I verbi riflessivi

Mês passado eu falei sobre os verbos italianos regulares e apresentei a conjugação deles no tempo presente do indicativo. Se você perdeu, não deixe de conferir aqui. Aproveitando o tema, hoje quero falar sobre uma “categoria especial” de verbos: os verbos reflexivos.

O que é um verbo reflexivo?

Verbos reflexivos são aqueles que indicam que o sujeito da frase é quem realiza e “sofre” a ação ali expressa. Em termos um pouco mais técnicos, o sujeito e o complemento do verbo são os mesmos.

Muitos verbos “normais” possuem a sua forma reflexiva e, por vezes, ela acaba dando a ele uma nova nuance de significado. Por exemplo, em italiano, temos o verbo alzare (levantar) e o verbo alzarsi (levantar-se). Enquanto com o primeiro você pode levantar qualquer coisa de qualquer lugar, com o segundo você pode apenar levantar a si mesmo(a), sendo geralmente usado para dizer que você levantou da cama.

Existem, ainda, os verbos reflexivos recíprocos, em que a ação não é feita necessariamente em você mesmo, mas duas pessoas fazendo a mesma ação uma para a outra, como no caso de abbracciarsi (abraçar-se, que não necessariamente significa abraçar a si mesmo, mas sim uma pessoa abraçar outra reciprocamente).

Como conjugar um verbo reflexivo?

Apesar de, inicialmente, assustar, esse -si no final do verbo não atrapalha muito as nossas vidas. Ele nada mais é do que pronome reflexivo e, pensando no tempo presente do indicativo, a gente simplesmente joga ele lá para a frente do verbo e, depois, conjuga como explicado anteriormente. Confuso? Nem tanto!

Se eu quero dizer que acordo cedo todos os dias, em italiano, posso usar um verbo reflexivo, que seria o svegliarsi. Assim, a frase ficaria: mi sveglio presto tutti i giorni. Você reparou que antes do verbo conjugado (sveglio) tem uma palavrinha? Essa palavrinha é o tal pronome reflexivo.

Mas atenção: o pronome reflexivo (assim como a própria conjugação do verbo) muda de acordo com o sujeito! Vejamos, então, quais são esses pronomes reflexivos para, em seguida, entender a conjugação completa:

iomi
tuti
lei/luisi
noici
voivi
lorosi

Isso significa que a conjugação do verbo apresentado acima (svegliarsi) seria da seguinte forma:

iomisveglio
tutisvegli
lei/luisisveglia
noicisvegliamo
voivisvegliate
lorosisvegliano

O que aconteceu aqui? Eu tinha um verbo que era svegliarsi. Esse -si virou o pronome que, no tempo presente do indicativo, vai sempre antes do verbo. Assim, fiquei apenas com o verbo “normal” (que pode terminar em -are, -ere ou -ire), que neste caso era o svegliare, o qual conjuguei conforme explicado no último post.

Claro que, uma vez mais, é muito mais simples quando o verbo é regular, porque a conjugação dele funciona apenas seguindo a regrinha das terminações. Mas percebe que o pronome em nada atrapalha? Se você sabe quem é o sujeito, você sabe que pronome usar.

Algumas frases com verbos reflexivos

  • Luigi si allena un giorno sì, uno no (Luigi treina dia sim, dia não) — verbo usado: allenarsi.
  • Ci colleghiamo più tardi per risolvere questo problema (nos conectamos mais tarde para resolver esse problema) — verbo usado: collegarsi.
  • Vi divertite sempre così? (Vocês sempre se divertem assim?) — verbo usado: divertirsi.
  • Anna e Giovanna si conoscono da molti anni (Anna e Giovanna se conhecem há muitos anos) — verbo usado: conoscersi.

Agora é com você!

Destaque, no texto abaixo, os verbos reflexivos:

Laura ama leggere la sera prima di dormire. Legge a pancia in giù, con il libro in terra, fuori dal letto. Oppure mette il libro in fondo al letto e si stende con i piedi sul cuscino. Se la storia che legge è avventurosa, si agita, si avvolge nel lenzuolo, cambia continuamente posizione. Se la storia è emozionante resta immobile come una statua: si muovono solo gli occhi sulle parole. Quando ci sono storie paurose, si stringe al suo gattone di peluche, ma non si ferma. Anche tu fai così quando leggi?

Complete as frases, tentando conjugar os verbos. Não se esqueça dos pronomes:

1. Se non ________ (voi – prepararsi) subito, farete tardi.

2. Noi ________ (nascondersi) dietro quell’albero.

3. Spesso ________ (io – addormentarsi) verso mezzanotte.

4. La mamma appena arriva a casa ________ (mettersi) a fare le pulizie.

5. I bambini di oggi spesso ________ (annoiarsi) se non possono guardare la TV.

6. Giulia, quante volte ________ (lavarsi) i denti?

7. Matteo ________ (farsi) la barba tutte le settimane.

8. La mia amica ________ (chiamarsi) Laura.

9. Io ________ (stancarsi) delle cose molte velocemente.

10. Alberto ed io ________ (riposarsi) insieme dopo un giorno di lavoro.

Confira no arquivo abaixo se você fez corretamente os exercícios e, caso ainda tenha dúvidas, fique à vontade para me chamar.

Por fim, gostaria de lembrar que as inscrições para o curso Italiamo Tutti ainda estão abertas! O curso é online, com 3 horas de aula semanais (1h30, duas vezes por semana) e tem duração de dois meses. O valor do curso completo é R$360 (com material incluído).

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Versão italiana de músicas anglo-americanas

Você se lembra (caso tenha visto) dos posts que fiz sobre músicas italianas com versões brasileiras e músicas brasileiras com versões italianas? Foram posts que me diverti fazendo e, desde então, sinto vontade de também escrever sobre músicas anglo-americanas e suas versões italianas.

A ideia desse post surgiu, ainda, do fato que, por vezes, preparando aulas de italiano, deparo-me com versões de músicas (principalmente) norte-americanas. Uma das primeiras que me lembro de ter visto e que achei muito engraçada foi Sognando la California (Dik Dik, 1969), versão de California Dreamin’ (The Mamas e The Papas, 1966).

Lembrando que, geralmente, são versões, e não traduções literais. Nesse caso, por exemplo, ambas as canções fazem referências a elementos da natureza, mas na maioria dos casos são elementos diversos (fala-se de inverno na versão americana e céu cinza na versão italiana, por exemplo). Ouça-as e veja o que mais você consegue encontrar de diferente (e aproveite para se divertir com esses clipes…):

Antes de prosseguir, gostaria de comentar que é relativamente fácil encontrar versões italianas de músicas anglo-americanas (sim, porque não são apenas músicas norte-americanas que ganham suas versões, mas músicas em língua inglesa no geral). Como Tommaso Cazzorla explica neste artigo — que por si só já contém diversos exemplos do que estou trazendo aqui — a tradição de traduzir músicas estrangeiras de sucesso foi muito comum entre os anos 50 e 70, quando os italianos não estavam acostumados a ouvir (e cantar, né?) músicas em outras línguas.

Outra versão que podemos encontrar é É la pioggia che va (Rokes, 1966), derivada de Remember the rain (Bob Lind, 1966), também com diferenças entre as letras:

(Devo estar muito louca, mas o ritmo dessas músicas me lembrou o ritmo de Hey there Delilah??).

Com as suas diferenças textuais, temos, ainda, Quelli erano i giorni (Gigliola Cinquetti, 1969) e Those were the days (Mary Hopkin, 1968). Mas é interessante ver que ambas começam com a fórmula “era uma vez”:

Diferentemente das três músicas já mencionadas aqui, porém, a maioria das versões tem um título bem diferente do original. Uma que achei interessante, devido à mudança gritante, foi Sono bugiarda (Caterina Caselli, 1967) — que significa “sou mentirosa” —, versão de I’m a believer (Neil Diamond, 1967) — que significa “eu acredito”. No entanto, ambas têm uma letra parecida, falando sobre acreditar (ou não) no amor, mas jogando com esse fato de “passar a acreditar” ou “ser um mentiroso” por dizer que não acreditava:

E você não achou que os Beatles escapariam dessa, né? Existem diversas versões de músicas deles em italiano, claro. Algumas mais próximas do original que outras. Por exemplo, a versão de Let it be — que em italiano virou Dille sì — é muito mais romântica e sofrida que a original. Mas, escolhi para fechar esse post a versão de Come together (1969): Tam Tam, feita por The Rogers (1969). Textos totalmente diferentes também, nem o refrão se salva, mas dá para reconhecer de longe de onde vem a música, né?

E você, conhece mais músicas para integrar essa lista?


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Pérolas da minha surdez — Nuccia De Cicco

Título: Pérolas da minha surdez
Autora: Nuccia De Cicco
Editora: Bindi
Páginas: 218
Ano: 2020 (2º edição)

Se tem uma coisa que eu não faço é ficar planejando com antecedência o que eu vou ler. Claro que eu tenho uma lista infinita de livros a serem lidos, mas quando chega o momento de escolher a próxima leitura, eu simplesmente olho para o que está parado e deixo, sei lá, meu sexto sentido, escolher por mim. Por sorte, em um momento difícil, esse meu sexto sentido escolheu Pérolas da minha surdez e foi uma banho que me lavou a alma.

“Uma época em que você tinha tantas esperanças, outros tantos sonhos e, de repente, passou a sentir que tudo foi roubado”

Confesso que relutei com a escolha. Fiquei encarando a capa, pensando se era o momento certo. Isso porque, até então, tudo o que eu sabia/imaginava era que o livro falava sobre a surdez da autora e os percalços e momentos desse caminho. O que eu só fui descobrir com a leitura é que, na verdade, esse livro é bem mais que isso.

“O problema de ser forte o tempo inteiro é que pessoa alguma percebe quando você quebra. Eu quebro o tempo todo. Vê quem quer”

Devido à minha relutância, porém, antes de realmente mergulhar na obra, li um conto que veio com ela, também da autora. Chamado Ponte de vista, o conto foi escrito para acompanhar o livro e sua leitura já foi um bom e necessário choque de realidade. Ao contrário de Pérolas da minha surdez, ele tem um tom ficcional, mas daqueles que nos tocam como qualquer história real e palpável. Lido isto, resolvi encarar o livro.

Logo nas primeiras páginas, esta obra mostra a que veio ao mundo. Nas linhas inicias já nos deparamos com a oportunidade de conhecer mais da vida da autora, de ver uma sucessão de tombos, mas também uma sucessão de cabeças erguidas para tudo isso. E, com certeza, foi isso que fez eu me agarrar com ainda mais força à obra.

“Desapegar não é esquecer”

Aos poucos, claro, também vão entrando muitas explicações. Ao longo das páginas, Nuccia nos fala sobre os tipos de surdez (sim, existem muitos!), sobre a história da surdez, sobre Libras, sobre acessibilidade.

“Acessibilidade não é apenas permitir meios para que alguém consiga entrar. É, além disso, conceder oportunidades para que estas mesmas pessoas possam permanecer e entender o que ali existe”

Com pitadas de humor — ácido, por vezes — a autora tenta desmistificar “o universo surdo”, além de tentar fazer entrar em nossa cabeça como enxergamos e encaramos as coisas de maneira errada e até absurda.

“É lembrar que o surdo não é diferente, porque não existe ninguém igual”

Mas se engana, como eu já comentei um pouco no início, quem acha que são páginas e mais páginas técnicas e apenas voltadas para a surdez. Em Pérolas da minha surdez estamos em contato com uma história real, de um ser humano real e, portanto, cheio de sonhos, de aventuras, de desejos. E é por isso que, além de aprender sobre a surdez, podemos aprender muita coisa, inclusive sobre, por exemplo, dança do ventre.

“Rótulos são problemáticos, exclusivos, classificadores e não ajudam em nada, a não ser a uma pequena parcela de profissionais e às estatísticas”

Ah, e a Nuccia também ressalta, em mais de um momento, que ela é surda, mas que isso não a torna alheia ao mundo. Muito pelo contrário. Quando não podemos mais contar com um de nossos sentidos, os outros tornam-se ainda mais sensíveis…

“Eu não posso escutar. Mas a surdez é social, não minha”

Para além de tudo o que já mencionei, outros dois elementos que me conquistaram demais nessa obra, foram o fato de, apesar de explicar e apresentar muita coisa, a autora usar uma linguagem muito fácil e acessível, o que torna a leitura bem fluída e interessante.

“Senhoras e senhores, apresento-vos o capacitismo: o preconceito cultural que implica em duvidar da capacidade de um indivíduo em ser ou fazer o que ele desejar”

E o fato de que, como esta é a segunda edição, publicada em 2020, li uma versão atualizada da obra, mencionando o contexto pandêmico também, que trouxe sim mais algumas barreiras para os surdos. Porém, isso também me fez perceber uma coisa: esse é tipo de livro que, infelizmente, sempre terá algumas informações datadas. Como eu disse, ele foi republicado em 2020 e já há uma informação — mas esta para o bem! — desatualizada. Num dado momento, Nuccia fala que “A Itália possui uma cultura surda e os surdos utilizam uma língua de sinais não-oficial”. Pois bem, em maio de 2021 a LIS (Língua de Sinais Italiana) foi finalmente reconhecida! Bom ver que as coisas estão começando a caminhar mais nesse sentido, né?

“Sair do mundo ouvinte para o do silêncio na fase adulta é equivalente a atravessar uma parede de concreto espesso com apenas um passo”

Considero que Pérolas da minha surdez é um daqueles livros que precisam ser lidos ao menos uma vez na vida. Ao final da obra, ainda há uma série de referências de livros e filmes/séries com personagens surdos ou sobre a surdez. Ou seja, uma obra para termos sempre à mão também (ainda bem que optei por comprar a versão física, que agora está mais difícil de conseguir).

E aí, se interessou? Então clica aqui (ebook). Também aproveite para conhecer as outras obra da Nuccia aqui. E se quiser, tem resenha de Cadeados aqui.

Os italianos falam com as mãos [tradução 16]

Se tem uma aula que eu adoro preparar e dar é a aula sobre gestos italianos. Porque por mais que isso pareça apenas um estereótipo, existem verdadeiramente muitos gestos usados na comunicação italiana (e não só, pense bem), tornando tudo mais expressivo e expansivo.

Uma vez, lendo sobre o assunto, deparei-me com o artigo que resolvi traduzir aqui hoje. Ele foi escrito por Elisa Torretta e publicado em março de 2010, aqui neste site (sim, é blog sobre italianos em Paris. Como cheguei até ele? Não faço nem ideia). Vejamos o que ela tem a dizer sobre o assunto.


Existem muitos hábitos italianos, para nós absolutamente normais, que os estrangeiros acham surpreendentes ou inexplicáveis. Por exemplo: usar quase sempre óculos de sol ou falar alto. Entre os hábitos que suscitam mais curiosidade, talvez, está aquele de gesticular enquanto falamos.

De fato, muitos estrangeiros não entendem a necessidade de mover as mãos para comunicar e, em geral, chegam a uma simples conclusão: “os italianos falam com as mãos”. Em primeiro lugar, gostaria de precisar que nós, italianos, falamos com palavras, de acordo com uma sintaxe e uma gramática precisas. A prova disso é que é possível falar italiano inclusive ao telefone (coisa que conseguimos fazer muito bem, mesmo que continuemos a gesticular com o aparelho em mãos…), e que é possível também escrever e ler em língua italiana, sem imagens explicativas.

Então para que serve agitar-se tanto enquanto se fala? As palavras não são suficientes?

Naturalmente, as palavras são suficientes, mas por que limitar-se às palavras quando podemos usar todo o corpo? O gesto não substitui a palavra, mas a enriquece. É uma linguagem paralela, que adiciona nuances o muda o significado do nosso discurso. Experimente falar sem mover um músculo: a sua voz será monótona e insignificante.

Talvez, para quem olhe de fora, os gestos sejam apenas uma dança incompreensível, uma série de movimentos sem sentido. Mas, na Itália, o gestual é um elemento cultural muito importante e não um simples folclore. Os gestos são uma linguagem decodificada e precisa e têm um significado claro para quem sabe interpretá-los.

Não quero oferecer uma explicação dos numerosos gestos existentes, mas apenas lembrar a importância deles para nós, na comunicação. Com o gesto podemos exprimir uma emoção melhor que com muitas palavras, porque o movimento é mais espontâneo e sincero que a palavra. Podemos demonstrar raiva ou alegria, indiferença ou surpresa, e mudar a amplitude e a intensidade de acordo com o estado de ânimo e a situação.

Como todas as línguas, o gestual se aprende somente depois de anos de exercício e observação. Portanto, aconselho os estrangeiros a não tentar usar os gestos “à italiana” quando falam a nossa língua, porque poderiam não ser entendidos ou ser mal interpretados.

Por exemplo, o gesto mais célebre é a mão “em pinha”: as pontas dos dedos unidos em direção ao alto e a mão que se move para cima e para baixo. É um gesto que, em geral, acompanha uma pergunta ou uma dúvida. Portanto, é muito estranho agitar as mãos dessa forma e, ao mesmo tempo, dizer bom dia, como, por vezes, fazem os estrangeiros que imitam os italianos. Parece muito um falso pizzaiolo em um filme americano.

Influenciados pelas boas maneiras anglo-saxãs, hoje, usar muito as mãos quando falamos é considerado vulgar e simplório. Mas é amplamente tolerado, quase obrigatório, em casos de particular excitação, como uma briga ou uma partida de futebol.

De qualquer forma, gesticular continua sendo sempre um costume enraizado na nossa cultura. Faz parte da nossa identidade: através dos nossos gestos, podemos nos reconhecer imediatamente, mesmo no exterior, e podemos nos entender melhor entre nós, mesmo na Itália, para além dos dialetos e das barreiras sociais.

Diz-se, de fato, que desenvolvemos os gesto para poder nos entender entre nós, porque no passado, as pessoas falavam principalmente os dialetos e não o italiano.

Para mim, é também um sintoma do nosso constante desejo de comunicar ou, simplesmente, da nossa exuberância. Para nós, com efeito, é normal dividir com os outros os nossos sentimentos. Com o gesto, mesmo quem não pode nos ouvir, entende do que estamos falando.

Não, a discrição não faz parte da nossa bagagem cultural… Mas isso é realmente um defeito tão intolerável?


Depois desse texto, sempre sinto a necessidade de lembrar uma coisa: os gestos italianos são uma coisa totalmente diferente dos sinais das línguas de sinais. Mesmo da língua de sinais italiana, que foi reconhecida neste ano como língua oficial. E, mais que isso, cada país tem a sua língua de sinais, que assim como qualquer língua oral, é muito rica e singular. E é, como estou chamando aqui, uma língua, não uma linguagem! Os gestos italianos — que enriquecem a língua falada—, como você pode ter notado ao longo da leitura, são chamados apenas de linguagem, não de língua. Uma diferença que pode parecer sutil, mas que, no fundo, não é.

Agora me conta aqui: que gestos italianos você conhece? E o que achou deste artigo?

Eu escrevo poemas — Triz Santos

Título: Eu escrevo poemas
Autora: Triz Santos
Editora: Publicação independente
Páginas: 11
Ano: 2021

Eis que você decide ler um conto — “só 11 páginas, uma leiturinha rápida para passar o tempo” — e sai mais destruída do que quando iniciou a leitura.

Há histórias que são bonitas, mas há histórias que são ainda melhores quando lidas no momento certo. E foi o que aconteceu entre Eu escrevo poemas e eu. Literalmente, um conto que caiu do céu em meio à leituras que estavam sendo retomadas.

Na primeira linha da história conhecemos Ethan. Ele está em sua escrivaninha, aos prantos, e escrevendo… Um poema, claro. Poema este que, dentre tantos outros, foi escrito para Anthony, seu ex que nunca lerá nenhum desses versos.

“Sempre que Ethan se lembrava disso, seu peito doía e a sua respiração tornava-se escassa, enquanto se permitia chorar até não poder mais. Ele viu tudo de mais precioso que tinham se esvair diante de seus olhos, e não pôde fazer nada”

Não, Ethan não perdeu Anthony para a morte. O perdeu para a vida mesmo: sem mais nem menos, este decidiu que era hora de partir, de dizer adeus àquele relacionamento, deixando Ethan com o coração totalmente despedaçado e a mente totalmente caótica.

“E esse foi o fim. O fim de uma história de amor que ninguém jamais imaginou que um dia terminaria”

Há três anos Ethan tenta entender o que aconteceu. Há três anos Ethan vive no automático. E há três anos Ethan escreve para tentar expurgar essa dor que o consome.

“Muitas coisas foram deixadas pendentes

E eu revivo os momentos

Sempre que fecho os olhos

Como um filme

Que eu dolorosamente insisto em assistir”

Apesar de poder parecer apenas um conto extremamente dramático, Eu escrevo poemas é uma história bela, dolorosamente possível e, ao mesmo tempo, que nos faz refletir sobre a vida, sobre nossos sentimentos e a vontade ou necessidade de seguir em frente.

“Sua vida não ia para frente nem para trás, estava completamente estagnada…”

É, também, um conto para nos fazer lembrar que ciclos se fecham — repentinamente ou não —, mas que podemos (e devemos) nos permitir sentir a dor necessária, nos mostrando, porém, que também é importante buscar uma forma de contorná-la, porque ninguém quer seguir vivendo no automático, não?

Se você quiser realizar essa leitura também (e depois me contar a sua opinião, pois, como eu disse, li no momento certo, então, para mim, o impacto desta breve narrativa foi bem forte!), clique aqui.

Citações #38 — L’ultimo arrivato

Falei sobre L’ultimo arrivato (Marco Balzano) recentemente, mas, como acaba acontecendo quando gosto muito de um livro, diversos quotes ficaram de fora da resenha.

Por ser uma obra italiana, farei o que costumo fazer: vou colocar os quotes em português (tradução livre, feita por mim) e, ao final, os originais, na ordem em que aparecerem aqui, para quem quiser dar aquela espiadinha nessa língua maravilhosa.

A história de L’ultimo arrivato é forte e nos faz refletir sobre aspectos bem diversos de nossa existência, como, por exemplo, amizades e preconceitos:

“Amigos verdadeiros me parece que só se pode ser quando pequenos, quando somos limpos por dentro e não fazemos cálculos de interesse nem outras obscenidades.

E ainda nesse caminho dos preconceitos — e coisas que precisamos desmitificar —, há uma passagem que chamou minha atenção, falando sobre o choro:

“Vendo-me chorar, ficou de boca aberta e me disse que chorar é a última coisa que devemos fazer neste mundo, porque não serve para nada”

Esse trecho chamou minha atenção porque eu sou muito a favor do choro livre, por quem for! (O que não significa, necessariamente, que você vai me ver chorando tão facilmente assim… hahahahah).

E há, ainda, uma passagem sobre a nossa história, o nosso passado e aquilo que, por vezes, não queremos que ninguém veja, porque talvez ninguém seja capaz de compreender:

“Sim, porque os desconhecidos, isso eu entendo quando sento no banquinho frio dos jardins, não têm nada para te perdoar. Nada para esquecer”

O que me faz pensar que o passado de Ninetto, protagonista desta história, não foi nem um pouco fácil, sendo marcado por uma migração forçada e solitária:

“O trem que desce não é o mesmo que sobre. É outra história”

Mas, antes dessa migração, já havia um grande distanciamento da mãe, doente e incapaz de cuidar de seu filho, mas a quem ele ama muito:

“Até o fim, a mudez foi o seu modo de se defender. Da sujeira, dos médicos, da solidão”

Até porque, em sua vida, Ninetto teve poucas pessoas e, menos ainda, pessoas que lhe fossem importantes e cuidassem verdadeiramente dele:

“É uma pena ser filho único. Falta uma palavra importante em seu vocabulário: irmão”

Mas eu estava falando sobre o passado de Ninetto e, ao longo da história, também vamos percebendo que ele carrega mais sombras do que pode parecer em um primeiro momento, o que também lhe causa certa amargura:

“Eu nunca fui uma referência”

Mas essas sombras também são fruto de um erro cometido por ele, um erro gravíssimo:

“Para certos erros não se pode pedir desculpas”

Tal erro faz com que ele seja preso, e a prisão também o transforma muito:

“O cárcere te desabitua inclusive à civilidade. Você esquece dela porque naquela imundície ela é inapropriada”

E é por tudo isso que o início e o fim da vida de Ninetto são tão parecidos: solitários, reflexivos:

“O cárcere cavou um fosso tão profundo que, ao meu lado, sobrou apenas Maddalena”

Eu disse na resenha e reforço aqui: L’ultimo arrivato é um soco no estômago. Uma história inventada, mas que foi real para muitos. Uma história para aprendermos.

E, como prometido, os quotes originais:

“Amici veri mi sa che si può essere solo da picciriddi, quando si è puliti dentro e non si fanno calcoli di interesse né altre oscenità”

“Vedendomi piangere rimase a bocca aperta e mi disse che piangere è l’ultima cosa che bisogna fare a questo mondo perché non serve mai a niente”

“Sì perché gli sconosciuti, lo capisco quando mi siedo sulla panchina fredda dei giardinetti, non hanno niente da perdonarti. Niente da dimenticare”

“Il treno che scende non è lo stesso che sale. È un’altra storia”

“Fino alla fine il mutismo fu il suo modo di difendersi. Dalla sporcizia, dai medici, dalla solitudine”

“È una disdetta essere figli unici. Ti manca una parola importante del vocabolario, fratello”

“Io non sono mai stato un punto di riferimento”

“Per certi sbagli non si può chiedere scusa”

“Il carcere ti disabitua pure alla civiltà. Te la scordi perché in quel luridume è inappropriata”

“Il carcere ha scavato un fossato così profondo che dalla mia parte è rimasta solo Maddalena”

TAG dos 50% — 2021

Pela primeira vez a criança aqui se ligou em responder a famosa (nesse meio de blogs literários) TAG dos 50%, criada há um bom tempo por Chami, do canal Read Like Wild Fire e traduzida por Victor Almeida, do Geek Freak. Consiste em falar um pouco, através de algumas perguntas, sobre os livros lidos até o mês julho, a metade do ano. Vou tentar não repetir as obras nas respostas, vamos ver se consigo!

01.O melhor livro que você leu até agora

A gente já começa com pergunta capciosa, né? Mas vou mencionar aqui Novecento (Alessandro Barico).

02. A melhor continuação que você leu até agora

Considerando que emendei em dezembro-janeiro as leituras de O irlandês e O casamento (Tayana Alvez), posso considerar que O casamento foi a melhor continuação que li até agora, certo?

03. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito

Confesso que não sou muito ligada nisso de lançamentos, para não sair comprando tudo e lendo nada. Mas tem um livro da Editora Lettre que eu revisei, que está no período final da pré-venda e que era tudo o que eu precisava ler nesse momento: O que restou de mim (Abraão Nóbrega). Tô só esperando o meu chegar!

04. O livro mais aguardado do segundo semestre

Como mencionei acima, procuro fugir de informações sobre lançamentos, então não consigo pensar em nenhum para mencionar aqui.

05. O livro que mais te decepcionou esse ano

Infelizmente, fiquei decepcionada com o Mãe, me ensina a conversar (Dalva Tabachi)

06. O livro que mais te surpreendeu esse ano

Olha, difícil escolher aqui. Pensei em mais de uma opção com justificativa. Mas vou mencionar Poeira estelar (Gabriela Araujo), porque quando comecei a ler achei que não daria em nada e terminei totalmente sensibilizada e encantada.

07. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente)

A coitada que vai me aguentar resenhando todos os lançamentos e muito mais é a Tayana Alvez, que conheci no final do ano passado.

08. A sua quedinha por personagem fictício mais recente

Ai, gente, eu sou péssima com essas coisas. E no momento não quero ter quedinha nem por seres humanos reais e nem por personagens fictícios. Tenham paciência com esse coração aquariano congelado.

09. Seu personagem favorito mais recente 

Acho que aqui eu posso mencionar o coitado do Ethan, de Eu escrevo poemas (Triz Santos), cuja resenha deve aparecer por aqui semana que vem (e aí talvez vocês entendem porque eu gostei dele e chamei ele de coitado).

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre 

Se não estou enganada (é que já chorei tanto depois disso), eu chorei em alguns momentos de A sandália virada (H. L. Amaral).

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre 

Eu tinha que citar Maicon Moura aqui, né? Então Cigarro e anéis no rabo do gato, que além de ser ótimo, tive o prazer de revisar e escrever o prefácio!

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora

Eu confesso que não sei nem quando foi a última vez que assisti um filme… Sou péssima, eu sei!

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo)

Fiquei em dúvida se é para citar uma resenha minha mesmo, mas vou mencionar aqui a que fiz de O som no fim do túnel (N. R. Melo), porque acho que consegui abarcar alguns pontos importantes da trama e apresentar os personagens. E porque esse é um livro que merece ser lido.

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano, até agora 

Achei lindíssima a edição de um projeto que apoiei no Catarse (e que agora pode ser adquirido no site da Editora Saíra): 21 histórias de estudantes que mudaram a escola (org.: Cinthia Rodrigues e Luciana Alvarez).

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Não gosto de colocar grandes imposições, vou apenas me deixando levar pelas leituras. Mas gostaria de tentar cumprir a minha meta do Skoob, que ainda conta com uns 30 livros….


Também queria aproveitar esse post para fazer um balanço de como têm sido as coisas aqui no Blog, já que escrevo aqui semanalmente (com algumas falhas, mas sempre seguindo).

Comecei 2021 escrevendo um questionamento: as pessoas ainda leem blogs? Esse post teve mais repercussão do que eu esperava! E nele eu comentei um pouco sobre os número daqui que, para minha alegria, têm sido a cada dia melhores! E os posts mais visitados, até o momento, são:

Sobre esses posts, gostaria de destacar que o Notas sobre a experiência e o saber da experiência está sempre entre os mais visitados, desde que foi postado (ano passado foi o artigo mais visitado do ano). Nunca entendi muito bem o porquê, apesar de ficar bem feliz com isso. Igualmente, não me surpreende muito a presença dos quotes de Ensinando a transgredir (bell hook). Mas não consigo explicar porque tenho recebido tantas visitas ao post de Enquanto houver sol e menos ainda o crescente número de acessos à resenha de A princesa salva a si mesma neste livro.

De qualquer forma, sejam quais forem os motivos que tragam os leitores a este blog (esperando que sejam bons motivos, claro), fico realmente feliz e agradeço a cada um que para por alguns minutos para ler as minhas palavras e considerações. Espero estar contribuindo com boas coisas!

E você, já parou para refletir sobre a primeira metade do seu ano?

Tamara Jong: a última flor do paraíso — José M. S. Freire

Título: Tamara Jong: a última flor do paraíso
Autor: José M. S. Freire
Editora: publicação independente
Páginas: 361
Ano: 2020

Em 2019 eu escrevi uma resenha sobre o segundo volume de Tamara Jong e, já naquele momento, expliquei que é possível ler as obras separadamente. Foi por isso que não pestanejei em mergulhar na leitura de Tamara Jong: a última flor do paraíso, quinto volume desta série de ficção científica criada pelo autor José M. S. Freire.

“A vida é dura em toda parte, mas, ainda assim, é tudo que temos, e nós devemos lutar por ela”

Uma vez mais, o prefácio é crucial para o embarque nessa aventura. Ele nos dá um bom panorama do que veio antes e nos faz entrar no clima da história.

“Eu perdi uma batalha, mas haverá muitas outras. Quando você crescer, você entenderá que as guerras são como a própria vida: só se para de lutar quando se morre!”

Desta vez, porém, os protagonistas estão cada um em um canto, lutando para sobreviver. E a narrativa vai, a cada capítulo, nos mostrando um desses personagens e suas aventuras.

Conhecemos, assim, diversos cenários e, claro, ficamos de cabelo em pé em algumas situações, sempre imaginando que é o fim da linha para alguém. Mas será que é mesmo?

“Aliás, na verdade, era isto que mais doía em André: o ego ferido por ter sido enganado por uma criatura rudimentar como aquela. Ele não se perdoava por ter sido tão descuidado”

Dentre esses cenários, uma vez mais, notamos muitas similaridades com o nosso verdadeiro mundo, principalmente com relação a problemas e coisas ruins… E, ao mesmo tempo, nosso verdadeiro mundo entra “disfarçadamente” na história de uma maneira que achei genial:

“No reino do Brehzil, sabe-se tudo mas não se faz nada!”

(assim, somente com o quote, não dá para pegar totalmente a ideia, então sugiro que você leia a obra para que entenda completamente porque isso foi muito criativo).

E claro que, uma vez mais, temos muito sobre o que refletir e mais ainda a aprender, porque isso, desde o primeiro livro que li, já fica claro: o autor consegue inserir diversas passagens interessantes, mas sem que fiquem forçadas na narrativa.

“Eu, que sempre vivi no luxo e na riqueza, acabei de aprender com você e o Rodrigo que a joia mais preciosa que podemos ostentar em nossas vidas é a face radiante das pessoas leais e amigas, estampada para sempre no véu de nossas lembranças”

Neste volume, no entanto, senti que, apesar de todas as cenas de arrepiar, a ação não esteve tão bem presente quanto anteriormente, dando mais espaço a descrições. Além disso, os capítulos são grandinhos, então se acomode bem no momento de ler e embarque nesta aventura única.

Se quiser conhecer essa história — e também os outros volumes de Tamara Jong — clique aqui.

Parcerias literárias com editoras

Eu poderia jurar que em algum momento já havia escrito sobre isso por aqui, mas dei uma procurada e não achei nada. Como em julho é provável que algumas editoras abram parcerias, acho que é um bom momento para batermos um papo sobre o assunto, pensando nos prós e contras, mas também no que você pode fazer para se destacar caso deseje muito conseguir uma parceria.

Vantagens de uma parceria literária

Sem dúvidas, conseguir uma parceria literária com uma editora traz diversas vantagens. Até porque, se não fosse assim, não seria uma prática tão comum e, muitas vezes, tão concorrida, né?

Para mencionar o óbvio, por meio dessas parcerias podemos receber diversos mimos e livros, físicos ou digitais. É importante ressaltar que tudo depende da editora com a qual você consegue uma parceria. Pequenas editoras, por exemplo, nem sempre conseguem enviar livros físicos aos seus parceiros, mas disponibilizam o ebook e outros materiais, além de fazer sorteios ou enviar brindes.

Além disso, o seu conteúdo passa a ganhar certo destaque, afinal uma editora decidiu confiar em seu trabalho. E não só isso: você passa a estar em contato com outros produtores de conteúdo, além de conhecer um pouco mais dos bastidores literários. Você pode conhecer muita gente bacana e aprender de montão com uma parceria dessas.

Infelizmente, porém, nem tudo são flores…

Desvantagens de uma parceria literária

Em primeiro lugar, uma parceria implica certas obrigações. Se você recebe um livro, não importa se em formato digital ou físico, espera-se que você fale sobre ele, que o mostre em suas redes sociais, que o resenhe. E isso costuma ter prazos, além de ser cobrada certa frequência. Ou seja: com uma parceria literária, a leitura — que antes talvez fosse apenas um hobby — pode se tornar uma obrigação.

Além disso, é preciso tomar cuidado, pois algumas editoras cobram mais do que oferecem. Lembre-se sempre que a parceria deve ser uma via de mão dupla. Não é porque a editora te ofereceu um livro ou um ebook que ela tem direito de cobrar de você um trabalho que não lhe cabe.

Como conseguir certo destaque

Pode parecer estranho eu vir aqui falar sobre como conseguir certo destaque na hora de se inscrever para uma parceria, mas tem duas dicas que eu gostaria muito de compartilhar, principalmente para quem ainda é “pequeno”.

A primeira coisa, na verdade, eu li uma vez no twitter e, desde então, penso muito sobre o assunto: como você quer conseguir parceria com uma editora se você não acompanha o trabalho dela, não apoia o conteúdo que ela produz? Pior ainda: se você nunca viu nada daquela editora, como sabe que ela produz livros que são realmente do seu interesse?

Isso é muito importante para você que acha que tem que se inscrever em todas as parcerias que aparecem pela frente, para ver se consegue ao menos uma delas. De que adianta, no final das contas, realmente conseguir ao menos dessas parcerias, se depois você vai se frustrar com os livros da editora em questão?

O meu segundo conselho é: seja diferente, e com autenticidade. Eu sei, não é nada fácil, eu mesma sou péssima nisso. Mas sabe quando tem um campo tipo “você tem algo mais a nos dizer?” ou qualquer coisa assim? Procure não deixar ele em branco! Às vezes, esse é o espaço perfeito para você conquistar quem está avaliando as inscrições.

Eu já participei da seleção de parceiros de uma pequena editora e como um dos critérios era o real interesse da pessoa em ser parceiro da editora para crescer junto — e não simplesmente para ganhar livro de graça — esse campo foi crucial para captar algumas pessoas que pareciam ter interesse no trabalho — através de comentários como “só queria ser selecionada” ou “gosto muito de vocês” — e excluir aquelas que só tinham interesse em ganhar algo — geralmente são pessoas que escrevem perguntas do tipo “quantos livros vocês enviam?”, “mas vai ser só ebook mesmo?”.

Conclusões

Já tive uma curta experiência como parceira literária de pequenas editoras e também já organizeis e selecionei parceiros para uma pequena editora e, por isso, achei importante falar sobre o assunto. Como tudo na vida, as parcerias literárias têm as suas vantagens e desvantagens e é importante, antes de mais nada, colocar na balança tudo aquilo que queremos ou não para nossas vidas.

No momento, eu não sinto vontade de firmar parcerias com editoras, apesar de enxergar certa importância nisso para o crescimento do Blog e, claro, saber que é uma alegria ver editoras reconhecendo nosso trabalho. Mas eu sei que preciso ler o que quero e porque quero, então prefiro fazer as coisas no meu ritmo, ao menos agora. E você, o que acha disso?

I verbi in italiano – presente indicativo

Aprender uma nova língua requer certa paciência. O início pode ser um pouco angustiante porque queremos saber tudo, mas obviamente não é possível aprender tudo de uma única vez.

Quando vemos que chegamos aos verbos, logo pensamos “nossa, agora vou conseguir me comunicar!”. Mas ainda não é bem assim, porque os verbos são muitos e em diversos tempos. Aprendemos o presente e continuamos sentindo falta ao menos do passado e do futuro para poder transmitir o básico.

É, minha gente, é preciso paciência, como eu disse ali no início. Mas, como tudo na vida, um passo de cada vez e chegamos lá, certo?

Hoje eu quero continuar a falar sobre os verbos em italiano e como conjugá-los no tempo presente do modo indicativo. Lembrando que, anteriormente, já trouxe aqui os verbos irregulares essere e avere.

Antes de mais nada, é preciso dizer que temos três terminações em italiano: os verbos em -are (primeira conjugação), em -ere (segunda conjugação) e em -ire (terceira conjugação). Sempre que pensamos nos verbos, pensamos nessas três conjugações e isso já facilita um pouco esse caminho.

Uma das coisas mais engraçadas, quando damos aula, é ver a cara de alívio dos alunos ao se deparar com um verbo regular. Sim, porque nesses casos, é muito simples “aplicar a regrinha”, ainda que seja preciso sabê-la. Mas e com os irregulares, que nem saber a regrinha adianta? Aí, realmente, o segredo é buscar sempre praticar e ter contato com a língua, não tem jeito, não tem fórmula mágica.

Mas, sem mais delongas, como se dá a conjugação dos verbos regulares italianos, no presente do indicativo?

Para os verbos da primeira conjugação (-are), devemos tirar essa terminação e substituir por:

io– o
tu– i
lei/lui– a
noi– iamo
voi– ate
loro– ano

Não entendeu muito bem como fazer isso? Então vamos pensar nos verbos cantare (cantar) e volare (voar):

iocantovolo
tucanti voli
lei/ lui canta vola
noi cantiamo voliamo
voi cantate volate
loro cantano volano

Percebeu que, nos dois casos, eu mantive a raiz (cant- e vol-) e fui só substituindo o final (o tal do -are), de acordo com as terminações mostradas na primeira tabela? A mesma coisa acontece com os verbos da segunda e terceira conjugação, mudando apenas algumas das terminações. Vejamos como é para os verbos da segunda conjugação:

io-o
tu-i
lei/lui-e
noi-iamo
voi-ete
loro-ono

Vamos conjugar os verbos leggere (ler) e scrivere (escrever) que, afinal, têm tudo a ver com Blog?

ioleggoscrivo
tu leggi scrivi
lei/lui legge scrive
noi leggiamo scriviamo
voi leggete scrivete
loro leggono scrivono

E, enfim, chegamos à terceira conjugação. Mas, no presente, ela tem uma pequena peculiaridade: temos dois tipos de terminação e alguns verbos regulares pertencem ao primeiro tipo e alguns ao segundo tipo. Não tem nada neles que indique isso logo de cara, mas, muitas vezes, sonoramente conseguimos perceber o que fica melhor. Comecemos, como nos casos anteriores, pelas terminações:

io-o / -isco
tu-i / -isci
lei/lui-e / -isce
noi-iamo
voi-ite
loro-ono / -iscono

Para entender esses usos, vejamos os verbos aprire (abrir) e o verbo finire (acabar):

ioaprofinisco
tu apri finisci
lei/lui apre finisce
noi apriamo finiamo
voi aprite finite
loro aprono finiscono

Percebeu a diferença?

Agora, vamos ler um pequeno texto em italiano e encontrar alguns verbos? Vou destacar apenas os regulares e o essere e avere e deixo a você a tarefa de perceber em que pessoa eles estão conjugados:

Al tornado non manca mai l’aria

I tornado non sono temibili solo per la loro violenza inaudita, ma anche perché è impossibile prevederne con precisione la nascita e la direzione. Tutto comincia dall’incontro di una massa d’aria fredda, proveniente dai Poli, con una massa d’aria calda di origine tropicale. La loro collisione genera un’enorme nuvola temporalesca. All’interno di essa si generano numerosi vortici, che girano come tante trottole. Talvolta questi vortici si uniscono in uno solo, di dimensioni gigantesche e a forma di imbuto. Nella sua parte più stretta il vortice si allunga, raddoppia la propria violenza e raggiunge il suolo. Polvere, tetti, camion… al suo passaggio il tornado travolge tutto! L’energia di un grosso tornado è superiore alla totalità dell’energia elettrica consumata in un anno nel mondo. Negli Stati Uniti se ne verificano circa 800 all’anno.

Depois de refletir sobre os verbos do texto acima, que tal tentar colocar os seus conhecimentos em prática? Deixo aqui algumas respostas à pergunta “perché studi l’italiano?” (por que você estuda italiano?) para que você conjugue corretamente os verbos que estão entre parênteses. Depois, confira as suas respostas no arquivo em anexo e conte comigo para qualquer dúvida!

1. Io (studiare) l’italiano perché è una lingua musicale e bella e perché io (amare) l’Italia per la sua storia e la sua cultura.

2. (studiare) l’italiano perché voglio studiare in Italia e diventare allenatore di calcio.

3. Io (lavorare) nel campo della moda, quindi parlare italiano è importante per il mio lavoro.

4. Ho scelto l’italiano perché mi piace la musica italiana. Io (sentire) sempre le canzone di Laura Pausini!

5. (amare) l’Italia per la sua musica, la sua cultura e la sua cucina.

6. Mia famiglia (essere) italiana e, per questo, ho deciso di imparare questa lingua così bella e importante per noi.

7. Io (avere) degli amici che (vivere) in Italia e voglio visitarli, per questo io (imparare) l’italiano.

Para conferir as respostas:


Sabe um pouco de italiano e quer aprender mais sobre a cultura? Então aproveite essa oportunidade: até domingo (27/06) você pode se inscrever na primeira turma do curso de férias do Italiamo Tutti. Serão 4 aulas de 1h30 cada, por apenas R$59,90 e com as seguintes temáticas:

  • In Italia si mangia solo pasta?
  • Cosa ascoltano gli italiani? [eu que vou dar essa aula!]
  • Dove si va il sabato sera?
  • La rinascita del cinema italiano

As aulas já começam na segunda-feira, dia 28/06 e você pode ter mais informações sobre o curso e se inscrever aqui.