Título: A mágica da arrumação
Original: Jinsei Ga Tokimeku Katazuke No Maho
Autora: Marie Kondo
Editora: Sextante
Páginas: 160
Ano: 2015
Tradução: Marcia Oliveira
Não me peça para explicar meus gostos literários, porque eu realmente não consigo realizar essa proeza. A verdade é que eu dificilmente torço o nariz para um livro, apesar de, claro, ter as minhas preferências.
Tenho muita vontade de ler de um tudo e apesar de amar ficção, também gosto de livros que podem me ensinar algo que eu esteja precisando aprender. Foi por isso que acabei me interessando por A mágica da arrumação.
“Colocar as coisas em ordem significa zerar tudo para poder seguir em frente”
Não sou exatamente uma pessoa desorganizada e acho que nem uma grande acumuladora, mas também há muitos momentos que penso ter mais do que preciso.
Ao iniciar a leitura desta obra, achei o texto um pouco repetitivo e com um tom que parecia que prometeria mais do que entregaria. Foi quase como ver um daqueles vídeos que tem um título chamativo, de algo que você quer muito melhorar em sua vida, mas que, no final das contas, fica só na superfície e o mais aprofundado você só verá se comprar o curso que está sendo anunciado ali.
Ainda assim, prossegui na leitura e confesso que aprendi mais do que esperava, além de sentir que realmente ao menos uma chavinha foi virada em minha cabeça.
A obra é dividida em cinco grandes blocos de capítulos, que, por sua vez, são divididos em capítulos menores, tornando a leitura bem tranquila e rápida (também ajuda o fato do livro não ser muito grande). Os blocos são:
Por que não consigo manter minha casa organizada?
Em primeiro lugar, descarte
Como organizar por categoria
Arrumando suas coisas para ter uma vida sensacional
A mágica da organização transforma a sua vida
Talvez esses títulos tenham deixado mais claro a sensação que eu tive no começo da leitura. Ainda assim, gostei de entender um pouco mais sobre como uma boa arrumação pode funcionar e durar. E achei bem interessante que há uma sequência ideal para se fazer essa arrumação:
“Portanto a melhor sequência é: roupas, livros, papelada, itens variados e, por fim, itens de apego emocional, incluindo presentes e lembranças”
Seguindo essa lógica, fica mais fácil desapegar até daquilo que achamos que não vamos conseguir desapegar.
Aliás, sobre esse tópico, também há trechos que nos fazem refletir sobre o que acumulamos, o que também pode nos ajudar a enxergar o que é essencial manter e o que talvez possa ganhar novos destinos.
“Não devemos celebrar as lembranças, mas sim a pessoa que nos tornamos por causa das experiências que tivemos”
Ao longo da leitura, fiquei pensando que esse é o tipo de livro que daria para fazer um projeto bem legal, unindo o texto a outros recursos, como, por exemplo, vídeos mostrando mais sobre as dobras mencionadas.
Essa pode ser uma boa leitura para quem se sente perdido em meio às próprias coisas ou para quem está buscando formas mais funcionais de ter a casa para o dia a dia. Mas também acho que pode ser uma boa leitura para quem está precisando se reconectar consigo mesmo ou dar uma mudada na vida.
“O princípio básico da organização é exatamente este: defina um lugar específico para cada coisa uma única vez e coloque-a em seu devido lugar assim que terminar de usá-la”
Você é do tipo de pessoa que quando resolve aprender um novo idioma se preocupa somente em compreender a língua e suas estruturas?
Que elas são essenciais, não há dúvidas. Entender como determinado idioma funciona e como você pode manipulá-lo adequadamente é muito importante para uma boa comunicação. Mas não acho que o aprendizado deva se limitar a isso.
Toda língua carrega consigo uma cultura e uma história e aprender sobre elas também faz parte do processo. Sem contar a quantidade de vocabulário que esses temas têm a acrescentar, não é mesmo?
Por isso, depois de muito pensar no que trazer de conteúdo de italiano esse mês, resolvi falar um pouco mais sobre a Itália em si, começando por uma coisa que deveria ser elementar, mas que nem sempre sabemos muito bem:
Como é dividido o território italiano?
Para começo de conversa, precisamos entender que a divisão político-geográfica da Itália é um pouco diferente da nossa, mas não muito. No Brasil nós temos as regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul), divididas em Estados que, por sua vez, são divididos em municípios.
Na Itália também existem regiões (regioni), mas em número bem maior: ao todo, são vinte. As regiões, por sua vez, são divididas em províncias (province) e em cidades (comuni).
Tanto no Brasil quanto na Itália, as regiões agrupam espaços com características (culturais, históricas, monetárias, naturais…) semelhantes, mas as regiões italianas podem ser equiparadas — politicamente falando — aos nossos Estados, uma vez que cada uma delas possui o seu estatuto (que, claro, deve respeitar a constituição nacional). Quem comanda uma região recebe o título de presidente della giunta regionale.
Além disso, a Itália possui cinco regiões de estatuto especial — regioni a statuto speciale — que possuem uma autonomia a mais — sobre suas características históricas e culturais — em relação às demais.
Le province, por sua vez, são um ente intermediário entre as regiões e as cidades, porém, é difícil estabelecer um paralelo com a divisão brasileira. Uma província é a união de algumas cidades limítrofes, incluindo entre elas a “capital” (já falo sobre elas) daquela região. As províncias possuem um chefe, que é o sindaco della Provincia (uma espécie de prefeito da província).
Por fim, chegamos aos comuni, que seriam os nossos municípios. Cada comune tem o seu sindaco (prefeito).
I capoluoghi
Como mencionei acima, cada região possui uma capital, que nada mais é do que a sua cidade principal (maior, mais rica, centro mais importante…). A palavra usada nesses casos é capoluogo (singular) ou capoluoghi (plural). Se temos 20 regiões, temos também 20 capoluoghi.
Um capoluogo funciona mais ou menos como as capitais dos nossos Estados e, uma vez mais, é por isso que costumo enxergar as regiões italianas mais próximas deles que das nossas regiões propriamente ditas.
Mas afinal, quais são as regiões italianas?
Chegou o momento de conhecer o nome de cada uma das regiões italianas, bem como seus respectivos capoluoghi. As regiões com asterisco são as de estatuto especial, que mencionei anteriormente:
Italia Settentrionale (Nord)
* Valle d’Aosta – Aosta
Piemonte – Torino
Liguria – Genova
Lombardia – Milano
Emilia Romagna – Bologna
Veneto – Venezia
* Trentino-Alto Adige – Trento
* Friuli-Venezia Giulia – Trieste
Italia Centrale
Toscana – Firenze
Marche – Ancona
Lazio – Roma
Umbria – Perugia
Italia Meridionale (Sud)
Abruzzo – L’Aquila
Molise – Campobasso
Puglia – Bari
Campania – Napoli
Basilicata – Potenza
Calabria – Catanzaro
Italia Insulare (isole)
* Sicilia – Palermo
* Sardegna – Cagliari
Por que saber tudo isso?
Existem muitos motivos pelos quais essas informações todas podem ser interessantes para você que tem curiosidade ou estuda a língua italiana.
Em primeiro lugar, saber quais são as regiões e qual é a cidade principal de cada uma delas pode te ajudar a organizar a sua viagem, caso o seu interesse seja meramente turístico.
Para além do interesse turístico, porém, ter um mínimo conhecimento geográfico pode te ajudar a evitar uma brutta figura (ou seja, evitar passar vergonha). E se você tem (ou pensa em tirar) cidadania italiana, então, nem se fala! (Ok, eu sei que tem muito brasileiro que não sabe os nomes e capitais de todos os Estados daqui, mas na Itália eles pegam um pouco mais no pé com relação a isso).
Mas conhecer a divisão político-geográfica de um país também pode ser útil para quem pensa em morar por lá. Cada ente (regione, provincia, comune) possui as suas obrigações e oferece os seus serviços, então isso ajuda a saber em que tipo de lugar você tem de ir para fazer cada um dos documentos que precisará (sim, burocracia existe em todo lugar).
Agora me conta aqui: o que você aprendeu com esse post?
Por mais que eu goste de um conto, é difícil sobrarem trechos dele que eu achei interessante e destaquei ao longo da leitura, mas que não usei na resenha. Isso ocorre, principalmente, devido à curta extensão deles.
No entanto, após a resenha de O baú do Zumbi Gelado, escrito por Rafael Weschenfelder, ainda fiquei com alguns quotes que gostaria de trazer para vocês e fico feliz em ter mais uma oportunidade de falar sobre esta obra sensacional!
“Sabe quando você está falando e a palavra certa foge?”
Na resenha eu comento sobre o quanto esse conto surpreende, ainda que haja elementos que — espero eu — podem se tornar marca registrada do autor.
“— Não estou jogando enquanto espero ele acordar. Estou jogando para ele acordar”
É o que acontece, por exemplo, com a naturalidade de Rafael em criar histórias que incluem conhecimentos interessantes, mesmo quando se referem a coisas um pouco mais técnicas, como já comentado na resenha.
“Um dos grandes charmes de Zumbizeira é a inteligência artificial dos NPCs. Com respostas infinitamente mais sofisticadas — e hilárias — que as da Siri da Apple e da Alexa da Amazon, conversar com eles se transformou numa espécie de passatempo para os jogadores”
Ou então com a facilidade que ele tem para criar um humor gostoso de ler.
“Se recuperou o senso de humor, está curada”
Além, claro, do fato dele inserir discussões importantes em suas histórias aparentemente despretensiosas.
“— O mundo te deu as costas. Nada mais justo que dar as costas para o mundo”
Outra característica que adoro encontrar nas histórias que leio e que apareceram muito bem inseridas em O baú do zumbi gelado são elementos do cotidiano, da cultura na qual estou inserida, da realidade em que vivo.
“Nos filmes de terror, sempre tem um cara que não acredita em fantasmas: o cientificozão, que faz piada com o sobrenatural e finge ter sido possuído quando o grupo resolve usar um tabuleiro Ouija para se comunicar com o além. Geralmente é o primeiro a morrer”
Depois de tudo isso, claro que é difícil não querer indicar a leitura de O baú do Zumbi Gelado para todo mundo, né? Então, de novo, se você ainda não leu, fica aqui o meu convite para que você conheça essa história.
“Nos encaramos por um instante. Um equilíbrio prestes a se romper”
Título: Não precisamos dele
Autora: Taynara Melo
Editora: Publicação independente
Páginas: 114
Ano: 2021
Não precisamos dele é um livro narrado por duas personagens femininas que estão se (re)descobrindo, (re)erguendo e aprendendo a viver em suas próprias companhias.
“Precisei perder você para me encontrar. Precisei relembrar todas as suas falas para me amar. Precisei criar coragem para avançar”
De um lado temos Miranda Karpi, uma jovem que, no início do livro, nos revela não ter concluído seus estudos e que, por isso, vive às custas do namorado.
Quer dizer: vivia.
Ao anunciar uma gravidez não planejada, tudo vai por água abaixo e, sozinha, Miranda precisa encontrar um rumo na vida para dar ao bebê que está por vir tudo o que for necessário.
“A mulher é capaz de transformar uma casa em um lar, independentemente se esse lar é composto por um homem ou não”
De outro lado, temos Anna Veloso, casada, médica ginecologista, mãe de um garotinho de 6 anos. Uma vida que poderia ser perfeita, não fosse o casamento, que vai de mal a pior.
“— Às vezes, precisamos levar várias porradas da vida para compreender uma coisa simples como essa”
Muito mais que o fato de serem mulheres que precisam se reencontrar, essas duas personagens, mesmo tão diferentes, têm muito em comum. E, claro, suas vidas acabam se cruzando.
“Foi preciso uma amante aparecer na minha porta para abrir meus olhos e eu criar coragem para recomeçar”
A leitura de Não precisamos dele é rápida e cheia de temas importantes e reflexões necessárias. Uma obra que fala sobre amor próprio, feminismo, empoderamento, amizade, traição, paternidade e até mesmo violência doméstica e suicídio.
“Se eu não me respeitar, então quem vai?”
Trata-se de um livro necessário, retratando mulheres que eu só não direi que são reais porque elas possuem uma maturidade que talvez a maioria de nós ainda precisa trabalhar muito para alcançar. Mas ler Não precisamos dele pode ser uma forma de nos fazer entender isso.
“A inteligência emocional é resultado de muito treino, assim como qualquer outra competência”
Se você acha que este livro é para você ou se ainda tem dúvidas disso, não deixe de saber mais sobre ele clicando aí embaixo!
Eu não tenho (o que não significa que eu nunca releia livros, ok?), e provavelmente já falei isso aqui outras vezes. Sou daquelas pessoas que acha que a vida é muito curta para ler tudo o que queremos, então não dá para ficar relendo livros, por melhor que eles sejam.
Deparei-me, porém, com um texto muito interessante sobre o ato de ler e reler e achei que seria interessante trazê-lo aqui e saber o que você pensa sobre isso.
Você me acompanha nessa? O texto original foi postado no Il libraio, em 27 de dezembro de 2020 e aqui embaixo você encontra a minha tradução.
Por que precisamos ler? E por que, às vezes, desejamos reler um livro que gostamos? E se nós gostamos, podemos dizer que aquela obra é “objetivamente” um texto de valor? Partindo das teorias da recepção, um aprofundamento sobre a experiência da leitura, sobre o papel do leitor e sobre a nossa capacidade de compreender de verdade aquilo que lemos.
Por que temos necessidade de ler? De onde nasce essa exigência?
São diversas as razões pelas quais nos aproximamos de um texto, mas se refletirmos um pouco, podemos detectar dois motivos principais: a necessidade de conhecer informações e a busca pelo prazer estético.
Reduzidas ao máximo, as duas motivações que nos conduzem à leitura são, portanto, opostas: de um lado somos movidos pelo útil; de outro, pelo agradável.
De qualquer forma, seja qual for o motor, a leitura é uma atividade que requer um gasto de tempo e de energia e, por isso, cada leitor, quando se aproxima de um livro, espera ser recompensado pelo manzoniano cansaço de ler.
Trata-se, no entanto, para usar as palavras do crítico Vittorio Spinazzola, “em um confronto entre custo e benefício: quanto me custou a leitura daquele texto, a respeito do empenho que tive de empregar para me apropriar dele? Se se trata de uma leitura literária, a pergunta é: que riqueza e intensidade de prazer da imaginação eu alcancei?”.
O papel do leitor
Desde quando começaram a circular as teorias sobre a leitura e sobre a recepção, no mundo literário, o leitor assumiuum papel central, quase mais que o escritor e o editor: sem ele, a obra literária em si não existe, se é verdade que esta última é uma pião que ganha vida quando está em movimento, ou seja, quando alguém a lê.
Em Que é a literatura? (1947) o filósofo existencialista Jean Paul Sartre defende que sem leitores não há literatura: na prática, um livro, se não é lido por ninguém, é só um objeto material sem significado. Um amontoado de folhas cheias de palavras e tinta, sem valor algum. Existe, portanto, um vínculo fortíssimo entre quem lê e quem escreve, inclusive porque sempre se escreve para ser lido (até por si mesmo, visto que todo escritor é, antes de nada nada, leitor).
O valor de uma obra
Depois da revolução do romance, ler se transformou em um fenômeno extremamente pessoal e individual. Um gesto mudo, solitário, íntimo. Cada leitor, quando entra em contato com um texto, carrega consigo uma bagagem de conhecimentos, o seu percurso literário, um gosto pessoal e a sua própria sensibilidade. Pode-se dizer, portanto, que cada um formula juízos diferentes dos outros e que cada um desses juízos têm a sua razão de ser.
Mas então não existe objetividade na avaliação de um texto?
Não exatamente. Porque se é verdade que o juízo estético muda de pessoa para pessoa, também é verdade que o valor de uma obra literária pode ser estabelecido somente por leitores conscientes, espertos, estudiosos e literários. E não por leitores de puro prazer, para deixar claro.
Um exemplo? Eu posso dizer que subjetivamente eu não gosto de Os noivos, mas objetivamente não posso deixar de reconhecer seu valor literário. É preciso, portanto, distinguir (pelo menos no plano teórico) entre leitura de gosto e leitura de competência, mesmo que, como nos lembra Spinazzola, seja quase impossível separá-los no plano prático: “do texto provém um apelo total, que investe a globalidade das nossas atitudes: competência e gosto são duas dimensões de atividade que se reforçam reciprocamente, na concretude do ler”.
As duas leituras estão, portanto, estritamente ligadas: quanto mais me torno competente, mais meu gosto se afina. Por outro lado, o meu desejo de ser educado é feito da minha atitude, do quanto gosto ou não de ler.
Ler e reler
Vocês já se perguntaram por que releem um livro? A resposta certa, como geralmente acontece, é aquela mais imediata: relemos um livro porque gostamos dele. Porque os nossos esforços de leitura foram bem recompensados e, portanto estamos dispostos a renovar aquela experiência.
O ato de reler possui, porém, uma natureza mais profunda e consciente, e pode decretar efetivamente o valor de um texto. De um lado porque resolver voltar a um livro significa que aquele livro conseguiu satisfazer as nossas necessidades e as nossas expectativas; de outro, porque a segunda leitura será mais diligente e crítica que a primeira, na qual não podíamos estar particularmente atentos, porque estávamos nos movendo principalmente pela curiosidade (o literário Karlheinz Stierle a considera, com efeito, uma “não leitura”).
Ler uma segunda vez é, portanto, uma ação mais literária e formal: é dirigida a uma recolha das técnicas e das complexidades de uma obra, a decifrar os significados profundos, a não se deixar levar exclusivamente pelos eventos da trama. Não para exclusivamente no conteúdo e, por isso, pode compreender verdadeiramente a essência e o valor do escrito.
É sempre Spinazzola quem escreve: “segundo Gramsci o povo lê ‘conteudicamente’, procurando no apêndice melodramático uma consolação para os seus problemas e uma revanche imaginada das injustiças que sofre. Só o leitor educado literariamente educado sabe evitar as armadilhas de sonhar de olhos abertos”.
Ler com consciência
Pode-se, portanto, deduzir que ler é uma prática subjetiva que, como dissemos no início, deve satisfazer necessidades ou prazeres pessoais; reler, por outro lado, é uma ação orientada em um sentido mais objetivo, porque visa a um aprofundamento de alguns aspectos do texto — o estilo da prosa, a voz do autor, o papel e o significado social da ópera — que antes haviam passado em segundo plano.
Claro, não significa que a releitura seja sempre uma vitória, aliás, é possível que um livro que você tenha gostado uma vez possa não te agradar em uma releitura. Ao contrário, um livro que não havia agradado no passado pode nos surpreender positivamente e desmentir o juízo que havíamos feito anteriormente.
O que é certo é que para de tornar um leitor consciente é preciso ler e reler: só tendo múltiplos termos de comparação se poderá alcançar os instrumentos necessários para decifrar o valor do texto que temos diante dos olhos. E só assim poderemos finalmente nos aproximar da leitura de modo total e completo.
A antologia Cartola, publicada pela Editora de mesmo nome, é o primeiro volume de uma série que, quando vi, logo me apaixonei pela proposta: a coleção Músicos e Poetasserá composta por antologias inspiradas em músicas de artistas selecionados, em uma homenagem a compositores e poetas brasileiros.
“Eu estava lá e num piscar de olhos não estava mais. Em um momento eu tocava meu violão enquanto Amália cantava a meu lado, sua mão tão relaxadamente posta em minha perna. E, então, eu não estava mais”
Cordas de aço (Thais Rocha)
Como amo a mistura de música e literatura, eu não poderia deixar de conferir o resultado desse trabalho. E uma coisa muito interessante é que ele é um prato cheio tanto para os que conhecem Cartola quanto para os que não conhecem.
“É possível sentir saudades de coisas que você mal lembra ter feito ou vivido?”
Cordas de aço (Thais Rocha)
Para quem já é fã, é uma forma de ver algumas das músicas dele ganhando nova vida, contando outras histórias. E para quem não conhece quase nada do compositor, é uma maneira de se interessar por algumas de suas letras. Eu mesma, não conhecia bem todas as canções selecionadas, então buscava a letra e depois lia a história, observando como aquele texto havia sido inserido na narrativa.
“O mundo é um moinho, vô. E a saudade de você me tritura por dentro”
O mundo é um moinho (Alessandra Solletti)
Além disso, alguns autores optaram por não apenas inserir a música, mas também alguns acontecimentos da própria biografia do compositor ao longo da narrativa, nos fazendo realmente mergulhar no mundo de Cartola.
“Junto com a sua chegada, ele trouxe uma angústia que nunca esteve ali. Descobri o medo da perda”
As rosas não falam (Lili Dantas)
Não posso deixar de confessar, porém, que mesmo animada para essa coleção, iniciei a leitura sem grandes expectativas, mas me surpreendi bastante (e positivamente) com a forma como ela fluiu. Ela contém contos que dão vontade de continuar lendo e desvendando seus segredos. Além disso, foi muito gostoso ver as escolhas de cada autor.
“Você deve escolher quais batalhas deve lutar, eu escolhi fazer o melhor que posso com o tempo que me resta”
Autonomia (C. B. Kaihatsu)
Esta antologia é composta por 20 contos, inspirados, por sua vez, em 20 composições diversas, sendo elas, em ordem (e com o nome dos autores):
1 – Acontece – Naiane Nara
2 – Alvorada – Bruny Guedes
3 – Amor proibido – Nilsa M. Souza
4 – As rosas não falam – Lili Dantas
5 – Autonomia – C. B. Kaihatsu
6 – Cordas de aço – Thais Rocha
7 – Corra e olhe o céu – Ana Farias Ferrari
8 – Disfarça e chora – Juliana Kaori
9 – Meu drama – Ana Paula Del Padre
10 – Minha – Aline Cristina Moreira
11 – Não posso viver sem ela – Edilaine Cagliari
12 – O mundo é um moinho – Alessandra Solletti
13 – O sol nascerá – Meg Mendes
14 – Peito vazio – Simone Aubin
15 – Pranto do poeta – Ana Lúcia dos Santos
16 – Preciso me encontrar – Vanessa Belo
17 – Sala de recepção – Walison Lopes
18 – Sei chorar – Priscila Morais
19 – Tive sim – Alec Silva
20 – Verde que te quero rosa – Rodrigo Barros
É interessante notar como há temáticas e sentimentos que se repetem — sem, no entanto, soarem repetitivos ao longo da obra —, como é o caso da tristeza, da melancolia, da angústia.
“falei sem mais saber o que dizer, como colocar em palavras os sentimentos todos, sendo que ainda não os sabia nomear?”
Corra e olhe o céu (Ana Farias Ferrari)
Mas também há, claro, amor, amizade, leveza. Sentimentos leves e pesados colocados lado a lado e construindo histórias fáceis de ler, mesmo quando surge aquele leve incômodo de um nó na garganta, que logo dá espaço para outros sentimentos.
“Éramos opostos, mas, apesar disso, ou, por causa disso, nos dávamos muito bem, sempre fomos unha e carne”
Meu drama (Ana Paula Del Padre)
A leitura de qualquer antologia pode trazer muitas sensações diversas para cada leitor, uma vez que carrega múltiplas histórias e escritas, mas eu não posso deixar de mencionar aqui que um dos meus contos preferidos foi “Corra e olhe o céu”, da Ana Farias Ferrari.
“Quando pequena, todo os sábados à tarde meus pais e meus tios deixavam os filhos na casa de paredes cor-de-rosa, quase no fim da pequena cidade do interior, sob os cuidados nada cautelosos de vó Naná e do vô Alceu”
Corra e olhe o céu (Ana Farias Ferrari)
Tenho total consciência de que essa é uma escolha bem pessoal, baseada no fato de que me identifiquei muito com a protagonista e com os momentos narrados por ela, dando-me muita saudade e nostalgia.
“Não sei exatamente quando essas tardes mágicas acabaram, talvez com a cobrança da escola e dos cursos extracurriculares nós passamos a ter menos tempo para brincadeiras aos fins de semana, ou talvez a idade e a vontade de ver o mundo se tornaram mais atraentes do que o mundo criado entre aquelas paredes rosas”
Corra e olhe o céu (Ana Farias Ferrari)
Mas já que cada um pode encontrar o seu conto preferido, deixo aqui meu convite para que você conheça essa obra e me conte qual foi a sua história preferida!
Algumas pessoas têm um enorme pé atrás com antologias, coisa que eu até posso entender, mas não concordo. Elas são uma excelente forma de conhecer novos autores, além de carregarem muitas histórias e escritas diferentes em uma única obra.
“Mas ela ainda tinha que me dar uma chance”
O peso da coroa — Laura Machado
Uma das melhores antologias que li ano passado foi Se essa coroa fosse minha. Clicando aí no título você pode ler a resenha que eu escrevi (caso ainda não tenha lido) e entender porque gostei tanto.
“Acho que, nesse momento, todo mundo desse salão se apaixonou um pouco por Alaska. Isso é fácil. Difícil seria não se apaixonar”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
Apesar da relativamente extensa resenha e dos vários trechos que coloquei nela, muitas outras passagens maravilhosas dessa obra ficaram de fora e agora é o momento de apresentá-las a você.
“Se eu fizesse as escolhas certas poderia fazer alguma diferença no mundo”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
Como tentei deixar claro ao longo da resenha, essa é uma obra diferente, que vai muito além de qualquer senso comum, falando sobre uma realeza que não estamos acostumados a imaginar.
“Mas sou uma princesa. Serei uma rainha. Não tenho direito a ter sentimentos”
Adoro um amor inventado — Lyli Lua
“Quem era essa garota com quem eu teria que conviver por tempo indeterminado? E do que ela tanto fugia? Seria realmente algo tão perigoso assim?”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“Quem iria querer o prolongamento de uma guerra civil só para ficar próximo da garota que gosta?”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
Não só por falar em sentimentos tantas vezes, mas também por trazer relacionamentos que fogem à heteronormatividade.
“Como é possível que a sociedade tenha evoluído tanto a ponto de um simples toque de dedo na têmpora poder transferir meus pensamentos para quem eu quiser, e tão pouco a ponto de forçar jovens como eu a um casamento que eles não desejam?”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
Além disso, essa antologia aborda diversas perspectivas das relações familiares.
“Meu irmão me mostra que a vida ensina muito mais do que qualquer sala de aula”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Penso no meu pai. No homem que eu nunca conheci. No espaço vazio que permaneceu em mim até que minha mãe conhecesse Sandro e ele me ajudasse a fechar aos poucos”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Tudo o que importa é que eu ganhei uma avó. E eu sinto que as lacunas que eu sentia haver na minha história agora estão perfeitamente preenchidas”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Ele queria ser mais presente na sua vida, mas tinha um trabalho a fazer”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
E, sem dúvidas, fala muito sobre amor.
“No fim, acho que sentir falta de Drika foi o que mais nos uniu”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
“Amar alguém é uma coisa engraçada, só de vê-lo já me sinto melhor, segura e mais feliz”
Insubmissos, Incurvados, Inquebráveis — Tay Alvez
“O que lhes faltava em dinheiro, sobrava em amor e isso sempre foi tudo de que preciso”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Me incomoda você ter passado tanto tempo achando que isso me impediria de me apaixonar por você”
O peso da coroa — Laura Machado
“Eu já quis te dar todas as chances do mundo e achava que você nem me enxergava”
Adoro um amor inventado — Lyli Lua
Outra coisa que eu adoro encontrar nas histórias que leio e que aparece ao longo desta obra é o peso das palavras que dizemos.
“Palavras têm poder, e tronos já caíram por menos”
O peso da coroa — Laura Machado
“Eu talvez tivesse esperado ouvir algo assim a minha vida inteira”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“— A gente já perdeu tempo demais com medo, entalando palavras na garganta, você não acha?”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
E consequentemente, como já deu para perceber, o peso dos silêncios que optamos por fazer também.
“As palavras que eu não falo ainda estão presas na minha garganta”
Se não a coroa cai — Maria Freitas
“Olho nos seus olhos e naquele momento percebo que há muito mais do que uma coroa em questão, mas também sei que não devo me meter nesse assunto”
Não pedi pra ser princesa — Letícia Rosa
“Na verdade, ela se isolou completamente, do mundo e de mim”
Adoro um amor inventado — Lyli Lua
Aliás, há diversas passagens que revelam alguma angústia ou dor, tornando os personagens ainda mais reais.
“Pela primeira vez o mar de seu lar não foi o suficiente para aliviar o aperto em seu coração”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“Eu odiava ser vista como coitada. Não aceitava ser definida por essas coisas que aconteceram comigo. Meus traumas nunca seriam maiores do que eu”
Paixão de Ori — Camila Cerdeira
“Era apenas uma moeda, cinco míseros centavos, mas pesava uma tonelada em meu peito que me impedia de olhar para qualquer outro lugar”
O peso da coroa — Laura Machado
Por fim, um trechinho para nos lembrar de sempre fazer o nosso melhor, mesmo que ele pareça pouco (porque se é o seu melhor, nunca é pouco!):
“Era tudo que eu tinha, e faria o melhor que podia”
Título: Os sete maridos de Evelyn Hugo
Original: The seven husbands of Evelyn Hugo
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Ano: 2019
Tradutor: Alexandre Boide
Difícil imaginar alguém que não conheça Os sete maridos de Evelyn Hugo, mas se você ainda faz parte desse grupo, não sabe o que está perdendo (mas pode descobrir agora)! Está certo que eu também estaria se não tivesse ganhado esse livro de presente, contudo, felizmente ganhei, passei ele na frente de outros que estavam parados na estante e agora posso contar um pouco do surto que foi essa leitura.
“‘Você entendeu o que estou dizendo? Quando surge uma oportunidade para mudar sua vida, esteja pronta para fazer o que for preciso. O mundo não dá nada de graça para ninguém, só tira de você’”
Como se pode imaginar, Evelyn Hugo é a protagonista desta história. E ela não é qualquer pessoa, mas uma lendária estrela Hollywoodiana que já encontra-se aposentada, mas ainda vivendo às custas de todo o brilho do auge de sua conturbada carreira.
“A verdade é que os elogios são como um vício. Quando a pessoa se acostuma a ouvir, precisa de cada vez mais só para se manter equilibrada”
Este livro, porém, não é apenas a fútil história de uma mulher que fez tudo o que pôde para alcançar o que queria. A verdade é que a narrativa aqui vai justamente no caminho contrário: a todo momento Evelyn Hugo busca deixar claro que não é uma boa pessoa e que não há motivos para admirá-la incondicionalmente, mesmo que ela não se arrependa dos caminhos que traçou.
“‘Eu não sou uma pessoa boa, Monique. Mostre isso claramente no livro. Não tenho a menor intenção de dizer que sou boa. Fiz uma porção de coisas que magoaram muita gente, e faria de novo se fosse necessário’”
Por meio desta história, portanto, podemos conhecer muitas facetas do estrelato, principalmente os seus bastidores e as pessoas reais que os constroem. Coisas que hoje até temos mais acesso, se quisermos, mas que, ainda assim, muitas vezes passam desapercebidas.
“Mas, agindo como eu tinha me treinado a fazer muito tempo antes, fingi que estava absolutamente tranquila, como se ser tratada como um animal de zoológico fosse a coisa mais agradável do mundo”
Porém, uma coisa é real: antes de ler essa obra eu via muita gente dizendo “não é possível que Evelyn Hugo não exista de verdade” e é essa a sensação que fica: como pode tudo isso ser fruto da talentosa imaginação de uma escritora? A riqueza de detalhes e sentimentos nessa história é impressionante. Tudo bem, há sim inspiração em atrizes e fatos reais, mas ainda assim é uma impressionante história inventada.
“As lágrimas caíram quando não tinha ninguém por perto para ver”
Aliás, Os sete maridos de Evelyn Hugo tem muito a ensinar sobre técnicas de narrativa. Logo de cara, por exemplo, já me impressionei com uma coisa: a forma que a autora introduz a protagonista. Ela poderia começar de maneira meio jogada — como tantas vezes vemos —, o que retardaria um pouco nossa imersão na história, mas optou por fazer isso através de um recorte de um jornal de fofocas, o que também já nos ambienta à história como um todo, colocando data de publicação, bem como características da personagem.
“Você imagina um mundo em que vocês duas possam sair para jantar juntas num sábado à noite sem que ninguém as julgue. Dá até vontade de chorar — desejar tanto uma coisa tão simples, tão pequena”
Essas notícias aparecem em diversos momentos do livro, nos situando melhor na linha temporal da narrativa, além de acrescentar informações que não poderiam ser apresentadas de outra forma.
“Eu a estava cutucando em busca de informações que podiam partir meu coração, uma falha inerente à condição humana”
Além desses recortes, a narrativa é construída a partir de dois grandes pontos: a Evelyn Hugo em seus últimos dias de vida, que decide contratar uma jornalista — mas uma específica — para escrever sua biografia e, por outro lado, a construção da tal biografia, por meio das histórias contadas pela própria Evelyn para Monique, a tal jornalista escolhida.
“‘Passei muito tempo da vida me dedicando a… maquiar a verdade’, ela explica. ‘Fica difícil retirar todas as camadas depois’”
É difícil dizer o que nos prende a essa história, pois são muitos pontos de reviravolta e mistério. Queremos saber quem são (e por que são) os sete maridos de Evelyn Hugo; quem é o seu verdadeiro amor (pergunta posta logo no início da história e cuja resposta revelada antes do que esperamos) e porque Monique Grant tem de ser a jornalista que escreverá a verdadeira história de Evelyn Hugo.
“Ninguém é apenas bom ou apenas ruim. Eu sei disso, claro. Tive que aprender isso bem cedo. Mas às vezes é fácil esquecer uma verdade como essa. E que ela se aplica a todo mundo”
Outro ponto que torna essa obra tão incrível e especial é a representatividade que ela carrega. Neste ponto, porém, é fácil odiar Evelyn Hugo por sua covardia, ainda que ela não estivesse protegendo apenas a si mesma quando escolheu certos caminhos. Mesmo assim, que dá um raiva, dá…
“As pessoas não são muito solidárias e acolhedoras com uma mulher que põe a própria carreira em primeiro lugar”
Os sete maridos de Evelyn Hugo não fala somente sobre a posição da mulher numa sociedade machista, mas também numa sociedade homofóbica e retrógrada (que, infelizmente, não se restringe a décadas atrás, mas se estende até os dias de hoje).
“Nunca vou esquecer a manhã seguinte à revolta de Stonewall”
Definitivamente, essa obra consegue reunir muitos elementos capazes de nos deixar totalmente imersos nela: representatividade, críticas e uma dose de fofoca, do jeito que a gente gosta (e garanto, mesmo que você ache que não, é difícil não querer saber o que vem a seguir).
“Talvez eu esteja indo longe demais nas observações, mas essa foto me faz começar a pensar que existe um padrão: Evelyn sempre deixa as pessoas querendo ver um pouco mais. E nunca permite”
Há sempre um mistério pronto para nos deixar intrigados e nos fazer devorar as páginas desta história até o final. E, felizmente, nenhuma ponta fica solta, então vale realmente a leitura!
Há exatamente um ano escrevi um post que teve uma repercussão muito gostosa por aqui: as pessoas ainda leem blogs?
Foi um post que eu quis muito escrever e que ficou ecoando em mim ao longo de 2021. Um espaço no qual compartilhei um pouco da minha experiência por aqui, bem como alguns dados que — para a minha alegria — melhoraram ainda mais durante o ano.
Agora que um novo ano se inicia — aliás, feliz 2022! — eu volto com uma pergunta: vale a pena acompanhar blogs?
Antes de respondê-la, porém, explico de onde veio essa questão. Eu estava no Twitter e me deparei com a seguinte afirmação: Meu sonho de princesa é voltar a encontrar coisas em texto. Não quero vídeo prolixo do YouTube. Não quero dancinha de tik tok. Não quero gente apontando coisa na tela no Instagram. Quero ler. Quero texto. Quero palavras escritas.
O que eu pensei na hora? Vem para os blogs! Porque sim, eles ainda existem e se a gente procurar bem, pode encontrar de tudo um pouco nesse universo.
Mas vale a pena?
Bom, se você é como a pessoa do tweet que eu mencionei, ou se você é como eu, com certeza vale a pena, né? Porque nos blogs, ao menos naqueles como este meu espaço, o que você encontra é justamente… Texto!
Mas, mais do que apenas dizer que vale a pena ler blogs (caso seja isso que você goste), eu gostaria de iniciar este ano indicando algumas páginas que eu adoro acompanhar. E não são apenas páginas sobre livros! Se liga:
Sim, eu sei que faz um tempinho que esse não é atualizado. Mas o blog da Nati sempre será o meu favorito no mundo, então ele não poderia ficar de fora dessa lista. É um blog sobre literatura, mas não só. Os textos falam muito sobre a Nati, os livros e a mistura única que isso gera.
Outro blog que eu provavelmente já mencionei por aqui e que não poderia ficar de fora dessa lista. O nome já é bem autoexplicativo, mas também tem muitos outros conteúdos que valem a pena ser conferidos ali, inclusive sobre a vida de freelancer, o que ajuda muito quem está entrando nesse mundo.
Se você quer aprender e ler sobre algo que cotidianamente não lê, esse blog é para você. Acho que é o mais diferente dos que eu acompanho, com temas sobre tecnologia, segurança, sistemas… Aprendo um monte lendo esse.
Esse é meu xodozinho! Já gostava de ler os textos do Pedro, mas aí ele resolveu montar um super time de escritores e é incrível poder acompanhar esses escritos tão variados.
Quer me ver feliz? Espera eu saber que tem texto novo nesse blog! Adoro o jeito que a Dina conta sobre as coisas da vida e as experiências dela. E olha que, aparentemente, ela já teve muitas!
Juro que não é só pelo nome, mas eu realmente estou adorando acompanhar a retomada da Tati! Textos simples, mas que são sempre gostosos de ler, cheios de conteúdo e nos deixando com vontade de sempre interagir. Ela arrasa!
Outro blog que compartilha experiências diversas e reais é o do Julio e eu adoro os textos dele. Como ele não é formado na área de humanas, também tem um conteúdo diferente do que estou habituada a ler e aprendo muito com isso. Por esses motivos, mesmo que ele ande meio sumido e em dúvida com relação aos rumos do blog, eu não poderia deixar de mencioná-lo.
Mais um título que diz muito sobre o blog em si. Neste espaço, a Amanda compartilha pensamentos, angústias, conquistas e leituras. Textos que são como abraços ou que nos dão vontade de abraçá-la.
Semanalmente eu aguardo ansiosamente as crônicas do Antonio Carlos. Ele é um mestre nesse gênero literário e mesmo depois de um bom tempo acompanhando seus escritos, continuo boquiaberta com o tanto de coisa boa que aparece por ali.
Tá achando que eu só acompanho blogs de literatura e escritos? Pois você se engana redondamente! Neste aqui a Yuka compartilha sobre a sua jornada para se tornar FIRE, além de falar sobre minimalismo e autoconhecimento. Muito aprendizado em ótimos posts.
Eu também acompanho assiduamente (e salvo várias dicas) o blog da Dayane, que fala sobre cosméticos e esmaltação como ninguém. Sério, um dos melhores blogs sobre o assunto que já encontrei.
E você, que blog acompanha e recomenda para todo mundo?
Agora sim… Último post de 2021! E, para esse momento, resolvi trazer uma TAG bem bacana que vi no perfil @priscila_minhaleitura. Além disso, pretendo, ao final, falar sobre minhas demais leituras e minha “meta literária” deste ano.
Um nacional que te fez rir
O conto Pra não fazer desfeita, da Andrea Romão, para o projeto Meu Brasil é assim (Duplo Sentido Editorial).
Um nacional que despedaçou seu coração
Não tem jeito, vai ter que ser Proibida pra mim, da Tayana Alvez.
Um nacional que te fez sentir como se fosse da família
Puts, essa é difícil, porque foi mais de um, mas vamos de menção honrosa para O som no fim do túnel, da N. R. Melo.
Um nacional que quer ler
Outra lista imensa aqui… Mas vou mencionar Mônica e Enzo todos os dias, da Denise Flaibam, que chegou aqui em casa esses dias.
Acho que eu poderia responder essa TAG mil vezes e colocar livros diversos a cada vez. Tentei, inclusive, colocar aí em cima livros que não aparecem na lista daqui debaixo, para trazer ainda mais boas lembranças para este post.
Eu não costumo fazer metas literárias para o ano. Aliás, nem mesmo para o mês: gosto de escolher minha próxima leitura no momento de iniciá-la, assim consigo pegar algo que eu realmente esteja com vontade de ler naquele momento.
Este ano, porém, eu havia estabelecido uma “meta” que consistia em ler, a cada mês, ao menos um livro físico, um ebook e um conto. A ideia era tentar desencalhar um pouco minhas leituras…
Bom, pode parecer muita coisa, mas conhecendo meu ritmo de leitura, sabia que não era uma meta muito surreal e, apesar de tudo (isto é, de dias e dias que não consegui ler nada, mesmo querendo), eu realmente atingi essa meta (exceto em novembro!).
O único “porém” dessa história é que eu não desencalhei quase nada, porque sempre surgia um ebook ou mesmo um livro físico novo e aqueles que estavam parados continuavam parados… Mas pelo menos eu não acumulei ainda mais coisa não lida! (risos nervosos).
Em alguns meses, eu conseguia ler para além dessa minha “meta”, mas vou colocar aqui embaixo apenas os livros que contabilizei nela. De qualquer forma, tudo o que li esse ano já foi resenhado, exceto os livros de dezembro que logo estarão por aqui também. Clicando nos títulos abaixo você irá acessar a minha resenha.
2022 promete ser um ano bem diferente para mim, então eu realmente não vou estabelecer meta nenhuma, a não ser tentar comprar ainda menos livros e ebooks (mas não prometo nada…).
Muito obrigada por ter lido esse post e por ter acompanhado ou chegado a este espaço! Que o próximo ano traga muitas coisas boas e, claro, muitas leituras inesquecíveis! Nos vemos em 2022!