querer saber como aquela situação irá se resolver e quais serão os próximos passos. Uma leitura prazerosa e intensa, que vai fazer as horas voarem.

“Eu gostava dele, mais talvez do que conseguia explicar”

Os personagens são cativantes. Exceto Mark, claro. E Guto, em alguns momentos. Mas este a gente perdoa, o primeiro não. O time feminino da obra é excepcional: April, Melissa, Camila. Mulheres independentes, fortes, inteligentes.

“Ser cirurgiã era a única constante em minha vida e eu me orgulhava de ser excepcional no que fazia”

Quer saber mais sobre Irresistível Doutor? Então clique aqui (versão física) ou aqui (ebook).

Gostosuras ou travessuras (Antologia)

Título: Gostosuras ou travessuras
Organização: Equipe Lettre
Editora: Lettre
Páginas: 128
Ano: 2020

Gostosuras ou travessuras é a mais nova antologia de distribuição gratuita da Editora Lettre. Este é um formato que a Editora está testando, para incentivar a literatura nacional de maneira verdadeiramente acessível a todos.

A antologia reúne contos que se passam no Halloween, mas com uma proposta um pouco diferente: os protagonistas de cada conto são seres fantásticos. Você já se perguntou como essas criaturas — que geralmente são as que dão origem às nossas fantasias — passam essa data?

“A verdade era que nenhum deles entendia muito bem, mas algo lhes dizia que eles se veriam em breve”

(Conto: O início de uma nova era)

Em Gostosuras e travessuras você pode descobrir as respostas — sim, no plural, porque cada criatura passa a seu modo! — para esta pergunta. São textos que nos apresentam anões, unicórnios, leprechauns, dragões, fadas, bruxas, zumbis, anjos, vampiros, lobos…

Além da temática similar, todos os contos foram escritos para que mesmo os mais novos possam ler. Ou seja, Gostosuras e travessuras é uma antologia de classificação indicativa livre e com histórias que, mesmo no mais assustador dos casos, são leves.

“Eu não chorava só por mim. Chorava toda noite pela vida que se perdera, pela fome, pelos abusos e assassinatos. Eu chorava pelas pessoas que cresceram comigo, que cuidaram de mim, que fizeram aquela vila existir e que agora, assim como eu, estavam perto de suas mortes”

(Conto: A esposa do espírito branco da lua)

Esta antologia foi pensada um pouco às pressas e, por isso, juntamos apenas os autores da própria Editora e alguns convidados para compô-la. A Lettre, porém, tem planos de lançar outras antologias do tipo, contando com uma participação mais ampla. Inclusive, o edital da próxima já está aberto e as inscrições vão só até o dia 06/11 (para saber mais, clique aqui).

Uma coisa que gostei ao longo das páginas de Gostosuras ou travessuras é que a antologia traz diversos textos sobre amizade ou então sobre respeito ao próximo. Foi muito bom encontrar tantos textos que trazem lições tão importantes, mas de maneira leve e gostosa de ler. E mais ainda: em uma antologia de halloween! Ou seja, não é apenas mais do mesmo.

Eu não vou me deter muito, principalmente no elogios aos contos porque também sou uma das autoras e isso seria no mínimo suspeito!

Brincadeiras à parte, foi um desafio para mim a participação nesta antologia. Mesmo lendo fantasia, este não é um gênero com o qual tenho muita afinidade. Por isso, acabei escolhendo como personagem uma sereia, figura fantástica pela qual sempre nutri certo fascínio. Meu conto chama-se “A vida em ondas” e é narrado em primeira pessoa.

Se você ficou com vontade de conhecer essas histórias ou então se está buscando algo relacionado ao halloween para ler nesta época, aproveite que Gostosuras ou travessuras é gratuita! E não, não é por tempo limitado. Basta acessar o site da Editora Lettre e baixar o arquivo. Ou então clique aqui para ir diretamente para a página correta.

E se você decidir ler, depois venha me contar o que achou! Será uma alegria poder trocar figurinhas ou mesmo ouvir sugestões do que poderia ter sido diferente em meu texto!

A Lettre faz 1 ano!

Essa semana dei uma leve sumida daqui, pois acabei me atrapalhando com as minhas coisas e ficando sem tempo para nada. Mas hoje é uma data muito especial e, para que a semana não passe em branco, resolvi contar uma história para vocês.

Em 2019, eu decidi me aventurar em algo novo para mim: leituras beta. Pensei que, com minha formação, poderia contribuir de mais uma maneira com a literatura brasileira. E tive a sorte de logo conseguir me inscrever para a seleção de uma escritora e, melhor ainda, ser selecionada!

Naquele momento, mesmo sem saber, eu estava dando alguns passos bem importantes para mim. Primeiro que, a partir dessa primeira experiência, resolvi me afirmar mais como revisora e leitora crítica e realmente faço alguns trabalhos nesses campos. Mas o maior passo que aquela primeira leitura beta me deu eu sequer imaginava que viria a acontecer.

Em 2019 eu conheci a escritora Ingrid Sousa. Meu primeiro contato foi com seu livro, uma fantasia que mistura elementos mitológicos e uma garota que se considerava normal até descobrir que possuía certos poderes. Ao longo da leitura, porém, fui ganhando uma amiga. E não falo de Amália, personagem de O despertar da profecia, mas da própria Ingrid.

Depois que o livro foi concluído — porque sim, a leitura beta foi feita durante a construção do mesmo — a Ingrid começou a procurar editoras para publicá-lo e chegou a conseguir mais de um orçamento. O sonho, porém, acabou indo por água abaixo, pois a editora com a qual ela assinou, acabou nada fazendo com a obra.

Mas se tem uma característica da Ingrid que é evidente para qualquer um que se aproxime dela é a persistência. E foi assim que ela decidiu abrir a sua própria editora, para realizar não apenas o seu sonho, mas o de tantos outros autores nacionais.

Em 17 de setembro de 2019 nasceu a Editora Lettre. E eu, timidamente, fui entrando aos poucos nesse sonho da Ingrid e agora estou aqui, contando para vocês que sou uma das pessoas que faz parte da família Lettre.

Sim, vocês já viram muito esse nome por aqui, seja nas resenhas, seja em qualquer um dos posts sobre a antologia “Um amor para chamar de meu“, que tive o prazer de ser a organizadora. Mas vocês talvez não saibam que hoje eu realmente ajudo no que posso para ver essa Editora crescer mais e mais.

É engraçado que, para mim, tudo começou um pouco na brincadeira, com um simples “se precisar de alguém para revisar os livros, estou aqui”. E assim a Ingrid me abriu esse espaço. Depois, porém, ela foi me abrindo mais e mais portas e hoje eu levo tudo isso tão a sério quanto ela.

Em 2019, a Ingrid me deu um espaço para chamar de meu dentro de uma Editora. Deu-me a alegria de poder ver novos autores realizando seus sonhos e, mais que isso, o privilégio de poder lê-los antes de todo mundo!

Nesse um ano de vida, a Editora Lettre já publicou os seguintes títulos:

Ainda teremos alguns lançamentos este ano e edição especial de um dos títulos acima! E a agenda de 2021 também já está praticamente fechada. Tem muita coisa boa vindo por aí.

E claro que a Lettre precisava ter algo de especial (como se tudo o que eu disse já não fosse o suficiente!): estão sendo propostas algumas antologias 100% gratuitas, em formato digital. A ideia é que os escritores encontrem um espaço para divulgar seu trabalho, ao mesmo tempo que a editora contribuiu com o incentivo à leitura de maneira democrática. A primeira antologia desse tipo está prevista para outubro deste ano!

E por falar em antologias, também tem dois editais abertos (e eu estou na organização de um deles!) e um terceiro para abrir:

Não deixem de conhecer o trabalho da Editora Lettre. Este foi apenas o primeiro ano, de muitos que virão. E novamente eu afirmo: é uma alegria fazer parte de tudo isso!

Serial Killer: a verdadeira face do mal (Antologia)

Título: Serial Killer: a verdadeira face do mal
Organização: Larissa Oliveira
Editora: Lettre
Páginas: 135
Ano: 2020

Recém saída do forno, a antologia Serial Killer: a verdadeira face do mal veio para abalar as estruturas. Bom, pode ser exagero meu, mas é que realmente me surpreendi com essa obra e não acho que seja simplesmente pelo fato desse ser um gênero com o qual não tenho tanto contato.

“Quero mostrar para ela que os monstros vivem na superfície, que o bem e o mal estão dentro de todos e que nós escolhemos qual lado queremos vivenciar”

(Conto: Na superfície)

As histórias que encontrei ao longo das páginas dessa antologia me surpreenderam pela variedade. Os seriais killers são muito diversos entre si: homens, mulheres, crianças (!), jovens, adultos, ricos, pobres… Isso sem contar, claro, aqueles contos que deixam certa dúvida no ar.

Nós somos o verdadeiro mal. Somos um mal que está oculto nas sombras, esperando o momento certo de rasgar sua garganta.

(Conto: Lady Jack)

Outra coisa que chamou a minha atenção é que há tanto homens quanto mulheres escrevendo. E há homens que fizeram protagonistas femininas e mulheres que fizeram protagonistas masculinos e assim por diante. Realmente bem mesclado e bem fora do padrão.

“A festa estava lotada de pessoas superficiais”

(Conto: Antes que o leite acabe)

E não, caro leitor, não se deixe enganar: muitas reviravoltas também nos aguardam nas páginas de Serial Killer. É claro que, num livro como esse, nem tudo é o que parece ser!

“Miguel se achava muito inteligente, e isso o tornava alguém altamente manipulável, pois bastava dar um sorriso meigo, se fingir de atrapalhada e dizer que acreditava em alguma besteira, para que ele confiasse ter alguém ingênuo à sua frente”

(Conto: Lady Jack)

Agora, uma coisa que me surpreendeu ainda mais que tudo o que já mencionei até aqui foi o fato de que, em mais de um conto, os seriais killers se apresentam a nós com uma falsa capa de moralidade, isto é, buscam justificar as mortes que cometem como uma espécie de justiça ou “limpeza da sociedade”.

“As palavras do dono do estabelecimento só comprovam o que eu sempre digo: as pessoas só se importam com os problemas das outras quando eles não causam problemas para si mesmas”

(Conto: Jingle Bells – Jungle Hells)

Isso me surpreende pela forma como os autores usaram desse elemento para construir suas histórias. Elemento este que, infelizmente, faz realmente parte de nossa sociedade. Afinal, quantas pessoas não fazem coisas ruins acreditando ou alegando estar fazendo algo de bom para o mundo?

É, essa antologia talvez tenha me deixado reflexiva. E tanto me deixou reflexiva que, olhando aqui a sinopse dela, me pergunto se eu não deveria ficar com certo medo dos autores. Isto porque na sinopse diz-se que “buscamos, nesta antologia, fazer com que cada autor mostrasse o seu monstro interior. Isso mesmo, todos temos um monstro adormecido dentro de nós”.

Ora, se a ideia era que cada autor mostrasse seu monstro interior e disso nasceram contos tão bem escritos… O que será feito desses monstros que agora estão entre nós?

Brincadeiras a parte, essa é uma antologia que vale a pena ser lida. Eu já solicitei a minha versão física (que está em pré-venda no site da Editora), porque vi que está com uma diagramação incrível, melhor que a de muita editora grande. Mas, por enquanto, li na versão digital (disponível na Amazon), que tem uma diagramação mais simples, mas que não muda em nada a qualidade das histórias lidas.

Se você é amante do gênero, a leitura desta antologia te permitirá conhecer novos autores. Se, por outro lado, você é como eu e não tem o hábito de ler coisas nessa área, aventure-se. Não me arrependo nem um pouco de ter me jogado de cabeça nessa.

Entranhas do amor — Nicc Mello

Título: Entranhas do amor
Autor: Nicc Mello
Editora: Lettre
Páginas: 102
Ano: 2020

Como é que se resenha um livro tão intenso, tão íntimo, tão sincero? Eu, definitivamente, não sei, mas prometo que tentarei dizer algo sobre “Entranhas do amor”, do autor Nicc Mello.

“O amor de menina há de florescer nos sonhos de mulher”

Talvez eu deva começar pelo próprio título da obra: “entranhas” significa, figurativamente falando, a nossa parte mais interior, mais profunda. “Entranhas do amor”, portanto, é uma obra que deveria mergulhar no mais profundo desse sentimento tão infinito e tão complexo.

“Amor é amar”

É isso! “Entranhas do amor” realmente fala com profundidade — e propriedade — não apenas sobre o amor, mas sobre a vida, sobre o que é óbvio e o não tão óbvio assim. Sobre banalidades, mas também sobre questões existenciais.

“Viver era mais importante”

Em alguns poemas os versos são diretos, cortantes. Em outros, são mais amenos. Todos têm um quê de pessoalidade difícil de ignorar. E de sentir. Nicc Mello é um poeta LGBT e também demonstra isso em algumas de suas poesias.

“Amar nunca foi crime”

Queria destacar ao menos uma poesia aqui, mas foi tarefa difícil escolher. No entanto, optei por trazer a vocês “Eu”:

Eu

Sigo só,

na minha companhia.

Estranho é viver

no meio da multidão

Esta obra é o mais novo lançamento da Editora Lettre e, outra vez, fico feliz em ver um resultado desses. A edição física — que está em pré-venda no site da Editora, com frete grátis — está muito bonita, com uma diagramação diferente do ebook, disponível aqui.

E se você ainda não se convenceu entre comprar ou não um exemplar, conheça um pouco mais do autor através desta entrevista.

Um amor para chamar de meu — versão física!

Você, leitor que me acompanha por aqui, lembra que este ano participei da organização de uma antologia de romance? Tenho novidades sobre ela, então se liga aqui! Mas antes, deixa só eu falar com quem acabou de chegar por aqui!

Você, leitor que ainda não me conhece, confira a minha resenha, meu post sobre o que aprendi organizando uma antologia e saiba mais também sobre o meu conto A língua do amor e depois volte aqui.

Agora que estamos todos no mesmo barco, continuemos: essa antologia de capa incrível, vai ganhar sua versão física! Mas, para isso, precisamos conseguir vender ao menos 50 exemplares na pré-venda. Parece muito? Minha gente, isso vai é esgotar. Então não deixe de adquirir o seu logo, viu?

Como funciona essa tal pré-venda?

É muito simples: ela estará aberta de hoje (01/07/2020) até o dia 31/07/2020, no site da Editora Lettre. Basta clicar aqui, selecionar a antologia “Um amor para chamar de meu”, adicionar ao carrinho e ir para o procedimento de finalização da compra. Indicamos que a melhor opção é a do próprio site (Wix) — e já vou explicar porque — ou, se preferir, você pode solicitar um boleto comigo (é só deixar um comentário aqui ou entrar em contato pela aba de contato do blog ou, se você já tem meu contato, me chamando direto).

Só isso?

Não não! Tenho uma surpresa para vocês, meus queridos leitores! Antes de finalizar a compra, adicionem no campo de cupom de desconto o seguinte cupom: TATIFRETEGRATIS para ter direito ao querido frete grátis (válido somente para endereços no Brasil). Quem solicitar boleto também terá direito ao frete grátis.

E que garantias vocês tem?

Independentemente da forma de pagamento que vocês escolherem, caso a pré-venda não seja bem sucedida (bate na madeira!) haverá estorno do valor aos compradores. Porém, para aqueles que optarem por pagar através do pag seguro ou mercado pago, há o desconto de administração dessas redes e, portanto, o valor estornado é um pouco abaixo do valor total pago. No caso de compras feito pela própria Wix ou por boleto, será devolvido o valor integral.

E então, o que está esperando para ir lá comprar o seu exemplar?

Quando a noite cai — Alessandra Ribeiro de Abreu

Título: Quando a noite cai — a profecia
Autora: Alessandra Ribeiro de Abreu
Editora: Lettre
Páginas: 44
Ano: 2020

quando a noite cai blog

Quando a noite cai é uma fantasia escrita, principalmente, para você, que gosta de lobos, mas não só! A leitura é super rápida, porém este é apenas o primeiro livro, haverá uma continuação. E, definitivamente, o final nos deixa com aquele gostinho de “quero mais”. Este primeiro livro é mais introdutório, nos apresentando os personagens e os cenários da história. Mas não se engane, a narrativa não é nada monótona ou maçante, muito menos superficial.

“O mundo ainda era um caos, talvez até pior”

Logo de cara somos apresentados a Ryan e Rob, dois irmãos que têm sangue lobo.

“Existiam duas espécies de humanos. Humanos cem por cento normais e humanos com sangue de lobo”

Mesmo sendo parentes, porém, eles são muito diferentes: Ryan tem aquele jeito malvado e sempre pronto para aprontar, enquanto Rob é tranquilo e deseja o bem de todos. Por meio desses dois personagens podemos compreender, também, que alguns humanos com sangue lobo são bons (como Rob), enquanto outros se acham superiores (como Ryan).

“Não considerava os humanos fracos, muito pelo contrário. Admirava a capacidade que certas pessoas tinham de se doar pelos demais e era fascinado pela intensidade do amor que sentiam”

A apresentação desses dois personagens, porém, é só o início. Depois deles, conhecemos Joe, um ser humano que tem uma triste história de vida: perdeu seus pais quando ainda era criança. E eles foram, justamente, assassinados por um lobo. Mas não um qualquer, da raça Lýkos, como a maioria, mas um da raça Lýnk, que é ainda mais poderosa e destrutiva.

Movido pelo ódio e pelo desejo de vingança, Joe se torna um caçador, isto é, um dos profissionais responsáveis por manter Lýkos na linha e caçar os poucos Lýnk restantes (ainda que a maioria acredite que não resta mais nenhum deles…).

“Ia encontrar esse bicho e fazê-lo pagar por cada morte que causou. Custasse o que custasse”

O que mais me surpreendeu nessa narrativa foi que, mesmo ela sendo rápida e se tratando de uma fantasia, há diversas passagens que nos fazem refletir sobre nosso papel no mundo e sobre como enxergamos a nós e aos outros.

“A mesma ladainha estava para acontecer. Seres humanos culpando uma raça inteira por culpa de alguns que burlavam o sistema, como se seres da sua própria espécie não fossem capazes de coisas piores”

Apesar do seu desejo de vingança, Joe é um personagem muito sensato e é o que mais nos faz pensar. Agora, para saber como todas essas histórias se cruzam e se ele será ou não capaz de realizar o seu desejo, só quando o segundo livro sair. Guenta coração!

Se interessou por essa história? Adquira seu ebook aqui ou o livro físico em pré-venda aqui.

Sobre meu conto “A língua do amor”

Sobre meu conto _A língua do amor_

Quem me acompanha para aqui já deve estar cansado de saber que eu ajudei a organizar uma antologia, publicada esse ano, pela Editora Lettre. Além de fazer parte da organização, eu também escrevi um conto para compor a mesma, intitulado “A língua do amor”.

Mesmo tendo outros contos escritos (e mais um publicado), não me considero uma escritora. Não sei, me parece surreal dizer que eu faço parte desse mundo tão mágico e, ao mesmo tempo, tão árduo. Mas tenho recebidos feedbacks incríveis sobre meu conto e, confesso, a cada vez que vejo um elogio ou alguém dizendo que ele foi o preferido dentre todos, meu coração se enche de alegria. Depois de ver uma leitora dizendo que meu conto deveria virar livro (!!!), coisa que nunca pensei, quis vim contar um pouco mais sobre ele para vocês.

“A língua do amor” é narrado por uma menina espoleta e curiosa que adora brincar com seus vizinhos no playground do prédio em que mora. Ela fica intrigada, porém, quando chega um novo vizinho, que nunca desce para brincar com eles, ainda que fique espiando-os pela janela, enquanto eles gritam para que o menino se junte a eles.

Conversando com sua mãe, a narradora faz uma descoberta sobre Daniel — o tal vizinho que nunca desce para brincar com eles — que muda a sua vida e talvez a de muitas outras crianças da escola que ela estuda. Daniel é um garoto surdo e, por meio dele, tentei inserir um pouco desse universo na história, falando brevemente sobre a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Comecei a aprender Libras em 2018. Desde então venho aprendendo muito mais que uma simples língua, mas também toda uma nova forma de enxergar o mundo. E isso certamente é uma tarefa que demanda muito tempo e que ainda me acompanhará por anos e anos.

Quando eu escrevi o conto eu o via assim, do jeitinho que ele foi publicado. Logo mudei de ideia, porém, quando uma amiga me questionou sobre o final. De início, não pensei outra maneira, mas refleti um pouco e existiam modos de fazê-lo diferente. Mas quando eu vi  sugestão de transformar o conto em livro meu primeiro impulso foi rir. Impossível, não há mais nada a contar! Mas há, sempre há. E aí, claro, várias ideias começaram a pipocar na minha mente. Será que um dia “A língua do amor” vira livro?