Quando eu descobri o que era ser eu — Alanys Aleixo

Título: Quando eu descobri o que era ser eu 
Autora: Alanys Aleixo 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 27 
Ano: 2021

Existem histórias curtas que nos abraçam e nos fazem pensar, mesmo que em sua pequena finitude.

“A sensação de questionar a própria existência é de estar sempre abraçada com alguém que, ao mesmo tempo que te diz (de forma extremamente vaga e confusa) o que fazer, te direciona palavras de amor e ódio e te faz sentir medo”

Em Quando eu descobri o que era ser eu, somos apresentados a Agatha Magalhães, uma jovem que, apesar de ser super fã de romances, nunca se apaixonou de verdade por alguém.

“Agatha Magalhães sempre foi tão influenciável que deixaria que os outros decidissem seus sentimentos sobre o amor”

Para ela isso não era exatamente um problema, mas atire a primeira pedra quem nunca se sentiu pressionado por ainda não ter beijado ou por ainda não ter se apaixonado e sentido tudo o que as amigas descreviam sentir. 

“Eu só queria tanto gostar de alguém, como todo mundo fazia, que criava os sentimentos dentro de mim como criava nos personagens das minhas histórias”

Com a reclusão imposta pela pandemia, porém, Agatha começa a refletir ainda mais sobre todas essas questões, até que resolve pesquisar a fundo sobre seus sentimentos, para tentar se entender.

Esta é uma história que vai nos fazer pensar sobre todos os espectros e aspectos da sexualidade e daquilo que sentimos dentro de nós.

Por meio da narrativa construída por Alanys, podemos enxergar um pouquinho mais sobre arromanticidade e assexualidade que, mesmo com a quantidade sem fim de informações que temos hoje, ainda parecem ficar escondidos nas profundezas das discussões sobre o tema.

Mesmo que não traga muitas novidades sobre o tema para quem minimamente já pesquisou sobre ele, é sempre interessante acompanhar a trajetória de alguém que está se descobrindo e descobrindo como se relaciona com o mundo (e melhor ainda é perceber como essa relação é sempre única).

Se a história te interessou, clique abaixo para saber mais. E se quiser conhecer a autora e seus trabalhos, não deixe de segui-la em suas redes sociais (Site | Twitter). 

TAG: Leitor eclético

Faz um bom tempo que não trago uma TAG literária aqui, então resolvi escolher essa, que vi, ano passado, no blog Leitor dos Sonhos, mas que foi criada, segundo consta no post, pelo canal Palavras Radioativas.

Sempre que eu bato o olho em TAG’s acho que terei dificuldade em respondê-las, mas, apesar de amar romances, o título dessa me atraiu bastante, pois me considero um pouco eclética em tudo na vida.

Vamos ao que interessa?

Favoritos: livros completamente diferentes, mas favoritados mesmo assim.

Ok, já comecei com dificuldade de escolher, porque eu realmente tenho uns gostos meio doidos, mas, a título de exemplificação, vamos pegar “Extraordinário” (R. J. Palacio) — uma ficção infantojuvenil — e “Sobre a escrita” (Stephen King) — um livro “teórico”.

Do clássico à “bagaceira”: um livro aclamado e outro nem tanto assim.

Eu ri do título dessa parte, mas também preciso dizer que “bagaceira” é sacanagem e que o escolhido aqui foi levando em consideração o “livro não tão aclamado assim”. Bom, de livro bem conhecido e que gostei bastante temos “Os sete maridos de Evelyn Hugo” (Taylor Jenkins Reid) e um livro que acho que não é tão famoso assim, mas que poderia e deveria ser, temos “À deriva” (Fernando Ferrone).

Leio de tudo, mas esse tem mais: o gênero literário que predomina na sua estante.

Ok, essa eu já tinha respondido na introdução desse post, né? Romances (no sentido de histórias de amor), sem dúvidas. Daqueles bem água com açúcar mesmo. Buscando nos livros aquilo que só existe neles mesmo.

Amo e odeio: um livro queridinho, mas que tem alguma característica que, para você, foi desagradável.

Esse achei difícil. Mas como apaixonada também por livros sobre o Holocausto, acho que não posso deixar de menciona-los, né? Afinal, gosto muito desse tipo de literatura, mas não posso dizer que ela seja exatamente bonita, certo? E, claro, é incômodo (mas necessário) ler sobre o tema. Então, como menção de honra aqui, vou de “Se questo è un uomo” (Primo Levi)

A TBR da farofa: a meta literária do leitor eclético. Suas próximas leituras de livros diferentes.

Alguns livros que quero ler ainda esse ano (e desencalhar da estante) são:

Juro que isso é só uma parte… Eu que lute, né!? Obviamente não conseguirei, mas fica aí a vontade de ler tudo e mais um pouco.

Se algum título chamou a sua atenção, basta clicar sobre o nome dele para saber mais. Ou então deixe um comentário, adorarei falar sobre eles!

Quais seriam as suas escolhas?

L’Amica Geniale — Elena Ferrante

Título: L’amica geniale - volume primo 
Autora: Elena Ferrante 
Editora: Edizioni E/O 
Páginas: 327 
Ano: 2011 
Título em português: A amiga genial

Finalmente chegou o meu momento de ler a aclamada autora italiana Elena Ferrante (que ninguém sabe exatamente quem é, mas que faz muito sucesso mesmo assim). E não posso deixar de agradecer à minha prima, que, mesmo sem saber, realizou o meu desejo de ler a obra no original.

Apesar de toda a expectativa (foram anos esperando por esse momento), comecei a leitura com dois pés atrás, porque justamente quando peguei o livro para ler, vi mais de uma pessoa relatando que não conseguiu seguir adiante na leitura.

“Experimentei uma sensação que, depois, na minha vida, repetiu-se muitas vezes: a alegria do novo”

Felizmente, fui até o final do primeiro volume desta tetralogia (série de quatro livros) e posso dizer que entendo quem achou o livro chato. Até certo ponto ele realmente é e já vou comentar sobre isso. Mas o livro também é ótimo, e espero conseguir deixar isso igualmente claro, mesmo sem saber muito bem por onde começar a falar tudo o que tenho para falar.

A amiga genial está dividido em duas partes (além do prólogo) e a primeira delas, a infância, é bem arrastada. Para se ter uma ideia, são quase 60 páginas relatando praticamente um único episódio, alternando com um ou outro evento que enriquece a descrição e o detalhamento deste primeiro.

Apesar da monotonia desta primeira parte do livro, ela é necessária para que possamos conhecer os personagens (e são muitos, viu! Tanto é que, no começo do livro, tem um índice dos personagens) e o cenário desta história: uma cidadezinha na periferia de Nápoles, que, por si só, também já é um espaço italiano um tanto quanto complicado, principalmente à época (anos 50).

“Vivíamos em um mundo no qual as crianças e os adultos se feriam com frequência, das feridas saía sangue, que supurava e, às vezes, elas morriam”

A obra é narrada por Elena Greco, mais conhecida por Lenù ou Lenuccia. Passada a parte da infância, é muito interessante acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento, ao mesmo tempo que é bem doloroso.

“Talvez eu não seja assim tão feia, pensei, talvez eu só não saiba me enxergar”

Gostei bastante da forma como termina a parte da infância e como, na parte da adolescência, a narrativa foi ficando mais dinâmica e envolvente até que, quando me dei conta, eu só queria saber o que viria a seguir e acompanhar cada passo da Lenù (e, consequentemente, da Lila).

“Quando desapareceu, pareceu que havia sumido a única pessoa em toda a sala capaz de me arrancar dali”

Apesar de Lenù ser a narradora e de ser os seus caminhos que acompanhamos, há outra personagem que ganha destaque nessa história e que é quase tão ou mais protagonista que Lenù: Lila (ou Lina para todos os outros e Raffaella Cerullo como nome de batismo).

“Lila era demais para qualquer um”

A relação dessas duas é uma coisa de doido. Fiquei quase o livro inteiro gritando (na minha cabeça) que a Lila é extremamente tóxica para, no final das contas, até entender o que elas viviam.

“Decidi que eu deveria me inspirar naquela menina, jamais perdê-la de vista, mesmo que ela se irritasse e me expulsasse de perto”

Ler essa narrativa é mergulhar em um cenário italiano complexo: os diálogos são, em sua maioria, em dialeto, nos lembrando deste importante traço cultural. Além disso, ao longo da narrativa, somos apresentados à pobreza, a abusos, ao medo, à violência. Uma Itália muito diferente daquela romantizada em tantas outras histórias.

“Nápoles, de acordo com ele, sempre foi assim: se corta, se parte e depois se recompõe, e o dinheiro corre e cria dificuldades”.

Apesar desta ser uma história difícil, com passagens realmente dolorosas e sensíveis (sim, há gatilhos), ela não deixa de ser bonita, de carregar muitos sonhos, principalmente de uma mudança de vida. Aliás, esta é uma história que se passa em Nápoles, nos anos 50, mas que poderia muito bem se passar no Brasil, em pleno 2022.

“A riqueza, naquele último ano do ensino fundamental, se tornou uma ideia fixa para nós”.

Lenù e Lila são muito diferentes e, ao mesmo tempo, têm tanto em comum. Ao longo das páginas deste livro, vamos justamente unindo os retalhos da colcha que forma suas vidas, encontrando as mesmas cores em alguns pontos e cores opostas, mas complementares, em outros.

A narrativa é realmente tão boa que o livro virou série, em 2018, na HBO. Dizem que ela é bem fiel ao livro, então se você prefere produções audiovisuais, fica a dica para conhecer essa história.

Enquanto isso, eu, como leitora, fui de “socorro, que leitura arrastada”, no início, para “ok, preciso demais dos outros volumes desta tetralogia”. Agora entendo o sucesso desse livro e entro para o time dos que recomendam. Então, se tiver gostado, não deixe de clicar no livro ali embaixo para saber mais.

Como sempre faço quando leio livros em italiano, os trechos inseridos ao longo da resenha foram traduzidos por mim e agora trago os originais, na ordem em que apareceram aqui no post.

“Provai una sensazione che poi nella mia vita s’è ripetuta spesso: la gioia del nuovo”

“Vivevamo in un mondo in cui bambini e adulti si ferivano spesso, dalle ferite usciva il sangue, veniva la suppurazione e a volte morivano”

“Forse non sono così brutta, pensai, forse sono io che non so vedermi”

“Quando sparì mi sembrò che fosse sparita l’unica persona in tutta la sala che aveva l’energia per trascinarmi via”

“Lila era troppo per chiunque”

“Decisi che dovevo regolarmi su quella bambina, non perderla mai di vista, anche se si fosse infastidita e mi avesse scacciata”

“Napoli, secondo lui, era così da sempre: si taglia, si spacca e poi si rifà, e i soldi corrono e si crea fatica”

“La ricchezza, in quell’ultimo anno delle elementari, diventò un nostro chiodo fisso”

Citações #55 — O segredo de Susan

Espero que não seja segredo para ninguém, mas caso ainda seja, aqui vai uma revelação: sou apaixonada pela escrita do Maicon Moura.

E por falar em segredos, hoje trago mais alguns quotes de O segredo de Susan, uma obra que nos envolve e nos faz pensar sobre os diversos temas (difíceis) que ela aborda.

“Marcas quase esquecidas de uma violência sem razão”

Dentre eles, podemos mencionar a questão da confiança e da verdade.

“Confiança só existe uma vez. Ter a confiança de alguém é muito importante. Bom, apenas se essa pessoa não tiver te sequestrado por tanto tempo”

“O mundo quer enganar você. E que você engane de volta. Ele quer que você entenda que está tudo bem, ele quer que você sorria enquanto a televisão te mostra um corpo de uma mulher num beco”

As marcas de um doloroso e obscuro passado (vivido pela protagonista e ignorado por todos).

“Os hematomas em seu braço mostram que o escuro ainda caminha com ela”

“Linhas brancas, acima dos meus joelhos, mostram que em algum momento eu não fui feliz”

“Nesse escuro eu me sentia salva”

Um livro que fala, em suma, sobre as complexidades da vida de uma maneira diferente daquela que podemos estar acostumados.

“Foi nesse momento que eu entendi que existem dois mundos”

“Com onze anos, eu não quero me preocupar com o futuro”

E sobre a passagem do tempo, por mais intrincada que ela possa ser na própria narrativa apresentada.

“Temos todo o tempo do mundo para corrigir nossos erros.

“Só que o tempo, ele pode ajudar de alguma maneira e muitas vezes melhorar isso”

O segredo de Susan é uma leitura que nos deixa de boca aberta e cabeça fervilhando. Se quiser conferir a resenha, clique aqui. Para acessar o ebook (disponível também no Kindle Unlimited), basta clicar abaixo. E não deixe de acompanhar o trabalho do Maicon em suas redes sociais (Instagram | Linkedin).

Amor — Cláudia Zambrana

Título: Amor: sempre foi você 
Autora: Cláudia Zambrana 
Editora: Crazyforhotbooks (organização) 
Páginas: 22 
Ano: 2021 

Resenhar histórias curtas é sempre um desafio. E ele se torna ainda maior quando a sinopse já diz tanto (e tão bem) do que gostaríamos de dizer:

“Este não é um conto de amor qualquer, com paixão, encontros e submissão, mas sim uma história que traz todos os sentimentos que uma vida solitária e incrédula quanto ao amor pode ter”

Sim, como o próprio título já nos indica, Amor fala sobre esse sentimento, mas de uma maneira dolorosa como só a perda pode ser.

“Inacreditável como as pessoas querem que eu esqueça aquilo que é inesquecível”

Nas poucas páginas desta história conhecemos Mirla, uma daquelas jovens que, depois de tantas desilusões, já não consegue mais acreditar no amor. Até que, claro, ela tropeça nele quando menos espera (e em uma situação para lá de improvável para o surgimento desse sentimento).

“Nunca pensei que pudesse sentir por alguém o que senti por você: simplesmente amor”

Como toda mulher desacreditada, porém, Mirla demora a aceitar esse sentimento e, depois, isso irá lhe custar um arrependimento irremediável.

“Se eu soubesse que te perderia tão cedo, eu não teria demorado tanto para tomar uma atitude, eu teria sido menos covarde com meus sentimentos”

Mesmo sendo uma leitura rápida, Amor nos marca e nos faz refletir. Entre uma lágrima e outra, a história também nos lembra de que a vida foi feita para ser vivida e sentida e que se quisermos honrar a quem amamos, devemos aproveità-la ao máximo. 

Se esta história é para você, clique abaixo para ler. Se estiver em busca de algo mais leve (ou uma leitura mais longa), porém, recomendo 24h adolescente e às vezes apaixonada, também da Cláudia Zambrana. E não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (Instagram) para ficar por dentro de todos os seus lançamentos.

Noites Brancas — Gabriela Lopes de Azevedo

Título: Noites Brancas 
Autora: Gabriela Lopes de Azevedo 
Editora: Urutau 
Páginas: 96 
Ano: 2021

Fazia um tempinho que eu não trazia resenha de uma coletânea poética por aqui e fico feliz em voltar com a obra da autora Gabriela Lopes de Azevedo, que já tive a sorte de conhecer.

Pelo título podemos perceber que esse livro trabalha com muita intertextualidade: Noites Brancas é também o nome de um romance de Fiódor Dostoiévski, mas as referências não acabam por aí (e eu provavelmente não consegui pegar nem metade delas, porque essa obra realmente traz muita cultura).

“A gente ficou sem tocar

aquela música”

O livro, com uma bela edição e páginas bem confortáveis para se ler, é dividido em cinco partes:

1. Flânerie noturna

2. Modern Love

3. Casa

4. Noites Brancas

5. Noites Brancas, madrugadas selvagens

Esses subtítulos também já denunciam algo do que encontraremos ao longo dos versos e o que mais gostei nesta obra foi a presença da cidade em meio às palavras.

“A poesia superou 

o cânone

o livro

o mercado editorial”

Noites Brancas é uma obra recheada de sentimentos, ora trazendo melancolia, ora despertando suspiros. E sempre nos fazendo refletir e absorver o que vem e o que foi lido. 

Os versos nos fazem enxergar uma narrativa. Não apenas a narrativa de um personagem qualquer, mas a história de alguém que viveu, amou, estudou e se cercou de pessoas, momentos, acontecimentos.

É engraçada essa sensação, porque não há exatamente um personagem neste livro e, provavelmente, as poesias foram escritas em momentos diversos da vida da autora, mas a forma como elas foram reunidas nos dão essa sensação que nos prende à obra.

Se você acredita que este livro é para você — e dificilmente ele não será pois, como um bom livro de poesias, ele pode ser apreciado aos poucos e, ainda assim, será uma leitura rápida — não deixe de garantir o seu exemplar no site da editora Urutau, ou então de entrar em contato com a autora (Instagram).

Mais uma vez — Renato Russo

Apesar deste ser um blog majoritariamente de resenhas, um dos posts mais lidos por aqui, desde que foi postado, é o de Enquanto houver sol (Titãs).

Faz um tempo, porém, que, no mesmo estilo, sinto vontade de escrever sobre Mais uma vez, uma música que também me lembra de ter esperança, ao mesmo tempo em que me deixa pensativa.

Lançada em 1987, no álbum Sete, a música ainda é muito atual e pode despertar grande identificação.

Isso porque a letra já começa falando que os dias bons voltam, por mais difíceis ou doloridos que tenham sido os anteriores ou que venham a ser alguns futuros (“Mas é claro que o sol / Vai voltar amanhã / Mais uma vez, eu sei / Escuridão já vi pior / De endoidecer gente sã“).

Logo em seguida a letra nos faz pensar sobre quem está ao nosso redor. Nos instiga a avaliar se realmente estamos cercados de pessoas que querem o nosso bem ou se temos pessoas conosco que não vibram por e com nós (“Tem gente que está do mesmo lado que você / Mas deveria estar do lado de lá / Tem gente que machuca os outros / Tem gente que não sabe amar / Tem gente enganando a gente/ Veja a nossa vida como está”).

Mais uma vez ainda toca num ponto que, para mim, é essencial: a confiança. E passa uma mensagem que, muitas vezes, ignoramos: devemos confiar sobretudo em nós mesmos (“Se você quiser alguém em quem confiar / Confie em si mesmo / Quem acredita sempre alcança“).

Confiar em si só é possível quando você se conhece bem e sabe entender seus sentimentos, suas necessidades. Quando você consegue acreditar nos seus instintos e confiar que sabe o que é melhor para si.

Por falar nisso, essa música ainda fala sobre ouvirmos e valorizarmos os nosso sonhos, pois apenas nós mesmos podemos saber o melhor para nós. Se você tem um sonho, lute por ele, mesmo que te digam o contrário e saiba que muita gente dirá o contrário! (“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena / Acreditar no sonho que se tem / Ou que os seus planos nunca vão dar certo / Ou que você nunca vai ser alguém“).

As pessoas têm muita facilidade em apontar dedos, criticar nossas escolhas. Mas se soubermos o que pode nos fazer bem, também poderemos escolher com quem queremos estar e quem vai realmente nos apoiar em nossas escolhas. 

Mais uma vez, portanto, é uma música realmente forte, com mensagens importantes em suas linhas e entrelinhas. Deixo abaixo a letra completa e o áudio, para quem quiser ler, ouvir e me contar o que acha dessa música.

Mas é claro que o sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você

Mas deveria estar do lado de lá

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Tem gente enganando a gente

Veja a nossa vida como está

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o sol já vem

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena

Acreditar no sonho que se tem

Ou que os seus planos nunca vão dar certo

Ou que você nunca vai ser alguém

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

O lado extraordinário da falta — Ana Hantt e Josie Baron

Título: O lado extraordinário da falta 
Autoras: Ana Hantt e Josie Baron 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 184 
Ano: 2020

Logo de cara, o que chama a atenção nesse livro é o título: O lado extraordinário da falta.

“Afinal, o ‘felizes para sempre’ poderia ser diferente em cada história”

Na vida, podemos sentir um vazio por diversos motivos e, aos poucos, é isto que esse livro vai nos mostrando, mesmo que nem sempre tão diretamente.

“Mas, aí, ela me falou sobre todas as novas possibilidades que as perdas iriam me proporcionar. Assim que meu coração estivesse forte o suficiente para entender o que acontecera, eu iria procurar por novas aventuras, me arriscar, descobrir caminhos que não consideraria se fosse de outro modo”

O começo pode ser um pouco confuso, porque a história alterna entre as duas protagonistas e, até que nos acostumemos com ambas, as coisas podem ficar um pouco perdidas.

“— Meu nome é Jackie.

— Meu nome é Elena.

E aquele foi o momento em que suas vidas mudaram para sempre”

Aliás, Jackie e Elena, as tais protagonistas, tinham tudo para jamais cruzarem o caminho uma da outra, mas o destino quis que não apenas elas se encontrassem, mas que virassem amigas. Praticamente a única amiga uma da outra. 

“Tenho que saber que consigo fazer as coisas sozinha, que não preciso contar com ninguém”

A vida de Jackeline Foster é marcada por episódios difíceis desde cedo. A perda, ali, parece natural (mas não deveria).

“Ela já não queria ser a princesa de Niagara Falls. O reino perdera o encanto”

Elena Whitehill, por outro lado, deveria ter tudo. Mas ela não necessariamente quer tudo o que tem e, para buscar seus verdadeiros desejos, terá de abdicar de muita coisa.

“Vai cursar o seu semestre na Itália, Elena. Você não pode viver uma vida que não é sua. Eu não posso viver uma vida que não é minha. Nós vamos dar um jeito de fazer a nossa mãe entender isso”

A história dessas duas se cruza, ainda, com a de muitas outras pessoas, principalmente suas próprias famílias e o fardo que elas trazem à vivência dessas jovens.

“Ela sabia que, depois de uma vida inteira de mudanças constantes, tudo o que Daniel queria era um lugar para pertencer”

O lado extraordinário da falta é uma história (ou várias, se pararmos para analisar), portanto, que vai nos ensinando a lidar com as mudanças, com as perdas, com o deixar para trás para seguir em frente.

Quando comecei a ler, encontrei algo totalmente diferente do que eu esperava (o que eu esperava, afinal?) e demorei um pouco para me conectar à história, até que fui enredada pelo que poderia acontecer com as protagonistas e em que ponto a história delas se concluiria.

Sim, porque não posso dizer que a narrativa termina: são dores reais demais, acontecimentos palpáveis. Acompanhamos as meninas desde a infância até o início da vida adulta e só podemos esperar que o que acontece depois da última página seja o melhor para elas.

Se você quer (ou precisa) dar novos significados às suas perdas, recomendo a leitura de O lado extraordinário da falta, já alertando para os possíveis nós na garganta que essa história vai te dar. 

“Seu maior oponente vencera aquela batalha e técnica nenhuma ajudaria a aplacar a dor dessa perda”

Clique aqui embaixo para saber mais e não deixe de seguir as autoras nas redes sociais (Instagram).

Citações #54 — A filha primitiva

Um dos motivos pelos quais gosto de marcar e anotar trechos que me chamam a atenção nos livros que leio é que, através deles, posso relembrar a história, além de, em alguns casos, ter novos insights sobre a mesma.

Mas se tem uma coisa que não precisaria de trechos para lembrar, é da força que a narrativa de A filha primitiva, da autora Vanessa Passos, tem.

“A fome ensinava a ser criativa”

Uma histórias que vai direto e reto ao ponto e que toca em muitas feridas.

“Gente é assim, gosta mesmo é de rir das desgraças dos outros”

Uma narrativa sobre partos, não somente físicos, mas também mentais.

“Fico pensando que escrever é um parto infinito”

E, ainda, um texto que fala sobre paternidade e abandono, mas também sobre a história que nos é negada.

“A busca pelo meu pai e pela escrita caminhavam juntas”

A filha primitiva é também sobre vícios.

“Tinha esquecido que a bebida dá coragem pras pessoas”

Sobre humanidade e desumanidade (não sei se essa palavra existe, mas acho que dá para entender a ideia, né?).

“É fácil esquecer o erro de homem”

“Incrível como o ser humano gosta de se enganar”

Não se trata de uma leitura fácil, como os conteúdos já podem indicar, mas ela é necessária. Para saber mais, você pode ler minha resenha aqui e garantir o seu ebook clicando abaixo.

Madeleine Butchertz — Renata Mariotto

Título: Madeleine Butchertz
Autora: Renata Mariotto
Editora: Publicação independente
Páginas: 296
Ano: 2021

Madeleine Butchertz é um livro surreal e assustadoramente real, já que se utiliza de elementos de nossa realidade — como guerras, uma busca incessante por riquezas e poder e um vírus devastador —, além de trabalhar com realidades que ainda podem vir a nos atingir, com tecnologias avançadas que podem ser úteis para o bem e para o mal.

“Eles foram muito além, inexplicavelmente conseguiram criar um vírus para escravizar toda a humanidade sem prisões. Eles fizeram do próprio corpo humano uma prisão”

Por trabalhar com elementos da nossa realidade, porém, devo ressaltar que a história torna-se delicada, podendo nos levar a interpretações perigosas. Então enfatizo que, apesar das similaridades com alguns elementos de nossa vida, essa ainda é uma obra totalmente de ficção.

O título do livro é também o nome da protagonista, uma menina que se torna uma grande mulher, inspirada por seu pai — um importante pesquisador —, que ela perde ainda pequena.

“Nesta busca por compreender o inexorável, chegou à vida adulta. Decidiu então povoar o vazio com a medicina. A ciência médica e a capacidade de regenerar vidas através da cirurgia plástica começaram a trazer um novo sentido ao seu ser”

Mas toda a enredada trama não conta, claro, com apenas a figura de Madeleine e, para citar ao menos mais um personagem essencial à história, temos Aaron. Juntos, esses dois vão mover montanhas para salvar àqueles que puderem salvar.

“Aaron cresceu introspectivo, afastado do pai. Carter mantinha-se distante. O sofrimento pelo falecimento da esposa o tornou um homem de pouca afetuosidade, um pai presente em suas responsabilidades legais, porém, ao mesmo tempo contido ao demonstrar suas emoções”

Só que Madeleine dá nome ao livro não apenas por ser filha de um grande homem, mas porque ela, sozinha, é uma pessoa extremamente poderosa. E tem um poder que nem ela mesma conhece, mas que se mostrará extremamente precioso e necessário.

“Houve dias no início em que tive medo de mim mesma. Hoje tenho medo de não fazer o que devo, o que posso por tantos inocentes!”

O livro é permeado de ação e de uma dura luta do “bem” contra o “mal” ou, para melhor explicar, de humanos que só pensam em si e em riqueza contra humanos que enxergam uns aos outros.

“Não conseguia acreditar que existisse qualquer sentimento dentro de uma alma tão calculista, mas ali, naquele instante, ele transparecia humanidade”

Uma obra extremamente atual e que, mesmo que às vezes nos percamos um pouco nela, nos fará pensar e refletir sobre como temos vivido nossas vidas e deixado que o mundo siga se transformando, quase nunca para melhor.

“A doença propagava-se impiedosamente, fugindo de qualquer controle médico que a ciência pudesse almejar. A progressão da nova peste não seguia nenhum parâmetro previamente observado em outras pandemias na história da medicina. Os acometidos se debatiam em busca de ar, num sofrimento lento e letal, que avançava ceifando a vida de tantos”

E mesmo em meio ao caos e à ação constante, o amor também faz-se forte e presente nesta narrativa, trazendo mais algumas pitadas de fogo, mas também de calmaria, mostrando, uma vez mais, a força de tal sentimento, que não tem hora e nem lugar para acontecer.

“Ela jamais poderia compreender como o amor florescera diante do desespero e a ameaça de destruição de toda a humanidade como a conhecemos”

Para além da história, o que chama atenção nesta obra é o trabalho gráfico feito nele, com diversas fotos ilustrativas coloridas, coisa bem rara de encontrarmos em livros como esse, principalmente por se tratar de uma edição independente.

Se consegui te deixar com uma pulga atrás da orelha sobre como tudo isso que descrevi pode ser possível e ainda caber em um livro de menos de 300 páginas, você pode clicar abaixo para ler o ebook ou então comprar a edição física (e outros mimo) no site da autora. Aproveite para também segui-la nas redes sociais.