Carta aberta: os livros e eu

Basta uma rápida navegada por este blog e, acredito eu, minha paixão por livros fica bem evidente. Fazendo parte da blogosfera literária, contudo, fica difícil não se comparar com os outros. Já adianto, porém, que não estou necessariamente falando de uma comparação ruim, apenas gosto de ver e refletir sobre a relação que cada um vai construindo com os livros. E foi daí que nasceu a minha vontade de falar um pouco melhor sobre como vejo e me relaciono com os livros. Você me acompanha nessa?

Quando me tornei leitora?

Vamos começar por essa pergunta que, confesso, não sei responder. Mas sobre isso, já até falei um pouco aqui. Sigo sem saber qual foi meu primeiro livro, mas agradecendo a sorte e o privilégio de crescer numa família leitora, tornando a leitura algo natural para mim, assim como ganhar, comprar e ter livros.

Minha estante

Vivi a vida inteira na mesma casa e meu quarto é pequeno, o que significa, também, que não tenho muito espaço nele, o que, por sua vez, me leva ao segundo ponto deste texto: não tenho uma estante. Ao menos não uma estante como vejo o pessoal exibir em “tour pela minha estante”, no Instagram, ou mesmo aquelas que aparecem ao fundo de tantas chamadas de vídeo que viraram nossa rotina.

Contudo, não vejo isso como um problema. Aliás, devo confessar que acabo pensando muito no trabalho que deve dar limpar todos os livros com uma boa frequência. Isso porque meus exemplares ficam em um armário fechado, mas com uma ventilação adequada, pegando um pouco menos de pó do que pegariam se ficassem em uma estante totalmente aberta.

Na verdade, ao longo dos anos fui mudando os livros de lugar e, aos poucos, eles foram tomando mais armários que antes. Ainda assim, e aqui chegamos ao terceiro ponto, mesmo que hoje os livros ocupem mais prateleiras que antes, em meu quarto, eu continuo tendo um limite (físico) para esse crescimento, o que significa que, desde pequena, tenho consciência de que não posso guardar todos os meus livros para sempre comigo, então eu tenho relativa facilidade em passá-los adiante (doar, trocar, vender). Até porque, eu também não costumo reler muitas obras, então não faria sentido acumular livros pelo simples prazer de acumulá-los.

Desapegos literários

Às vezes acho que as pessoas podem me achar um pouco sem coração por isso, ou até mesmo ingrata, por ler e passar adiante livros que ganhei de presente, por exemplo. Mas a verdade é que eu acho que livro foi feito para ser lido, então gosto que eles continuem tendo vida com outros leitores, mesmo que eu não saiba quem serão esses leitores.

Por anos, tudo o que eu fazia era separar alguns livros para doação. Hoje em dia, além de doar alguns, separo outros para fazer trocas no Skoob e, assim, também poder solicitar livros que eu tenho interesse em ler.

Se você me der um livro, eu lerei

Não tenho muita frescura com livro. Se você me der um de presente — seja ele qual for (com raríssimas exceções) — eu vou ler. Pode ser que eu demore meses ou até mesmo anos para pegá-lo, mas pegarei e lerei. E se eu me desfizer dele depois, não foi porque não gostei, mas simplesmente porque eu já não tinha mais espaço para ficar com ele.

Meus critérios

Falei tanto sobre espaço e desapego que pode parecer que não guardo livro nenhum. Ao mesmo tempo, porém, comentei que hoje eles ocupam mais espaço que antes. Quais os meus critérios para o que fica e o que vai? Obviamente, faço questão de guardar meus livros favoritos, isto é, aqueles que realmente conquistaram um espaço muito especial em meu coração. Para além deles, gosto de ficar com clássicos da literatura — nacional ou internacional — e com livros que possuem mais do que a história nele contadas, isto é, aqueles com dedicatórias ou alguma outra história por trás. E claro, agora também estou juntando livros nos quais trabalhei.

Relação com o livro em si

Por fim, não sou uma pessoa que ache chocante grifos ou coisas escritas a lápis e caneta em livros (mas, claro, não faça isso em livros emprestados, ainda mais de uma biblioteca!). Não tenho o hábito de fazer isso nos meus, mas já vivi experiências incríveis de dar e receber livros com comentários para a pessoa presenteada, tornando a leitura extremamente única. No geral, porém, como eu disse, não tenho o hábito de fazer marcações nos livros justamente por não saber se ficarei com ele ou não, então tento deixá-los o mais conservados que posso.

Além disso, apesar de ter tido um pouco de resistência no início, adaptei-me bem ao mundo dos e-books e leio um pouco de cada com o mesmo prazer.

E qual é a sua relação com os livros? Lembrando que não há um certo e um errado aqui e que apenas quis compartilhar um pouco de como isso se dá comigo, já que os livros são tema central deste blog.

Citações #42 — Querida quarentena

Você leu a resenha que escrevi com muito carinho sobre a obra Querida Quarentena, disponibilizada gratuitamente pela autora Grazi Ruzzante? Se ainda não leu, passe lá para conferir, pois eu menciono que esta é uma obra que retrata muitas dúvidas e angústias que podem ser meus, seus e de quem quiser, principalmente por não estarem relacionadas a um único aspecto de nossas vidas.

Neste post eu vou trazer mais alguns trechos dessa obra, para que você possa saborear e se convencer a ler o livro todo logo. Começarei justamente com algumas passagens que retratam as tais dúvidas e angústias que mencionei.

“Será que eu confundi minhas vontades e necessidades a vida toda?”

“Eu precisava da força que ele me dava ou da força que eu não enxergava em mim?”

“Ok, está tudo desmoronando lá fora. Mas isso quer dizer que preciso me envolver a ponto de me destruir ainda mais aqui dentro?”

“Será que eu ainda sou uma boa filha? Eu me fiz essa pergunta muitas vezes na minha vida”

Outro fator que torna ainda mais fácil a nossa conexão com essa narrativa é o fato dela ser extremamente atual, não somente por ter sido lançada em 2020, mas também por retratar exatamente o que estávamos vivendo naquele momento.

“Mas o isolamento questiona tudo”

Também tem o fato da história nos apresentar uma dor tão forte e que parece única, mas que, no fundo, sabemos que estamos sujeitos a sentir (isso se já não tivermos sentido — algumas vezes inclusive).

“Tem coisas que nem açúcar conseguiria adoçar”

“Mesmo sem sentir um fim, estamos acabados”

“Porque é triste esperar que o mundo me dê algo tão básico quanto o amor, quando eu não sou capaz de dá-lo a mim mesma”

Na resenha eu comentei sobre o quão palpável Bia é, bem como a questão do término ali apresentado.

“Vai ver ele também sente minha falta. Vai ver não tem como deixar de gostar de ninguém assim tão rápido”

“Mas precisar dele também teve um preço”

“E eu acreditei que seria para sempre”

E também comentei sobre as mudanças pelas quais ela passou (como todos nós passamos, em qualquer momento da vida).

“Eu achava que sabia o que queria”

Por fim, ressalto o quanto é difícil não trazer para dentro de nós tudo aquilo que está descrito come se fosse apenas a história de uma personagem qualquer, representada pela Bia.

“Minha hiperatividade nunca soube a hora de parar”

“Algo sempre estava errado. Algum mal-entendido sempre acontecia”

Se consegui despertar um pouco mais de curiosidade com relação a essa obra super rápida e viciante da Grazi, não deixe de visitar o perfil dela e baixar gratuitamente o seu ebook!

Meu corpo virou poesia — Bruna Vieira

Título: Meu corpo virou poesia
Autora: Bruna Vieira
Editora: Seguinte
Páginas: 184
Ano: 2021

Se você já leu outras resenhas minhas, provavelmente percebeu duas coisas: eu não costumo ler muitas obras de poesia (mas esse ano já iniciei umas três resenhas de livros desse gênero com essa frase) e nunca coloco alerta de gatilho, por um simples motivo: eu não sei o que pode ser um gatilho para você e em que nível isso pode acontecer. E o que isso tem a ver com a resenha de hoje? Calma, segue aqui que eu já te explico.

“Respeite os processos do seu corpo,

os que você controla, mas principalmente

os que não estão no seu controle”

Meu corpo virou poesia é uma obra linda, não apenas pela diagramação caprichada, mas também pelo conteúdo. O primeiro livro de poesias da Bruna Vieira carrega consigo muito sentimento, perda, dor, força, ajuda, renascimento. E por tudo isso e tantas outras coisas que sequer consigo mencionar, não pude deixar de pensar que, em algum nível, seu conteúdo pode despertar gatilhos variados em muitas pessoas.

“Juro que te esqueci

até o vizinho usar o mesmo perfume que o seu”

Ainda assim, esse é um livro cuja leitura eu indico e que certamente daria de presente a algumas pessoas, assim como eu mesma recebi meu exemplar de uma amiga que sentiu, acertadamente, que essa era uma leitura que eu precisava fazer (obrigada, Clari!).

Provavelmente o que torna esta obra tão forte é saber que a autora não jogou palavras em uma página em branco buscando fazer arte: ela jogou aquilo que estava dentro dela e aí sim transformou isso em arte. Ela pegou sentimentos, histórias e vivências reais e os colocou em versos que poderiam muito bem nos descrever e representar.

“Nós sempre nos lembramos

De formas diferentes

De como tudo aconteceu”

E se pode parecer que trata-se apenas de uma obra melancólica, já adianto que não. É uma obra que parece carregar um ciclo, nos mostrando que é possível voltar a ver a luz, mesmo depois de uma infinidade de dias nublados, inclusive quando essa parece a coisa mais absurda e improvável do universo.

“Um dia essa lembrança

que hoje é a chave de uma caixa de questionamentos,

que você esconde do mundo

e de si,

vai também ser um lembrete

do quão forte você é capaz de ser”

O livro é dividido em quatro partescabeça, garganta, pulmão e ventre — que também já ajudam a demonstrar o quanto suas poesias e sua autora estão intimamente conectados e podem se tornar, ainda, o nosso próprio corpo.

“O que você faria

se o seu mundo inteiro

te olhasse nos olhos

e te dissesse que você nunca realmente

pertenceu àquele lugar?”

Escolher uma única poesia preferida seria uma tarefa bem ingrata, mas gostaria de mencionar três que, para além de todos os trechos apresentados ao longo dessa resenha, me tocaram de maneira especial:

  • Os detalhes que eu perdi
  • Ruído na comunicação [essa pegou muito forte, dá vontade de estampar em todos os lugares]
  • Obrigada

Por fim, gostaria de te lançar um desafio: duvido que você leia essa obra e não se identifique com ao menos uma poesia. E aí, topa? Depois vem me contar o resultado!

E o resto é peixada — Bruna Ceotto

Título: E o resto é peixada
Autora: Bruna Ceotto
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 42
Ano: 2021

Para concluir a região Sudeste, a quarta e última parada feita pelo ônibus do projeto Meu Brasil é assim, organizado pela Duplo Sentido Editorial: Espírito Santo, um Estado que nunca visitei. Será que a Bruna Ceotto conseguiu me deixar com vontade de conhecer?

“A história do Estado, completamente desconhecida para todos os amigos que eu tinha feito em São Paulo, parecia mais interessante quando contada por ele”

Se por um lado eu não conheço o Espírito Santo, por outro já conhecia a escrita da Bruna e costumo adorar! Com esse conto não poderia ser diferente: uma história que vai indo com calma, nos deixando curiosos com o que vem a seguir, ao mesmo tempo que, sim, desperta uma vontade de ver com nossos próprios olhos as belezas ali descritas.

“Eu podia dizer muitas coisas sobre o Espírito Santo, mas não podia dizer que o lugar não parecia um paraíso”

Helena é capixaba, mas mora em São Paulo e parece fugir de sua terra natal. Contudo, há momentos que não podem ser perdidos, como o casamento da sua melhor amiga, então nós a acompanhamos nessa rápida viagem de volta ao Espírito Santo e aproveitamos para espiar o que ela tem a oferecer.

“Amizades não são casuais por aqui. Não são meros encontros, uma noite de bar ou uma conversa no metrô. São a base sólida que nos impede de desmoronar por completo”

Ao mesmo tempo que vamos tentando entender porque, apesar de tudo, Helena parece fugir tanto assim de Vitória, vamos também nos encantando com toda a riqueza cultural e histórica do Espírito Santo, que conhecemos mais através dos olhos do motorista de Uber que a leva ao casamento de sua amiga, do que propriamente pelos olhos — que não querem ver e aceitar as coisas boas — de Helena.

“Há algo de especial em revisitar sua terra natal, acompanhada de alguém que nunca a deixou”

Foi difícil não torcer por ao menos um beijo entre esses dois personagens, ao mesmo tempo que era evidente que isso não era o que importava ali, mas o quanto encontros casuais podem nos fazer enxergar muito além do que queremos ou até mesmo conseguimos.

“Eu devia ter olhado pela janela. Minha memória não faz jus a isso”

Se você quer conferir com seus próprios olhos como um conto pode nos fazer imaginar lindas e imperdíveis paisagens, não deixe de conferir E o resto é peixada.

Due vite — Emanuele Trevi

Título: Due vite
Autor: Emanuele Trevi
Editora: Neri Pozza Editore
Páginas: 128
Ano: 2020

Como se resenha um livro cuja história vai muito além daquela impressa em suas páginas? Sim, porque Due Vite nos conta sobre muito mais que apenas duas vidas, mas também sobre todo um universo literário que ainda temos a explorar.

Escrever sobre uma pessoa real e escrever sobre um personagem imaginado, no final das contas, é a mesma coisa: é preciso obter o máximo na imaginação de quem lê, usando o pouco que a linguagem oferece.

E se eu já sou uma ferrenha defensora de que a leitura de um livro é totalmente única para cada leitor, este aqui vem para provar que é assim mesmo: leitores com variados níveis de conhecimento de mundo terão experiências totalmente diferentes ao se deparar com esta obra.

“Porque só é verdade aquilo que nos pertence, aquilo do qual viemos fora”

Para ser mais clara: eu sequer sabia (porque também não me dei ao trabalho de procurar antes) se o personagem aqui retratado era ou não real. Acabei deixando para pesquisar somente ao final da leitura e, bem, descobri que sim, o que por si só já muda um pouco da interpretação que dei à obra.

“Porque nós vivemos duas vidas, ambas destinadas a acabar: a primeira é a vida física, feita de sangue e respiração; a segunda é aquela che se desenvolve na mente de quem nos quis bem”

Nos dois primeiros capítulos, por exemplo, somos muito bem contextualizados com relação ao nosso protagonista: quem era e como era, tanto fisicamente quanto em seus modos e manias. Se esta fosse uma obra fictícia, tamanha riqueza de detalhes seria de espantar, mas Rocco Carbone realmente existiu, então posso dizer que, ao concluir esta leitura, é difícil não ter uma visão bem detalhada de quem foi este escritor italiano — porque sim, Rocco Carbone também foi um escritor italiano.

“Rocco Carbone soa, na verdade, como uma perícia geológica”

Mas, como eu disse acima, não é apenas à Rocco Carbone que somos apresentados ao longo destas páginas. Por meio das palavras de Emanuele Trevi, conhecemos também Pia Pera, outra figura pertencente ao meio literário italiano. Contudo, vamos ainda mais além: a partir da visão de Emanuele e da amizade que ele teve com esses dois protagonistas, outras literaturas descortinam diante de nossos olhos, tanto com a menção e comparação a outros escritores italianos, quanto com escritores estrangeiros, principalmente russos, que eram objeto de estudo de Pia.

“Aquilo que sempre desejei a Rocco, nos tantos anos da nossa amizade, foi um pouco mais de falta de consciência”

Portanto, ao mesmo tempo que o autor, por meio de sua escrita, nos oferece uma visão muito particular e próxima, não apenas de si, mas principalmente de Rocco e Pia, ele também nos transporta por meio de menções e comparações que requerem muito conhecimento literário para que possamos aproveitá-las ainda mais.

“Já é difícil dar um bom conselho; mas se quem fala com você só quer ser escutado, então não há mais nada que se possa fazer”

É assim que um livro que, em um primeiro momento, poderia parecer despretensioso, logo transforma-se numa riqueza e fonte de muitas possíveis conexões e aprendizados.

“Não nascemos para nos tornar sábios, mas para resistir, escapar, roubar um pouco de prazer em um mundo que não foi feito para nós”

Due vite foi vencedor do Prêmio Strega — prêmio literário italiano, concedido a um autor publicado na Itália entre os dias 1º de março do ano anterior e 28 de fevereiro do ano corrente — em 2021. A obra ainda não foi traduzida para o português e os trechos acima foram apresentados com tradução minha. Abaixo você pode conferir os originais, na ordem em que foram apresentados ao longo desta resenha.

“Scrivere di una persona reale e scrivere di un personaggio immaginato alla fine dei conti è la stessa cosa: bisogna ottenere il massimo nell’immaginazione di chi legge utilizzando il poco che il linguaggio ci offre”

“Perché è vero solo ciò che ci appartiene, ciò da cui veniamo fuori”

“Perché noi viviamo due vite, entrambe destinate a finire: la prima è la vita fisica, fatta di sangue e respiro, la seconda è quella che si svolge nella mente di chi ci ha voluto bene”

“Rocco Carbone suona, in effetti, come una perizia geologica”

“Quello che ho sempre augurato a Rocco, nei tanti anni della nostra amicizia, è stato un minimo di inconsapevolezza in più”

“Già è difficile dare un buon consiglio; ma se chi ti parla vuole solo essere ascoltato, allora non c’è più niente da fare”

“Non siamo nati per diventare saggi, ma per resistere, scampare, rubare un po’ di piacere a un mondo che non è stato fatto per noi”

Se quiser saber mais sobre essa obra, clique abaixo!

Pra não fazer desfeita — Andrea Romão

Título: Pra não fazer desfeita
Autora: Andrea Romão
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 48
Ano: 2021

Seguindo em nossa viagem pelo Brasil, com o ônibus da Duplo Sentido Editorial, ainda na região Sudeste, começo com uma pergunta: é possível falar mal de Minas Gerais? Ao menos como turista, acho difícil.

Já tive a sorte de conhecer algumas cidades — Tiradentes, São João del Rei, Belo Horizonte, além daquelas que sempre me deixam em dúvida se fazem parte de São Paulo ou Minas, como Monte Verde e Poços de Caldas — e até mesmo a capital carrega um clima muito gostoso (no sentido da atmosfera do lugar e das pessoas, não necessariamente o tempo climático — este, aliás, bem desfavorável da última vez que estive em terras mineiras…), além de muita cultura (sério, BH tem muito museu incrível!).

“Viver em meu estado e morar numa rua plana é um verdadeiro luxo que ainda não faz parte das nossas vidas”

Através da protagonista Cecília, neste conto vamos conhecendo diversos traços mineiros muito interessantes que, confesso, eu não imaginava.

“Quando se é mineiro, chegar na hora significa chegar meia hora antes”

Toda a história, aliás, gira muito ao redor dessas características tão peculiares e que, colocadas da forma que foram colocadas, conseguem conferir um ar de tensão e, ao mesmo tempo, diversão — para nós leitores — à narrativa.

“Não é possível ter nascido em Minas Gerais e não estar constantemente pensando, considerando e sofrendo pelo sentimento alheio”

O drama de Cecília é que ela tem um namorado ultratímido e gostaria de apresentá-lo à família (pai e mãe apenas) em seu aniversário de 16 anos, mas não fazer uma festa de aniversário para toda a (enorme) família e vizinhança é uma afronta para eles.

“Um bom mineiro fingiria um desmaio para não ter que confrontar alguém”

E é a partir desse “drama” que vamos nos apaixonando cada vez mais pelo “jetim” mineiro, ao mesmo tempo em que torcemos para que Cecília encontre uma solução para a enrascada na qual se meteu.

“A frase ‘vou passar um cafezinho’ é a sentença final para decretar que ninguém irá embora tão cedo”

Aliás — sem spoilers, claro —, o final é muito bom! Então, como não poderia deixar de ser, convido você a ler este conto também. E se você ainda não assinava o projeto quando ele foi enviado, é só clicar aí embaixo para garantir o seu Pra não fazer desfeita.

Para ficar por dentro do projeto e conhecer os contos anteriores, não deixe de conferir as minhas resenhas também:

Usar ou não palavras em inglês na língua italiana [tradução 19]

Se tem um assunto que vira e mexe ressurge é a presença e o uso de termos em inglês nas demais línguas. Eu mesma já traduzi por aqui um artigo sobre isso, como você pode conferir aqui. O artigo em questão é bem interessante e pode ser uma boa introdução à discussão de hoje (ou seja: se você ainda não leu, vai lá ler!).

Recentemente, porém, uma aluna perguntou sobre isso e a minha curiosidade sobre o assunto retornou. Parece que nunca é satisfatório o nosso conhecimento sobre determinados temas e há sempre algo novo a se encontrar. Então resolvi trazer novamente o assunto à tona por aqui.

Desta vez, porém, com um artigo cujo título completo é Usar ou não palavras em inglês na língua italiana: o parecer da Accademia della Crusca. Para quem não sabe, a Crusca é a maior entidade linguística da língua italiana. Para nós, reles mortais (principalmente não falantes nativos), se “a Crusca” falou, tá falado.

O artigo em questão é bem recente, tendo sido publicado em 02 de abril de 2021. Foi escrito por Michele Razzetti e você pode conferir o original aqui. Traz, ainda, o seguinte cabeçalho: “Os ‘empréstimos linguísticos’ acendem sempre intensos debates. O último se intensifica há algumas semanas, tendo parte nisso Mario Draghi. Pedimos a Claudio Giovanardi, da Crusca, para nos esclarecer. Inclusive sobre um termo que há mais de um ano ouvimos com frequência, que é ‘lockdown'”.

Como você poderá conferir abaixo, porém, o artigo está longe de nos trazer uma resposta, mas carrega uma reflexão importante sobre o contexto no qual usamos palavras emprestadas de outras línguas. Então vamos para a tradução?


Em intervalos regulares, se reacende o debate sobre o uso de palavras inglesas, tecnicamente anglismo ou anglicismo (Tullio de Mauro, em 2016, apontava que este último termo também o é), na nossa língua. Aconteceu inclusive recentemente, depois da consideração improvisada de Mario Draghi, ao final da visita ao centro de vacinação anti-Covid do Aeroporto de Fiumicino, sobre a inglesização do vocabulário comum italiano.

Os tons do debate são geralmente exasperados e veem em oposição estrangeiristas declarados, prontos a aceitar sem críticas tudo o que chega de um país estrangeiro, e aqueles que gostariam de um italiano feito só de palavras não estrangeiras, como se isso sem dúvidas fosse realmente possível. Polarizar o confronto não faz bem a ninguém. Mas para superá-lo pedimos ajuda a Claudio Giovanardi, membro da Academia della Crusca, docente de Linguística italiana na Universidade Roma Tre e autor de Inglês-italiano 1 a 1. Traduzir ou não traduzir as palavras inglesas? (Manni), que se ocupou do assunto também no decorrer de 6per6, o festival que pela primeira vez colocou as ciências da linguagem ao vivo no Instagram.

A linguística histórica ajuda a colocar o debate em perspectiva e nos faz entender de imediato uma coisa: as línguas se confundem e se emprestam termos continuamente. Claro, aquelas que gozam de um prestígio sócio-cultural maior — o que, atenção, muda com o tempo — tendem a disseminá-los no mundo com força maior. “O inglês teve uma entrada explosiva no italiano a partir do final dos anos 70 até se tornar praticamente a única língua estrangeira estudada nas escolas em que se prevê apenas uma. Sobretudo aquele estadunidense, naquele tempo carregava consigo o poder político, econômico, cultural e científico. Mas não nos esqueçamos que pouco antes, o mais estudado foi o francês”.

O sucesso dos anglicismos é registrado também pelos vocabulários e pelas coleções de neologismos, instrumentos que medem a temperatura lexical de uma língua. “As pessoas nos dizem que existe um aumento significativo de palavras estrangeiras em italiano, sobretudo nos últimos 30 anos. O mundo empresarial faz um grandíssimo uso delas, assim como o meio acadêmico. As instituições culturais geralmente são as que mais se valem das palavras em inglês, fazendo um uso inútil destas.

De um ponto de vista teórico é interessante se perguntar se seria possível dispensar esses empréstimos. Para Giovannardi, sem dúvidas, sim: “Em seu próprio repertório uma língua de cultura rica como o italiano pode encontrar os recursos certos para evitar o uso do inglês; é compreensível que os objetos do âmbito tecnológico, por exemplo, nos cheguem com o nome em inglês, mas isso não significa que o italiano não possa ter os recursos internos para substituí-los“. Como, de um ponto de vista prático? Com uma tradução, um sinônimo ou uma adaptação. “Certo, é preciso entender se essa operação é econômica, porque muitos desses termos têm uma circulação europeia, ou até mesmo global”.

É preciso perguntar-se também se o inglês deve ser em todos os casos, evitado, demonizado como gostariam alguns. A resposta é negativa, porque o verdadeiro discriminativo para um uso sensato dos anglicismos é o contexto comunicativo, como muitas vezes acontece quando se fala uma língua. “Pessoalmente não tenho uma particular intolerância nos confrontos de um uso privado dos anglicismos. O grande problema diz respeito às palavras estrangeiras usadas nos contextos de comunicação pública. Contra este fenômeno é um dever cívico lutar“.

E é isso que faz o grupo Incipit da Accademia della Crusca, ao qual o próprio Giovanardi pertence: eles não pretendem traduzir todo e qualquer termo inglês, mas assinalar a entrada das palavras que impactam na vida pública (em detrimento daquelas sedimentadas e mais complexas de intervir). “Se uma lei é proposta a um cidadão, deve ser colocada em condições que se possam entender; depois, no bar, em casa ou debaixo do guarda-sol cada um pode falar como preferir”.

Mas nos discursos públicos, aqueles produzidos pelas instituições políticas, por exemplo, o inglês parece desempenhar um objetivo comunicativo de honestidade duvidosa. “Parece que usando um termo inglês para uma medida ou um evento potencialmente indesejado à opinião pública, possa-se amenizá-lo: penso na famosa spending review*, que nada mais é do que um corte nas despesas públicas. Sendo maliciosos, temos de pensar que o inglês consiga fazer passar essas medidas sem levantar grandes rebuliços”*.

Uma escolha precisa que não encontra respaldo em outras grandes democracias europeias. Não na Espanha e na França,** com as quais um confronto linguístico imediato é possível graças também à pandemia na qual nos vemos envolvidos. “Na Itália, logo enchemos a boca com lockdown, mas na França falou-se em confinement e na Espanha em confinamiento*. Talvez, nos contextos informais, espanhóis e franceses usem o anglicismos lockdown, mas nas comunicações públicas isso não acontece. Nós não poderíamos usar também confinamento? Talvez assim tivéssemos feito algo por todos aqueles que não têm familiaridade com a língua inglesa”*.

Em suma, talvez em uma situação de emergência como essa que estamos vivendo há meses, se pudesse esperar um mínimo de consciência linguística da parte de quem, quando fala, possui um importante papel de porta-voz.


E então, qual a sua opinião sobre o assunto? Eu gostei muito da ênfase dada na questão da situação em que acontece a comunicação e, ao mesmo tempo, para o fato de que, realmente, quando pensamos em um âmbito político-social é necessário pensar bem na escolha dos termos usados, afinal, se cada país tem a sua língua oficial, isso não é por acaso, certo?

O tatuador de Auschwitz — Heather Morris

Título: O tatuador de Auschwitz
Original: The tattooist of Auschwitz
Autora: Heather Morris
Editora: Planeta do Brasil
Páginas: 240
Ano: 2019 (2º edição)
Tradução: Carolina Caires Coelho e Petê Rissatti

Quando eu estava concluindo a leitura de O tatuador de Auschwitz, vi pessoas indignadas (e com razão) com algumas resenhas/comentários feitos à obra O diário de Anne Frank. A indignação deve-se ao fato de que alguns leitores parecem se esquecer que esta não é uma obra ficcional e que ela não foi escrita com o intuito de agradar ninguém. Preciso confessar, porém, que durante muitas páginas da obra O tatuador de Auschwitz eu tive dúvidas se a história era verídica — retratando a história de vida de um verdadeiro prisioneiro — ou apenas baseada em fatos históricos. Detalhe: está escrito na capa do livro que é baseado em uma história real…

“A política nos ajuda a entender o mundo até não o entendermos mais, e, depois, faz com que você acabe em um campo de prisioneiros. A política e também a religião”

Talvez o meu estranhamento tenha se dado pelo fato do protagonista ter uma “faceta heróica” que me pareceu um pouco romantizada, ao menos perto de outras obras que já li sobre o tema, além do fato da narrativa retratar, também, uma história de amor, coisa que certamente não estou habituada a ver neste tipo de livro.

“Lale olha para aquelas meninas e percebe que não há mais nada a dizer. Elas foram levadas ao campo como meninas, e agora — ainda que nenhuma tenha chegado aos vinte e um — estão afetadas, prejudicadas. Ele sabe que elas nunca se tornarão as mulheres que deveriam ser”

Não estou querendo dizer que não tenham existido pessoas como o Tätowierer nos campos de concentração ou que, apesar de tudo, não pudesse existir amor ali. A verdade é que eu espero, de coração, que tenham havido muitos outros prisioneiros como Lale — o protagonista desta obra —, que fez o que pôde para tentar salvar alguns além de salvar a si mesmo. E também acredito que o amor — e a força que ele nos dá — foi uma das coisas que fez com que muita gente lutasse ainda mais para sobreviver.

“Escolher viver é um ato de rebeldia, uma forma de heroísmo”

Sim, O tatuador de Auschwitz é, também, sobre isso: sobre como, mesmo em meio à escuridão, pessoas de bom coração se mantém firmes àquilo que acreditam e que isso não necessariamente é a fé delas – como talvez possa-se imaginar, visto que estamos falando de uma perseguição, sobretudo, a judeus. Lale era uma pessoa de bom coração em sua essência e nem mesmo a escuridão de um campo de concentração o fez perder isso, por mais difícil que tenha sido aguentar tudo o que aguentou.

“Os dois resistiram, por mais de dois anos e meio, ao pior da humanidade. Mas é a primeira vez que ela vê Lale mergulhar tão fundo na depressão”

O que está obra trouxe de diferente para mim foi a perspectiva de uma pessoa com um trabalho que, ao mesmo tempo que era “privilegiado”, não deixava de ser extremamente ingrato: tatuar o número na pele dos prisioneiros que chegavam aos campos de concentração. Este era um cargo privilegiado porque era necessário proteger o Tätowierer da possível fúria dos demais prisioneiros, além da necessidade que ele tivesse forças para realizar o seu serviço. Por isso, esta pessoa possuía aposentos mais reservados e porções extras de comida. Eu realmente nunca pensara em quem seria a pessoa a tatuar os números nos prisioneiros e, menos ainda, no que esse “cargo” representa.

“— Vi um homem meio morto de fome arriscar a sua vida para te salvar. Imagino que você deva ser alguém que valha a pena ser salvo”

Mas Lale, como já mencionei, buscava fazer mais e conseguiu ajudar inúmeros outros prisioneiros, não só pelo cargo que ocupava, mas por estar sempre atento e também por não ter medo de se colocar em risco para ajudar. Ainda assim, todos esses fatores não impediram que ele também sofresse muito. Os campos de concentração foram capazes de sugar a vida até daqueles que saíram vivos de lá.

“— Digamos que dei outro passo para dentro do abismo, mas consegui dar um passo para trás”

Se você tem estômago para encarar uma leitura sobre holocausto, mesmo esta não sendo uma das mais pesadas, mas ainda assim, retratando uma realidade difícil de digerir, clique abaixo, assim você também contribuiu com este espaço.

O Rio de Janeiro continua lindo — Amanda Condasi

Título: O Rio de Janeiro continua lindo
Autora: Amanda Condasi
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 50
Ano: 2021

Seguindo em nossa viagem pelo Brasil, com o ônibus da Duplo Sentido Editorial, chegamos ao Rio de Janeiro e, claro, o título deste conto não poderia ser outro. Contudo, a história começa, literalmente, do outro lado do mundo, mais exatamente em Seul.

“Mesmo amando minha família, não consigo mais sentir felicidade vivendo em Seul”

Dara é uma jovem brasileira que acabou crescendo em Seul, mas mesmo tendo se adaptado à vida nesse novo país, podemos sentir, pelas próprias palavras dela, que seu lugar sempre fora o Brasil e, mais especificamente, o Rio de Janeiro.

“Rio, quero te reencontrar e não vejo a hora disso acontecer”

No início do conto, portanto, somos apresentados a este contexto e acompanhamos a despedida de Dara e sua longa viagem de volta para a sua terra natal. E claro que é aí que tudo começa.

Em terras brasileiras, Dara irá (re)descobrir muito mais que a sua própria cultura, mas também um pouco mais de si mesma e de seus desejos.

“— Você não tem que provar nada pra ninguém e sua carteirinha bissexual não será confiscada por não ter ficado com meninas ainda”

Por meio de uma história leve, divertida e que emana o típico calor (humano e solar) carioca, temos a oportunidade de conhecer um poucos mais das belezas do Rio, com destaque para o pôr do sol no Arpoador.

“Sinto uma paz inexplicável estando aqui e agora”

A autora, por meio desta história, nos conduz para um Rio de Janeiro longe de estereótipos, principalmente aqueles relacionados à violência. Um Rio de Janeiro que, felizmente, pude conhecer quando visitei a cidade, graças aos conhecimentos que provavelmente só quem mora lá consegue ter.

“Se for pra ser, vai ser perfeito e, se não for também, vou ter outras oportunidades”

Um trecho que me chamou a atenção foi a descrição de Dara sobre os trens cariocas, porque notei imensa similaridade com os trens paulistanos, o que me fez refletir que, no final das contas, para que tamanha rixa entre essas duas cidades que, no fundo, no fundo, têm tanto em comum e tanto a complementar uma à outra? O Brasil é grande, tem espaço para todo mundo e todos os gostos!

“E o que é ser alguém na vida? Para mim é ser feliz independente das escolhas de futuro, pois temos que estar felizes naquilo que o coração mais deseja”

Não deixe de conferir também os posts anteriores da série Meu Brasil é assim:

15 de outubro de 2021

Como sempre, basta encarar a tela em branco e todas as palavras parecem fugir de meus dedos. Mas este é um dia que não posso deixar passar, como em tantos outros anos não deixei. Afinal, hoje é dia deles, mas pela primeira vez eu me sinto realmente pronta para dizer que hoje é o meu dia também: dia dos professores.

Depois de passar por todos os anos de escola, faculdade e pós-graduação, sem contar as inúmeras atividades e cursos extras que já fiz, posso dizer sem sombra de dúvidas que tive muitos professores. E posso dizer mais: sempre os admirei. Cada um, a seu modo, me ensinou algo que levo para a vida. Ainda assim, durante muito tempo achei que essa profissão não fosse para mim. Pelo menos não até pisar em uma sala de aula pela primeira vez. Porém, durante algum tempo, tentei traçar outros caminhos, mas no fim eu sempre terminava na sala de aula (e feliz!).

Entrei na faculdade de Letras dizendo que trabalharia com tradução, mas meu primeiro emprego foi como professora de inglês. E foi por conta disso que resolvi fazer a licenciatura e me encantei ainda mais pela sala de aula. Porém, depois eu trabalhei alguns anos como estagiária da faculdade, nada relacionado diretamente à sala de aula (eu ajudava em coisas mais burocráticas, mas ao menos estava muito próxima de professoras incríveis), fui para a pesquisa e, por fim, entrei em uma empresa para trabalhar com… Tradução! Era meu sonho, não? Bem, não mais.

Desde que comecei a dar aulas (de inglês), lá em 2014, eu nunca efetivamente parei: do inglês fui para o italiano (que é realmente a minha área), depois tive alunos particulares, curso livre obrigatório da disciplina da faculdade, outros cursos que ministrei por fora, mais alunos particulares… Até no período em que estive na empresa, trabalhando com tradução, eu tive uma aluna particular. E devo dizer que ela é uma grande responsável por eu estar onde estou hoje! Graças a essa aluna, que já fazia aulas online desde o início comigo, eu fui encontrando meu caminho durante a pandemia e é por isso que somente agora, em 2021, eu finalmente consigo dizer com todas as letras (e muita alegria) que sou professora. Uma professora de italiano muito apaixonada pelo que faz, aliás!

Foram praticamente sete anos (ou mais, até), para aceitar que um “Feliz dia dos professores” é realmente para mim. Que é isso que eu amo e não posso negar. Mas como dia o velho ditado, “antes tarde do que nunca”. E tudo é um processo: a cada dia eu sei que posso melhorar e quero melhorar. Sou muito grata por encontrar alunos que me fazem crescer com eles, que me ensinam diariamente e que acreditam no meu trabalho e compartilham as alegrias da sala de aula comigo.

No dia de hoje, portanto, eu não poderia deixar de agradecer, mais uma vez, a cada professor que passou pela minha vida. Sempre os admirei e sempre vou admirar e ser grata, porque o aprendizado é sim uma ferramenta muito poderosa. Mas eu também gostaria de agradecer aos alunos que já tive, tenho e também aos que terei, porque, como eu disse, ser professor é aprender todos os dias e cada dia mais.

Desejo, ainda, que a cada 15 de outubro possamos lembrar que para chegar onde for, precisamos que alguém nos mostre o caminho. Certamente algum professor já fez isso por você. Então que tenhamos mais respeito por essa profissão e que saibamos valorizar a educação, porque ela sempre fará parte de qualquer futuro que possamos imaginar.

E que em especial este 15 de outubro seja feliz para todos os professores que passaram por minha vida, para meus colegas e amigos professores e para todos aqueles que ainda terão o prazer de se encontrar nesta profissão. Talvez (com certeza) não estejamos vivendo o melhor cenário para se acreditar na educação, mas se nem os professores acreditarem, quem acreditará, não é mesmo? Que possamos, então, seguir firmes e seguros daquilo que estamos fazendo.

De verdade, obrigada a você que decidiu ser professor e faz isso com dedicação, atenção e responsabilidade. Felzi dia!