Um dos motivos pelos quais gosto de marcar e anotar trechos que me chamam a atenção nos livros que leio é que, através deles, posso relembrar a história, além de, em alguns casos, ter novos insightssobre a mesma.
Mas se tem uma coisa que não precisaria de trechos para lembrar, é da força que a narrativa de A filha primitiva, da autora Vanessa Passos, tem.
“A fome ensinava a ser criativa”
Uma histórias que vai direto e reto ao ponto e que toca em muitas feridas.
“Gente é assim, gosta mesmo é de rir das desgraças dos outros”
Uma narrativa sobre partos, não somente físicos, mas também mentais.
“Fico pensando que escrever é um parto infinito”
E, ainda, um texto que fala sobre paternidade e abandono, mas também sobre a história que nos é negada.
“A busca pelo meu pai e pela escrita caminhavam juntas”
A filha primitiva é também sobre vícios.
“Tinha esquecido que a bebida dá coragem pras pessoas”
Sobre humanidade e desumanidade (não sei se essa palavra existe, mas acho que dá para entender a ideia, né?).
“É fácil esquecer o erro de homem”
“Incrível como o ser humano gosta de se enganar”
Não se trata de uma leitura fácil, como os conteúdos já podem indicar, mas ela é necessária. Para saber mais, você pode ler minha resenha aqui e garantir o seu ebook clicando abaixo.
Existem inúmeras formas de amar e de demonstrar esse amor e é exatamente isso o que encontramos nesta breve obra: um amor para cada letra do alfabeto, como sutilmente sugere o título.
“Já pensou que existem tantos tipos de amor quanto pessoas esperando ser amadas?”
Através de 22 contos curtinhos, a autora faz um lindo passeio pelo alfabeto, nos propiciando as mais diversas leituras e os mais variados sentimentos.
“Enfim, eu leio. Às vezes mais, às vezes menos; mas estou permanentemente em busca de histórias para colecionar em uma biblioteca mental que me ajuda a enxergar o mundo com novos olhos”
Ao longo das páginas deste livro, também somos lembrados que nem toda história de amor é necessariamente alegre, com um “felizes para sempre”.
“Engraçado como amar alguém não é garantia que você vai estar com essa pessoa para sempre”
E assim como várias são as formas de amor, diversas são as maneiras de apreciar este livro: de uma sentada só ou, como acho mais interessante, aos poucos, uma dose de amor diária e necessária.
“Eu leio. Desde que aprendi, nunca mais parei. Em quase tudo que faço, levo um livro comigo”
Claro que, para mim, foi fácil eleger um texto preferido dentre todos os lidos: não resisto a histórias que falam sobre livros e leituras e, assim, o meu escolhido é o Biblioteca.
“Ler para mim é uma droga, eu não posso parar. Não depois de tudo que vivi”
Mas, como se pode imaginar, tem história para todos os gostos neste livro e também acho que ele pode ser uma boa pedida para quem quer sair de uma ressaca literária ou simplesmente começar a ler, já que ele é leve e, de novo, super rapidinho.
“Guardo o momento da leitura com carinho em um compartimento do meu dia. Porém, às vezes, por causa da correria do demandante mundo real, deixo de ler”
Ah, este também é um livro para quem precisa recuperar um pouco dos tantos sentidos do amar.
“Existem coisas que têm mais força que “eu te amo”. Uma frase é só uma frase. Os pedaços de vida que duas pessoas decidem conectar significam muito mais que três palavras entoadas juntas”
AmoreZ reúne, portanto, breves histórias despretensiosas, mas que, ao mesmo tempo, nos fazem pensar. E se você acha que é deste livro que está precisando, não deixe de clicar abaixo para saber mais. Aproveite para seguir a autora no Instagram e conhecer mais do seu trabalho.
“Não é para qualquer um que mostramos o carrinho de compras cheio de quem somos”
Título: A ruiva ao lado
Autora: Taynara Melo
Editora: Publicação Independente
Páginas: 78
Ano: 2021 (2º edição)
A ruiva ao lado é uma obra razoavelmente curta e, por isso, rápida de ler. Além disso, um dos principais plots da narrativa está colocado logo no início, mas, mesmo assim, o mistério perdura por toda a obra.
“Já vi aquele olhar. Mas não me lembro em quem”
Celine tem 32 anos e ainda carrega consigo a dor de ter sido abandonada pela mãe aos 10 anos de idade, tendo crescido apenas com o pai, alcoólatra.
“Até hoje sinto que a minha felicidade foi embora com minha mãe, no dia que ela partiu”
Apesar de tantos percalços, Celine conseguiu construir sua vida e, ao contrário da mãe, jamais abandonou o pai, mesmo diante da dificuldade e da tristeza de conviver sob o mesmo teto que alguém com um vício tão complicado e destrutivo quanto o álcool.
“Nesse exato momento, ele está na reunião do AA. Fico feliz por ele estar se empenhando. No mês anterior, ele havia completado quatro anos de sobriedade. Aquilo, para ele, era uma vitória diária. E eu estava orgulhosa dele”
Mas claro que, quando as coisas começam a se ajeitar, a vida vem e traz novas surpresas e desafios.
“Só quero seguir em frente, sem esse drama à minha volta”
Voltando de um delicioso final de semana com as amigas, Celine conhece Laura, a ruiva que pede para sentar ao seu lado no ônibus.
Desse momento, nasce uma linda e surpreende relação. Um elo que não é sempre que conseguimos criar em tão pouco tempo.
Mas é também por causa desse momento que todo o passado de Celine vem à tona e sua vida vira um caos.
A ruiva ao lado é, portanto, uma história que fala sobre abandono, alcoolismo, depressão e, acima de tudo, perdão.
“Compreendi que o perdão deve ser dado de coração”
Se quiser realizar esta leitura, prepare-se para encontrar sentimentos intensos e, claro, para chorar. Clique aí embaixo para saber mais e não deixe de seguir a autora nas redes sociais (Twitter e Instagram) para conhecer esta e suas demais obras.
Acho que todos nós, cedo ou tarde, nos deparamos com um momento em que buscamos uma leitura gostosa, mas rápida e leve. E é exatamente isso que encontramos em Garoto conhece garoto.
O contexto é bem simples e, por si só, poderia render os mais diferentes tipos de história: uma excursão para um parque de diversões.
O foco porém — como não poderia deixar de ser em um conto — está em um momento específico: quando quebra a roda gigante em que Bruno está.
“Só aconteceu. De forma natural”
Aqui, porém, sinto-me na obrigação de fazer alguns esclarecimentos:
1°: Bruno estava morrendo de medo de ir em tal brinquedo.
2°: Bruno estava na fila com seu amigo — que era quem realmente queria ir ao brinquedo —, mas este sentiu uma enorme vontade de ir ao banheiro, deixando o amigo em pânico e sozinho.
Claro que esses acontecimentos eram necessários para que, mesmo quase tendo um treco, Bruno entrasse na roda-gigante e dividisse a cabine com um desconhecido. O que, no final das contas, não foi tão ruim assim…
“Nós ficamos com as mãos uma por cima da outra durante uns dois minutos antes que surgisse um outro assunto”
Ficou com vontade de conhecer e ler esse conto romântico, fofinho e curtinho? Então clique abaixo para saber mais e não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Twitter e Instagram).
Há cerca de um ano, conheci a obra Desesterro, da Sheyla Smanioto. Agora, uma vez mais, me deparo com uma história forte, densa — apesar da linguagem relativamente fácil de ler — intensa e, em certa medida, brutal.
“Que alegria tem botar criança no mundo pra sofrer?”
E por que mencionar Desesterro aqui, ao invés de ir diretamente para a resenha de A filha primitiva? Porque ao iniciar a leitura desta obra, deparei-me com uma epígrafe que trazia, justamente, um trecho de Desesterro. E se de início isso foi uma surpresa, ao final da obra eu conseguia entender que a escolha talvez não pudesse ter sido melhor.
“Se tem os rastros, é porque a vida não é mais a mesma”
Em uma ficção que é a verdade de tantas pessoas, Vanessa Passos nos transporta em uma imensidão de sentimentos. E assim, uma obra curta transforma-se numa leitura que pede pausas, uma tomada de fôlego para seguirmos com os acontecimentos e pensamentos.
“Vou me descobrindo enquanto escrevo, quando puxo de dentro uma palavra depois da outra, sem sentido lógico as palavras continuam vindo”
A narrativa se passa em Fortaleza e retrata uma mulher — a protagonista — que tenta (re)construir sua história, mas que sem ter peças muito importantes para tal empreitada, desespera-se, revolta-se, amargura-se.
“Um dia eu engoli o orgulho e fui procurar a vizinha, perguntar sobre o meu pai”
Sobre isso, a própria autora traz uma reflexão muito importante na introdução do livro: às vezes, ter uma história também é um privilégio de classe e gênero. Forte, não? Pois lendo o livro, a gente sente com ainda mais força essas palavras.
A mãe dessa protagonista recusa-se a dar qualquer informação sobre o pai, mesmo diante de todo tipo de insistência da filha. E é evidente os embates que elas vivem diariamente, numa relação um tanto quanto complicada e dolorosa.
“Fui levando para frente as escolhas que eram mais delas do que minhas”
Não bastasse a complexidade da vida entre essas duas mulheres, soma-se uma terceira à história: a filha. E, ainda que ela não tenha muita consciência do que se passa ao seu redor (apesar de provavelmente sentir), é uma personagem igualmente sofrida. Afinal, é como a autora também diz na introdução: como uma mãe que não se sente pertencente ao mundo pode transmitir esse sentimento à filha?
“A menina sugando de dentro de mim a mãe que eu não era”
Nenhuma dessas três figuras femininas têm nome. E apesar deste não ser um recurso original, ele ainda causa um efeito muito forte, principalmente em uma história como essa.
“Um personagem só ganha vida, só se materializa com o nome”
O fato das personagens não terem nome é ainda mais relevante quando compreendemos que a protagonista é uma pessoa que conhece, aprecia e participa da literatura.
“Dói parir palavras. Dói mais ainda viver com elas dentro”
Mas não é como se nenhum personagem tivesse nome ao longo do livro. Os homens tem. O que também é bem significativo diante da narrativa que se desenrola, permeada de violências, dores, desamores.
“Naquele dia eu descobri que a palavra rasga mais que faca no corpo”
Ao olharmos para A filha primitiva, talvez não possamos imaginar o que nos aguarda. A riqueza dessa narrativa certamente surpreende. Não à toa, a obra foi vencedora da 6º Edição do Prêmio Kindle de Literatura. Então, se quiser conhecê-la, não deixe de clicar aí embaixo:
Um começo inusitado, que esconde uma história que poderia ser como tantas outras, mas que tem muitos detalhes que a tornam única. É assim que adentramos Uma noite inesquecível, cujo honesto título já nos adianta que os acontecimentos têm uma breve duração.
Passadas as primeiras páginas, somos apresentados a Darin Moon.
“Darin era o tipo de garoto feito na medida certa. Bonito, mas não a ponto de ser obsceno. Inteligente, mas não a ponto de ser uma enciclopédia irritante. Gostava da namorada, mas não a ponto de ser apaixonado por ela”
O jovem, acostumado a ter do bom e do melhor, não esperava que tudo pudesse desandar justamente no dia do seu baile de formatura: o término de seu namoro, intrusos na festa que fora planejada por tanto tempo e com tanto cuidado, uma briga… E daí para pior (sim, sempre pode piorar!).
“Darin pensou que tudo estava fadado a dar terrivelmente errado. Sua noite, sua vida, a droga da sua experiência como colegial”
Em paralelo a esse caos, também vamos conhecendo Camilo Dantas, um garoto bem diferente de Darin.
“Camilo Dantas gostava de acreditar em milagres”
A vida deles talvez nunca tivesse se cruzado, se não fossem justamente os infortúnios que tiram a paz de Darin. Às vezes, no olho do furacão, a gente não consegue perceber que as coisas precisam dar errado antes de darem certo (ou não).
“Ele sabia que era uma péssima ideia desde o começo, mas, às vezes, a gente precisa ver tudo dar errado para entender que… daria errado para um caralho”
Darin e Camilo acabam se aproximando e vivendo uma noite inesquecível, regida por um envelope vermelho vindo sabe-se lá de onde (nós talvez saibamos).
“Ele não deveria mesmo estar ali. (Mas agora estava.)”
A escrita desta narrativa é tão marcante que é impossível não ser contaminado por ela e se você leu (ou se resolver ler) a história, perceberá as influências nesta resenha. Isso sem falar no tom poético, que mescla elementos da natureza e sensações, trazendo uma sinestesia muito forte para a leitura.
“Acho que se apaixonar é diferente para cada um. Para mim, é como… É como… Pular em uma cama elástica em um dia de chuva”
E além de falar sobre diferenças, aventuras e descobertas, Uma noite inesquecível também fala sobre relacionamentos, família e vivências.
“Os dois primos trocaram um olhar cheio de significado e de mensagens que só pessoas que crescem juntas conseguem desenvolver com o passar do tempo”
Uma leitura extremamente rápida e prazerosa, que você também pode realizar clicando aí embaixo.
Por mais que eu goste de um conto, é difícil sobrarem trechos dele que eu achei interessante e destaquei ao longo da leitura, mas que não usei na resenha. Isso ocorre, principalmente, devido à curta extensão deles.
No entanto, após a resenha de O baú do Zumbi Gelado, escrito por Rafael Weschenfelder, ainda fiquei com alguns quotes que gostaria de trazer para vocês e fico feliz em ter mais uma oportunidade de falar sobre esta obra sensacional!
“Sabe quando você está falando e a palavra certa foge?”
Na resenha eu comento sobre o quanto esse conto surpreende, ainda que haja elementos que — espero eu — podem se tornar marca registrada do autor.
“— Não estou jogando enquanto espero ele acordar. Estou jogando para ele acordar”
É o que acontece, por exemplo, com a naturalidade de Rafael em criar histórias que incluem conhecimentos interessantes, mesmo quando se referem a coisas um pouco mais técnicas, como já comentado na resenha.
“Um dos grandes charmes de Zumbizeira é a inteligência artificial dos NPCs. Com respostas infinitamente mais sofisticadas — e hilárias — que as da Siri da Apple e da Alexa da Amazon, conversar com eles se transformou numa espécie de passatempo para os jogadores”
Ou então com a facilidade que ele tem para criar um humor gostoso de ler.
“Se recuperou o senso de humor, está curada”
Além, claro, do fato dele inserir discussões importantes em suas histórias aparentemente despretensiosas.
“— O mundo te deu as costas. Nada mais justo que dar as costas para o mundo”
Outra característica que adoro encontrar nas histórias que leio e que apareceram muito bem inseridas em O baú do zumbi gelado são elementos do cotidiano, da cultura na qual estou inserida, da realidade em que vivo.
“Nos filmes de terror, sempre tem um cara que não acredita em fantasmas: o cientificozão, que faz piada com o sobrenatural e finge ter sido possuído quando o grupo resolve usar um tabuleiro Ouija para se comunicar com o além. Geralmente é o primeiro a morrer”
Depois de tudo isso, claro que é difícil não querer indicar a leitura de O baú do Zumbi Gelado para todo mundo, né? Então, de novo, se você ainda não leu, fica aqui o meu convite para que você conheça essa história.
“Nos encaramos por um instante. Um equilíbrio prestes a se romper”
Algumas pessoas têm um enorme pé atrás com antologias, coisa que eu até posso entender, mas não concordo. Elas são uma excelente forma de conhecer novos autores, além de carregarem muitas histórias e escritas diferentes em uma única obra.
“Mas ela ainda tinha que me dar uma chance”
O peso da coroa — Laura Machado
Uma das melhores antologias que li ano passado foi Se essa coroa fosse minha. Clicando aí no título você pode ler a resenha que eu escrevi (caso ainda não tenha lido) e entender porque gostei tanto.
“Acho que, nesse momento, todo mundo desse salão se apaixonou um pouco por Alaska. Isso é fácil. Difícil seria não se apaixonar”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
Apesar da relativamente extensa resenha e dos vários trechos que coloquei nela, muitas outras passagens maravilhosas dessa obra ficaram de fora e agora é o momento de apresentá-las a você.
“Se eu fizesse as escolhas certas poderia fazer alguma diferença no mundo”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
Como tentei deixar claro ao longo da resenha, essa é uma obra diferente, que vai muito além de qualquer senso comum, falando sobre uma realeza que não estamos acostumados a imaginar.
“Mas sou uma princesa. Serei uma rainha. Não tenho direito a ter sentimentos”
Adoro um amor inventado — Lyli Lua
“Quem era essa garota com quem eu teria que conviver por tempo indeterminado? E do que ela tanto fugia? Seria realmente algo tão perigoso assim?”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“Quem iria querer o prolongamento de uma guerra civil só para ficar próximo da garota que gosta?”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
Não só por falar em sentimentos tantas vezes, mas também por trazer relacionamentos que fogem à heteronormatividade.
“Como é possível que a sociedade tenha evoluído tanto a ponto de um simples toque de dedo na têmpora poder transferir meus pensamentos para quem eu quiser, e tão pouco a ponto de forçar jovens como eu a um casamento que eles não desejam?”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
Além disso, essa antologia aborda diversas perspectivas das relações familiares.
“Meu irmão me mostra que a vida ensina muito mais do que qualquer sala de aula”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Penso no meu pai. No homem que eu nunca conheci. No espaço vazio que permaneceu em mim até que minha mãe conhecesse Sandro e ele me ajudasse a fechar aos poucos”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Tudo o que importa é que eu ganhei uma avó. E eu sinto que as lacunas que eu sentia haver na minha história agora estão perfeitamente preenchidas”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Ele queria ser mais presente na sua vida, mas tinha um trabalho a fazer”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
E, sem dúvidas, fala muito sobre amor.
“No fim, acho que sentir falta de Drika foi o que mais nos uniu”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
“Amar alguém é uma coisa engraçada, só de vê-lo já me sinto melhor, segura e mais feliz”
Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis — Tay Alvez
“O que lhes faltava em dinheiro, sobrava em amor e isso sempre foi tudo de que preciso”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Me incomoda você ter passado tanto tempo achando que isso me impediria de me apaixonar por você”
O peso da coroa — Laura Machado
“Eu já quis te dar todas as chances do mundo e achava que você nem me enxergava”
Adoro um amor inventado — Lyli Lua
Outra coisa que eu adoro encontrar nas histórias que leio e que aparece ao longo desta obra é o peso das palavras que dizemos.
“Palavras têm poder, e tronos já caíram por menos”
O peso da coroa — Laura Machado
“Eu talvez tivesse esperado ouvir algo assim a minha vida inteira”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“— A gente já perdeu tempo demais com medo, entalando palavras na garganta, você não acha?”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
E consequentemente, como já deu para perceber, o peso dos silêncios que optamos por fazer também.
“As palavras que eu não falo ainda estão presas na minha garganta”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
“Olho nos seus olhos e naquele momento percebo que há muito mais do que uma coroa em questão, mas também sei que não devo me meter nesse assunto”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Na verdade, ela se isolou completamente, do mundo e de mim”
Adoro um amor inventado — Lyli Lua
Aliás, há diversas passagens que revelam alguma angústia ou dor, tornando os personagens ainda mais reais.
“Pela primeira vez o mar de seu lar não foi o suficiente para aliviar o aperto em seu coração”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“Eu odiava ser vista como coitada. Não aceitava ser definida por essas coisas que aconteceram comigo. Meus traumas nunca seriam maiores do que eu”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“Era apenas uma moeda, cinco míseros centavos, mas pesava uma tonelada em meu peito que me impedia de olhar para qualquer outro lugar”
O peso da coroa — Laura Machado
Por fim, um trechinho para nos lembrar de sempre fazer o nosso melhor, mesmo que ele pareça pouco (porque se é o seu melhor, nunca é pouco!):
“Era tudo que eu tinha, e faria o melhor que podia”
Título: Para o garoto que já tem tudo
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49
Ano: 2021
O Natal está batendo à porta e — juro! — por coincidência a resenha de hoje é justamente sobre um conto natalino que, aliás, li sem sequer imaginar que tinha relação com a temática (como eu conhecia o autor, peguei sem nem ler a sinopse, confesso, até porque o título já tinha chamado a minha atenção).
Você costuma fazer desejos nesta época? Não só de metas para o ano que está por vir, mas também de coisas que gostaria de ter ou alcançar? Pois aqui vai um lembrete sempre válido: cuidado com o que você deseja! Mas o que isso tem a ver o conto? Calma que eu te explico.
“‘Quando acreditar que tudo está perdido e ao seu redor só há escuridão, olhe mais fundo. Talvez a luz que procure esteja dentro de você. E, mesmo que não esteja, não se preocupe. Não se precisa de luzes quando se é uma estrela’”
Emílio (ou Milo) é o garoto que já tem tudo. Ou quase. Ele mora em uma casa de quatro andares e todo dia seu motorista vai buscá-lo — dirigindo uma limusine — na escola caríssima em que estuda.
“Lembram quando falei sobre o número de andares representar superioridade? Então…minha casa tem quatro. A maior de todo o bairro. Mas não é por superioridade. Minha mãe diz que, para pessoas pretas, quatro andares é a mesma coisa que dois para pessoas brancas. Ou seja, não estamos no topo. Estamos igualados. Mesmo que igualdade seja bem controversa hoje em dia”
Mas já diria aquele velho ditado: dinheiro não é tudo na vida. E Milo sabe que está bem longe de ter tudo. Ao menos tudo o que deseja. Na escola, por exemplo, ele e seu melhor amigo, Yong Soon, são excluídos, sendo vítimas de racismo, xenofobia, bullying.
“Ei, Pastel de Flango! – o tom debochado de sua voz nos fez criar uma expressão de antipatia e constrangimento. – Você vai conseguir entregar aquela “coisa” – sussurrou bem próximo ao Yong”
Além disso, Milo — e todo o resto de sua classe — é apaixonado por Maria, que o despreza. Mas isso não o impede de fazer o possível para tirá-la no amigo secreto de final de ano e, assim, poder presenteá-la.
E engana-se quem pensa que a falta do amor de Maria é o único que machuca nosso protagonista: ele também se sente muito sozinho em casa, tendo pais extremamente ausentes, mas que também querem determinar para ele um futuro que talvez não seja exatamente o que ele deseja.
“Às vezes pode parecer que eu sou o garoto que já tem tudo: móveis lustrados, limusines espaçosas e uma casa gigantesca. Mas, quando vejo momentos iguais esse da foto do Yong com a mãe, é como se eu não tivesse nada. A simplicidade parecia me atrair mais”
E foi em uma noite solitária e reflexiva que Milo viu uma estrela cadente e fez o seu pedido. Um pedido que mudou o seu dia seguinte, trazendo revelações que ele não poderia esperar.
“Um vislumbre azulado surgiu no céu. Estrela cadente; pensei. A primeira vez em que via uma com meus próprios olhos. Normalmente deveríamos fazer um pedido. Desejar algo que nosso coração sempre ansiou, mas nunca teve”
A leitura desse conto é super rápida e envolvente. A cada página que viramos fica aquele gostinho bom de “o que mais será que está por vir?”. E os personagens cativam, deixando a história ainda mais emocionante.
“As pessoas costumavam sorrir somente pelos lábios, mas ele não”
Se você já está em clima natalino ou se preparando para entrar, recomendo esse conto. Uma história com representatividade, para esquentar nossos corações e também nos fazer refletir.
Título: Proibida pra mim: um romance com diferença de idade
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação Independente
Páginas: 645
Ano: 2021
Proibida pra mim é aquele tipo de livro quando você começa a ler pensa “mas para quê tanta página?” e, quando vê, já está completamente envolvido na leitura, querendo mais e mais.
“— O que você tá fazendo comigo, Lavínia? — a pergunta dele é tão sincera que a garota ri”
É até difícil falar dessa história, cheia de pontos extremamente importantes. Mas vamos começar pelo óbvio, que já dá muito o que falar: a protagonista.
“Lavínia engole em seco e se prepara para dizer algo que nunca teve coragem de dizer em voz alta nem na frente do espelho”
Lavinia começou a trabalhar muito cedo, querendo garantir o seu lugar no mundo. Ao mesmo tempo que vemos que ela foi alcançando seus objetivos, também conseguimos enxergar o preço disso para ela que, como consequência mais óbvia, tornou-se uma pessoa extremamente madura para a idade.
“A Lavínia de dezessete anos. Essa eu sei que morre de orgulho de quem eu sou hoje”
Além disso, Lavinia é uma mulher tão real que, mesmo que você ache que não tem nada em comum com ela, é difícil não se identificar em alguma medida. Pode ser na maturidade, na frieza, no coração partido, nas dificuldades.
“Durante os primeiros meses, não foi fácil. O luto pelo amor perdido ainda estava ali, as lembranças eram recentes…”
Por sua maturidade, Lavínia não consegue se relacionar com os garotos de sua idade, que ainda estão em outra fase da vida. Mas se um relacionamento com grande diferença de idade já é complicado, imagina quando trata-se do pai de uma de suas melhores amigas?
“Ela é a amiga da família, ou como Manoela falou mais cedo, é quase da família. Alguém quase da família não namora o pai da amiga”
Isso era algo que eu sabia desde que li a sinopse, mas me perguntava como raios ela não conhecia o pai de sua melhor amiga. E aqui está mais uma parcela da genialidade da Tayana! Não há pontas soltas nesta história, e é graças ao quebra-cabeça de detalhes que a compõem que a autora consegue abordar tantos assuntos fortes e importantes.
“Existem poucas coisas nas quais Lavínia consegue se identificar com Amanda, e não poder amar quem ela gostaria como gostaria é uma delas”
Apesar de Lavínia e Daniel — seu tal amor proibido — serem o centro da história, Amanda é uma peça crucial para a narrativa, trazendo uma dose a mais de detalhes e riqueza.
“É, Dani. Mas a Amanda não é as coisas que aconteceram com ela, a Amanda é nossa filha e se ela nunca quiser te falar sobre o que aconteceu ou não quiser sentar e me dizer que ela tem uma namorada e está feliz, a gente só pode respeitar. — Manoela sorri com pesar e encolhe os ombros. — Filho é isso… São pessoas excepcionais, que a gente nunca vai conhecer”
Proibida para mim é um hot, mas claro que, em se tratando de Tayana Alvez, não seria apenas isso. E é impressionante o quanto ela consegue entregar em conteúdo e imersão. Para além de tudo o que já mencionei, tem uma coisa que eu gosto muito na obra da Tayana e que, uma vez mais apareceu aqui, que é a forma como ela retrata as relações entre pais e filhos.
“E, hoje, depois do que aconteceu com a cozinha e tal, eu percebi que se eu ficar lá, quanto mais velhos eles estiverem, mais impossível vai ser pra eu sair”
E não vou negar que, por mais incrível que a Lavínia seja, eu cheguei a sentir raiva dela. Do medo de se entregar. De viver o que tinha de viver. Mas não preciso nem dizer que a raiva foi, muito provavelmente, por identificação, né?
“Faria qualquer coisa para evitar as lágrimas dela agora, faria qualquer coisa para que o coração dela não fosse um campo tão árido, para que o amor dela não fosse tão surrado”
Nunca imaginei que favoritaria um romance hot, mas Proibida pra mim conseguiu essa proeza sem a menor hesitação. Então não deixe de ler essa obra que escancara feridas, te faz refletir e ainda arranca, na mesma medida, lágrimas e risadas.
“A gente sempre espera que o amor seja normal, mas ele não é. Ele é só amor, e a gente não deveria estabelecer um padrão de normalidade para o amor ou colocar isso numa balança”