A essa altura do ano, difícil não olhar para trás e pensar em tudo o que li ao longo de 2021. Porém, ainda mais difícil seria escolher a minha leitura preferida, afinal, uma vez mais, tive a sorte de me deparar com ótimas histórias ao longo deste ano. E uma dessas histórias, sem dúvidas, foi o conto E se eu pudesse voltar no tempo?, da autora Marie Pessoa.
“Mas minhas amigas achavam apenas que eu não havia encontrado a pessoa certa”
Como costumo fazer, coloquei alguns trechos ao longo da resenha, mas outros ficaram de fora e eu não poderia deixá-los de trazer aqui.
“Existem poucas coisas piores do que perder uma pessoa amada sem ao menos poder se despedir”
Esses trechos reforçam, claro, alguns dos pontos que mencionei na resenha, como o fato de Clarice — a protagonista — ter passado por algumas tantas dificuldades ao longo de sua vida.
“Eu havia desistido da vida, mas poderia ao menos proporcionar melhores dias para a mulher que nunca se permitiu descansar pelo bem do meu futuro”
Dificuldades essas, porém, que são muito reais e que nos rodeiam.
“Nosso elo era tão fraco para que qualquer ruptura pudesse ser indolor a ela?”
Além disso, o conto aborda a questão dos padrões estéticos impostos pela sociedade.
“Era bom me sentir linda enquanto tanta gente tentava provar o contrário”
E também a importância do amor próprio.
“Mas eu estava tão errada que o simples fato de entender que meu corpo era meu, somente meu, e que ele era lindo independente de qualquer padrão, me emocionava”
Porém, um dos pontos principais da história não deixa de ser a perda. Em seus mais diversos e profundos sentidos.
“Ela sentia a dor da amiga que enterrara a única filha, e chorava em todo canto porque aquilo nenhuma mãe deveria passar”
Novamente, deixo a minha forte indicação para que você conheça essa história — caso ainda não se tenha feito esse enorme favor.
“Foi naquele exato momento que o pressentimento ruim e a realidade me lembraram do que aconteceria a seguir”
Título: O natal do irlandês
Autora: Tayana Alvez
Editora: publicação independente
Páginas: 95
Ano: 2020
Já que a minha primeira leitura concluída em 2021 foi O casamento, nada mais justo que fechar as resenhas do ano com O natal do irlandês, que além de tudo vem bem a calhar para esta semana, não é mesmo? Só deixando claro, porém, esta é a última resenha do ano, mas não o último post! Ainda nos vemos por aqui, hein.
Foi muito bom rever esse casal que ainda tem os seus altos e baixos, suas doses de realidade e seu enorme poder de nos deixar de coração quentinho. Uma dupla que segue firme na terapia, mas que também amadurece e aprende muito em conjunto. E, sem dúvidas, com um Robert que ainda ultrapassa alguns limites.
“Não acredito que pago essa mulher para desgraçar minha cabeça”
Não só por ser um conto, mas também pela escrita da autora e pela leveza da história — apesar de um ou outro momento de tensão que não poderia ficar de fora —, este é um livro que você consegue ler rapidinho e que vai te deixar ainda mais no clima natalino, mesmo que ele retrate um natal atípico: aquele que passamos em 2020, quando a pandemia continuava bem complicada (e vale lembrar: ela ainda não acabou!).
“Julie está arrumando a cozinha, por isso, desço as escadas para encontrá-la e a cada degrau, percebo que ser um bom homem para a mulher que Julie é para mim não é sobre dependência emocional ou medos e anseios, é sobre valorizar o time perfeito que formamos juntos”
Uma coisa que me surpreendeu neste conto foi que além dele ter me permitido matar a saudade de personagens tão especiais como Julie, Robert e as meninas, ele também me deixou morrendo de vontade de entender melhor quem é o Conor e como ele e a Mari estão. Ou seja: estou ansiosamente no aguardo do livro que contará a história deste outro irlandês…
Se você veio aqui em busca de uma indicação de leitura para o natal, posso te dizer que encontrou! Não deixe de ler O natal do irlandês e aproveitar as festas! Ah, e como agora não é mais possível adquirir apenas o conto, mas o box completo da duologia, já garanta boas leituras para os próximos dias!
Para muitas pessoas está chegando o período de férias, ou ao menos um recesso de final de ano. Tempo propício para descansar e se dedicar ao lazer que tantas vezes deixamos de lado ao longo do ano.
Tem gente que aproveita esse período para ler um pouco mais e também tem gente que busca não apenas ler, mas praticar algum idioma que esteja aprendendo, arriscando-se em obras naquela língua.
Ler em outros idioma, porém, não é uma tarefa fácil. E vou te dizer uma coisa: no italiano, por exemplo, temos uma barreira extra, que é o fato de existir um tempo verbal usado majoritariamente na escrita — o passato remoto — e pouco usado no cotidiano, ou seja, também pouco estudado (principalmente em cursos que visam a comunicação).
Aliás, esse foi um dos fatores que me impulsionou a escrever este post. Isso porque uma das dicas que podemos encontrar (ou imaginar) para começar a ler em outro idioma é pegar um livro infantil. Porém, não necessariamente eles serão mais fáceis. Em italiano, dificilmente serão. Por onde começar, então?
Busque por aquilo que você gosta
Muitas pessoas aconselham a começar por um livro que você já tenha lido em sua língua materna, o que pode realmente ser uma boa forma, porque assim você já tem uma ideia da história. Mas como eu não sou uma pessoa que gosta muito de reler histórias, sugiro, então, que você busque pelas temáticas e gêneros que gosta. Não adianta você só ler romances em sua língua materna e procurar um thriller para ler no idioma estrangeiro, é preciso seguir na sua área de interesse.
Vá sem medo
Essa dica serve, na verdade, para dois pontos: não tenha medo de começar e não tenha medo de buscar algo mais fácil. Mas vamos por partes!
O passo mais difícil a ser dado é sempre o primeiro: aceitar que você é capaz de ler em outro idioma e começar a fazer isso. Pode ser um processo mais lento, um pouco mais difícil, mas você consegue, basta dar o primeiro passo.
Porém, é preciso lembrar que não é porque você se sente pronto para ler que pode já sair pegando absolutamente qualquer coisa. Não é vergonha alguma começar por histórias mais simples ou mesmo por obras facilitadas. Isso evitará a sua decepção e te motivará a sempre ir além. Aliás, esta dica também acrescenta mais um ponto ao item anterior: às vezes, a história que você gostaria de reler é muito complexa e, por mais que você a conheça, pode acabar tendo muitas dificuldades no idioma estrangeiro.
E claro: você sempre pode pedir indicações! Talvez você conheça alguém que também estude ou saiba aquele idioma e que já leu algo que possa te interessar. Perguntar não custa, não é mesmo?
Não queira entender tudo
Calma, não estou dizendo que você não precisa entender a história, mas apenas que você não precisa conhecer absolutamente todas as palavras dela. Imagine que ruim seria ficar interrompendo a leitura a todo momento para entender palavra por palavra? Ficaria tudo extremamente fragmentado e sem sentido.
Por isso, não tente traduzir tudo ao pé da letra. Leia a frase até o final e se realmente houver uma palavra chave que você não conhece, busque pelo seu significado. Se a dúvida for em uma construção, converse com alguém que saiba a língua e que possa te ajudar.
Lembrando que não é vergonha alguma pedir ajudar, seja para um dicionário, seja para um conhecido. Pelo contrário, é assim que você irá aprender e progredir cada vez mais.
Comece em um momento tranquilo
Como eu já mencionei, o primeiro passo é sempre o mais difícil. Na(s) primeira(s) página(s) você pode se assustar um pouco e pensar “eu não consigo, não entendo nada”. Sim, o primeiro contato pode ser um pouco assustador e, por isso, o ideal é começar em um momento tranquilo e em um ambiente igualmente tranquilo.
Com calma, você poderá ler e reler uma frase, se familiarizar com o ritmo do texto, com as construções. Superando as primeiras páginas, as coisas vão começar a ficar mais fáceis e você poderá encarar com mais naturalidade.
Não desista
Essa é a regra de ouro. Da vida, no caso. Mas com livros em outros idiomas também.
Veja bem, contudo: não estou falando que se você pegar um livro que não está aproveitando, deve ir até o final. Mas não desista totalmente dos seus planos, apenas procure outra obra que possa ser mais interessante.
E também não vale parar na primeira, hein? Acabou um livro em outra língua? Já planeje a próxima leitura. Tenha sempre essa possibilidade no seu horizonte.
Agora me conta aqui: você lê em outros idiomas? Quais? Que dicas daria para quem quer se arriscar também?
Se tem uma coisa que esses tempos de distanciamento social me dão saudade são os eventos literários. E um deles, infelizmente, fui conhecer só em 2019 (“infelizmente” porque só tive a oportunidade de ir a uma edição presencial).
Sim, como é possível imaginar pelo título, estou falando do Fórum de Editoração, anualmente organizado pelos alunos de Editoração da ECA-USP, através da Com-Arte Jr, a empresa júnior do curso.
A boa notícia, porém, é que eles souberam se adaptar às adversidades e, assim como em 2020, este ano também teremos uma edição online e gratuita deste imperdível encontro. Ano passado acompanhei as mesas online, os sorteios, os comentários e é impressionante como, um ano depois, ainda tenho vivas lembranças dessa tarde online. Imagine como é presencialmente então (spoiler: é o máximo!).
A edição deste ano (a 17º!), que acontecerá no próximo sábado (18/12/2021), promete ser incrível também. A começar pela temática escolhida: Metamorfose literária. A ideia dos organizadores é fazer referência à evolução do leitor em sua trilha literária, do início até a consolidação de seus gostos literários. Mas lembre-se: estamos falando de um evento de Editoração, isto é, o assunto será discutido pelo olhar de quem produz livros. Como será que abordarão essa temática? Para já atiçar nossa imaginação, temos os nomes e assuntos das mesas, que desta vez serão apenas duas. Bora conferir?
A primeira mesa, que ocorrerá às 14 horas, recebeu o nome de Lagarta e abordará características como o mercado de trabalho, o público e as técnicas para produção de livros infantis. Farão parte dela: a Editora Quatro Cantos e o Clubea Taba, mediados pelo professor Paulo Verano, que também é fundador da Edições Barbatana.
Às 16h30 (gostei do tempo que há entre uma mesa e outra, não serão discussões tão corridas!) terá início a segunda mesa, chamada Casulo. Nela serão debatidos os bastidores do mercado de livros didáticos, a questão de estágios na área e a formulação destes, pensando na evolução escolar das crianças. Farão parte o grupo IBEP, a Editora do Brasil e a YouZ, com mediação de Paola Nogueira.
É difícil sair de um evento como esse sem ter a cabeça fervilhando de ideias. Geralmente as discussões são enriquecedoras e é sempre um oportunidade de conhecer outras pessoas, ideias, opções. Se você quiser ter uma noção de como é, as mesas do ano passado ainda estão disponíveis no canal da Com-Arte Jr.
Se quiser participar da edição deste ano, não deixe de se inscrever no link abaixo (gratuitamente):
Título: Para o garoto que já tem tudo
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49
Ano: 2021
O Natal está batendo à porta e — juro! — por coincidência a resenha de hoje é justamente sobre um conto natalino que, aliás, li sem sequer imaginar que tinha relação com a temática (como eu conhecia o autor, peguei sem nem ler a sinopse, confesso, até porque o título já tinha chamado a minha atenção).
Você costuma fazer desejos nesta época? Não só de metas para o ano que está por vir, mas também de coisas que gostaria de ter ou alcançar? Pois aqui vai um lembrete sempre válido: cuidado com o que você deseja! Mas o que isso tem a ver o conto? Calma que eu te explico.
“‘Quando acreditar que tudo está perdido e ao seu redor só há escuridão, olhe mais fundo. Talvez a luz que procure esteja dentro de você. E, mesmo que não esteja, não se preocupe. Não se precisa de luzes quando se é uma estrela’”
Emílio (ou Milo) é o garoto que já tem tudo. Ou quase. Ele mora em uma casa de quatro andares e todo dia seu motorista vai buscá-lo — dirigindo uma limusine — na escola caríssima em que estuda.
“Lembram quando falei sobre o número de andares representar superioridade? Então…minha casa tem quatro. A maior de todo o bairro. Mas não é por superioridade. Minha mãe diz que, para pessoas pretas, quatro andares é a mesma coisa que dois para pessoas brancas. Ou seja, não estamos no topo. Estamos igualados. Mesmo que igualdade seja bem controversa hoje em dia”
Mas já diria aquele velho ditado: dinheiro não é tudo na vida. E Milo sabe que está bem longe de ter tudo. Ao menos tudo o que deseja. Na escola, por exemplo, ele e seu melhor amigo, Yong Soon, são excluídos, sendo vítimas de racismo, xenofobia, bullying.
“Ei, Pastel de Flango! – o tom debochado de sua voz nos fez criar uma expressão de antipatia e constrangimento. – Você vai conseguir entregar aquela “coisa” – sussurrou bem próximo ao Yong”
Além disso, Milo — e todo o resto de sua classe — é apaixonado por Maria, que o despreza. Mas isso não o impede de fazer o possível para tirá-la no amigo secreto de final de ano e, assim, poder presenteá-la.
E engana-se quem pensa que a falta do amor de Maria é o único que machuca nosso protagonista: ele também se sente muito sozinho em casa, tendo pais extremamente ausentes, mas que também querem determinar para ele um futuro que talvez não seja exatamente o que ele deseja.
“Às vezes pode parecer que eu sou o garoto que já tem tudo: móveis lustrados, limusines espaçosas e uma casa gigantesca. Mas, quando vejo momentos iguais esse da foto do Yong com a mãe, é como se eu não tivesse nada. A simplicidade parecia me atrair mais”
E foi em uma noite solitária e reflexiva que Milo viu uma estrela cadente e fez o seu pedido. Um pedido que mudou o seu dia seguinte, trazendo revelações que ele não poderia esperar.
“Um vislumbre azulado surgiu no céu. Estrela cadente; pensei. A primeira vez em que via uma com meus próprios olhos. Normalmente deveríamos fazer um pedido. Desejar algo que nosso coração sempre ansiou, mas nunca teve”
A leitura desse conto é super rápida e envolvente. A cada página que viramos fica aquele gostinho bom de “o que mais será que está por vir?”. E os personagens cativam, deixando a história ainda mais emocionante.
“As pessoas costumavam sorrir somente pelos lábios, mas ele não”
Se você já está em clima natalino ou se preparando para entrar, recomendo esse conto. Uma história com representatividade, para esquentar nossos corações e também nos fazer refletir.
Há quem diga que 2021 passou voando e há quem diga que não. Há também quem diga que não consegue diferenciar 2020 e 2021. Seja qual for o seu barco, há uma coisa na qual não podemos discordar: estamos em dezembro de 2021. E com a aproximação das festas de final de ano, tem gente que já está pensando nas metas para 2022.
Como não poderia deixar de ser — visto o assunto principal deste blog — é uma alegria imensa quando vejo pessoas dizendo que querem retomar o hábito da leitura ou então acrescentar este hábito à rotina. Mas eu também sei que nem sempre é fácil alcançar essa meta, por diversos motivos (ou, às vezes, desculpas).
Pensando nisso, resolvi traduzir um artigo sobre um tema que já comentei por aqui (em traduções como 3 passos para voltar a ler, ou em posts 100% autorais, tal qual o como começar a ler), porque acho que ele não se esgota e também por ser o momento ideal de trazer um incentivo a quem pensa em concretizar essa meta em 2022.
Assim sendo, hoje vamos falar sobre como podemos nos tornar ou voltarmos a ser leitores. O post original foi escrito pela Claudia, é de 25 de outubro de 2017 e foi publicado no blog Giro del Mondo attraverso i libri. Você pode conferi-lo neste link. A tradução dele para o português (feita por mim) está aqui embaixo.
Antes de passarmos a ela, porém, gostaria apenas de explicar que o artigo original refere-se a um público plural (vocês), enquanto eu preferi manter o tom que costumo usar aqui, ou seja, o singular. Além disso, infelizmente, algumas dicas e pontos são mais específicos para o público italiano (como sites ou eventos), mas vale lembrar que também temos iniciativas similares por aqui e que, querendo alguma dica mais específica, estou à disposição.
E, sem mais delongas, passemos à tradução!
Com o passar do tempo, muitas coisas podem mudar em nós: é possível que nasçam novas paixões e que outras sejam deixadas de lado. Depois de muitos anos sem ler, pode ser que volte a vontade de tentar novamente, de pegar outra vez um livro nas mãos, seja por ter ouvido falar muito dele, ou porque você tenha a necessidade de ler uma determinada obra para o trabalho. Todos nós fomos “leitores”: durante os anos escolares nos foram atribuídas leituras, mas alguns de nós, uma vez concluída a escola, decidiram não mais ler, por diversos motivos.
Recomeçar a ler depois de tanto tempo é um pouco come começar a correr: não se começa inscrevendo-se na maratona de Nova York, mas correndo apenas dois minutos por vez (e acredite, para quem não está treinado, dois minutos são muito longos e a falta de fôlego logo chega).
Para recomeçar a ler também é preciso caminhar em níveis: para quem se reaproxima da leitura eu não sugeriria começar a ler “Guerra e Paz” de Lev Tolstoj, não acredito que a pessoa chegaria nem mesmo ao final do primeiro capítulo. Mas então como recomeçar a ler? O artigo que você está lendo é um compêndio de cinco pontos que ilustram uma possível aproximação à leitura para jovens e adultos que queiram recomeçar a ler. Espero que esse texto possa ser útil e fornecer alguma sugestão interessante.
1. A leitura: empenho, mas grandes satisfações
Os professores escolares, durantes os anos de escola, atribuem leituras vistas pelos estudantes como “obrigatórias”: a leitura de um livro é simplesmente a passagem necessária para entregar a atividade sobre o livro e obter uma boa nota de italiano. Às vezes os estudantes apreciam os textos sugeridos pelos professores, mas geralmente, terminados os estudos, faltando a motivação da boa nota, os jovens não buscam mais por uma oportunidade para ler.
Como proceder para (re)começar a ler? Em primeiro lugar, é importante saber que a leitura é uma atividade trabalhosa, não do ponto de vista físico, mas mental: antes de mais nada, é preciso ter concentração e motivação para ler um livro. Recomeçar a ler depois de tanto tempo, no início, vai requerer muito empenho — para terminar um livro é necessário muito mais em relação ao amigos leitores — mas chegando ao fim do volume, a satisfação será imensa. Em primeiro lugar, é preciso encontrar tempo para ler…
2. O tempo para ler: a leitura não é uma competição
Mas quem tem tempo de ler nos dias de hoje? As muitas e inúmeras coisas para acompanhar inegavelmente levam embora tempo e energia. Os amigos leitores dirão para ler nos recortes de tempo: nada de mais errado.
Quem não está habituado a ler não pode pensar em ler nos retalhos de tempo: poucos minutos livres não são suficientes para mergulhar completamente na história. Além disso, não aconselharia a ler nos meios públicos ou nas salas de espera, simplesmente porque são lugares nos quais as pessoas falam ou fazem gestos ou coisas que podem distrair.
É necessários decidir dedicar um momento preciso do dia — buscando mantê-lo fixo para que se torne um rito cotidiano — e escolher um lugar o mais silencioso possível, para poder se concentrar sobre aquilo que você está lendo. Pode-se conseguir um tempo de leitura antes do jantar, ou antes de ir dormir, de manhã cedo ou ainda sacrificando um pouco de tempo da TV ou das redes sociais.
Além disso, é preciso ter em mente que ler é um prazer, não uma competição. Na internet pululam os Reading Challenge, verdadeiras maratonas de leitura, nas quais os leitores mais ou menos loucos leem muito e em grande velocidade. Veja, não preste atenção à velocidade da leitura, mas se preocupe com a qualidade da mesma. É preferível ler um livro bonito — apenas um — que ler quatro livros feios e um bonito. Lendo muito e com pressa, perdemos detalhes e lendo em demasia as histórias se mesclam umas às outras e será difícil, no futuro, lembrar do que foi lido.
3. A leitura não é cara
Sim, mas os livros custam. Bom, claro que custam, são produtos comerciais no fim das contas. Um bilhete de cinema custa, um jantar numa pizzaria custa, férias custam, o combustível para o carro custa. No entanto, nenhum de nós renuncia a uma tarde no cinema, uma pizza com os amigos, breves férias ou um passeio de carro. Ao contrário de todas as atividades mencionadas, existem várias maneiras de ler gratuitamente (ou quase):
Pegar emprestado livros da biblioteca: se não quiser arriscar gastar 20 reais em um livro que — talvez — não te agradará, passe em uma biblioteca. Com uma carteirinha gratuita, você terá acesso a ilimitados empréstimos.
Ofertas relâmpago de ebooks: se você tem um tablet pode baixar inúmeros livros em formato epub ou pdf [nt: que estejam legalmente disponíveis para isso] e lê-los comodamente no dispositivo que preferir; fique de olho na IBS.it ou Amazon, onde a cada dia são colocados à venda livros a patir de 0,99 centavos, enquanto geralmente a prévia dos romances é gratuita: você pode, portanto, ler os primeiros dois capítulos de um livro e decidir se quer comprá-lo ou não.
Fuce nos sebos: muitas vezes eles podem oferecem bons negócios e quase sempre os livros estão bem conservados.
Pegue emprestado com os amigos leitores!
Participe de eventos de bookcrossing (troca de livros físicos) ou inscreva-se gratuitamente no Acciobooks (plataforma de troca de livros on line).
Espere as ofertas que os editores fazem de tempos em tempos durante o ano: geralmente os livros recebem descontos de até 25% ou então procure entre os lembretes de sites como Mondadori Store ou IBS.it, às vezes os descontos chegam a 55%.
4. Mas o que eu leio? A escolha do livro
Existe um livro que foi feito para você e quando ler vai parecer que realmente foi escrito para você. É preciso apenas encontrá-lo! Na escolha do livro você pode ter a ajuda de diversos figuras:
O bibliotecário já mencionado, que conhece muito bem os livros e poderá aconselhar o romance certo.
O livreiro que saberá sugerir belas leituras.
O amigo que lê, aquele que emprestará o livro com algumas razões para lê-lo.
As resenhas nos jornais ou na internet podem ajudar a ter uma ideia dos livros “da moda” (ainda que não necessariamente o primeiro da lista seja o melhor).
Uma volta pelas redes sociais: nas páginas de editores italianos, de blogs que falam de livros, nos grupos de leitura no Facebook.
Participar de um grupo de leitura organizado pela biblioteca ou pela livraria do seu bairro: um grupo do tipo prevê que seja lido o mesmo livro em um determinado intervalo de tempo (geralmente um mês) e que a depois da leitura faça-se uma tarde de discussão.
Participar de feiras e eventos literários, existem durante todo o ano, espalhados pelo país: do famoso Salão Internacional do Livro de Turim ao BookPride de Milão, da Triestebookfest à Più libri, più liberi de Roma; procure nos stand das editoras e fale com eles: saberão certamente te sugerir um bom livro para ler.
5. Os benefícios da leitura
Mas a fadiga de ler compensa? Quais são os benefícios da leitura? Te digo sete, mas tenho certeza que existem muitos outros.
A leitura ajuda a melhorar e aumentar a concentração, em um mundo feito de distrações, não é pouca coisa.
Ler fornece inspiração: seja para uma viagem, um evento a ser organizado, um objeto a se criar.
Os livros melhoram as nossas capacidades críticas: aprendemos a ver lugares e pessoas de maneira diferente, nos ajuda a quebrar estereótipos e preconceitos e nos livros, na maior parte, existem personagens com os quais podemos nos identificar.
Aprendem-se noções, informações úteis para a vida cotidiana ou simples curiosidades.
Ler ajuda a melhorar o nosso modo de escrever e de falar, de explicar e expor conceitos. Nos ensina também palavras novas ou nos lembra de palavras que nunca usamos.
Os livros nos transportam para lugares e tempos distante, em épocas diferentes, em localidades que talvez nunca vejamos diretamente. Tudo apenas gastando alguns poucos reais e um pouco de contração e empenho.
Graças aos livros é possível encontrar tantas pessoas unidas pela mesma paixão. E tem quem diga que nenhuma amizade nasce mais rapidamente que aquela dos que amam os mesmos livros.
Eu digo que vale a pena recomeçar a ler, te asseguro que as fadigas iniciais serão recompensadas!
Título: Proibida pra mim: um romance com diferença de idade
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação Independente
Páginas: 645
Ano: 2021
Proibida pra mim é aquele tipo de livro quando você começa a ler pensa “mas para quê tanta página?” e, quando vê, já está completamente envolvido na leitura, querendo mais e mais.
“— O que você tá fazendo comigo, Lavínia? — a pergunta dele é tão sincera que a garota ri”
É até difícil falar dessa história, cheia de pontos extremamente importantes. Mas vamos começar pelo óbvio, que já dá muito o que falar: a protagonista.
“Lavínia engole em seco e se prepara para dizer algo que nunca teve coragem de dizer em voz alta nem na frente do espelho”
Lavinia começou a trabalhar muito cedo, querendo garantir o seu lugar no mundo. Ao mesmo tempo que vemos que ela foi alcançando seus objetivos, também conseguimos enxergar o preço disso para ela que, como consequência mais óbvia, tornou-se uma pessoa extremamente madura para a idade.
“A Lavínia de dezessete anos. Essa eu sei que morre de orgulho de quem eu sou hoje”
Além disso, Lavinia é uma mulher tão real que, mesmo que você ache que não tem nada em comum com ela, é difícil não se identificar em alguma medida. Pode ser na maturidade, na frieza, no coração partido, nas dificuldades.
“Durante os primeiros meses, não foi fácil. O luto pelo amor perdido ainda estava ali, as lembranças eram recentes…”
Por sua maturidade, Lavínia não consegue se relacionar com os garotos de sua idade, que ainda estão em outra fase da vida. Mas se um relacionamento com grande diferença de idade já é complicado, imagina quando trata-se do pai de uma de suas melhores amigas?
“Ela é a amiga da família, ou como Manoela falou mais cedo, é quase da família. Alguém quase da família não namora o pai da amiga”
Isso era algo que eu sabia desde que li a sinopse, mas me perguntava como raios ela não conhecia o pai de sua melhor amiga. E aqui está mais uma parcela da genialidade da Tayana! Não há pontas soltas nesta história, e é graças ao quebra-cabeça de detalhes que a compõem que a autora consegue abordar tantos assuntos fortes e importantes.
“Existem poucas coisas nas quais Lavínia consegue se identificar com Amanda, e não poder amar quem ela gostaria como gostaria é uma delas”
Apesar de Lavínia e Daniel — seu tal amor proibido — serem o centro da história, Amanda é uma peça crucial para a narrativa, trazendo uma dose a mais de detalhes e riqueza.
“É, Dani. Mas a Amanda não é as coisas que aconteceram com ela, a Amanda é nossa filha e se ela nunca quiser te falar sobre o que aconteceu ou não quiser sentar e me dizer que ela tem uma namorada e está feliz, a gente só pode respeitar. — Manoela sorri com pesar e encolhe os ombros. — Filho é isso… São pessoas excepcionais, que a gente nunca vai conhecer”
Proibida para mim é um hot, mas claro que, em se tratando de Tayana Alvez, não seria apenas isso. E é impressionante o quanto ela consegue entregar em conteúdo e imersão. Para além de tudo o que já mencionei, tem uma coisa que eu gosto muito na obra da Tayana e que, uma vez mais apareceu aqui, que é a forma como ela retrata as relações entre pais e filhos.
“E, hoje, depois do que aconteceu com a cozinha e tal, eu percebi que se eu ficar lá, quanto mais velhos eles estiverem, mais impossível vai ser pra eu sair”
E não vou negar que, por mais incrível que a Lavínia seja, eu cheguei a sentir raiva dela. Do medo de se entregar. De viver o que tinha de viver. Mas não preciso nem dizer que a raiva foi, muito provavelmente, por identificação, né?
“Faria qualquer coisa para evitar as lágrimas dela agora, faria qualquer coisa para que o coração dela não fosse um campo tão árido, para que o amor dela não fosse tão surrado”
Nunca imaginei que favoritaria um romance hot, mas Proibida pra mim conseguiu essa proeza sem a menor hesitação. Então não deixe de ler essa obra que escancara feridas, te faz refletir e ainda arranca, na mesma medida, lágrimas e risadas.
“A gente sempre espera que o amor seja normal, mas ele não é. Ele é só amor, e a gente não deveria estabelecer um padrão de normalidade para o amor ou colocar isso numa balança”
Dezembro pode ser um mês de muitos gastos, inclusive com presentes. Por isso, acho que é um bom momento para trazer essa indicação que já venho usando há um tempo e que, portanto, consigo falar com alguma propriedade. Aliás, gostaria de começar dizendo que durante muito tempo tive um certo pé atrás com essa coisa de cashback (sem razão alguma, é verdade).
Para quem não sabe, cashback nada mais é do que receber de volta uma parte do dinheiro usado em uma compra. Talvez o meu pé atrás fosse porque parece bom demais para ser verdade? Talvez! Mas, como disse, estou aqui para falar de algo que testei e que vi que funciona de verdade.
Como você talvez já imagine (caso acompanhe esse espaço há um tempinho), sou uma pessoa que aproveita qualquer oportunidade para ganhar livros ou comprá-los pelo menor preço possível e foi assim que conheci e comecei a usar o Méliuz.
Explico: no primeiro semestre vi uma promoção deles com a Amazon, com direito a um cashback de R$19,90 para compras em livros. Ou seja, se você comprasse um livro de 19,99, ganharia 100% do dinheiro de volta e se gastasse mais, ganharia até esse valor de volta. Não pensei duas vezes e fui correndo conferir minha lista de desejados. A partir daí, tendo criado minha conta e lido um pouco mais sobre o assunto, comecei a entender como funciona o Méliuz.
Antes de mais nada, é preciso saber que existem muitas lojas e empresas parceiras do Méliuz. E, conforme explicado no site e no aplicativo, eles conseguem nos “dar dinheiro” (ou devolver) porque essa é uma forma de publicidade para as empresas, então é algo pela qual elas pagam. Cada parceiro pode ter uma porcentagem diferente de cashback e promoções exclusivas, mas isso é sempre deixado claro desde o início.
Também existem formas diversas de conseguir o seu cashback e elas são bem simples. Deixarei aqui os passos disponíveis também no site e no aplicativo.
Compras online com o Méliuz:
1- Busque pela loja no site ou app do Méliuz;
2- Clique em “Ativar cashback“;
3- Faça sua compra no site da loja, que será aberto automaticamente – escolha a forma de pagamento que preferir.
Compras com o app Méliuz:
Baixe gratuitamente o app do Méliuz, ganhe cashback nas compras online feitas pelo celular e também usando as notas fiscais de compras feitas em lojas físicas ou da internet.
Em lojas físicas:
1- No site ou app do Méliuz, clique em “Próximos de você”
2- Faça suas compras normalmente e, na hora de pagar, informa o número do seu celular cadastrado no Méliuz
3- Na compra de produtos com cashback, o valor aparecerá no extrato do Méliuz
Para facilitar as compras pelo computador, o Méliuz tem uma extensão que gosto bastante: ela já te mostra se o site no qual você está navegando tem ou não cashback e depois que você o ativa, também mostra se há cupons de desconto disponíveis para a sua compra. Sim, além de receber dinheiro de volta, você pode ter a oportunidade de pagar um pouco menos!
Depois de concluída a compra, a loja informa ao Méliuz e seu dinheiro fica pendente, até a confirmação (feita pela loja). Aqui temos um único porém de tudo isso: essa confirmação pode levar entre 1 e 4 meses. E você só pode pegar o dinheiro quando tiver ao menos 20 reais já confirmados.
O que eu gosto do Méliuz, porém, é que você realmente recebe dinheiro de volta. Pode demorar um pouco, mas depois você transfere esse valor para qualquer conta sua e faz o que quiser com ele. Não se trata de cupom de desconto ou coisa do tipo, é dinheiro mesmo (e sim, já transferi mais de uma vez pra minha conta e deu tudo certo!).
Como eu não gasto muito e costumo fazer compras pequenas, geralmente ganho bem pouco de cashback (até porque as porcentagens não costumam passar muito dos 5% do valor total). E, ainda assim, em menos de um ano (mas contando que a primeira vez que usei foi com a promoção da Amazon de R$19,90 de cashback) já consegui juntar duas vezes os 20 reais mínimos para sacar o dinheiro (e já saquei essas duas vezes, sem nenhum empecilho).
Para quem gasta mais (não necessariamente por ser gastador, mas, por exemplo, por precisar comprar coisas mais caras, como eletrodomésticos ou até passagens aéreas), o Méliuz pode ser uma boa ferramenta.
Por fim, gostaria de lembrar que estou apenas compartilhando a minha experiência que, felizmente, até aqui tem sido positiva. E se você é como eu, que adora economizar e cuidar do seu dinheiro, te convido a testar também e depois me contar o que achou!
Há quem ache as línguas portuguesa e italiana parecidas. Realmente, há muitos aspectos similares entre elas, assim como também há muitas diferenças e precisamos estar atentos a isso! Assim sendo, hoje resolvi falar um pouco sobre os falsos amigos(ou falsos cognatos), isto é, aquelas palavras que podem ser parecidas entre uma língua e outra, mas que têm significados bem diferentes!
Cozinha
Resolvi começar a apresentação das palavras com termos relacionados à culinária (sim, estou tentando conquistar você pela barriga), afinal, nada mais triste do que encontrar uma receita maravilhosa e ela sair péssima pelo simples fato de você ter entendido errado alguma coisa, não é mesmo?
Algumas palavras são fáceis, mesmo que você nunca tenha estudado italiano. Por exemplo, você provavelmente já sabe que pasta (italiano) é macarrão (português), certo? E geralmente quem gosta de beber também já costuma saber que birra (italiano) é a nossa cerveja (português). Ah, sim, aquilo que nós chamamos de pasta por aqui, em italiano pode ser cartella o valigetta, e quando alguém faz birra, podemos dizer, em italiano, capriccio, scenata.
Agora não estranhe se em alguma receita estiver pedindo para você passar ou adicionar burro (italiano)! Isso nada mais é do que manteiga (português). Se você quiser chamar alguém de burro (português), terá de usar a palavra asino (italiano). E muita atenção aqui: manteca (italiano) não é manteiga, mas pomada!
No frio você gosta de tomar um bom caldo? Então se estiver na Itália, procure no cardápio por um brodo. Mas saiba que a palavra caldo também existe em italiano, mas significa calor. E se quiser fazer uma refeição com milho? Então procure por mais (italiano). Mas se precisar colocar mais algo no prato, use a palavra più.
Lugares
Pensando em lugares aos quais podemos ir, o primeiro falso amigo que me vem em mente é o clássico palestra (italiano). Acredita que isso significa academia(português)? Agora se você realmente estiver indo assistir uma palestra, então precisa usar a palavra conferenza.
Mas o mais chocante/engraçado dos falsos amigos é esse trio aqui: asilo (italiano) é a escola infantil (escola para criancinhas). Já o nosso asilo (lar de idosos), em italiano é ospizio. E hospício? Em italiano usa-se a palavra manicomio.
Ah, se você precisar resolver alguma questão financeira, na Itália, deve procurar uma banca. Se quiser comprar jornal, vá à edicola (italiano). E se você ouviu falar de alguém que estava em galera (italiano) não se engane: a pessoa estava na prisão! Se ela apenas estivesse acompanhada, estaria em gruppo ou com a banda (turma).
Verbos
Aqui a lista pode ser extensa, viu? Mas vou tentar destacar aqueles mais usados e que, por sua vez, podem confundir mais. Começando pelo clássico salire (italiano) que significa subir. Se você precisar dizer sair, use uscire. O mesmo vale para salita (subida) e uscita (saída).
Se alguém te pedir para aspettare, ela quer que você espere. Se fosse para espetar, seria pizzicare. Da mesma forma, guardare (italiano) é olhar. Para guardar algo você precisa usar tenere, conservare, custodire. E se te pedirem para cercare algo, querem que você procure algo. Procurare (italiano), por sua vez, significa providenciar.
Contrattare (italiano) significa negociar, enquanto assumere é o nosso contratar alguém. E por favor, procure não derubare (roubar) ninguém e nem rovesciare (derrubar) algo!
Família
Uma categoria mais rápida, mas ainda assim com alguns falsos amigos que valem a menção.
Por exemplo, a palavra primo existe em italiano, mas significa primeiro. Se quisermos falar do parente, precisamos dizer cugino. Por outro lado, para falarmos de um genro (português), temos a palavra genero. Já o gênero de algo, em italiano, se diz genere.
Uma palavra para tomar cuidado é coppia. Assim, com dois “p”, significa casal. Para falar da xerox (cópia), podemos usar copia ou, para evitar confusões, fotocopia.
Corpo humano
Aqui, só duas palavrinhas para prestarmos atenção: baffo (italiano) que é bigode, e não um mau hálito. Este, por sua vez, seria alitoche puzza. E também tem a testa (italiano) que é toda a nossa cabeça, enquanto se quisermos falar testa (português), temos de dizer fronte (italiano).
Outros
Por fim, há algumas palavras que eu não poderia deixar de fora, mas que não fazem parte de nenhuma categoria trazida até agora. Por exemplo motorista, que em italiano é autista. Já autista (português) é autistico. E não se engane: feriale é dia útil. O feriado (português) é giorno festivo.
Depois, temos também algumas palavrinhas que são quase pegadinhas, como abbastanza, que significa suficiente (bastante seria parecchio); appena, que é logo depois, enquanto apenas (português) é soltanto; e allora, que é um então (agora, em italiano, é adesso).
Para concluir, uma palavra que requer muita atenção de nossa parte: mai. Mai significa NUNCA. Se você quiser dizer mais, como já mencionado por aqui, use più.
E assim eu encerro esse post recheado de falsos amigos entre o português e o italiano. Com certeza tem muito mais, mas acho que o post já estava longuinho o suficiente. Se você conhece algum, não deixe de me contar nos comentários! E também me diga o que achou desse post, será um prazer ter a sua opinião por aqui.
Título: O baú do Zumbi Gelado
Autor: Rafael Weschenfelder
Editora: Publicação Independente
Páginas: 67
Ano: 2021
Depois do (merecido) sucesso com As 220 mortes de Laura Lins — que inclusive ganha uma surpreendente menção neste conto —, Rafael Weschenfelder volta com outra obra perfeita para conquistar seus leitores: O baú do Zumbi Gelado.
Sabe quando você acha que um autor não tem mais como te surpreender, mas ele vai lá e te surpreende? Pois foi isso que aconteceu com essa leitura, que agora compartilho com você.
“Bem-vindo ao Brechó do Hugo, em que posso ajudá-lo?”
O brechó do Hugo costuma ser tão vazio quanto a loja das Irmãs Ferrugem, mas isso não parece incomodá-lo tanto, já que ele aproveita os momentos entre um cliente e outro para jogar Zumbizeira.
“Hugo 1, Irmãs Ferrugem 0. A clássica disputa entre comerciantes fracassados”
A vida pacata deste protagonista parece mudar quando Estela entra em sua loja pela primeira vez. E, aos poucos, ela vai revelando o que foi realmente fazer ali.
“Não sei se estou viajando em esperar que ela reapareça depois da torta de climão, mas tenho a impressão de que nossa conversa ainda não terminou”
Mas não se engane! Se você acha que, com esses elementos e com a sinopse, consegue prever o final, eu duvido. O autor vai nos conduzindo por essa trama de maneira bem inesperada e criativa.
“Sinto o chão desaparecer sob meus pés ao confirmar minha suspeita: ele não acredita em mim”
Para além disso, o que provavelmente cativa ainda mais o leitor é a linguagem usada, cheia de coloquialidades e termos da que pertencem ao mundo dos jogos e da tecnologia.
“Eu… eu… — digo, entrando no modo tela azul”
E, aos poucos, o autor consegue nos inserir no universo do Zumbizeira, explicando não apenas como o jogo funciona, mas também trazendo um pouco da linguagem técnica desse universo de maneira que mesmo a pessoa mais alheia a ele possa compreender.
“NPCs são personagens que não são controlados por pessoas de verdade, como eu e Estela, mas pela inteligência artificial do jogo. Programados para funções específicas, jamais saem de seus quadrados: o padeiro vende pães, o ferreiro conserta armas e a enfermeira recupera a barrinha de vida dos jogadores”
Mas ainda há outro detalhe extremamente surpreendente neste conto: entre uma brincadeira e outra, uma fantasia e outra, o autor vai inserindo temas importantes e nos faz refletir sobre eles.
“Palavras inflamáveis que me fariam explodir, mas o mundo pisou tanto em mim nos últimos dias que não sobrou nenhum barril de pólvora para contar a história”
Não acredita que tudo o que eu disse até aqui seja possível em uma história tão curta? Então confira com os seus próprios olhos: clique abaixo e aproveite a leitura!